Gonet defende clareza na elaboração de leis e rigor na aplicação das regras

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Por Denise Rothenburg* com Eduarda Esposito — Sempre muito discreto e cuidadoso com suas declarações, o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, subiu uma oitava em palestra nesta sexta-feira, ao defender clareza na concepção de leis e rigor na aplicação das regras por magistrados do país. Ao discorrer sobre segurança jurídica no 25º Fórum Empresarial LIDE, no Rio de Janeiro, ele foi incisivo: “Para que haja segurança jurídica nas relações, cada órgão tem que se ater às suas competências”. E lembrou que esse tema estará na ordem do dia daqui para frente:

Crédito: Evandro Macedo e Gabriel Okawa/LIDE

“A segurança jurídica vai ser um tema importantíssimo em 2027. No ano que vem, nós estamos aguardando a implementação de reformas tributárias, teremos discussões sobre juros, manutenção de contratos e investimentos em infraestrutura. É um ano que promete bastante debate, com bastante importância da compreensão jurídica dos termos que vão ser utilizados”, destacou. 

Para Gonet, existem dois tipos de segurança jurídica: uma política e outra jurídica. O PGR diferenciou as duas pelo entendimento de que a segurança política significa uma pretensão de agentes políticos tomarem decisões que assegurem estabilidade. E, do ponto de vista jurídico, a segurança jurídica é algo que se pode exigir, seja em tribunais ou na edição de determinadas adoções de comportamento. 

“Segurança jurídica, em termos de direito, é aquela que leva o indivíduo a poder exigir do Estado um determinado comportamento, é a segurança regrada pelo direito, mas é preciso que haja segurança também no próprio direito. Nós estamos falando em estabilidade e previsibilidade das regras”, destacou. 

Para o PGR, é necessário que a concepção de leis seja o mais clara possível, para que o destinatário entenda as consequências jurídicas do comportamento que deverá assumir. Gonet defende que, quanto mais intensa a interferência da lei sobre o campo das decisões individuais, mais precisos têm que ser os termos que a lei emprega. Porque, caso não seja dessa forma, haverá a consequência de inconstitucionalidade da lei. Outro ponto esmiuçado pelo Procurador-Geral foi a estabilidade dos regramentos. Para o magistrado, é necessário que as normas sejam estabelecidas para o futuro, e não para o dia imediato. 

Por fim, Gonet também discorreu sobre a estabilidade da aplicação da lei pelos tribunais. “Os tribunais não podem mudar o sentido da lei a cada instante, apenas porque, em uma nova composição, alguém tem uma ideia diferente daqueles que concluem que a decisão é antiga. Esse é um ponto em que a Procuradoria-Geral da República tem se empenhado em ter o entendimento, o que gerou expectativa de normatização de um determinado segmento da realidade. Porque a boa-fé que a gente espera nas relações entre os indivíduos também tem que existir entre os Poderes Públicos e os indivíduos. Se eu confio em uma promessa do Estado, essa promessa tem que ser mantida da mesma forma que tem que ser mantida a palavra dada entre indivíduos nas relações privadas”, defendeu. 

Crédito: Evandro Macedo e Gabriel Okawa/LIDE

Sigilo das investigações

Ainda sobre sua participação, Paulo Gonet defendeu com veemência o sigilo judicial e das investigações em curso, recusando-se a comentar processos que seguem em análise pela PGR. “Há uma coisa que a Procuradoria-Geral da República preza imensamente: o respeito ao sigilo, ao sigilo judicial, o respeito às pessoas que podem ser impactadas por notícias que ainda não correspondem a fatos completamente desvendados, completamente compreendidos, com enorme impacto negativo para essas pessoas e para o próprio interesse nacional”, disse. 

Gonet também reforçou que esse respeito seja exercido pelo Ministério Público, ainda mais nesse tempo de eleições, para que decisões judiciais e investigações não sejam usadas como instrumentos políticos nas campanhas.

*Jornalista viajou a convite do LIDE

Se for eleito, Flávio enviará PEC ao Congresso com medidas de corte de gastos antes da posse

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Por Denise Rothenburg* com Eduarda Esposito — Coordenadora da proposta o candidato Flávio Bolsonaro para a economia, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal e financista Daniella Marques fez questão de marcar diferenças de projetos entre as propostas de Flávio Bolsonaro e o presidente Lula. Em sua exposição no 25º Fórum Empresarial Lide, no Rio de Janeiro, ela fez questão de dizer que o atual governo acena por ajustes no lado da receita, enquanto a proposta em estudo pela equipe de Flávio fará o ajuste pela despesa, ou seja, corte de gastos. Ela informou que, caso eleito presidente, o senador do PL apresentará ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) antes da posse, para enxugar Ministérios e cortar despesas públicas.

Crédito: Evandro Macedo e Gabriel Okawa/LIDE

Marques avalia que o governo do Zero Um deve ter entre 20 a 25 pastas, corte de despesas operacionais e administrativas, revisão do arcabouço fiscal e um pacote mirando supersalários e sobreposição de ações governamentais. Marques afirmou ainda que não há estimativa de efeito fiscal promovido pela medida.

“Flávio já fez esse compromisso publicamente algumas vezes. A ideia é negociar no colégio de líderes, liderado pelo Rogério Marinho e pelo próprio Flávio, para que a gente ofereça um cardápio, mas tem a vida do técnico e tem a vida política. Então, o caminho é através da política. Confiamos que teremos maioria no Congresso após essas eleições, será um congresso amplamente de centro-direita. Então, a ideia é construir consenso para que a gente envie um projeto que já tenha convergência e seja rapidamente aprovado”, afirmou Daniella, logo após palestra no 25º Fórum Empresarial LIDE no Rio de Janeiro.


Sobre a parte que cabe ao Congresso Nacional, as emendas parlamentares, Daniella afirmou que a opinião dos técnicos é irrelevante, contudo, espera que os parlamentares estejam à mesa de discussão e entendam que o cobertor está curto e não podem olhar “para si”. A PEC pode incluir algo sobre gastos obrigatórios, mas não há nada definido. A coordenadora afirma que será o Congresso quem decidirá essa parte.

