“Rachadinhas”, o retorno

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Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 30 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Como se não bastasse a polêmica sobre N.S. Aparecida e o título de Padroeira do Brasil, uma decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, traz à tona as rachadinhas na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. E personagens como Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio na Alerj, e a ex-assessora Danielle da Nóbrega, viúva do miliciano Adriano da Nóbrega, morto pela polícia na Bahia. Gilmar manteve a quebra de sigilo bancário e fiscal de Danielle e deu publicidade à sua decisão e à parte da investigação que aponta a conta bancária de Queiroz como “um centro de arrecadação de valores provenientes de diversos assessores vinculados ao gabinete do então deputado estadual Flávio Nantes Bolsonaro”. Flávio não é investigado, mas Queiroz e Danielle terão que responder.

Por falar em “rachadinhas”…/ A batalha nas redes sociais está grande, com os bolsonaristas reproduzindo reportagem que mencionava a viagem de Lulinha e família com a lobista Roberta Luchsinger à Suécia, à Finlândia e à Suíça em 2025. Petistas, então, perguntam: “Lulinha é candidato a que mesmo?” E emendam com perguntas sobre as rachadinhas e o dinheiro que Flávio pediu a Daniel Vorcaro. Será assim enquanto durar o processo eleitoral.

Deixem N.S. Aparecida em paz

Crédito: Divulgação/Canção Nova
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Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 30 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Divulgação/Canção Nova
Crédito: Divulgação/Canção Nova

A recente polêmica envolvendo Nossa Senhora não agradou aos membros da Frente Parlamentar Católica no Congresso. O grupo tem em sua composição parlamentares de diversas legendas e ideologias, e não quer saber de divisão. A ordem é não se pronunciar por agora e estudar medidas para evitar que o assunto continue quente quando os parlamentares voltarem ao trabalho, em outubro. Muitos estão “tristes” em ver a Padroeira do Brasil sendo usada como moeda eleitoral. Princípio totalmente repudiado pela frente, que prega o voto consciente.

Muito além da Santa

Desde domingo, voltou a circular nas redes sociais a reunião ministerial do governo de Jair Bolsonaro em que o então ministro da Economia, Paulo Guedes, defende a liberação das apostas on-line. Ao responder às ponderações da então ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, sobre o jogo, ele diz. “É só maior de idade. Quem ganhou, deixa lá. Não atrapalha ninguém. Deixa cada um se f… do jeito que quiser. O nosso presidente fala em liberdade, deixa cada um se f… do jeito que quiser. Principalmente, se o cara é maior de idade, vacinado e bilionário”.

Por falar em apostas…

O Instituto Brasileiro de Política e Economia (IBPE), ligadoà Frente Parlamentar do Empreendedorismo — comandada pelo deputado Joaquim Passarinho (PL-PA) —, defende, em nota, que o método adotado pelo governo para acabar com o jogo on-line não ouviu o Congresso e aumentou a insegurança jurídica no país. “Hoje, é o setor de apostas. Amanhã, a mesma lógica poderá alcançar qualquer atividade submetida à autorização, concessão ou regulação estatal. Se investimentos realizados sob regras estabelecidas pelo próprio poder público podem perder seu fundamento por uma mudança abrupta, todo agente econômico passa a incorporar esse risco ao decidir se investe, emprega e produz no Brasil”, diz o IBPE, em nota.

Bolsonaro e Lula turbinam campanhas ao Legislativo

Crédito: Kleber Sales
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Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 30 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Kleber Sales

A pesquisa Correio/Opinião divulgada hoje mostrou que três partidos aliados a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) devem conquistar ao todo seis vagas para a Câmara dos Deputados: PL, Republicanos e MDB, sendo duas vagas cada um. PSol, Rede e a federação PT-PCdoB-PV ficariam com uma vaga cada um, completando o quadro de oito federais do Distrito Federal. Ambas compõem a coligação que apoia a reeleição do presidente Lula. Sinal de que as campanhas para o governo ajudam a puxar aliados.

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Enquanto isso, no Senado…/ Coma subida de Bia Kicis (PL-DF) ameaçando a reeleição de Leila do Vôlei (PDT), uma parcela do PT que boicotava a pedetista começa a rever seus conceitos. O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, divulgou um manifesto a favor da reeleição de Leila. Em carta, ele diz ter ficado decepcionado com ela pelo fato de ter assinado um dos pedidos de impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Kakay defende que é necessário olhar o pleito com preocupação e lembra que o DF já tem uma senadora “de extrema direita e bolsonarista” — referindo-se a Damares Alves (Republicanos-DF) — e, por isso, é necessário que as duas vagas não sejam renovadas “pelas candidatas do presidiário Bolsonaro”. Até aqui, Bia foi quem mais cresceu na disputa ao Senado, de acordo com a pesquisa do Correio.

