Voo cego

Crédito: Maurenilson Freire
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Coluna Brasília-DF publicado na sexta-feira, 18 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

Pedidos de vistas e adiamentos da análise das mazelas que envolvem os ministros do Supremo Tribunal Federal farão com que o eleitor vá votar sem saber ao certo o que aconteceu e quem tem razão diante de tudo o que já foi exposto sobre a crise da Corte. E mais: às vésperas da eleição, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro prestará novo depoimento à Polícia Federal. A depender doque disser, avaliam integrantes dos partidos “polarizados” nesta eleição, PL e PT, as campanhas serão afetadas, especialmente no Distrito Federal, onde o ex-banqueiro montou uma estrutura a fim de fundir seu Banco Master ao BRB. A tensão só tende aumentar nesta que já foi batizada de a eleição mais imprevisível da história recente do DF e do país.

Erosão reputacional/ Cientistas políticos observam com apreensão a crise instalada no STF. A avaliação é de que adiar o fim da guerra na Suprema Corte para depois das eleições é transferir a responsabilidade para os eleitores. “Enquanto sangra em praça pública, o Supremo é arrastado para o centro da eleição. Ao adiar sua própria autocorreção, transfere para as urnas uma resposta que deveria ter começado dentro do próprio tribunal”, afirma o especialista Murilo Medeiros. Para completar, ele avalia que existe ainda um grande risco de haver mais ministros sob questionamento do que ministros em condições de conduzir apurações no STF. Esse fato, como adverte, projeta “uma imagem devastadora para a autoridade institucional da Corte”.

Lula e o Bolsa Família

As explicações do governo de que há espaço fiscal para pagamento do reajuste do Bolsa Família ajudaram na recuperação da Bolsa de Valores no fim do dia. Porém, o mercado financeiro, que não gostou da medida e avalia que poderia comprometer ainda mais as contas públicas, se afastará ainda mais do petista.

O que muitos candidatos temem

O crescimento do presidenciável do PL ao Planalto, Flávio Bolsonaro, nas pesquisas, leva políticos dos mais variados partidos a apostarem que, seja em favor de Lula ou do filho 01, a eleição pode terminar no primeiro turno. É que os candidatos avaliam que há uma apatia do eleitorado, com as acusações trocadas entre um lado e outro da polarização. Se, nesses16 dias restantes, os demais candidatos não demonstrarem um fôlego maior, a tendência do eleitorado será tentar resolvera parada logo em 4 de outubro.

Os planos do Zero Um

Com a campanha de Lula à reeleição voltada aos mais pobres, inclusive com aumento do Bolsa Família, o candidato do PL vai focar na Região Sudeste — São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais — nesses 16 dias até a eleição. Seus estrategistas acreditam que, assim, ele conseguirá abrir uma diferença capaz de assegurar a vitória.

Enquanto isso…

Daniella Marques, a coordenadora da equipe econômica, e o vice na chapa de Flávio, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), farão campanha de outras formas. Ele continuará a rodar no Nordeste. Ela marcará presença em eventos para falar do plano econômico do filho 01 para empresários e para o mercado financeiro.

CURTIDAS

Crédito: Rosinei Coutinho/STF

Paralisia/ O tiroteio de notas e despachos entre os ministros levou o presidente do STF, Edson Fachin (foto), a cancelara sessão de ontem, o que dará mais combustível à campanha contra a Corte. A avaliação dos políticos é a de que, senão houver um diálogo entre os grupos do Supremo, a tal “colegialidade” acabou.

Tem para todos/ Após a direita adotar o bordão “Moraes é Lula e Lula é Moraes”, petistas criaram uma para Flávio Bolsonaro em resposta. Uma imagem com as metades dos rostos do filho 01 e do ex-banqueiro Daniel Vorcaro coladas circula pelas redes com a seguinte legenda: “Flávio é Vorcaro, Vorcaro é Flávio”.

Clima na pauta/ Na véspera da aberturada Assembleia-Geral da ONU, o Lide Climate Conference, em Nova York, debaterá políticas de mobilização de capital e financiamento da transição verde. O encontro reunirá dois grupos, um focado na negociação financeira e outro para discutir o mapeamento do cenário global, transformação energética e impactos da inteligência artificial. Estarão no debate o cientista político Chris Garman (Eurasia Group), Mário Gouvêa (Tesouro Nacional) e Paulo Correa (Banco Interamericano de Desenvolvimento — BID).

Equipe econômica de Flávio Bolsonaro quer manter e aprimorar a reforma tributária

Crédito: Reprodução
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Por Denise Rothenburg* com Eduarda Esposito — A equipe econômica do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pretende manter e aprimorar a reforma tributária que está em fase de implementação. De acordo com a coordenadora, Daniella Marques, revogar a reforma não seria adequado, mas o modelo atual precisa de ajustes.

Crédito: Reprodução

“Não achamos que vale a pena iniciar uma discussão legislativa de novo, mas estamos com o grupo técnico na campanha de mais de 10 PhDs em economia, tributaristas, e eu acho que, por meio do diálogo, olhando como política de estado, a gente pode aprimorar essa reforma para que ela chegue no impacto desejado e não seja judicializada antes de começar. O nosso projeto é aberto ao diálogo. Então, quem tiver contribuições, olhando para a reforma como uma agenda de estado, a gente está 100% aberto para esse diálogo”, disse.

Na visão da financista, o projeto acabou não cumprindo o que pretendia, que eram dois impostos e redução da carga, e virou uma “colcha de retalhos” pelas várias exceções previstas na lei. Daniella explicou que, ao final da tramitação, a reforma acabou simplificando, mas parando em cinco impostos, além da provável alíquota do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que, embora haja um teto estabelecido de 26,5%, deve ser de 28%. De acordo com a coordenadora, é um preço final para o consumidor e para quem produz, impossível de pagar.