Ministérios e servidores

Daniella Marques também comentou que será possível substituir cargos e servidores aposentados com inteligência artificial como forma de enxugar a máquina pública. Porém, essas questões “mais estruturantes”, foram elencadas por ela como “agenda de futuro”. Questionada sobre haver alteração na estabilidade dos servidores públicos, a coordenadora foi direta ao dizer que não haverá nenhuma medida nesse sentido. “Não há moral para discutir nenhum ajuste em nada da população brasileira enquanto não se olhar para o excesso e para o desperdício de recursos. Não há moral de Brasília para discutir nenhuma medida estruturante em relação a qualquer programa se não cortar na própria carne”, defendeu.

Crédito: Evandro Macedo e Gabriel Okawa/LIDE


“Isso é o futuro. As carreiras serão absolutamente respeitadas, e um estado mais eficiente permite que sejam melhor remuneradas também. Mas existe toda a questão da estabilidade que a gente conhece e respeita. Então, como há um decaimento, a cada ano uma parcela relevante se aposenta, se a gente der um choque digital no governo, teremos um estado mais eficiente para nós, para o cidadão, funcionando na palma da mão dele e, principalmente, que reconheça e remunere melhor o seu quadro de servidores”, explicou.


Marques lembrou que a Esplanada tem mais de 35 ministérios hoje, com 12 milhões de servidores que custam, por ano, R$ 450 bilhões aos cofres públicos, fora outros R$ 150 bilhões usados para bancar a estrutura com custos operacionais, técnicos e terceirizados. “Então, quantas carreiras poderão ser substituídas, operacionais e administrativas, promovendo uma reforma administrativa digital e enxugando um contingente atual de 12 milhões de servidores, que custam a nós R$ 450 bilhões por ano, só os que têm estabilidade”, declarou.


Marques também detalhou outras medidas de cortes na área econômica para aumentar a eficiência do gasto público e promover um equilíbrio fiscal das contas públicas. A coordenadora lembrou inclusive da fala do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante o seminário Santander. Na visão de Marques, Galípolo vê um esgotamento do modelo atual do governo, ao defender que o Brasil precisa mudar para um modelo econômico de produtividade e de incentivo à oferta. Marques mencionou também um ponto da fala do vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), no mesmo evento, que disse que a saída seria pelo lado da receita.


“A nossa primeira frente é fiscal. A gente não quer começar aumentando o imposto de quem produz e, por isso, o confronto é claro. O vice-presidente, Geraldo Alckmin, também nesse evento do Santander essa semana, falou que a saída é pelo lado da receita. Querem botar a gente para continuar, isso está no plano de governo e a gente não acha que é isso. Queremos começar dentro de casa, revendo estruturas, combatendo desperdício e privilégios, reduzindo sobreposições, reavaliando estatais e ativos que não fazem sentido permanecer na mão do Estado, digitalizando processos e centralizando serviços administrativos”, detalhou.


Daniella também defendeu que “responsabilidade fiscal é a política mais social que existe” e quem não cuida das contas não cuida das pessoas. E criticou a sobreposição de Poderes. “Não há liberdade econômica num país instável, em que não há harmonia, em que há sobreposição de decisões entre os três poderes. E isso hoje talvez seja a maior das inseguranças jurídicas e o maior custo Brasil que a gente tem”, disse.

*A jornalista viajou a convite do LIDE

As andanças dos economistas

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Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 21 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Os economistas ligados ao governo Lula — em especial, o ministro da Fazenda, Dario Durigan — começaram um périplo junto ao setor privado e ao mercado financeiro no sentido de explicar os parâmetros de um ajuste fiscal futuro. Na mesma toada estão aqueles ligados a Flávio Bolsonaro. Hoje, por exemplo, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, que está à frente das propostas econômicas do candidato do PL, participa do 25º Forum empresarial Lide, no Rio de Janeiro, com a missão de tentar convencer o empresariado da viabilidade de um projeto econômico encabeçado pelo filho 01 de Jair Bolsonaro.

O que falta/ O setor privado tem ouvido tanto o governo quanto os emissários de Flávio sem muitas expectativas. É que, por mais boa vontade que parte do empresariado tenha, seja com o governo, seja com os Bolsonaro, faltam detalhes sobre como isso será feito. No fundo, há um cansaço com o governo Lula e um receio de que Flávio não tenha jogo de cintura para tocar o país de forma mais serena, sem sobressaltos. E a Ronaldo Caiado, que muitos consideram o mais preparado e capaz de atrair uma equipe mais técnica nessa seara, falta conhecimento por parte do eleitorado. Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missao) ficam mais à margem dessas conversas. Enquanto não houver mais detalhes, será difícil o empresariado fechar em bloco com algum candidato.

Marcola que fique longe

O PT praticamente “baniu” o ex-chefe de gabinete de Lula, mas, em relação ao filho do presidente, o Lulinha, não há o que fazer. A não ser pregar aos quatro ventos que se houver qualquer indício de irregularidade, será punido. A ideia é marcar a diferença para Jair Bolsonaro que, quando presidente, afirmou em reunião ministerial que trocava todo mundo que pudesse atingir os seus.

Campanha no STJ

O grande número de desembargadores estaduais presentes à posse do presidente e do vice do Superior Tribunal de Justiça não foi apenas uma deferência ao grande currículo e conhecimento jurídico dos ministros Luís Felipe Salomão e Mauro Campbell. É que os magistrados estaduais estão de olho nas vagas para o STJ a serem preenchidas em breve.

Começaram cedo

O STJ tem em aberto duas vagas: a do ministro Marco Buzzi, demitido por causa das denúncias de assédio e importunação sexual, e a do ministro Saldanha Palheiro, que se se aposentou ao atingir a idade-limite de permanência na Corte. Há também uma vaga a ser aberta, uma vez que o ministro Og Fernandes, que completa 75 anos em novembro — ou seja, terá que se aposentar daqui a três meses. Na saída da solenidade de posse de Salomão e Campbell, um desembargador comentava com a mulher: “Meus colegas estão todos aqui em campanha. Essa turma não perde tempo”.