Ganhou a aposta

O comando da campanha de João Campos ao governo de Pernambuco apostou que a caminhada do candidato com Lula, na semana passada, surtiria efeito na pesquisa de intenção de voto. A última rodada da Quaest provou que seus estrategistas estavam certos. João chegou a 42%, empatando com Raquel Lyra (PSD). No levantamento anterior, o presidente do PSB tinha 39%. Campos também alcançou a governadora no segundo turno, saindo de 41%para os mesmos 43% dela.

Crédito: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP

Enquanto isso, em São Paulo…

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos, foto), candidato à reeleição, manteve-se na liderança das intenções de votos na última pesquisa Quaest. Segundo o levantamento, manteve os 44% no primeiro turno e 49%, no segundo. O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad apresentou queda nos dois cenários. No primeiro turno, ele teria 24%, perdendo três pontos, e no segundo turno 29%, perdendo um ponto.

Agora vai

O Operador Nacional do Sistema (ONS) prevê publicar, ainda hoje, nota técnica com os dados de “margem de escoamento” para a realização, em dezembro, do leilão debaterias para armazenamento de energia elétrica. O documento trará informações sobre onde há espaço na rede para conexão desse sistema de armazenamento, um ponto crucial para as empresas que quiserem participar do pregão. O setor espera ansioso por essa publicação a fim de fechar as propostas.

As saias e Flávio

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Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 29 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Kleber Sales

Flávio Bolsonaro conseguiu, neste processo eleitoral, gabaritar o dito popular levado muito a sério na política: “Não se briga com quem usa saias: mulher, juiz e bispo”. Ele tentou se aproximar das mulheres, separar os juízes do caso Alexandre de Moraes, e, agora, bate nos bispos católicos. Acusa a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil de contribuir para as fake news sobre tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A CNBB respondeu que não se combate mentira com mentira.

Atrás do prejuízo

A nota do Conselho Interdenominacional dos Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb) foi clara ao repudiar a fake news sobre a Nossa Senhora e reafirmar o respeito entre as religiões. “Evangélicos e católicos vivem em paz”. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), publicou em seu WhatsApp: “É muito sério! Divulgue, por favor!”, devido à proporção que o tema tomou nas redes e na campanha de Flávio.

Veja bem

Católicos e evangélicos não vivem tão em paz assim. Em 1995, um pastor da Igreja Universal chutou a imagem de N.S. Aparecida ao vivo e o vídeo jamais foi esquecido. Houve um projeto, em 2007, que tirava o título de Padroeira do Brasil e foi arquivado. Recentemente, Flávio afirmou em suas redes sociais: “Vou decretar que o Brasil pertence ao Senhor Jesus Cristo”. A frase foi lida como um aceno aos evangélicos e um desprestígio à Padroeira. Na avaliação de muitos, foi o que causou toda a celeuma desses dias.

Difícil escapar de processo de impeachment

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Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 29 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

O think tank Ranking dos Políticos tenta mapear o que pensa a maioria dos candidatos ao Senado sobre abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal. Descobriu que, em Sergipe, por exemplo, dos 10 nomes ao Senado, nove são favoráveis à abertura de processo. Por lá, concorrem à reeleição os senadores Alessandro Vieira (MDB) e Rogério Carvalho (PT), que, segundo o levantamento do Ranking, são a favor da apuração da conduta dos membros do STF.

Muita calma nessa hora

A listagem que o Ranking publicou em seu site não é científica. Até porque, eles colocam como se todos os listados fossem “a favor de impeachment de ministros do STF”. E, na verdade, há dois grupos: os que defendem abertamente impeachment de ministros e aqueles que condicionam o apoio à apresentação de denúncia formal ou resultado de investigações em curso.

Os riscos de Lula e de Flávio

Crédito: Maurenilson Freire
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Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 29 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deve comparecer ao debate promovido pela tevê Globo, na reta final deste primeiro turno. E por um motivo muito simples: teria cinco minutos em cada bloco para falar do governo, enquanto todos os outros o atacariam durante 15 minutos. Ainda há tempo, até quinta-feira, para uma nova reflexão dentro do PT, mas essa contagem de 15 contra cinco é o principal ponto. Flávio Bolsonaro, porém, afirmou que não deixará de ir, com ou sem a presença do presidente.

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Contagem regressiva/ O cálculo da campanha é de que Lula pode aproveitar esse tempo num ato de campanha em algum lugar do país, colocando-se ao lado dos mais pobres. Além disso, não seria a primeira vez que um candidato deixaria de comparecer ao debate de encerramento do primeiro turno. Em 1994, a mesma Globo optou por não fazer esse confronto. Deixou para o segundo turno, mas Fernando Henrique Cardoso venceu no primeiro. Em 1998, o debate da Globo em primeiro turno foi cancelado porque FHC não iria e havia dúvidas sobre um debate sem a presença do líder. Em 2006, Lula, candidato à reeleição, seguindo o exemplo de FHC, optou por não comparecer. Em 2018, Jair Bolsonaro teve orientação médica de não comparecer. Em 2022, já presidente, Bolsonaro compareceu ao debate.

