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Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 27 de março de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

A derrota acachapante da CPMI do INSS no plenário do Supremo Tribunal Federal sinaliza o que está se desenhando para a CPI do Crime Organizado. Os ingredientes são os mesmos. A Corte já impôs limites claros às investidas do colegiado. Em duas decisões distintas, suspendeu a quebra de sigilo do fundo de investimento Areen e da Maridt, empresada família Toffoli.
Arleen e Maridt são peças centrais nos negócios relativos ao resort Tayayá. A determinação do relator Alessandro Vieira em aprofundar os desvios do escândalo Master, inclusive, a conduta dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, enfrenta resistência não apenas do Supremo, mas no próprio Congresso. É expressiva a quantidade de políticos que não têm interesse em ver seus nomes expostos em uma CPI a sete meses da eleição. O fator de instabilidade é a provável delação de Daniel Vorcaro.
A depender das revelações do banqueiro, o escândalo Master pode impactar a opinião pública e os planos eleitorais de diversos candidatos. Somente a pressão das ruas pode se contrapor à operação abafa para conter os efeitos explosivos de Daniel Vorcaro e sua teia de relacionamentos.
Censura?
O senador Eduardo Girão (Novo-CE) está processando a TV Senado por cortar suas falas a respeito dos conflitos de interesses do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP) no caso Master. Girão destaca que o indicado de Alcolumbre na Amapá Previdência (Amprev), Jocildo Lemos, é investigado por irregularidades de recursos e aprovou o investimento de R$ 400 milhões do fundo em letras financeiras de alto risco do Master. Além disso, lembra que o irmão do presidente, Alberto Alcolumbre, é conselheiro fiscal da Amprev.
Casa nova
A saída do deputado Alfredo Gaspar do União Brasil para o PL já era algo previsto há pelo menos duas semanas. Aliados do relator da CPMI do INSS relataram à coluna um jantar entre Gaspar com o deputado Arthur Lira (PP-AL), em um restaurante do Lago Sul, no último dia 11.
Cardápio
Na conversa, uma tentativa de manter Gaspar na federação. Mas o então deputado do União Brasil recusou a proposta. Gaspar e Lira são pré-candidatos ao Senado por Alagoas, e o relator não acreditou no argumento do ex-presidente da Câmara dos Deputados de que havia espaço para ambos na chapa.
Ranking regional
O Conselho Nacional de Secretários do Planejamento (Conseplan) promoverá, de 5 a 7 de maio, um encontro com governadores e candidatos para tratar da eficiência de políticas públicas. Na ocasião, será lançado o Ranking de Competitividade, com dados compilados sobre as gestões estaduais dos últimos três anos.
Eles vão falar
Os governadores Eduardo Riedel (Mato Grosso do Sul); João Azevedo (Paraíba); Mateus Simões(Minas Gerais); Eduardo Leite (Rio Grande do Sul); e o diretor-presidente do Centro de Liderança Pública (CLP), João Tadeu Barros, são os painelistas confirmados. O evento pode receber ainda a pré-candidata ao Senado por São Paulo, Simone Tebet.
Ambição
Há ainda a ideia de se criar um Conselho Nacional (Conplan) para que o Brasil tenha uma estratégia de Estado, especialmente em obras e ações sociais.
De volta ao Estado
A Federação Única dos Petroleiros (FUP) participou da Plenária Nacional em defesa da reestatização da BR Distribuidora, da Liquigás e das refinarias privatizadas. A entidade sindical informou que, entre 2013 e 2022, foram vendidos 96 ativos da Petrobrás, sendo 68 deles apenas durante o governo Bolsonaro — o equivalente a 71% do total.
Política reversa
Segundo a FUP, as análises demonstram que a alienação de ativos não resultou em aumento de produção. Entre 2010 e 2014, a Refinaria de Mataripe (antiga Rlam, n aBahia) operava com produção média de 300 mil barris por dia. Esse volume caiu para 245 mil barris diários após 2021, quando foi privatizada. O mesmo ocorreu na Ream (antiga Reman, no Amazonas), que passou de 42 mil barris/dia para 26 mil barris/dia no mesmo período.
Papo reto
Ao assumir a 1ª vice-presidência da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara, a deputada Erika Kokay (PT-DF) deixou claro seu posicionamento acerca do tema: “Direitos humanos não são privilégios, são a condição necessária para que possamos ser, em plenitude, humanos”.
Hora dos jovens
As juventudes do PT, PSol, Rede, PDT,PSB, Partido Verde e do PCdoB lançaram o Fórum das Juventudes Progressistas, marco que reposiciona os jovens no centro do debate político. O objetivo é fortalecer a organização coletiva e reafirmar o papel da juventude na construção de um projeto de país mais justo, democrático e conectado com o povo.
Brasil vulnerável
com terras raras
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 26 de março de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

A Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado Federal promoveu audiência pública para debater o projeto de lei 2197/2025, que regulamenta a exportação das terras raras — elementos químicos altamente valorizados na indústria de alta tecnologia. A principal motivação do debate é construir uma legislação que permita ao Brasil ir além de mero exportador de commodity e se tornar capaz de agregar valor aos minerais encontrados em solo nacional. Do contrário, pode ficar relegado a um papel secundário na economia mundial.