Agora vai…

…lá no Amapá. O grupo governista do estado recebeu uma injeção de esperança, após o anúncio da descoberta de petróleo na Margem Equatorial. As pesquisas de meados de julho apontaram o ex-prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD), liderando a corrida ao Palácio do Setentrião. Agora, o grupo do atual governador, Clécio Luís (União Brasil) espera virar o jogo: “O bloco que está na base do governo do estado foi quem trabalhou para isso acontecer. Houve todo um trabalho político, no Brasil e no exterior, para viabilizar o estudo da Petrobras na Margem Equatorial”, afirma o deputado Dorinaldo Malafaia (PDT-AP). E deu o recado: se o governador ainda não usou a notícia na campanha, é hora de começar.

CURTIDAS

Engajados nas redes I/ O mais recente relatório do Instituto Democracia em Xeque, que monitora as redes sociais dos candidatos ao Senado e aos governos estaduais, mostrou que no Centro-Oeste, dos 10 candidatos a senador com maior volume de interações, cinco são do PL. O campeão em engajamento é Gustavo Gayer, que disputa o Senado por Goiás. Teve 501 mil interações com 25 publicações.

Engajados nas redes II/ Em segundo lugar, vem Michelle Bolsonaro (PL-DF), com 448 mil interações em apenas seis publicações — ou seja, o maior volume de engajamento por post —, seguida por Bia Kicis (PL-DF), com 200 mil interações em 30 publicações. Entre os nomes do PL nessa lista, uma curiosidade: só Michelle não tem como uma das bandeiras de campanha o impeachment de ministros do Supremo.

Os poucos que surgem/ A lista dos 10 candidatos ao Senado no Centro-Oeste só tem dois nomes de esquerda: Erika Kokay (PT-DF, foto) e Pedro Taques (PSB-MT). O monitoramento no CentroOeste é feito em parceria com o grupo de pesquisa Midiaticus, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

Cada um com a sua campanha

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, Lula, PL, Política, PSD, PT, Senado

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 19 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Embora o PL esteja disposto a distribuir todo o material replicando a campanha de Flávio Bolsonaro país afora, muitos de seus potenciais aliados em vários estados vão trabalhar em carreira solo. É o caso, por exemplo, de Alagoas. Ainda que o deputado Alfredo Gaspar (PL) seja candidato a vice-presidente, a maioria dos candidatos fará a própria campanha, inclusive o ex-prefeito de Maceió candidato ao governo estadual, João Henrique Caldas (PSDB). JHC começa a campanha cuidando apenas da sua caminhada pelo estado, uma vez que o principal adversário, senador Renan Filho (MDB-AL), tem a maioria dos prefeitos do interior. E nessas andanças, ele só levará o nome de Flávio dependendo do que seus aliados chamam de “dinâmica da campanha”.

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E no PT, hein?/ Até aqui, a ideia em muitos estados é deixar que os candidatos a presidente cuidem cada um de si mesmos. No caso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Nordeste muita gente vai “colar” a campanha por causa da preferência que ele tem por lá. Porém, em estados onde o PT não tem candidato a governador, a tendência é a campanha presidencial ficar em segundo plano. Se o nome de Lula ajudar, o interessado empunhará a bandeira do presidente-candidato. Se atrapalhar, os coordenadores da campanha nacional que se virem para fazer propaganda do presidenciável.

Quem faz as contas

Renan Santos promete anunciar, na próxima semana, quem será seu ministro da Fazenda, caso vença a eleição em outubro. Até aqui, um dos colaboradores da área econômica que tem acompanhado o candidato do Missão à Presidência nas conversas é Paulo Bijos, ex-secretário de Orçamento do Ministério do Planejamento. Bijos, que faz parte do quadro de consultores da Câmara dos Deputados, deixou a pasta em 2024, depois de apresentar uma projeção de colapso das contas públicas em 2027.

Por falar em Renan…

O setor de comércio e serviços gostou do que ouviu do candidato do Missão ao Planalto, esta semana. Ele deixou uma imagem de “jovem, carismático e autêntico”. A impressão é de que talvez seja hora de arriscar algo novo e sair da “mesmice”. Renan trouxe para o segmento um sentimento de possível renovação.

Dinheiro pouco…

O PSD de Gilberto Kassab é um dos partidos que ainda não definiu como distribuirá seu fundo eleitoral (R$ 421 milhões). O partido deseja aumentar a bancada na Câmara (hoje são 48 deputados) e quer manter a bancada de, pelo menos, 13 senadores, dos quais apenas três têm mandato até 2031. O partido tem 15 candidatos ao Senado, seis à reeleição e outros nove concorrendo pela primeira vez.

… e difíceis decisões

Mas, dentro do partido, fala-se na chance de eleger oito governadores. Esse cenário tem feito Kassab pensar com muita calma em como direcionar os valores para cada candidato. O partido tem 1.125 candidaturas, sendo 13 aos governos estaduais, 15 ao Senado e 436 para a Câmara dos Deputados.

Dr. Caiado pela vacinação

Durante a apresentação do plano de governo para a área da saúde, Ronaldo Caiado (PSD) foi enfático ao defender as vacinas e culpou o movimento antivax pelo surto de sarampo em São Paulo. “Farei questão de estar à frente, em toda a campanha, para poder orientar as mães. Poder mostrar que aquilo (vacina) é fundamental para as crianças”, afirmou.

CURTIDAS

Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

Quem foi, foi/ Os candidatos estão com dificuldades em colocar suas campanhas nos templos evangélicos. Quem tem um trabalho há anos nas comunidades é sempre bemvindo. Porém, quem chega agora para tentar obter votos, recebe quase um “passa fora”.

Ficou assim/ Candidato à reeleição para deputado federal, Alberto Fraga recebeu do PL a promessa de repasse do teto de recursos para a sua campanha — ou seja, R$ 3,1 milhões. “Quem está começando, ou seja, em sua primeira campanha, não terá tudo isso”, avisa. Fraga está no quinto mandato de deputado federal.