Por falar em imposto…

Adolfo Sachsida, integrante da equipe econômica de Flávio, reafirmou que o governo do Zero Um de Jair Bolsonaro cortará impostos e começará por dois: o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e o imposto de exportação do petróleo. “Primeiro, nós vamos reduzir o IOF aos valores de 2022. Toda renegociação de dívida rescinde IOF, 81 milhões de brasileiros estão inadimplentes. Eles vão tentar renegociar a dívida e o governo lucra com isso. Isso é um absurdo. E, compromisso assumido, está escrito no Twitter do senador, acabar com o imposto de exportação de petróleo. Nós temos que valorizar o investimento no Brasil”, disse Sachsida.

Já na questão de juros, Marques pontuou que a culpa dos juros altos é da atual gestão do governo e criticou a forma como a campanha do presidente Lula vê o assunto da dívida pública brasileira. Para a financista, “quem não cuida das contas, não cuida das pessoas”. “O próprio IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a instituição fiscal independente do Senado, já colocou que, se não houver uma mudança, haverá um colapso, porque a gente vai passar de 100% de dívida PIB. Os juros são o espelho do descontrole das contas e acho que o Brasil hoje está diante de duas escolhas muito claras. Uma candidatura que diz ser meio que fake news e que é uma babaquice cuidar das contas, estou repetindo as palavras do nosso presidente (Lula). E uma campanha que acha que o Brasil nem começa se a gente não colocar as contas no lugar”, ressaltou.

Adolfo complementou, destacando o crescimento da dívida pública no governo Bolsonaro e no governo Lula. De acordo com o ex-ministro de Minas e Energia, a gestão de Jair Bolsonaro enfrentou uma guerra, a pandemia de Covid-19 e uma crise hídrica e, mesmo assim, diminuiu gastos, a dívida pública e impostos. “Entre 2019 e 2021, o FMI (Fundo Monetário Internacional) estima que a dívida PIB nos 100 maiores países do mundo aumentou 11%. No Brasil, caiu 0,1%. Em 2018, o governo brasileiro gastava 19,4% do PIB. Em 2022, era 18%. Em 2018, a dívida era 75,3% do PIB, em 2022, 71,7%. Olha só, de 2019 a 2022 teve uma pandemia, uma guerra, uma crise hídrica, e o governo diminuiu os gastos, diminuiu a dívida, fortaleceu o Bolsa Família, que saiu de R$ 180 para R$ 600, diminuiu impostos, reduziu a dívida pública e as estatais davam lucro”, afirmou.

Sachsida comparou com o terceiro mandato do presidente Lula, em que a dívida só aumentou e foram realizadas mais de 27 medidas de aumento de impostos . Para o advogado, o brasileiro precisará fazer uma escolha em outubro. “Agora é um governo em que a dívida não para de subir, os juros não param de bater recordes, as estatais não param de dar prejuízo, o governo não para de criar impostos. Com efeito, foram mais de 27 medidas para aumentar a tributação no Brasil. E você chega no final do dia, você paga R$ 1,50 para comprar um pãozinho de sal. É esse o convite que nós temos que fazer para a sociedade brasileira. Está bom ou você quer a mudança? Nós somos a mudança”, disse.

Estatais e o governo Flávio

Quanto à questão de privatização de estatais, os membros da equipe econômica ressaltaram a importância da Caixa Econômica Federal e o grande prejuízo dos Correios. A intenção, segundo Marques e Sachsida, é tentar reorganizar cada uma delas e depois discutir o seu futuro — manter como estatal ou privatizar. A caixa, inclusive, é vista como um pilar importante para a possível gestão de Flávio.

“Nosso plano organiza o estado em torno da jornada do cidadão e a gente tem uma preocupação grande com inclusão produtiva, ainda mais na era da inteligência artificial e com essa situação de endividamento. Queremos a Caixa como um braço na ponta, levando não só soluções de crédito, mas orientação financeira e capacitação para que o brasileiro possa crescer junto com o Brasil. Todos sabem o problema que existe na capacitação, na indústria e na construção civil. Então, se o estado não foi esse desenvolvedor de capacidades e o grande articulador, a gente vai ressignificar o papel na Caixa para que seja um banco da prosperidade, levando não só orientação, mas um pulso nesse Brasil que é empreendedor”, explicou.

*A jornalista viajou a convite do Esfera Brasil

O STF, Lula, Flávio e a eleição

Crédito: Kleber Sales
Publicado em Banco Master, coluna Brasília-DF, Congresso, Crise entre os Poderes, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, Política, STF

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Crédito: Kleber Sales

Na maioria das conversas dos políticos cresce a sensação de que o presidente Lula entrou em rota descendente diante da guerra dentro do Supremo Tribunal Federal, especialmente esta semana, com o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Por mais que Lula não tenha indicado os ministros “gladiadores” — Alexandre de Moraes foi indicado por Michel Temer e André Mendonça por Jair Bolsonaro —, quem é governo leva os maiores respingos da crise. Lula, por sua vez, tentará fazer desse limão uma limonada, com o discurso de que o afastamento de Andrei está diretamente relacionado ao fato de a PF ter, por meio da Operação Carbono Oculto, emparedado barões do mercado financeiro que auxiliavam a lavagem de dinheiro do crime organizado. É por aí que muitos acreditam ser possível tentar trazer de volta os eleitores que começam a se afastar do governo. Pelo menos é o que resta.

Enquanto isso, na campanha de Flávio…/ O clima é de euforia. A avaliação é de que o senador acertou o tom no horário eleitoral de rádio e tevê ao tratar dos preços nos supermercados. E está com tudo encaixado. Agora, dizem os aliados de Flávio, é torcer para que o Dark Horse não vire uma página de terror atropelando uma campanha que segue no trilho, ajustada e afinada.

Fique frio

Lula foi aconselhado a agir de forma institucional e defender que há isenção da Polícia Federal nas investigações, se for o caso, citando, inclusive, a apuração que envolve seu próprio filho.