Cresce campanha do voto útil

Não apenas para presidente da República, mas para o Senado também esse movimento ganha força. Em Goiás, por exemplo, os partidos que querem evitar que Gustavo Gayer (PL) suba pedem o segundo voto para Vanderlan Cardoso (PSD), que aparece nas pesquisas tecnicamente empatado com Zacharias Calil (MDB). Em São Paulo, a manobra foi mais radical. Ricardo Salles (Novo) saiu da disputa. Há quem aposte que será secretário de Tarcísio de Freitas, num provável segundo governo estadual.

A incerteza delas

Centros de estudos e pesquisas começam a se preocupar com a alta abstenção de mulheres nesta eleição, tal e qual foi em determinados extratos dessa parcela do eleitorado, em 2022. O principal motivo para uma alta abstenção é a falta de confiança de que o voto resultará em alguma mudança. A percepção foi captada pelo Projeto Brief, que entrevistou mais de 3,5 mil mulheres sobre o motivo delas se afastarem das urnas e o que poderia mudar esse cenário. Segundo o estudo, 30% das mulheres que recebem até dois salários mínimos não votaram em 2022, mais que o dobro do registrado entre as de renda mais alta.

Memórias da greve/ Será lançado hoje o livro No Coração do Sistema, que relembra a greve dos bancários, em 1985. Organizado pela jornalista Fernanda Otero, reúne 43 artigos de participantes da greve. É na sede da Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil, às 19h. O título foi lançado na 28ª Bienal do Livro de São Paulo.

A disputa dos Carlos

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Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 25 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

No Rio de Janeiro a deputada Benedita da Silva (PT) mantém a liderança das pesquisas de intenção devoto para o Senado, pontuando 15% na nova rodada da Quaest. Empatados em segundo lugar estão o senador Carlos Portinho (PL) e o deputado Carlos Jordy (PL) com 10%.

Os dois brigam agora por uma das cadeiras, mas já disputaram a candidatura internamente, lá atrás, quando o ex-governador Cláudio Castro (PL) desistiu de concorrer. Portinho conquistou a candidatura naquela ocasião e Jordy passou a candidato em julho, quando Márcio Canella (PP) foi preso.

“Hora certa”

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Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 25 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

Aliados do ex-prefeito de Recife e candidato ao governo de Pernambuco João Campos (PSB) apostam na caminhada com o presidente Lula hoje, na capital pernambucana, para assegurar uma arrancada na reta final.

Candidatos do grupo do presidente do PSB afirmam que tem sido uma disputa muito “puxada e dura”, para os dois lados e a ida do petista ao Recife tem tudo para ser um divisor de águas. Lula tem crescido nas pesquisas por lá e isso, avaliam, tende a puxar João Campos, uma vez que a governadora Raquel Lyra (PSD) deu uma estagnada nas sondagens.

IA e as eleições

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Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 25 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

Um estudo inédito pedido e financiado pela OpenAI, conduzido pelo professor de direito eleitoral e direito digital da Mackenzie e juiz substituto do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), Diogo Rais, analisou como as plataformas de Inteligência Artificial estão se comportando com as restrições do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que entraram em vigor no dia 16 de agosto. Rais estudou o Chat GPT, Gemini, Claude e Grok com contas gratuitas e criadas somente para esta análise em 9 de setembro. Quando os usuários pediam ranqueamento de candidatos, o que é proibido pela Justiça Eleitoral, a IA respondia com pesquisas eleitorais registradas no TSE.

Passou na prova

Rais explica que “o Gemini, por exemplo, não ranqueou, só apresentou a pesquisa. Isso não é ilícito. Nesse caso, as IA cumprem o papel de informação. Então, além de não violar a regra, de uma certa maneira colabora com informação para o usuário”, observa. O levantamento registra também que não houve nenhum tipo de favorecimento à pesquisa A ou B, que as plataformas sugeriram os levantamentos mais recentes e nacionais.

Questão de “timing”

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Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 25 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Kleber Sales

Da mesma forma que o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, torcia para fechar a operação com o Master antes que o banco de Daniel Vorcaro fosse liquidado, integrantes da equipe de Flávio Bolsonaro rezam para tentar fechar a eleição no primeiro turno. É que, diante do fato de ele ter voado no mesmo avião de Vorcaro que serviu a Alexandre de Moraes e das suspeitas de encontros entre o banqueiro e o senador, tem gente com medo de que o eleitor pise no freio em relação ao Zero Um de Jair Bolsonaro. Afinal, eleição só se ganha no dia. E ainda faltam 10 para o pleito.

Separe o joio do trigo

Os fundos de previdência que investiram no Banco Master estão passando por um pente fino no Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação busca separar quais fundos foram enganados, ou seja, caíram num golpe arquitetado pelo Master, daqueles cujos gestores participaram da fraude, como já está configurado no caso do BRB. Vale lembrar que, no caso do BRB, Paulo Henrique Costa recebeu apartamentos de Daniel Vorcaro.