Sem meias-palavras/ Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas candidatas ao Senado pelo PL, chegaram juntas para o lançamento da campanha de Fraga, que contou ainda com a presença de José Roberto Arruda, candidato ao GDF. Michelle foi direta ao dizer para Arruda que não votaria nele. Ela e Bia Kicis estão fechadas com a reeleição da governadora Celina Leão (foto).

Tarifaço reforça polarização entre Lula e Flávio

Publicado em coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, EUA, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, PL, Política, PT, STF

Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 3 de julho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

 

A tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos, às vésperas de um novo tarifaço imposto por Washington, reacendeu a polarização entre os dois principais pré-candidatos à Presidência. Mais do que reforçar o discurso em defesa da soberania brasileira, o presidente Lula elevou novamente o tom, ao chamar o clã Bolsonaro e aliados de “traidores da pátria”. A proposta de Flávio Bolsonaro de adiar o tarifaço a fim de evitar uma “vitória política” de Lula inflamou a disputa eleitoral, a três meses do voto brasileiro nas urnas eletrônicas.

Episódios anteriores indicam que a estratégia bolsonarista de incitar o governo norte-americano contra a economia brasileira favorece o pré-candidato petista. Com essa proposta apresentada por Flávio Bolsonaro aos EUA, Lula ganha mais pontos para convencer o eleitorado de que está ao lado do Brasil. Deixará cada vez mais explícita a distinção entre quem atua em favor dos interesses do nosso país e quem articula por uma interferência externa na eleição brasileira e na economia nacional.

A carta de Flávio se soma a outros movimentos que repercutiram mal no eleitorado brasileiro: a oferta de uma equipe de transição para dialogar como governo norte-americano e o trabalho incessante de outros bolsonaristas em favor de punições à economia e a autoridades brasileiras. Em meio a uma crise partidária e às suspeitas no escândalo Master, o 01 se complica cada vez mais.

Debate no Recife

A quinta edição do Seminários Facto será realizada hoje, às 14h30, no Beach Class Convention By Mai, no Recife. O evento reunirá jornalistas, economistas e lideranças políticas para debater cenários eleitorais, jornalismo investigativo e as tendências de mercado para o segundo semestre. A diretora de Redação do Correio Braziliense, Ana Dubeux, participará do painel Política e Jornalismo, que discutirá os bastidores da cobertura das eleições e os desafios do jornalismo investigativo em meio a uma campanha eleitoral.

Cartas aos fiéis

Em menos de 30 dias, o Partido dos Trabalhadores divulgou cartas específicas para católicos e evangélicos. Sem tratar da pauta de costumes ou de temas polêmicos como aborto, os documentos abordam a liberdade religiosa e comprometimento do governo Lula com as ações sociais. Em ambos, defendem a reeleição do presidente.

Resultados opostos

Segundo pesquisa Nexus/BTG Pactual divulgada no início da semana, Lula e Flávio têm resultados pendulares na preferência dos eleitores, considerando a fé religiosa. O presidente seria escolhido por 53% dos católicos, enquanto 38% votariam no senador bolsonarista. Entre os evangélicos, ocorre o oposto: Flávio Bolsonaro marca 60% das intenções de voto, e Lula fica com 32%.

Very good

Um mês depois de lançar a MEC Idiomas, plataforma digital para ensino gratuito de inglês e espanhol, a iniciativa conta com mais de 560 mil inscritos. O ministério registrou 426,3 mil matrículas em cursos de inglês, e 137,7 mil em espanhol. O portal e o aplicativo são gratuitos e buscam democratizar o acesso ao ensino de línguas estrangeiras no país. Estimativas indicam que menos de 10% da população brasileira domina a língua inglesa.

Encontro marcado

Em meio à confusão entre Michelle e Flávio Bolsonaro, o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, é o convidado da semana no almoço da Frente Parlamentar pelo Brasil Competitivo (FPBC), em parceria com as Frentes Parlamentares de Tecnologia e Atividades Nucleares (FPN), do Empreendedorismo (FPE) e em Defesa da Propriedade Intelectual e Combate à Pirataria(FPI). As frentes já receberam os presidentes do PT, Edinho Silva, e do PSD, Gilberto Kassab.

Economia e Michelle

O tema do debate é “Compromissos para um Brasil Competitivo”, com o intuito de discutir economia, fortalecimento da competitividade, inovação, segurança jurídica e prioridades para o futuro do país. Contudo, não há dúvida de que a crise no PL será um dos temas das conversas de bastidores.

Cartão vermelho

Começou no mês passado a campanha “Desafio Contra Bets”, promovido pelo Projeto Brief. A iniciativa tem o objetivo de mobilizar influenciadores de todo o país a expor os impactos sociais e econômicos das bets durante a Copa do Mundo Fifa. A ação distribuirá R$ 100 mil em prêmios para as melhores produções, dividido em quatro categorias: “Furou a Rede”; “Tirou de Letra”; “IA em Campo”; e “Craque da Copa”.

Sequestro

Para Carol Luck, antropóloga e coordenadora do Projeto Brief, a ação é uma forma de ocupar um terreno hoje dominado pela publicidade das bets: “As bets sequestraram uma paixão nacional. É preciso alertar sobre os impactos negativos dessa indústria nociva, que está sendo vendida como entretenimento, e até investimento, quando na realidade é responsável pelo endividamento e pela ruína de milhões de famílias brasileiras”, argumenta.

 

Reações à política feita pelos homens

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, PL, Política, Senado

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 2 de julho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito 

Crédito: Caio Gomez

O discurso de Flávio Bolsonaro em favor das mulheres evidencia um problema intrínseco ao bolsonarismo: o desprezo ao gênero feminino. Esse movimento político consolidou-se pela figura de seu representante maior, o “imbrochável”, “imorrível” e “incomível” Jair Bolsonaro. O ex-presidente coleciona uma série de tiradas, grosserias e ataques misóginos, alguns com consequências judiciais. Todos se lembram do episódio abjeto contra a deputada Maria do Rosário Caetano, que resultou em indenização por danos morais.