Os especialistas convidados ressaltaram os diversos desafios. O professor Nélio Fernando dos Reis, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, descreveu a posição vulnerável do Brasil no contexto das terras raras. “O desafio não é geológico; é industrial. O Brasil tem reservas, mas não domina a cadeia. Exporta concentrado e importa tecnologia”, comentou.
À frente da audiência pública, o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) comentou: “Seremos meros exportadores de matéria-prima, reproduzindo um modelo primário-exportador, ou protagonistas de uma nova etapa de desenvolvimento, agregando valor, tecnologia e inovação aos nossos recursos naturais?”.
Cadeia qualificada
Mourão defende um modelo que garanta uma cadeia produtiva qualificada, além de oferecer segurança jurídica para investimentos. “Nosso compromisso deve ser com um marco regulatório que concilie desenvolvimento econômico, soberania nacional, sustentabilidade ambiental e justiça social”, disse o senador.
“A casa caiu”
Aliados do Planalto comemoraram a decisão de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, de trocar de advogados e encaminhar uma delação premiada. Parlamentares como Paulo Pimenta, Rogério Correia e outros lembram, em vídeo, que Zettel doou milhões de reais para as campanhas eleitorais de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas.
Pecado
Afirmam, ainda, que Zettel pode trazer revelações sobre a relação entre a Igreja Batista da Lagoinha, da qual era pastor, e o presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana. Rogério Correia acusa Viana de blindar a denominação evangélica nos trabalhos da CPMI.
Acorda, PT
Conhecido pela verve, o deputado federal André Janones (PT-MG) começou por conta própria a desferir ataques agressivos ao bolsonarismo. E não alivia nem mesmo para a esquerda. “Quem quiser continuar de braço cruzado, achando que a eleição está ganha, que continue. Eu não vou fazer isso”, diz. “O presidente Lula é favorito. Mas sabe qual é o único jeito de perder uma eleição ganha? Se a gente acreditar que ela está ganha”, avisa.
Antidiscriminação
A educação é fundamental para que a sociedade brasileira adote um letramento antidiscriminatório — conjunto de medidas voltadas para combater o preconceito estrutural. Esse foi o consenso entre os participantes de audiência pública promovida pelo Observatório Pró-Equidade da Justiça Militar da União (JMU).
É na base
“Não basta apenas reconhecer a diversidade; é preciso educar, desde a base”, defendeu a presidente do Superior Tribunal Militar (STM), ministra Maria Elizabeth Rocha, na abertura do evento. Ela ressaltou a importância na formação para educadores, nos moldes já existentes em legislações como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação e a Lei Maria da Penha.
Mais mulheres
Em relação direta com iniciativas antidiscriminatórias, o evento também marcou o lançamento da plataforma “Mais Mulheres na Política”, com apoio do STM. A ferramenta busca coletar assinaturas digitais para um Projeto de Lei de Iniciativa Popular que estabelece uma reserva de 50% das cadeiras nas casas legislativas para mulheres, com previsão de cotas para mulheres negras.
Decepção
Parlamentares lamentaram o cancelamento da reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que seria realizada hoje. Os membros discutiriam um aumento da mistura do biodiesel de 15% para 16% ou 17% como forma de amenizar os impactos da alta e oscilação do preço do petróleo. Há um consenso de que hoje o etanol poderia absorver a demanda. Além disso, o aumento da mistura seguraria os preços, pois as distribuidoras operam apenas com 70% da capacidade para o biodiesel.
Deixa para depois
O governo ainda não concluiu os estudos técnicos para a implementação da Tarifa Zero. A ideia agora é usar o projeto no plano para o próximo mandato e virar promessa de campanha. O problema maior identificado pelo Planalto é a dificuldade de fiscalizar as empresas nos municípios.
Insistência
Contudo, a bancada do PT ainda não desistiu de aprovar a proposta este ano. O deputado Jilmar Tatto (PT-SP) pretende apresentar uma emenda do Tarifa Zero ao projeto do marco regulatório do transporte público. O texto não está pronto, Tatto pretende trabalhar nele na semana que vem.
Coluna Brasília-DF publicada no domingo, 15 de março de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
O fato de o banqueiro Daniel Vorcaro ter trocado de advogado justamente em meio ao período de janela partidária acendeu o pisca-alerta no União Brasil e no Progressistas. É que isso reforçou, como já se sabe, a tese da delação premiada. E, nesse sentido, muitos deputados estão inseguros em permanecer nas duas legendas que vêm sendo citadas por terem seus presidentes, Ciro Nogueira, do PP, e Antônio Rueda, do União Brasil, mencionados nas conversas de Vorcaro. A aposta de muitos é a de que, se a situação do União Brasil estava difícil com a saída de deputados e governadores, como Ronaldo Caiado, a tendência é ficar pior.

Enquanto isso, no STF… / ... a tensão é tão grande quanto a dos parlamentares, porque haverá uma cobrança para que, em caso de delação, Vorcaro fale também de suas relações com o Judiciário. Ninguém está tranquilo com a sombra do banqueiro pairando no ar.
Um acordo entre PT e PL
Que ninguém se surpreenda se o PT e o PL fecharem um acordo em relação ao novo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). É que os petistas apresentaram o deputado Odair Cunha (PT-MG) para a vaga de Aroldo Cedraz, e o PL planeja indicar um dos seus quadros para a próxima vaga que surgirá mais à frente. O nome citado é o do deputado Altineu Côrtes (PL-RJ) .
