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Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 17 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Se o Supremo Tribunal Federal vivia divisões nos tempos do Mensalão e da Lava-Jato, agora o escândalo do Master fez rachar a Corte de vez. Prova disso foi a sessão da Segunda Turma do STF, em que o ministro Gilmar Mendes ficou sozinho, enquanto André Mendonça, Luís Fux e Kassio Nunes Marques votaram pela manutenção da prisão de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e de Felipe Vorcaro, primo do ex-controlador do Master. Para completar, Mendonça — que relata o processo e referiu-se ao caso como a “maior fraude financeira da história do país” —, levantou parte dos sigilos dos autos, com trechos que comprometem ainda mais o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e aponta deputados como beneficiados pelo escândalo. A ideia do ministro, ao dar publicidade a parte dos autos, é mostrar que nada ficará impune, doa a quem doer, com ou sem delação de quem quer que seja. E se tiver ministros do STF sujeitos a responder pelo caso, que assim seja.
Por falar em delações…/ Ao mencionar “delações seletivas” e tirar o sigilo de parte dos autos, Mendonça quer justamente mostrar o extenso material que a Polícia Federal (PF) tem em mãos e que Vorcaro insiste em deixar de fora da colaboração. E olha que o ministro não liberou sequer metade do que tem no processo. Ao longo do ano, novos lotes serão expostos. E os candidatos que se preparem para responder.
O ganha-ganha eleitoral
O governo só abriu mão da urgência constitucional do projeto de lei sobre o fim da escala 6 x 1 na Câmara porque avaliou que o ônus da demora em votar ficará com o Senado. De quebra, ainda ganhou pontos com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos- PB), que havia avisado ao Palácio do Planalto que a não retirada da urgência poderia segurar projetos de forte impacto fiscal às contas públicas. Motta ficou feliz e, se o fim da 6 x 1 for aprovado, os louros são do governo. E se não for votado até as eleições, o discurso contra os senadores estará pronto.
E o Alcolumbre, hein?
Muita gente bateu palmas para o duro pronunciamento do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ao fazer sua própria defesa em relação à reportagem da revista Veja — “Não serei intimidado. Não serei ameaçado. Não serei constrangido e nem serei chantageado”, disse, em certo momento. Porém, a forma desagradou a muitos senadores. Para esses, Alcolumbre não deveria ter falado do alto da Mesa Diretora. O lugar certo para fazer uma defesa de um caso pessoal é a tribuna.
Vai sobrar…
A interpretação de muitos senadores sobre o discurso de Alcolumbre foi de que o suposto vazamento envolvendo o presidente da Casa é obra do governo Lula, que comanda a PF. Ou seja: a cada dia, fica mais difícil a pacificação entre o presidente e o senador. Ainda que uma parte da bancada do PT defenda que o Planalto levante a bandeira branca ao presidente do Senado, quanto mais emparedado Alcolumbre estiver, pior será.
Cadê os outros?
No Plenário do Senado, muitos saíram em defesa de Alcolumbre, após pronunciamento do comandante da Casa sobre as acusações da matéria publicada na Veja. O senador Esperidião Amin (PP-SC) ainda comentou que o alvo das delações em curso na PF, pelo que indica o material que foi vazado até aqui, mostra ser o Congresso. E questionou onde estariam os empresários envolvidos no esquema de Vorcaro. Líderes da base governista também se solidarizaram e defenderam Alcolumbre.
CURTIDAS
O que ela pensa/ A senadora Damares Alves (Republicanos-DF, foto) saiu- se com esta, ao ser informada da condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro pelo STF por coação à Justiça. “A única saída para Alexandre de Moraes é se afastar do Supremo e do Brasil, de preferência para uma ilha bem longe”.
Enquanto isso, em Evian…/ Não foi desta vez que os presidentes Lula e Donald Trump acertaram os ponteiros. Porém, só o fato de Lula ter se reunido com líderes de outros países na cúpula do G7 — como a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi —, na cidade do interior da França, já valeu. Hoje, o presidente ainda fala em duas oportunidades no encontro do G7 sobre inteligência artificial e, ainda, sobre economia e desigualdade.
Tragam lanche/ Amanhã tem sessão do conjunta para apreciar vetos e projetos de lei do Congresso (PLN), ou seja, que mexem com o Orçamento. Alcolumbre avisou que a sessão deverá ser longa porque a ideia é limpar a pauta.