Duas medidas

Ao afastar Andrei Rodrigues da direção da Polícia Federal, o ministro André Mendonça abriu a porteira para que Edson Fachin termine trocando o relator do caso Master no STF. É que, se Mendonça já havia pedido que o plenário do Supremo avaliasse partes do caso, deveria ter feito o mesmo em relação ao diretor da PF.

Ação e reação

O afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, por decisão monocrática conseguiu unir algumas alas da Polícia Federal. Agora, virou questão de honra para a corporação concluir as investigações em curso, doa a quem doer, seja aliado, seja opositor ao governo de plantão.

Se demorar…

A contar pela crise que se abate sobre o STF, com um tiroteio para todos os lados entre Alexandre de Moraes e André Mendonça, com balas atingindo até a Polícia Federal, há quem tenha feito o seguinte alerta: ou o presidente Edson Fachin age rápido ou não sobrará um STF para salvar.

CURTIDAS

Crédito: Ed Alvez/CB/DA/Press

Há precedente…/ A Fatto Inteligência Política lembra que não é a primeira vez que a Polícia Federal se torna uma variável importante de um período eleitoral. Em 2002, o caso Lunus tirou Roseana Sarney do páreo eleitoral quando ela liderava as pesquisas. E Roseana não estava sob investigação.

… e muitas histórias/ A Fatto elenca ainda os casos de 2006, quando a PF agiu contra os chamados “aloprados” , em meio às denúncias do Mensalão. Em 2014 e 2018, as ações da PF na Lava-Jato tiveram claro impacto nas eleições.

E teve mais/ O atual senador Sergio Moro (foto, PL-PR), enquanto ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, em 2020, pediu exoneração do cargo acusando o então presidente da República de tentar influir na direção-geral da PF. Hoje, concorre ao governo do Paraná pelo partido de Bolsonaro.

Montanha-russa/ Até a eleição, continuará o sobe e desce dos dois candidatos que lideram a corrida eleitoral para a Presidência da República. Ninguém terá um momento de refresco.

O paradoxo dos homens públicos

Publicado em Política

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 25 de agosto de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

Para os problemas da democracia, mais democracia. Essa máxima está cada vez mais distante do que se vê nesta campanha eleitoral, marcada por candidatos que falam muito para seus seguidores, mas se recusam a confrontar argumentos contrários. Nesta etapa a caminho do primeiro turno, permanece a estratégia de evitar críticas diretas de outros concorrentes ao cargo público.

Crédito: Kleber Sales

Trata-se de um paradoxo. Os postulantes a um cargo público rejeitam a possibilidade de passar por situações que possam deixá-los em má situação com o eleitorado. Com exceção de quem já decidiu o voto, é de se perguntar por que alguém confiaria um mandato para um candidato que nem sequer dá as caras em momentos relevantes.

Ao justificar a ausência, Flávio Bolsonaro afirmou que o adversário com quem pretende debater é o candidato à reeleição. Lula, por sua vez, lamenta a suposta baixa qualidade dos presidenciáveis, treinados para lacrar na internet. É uma lástima os dois não terem apresentado esses argumentos ao vivo e em cores.

Apatia

Especialistas avaliam que as faltas no primeiro debate presidencial podem se tornar uma tendência caso os eleitores não se incomodem com as ausências. “Se a ausência não custar votos, as cadeiras vazias podem se tornar cada vez mais comuns”, alerta o cientista político Murilo Medeiros.

Debate à la carte

Para ele, “o risco é consolidarmos uma espécie de ‘debate à la carte’, em que os candidatos escolhem quando participar, em qual emissora comparecer e, sobretudo, com quem estão dispostos a debater. Quem perde é a democracia, com presidenciáveis cada vez menos expostos ao contraditório”, acrescenta.

Amazonas na 6×1

O estado do Amazonas está representado em peso no debate sobre o fim da escala 6×1. Relator da proposta na Comissão de Constituição e Justiça, o senador Omar Aziz (PSD) acredita que a Casa não modificará o texto proveniente da Câmara dos Deputados. Já o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga, pediu uma audiência com representantes dos trabalhadores e dos setores mais afetados. Braga e Aziz concorrem juntos no Amazonas: o líder do PSD disputa a eleição para governador; o emedebista busca a reeleição.

E as blusinhas, hein?

Em 1º de setembro, senadores e deputados deverão escolher um presidente e relator para a medida provisória que suspende a taxa das blusinhas na Comissão Especial. Por enquanto, três nomes estão em cena: Reginaldo Lopes (PT-MG), Jadyel Alencar (Republicanos-PB) e Rodrigo Valadares (PL-SE).

Caixa vazio

A ação de questionamento do PT sobre o Fundo Eleitoral, que só foi extinta pela Justiça Eleitoral recentemente, deixou muitos candidatos sem dinheiro logo na primeira semana de campanha. Alguns conseguiram se virar com valores do Fundo Partidário, mas a maioria recorreu às doações para viabilizar os primeiros compromissos.

Combustível

Com a liberação dos R$ 2,3 bilhões que estavam travados, parlamentares se preparam para acelerar as campanhas. Sem o dinheiro, nem mesmo trabalhar nas redes sociais estava sendo possível. Não havia como pagar impulsionamento nem equipe para essa função.

Justiça comum

A presidente do Superior Tribunal Militar (STM), ministra Maria Elizabeth Rocha (foto), defendeu, ontem, que casos de violência doméstica contra mulheres das Forças Armadas sejam julgados pela Justiça comum, e não pela Justiça Militar. A magistrada alertou que o ordenamento jurídico civil oferece instrumentos de proteção às mulheres que não estão previstos na Justiça Militar.

Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

Maria da Penha

A ministra Maria Elizabeth tratou do tema em evento promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do Rio de Janeiro, por ocasião dos 20 anos da Lei Maria da Penha. As participantes debateram maneiras de aprimorar a legislação no enfrentamento da violência contra a mulher.