A saúde de Bolsonaro
Um dos pontos que mais preocupa a família e os amigos do ex-presidente é o fato de ele realmente demorar a chamar qualquer pessoa quando não está bem de saúde. Em casa, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e auxiliares costumam acompanhá-lo mais de perto, para chamar médicos antes que a situação se agrave. Isso será agora usado para, mais uma vez, buscar a prisão domiciliar do ex-presidente.
Em banho-maria
O Plano Nacional de Educação (PNE) está desde dezembro de 2025 esperando despacho do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para ser discutido e votado na Comissão de Educação da Casa. Entidades do setor estão preocupadas com a demora da aprovação do PNE, uma vez que já foi adiada, de 2024 para o ano passado, e ainda não se tem nem vislumbre de quando isso ocorrerá.
O tempo urge
A Associação De Olho no Material Escolar está bastante preocupada com o calendário político, uma vez que, a partir de 4 de julho, fica tudo paralisado até as eleições em outubro. “Se o plano não for aprovado este ano, o risco é de que todo o processo se arraste para a próxima legislatura, já que o país entra em período eleitoral. Isso pode significar mais atraso para uma agenda que deveria ser prioridade nacional” , destacou Letícia Jacintho, presidente da associação.
CURTIDAS
Pegue a última onda, a que importa/ Dentro do PSD, embora cresça a pressão para o anúncio do candidato a presidente e muita gente diga que esse nome é o do governador do Paraná, Ratinho Júnior (foto), Gilberto Kassab trata de manter a calma. É que um candidato do partido precisa surfar quando a campanha começar. Não adianta nada crescer agora e cair ali na frente. Aliás, toda eleição tem essas ondas. O perigo, porém, é demorar demais e a onda virar uma marolinha.
Voto importante/ Embora a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) já tenha fechado maioria para manter Daniel Vorcaro na cadeia, o voto do decano Gilmar Mendes gera muitas expectativas. É que Gilmar é visto como aquele que sempre “coloca os pingos nos is” , ou seja, fala o que precisa ser dito. A expectativa é de uma defesa alentada do trabalho do STF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), para marcar a importância das instituições. A palavra do decano sempre é algo que provoca reflexões e norteia caminhos.
Aliás…/ O voto de Gilmar Mendes virá com a defesa de Vorcaro com um novo advogado. Pierpaolo Bottini tem outros clientes políticos há mais tempo e não quer se expor a conflitos de interesses. Sinal de que vem mais coisa aí da parte do banqueiro.
Deixa ele lá/ Entre líderes do centrão, há quem concorde com a manutenção da prisão do banqueiro Daniel Vorcaro pelo Supremo. “Foi correta, de fato estamos assistindo a coisas graves que precisam ser aprofundadas e provadas, mas com ele (Vorcaro) solto, poderia interferir nessa parte das investigações” , disse o líder do Republicanos na Câmara dos Deputados, Augusto Coutinho (PE).
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 11 de março de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
O pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro para receber o subsecretário de Diplomacia Pública dos Estados Unidos, Darren Beattie, é lido no PL como um dos principais passos para auxiliar no enfrentamento às medidas adotadas pelo Supremo Tribunal Federal e na campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto. Beattie não é um qualquer. É ele quem assessora o presidente Donald Trump nos assuntos relacionados ao Brasil. Foi um dos que defenderam a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes e nunca escondeu que considera a prisão do ex-presidente uma perseguição. Deixou isso claro, inclusive, quando da aplicação do tarifaço a produtos brasileiros. Doutor em filosofia pela Universidade de Duke, integra o Maga — Make America Great Again —, o movimento liderado por Trump. É um personagem a ser acompanhado de perto na visita que fará ao Brasil.

Veja bem/ O PT fechou 2025 com o receio de que o presidente Donald Trump tentasse interferir nas eleições deste ano no Brasil. Agora, com a visita de Beattie ao país, esse medo volta com tudo. O que até aqui vinha sendo considerada uma “caraminhola” na cabeça de alguns aliados começa a ganhar outros ares.
Precedente grave
Se a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, de não deixar nada do Banco Master sob o tapete, não dá para manter em sigilo as conversas de Daniel Vorcaro com seus advogados numa prisão federal. Isso é proibido a outros detentos em presídios federais. Portanto, liberar no caso de Vorcaro vai provocar uma avalanche de pedidos judiciais de chefões do crime organizado. Pelo menos, essa é a opinião de muita gente que trabalha com o sistema penal. Não se pode abrir exceções a um ex-banqueiro que, segundo gravações em poder da PF, ameaçou pessoas.
Governo encurralado
A bancada do PT na Câmara dos Deputados não gostou de ver a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) promover debates em vez de votar logo a admissibilidade da proposta de emenda constitucional (PEC) de redução da escala 6×1. Petistas consideram que isso não passa de uma manobra para protelar a apreciação em plenário. É que, depois da aprovação na CCJ, o texto segue para a comissão especial, onde pode demandar 40 sessões. Ou seja, o calendário tem tudo para ser atropelado, e o assunto ficar para depois das eleições.
Contragolpe
Com esse cenário, uma ala do Partido dos Trabalhadores acredita que ganhará força a ideia do Planalto de enviar um projeto de lei com urgência constitucional sobre o tema. Isso exigirá que os deputados deliberem o texto em até 45 dias na Casa e mais 45 dias no Senado Federal.