Lide-Correio Braziliense/ O presidente do BRB, Nelson de Souza, fala hoje no 7º Brasília Summit Lide-Correio Braziliense, sobre inteligência artificial e seu impacto nas gestões pública e privada. Vale acompanhar pelas redes sociais do Correio e da TV Lide, a partir de 8h30.
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 11 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
A queda dos índices de intenção de voto no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez o governo respirar um pouco melhor, mesmo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com dificuldades de crescimento. A diferença, agora, é que os governistas esperam uma mudança em relação aos políticos, e até de uma boa parte do empresariado — conforme pode ser visto na reunião do Conselhão esta semana. Até aqui, Lula era dado por muitos partidos de centro como carta fora do baralho. Esse retorno do presidente aos 44% e a queda do filho 01 de Jair Bolsonaro para 38%, como registrado pela pesquisa Genial Quaest desta semana, tem condições de frear esse afastamento dos centristas em relação ao governo. E isso, na avaliação de aliados do presidente, ajuda ainda na retomada do diálogo no Senado, onde o Palácio do Planalto enfrentou a maior derrota até o momento — a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Se a próxima pesquisa consolidar essa presença de Lula como primeiro colocado, ele não poderá mais ser tratado com desprezo nessa fase do jogo.
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…mas não dá para relaxar/ O fato de Lula poder levar o governo em frente com um pouco mais de tranquilidade não significa que pode deitar em berço esplêndido. Os números indicam segundo turno e a campanha nem começou. A rejeição ao PT é grande e a volatilidade dos cenários é alta nessa altura do campeonato.
Juramento em falso
Flávio Bolsonaro não perde pontos só no eleitorado. O filho 01 tem perdido muito apoio no próprio partido. É que, numa reunião a portas fechadas com a cúpula do PL antes de virem a público os diálogos entre ele e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, o senador jurou que não havia qualquer relação entre eles. Somente depois é que admitiu que havia pedido dinheiro ao ex-banqueiro.
Os recados do decano
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), soltou um #ficaadica para quem reclama do aumento de despesa pública sem lastro orçamentário, como o que ocorreu, ontem, com a aprovação do piso de médicos e cirurgiões dentistas na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado. Em postagem, o decano da Corte lembrou que o Congresso não pode criar despesas a serem suportadas por estados e municípios sem indicar a fonte de custeio.
Vem suspensão
Gilmar lembra o caso do piso nacional da enfermagem, que teve sua eficácia suspensa pelo STF justamente por não se saber de onde sairia o dinheiro. “Impor ônus financeiro uniforme, sem repasse adequado e sem atenção à realidade local, esvazia a autonomia dos entes e atinge o pacto federativo. Pior, ao invés de alcançar os objetivos pretendidos, a medida pode produzir efeitos inversos, como desemprego na própria categoria que se buscava proteger e precarização dos serviços públicos prestados à população”, advertiu.
Nada de bandeira branca
Mesmo com o pedido do governo para segurar algumas pautas que causarão rombo fiscal, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não trabalha a favor do Planalto. Os ministros da Fazenda, Dario Durigan, e da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, chegaram a se reunir com ele na terça-feira, na tentativa de evitar o avanço de matérias que podem comprometer o Orçamento da União. Mas não surtiu efeito.
CURTIDAS

A conta só cresce/ Além dos projetos que aumentam despesas aprovados esta semana nas comissões, no início da noite foi aprovada a renegociação de dívidas dos produtores rurais. Falta ainda a ampliação do Fundo de Participação dos Municípios, a ser apreciada em breve.
Sinuca de bico/ O governo está encurralado no jogo que ele mesmo montou. Ao manter a urgência constitucional do projeto de lei do fim da escala 6 x 1 na Câmara dos Deputados, e travar a pauta da Casa para pressionar o Senado a votar o texto que lá se encontra, o Planalto vê agora projetos importantes paralisados. Como os que tratam da misoginia, da inteligência artificial e da destinação do crédito extraordinário do preço do petróleo devido à guerra no Golfo Pérsico.
Por falar em IA… / O relator da regulamentação da Inteligência Artificial, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB, foto), ainda não conseguiu consenso entre artistas e empresas sobre o treinamento de IA com produtos originais. Por isso, a ideia é deixar a votação para depois das eleições. É que o prazo está curto para tratar de um tema tão polêmico, ainda mais num ano eleitoral.