O homem dos números

Esta semana, o candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) vai anunciar quem será o ministro da Fazenda, caso vença a eleição em outubro. Um dos colaboradores do presidenciável é o ex-secretário de Orçamento do Ministério do Planejamento Paulo Bijos. Ele deixou o governo Lula em 2024. À coluna, o consultor afirmou que auxilia no programa econômico de Renan como cidadão. No partido, Bijos será bem-vindo para integrar a equipe no Ministério da Fazenda, se assim desejar.

Desafio nas redes

Um desafio no combate à desinformação nas eleições é a eficiência para retirar do ar fake news e conteúdos irregulares. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) executa a tarefa de derrubar páginas na internet, mas depende de uma decisão judicial. Esse intervalo, que corresponde a uma eternidade no universo das redes sociais, preocupa especialistas.

Se for eleito, Flávio enviará PEC ao Congresso com medidas de corte de gastos antes da posse

Publicado em Câmara dos Deputados, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, emendas, Flávio Bolsonaro, Orçamento, politica, Reforma Administrativa, reforma ministerial

Por Denise Rothenburg* com Eduarda Esposito — Coordenadora da proposta o candidato Flávio Bolsonaro para a economia, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal e financista Daniella Marques fez questão de marcar diferenças de projetos entre as propostas de Flávio Bolsonaro e o presidente Lula. Em sua exposição no 25º Fórum Empresarial Lide, no Rio de Janeiro, ela fez questão de dizer que o atual governo acena por ajustes no lado da receita, enquanto a proposta em estudo pela equipe de Flávio fará o ajuste pela despesa, ou seja, corte de gastos. Ela informou que, caso eleito presidente, o senador do PL apresentará ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) antes da posse, para enxugar Ministérios e cortar despesas públicas.

Crédito: Evandro Macedo e Gabriel Okawa/LIDE

Marques avalia que o governo do Zero Um deve ter entre 20 a 25 pastas, corte de despesas operacionais e administrativas, revisão do arcabouço fiscal e um pacote mirando supersalários e sobreposição de ações governamentais. Marques afirmou ainda que não há estimativa de efeito fiscal promovido pela medida.

“Flávio já fez esse compromisso publicamente algumas vezes. A ideia é negociar no colégio de líderes, liderado pelo Rogério Marinho e pelo próprio Flávio, para que a gente ofereça um cardápio, mas tem a vida do técnico e tem a vida política. Então, o caminho é através da política. Confiamos que teremos maioria no Congresso após essas eleições, será um congresso amplamente de centro-direita. Então, a ideia é construir consenso para que a gente envie um projeto que já tenha convergência e seja rapidamente aprovado”, afirmou Daniella, logo após palestra no 25º Fórum Empresarial LIDE no Rio de Janeiro.


Sobre a parte que cabe ao Congresso Nacional, as emendas parlamentares, Daniella afirmou que a opinião dos técnicos é irrelevante, contudo, espera que os parlamentares estejam à mesa de discussão e entendam que o cobertor está curto e não podem olhar “para si”. A PEC pode incluir algo sobre gastos obrigatórios, mas não há nada definido. A coordenadora afirma que será o Congresso quem decidirá essa parte.

Ministérios e servidores

Daniella Marques também comentou que será possível substituir cargos e servidores aposentados com inteligência artificial como forma de enxugar a máquina pública. Porém, essas questões “mais estruturantes”, foram elencadas por ela como “agenda de futuro”. Questionada sobre haver alteração na estabilidade dos servidores públicos, a coordenadora foi direta ao dizer que não haverá nenhuma medida nesse sentido. “Não há moral para discutir nenhum ajuste em nada da população brasileira enquanto não se olhar para o excesso e para o desperdício de recursos. Não há moral de Brasília para discutir nenhuma medida estruturante em relação a qualquer programa se não cortar na própria carne”, defendeu.

Crédito: Evandro Macedo e Gabriel Okawa/LIDE


“Isso é o futuro. As carreiras serão absolutamente respeitadas, e um estado mais eficiente permite que sejam melhor remuneradas também. Mas existe toda a questão da estabilidade que a gente conhece e respeita. Então, como há um decaimento, a cada ano uma parcela relevante se aposenta, se a gente der um choque digital no governo, teremos um estado mais eficiente para nós, para o cidadão, funcionando na palma da mão dele e, principalmente, que reconheça e remunere melhor o seu quadro de servidores”, explicou.


Marques lembrou que a Esplanada tem mais de 35 ministérios hoje, com 12 milhões de servidores que custam, por ano, R$ 450 bilhões aos cofres públicos, fora outros R$ 150 bilhões usados para bancar a estrutura com custos operacionais, técnicos e terceirizados. “Então, quantas carreiras poderão ser substituídas, operacionais e administrativas, promovendo uma reforma administrativa digital e enxugando um contingente atual de 12 milhões de servidores, que custam a nós R$ 450 bilhões por ano, só os que têm estabilidade”, declarou.


Marques também detalhou outras medidas de cortes na área econômica para aumentar a eficiência do gasto público e promover um equilíbrio fiscal das contas públicas. A coordenadora lembrou inclusive da fala do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante o seminário Santander. Na visão de Marques, Galípolo vê um esgotamento do modelo atual do governo, ao defender que o Brasil precisa mudar para um modelo econômico de produtividade e de incentivo à oferta. Marques mencionou também um ponto da fala do vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), no mesmo evento, que disse que a saída seria pelo lado da receita.


“A nossa primeira frente é fiscal. A gente não quer começar aumentando o imposto de quem produz e, por isso, o confronto é claro. O vice-presidente, Geraldo Alckmin, também nesse evento do Santander essa semana, falou que a saída é pelo lado da receita. Querem botar a gente para continuar, isso está no plano de governo e a gente não acha que é isso. Queremos começar dentro de casa, revendo estruturas, combatendo desperdício e privilégios, reduzindo sobreposições, reavaliando estatais e ativos que não fazem sentido permanecer na mão do Estado, digitalizando processos e centralizando serviços administrativos”, detalhou.