Flávio Bolsonaro tentou mostrar, ontem, que não é tão machista quanto o pai e que não concorda com os absurdos proferidos por seu colaborador Paulo Figueiredo. Mas nada disso conteve a insatisfação de Michelle Bolsonaro e aliadas, que estão mobilizadas no desagravo à ex-primeira- dama. Mais grave: nada indica que a promessa de um programa batizado como Brasil por Elas possa reverter uma dificuldade concreta: o déficit do voto feminino na pré-candidatura do senador.

A crise de gênero associada à insatisfação de Michelle Bolsonaro com as alianças firmadas pelo PL está inserida em um contexto maior. Fazem parte de uma realidade na vida nacional, independentemente da coloração partidária: as mulheres estão sub representadas e preteridas nos três Poderes da República. A legenda do clã Bolsonaro enfrenta uma crise aguda, mas a violência de gênero está disseminada na sociedade brasileira.

Cargo vago

O PL Mulher não terá uma nova presidente tão cedo. A fim de evitar novos desgastes de respeitar o trabalho executado por Michelle Bolsonaro, a vaga de presidente ficará aberta até as eleições. Se, após a eleição, a ex-primeira dama mantiver a renúncia do cargo, o partido irá deliberar sobre o que será feito. A deputada Priscila Costa (PL-CE) continuará como 1º vice-presidente e assumirá os compromissos de Michelle como vice.

Grande família

Na tentativa de minimizar a crise Flávio- Michelle Bolsonaro, parlamentares do PL argumentam que só há mágoa onde há amor. Alegam que toda família briga, mas que logo faz as pazes. Só tem um problema: a sequência de fatos na crise do clã Bolsonaro indica que família é uma coisa, política é outra.

Café digital

O PL vai com tudo no digital para as eleições. Amanhã, Flávio Bolsonaro, Valdemar da Costa Neto e outro nomes expressivos do partido se reunirão com influenciadores de direita para um seminário no Rio de Janeiro. O presidenciável oferecerá um café da manhã com o objetivo de alinhar a comunicação durante a campanha.

Virtudes de Kassab

Apoiadores e aliados do PSD têm usado os termos “capilaridade” e “credibilidade” ao se referirem ao presidente da legenda, Gilberto Kassab. Essas qualidades são vistas como essenciais para obter apoio político nos estados e compensar as resistências a uma chapa puro sangue para o Palácio do Planalto.

Plano de governo

Caiado usará como defesa em sua campanha a implementação da reforma administrativa — que é relatada pelo deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) na Câmara dos Deputados —, combate à corrupção, transparência nas aplicações de recursos em políticas públicas, investimento para a saúde e melhora da gestão de recursos da educação.

E Minas Gerais?

Enquanto o PL e o PT enfrentam dificuldade na montagem dos palanques em Minas Gerais, o PSD está mais adiantado. Com a pré-candidatura de Mateus Simões (PSD) ao governo estadual e a do senador Carlos Viana à reeleição, falta agora apenas um segundo nome ao Senado.

Fator Zema

Contudo, os desafios do PSD em Minas com Simões são outros. Em desvantagem nas pesquisas, o vice do ex-governador Romeu Zema carece de uma base política no estado para angariar votos. Na avaliação de aliados, esse problema ocorre porque Zema nunca se dedicou a essa articulação. Se há um ponto a favor de Simões, é a baixa rejeição no eleitorado mineiro.

Divergência

Governo e Câmara dos Deputados continuam a divergir sobre o projeto de atualização do teto dos Microempreendedores Individuais (MEI). Enquanto a Fazenda defende deixar o Simples para depois, o sentimento na Casa é de que o MEI não será votado caso o Simples não seja incluído também.

Hora de negociar

Com o placar de 293 sim, 158 não e 3 abstenções na aprovação do regime de urgência, Tabata Amaral (PSB-SP) vai negociar o último ponto divergente acerca do projeto que criminaliza a misoginia: a liberdade religiosa. Em conversas reservadas, fontes próximas à deputada afirmam que, a depender do resultado do placar, a parlamentar incluiria essa parte no texto final.

Contando os dias

A condição decisiva é o compromisso dos partidos em votar sim pelo mérito da matéria. O presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) disse pretender votar a proposta até antes do recesso. Já os aliados da relatora acreditam ser viável votar na próxima terça-feira.

Michelle no jogo bruto da política

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, PL, Política, Senado

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 1º de julho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

A decisão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro de abrir mão da presidência nacional do PL Mulher é um revés importante para o partido e torna ainda mais confusa a estratégia eleitoral da legenda de Flávio Bolsonaro. Ao abrir mão do cargo de visibilidade — Michelle está há semanas no horário eleitoral convidando mulheres a ingressarem no partido —, a potencial candidata dá sinais de desgaste na relação com os caciques do PL e os enteados.

Ainda que a esposa do ex-presidente diga que está deixando sementes para as mulheres, abre-se um vácuo no núcleo duro do bolsonarismo. As dúvidas e a mágoa de Michelle deixam cada vez mais evidente que Flávio Bolsonaro perde um ativo para a campanha presidencial. E colocam em xeque até mesmo a candidatura de Michelle ao Senado pelo Distrito Federal — o que abre brecha para os concorrentes, tanto de direita quanto de esquerda.

Ao concluir que estava em desvantagem nos desígnios do partido e se sentir ofendida pelos ataques grosseiros às suas convicções, Michelle Bolsonaro decidiu sair de cena. Abre mão de um protagonismo para não lidar diretamente com o jogo bruto da política.

Friamente

Na avaliação de bolsonaristas, a divergência entre Flávio com Michelle sobre as indicações ao Senado seria por causa da suposta falta de força política das pessoas escolhidas. Alguns avaliam que, a preços de hoje, nomes defendidos pela ex-primeira-dama não são tão competitivos nas urnas quanto os preferidos pela campanha de Flávio.

Pobres, não

Depois de o bolsonarista Paulo Figueiredo falar barbaridades sobre as mulheres, chegou a vez de os pobres serem achincalhados na internet. O Ministério Público de São Paulo ajuizou ação contra o influenciador Leonardo Marcondes após ele defender que pobre não deveria votar. “Uma pessoa que é pobre não soube tomar boas decisões para ter o melhor para sua família e para si mesma”, alega Fernandes. “O país ou uma empresa não pode estar nas mãos de quem não consegue ter responsabilidade sobre as próprias atitudes”, conclui.