Veja bem
A ideia de um projeto com urgência é apoiada pelo Centrão, uma vez que, por meio dele, não é possível alterar a escala de 6 x 1 para 5 x 2, somente a redução da jornada de trabalho, que seria de 44 para 40 horas semanais. Essa tem sido uma vertente que o Centrão e o setor produtivo têm defendido em debates e eventos realizados nos últimos meses.
CURTIDAS

Cartas à mostra/ O rompimento do PL com o governo de Ibaneis Rocha segue a receita de ficar distante de problemas em ano eleitoral. Ibaneis é visto como enfraquecido, e o PL não quer ser parceiro no desgaste. Aliás, no plano nacional, a deputada Bia Kicis defendeu todas as investigações propostas, enquanto dois integrantes do PL, o deputado Alberto Fraga e o senador Izalci Lucas, já estão afastados há tempos de Ibaneis e, inclusive, fizeram questão de comparecer ao lançamento da pré-candidatura de José Roberto Arruda ao governo local.
Embaralhou geral/ Depois da reunião da bancada do PT do Maranhão com a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (foto), a eleição por lá ganhou novos contornos. Os petistas desistiram de lançar candidatura própria e vão apoiar o atual prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), para o Palácio dos Leões. O vice-governador, Felipe Camarão (PT), teria dito a Gleisi que deseja disputar uma vaga ao Senado Federal.
Mais um do PP/ Falta fechar o nome para a segunda vaga. Tem muita gente de olho no ministro do Esporte, André Fufuca (PP), que deve disputar o Senado e ainda não está fechado na chapa do pré-candidato ao governo, Orleans Brandão (MDB).
Cálculos políticos/ Orleans Brandão é sobrinho do atual governador do Maranhão, Carlos Brandão, e não quer fechar a chapa com o ministro Fufuca. Orleans prefere lançar o líder do União Brasil na Câmara dos Deputados, Pedro Lucas, ao Senado, junto com o senador Weverton Rocha, que concorrerá à reeleição. Entretanto, deputados petistas acham que Weverton não tem chance, já que tem sido chamado no estado de “ladrão de velhinhos”, após ser um dos alvos da Operação sem Desconto, que investiga as fraudes no INSS.
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 4 de março de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A ocorrência de mais um estupro coletivo no Rio de Janeiro, com a participação de menor de idade, de uma menina de 17 anos esquentará o debate da redução da maioridade penal, hoje, na Câmara dos Deputados. O assunto está incluído na Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública, tema que surge como o “abre alas” da eleição de 2026. A avaliação é de que será muito difícil manter essa maioridade em 18 anos depois de tantos crimes cometidos por adolescentes nos últimos tempos.
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E tem outros/ No rol de pontos polêmicos do projeto, estão, ainda, a criação do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) e a destinação de metade dos recursos do fundo de segurança pública para a União. A perspectiva de ser votada esta semana na Comissão Especial, e na semana que vem no plenário, será mais um teste de respaldo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou a um nome mais à direita, seja aos governadores Ratinho Júnior (PR), Ronaldo Caiado (GO) ou Eduardo Leite (RS) — todos do PSD — seja ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Alcolumbre lavou as mãos
Sem saber para que lado vai sua base eleitoral em outubro e com quem poderá contar na sua campanha reeleitoral para presidente do Senado, o senador Davi Alcolumbre (União-AP) joga em duas frentes. Esta semana, ajudou a oposição ao não interferir na quebra do sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, promovida pela CPMI do INSS. Agora, a expectativa dos governistas é de que o senador dê algum alento ao Planalto.
Sai daí rapidinho
Até aqui, os governistas interpretam a decisão de Alcolumbre como imparcial e em respeito ao regimento interno da Casa. Não haverá recurso, mas já se cria um sentimento de que, talvez, seja melhor nem prorrogar a CPMI.
Dispersão
Na base do governo, há parlamentares que não sentem mais vontade de comparecer às sessões da CPMI do INSS. Além do que consideram arbitrariedades por parte do relator, Alfredo Gaspar (União-AL), e do presidente, Carlos Viana (Podemos-MG), muitos afirmam que foi aberto um precedente “perigosíssimo” ao definir que o quórum de votação simbólica é verificado mediante a presença registrada no painel eletrônico — e não com base no número de presentes à sessão no momento da votação.
Por falar em Lulinha…
No governo, o que se diz é que nem ao pai o filho de Lula contou todos pingos dos Is de sua história nesse rolo do INSS.
CURTIDAS

Raquel em palanque triplo/ Se depender exclusivamente da vontade da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD, foto), que concorrerá à reeleição, Lula terá o apoio dos dois candidatos que prometem polarizar a eleição estadual. Mas há dois problemas nesse caminho. O primeiro é que o PSD terá candidato ao Planalto, e o segundo é que o PL tem dito que só dará respaldo à pedessista se ela abrir o palanque para Flávio Bolsonaro.
Marília trai Paulinho/ Na chapa do prefeito de Recife, João Campos (PSB), ao governo do estado, cresce a fila de précandidatos ao Senado. Marília Arraes, por exemplo, era a aposta do deputado Paulinho da Força (SP) para ampliar a bancada do Solidariedade na Câmara Federal. Mas ela pretende se candidatar a uma vaga de senadora pelo PDT.