A torcida do Planalto/ Com a aprovação da admissibilidade da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que reduz de 18 para 16 anos a maioridade penal, e os projetos que aumentam despesa, o governo torce mesmo é para que o Congresso entre no “modo avião”, com todos voando para as campanhas eleitorais.
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 2 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Senadores dos partidos de centro estão com dificuldades de votar propostas alternativas ao texto do fim da escala de trabalho 6 x 1 aprovado na Câmara. É que o “um dia a mais de descanso” ganhou corpo entre a população. Não por acaso, o presidente do MDB, Baleia Rossi, comentou no almoço do Lideres Empresariais (Lide), em São Paulo, que o partido apoia o projeto. As excelências têm dito que há muito tempo não havia uma cobrança tão grande sobre um tema. Se for a voto antes da eleição — é a tendência é de que seja apreciado —, será aprovado.
O que vale para Hugo…/ … pode valer para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (UniãoAP). Até aqui, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem na aprovação do fim da escala 6 x 1 um legado “à Getúlio Vargas” para apresentar como o principal fruto de sua gestão — tal como Arthur Lira (PP-AL), que entregou a Reforma Tributária. O senador terá dificuldades de segurar o projeto, assim como tem feito com a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública e o Redata (Regime especial de Tributação para Datacenters), que estimula a instalação desses serviços no país. E, com dois terços do Senado em jogo nessas eleições, amplia a pressão para que o texto vá a voto logo. É nisso que os governistas apostam.
O alerta de Appy
Ex-secretário da Reforma Tributária no Ministério da Fazenda e convidado especial para uma palestra magna na abertura do 10º Congresso Luso Brasileiro de Auditores Fiscais, em Belo Horizonte, Bernard Appy aproveitou o evento para manifestar preocupação com o fato de candidatos de direita falarem em acabar com a reforma. “É preocupante esse posicionamento. Acho isso muito ruim. Gera insegurança jurídica”, advertiu. Appy lembrou ainda que “quem se opõe (à Reforma Tributária) não quer que o país cresça”.
“Não posso sair daqui”
Depois de confirmar presença no Fórum de Lisboa, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ligou para alguns amigos e autoridades para justificar a ausência. Ele alegou que tem muito trabalho em Brasília e não poderia se ausentar. A avaliação de muitos é de que, em meio ao caso Master — e a penca de políticos envolvidos—, impossível sair do quadrilátero Brasília-São Paulo-Rio de Janeiro-Salvador.
Até aqui…
Enquanto as investigações e vazamentos sobre os recursos utilizados no filme biográfico de Jair Bolsonaro, Dark Horse, não provarem que Eduardo Bolsonaro se beneficiava deles, a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto segue viável. Se o escândalo chegar ao filho 03 de Jair Bolsonaro, Flávio, o 01, será obrigado a parar nos boxes.
… contenção de danos
No cenário atual, a ordem é defender Flávio e evitar que cada fato novo prejudique a reputação do filme — visto como uma ferramenta para impulsionar o pré-candidato na corrida presidencial.
CURTIDAS

Atenção, contribuintes!/ Fiquem calmos. Um dos principais recados do secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas (foto), no 10º Congresso Luso-Brasileiro de Auditores Fiscais, em Belo Horizonte, foi de que o fisco não sairá multando as empresas nessa fase de teste dos primeiros acordes da Reforma Tributária. As receitas (federal, estaduais e municipais) estão no “modo diálogo e orientação” aos contribuintes.
Articulação em Minas/ Por falar em Belo Horizonte, o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, participa hoje do encontro regional do partido. Ele chegou ontem à capital mineira para jantar com empresários na casa do presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flavio Roscoe — cotado para concorrer ao governo estadual pelo PL.
Muito além dos combustíveis/ O jantar promovido pelo think tank Esfera em Lisboa, serviu para apresentação de um estudo sobre o avanço do crime organizado no varejo. O advogado Pierpaolo Bottini e a CEO do Esfera, Camila Camargo, mostraram que há facções controlando dezenas de lojas em vários estados.
Primeiro João Fonseca/ Antes de seguir para o XIV Forum de Lisboa, o presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, foi à Franca, mais precisamente acompanhar de perto o torneio de Roland Garros, onde João Fonseca, o tenista brasileiro de 19 anos, dá um show, passando às semifinais. Trabuco fala hoje no Forum e segue direto para o aeroporto. Sem escala nos jantares que costumam reunir o meio jurídico, político e empresários.