Daniella também defendeu que “responsabilidade fiscal é a política mais social que existe” e quem não cuida das contas não cuida das pessoas. E criticou a sobreposição de Poderes. “Não há liberdade econômica num país instável, em que não há harmonia, em que há sobreposição de decisões entre os três poderes. E isso hoje talvez seja a maior das inseguranças jurídicas e o maior custo Brasil que a gente tem”, disse.

*A jornalista viajou a convite do LIDE

O jogo de Lula

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Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 12 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tirou, aos poucos, os partidos de centro da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), inclusive o PP de Ciro Nogueira. Agora, vem a segunda fase: apoios ostensivos. Na segunda-feira, foi o dia de o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarar o apoio à reeleição. Agora, os petistas aguardam gestos semelhantes do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Alcolumbre chegou pela primeira vez ao comando da Casa pelas mãos dos bolsonaristas e pela proximidade com o ex-ministro Onyx Lorenzoni. Naquela época, Bolsonaro acabara de ser eleito presidente da República e o candidato apoiado pelo PT para Presidência do Senado era Renan Calheiros (MDB-AL). Agora, com os bolsonaristas dispostos a eleger um nome mais fiel a Bolsonaro, Alcolumbre se vê obrigado a buscar uma reaproximação com o Palácio do Planalto.

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Perdas e danos/ O encontro de Lula e Alcolumbre, com a presença do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi considerado positivo. Do ponto de vista político, porém, esse convescote ainda será muito explorado por Flávio Bolsonaro, que se referiu, ontem, ao magistrado como “o grande articulador político de Lula”. Dentro do PL, essa aproximação é mais um motivo para promover o impeachment do ministro, um assunto que esta semana o PL colocou de vez na campanha, com a reunião entre o filho 01 e os senadores.

Siameses

A decisão de Flávio de não participar de debates dependerá sempre da presença de Lula. Se o petista não for, o senador também não irá. A campanha avalia que se expor para potenciais aliados de segundo turno seria prejudicial para o candidato do PL, uma vez que ele se tornaria o alvo com a ausência do presidente da República. Afinal, tanto Ronaldo Caiado (PSD) quanto Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) atacariam Flávio de olho no segundo lugar que o filho 01 apresenta nas pesquisas.

Só tem um probleminha

A fuga dos debates, porém, pode ser uma faca de dois gumes. Embora Flávio tenha um exército nas redes sociais, alguns aliados temem que ele passe a impressão de despreparo para tais eventos, algo que não ocorre com Lula, que disputou seis eleições e participou de vários embates presidenciais.

Carimbo

Ao longo da sabatina do Correio Braziliense com os 11 candidatos ao governo do Distrito Federal homologados nas convenções partidárias, todos os 10 adversários da governadora-candidata Celina Leão se referiram à atual administração do GDF como “Ibaneis-Celina” ou “Celina-Ibaneis”. Todos querem colar a imagem da governadora no desgaste político do antecessor, depois do escândalo Master-BRB e da desistência da candidatura ao Senado.

Crédito: Reprodução redes sociais

Por quem o MDB raiz torce

Enquanto o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, tece loas a Flávio Bolsonaro, os dois emedebistas que já ocuparam a Presidência da República, José Sarney e Michel Temer, posam para fotos ao lado do candidato do PSD, Ronaldo Caiado, na casa (foto) do candidato a vice-presidente, Gilberto Kassab (PSD). Caiado, que está morando em São Paulo, tem o apoio ainda de Aldo Rebelo, Heráclito Fortes, Jorge Bornhausen e Roberto Brant. Todos ex-parlamentares de um tempo em que a política era feita com mais respeito e diálogo entre os adversários.

CURTIDAS

Nem perguntou/ O PT e a base governista cogitaram o nome do senador Eduardo Braga (MDB-AM) para a relatoria da medida provisória da taxa das blusinhas na comissão mista. O parlamentar sequer foi consultado. Ele concorre à reeleição no Amazonas e o período de campanha se inicia domingo.

Mais um/ O deputado Jadyel Alencar (Republicanos-PI) é um dos indicados para a presidência da comissão mista da MP da taxa das blusinhas. É mais uma indicação de peso da Câmara dos Deputados entregue ao partido do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Entretanto, o PT escolheu Reginaldo Lopes (MG) e planeja brigar pelo posto.

Vote sim/ Movimentos sociais ligados à proteção das mulheres marcaram presença na Câmara dos Deputados, na terça-feira, para pressionar Hugo Motta a colocar o projeto de lei que criminaliza a misoginia em votação. As voluntárias distribuíram adesivos de apoio à matéria, escrito “Eu Voto Sim”.

Por falar em Motta…/ O PL não gostou nada da afirmação do presidente da Câmara de que votaria em Lula. Para membros do partido, fica clara a inclinação de Motta para ajudar o governo com pautas na Casa

Master e INSS balançam campanhas

Publicado em Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, crise no INSS, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, Política, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 11 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

A operação da Polícia Federal de ontem, em Alagoas, foi recebida no meio político como mais um sinal de que o escândalo do Banco Master ainda tem muito potencial para colocar candidaturas na berlinda. Dessa vez, a operação teve como alvo principal o secretário de Fazenda de Maceió, João Felipe Alves Borges, que está no cargo desde o início da gestão de João Henrique Caldas na prefeitura, em 2021. Agora já fora do Executivo municipal e disposto a concorrer a um mandato eletivo, seja governo estadual, seja Senado, JHC, embora não seja alvo da operação, será chamado pelos adversários a explicar por que não evitou a aplicação de R$ 97 milhões do Instituto de Previdência de Maceió no Master.