Discurso de ódio

Para o Ministério Público, o influenciador associa pobreza à incapacidade, à irresponsabilidade e à exclusão da participação democrática. E lembra que liberdade de expressão não protege manifestações de ódio e intolerância, especialmente quando promovem a estigmatização de grupos vulneráveis.

Crédito: Saulo Cruz/Agência Senado

Decepcionante

A senadora e ex-ministra Tereza Cristina (PP-MS, foto) fez um contraponto ao festivo Plano Safra 2026/2027, lançado ontem pelo governo federal. Segundo ela, o conjunto de medidas é decepcionante. “Não tem recorde nenhum, a não ser no discurso de propaganda. Houve, na verdade, redução de 30% nos valores para custeio. Os juros caíram um pouquinho, mas continuam altíssimos para o bolso dos agricultores — o que dificulta a tomada do crédito nos bancos”, criticou. “Nenhuma palavra foi dita sobre o importantíssimo seguro rural, que teve os recursos reduzidos à metade”, acrescentou a parlamentar.

Compensação

De fato, os recursos para custeio foram reduzidos. Mas o montante para investimento teve uma ampliação de 40% em relação à safra anterior. Pressão do agro Continua forte o lobby em favor da renegociação da dívida de produtores rurais. Mais de 20 representantes da categoria procuraram o presidente da Câmara, Hugo Motta, para fazer o apelo. Mas a bancada petista pretende bloquear a iniciativa. Na visão do Executivo, o texto que veio do Senado Federal desvirtuou o objetivo principal: ajudar os produtores gaúchos que passaram pelas enchentes de 2024.

Espera aí

O líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), considera a ampliação do projeto para produtores do Brasil inteiro de “trenzinho da alegria”. “Por que um produtor de 100 hectares no Mato Grosso, que não passou por seca ou enchente, vai poder usar dinheiro do contribuinte para renegociar sua dívida?”, questiona o petista.

Doutrina

Na Câmara, o projeto que visa criminalizar a misoginia está empacado por falta de acordo. A direita quer garantir liberdade religiosa no texto e, sem esse ponto assegurado, não há consenso, segundo interlocutores ouvidos pela coluna.

Tocaia

A oposição paraense traçou a estratégia de esperar o governo errar para capitalizar em cima das falhas da atual administração. Não será tarefa fácil. A atual governadora, Hana Ghassan Tuma (MDB), tem o apoio de 130 das 144 prefeituras no estado — além do respaldo do ex-governador Helder Barbalho (MDB) e do presidente Lula.

Descaminho

Estudo inédito do Instituto Esfera Brasil revelou que 89% dos casos no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), em São Paulo, são de mercadorias apreendidas em rota proveniente do Paraguai. Entre os produtos mais contrabandeados, estão eletrônicos (10%) e aparelhos celulares (8%). Em seguida vêm vestuário e genérico (4%), além de informática e perfumes (3%).

Dois homens e um escândalo

Publicado em Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Política, PT, Senado

Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 26 de junho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

Com a rejeição às propostas de delação premiada de Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa, as investigações da Polícia Federal passam a ocupar o centro do escândalo Master-BRB. É cada vez mais remota a possibilidade de que os dois protagonistas do maior escândalo financeiro ocorrido no Brasil saiam da condição em que se encontram.

Nesse contexto, a sequência das operações realizadas pela PF nos últimos meses sugere que não haverá distinção entre governo e oposição ao trazer à luz quem mantinha conexões com Vorcaro e PHC. De Jaques Wagner a Ciro Nogueira, passando por Flávio Bolsonaro, outros personagens podem aparecer na extensa teia de relações e a série de operações mantidas pelos executivos do Master e do BRB. Um deles é o ex-governador Ibaneis Rocha.

As investigações deverão trazer respostas a pelo menos três pontos. Primeiro: mapear o caminho do dinheiro desviado do BRB e de outras instituições, como fundos de previdência, para alimentar a ciranda financeira de Vorcaro e PHC. Segundo: qual o tamanho do estrago deixado por Paulo Henrique Costa no banco brasiliense. Terceiro: qual o grau de participação do crime organizado nas transações controladas pelo bando de Vorcaro. Até aqui, os dois protagonistas do escândalo não ofereceram nada que os investigadores considerem relevante sobre essas lacunas.

Arquivo extenso

A PF tem em mãos 40 gigas de dados do telefone do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, relatam fontes ouvidas pelo Correio. Até aqui, entretanto, as informações reunidas pelo executivo têm sido insuficientes para uma possível delação premiada avançar. Apesar de a Procuradoria-Geral da República (PGR) ter rejeitado a proposta de PHC ontem, a permanência dele na Papudinha indica, para advogados que acompanham o caso, que uma colaboração do cúmplice de Vorcaro no escândalo Master ainda é possível.

E o PT, hein?

A chegada de Teresa Leitão (PT-PE) na liderança do governo no Senado resolve em parte o problema do partido na casa legislativa. A substituta de Jaques Wagner foi escolhida, entre outros motivos, porque não concorre à reeleição, podendo assim se dedicar integralmente à função parlamentar. Aliados também consideram que a senadora tem um bom diálogo com todos os setores da Casa. Mas questionam: “Quem vai assumir a liderança do partido em ano tão importante?”

São Paulo é Brasil

A definição da chapa governista em São Paulo parte da premissa de que uma vitória no maior colégio eleitoral do país pode reverberar nacionalmente. A decisão de lançar Márcio França como vice de Fernando Haddad é para aumentar as porcentagens nas urnas no estado e, com isso, transferir votos para Lula.

Hora de falar dos juros I

A Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE) pretende reunir parlamentares, representantes do setor produtivo e especialistas para discutir os efeitos dos juros altos e os caminhos para ampliar a competitividade do país. O seminário “Os efeitos da taxa de juros na economia brasileira” será em 2 de julho, a partir das 9h, no Auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados.