Sexta-feira nada santa/ Começa em 6 de março e vai até 5 de abril a janela para trocas de partido. Muita gente de olho no futuro do União, do Progressistas e do PL. A avaliação é de que nesses partidos ocorrerão as maiores movimentações.
Bolsonaro repete Lula/ Assim como o então candidato do PT ao Planalto, Fernando Haddad, se tornou advogado de Lula em 2018, para poder visitá-lo sempre que necessário naquela campanha, Flávio Bolsonaro será um dos nomes que representarão o pai ex-presidente. Assim, poderá ter acesso diário à Papudinha.
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Vai cair por terra a esperança dos integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS de ter acesso integral ao sigilo bancário, fiscal e temático do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. É que a própria Advocacia-Geral do Senado alertou que parte do material estava fora do escopo da investigação do roubo dos aposentados. Agora, a Polícia Federal (PF), enquanto aguarda uma nova decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, separa o material para enviar apenas o que for relacionado ao caso do INSS.

Vai dar confusão/ Até aqui, a CPMI do INSS não foi informada desse filtro e aguarda as quebras de sigilos bancário, fiscal e telemático do ex-dono do Banco Master integralmente. No entendimento do relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), a decisão de Mendonça garante todos os dados dos pedidos de quebra aprovados pela comissão, mesmo que haja conteúdos não relacionados ao roubo dos aposentados. O colegiado, porém, só receberá o material completo se o ministro autorizar.
Alckmin fica na vice de Lula
Com a possível candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao governo de São Paulo, a leitura no PSB é a de que a manutenção da chapa presidencial Lula-Geraldo Alckmin está selada. “Agora, está clara a posição de Geraldo Alckmin como vice de Lula”, afirma o líder da bancada na Câmara, deputado Jonas Donizettte (SP).
MDB conformado
No MDB, Alckmin também é visto como um nome consolidado ao lado de Lula. “Eu defendo que ele (Alckmin) fique. O presidente Alckmin tem feito um grande trabalho. Um homem que tem sido muito correto e leal ao presidente Lula. Não vejo sentido nem razão para que seja substituído. Time que está ganhando, não se mexe”, comentou o ministro Jader Filho, em entrevista ao CB.Poder (veja no site do Correio)
Vai ter VAR
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ganhou mais um tema para emparedar o governo. Ele será o juiz da decisão a respeito da votação na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS que quebrou o sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente. Alcolumbre, agora, vai pedir uma investigação da Polícia Legislativa. É o senhor do tempo e da decisão.
Se demorar demais…
… favorece o adversário do governo. Geralmente, os dados dos sigilos demoram entre 10 e 15 dias para chegar ao Parlamento. Os de Vorcaro chegaram neste prazo.
CURTIDAS

Onde está pegando I/ A configuração que Lula está montando em São Paulo joga para escanteio o ministro do Empreendedorismo, Márcio França (foto), do PSB, que concorreu ao governo paulista em 2018. Perdeu para João Doria, mas ele foi o representante da esquerda que chegou mais perto de conquistar o Palácio dos Bandeirantes.
Onde está pegando II/ França foi ainda peça-chave na escolha de Alckmin como vice na chapa de Lula, há quatro anos. Neste Lula 3, assumiu o Ministério de Portos e Aeroportos, mas saiu para ceder a vaga ao então deputado Sílvio Costa Filho, do Republicanos. Márcio ficou com o recém-criado Ministério do Empreendedorismo. Agora, os petistas mencionam Simone Tebet e Marina Silva para o Senado. Nos bastidores do PSB, o que se diz é que, se ingratidão tem nome.
Chama-se PT. Quem diria…/ Durante a fala no CB.Debate — O Brasil pelas Mulheres, proteção a todo tempo, a vice-governadora Celina Leão foi incisiva ao defender o respeito à primeira-dama Janja: “Estou muito perplexa, esta semana, pelo nível de agressão que as duas primeiras-damas do Brasil, a anterior e a atual, estão sofrendo. Agressões que… Meu Deus! Isso é massacre contra mulheres que são de partidos diferentes, de ideologias diferentes e que são agredidas, muitas vezes, por aqueles que acham que defendem uma ideologia. Não, isso não é defesa ideológica. Isso é massacre a mulheres que estão em posição e em lugar de poder, sejam elas de que partido forem. Isso é nocivo. Isso é letal”.
Vacina/ Celina sabe que em alguns setores da política o machismo impera e, desde já, busca se proteger dos ataques que certamente virão apenas pelo fato de ser mulher. A expectativa do PP é de que a campanha seja disputada com respeito.
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Um jantar na casa do senador Laércio Oliveira (PP-SE) colocou em xeque a perspectiva da federação entre União Brasil e Progressistas. Anunciada no ano passado com direito a discursos, no Centro de Convenções de Brasília, a coligação sucumbe por causa das divergências regionais. À coluna, o parlamentar contou que as discrepâncias são grandes demais para que a federação siga em frente. “Quando o projeto se iniciou, se tinha a ideia de que Ciro Nogueira (PP-PI) fosse candidato a vice-presidente (numa chapa encabeçada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas) e isso tinha um peso eleitoral. Mas, como não se concretizou, é melhor nem federar”, defende o senador sergipano.

