imagem_2026-06-04_095301601 Crédito: Maurenilson Freire

Um alívio lá para 2030

Publicado em Banco Master, coluna Brasília-DF, Crise com os EUA, Economia, Eleições, Eleições 2026, EUA, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, Política

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 4 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

Em palestra no 10º Congresso Luso Brasileiro dos Auditores Fiscais, o mestre em políticas públicas Ricardo Leitão abriu um portal para revisão das alíquotas, capaz de dar esperança àqueles que acham que pagarão muitos impostos com a reforma tributária. Do alto de quem estudou a fundo por um ano “in loco” o sistema tributário chinês e indiano, o fiscal da Secretaria de Fazenda do Pará conta que China e Índia reduziram suas alíquotas para manter o crescimento econômico. A China o fez sem planejamento, quando os Estados Unidos começaram a aumentar as tarifas lá em 2018. Já a Índia planejou essa redução deforma a aquecer a economia. O pesquisador não afirma categoricamente que o Brasil terá condições de baixar a alíquota, mas aponta que a janela para revisão na próxima década está aberta: “Há previsão legal expressa — e em dois mecanismos distintos”, lembra. A Lei Complementar 214/2025 estabelece que o governo deve adotar medidas para que a alíquota de referência seja menor que 26,5% até 2030. Não é uma meta — é uma obrigação legal.

Veja bem/ A porta para revisar para baixo já está aberta na legislação vigente. O que a aciona são os dados de arrecadação real que o sistema vai gerando ao longo da transição. E, para completar, os exemplos da China e da Índia vão servir de freio para os candidatos que planejam jogar contra a reforma tributária sobre consumo antes de o texto entrar em vigor. Atualmente, há muita preocupação entre os técnicos sobre declarações de candidatos ao Planalto contra a reforma. O ex-governador de Minas Romeu Zema, por exemplo, fez várias declarações nesse sentido. Não por acaso, na palestra de abertura do Congresso, em Belo Horizonte, o ex-secretário especial da Reforma do Ministério da Fazenda Bernard Appy foi incisivo ao dizer que posicionamentos como esse geram insegurança jurídica. Primeiro, é preciso deixar a reforma ser implementada, para, depois, pensarem ajustes. E, até aqui, os exemplos de China e Índia são alvissareiros.

“Vamos conversar?”

O ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o representante dos Estados Unidos para o Comércio, Jamieson Greer, encontraram-se casualmente nos corredores da OCDE (Organização para Cooperacão e Desenvolvimento Econômico). Greer se aproximou e disse que está dialogando como Brasil, que há um contato fluido e que quer continuar com esse diálogo aberto. Vieira respondeu que a disposição do Brasil é a mesma e que as recomendações da USTR, de novas tarifas de 25% e 12,5%, vão exigir que se intensifiquem essas negociações.

Sejamos amigos

Os dois governos ainda estão dentro do prazo de 30 dias estabelecido pelos presidentes Donald Trump e Lula no encontro que tiveram em Washington. E a conversa, embora rápida, foi suficiente para evitar um clima de animosidade. Da parte do Executivo brasileiro, não resta dúvidas de que há uma má vontade de setores da gestão dos Estados Unidos para com o governo Lula, mas tudo será feito para que essa posição não estrague o diálogo entre os dois países. A ordem é muita calma nessa hora, tal como ocorreu quando do primeiro tarifaço anunciado por Trump.

O interesse deles

As tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros vêm paulatinamente reduzindo o volume de trocas comerciais entre os dois países. Em 2009, o comércio entre Brasil e EUA representava 25% das transações comerciais brasileiras. Agora, está em 9,7%, conforme apontam dados do governo brasileiro.

Enquanto isso…

O comércio com a China quadruplicou. Aliás, o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, esteve em Pequim e saiu de lá com a decisão do governo chinês de declarar o Brasil livre da febre aftosa e de ampliar o fornecimento de fertilizantes para o país.

CURTIDAS

Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

Indefinição mineira I/ A situação da oposição em Minas Gerais anda complicada. Integrantes do PL pediram ao senador Cleitinho (Republicanos-MG) que ele não saísse para governador. Aliados do mineiro afirmam que Flávio Bolsonaro disse a Cleitinho que ele não tem “perfil executivo”. O republicano rebateu dizendo o mesmo sobreo pré-candidato à Presidência.

Indefinição mineira II/ Esse clima tenso ocorreu um dia antes dos vazamentos das conversas entre Flávio e Daniel Vorcaro. Agora, a situação é diferente. O partido de Jair Bolsonaro quer negociar com Cleitinho seu apoio para a candidatura do empresário Flávio Roscoe ao governo do estado. Roscoe foi o anfitrião do jantar para Flávio Bolsonaro no início desta semana em Belo Horizonte. Está interessadíssimo em ingressar na política e tem perfil executivo.

Quando há silêncio…/ … é porque está caminhando. A delação de Daniel Vorcaro está sob análise agora da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Polícia Federal. A nova versão foi reformulada, ampliada e aprofundada, de acordo com fontes próximas ao ex-controlador do Banco Master. Alguns a classificam como robusta. A PF já havia negado uma delação anterior por não revelar fatos novos, além da proposta de ressarcir o rombo deixado com o esquema.

Indefensável/ A situação do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (foto) é vista por muitos parlamentares do PL como sem argumentos para defesa pela legenda. E dizem que Castro ao menos teve senso em abdicar da pré-candidatura ao Senado.