Problemas do BRB reacendem debate sobre fundo constitucional
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 28 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A má gestão do Banco de Brasília (BRB) promovida pelo ex-presidente Paulo Henrique Costa trouxe de volta a pressão por revisões no Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF). São R$ 28 bilhões que seguem do governo federal para o GDF custear as áreas de segurança, saúde e educação. No Congresso, assim que passarem as eleições e começarem as discussões sobre o Orçamento da União, deputados de outros estados voltarão à carga para que esses recursos sejam redistribuídos pelas demais unidades da Federação. Em 2023, primeiro ano deste terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o então ministro da Casa Civil, Rui Costa, criticou Brasília, dizendo que a transferência da capital para longe da vida das pessoas “fez muito mal ao Brasil” . Ainda mencionou que, na cidade, “fazer o errado era o certo” .
Vem guerra aí/ Se deputados de outros estados insistirem nessa toada num futuro próximo, vai virar um barata voa. Afinal, vários estados têm explicações a dar devido às relações com o Banco Master de Daniel Vorcaro. Inclusive, a Bahia de Rui Costa.
Bolsonarista, pero no mucho
A bancada do PL não gostou de saber que o deputado General Pazuello (RJ) votou contra a convocação do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, para explicar o leilão de termelétricas na Comissão de Minas e Energia. Parlamentares afirmam que o militar pediu ajuda, na semana passada, para conseguir um encontro com o ministro, mas ninguém sabe o assunto da conversa. Pazuello, inclusive, não apareceu na Câmara na sessão de ontem.
Interesses
Pazuello é fundador e presidente da Frente Parlamentar em Apoio ao Petróleo, Gás e Energia (Freppegen), que tem como braço técnico o Instituto de Petróleo, Gás e Energia (Ipegen). Congressistas dizem não saber quem está à frente do instituto, nem qual a atuação das instituições. Políticos estão ressabiados com a votação contra a convocação de Silveira. Contatado, Pazuello não respondeu até a publicação desta edição. Vai ter que se explicar Muitos deputados ficaram chateados e constrangidos com o voto de Pazuello, por se tratar de um pedido do deputado Evair de Melo (Republicanos-ES), um dos líderes do ex-presidente Jair Bolsonaro no Congresso. Ficou ruim. E pode ficar pior, a depender da explicação do deputado fluminense.
Desencontros I
O relatório da securitização das dívidas dos agricultores do Rio Grande do Sul, aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e no plenário do Senado, foi muito elogiado pelo agronegócio, mas o governo não gostou. Parlamentares ligados ao setor, o relator Renan Calheiros (MDB-AL) e o governo tinham firmado um acordo, mas o texto enviado pelo Planalto na véspera da votação foi diferente do combinado entre todos. De acordo com Renan, o Executivo alterou 10 pontos, o que causou estranhamento para quem participou da negociação.
Desencontros II
O relator apresentou um texto que seguia o acordo não cumprido pelo governo, retornando os pontos que foram mudados. Renan aumentou o valor máximo de renegociação das dívidas de R$ 4 milhões para R$ 10 milhões e alterou a taxa de juros — o Planalto queria 12% e o relatório fechou em 10%. Ao governo, restou lamentar.
CURTIDAS

Máquina musical/ O PL produziu 20 jingles com inteligência artificial sobre o fim da escala 6×1 queimando o governo. O partido vai soltar ao longo desta semana com edições memetizando os governistas.
Aproveitem o embalo/ Com uma série de deputados em Brasília, o think tank Esfera aproveitou para promover um encontro sobre doenças raras na Casa Parlamento. Empresários, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, e o do Tribunal de Contas da União, Bruno Dantas, levantaram a produção nacional de medicamentos para essas enfermidades como um dos pontos mais importantes a serem tratados a fim de evitar a judicialização.
Tema da hora/ O Correio Braziliense promove, hoje, debate “Desinformação da saúde à democracia” , a partir das 9h, no auditório do jornal. O evento será transmitido pelas redes sociais do Correio.
Serviço às avessas/ Alguns parlamentares ironizaram a proposta de emenda à constituição (PEC) do deputado André Janones (foto), do Rede-MG, que estabelece a escala 6×1 para os membros na Câmara. Alguns disseram à coluna que acharam a ideia péssima porque, quanto mais o Congresso trabalha, mais o Brasil é prejudicado.