Porta de saída/ O sentimento de Laércio é compartilhado por outros nomes da sigla de Ciro, porém o presidente tem resistido à ideia de não concretizar o projeto UP. O senador afirmou, ainda, que a sigla pode terminar menor do que quando começou o projeto de federação, já que muitos têm afirmado que deixarão o Progressistas caso o casamento seja mantido. Só tem um probleminha: talvez a pressão dos parlamentares tenha vindo tarde demais. É que a cúpula dos dois partidos espera que a federação seja aprovada, esta semana, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Se depender de Dirceu…
… o vice-presidente Geraldo Alckmin fica onde está. Na reunião do partido em São Paulo, José Dirceu foi incisivo ao dizer que tirar Alckmin da chapa arrisca comprometer a reeleição. O MDB está rachado, a troca do vice não levará à ampliação dos votos e ainda ameaça perder votos cruciais em São Paulo.
Não está fácil para ninguém
Se o PT está brigando internamente por causa da questão da vice, no outro extremo a briga também impera — haja vista o malestar dentro do PL. Tem troca de farpas entre Eduardo Bolsonaro e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e entre Valdemar Costa Neto e Carlos Bolsonaro. Em meio às intrigas, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenta vestir a fantasia “simpatia e amor”, dizendo em suas redes que gostaria de contar com todos, todas e “todes” — expressão que os bolsonaristas abominam.
Separar as estações
Se depender do senador Laércio Oliveira, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de desoneração da folha não vai se misturar com a que estabelece a redução da escala 6 x 1. “Não há sintonia entre a PEC do emprego e o fim da escala 6 x 1. A PEC é desoneração para reduzir o custo do emprego e incentivar geração de posto de trabalho formal, sem onerar os cofres públicos. Na verdade, é uma proteção para a Previdência Social, que fecha todos os anos em deficit”, afirmou à coluna.
Pragmatismo
Se tem algo que o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) vai cobrar para ser candidato a governador é carta branca para definir o palanque. Seus aliados dizem que não dá para o PT insistir que ele seja candidato e não deixá-lo trabalhar na ampliação de forças. Ou seja, Pacheco quer, sim, Aécio Neves, do PSDB, no seu arco de alianças.
CURTIDAS

Powerpoint revive/ O ex-deputado Deltan Dallagnol, famoso nos tempos da Opertação Lava-Jato pelo powerpoint que colocava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no centro da trama, repete a mesma imagem em suas redes sociais com outro personagem e outro escândalo: o ministro Dias Toffoli toma o lugar de Lula ao centro e os círculos se referem ao caso Master/BRB.
Tempo de tela/ A afirmação do presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), sobre não aceitar nada além da presença física do ex-banqueiro Daniel Vorcaro à comissão, tem sido vista como pura forma de ganhar holofotes com o depoimento. À coluna, parlamentares afirmam que se quisesse mesmo as informações, Viana aceitaria a ida à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).
Haja pizza!/ Com a liberação do acesso dos documentos relacionados às transações de Vorcaro, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) convidou a amiga e deputada Bia Kicis (PL-DF) para uma mudança de rotina nos próximos dias. Levar um colchão e pedir uma pizza para um fim de semana analisando toda a papelada e arquivos digitais. Serviço não falta.
Essa é nova/ Quando os experientes integrantes de CPIs acham que já viram de tudo, aparece uma “pérola” diferente para tentar explicar o inexplicável. Na CPMI do INSS, a empresária Ingrid Santos (foto), dona de empresas suspeitas de receber desviados de aposentados e pensionistas com registro na Conafer, referiu-se ao trabalho de seu marido como prestador de “consultoria da vida”
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 10 de fevereiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Ao encaminhar a proposta da redução da escala 6×1 para os trabalhadores, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), atua em três frentes. Primeiro, se tornar sócio de qualquer benefício que o governo possa obter em termos de ganho de popularidade junto aos que hoje cumprem essa carga horária de trabalho. Em segundo lugar, mostrar ao Planalto que está em sintonia com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nessa campanha reeleitoral, caso os votos do petista possam ajudar o Republicanos na Paraíba. A terceira é mostrar que ele não trata apenas dos projetos que beneficiam os servidores do Legislativo.
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Por falar em servidores…/ Hugo Motta fez questão de dizer na reunião de líderes que, certa ou errada, a criação de mais um penduricalho para engordar os vencimentos dos trabalhadores do Legislativo foi feita mediante aprovação de um projeto de lei. Logo, estaria fora daquelas propostas atingidas pela decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal(STF) Flávio Dino. O magistrado, porém, ganhou muita popularidade ao tomar a decisão. O presidente da Câmara e o Congresso como um todo ficaram com o desgaste. Agora, é hora de tentar, pelo menos, de empatar essa partida colocando a redução da escala 6×1 na roda.
Separem as estações
Com a Câmara prestes a avaliar o futuro dos deputados acusados de desvio de emendas, tem muita gente na Casa apostando na cassação dos mandatos de quem tiver enrolado. A ideia é mostrar que as emendas têm o seu valor, e as indicações dos parlamentares são corretas. O que não pode é desviar os recursos.