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Até aqui…/ O imbróglio alagoano é mais um em meio aos que já surgiram no rastro do Master e do roubo dos aposentados e pensionistas do INSS. Na semana passada, foi o senador Weverton Rocha (PDT-MA), alvo de mais uma fase da Operação Sem Desconto — sobre o escândalo da Previdência —, que ainda se mantém candidato, mas obrigado a se explicar. No DF, Ibaneis Rocha desistiu do Senado. No Rio de Janeiro, o ex-governador Cláudio Castro também se afastou da disputa eleitoral, depois que veio a público sua ligação com Daniel Vorcaro. Quem continua firme fazendo campanha no Piauí e sem mencionar o caso é o presidente do PP, o senador Ciro Nogueira. Até sábado, data-limite para registro das candidaturas, muita coisa ainda vai mudar Brasil afora.

Ponto central

A tomar pelo discurso dos candidatos a senador pelo PL Brasil afora, o Supremo Tribunal Federal irá dominar os debates para o Senado. A maioria deles, sem exceção, menciona a necessidade de colocar os pedidos de impeachment dos ministros para tramitar. E hoje, na reunião de Flávio Bolsonaro com os candidatos, ficará decidido que esses ataques ao STF terão que estar presentes no discurso.

Alcolumbre que se cuide

Para cumprir seu objetivo, os bolsonaristas esperam eleger, no mínimo, 30 senadores. Se atingir esse número, um bolsonarista será guindado ao comando do Senado com a missão de colocar os processos em andamento. E já está decidido que este candidato para comandar a Casa não será Davi Alcolumbre (União-AP).

Por falar em Flávio…

Candidato ao governo de São Paulo, o ex-minsitro Fernando Haddad (PT) aproveitou a entrevista à CNN para se referir ao patrimônio de Flávio Bolsonaro e aos imóveis comprados com dinheiro vivo. Ainda se referiu ao dinheiro obtido com Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

E o Congresso, hein?

A semana será de esforço concentrado, mas nem tanto. É que foi aberta a possibilidade de votação pelo sistema Infoleg, em que o parlamentar pode votar de forma remota. Vai ter muito candidato que não pisará em Brasilia.

CURTIDA

Crédito: Renato Araújo/Agência Brasil

Sem defensor/ O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (Republicanos, foto) aproveitou o debate da Band com os candidatos ao governo estadual para dar uma cutucada no presidenciável Flávio Bolsonaro. “Flávio, vou mandar um recado para você. Que vergonha, teu candidato não te defende”, afirmou.

Cada um por si/ Garotinho referia-se aos ataques a Flávio proferidos pelo candidato William Siri (PSol) durante o debate no estado e a falta de uma palavrinha em prol do Zero Um de Jair Bolsonaro por parte de Douglas Ruas, que concorre ao governo fluminense pelo PL.

Esquenta 2030/ Assim os políticos estão se referindo ao debate entre os candidatos ao governo de São Paulo — Tarcísio de Freitas (Republicanos), que concorre à reeleição, e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad. É que ambos são considerados apostas para a Presidência da República na próxima eleição.

É hoje!/ De 7h até 17h, o Correio Braziliense entrevistará todos os candidatos ao Governo do Distrito Federal. É o compromisso do jornal em manter o eleitor informado sobre projetos e planos para a capital do país. Acompanhe pelas redes sociais do Correio, pelo site do jornal e pela edição impressa de amanhã.

Campanha em 30 segundos

Publicado em Política

Coluna Brasília-DF publicada no domingo, 9 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito.

Informações falsas, robôs, redução dos mecanismos de checagem de fatos pelas grandes big techs e o ambiente de ataques gratuitos e xingamentos nas redes sociais levam marqueteiros e especialistas em campanha eleitoral a reverem os conceitos a respeito do domínio dessas redes na corrida eleitoral. Há entre eles o sentimento de que o eleitor está um pouco cansado desse modelo das redes e tem tudo para voltar ao horário eleitoral de rádio e tevê — não aos programas, mas às inserções no meio da programação. Isso sem contar debates e sabatinas promovidos pela imprensa. O eleitor está cansando da polarização e do uso das redes no ambiente político. Caberá a cada candidato dosar sua campanha de forma a não ficar tão dependente do “piscinão” que se tornaram as redes sociais.

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Embora as redes sociais comecem a ser vistas com algum cuidado pelos especialistas, o investimento na campanha digital ainda deverá ser maior, uma vez que é preciso garantir a preferência de visualização para os conteúdos da própria campanha nos sites de busca e nas redes sociais, em especial, as transmissões ao vivo. Porém, tem muita gente que vai hesitar em colocar todos os ovos, no caso, recursos, na cesta das redes. Afinal, se o eleitor estiver mesmo cansado, não será ali o melhor lugar para garantir votos.

A vingança de Flávio

Em carreira solo no PL, sem nenhum outro partido para chamar de seu, o candidato Flávio Bolsonaro já tem planos caso seja eleito em outubro. O primeiro deles é dificultar a vida dos partidos. Aqueles que disseram não à composição da chapa ou de alianças, ou não serão chamados a participar do ministério, ou terão que pagar caro pelo ingresso. Afinal, o senador não deverá a sua chegada ao Planalto a nenhum deles.

Cansaço crescente

Os analistas e marqueteiros começaram a avaliar os gráficos de comportamento do eleitor ao longo das seis últimas eleições presidenciais no Brasil. Descobriram que o eleitor vem perdendo o interesse em votar. A abstenção só caiu de 2002 para 2006, de lá para cá, só cresce. Em 2006, 16,75% dos eleitores não foram às urnas. Em 2022, esse número subiu para 20,89%. Se a abstenção continuar nesse ritmo, o universo de votos válidos pode levar a uma eleição no primeiro turno, para quem estiver na frente.