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 27 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Sem meios de evitar a aprovação do fim da escala 6×1 na Câmara, os empresários jogam em três frentes: a primeira, tentar adiar a votação da proposta pelos deputados. A segunda é modificar o texto, ampliando a transição. E, paralelamente a esses movimentos, tentar conquistar o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que vai jogar uma no cravo e outra na ferradura, de olho na própria reeleição para presidir o Senado.

Embora a oposição aposte que o presidente do Senado não levará a Proposta de Emenda à Constituição a voto neste semestre, tem muita gente certa de que o senador pelo Amapá não vai querer ser o “o coveiro” de um tema que mobilizou a sociedade. Se a onda estiver mais favorável ao projeto, ele não vai contrariar os anseios da sociedade, especialmente, no seu estado. Mas o governo não está tão confiante. Tanto é que o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, saiu-se com essa: “Espero que Alcolumbre tenha compromisso com o povo” .
Cai o primeiro governador
Assim, os deputados e senadores se referem a Cláudio Castro e o caso Master. A avaliação geral é a de que outros virão. Especialmente, de estados que tiveram seus institutos de previdência com carteiras de investimentos vinculadas ao banco de Daniel Vorcaro. Inclua-se na conta o Distrito Federal.
Proteção aos aposentados
O líder do PSol na Câmara dos Deputados, Tarcísio Motta (RJ), apresentou um projeto apelidado de “PL Anti-Vorcaro” . A proposta tenta blindar os recursos da Previdência contra riscos do mercado financeiro. O texto determina que 80% dos recursos dos fundos de pensão sejam investidos em ativos públicos seguros, como títulos do governo e instituições financeiras públicas. E os 20% restantes poderão ser investidos na iniciativa privada, mas seguindo critérios rígidos de transparência.
E as candidaturas, hein?
Até o período de convenções partidárias, em meados de agosto, ninguém está seguro como candidato. Leia-se o caso de Aldo Rebelo no Avante comandado por João Caldas.
Alerta máximo!
Especialistas tributários estão preocupados com o efeito da Reforma Tributária na inflação de 2027. Alguns têm defendido que a maioria dos empresários não vai saber calcular a forma de aplicar preço nos produtos corretamente, e há um grande risco de tudo ficar mais caro por causa da dupla tributação: modelo antigo adicionado com modelo novo, em vez de retirar os impostos que não serão mais usados com a implementação da reforma. Por isso, acham que a inflação pode bater a casa dos 7%.
CURTIDAS

A ponta do arco-íris/ Fontes ligadas à Polícia Federal calculam que Daniel Vorcaro tenha, no mínimo, R$ 180 bilhões escondidos em algum paraíso fiscal. A suspeita foi levantada depois da oferta de R$ 60 bilhões do ex-banqueiro para tentar compensar os danos causados ao setor financeiro e, segundo a PF, “comprar” sua delação premiada.
E o Flávio, hein?/ O pré-candidato do PL ao Planalto volta dos Estados Unidos com uma foto, em pé, ao lado de Donald Trump, mas, até o fechamento desta edição, sem nenhum pronunciamento oficial por parte da Casa Branca. Agora, vai começar uma onda de versões sobre o encontro na internet, com gente, inclusive, dizendo que a foto foi montada. No mar de fake news em que o mundo vive, vale tudo.
Honra para Edinho/ O presidente do PT, Edinho Silva, recebeu, ontem, o título de Cidadão Honorário do Rio de Janeiro. A honra foi conferida pelo vereador Leonel de Esquerda (PT).
Pentacampeã/ A Vale é reconhecida como maior investidora do esporte no país pela quinta vez consecutiva. A empresa recebeu, nesta semana, a Comenda Incentivadora do Esporte, concedida pela Câmara dos Deputados àquelas que mais investem em esporte, via leis de incentivo. Só em 2025, a Vale investiu R$ 143,3 milhões em 171 projetos sociais esportivos. Somando esse investimento aos das empresas controladas, o valor chega a R$ 191,5 milhões para 175 projetos, desdobrados em 469 iniciativas em vários estados do país. O prêmio foi recebido por Bruno Queiroz (D), da equipe de responsabilidade social da empresa, que estava acompanhado do deputado Luís Lima (Novo-RJ) (E).