Consolidado I
Por mais que o presidente do PT, Edinho Silva, tenha dito no almoço do Lide, em São Paulo, que está conversando com o MDB sobre alianças estaduais e nacional, a avaliação geral é a deque o vice-presidente Geraldo Alckmin permanece onde está. Os elogios de Lula, ao compará-lo a José Alencar, companheiro de chapa do petista em 2002 e em 2006, é um sinal de que não haverá substituição.
Consolidado II
O vice-presidente é visto como a ponte para o empresariado paulista, segmento em que Lula tem perdido musculatura nos últimos quatro anos. O cálculo é o de que, se alguém pode, com calma e paciência, restabelecer conexões, esse nome é Alckmin.
Hora do olho no olho
A conversa entre o presidente Lula e o prefeito de Recife, João Campos, será para afinar a viola entre o PSB e a campanha reeleitoral do petista ao Planalto. E também ouvir sobre o cenário em São Paulo. Em princípio, nada que seja no sentido de rever a chapa presidencial.
CURTIDAS

Te cuida, Ibaneis/ Os adversários do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha(MDB), estão listando todas as declarações do comandante do GDF em prol da compra do Banco Master pelo BRB. A ideia é separar tudo para usar no horário eleitoral.
E Caiado, hein?/ O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), foi o mais radical opositor da PEC da Segurança apresentada pelo governo Lula. Agora, enquanto candidato a presidente da República, muita gente aposta que, se não rever o discurso, terá dificuldades em fazer pelo Brasil o que fez pelo seu estado nessa seara.
Perfil/ Ao mencionar no telefonema ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um brasileiro que vive em Miami, o presidente Lula se referia a Ricardo Magro, acusado de sonegação fiscal. O empresário é dono da Refit (novo nome da antiga refinaria de Manguinhos).
Janja e o Hanbok/ A primeira-dama Janja Lula da Silva (foto) fez questão de vestir na mesma hora o Hanbok, o traje típico que recebeu de presente da Associação Brasileira dos Coreanos, durante visita ao consulado da Coreia do Sul em São Paulo. Logo depois do carnaval, ela acompanhará Lula àquele país. A visita ao consulado foi justamente para estreitar as relações.
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Desde o início do caso Master, o ex-controlador do banco, Daniel Vorcaro, tenta dinamitar o Banco Central (BC), com afirmações a respeito de uma liquidação precipitada. Agora, esse caminho está praticamente fechado. A investigação que a autoridade monetária abriu para apurar o que houve no passado, em relação à fiscalização do Banco Master, leva à direção inversa: a de que houve, sim, uma demora do BC em cumprir com a necessária supervisão. Até aqui, dois servidores que ocupavam chefias no Departamento de Supervisão Bancária (Desup) pediram afastamento dos cargos. A impressão de muitos é de que não vai parar por aí.
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Enquanto isso, no Supremo Tribunal Federal…/ Embora o ministro-relator do processo, Dias Toffoli, tenha colocado em nota oficial que “encerradas as investigações, será possível examinar os casos para eventual remessa às instâncias ordinárias” , a avaliação dentro do STF é de que esse momento está muito distante. O novelo apenas começou a ser desfeito e há muitas pontas que ainda precisam de análise detalhada dentro do processo. A tendência, inclusive, é de se esticar o prazo de 60 dias. Por enquanto, os vídeos da parte do inquérito relativa aos depoimentos de Vorcaro, do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e do diretor de Fiscalização do BC, Aílton Aquino, e da acareação entre Vorcado e PHC, darão muito o que falar com a reabertura do Congresso, na semana que vem.
“O eterno ministro”
Assim o ex-vereador Carlos Bolsonaro se referiu ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, comandante do estado que tem o segundo maior orçamento do país e carrega a economia nas costas. A frase foi vista por muitos políticos como o “rebaixamento” a que a família do ex-presidente relegou o afilhado político do ex-presidente.
Pai e filhos
Dentro do espírito de que é “melhor perder liderando do que vencer liderado” , os Bolsonaro deixam claro que o bolsonarismo não abrirá mão de continuar com os herdeiros de sangue. Seja agora ou no futuro, o papel de Tarcísio será de subordinado.
Plantão 24h
O setor de bets luta para evitar o que considera a morte das casas de apostas on-line. Com o imposto de 15% sobre o valor apostado dentro do projeto de lei antifacção, as bets dizem aos quatro ventos que não vão sobreviver. As empresas têm tentado reverter essa taxação na Câmara, que planeja votar a proposta este ano. Mesmo no período de recesso, a mobilização continuou, no sentido de espalhar a máxima de que “quem apoia mais impostos para as bets, apoia as bets piratas que pertencem ao crime organizado” . Atualmente, as casas de apostas ilegais representam 50% do setor.
O que vem por aí
Da parte do governo, haverá em breve uma página no Gov.br onde os apostadores de bets poderão conferir seus perfis. Quanto ganhou, apostou e perdeu, e quanto tempo ficou nos aplicativos apostando serão disponibilizados para os brasileiros em breve.
CURTIDAS

PT vai para cima/ O PT começou a agir para jogar o caso do Banco Master no colo do bolsonarismo e do ex-presidente do BC Roberto Campos Neto. Pelo menos, o ministro de Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira (foto), foi às redes sociais para se referir a Campos Neto como o “pai do escândalo” e ao Master como “herança maldita do bolsonarismo” .