Inteligência limitada

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) teve o orçamento total ampliado ao longo dos últimos 25 anos, mas o dinheiro para investimentos, que permite a compra de novas tecnologias, equipamentos e infraestrutura, está cada vez mais curto. Houve um respiro no primeiro ano do governo Lula, com R$ 113 milhões, mas, de lá para cá, esse valor vem caindo. O patamar mais baixo foi no ano passado, R$ 64 milhões.

Quem perde

O baixo montante de investimentos ocorre justamente num cenário de crescimento das ameaças cibernéticas, do crime organizado transnacional, guerras espalhadas pelo mundo e de espionagem internacional.

Elas perceberam…

Em evento recheado de promessas ao eleitorado feminino no interior paulista, o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, que não chamou nenhuma mulher do seu partido para compor a chapa, pediu votos ao Senado para dois homens com o intuito de derrotar duas mulheres candidatas em São Paulo.

…Mas não alertaram o candidato

Até deputadas alinhadas ao senador consideraram que não era o momento de se referir aos votos paulistas para o Senado. Uma vez que o evento era “Café entre elas”, voltado às mulheres, o melhor seria deixar os votos para os senadores para um outro momento.

O susto deles

Muitos políticos ficaram assustados com a foto publicada pela revista piauí em que aparecem vários parlamentares na piscina com o advogado Willer Tomaz, alvo de mais uma fase da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que investiga o roubo dos aposentados do INSS. Houve quem entrasse em pânico, achando que tinha algo a ver com as festas de Daniel Vorcaro. Nada a ver. Tomaz é outro caso, que tem potencial para abalar muitas candidaturas.

Dia dos Pais/ Fica aqui a homenagem da coluna a todos aqueles que, junto com as mães, suam a camisa para criar e educar seus filhos. Que este domingo seja coberto de bênçãos.

Onde mora o perigo para Flávio

Publicado em coluna Brasília-DF, Crise entre os Poderes, Eleições, Eleições 2026, EUA, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, Lula, PL, Política, Ronaldo Caiado, STF, TSE

Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 7 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Os dois dígitos que o candidato do PSD, Ronaldo Caiado, apresentou na pesquisa Correio/Opinião sobe intenção de votos no Distrito Federal, foram vistos nos partidos e centro — e até por integrantes do PL — como um sinal de que a candidatura do ex-governador de Goiás não pode ser desprezada. No DF, um dos menores colégios eleitorais do país, a pesquisa estimulada tem Flávio Bolsonaro (PL) com 33,5% na liderança; Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em segundo, com 32%; Caiado em terceiro, com 11,5%; e Renan Santos (Missão), com 4,6%. Já tem gente apostando que Flávio, com uma rejeição alta, tem o recall de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Caiado, ao contrário, tem baixa rejeição e se conseguir se tornar conhecido, vai dar trabalho ao senador do Rio de Janeiro.

Crédito: Maurenilson Freire

Termômetro/ Os bolsonaristas não escondem o incômodo com os candidatos conservadores que concorrem em raias separadas do bolsonarismo-raiz. Um dos pontos que chamou a atenção até mesmo de integrantes do PL foi um post nas redes sociais do ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro, candidato ao Senado em Santa Catarina. Diz o filho 02 de Jair Bolsonaro: “Os únicos três objetivos da chamada ‘terceira via’, hoje camuflada como a chamada ‘direita permitida’, são eleger Lula, enterrar politicamente Jair Bolsonaro e os presos do 8 de Janeiro (…)”. Termina dizendo que “esse grupo é ainda mais prejudicial ao país do que o próprio PT”. No DF, o raciocínio do ex-vereador carioca sobre eleger Lula não se sustenta, uma vez que, a preços de hoje, num segundo turno, Caiado teria 50% dos votos contra Lula e Flávio, 46%. Ambos derrotariam Lula, mas Caiado teria mais votos.

Um discurso para Lula

O pedido de conversa do presidente Lula com o dos Estados Unidos, Donald Trump, deixa o norte-americano na seguinte situação: se recusar, soará como alguém que não pretende dialogar com o Brasil, reforçando a narrativa de interferência no processo eleitoral; se Trump aceitar a conversa, quem não vai gostar é Flávio Bolsonaro.

Um teste para Messias

Após a nota dos 27 superintendentes regionais da Polícia Federal em defesa da direção e da independência da corporação, coube ao advogado-geral da União, Jorge Messias, intermediar uma reunião entre os ministro da Justiça, Wellington Silva, e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, para tentar acertar os ponteiros em relação ao trabalho da PF e do STF nos casos envolvendo o INSS e o Banco Master. Se as conversas avançarem a bom termo, Messias, que foi apoiado por Mendonça quando da indicação para o Supremo, vira um potencial nome para a Justiça na hipótese de reeleição de Lula.

Veja bem

Lula não desistiu de indicar Messias ao STF, mas não pretende dar murro em ponta de faca. E se ficar praticamente impossível garantir os votos pró-Messias no Senado, o Ministério da Justiça é o caminho mais viável.

Aos números

Numa entrevista com Flávio Bolsonaro, a coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, atacou o trabalho na área feito pelo governo Lula com dados da pandemia. “Se você pegar o primeiro semestre deste ano, são mais de seis mil empresas quebradas, sendo que na pandemia não foram duas mil quando ficou tudo fechado”, disse. Contudo, estudo divulgado em 16 de julho de 2020 pelo IBGE, intitulado “Pesquisa Pulso Empresa: Impacto da Covid-19 nas Empresas”, apontou que mais de 716 mil empresas fecharam, sendo quatro em cada 10 devido à pandemia (522 mil).

CURTIDAS

Crédito: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

Revisa aí/ A defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres pediu ao STF a revisão criminal da condenação dos 24 anos de prisão pela trama golpista. Os advogados declaram falta de provas e pedem a soltura imediata de Torres. Caso a absolvição seja negada, a defesa insistirá na redução da pena, sob a alegação de que não houve “fundamentação individualizada” no julgamento. O ex-ministro está preso na Papudinha desde novembro de 2025.