Hora de falar dos juros II

O foco dos debates serão os impactos do custo do crédito nos investimentos, no empreendedorismo e na geração de empregos. O evento quer discutir o papel do Congresso na construção de medidas que contribuam para fortalecer o ambiente de negócios e desenvolver a economia nacional.

Dívida pública na mira

O seminário também discutirá uma proposta para estabelecer limites para a dívida pública brasileira. A iniciativa busca construir uma proposta capaz de fortalecer a responsabilidade fiscal, ampliar a transparência das contas públicas e contribuir para a estabilidade econômica do país.

Ainda é pouco

Entidades que representam setores da economia estão preocupadas com a decisão do governo federal em deixar para um segundo momento a discussão sobre as demais faixas do Simples Nacional. O governo cumpriu a promessa ao enviar o aumento do teto dos Microempreendedores Individuais (MEI), mas a falta da atualização do Simples Nacional deixou um gosto amargo.

Simples assim

O Instituto Livre Mercado defende que a atualização é importante, mas o Simples também afeta os pequenos empreendedores. As tabelas não passam por atualização desde 2018. Somando-se a inflação, o empreendedorismo no Brasil torna-se impraticável, avaliam os representantes do setor. Segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), empresas do Simples Nacional foram responsáveis por 13,27 milhões de vínculos formais em 2024, cerca de 23% dos trabalhadores com carteira assinada.

Bronca nuclear

O setor de medicina nuclear protesta contra a Resolução 354/2026 da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), que determinou o aumento de 24% nos preços dos radioisótopos e radiofármacos fornecidos pelo órgão a partir de 1º de agosto. A Associação Nacional de Empresas de Medicina Nuclear (ANAEMN) afirma que a medida vai encarecer exames e tratamentos. O reajuste afetará clínicas, hospitais e pacientes que dependem desses procedimentos para diagnóstico e acompanhamento de doenças como câncer e problemas cardíacos.

Flávio Bolsonaro dobra a aposta

Publicado em coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, EUA, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, PL, Política, Senado, Tarifaço de Trump, TCU

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 24 de junho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

O senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro acredita que pode convencer o eleitor brasileiro de que o presidente Lula é o maior responsável pelas iminentes tarifas que serão aplicadas pelo governo dos Estados Unidos. E que, ele, Flávio, poderá fazer uma interlocução com a administração Trump para reverter o momento desfavorável na relação entre os dois países.

Flávio Bolsonaro está convencido de que poderá obter trunfos nos cinco minutos de fala a que terá direito na audiência pública promovida pelo Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR), em 6 de julho. No jogo político, o pré-candidato bolsonarista dobrou a aposta. Seria uma tentativa de diminuir a vantagem de Lula na corrida presidencial, além de fazer um contraponto à defesa da soberania assumida pelo petista.

O ganho maior de Flávio Bolsonaro, entretanto, poderá vir diretamente da Casa Branca. Ao compartilhar um texto no qual se considera a eleição no Brasil o maior desafio político do hemisfério, o presidente Donald Trump deu mais um sinal de que está atento à disputa que poderá coroar o chamado “Escudo das Américas”.

Não convém menosprezar esses movimentos. Uma nova demonstração de apoio por parte dos Estados Unidos a Flávio Bolsonaro intensificará a polarização a pouco mais de três meses do pleito. Flávio Bolsonaro diz querer atacar Lula e não o Brasil. Resta saber se o eleitor assim entenderá.

Nada de “terceira via”

A mais recente pesquisa Indexa mostra que a polarização permanece estável no Brasil, o que inviabiliza a terceira via. A disputa continua concentrada em Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 42% das intenções de voto, e Flávio Bolsonaro (PL), com 31%. “Os candidatos que buscam representar uma terceira via permanecem distantes e, até o momento, não demonstram capacidade de romper a polarização”, afirmam os pesquisadores.

Sem transferência de votos

Segundo o levantamento, o envolvimento de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no escândalo Master não resultou em transferência de votos para os concorrentes da direita. Na comparação com a primeira rodada, realizada em maio, Ronaldo Caiado recuou de 7% para 5%, enquanto Romeu Zema caiu de 5% para 3%. O único crescimento dentro desse grupo, registra a pesquisa da Indexa, ocorreu com Renan Santos, que passou de 2% para 3% das intenções de voto.

Dinheiro nas mãos

Uma ala do PL se sente preterida de relatorias na Comissão Mista de Orçamento do ano passado. Alguns bolsonaristas defendem que o relatório da Lei de Orçamento Anual (LOA) e a setorial de saúde deveriam ter sido do partido de Jair Bolsonaro. Por isso, esse grupo está brigando para que o relator da LOA seja um senador do PL. O nome cotado até agora é o de Eduardo Gomes (TO).

Crédito: Thiago Cristino / Câmara dos Deputados

Contas a analisar

O Tribunal de Contas da União (TCU) analisará possíveis irregularidades fiscais envolvendo operações financeiras, fundos públicos, fundos garantidores, créditos subsidiados e créditos extraordinários utilizados pelo governo federal. O deputado Sanderson (PL-RS, foto), autor da denúncia, acusa o governo Lula de repetir as “pedaladas fiscais” do governo de Dilma Rousseff.

Impacto fiscal

O Ministério Público se juntou à investigação por meio do procurador Júlio Marcelo de Oliveira junto ao TCU. O processo tem como relator o ministro Jhonatan de Jesus. A principal acusação é que medidas adotadas pelo governo teriam gerado impactos fiscais estimados em aproximadamente R$ 215 bilhões, sem que parte desses efeitos estivesse refletida nos principais indicadores fiscais utilizados para monitoramento das contas públicas.

Tabaco em 2027

Participante do evento com presidenciáveis promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) no início da semana, o SindiTabaco apresentou demandas para o setor. Defende o fortalecimento da competitividade exportadora, com prioridade para investimentos em infraestrutura logística e portuária, além da defesa da cadeia produtiva frente a barreiras regulatórias internacionais.

Investimentos

O sindicato também enfatizou maior previsibilidade regulatória e segurança jurídica para investimentos industriais, políticas públicas voltadas aos municípios produtores, ações de combate ao mercado ilegal de tabaco. Em 2025, o Rio Grande do Sul exportou US$ 3,04 bilhões em produtos do tabaco, o equivalente a quase 91% das exportações nacionais do segmento.