Retorno quente/ A primeira semana de volta dos trabalhos do Legislativo vai ser marcada por embates. Um dos primeiros deve ser o depoimento do presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, na próxima quinta-feira. Daniel Vorcaro também foi convocado e depende de liberação do STF. A CPMI quer investigar a relação do Master com o escândalo dos descontos de pensões.
Reza forte/ Os parlamentares da Frente Católica farão uma missa de abertura dos trabalhos na segunda-feira, às 9h, no auditório Freitas Nobre, na Câmara dos Deputados. O bispo auxiliar de Brasília, dom Vicente Tavares, comandará a celebração, junto com os padres Rafael Souza, reitor do Santuário Nossa Senhora da Saúde, e Agenor Vieira, pároco da Catedral de Brasília.
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 20 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

As pressões crescentes para que o ministro José Antonio Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, deixe a relatoria do caso Master não vão levá-lo a abrir mão dessa função. Dentro da Corte, muitos magistrados consideram que é preciso dar tempo ao tempo e que nada será feito enquanto houver o que classificam de “uma campanha” contra Toffoli. Para completar, na visão de alguns, num ano eleitoral, esse caso arrisca ter nomes citados que sequer estão sob investigação ou são mencionados. Portanto, a avaliação é de que é preciso evitar vazamentos.
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Só tem um probleminha/ A abertura dos trabalhos do STF deste ano está marcada para 2 de fevereiro e, até lá, a tendência é Toffoli continuar como principal alvo de críticas. No fim de semana, por exemplo, houve a nota da Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) chamando as decisões do ministro de “atípicas”. Juristas acreditam que o inquérito sequer deveria estar no STF, já que casos semelhantes nunca foram levados à Suprema Corte. O possível envolvimento da família do ministro com empresas ligadas a Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, é apontado por especialistas como uma razão forte para que o ministro seja impedido de julgar a fraude do Master. Pessoas ligadas a ele, porém, dizem que não há justificativa legal para que deixe o caso.
Lula e Geraldo
O presidente Lula recebeu o vice-presidente Geraldo Alckmin, ontem, fora da agenda. Além das questões relacionadas ao Ministério de Indústria e Comércio, os dois estão conversando muito e afinados sobre os planos rumo a 2026. A repetição da chapa é dada como certa.
Lula e o PT
Só tem um partido reclamando do fato de Geraldo Alckmin manter a vaga de vice na chapa de Lula: o PT. E nem é todo o PT. É que uma parte considera que, como Lula não será candidato em 2030, a legenda tem que ter a vice para que haja um sucessor “natural”. O problema é que, antes de pensar em 2030, tem que vencer 2026. E uma chapa pura dificulta. Lula precisa de Alckmin.
Conflito ideológico
Empresas do setor de trabalho por aplicativos estão confusas com a união entre parlamentares do PL e da esquerda na regulamentação da atividade. O estranhamento se deve ao fato de que tanto o presidente da comissão especial, deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), quanto o relator, Augusto Coutinho (Republicanos-PE), são de partidos de direita. E, por isso, o setor considera que ambos deveriam ir contra os desejos do governo Lula e da esquerda. Porém, o relatório seguiu a linha da base governista.
Não é por aí
O setor busca um argumento para, neste ano eleitoral, tentar separar os dois polos da política nesse tema, questionando a “união” da direita com a esquerda e, principalmente, com o PSol, partido do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos — que elogiou muito o relatório apresentado no fim do ano passado. As empresas, porém, tendem a perder essa batalha.
CURTIDAS

Baderneiros na porta de saída/ A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) vai discutir, hoje, a mudança da Resolução 400, que prevê condutas das empresas aéreas sobre comportamento dos passageiros durante os voos. Devido ao aumento de perturbações e casos de agressões aos comissários de bordo, a Anac estuda sanções aos viajantes indisciplinados. Atualmente, uma lei impede essas pessoas de voarem por até um ano, mas falta a regulamentação. A agência quer regulamentar essa medida.
Vai aumentar a pressão/ O caso do homem que, em prisão domiciliar, matou uma adolescente de 14 anos, no Distrito Federal, fará aumentar a pressão para que o ex-presidente Jair Bolsonaro tenha o benefício. O PL vai repisar que não é possível a Justiça conceder a prisão domiciliar a um estuprador e assassino e não atender à defesa de um homem de mais de 70 anos que tem comorbidades.
Independência municipal/ Uma empresa de capacitação, a Innovc, está treinando administradores municipais para pensar em soluções de gestão inovadoras. Um dos exemplos é a cidade de Eusébio (CE), que está criando um portfólio de soluções para vender para outros municípios. A ideia é criar uma parceria público-privada em projetos entre o município e a empresa para, juntos, venderem a proposta a outros prefeitos. Dessa forma, uma parte do dinheiro retorna ao caixa da cidade e paga aquele primeiro investimento da prefeitura, no início do projeto.
Press Jungmann/ O ex-ministro Raul Jungmann (foto) foi definido assim por parentes e amigos no velório no Campo da Esperança: “Um humanista, defensor do diálogo entre todas as forças e instâncias, ainda que tenham pensamentos totalmente opostos”. A trajetória foi marcada, ainda, pela “coragem” de aceitar desafios em momentos cruciais. A coluna registra aqui os mais profundos sentimentos de pesar pela morte de um intelectual que sabia exercer a paciência e aproximar diferentes.