Corrige aí/ Até agora, pelo menos dois candidatos vieram a público explicar que houve erros em suas autodeclarações de raça ao Tribunal Superior Eleitoral. Candidata a vice-governadora do Rio Grande do Norte, Larissa Rosado (PSB) constava como parda e afirmou que vai pedir a correção. O segundo vice-presidente da Câmara, deputado Elmar Nascimento (União-BA, foto), candidato à reeleição, consta como negro. Vai solicitar a alteração.

Dégradé/ Em 2018, Elmar se declarou branco; em 2022, pardo; e em 2026, negro. E frisou que demais candidatos têm passado o mesmo. Em nota, afirmou que houve um erro: “Situações dessa natureza têm sido verificadas por outros candidatos durante o processo de registro de candidaturas para as eleições deste ano, evidenciando tratar-se de uma inconsistência pontual de natureza administrativa, passível de correção pelos meios legalmente previstos”, disse.

Hora da união/ O STF e o TSE deverão evitar alfinetadas públicas, na avaliação de fontes próximas aos magistrados. O Poder Judiciário passa pela sua pior crise de imagem, de acordo com interlocutores ouvidos pela coluna, e nesse momento, para amenizar a crise institucional, os ministros devem adotara unidade em vez da individualidade, como forma de protegerem a instituição.

Colaborou Renato Souza

Trilha aberta para Lira e Renan

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, CPMI do INSS, Economia, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, Lula, PL, Política, Senado, STF

Coluna publicada na quinta-feira, 6 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

A escolha do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) para compor a chapa de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto ajuda dois personagens numa das disputas mais ferrenhas para o Senado: Renan Calheiros (MDB) e Arthur Lira (PP). O ex-relator da CPMI do INSS era candidato a senador, reforçou isso, inclusive, na madrugada anterior a seu anúncio como o parceiro do filho 01 de Jair Bolsonaro na campanha presidencial. Agora, a tendência é a de que Renan e Lira consigam atingir o objetivo eleitoral, em outubro.

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O melhor dos dois mundos/ Até aqui, Lira, feliz com a ida de Gaspar para a campanha presidencial, não pretende colar sua campanha à de Flávio. Prefere seguir a neutralidade adotada pela direção nacional do partido. Lira pretende fazer a própria campanha, em parceria com prefeitos de partidos de centro que apoiam Lula, mas não estão fechados com os Calheiros. Porém, Flávio tem esperanças de que isso seja revisto. Afinal, ele espera que Gaspar, uma indicação do coordenador da campanha, Rogério Marinho, seja a porta de entrada no eleitorado nordestino, onde Lula tem a preferência. Até aqui, porém, a escolha não levou a ampliar seu palanque nem em Alagoas, nem em outros estados. A ver como será ao longo da campanha.

Marinho, o padrinho

Rogério Marinho foi um dos nomes cogitados para vice de Flávio, mas não quis porque prefere ser candidato a presidente do Senado para ter o controle da Casa. E permitir a tramitação de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal.

Discurso anti-Lulinha

A tarefa de Alfredo Gaspar nesta campanha é usar o trabalho como relator da CPMI do INSS para reforçaras denúncias contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, com o intuito de desgastar o pai presidente e candidato à reeleição.

Atestado de inabilidade

Do alto da respeitabilidade e da experiência que acumulou ao longo de 40 anos de carreira política, o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) foi direto ao comentar a escolha de Gaspar: “É uma pessoa muito qualificada, mas não é disso que se trata. A indicação dele veio depois de várias tentativas de ampliação que a campanha do Flávio Bolsonaro fez. Então, é antes de tudo um atestado de uma incapacidade de ampliar a sua base de apoio”, afirmou à coluna, no 8º Brasília Summit Lide Correio Braziliense.

Espere setembro chegar

A pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política para a Presidência da República no DF mostra Flávio na liderança, com 33,5%, e Lula, com 32%. Está mais apertado para o petista do que foi na pesquisa de agosto de 2022, quando Lula tinha 39% e o então presidente Jair Bolsonaro, candidato à reeleição, 36,7%. Naquela eleição, Bolsonaro ultrapassou Lula e fechou o primeiro turno com 51,6% dos votos. Lula ficou com 36,8% dos votos do DF. A ultrapassagem foi detectada pelo mesmo instituto, em 5 de setembro de 2022.

CURTIDAS

Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

A Faria Lima só observa/ Ninguém levou muita fé na escolha de Alfredo Gaspar como vice de Flávio. Quem ganha com isso, conforme avaliam por lá, é Ronaldo Caiado (PSD, foto).

Por falar em Caiado…/ Ele tem 11,5% dos votos do DF, conforme a pesquisa estimulada Correio/Opinião. Sinal de que ainda pode crescer por aqui, furando o bloqueio da polarização.

Palavra do decano/ Logo depois da palestra de abertura do 8º Brasília Summit Lide Correio Braziliense, o ministro Gilmar Mendes, do STF, comentou a escalada de tensão entre Brasil e Estados Unidos. “É preciso ter muita serenidade, muita calma nessa hora. A gente tem que ter um olhar mais amplo, vendo sempre a árvore e a floresta. A relação do Brasil e dos Estados Unidos é mais do que secular, e é extremamente importante que prossiga dentro dos parâmetros da diplomacia”, argumentou.

A nova onda do BRB/ No mesmo evento, o diretor-executivo de Atacado e Governo do BRB, Bruno Watanabe, foi direto: “Quando existem regras claras, estabilidade e segurança jurídica, criam-se condições para que investimentos aconteçam e saiam do papel. Nosso papel como banco público é conectar crédito e projetos que gerem emprego, renda e competitividade”. Logo depois do evento, uma autoridade que estava na plateia comentou com a coluna que os tempos de irresponsabilidade de Paulo Henrique Costa acabaram no banco.