Legal e ilegal

O setor de bets considera eficaz a medida que asfixia o orçamento de bets ilegais no Brasil por meio de bloqueio de operações em operadoras de pagamentos. Contudo, reivindica ação conjunta com as big techs para remover publicidade irregular e coibir atuação de influencers que divulgam bets piratas; retirada de sites clandestinos do ar e conscientização da população para diferenciar uma bet legal de uma ilegal.

Aprendizado

Na avaliação de Bernardo Freire, consultor jurídico da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), “ensinar os usuários a identificar as casas de apostas regulamentadas é fundamental para reduzir a demanda por esse mercado clandestino”

TST alerta para a precarização digital

Publicado em coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, Política, Senado

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 23 de junho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza

Um estudo elaborado pelo Centro de Pesquisas Judiciárias, Estatística e Ciência de Dados do Tribunal Superior do Trabalho (TST) reúne informações relevantes sobre a realidade dos motoristas que atuam a partir de plataformas digitais e aplicativos de serviços. Os dados consolidados pelo TST indicam, por exemplo, que os custos para esses trabalhadores (combustível, manutenção de veículo, seguro, prestação do automóvel, etc.) ultrapassa os R$ 5 mil mensais.

A partir de dados da Pnad Contínua 2024, o estudo realizado pelo TST ressalta a grave precarização enfrentada por essa categoria profissional. A média de trabalho é de 44,5 horas semanais, bem acima dos trabalhadores do setor privado (39,3 horas). O estudo sublinha, ainda, a subserviência dos motoristas à remuneração definida pelo algoritmo, o que contribui para uma imprevisibilidade de renda.

Para o presidente do TST, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, a suposta liberdade empreendedora sugerida pelo trabalho plataformizado esconde uma violação da dignidade do trabalhador. “O trabalho em plataformas digitais é marcado pela profunda precarização, cumprimento de jornadas extenuantes, baixas remunerações e alto controle por algoritmos, sem o reconhecimento de direitos trabalhistas e da proteção da legislação social”, alerta o ministro.

Crédito: Maurenilson Freire

Freio de mão

Enquanto a Confederação Nacional da Indústria divulga uma carta de intenções para o Brasil em 2050 aos pré-candidatos, o Centro de Liderança Pública (CLP) publicou uma nota técnica sobre os entraves econômicos para o Brasil se juntar aos países ricos. Desarticulação institucional, mercado fechado para o comércio, sistema tributário cumulativo e insegurança jurídica são alguns dos obstáculos identificados pelo CLP ao crescimento econômico mais expressivo.

Destravar agora

Na avaliação do CLP, é preciso corrigir essas falhas — e o Estado tem papel primordial nessa mudança. “Os casos bem-sucedidos usaram um Estado mais coordenador e mais capaz, não um Estado mais complexo para cobrar tributos ruins, proteger ineficiências e comprimir investimento”, afirma o estudo.

Antieconômico

O Congresso Nacional tem uma parcela de responsabilidade no atual estado de marcha lenta da economia brasileira. Mais da metade das proposições legislativas apresentadas ou em tramitação no ano passado restringiu a liberdade econômica em pelo menos uma dimensão analisada. Os dados fazem parte do Índice Legislativo de Liberdade Econômica 2025, elaborado pelo Ranking dos Políticos em parceria com o Centro Mackenzie de Liberdade Econômica e com o Fé & Trabalho.

Estatizante

O levantamento avaliou 1.650 projetos de lei, propostas legislativas e medidas provisórias. Segundo o estudo, 86,7% das proposições analisadas que afetam a liberdade econômica apresentam impacto negativo sobre ela, enquanto 10,7% foram classificadas como ampliadoras da liberdade e 2,6%, como proposições mistas. A pesquisa conclui que o Congresso Nacional tende a ampliar regulações, criar barreiras e expandir a intervenção estatal na economia.

Voando alto

O Brasil bateu recorde de passageiros embarcados em voos domésticos. De janeiro a maio deste ano, mais de 42 milhões de pessoas estiveram em viagens aéreas pelo território nacional. É um aumento de 6% em relação ao mesmo período do ano passado – e em plena guerra no Oriente Médio, que pressiona o preço dos combustíveis. No mesmo período, houve um aumento de 10% no número de passageiros estrangeiros nos céus do Brasil.

Não está à venda

Uma pesquisa realizada pelo Ministério Público Federal sugere que o eleitorado está pouco familiarizado com um crime antigo nas eleições: a compra de voto. Na enquete exibida pelo MPF no WhatsApp, até as 18h50 de ontem, a maioria dos seguidores não “fazia a menor ideia” de como denunciar a contravenção. Prisão e multa A lei eleitoral estabelece até quatro anos de prisão, mais pagamento de multa, para quem vende e para quem compra voto. Já o candidato envolvido pode se tornar inelegível por oito anos. A compra de voto, alerta o MPF, não se restringe a pagamento em dinheiro. Pode ocorrer por meio de oferta de cesta básica, alimento, combustível, material de construção, consulta médica, promessa de emprego, entre outros.

Crédito: Ed Alves/CB/D.A Press

Como denunciar

Caso queira denunciar a compra de voto, o eleitor pode procurar a página MPF Serviços; clicar em “Denúncias e Pedidos de Informação”; entrar com a conta gov.br; inserir fotos, vídeos ou documentos, se possível. Importante: a compra de voto não precisa ser consumada. Apenas a promessa já configura crime eleitoral.

Munição

Pré-candidato ao Senado por São Paulo, o ex-ministro Ricardo Salles (Novo, foto) distribuiu ataques para os adversários. Chamou Marina Silva e Simone Tebet de “forasteiras”, por supostamente não terem vivência política no estado mais rico do país. Criticou, ainda, o deputado estadual André do Prado, apoiado por Flávio Bolsonaro. Salles o identifica como alguém do Centrão. “Ele não é candidato da direita. Eu estou na direita há 20 anos”, apresenta-se Salles.