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 26 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

O acerto entre o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a validação do fim da escala 6 x 1 ainda este ano, e com uma curta transição, foi feito sob encomenda para tentar ser alterado. Mas o fator eleitoral pesará se a mudança for muito grande. Isso porque os deputados ligados aos trabalhadores e aos sindicatos estão mapeando os parlamentares relacionados ao empresariado para dizer que, se houver intervenções que possam prejudicar as folgas dos funcionários de qualquer empresa, os sindicatos pretendem estampar fotos desse pessoal como inimigos dos trabalhadores.
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Pague para ver/ Os empresários, porém, não vão desistir de colocar a visão deles a respeito do texto. A maior reclamação no momento é pela ausência de uma transição maior. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) será a primeira a defender um período maior para que a proposta entre em vigor. A ideia é respeitar ao menos o planejamento das empresas de 2026, deixando a validade para 2027.
Mandou avisar
No grupo de WhatsApp do PL, foi dito que o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (RJ) se encontrará hoje com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O partido aposta que, se o enquadramento do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas sair desse encontro, a relação de Flávio e Daniel Vorcaro não vai fazer diferença para a campanha do senador ao Planalto.
Por falar em Vorcaro e Flávio…
O PL aposta que, em duas semanas, “ninguém mais vai lembrar” do áudio e mensagens vazadas nas quais Flávio cobrava o patrocínio do ex-banqueiro para o filme sobre sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Só tem um probleminha: se sair mais coisa, o impacto depois da Copa do Mundo será forte.
Muita calma nessa hora
Às vésperas do último prazo para divulgação do balanço do Banco Regional de Brasília (BRB), economistas estão dedicados a explicar o imbróglio e por que a instituição precisa ser salva. “O BRB tem função regional relevante no Distrito Federal, presença em serviços públicos e base de clientes mais ampla. O banco tem conexão operacional e política mais ampla que o Master. Uma liquidação teria efeito de confiança mais forte e impacto regional relevante”, alerta o economista e consultor financeiro empresarial Carlos Henrique Silva.
Veja bem
O economista lembra que, enquanto o Master representava apenas 0,57% dos ativos do sistema financeiro, o BRB tem uma participação muito maior. Por isso, sua liquidação causaria uma crise sistêmica.
CURTIDAS

Aposta alta/ O presidente do partido Democracia Cristã (DC), ex-deputado João Caldas, tem compartilhado diversas publicações exaltando Joaquim Barbosa, ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal e relator do Mensalão, como seu candidato à Presidência. Em um deles, a frase era: “O homem certo para o Brasil virar a página”.
Cenário inalterado/ A nova rodada da pesquisa Nexus/BTG, divulgada esta semana, indica que, até aqui, a relação Flávio Vorcaro não mexeu muito no humor do eleitorado em relação ao pré-candidato do PL. A novidade é Joaquim Barbosa, que larga nas intenções de votos na casa dos 2%.
Venham para cá/ Com o XIV Forum de Lisboa, capitaneado pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na semana que vem, Hugo Motta quer todos os deputados em Brasília esta semana para deixar o fim da escala 6 x 1 votado antes da viagem. A presença virtual ficou para junho, quando muitos deputados vão emendar o seminário com a temporada de festas juninas.
“Se você for ver o Brasil hoje à esquerda, a missão é super bemintencionada. Não se discute que a missão é nobre, mas a execução é temerária, a qualquer preço e não funciona. Se você for à direita, a missão também é nobre. Um Estado mais enxuto, livre mercado, um país mais eficiente de fato. Mas você não pode simplesmente ignorar que a gente vive num país com uma desigualdade abissal. Por que a gente não pode jogar com as duas pernas? Por que a gente não pode ter um projeto equilibrado?” Do apresentador Luciano Huck (foto), durante o Forum Esfera, no Guarujá. No passado, ele figurou como pré-candidato ao Planalto
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 20 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
A série de versões do senador Flávio Bolsonaro sobre sua conversa com o ex-controlador do Banco Master Daniel Vorcaro deixou uma parte da bancada do PL e de legendas aliadas com dúvidas sobre a capacidade de reverter o desgaste provocado pelos contatos e os negócios entre os Bolsonaro e o ex-banqueiro. Até aqui, as explicações deixam a desejar, e a maioria não está totalmente segura de que nada mais aparecerá. Em conversas reservadas, muitos dizem que virão novos fatos sobre os negócios do senador.
Omissão até vai…/ …, mas mentira não. A bancada do PL ainda está chateada com a falta de comunicação do senador Flávio Bolsonaro sobre as negociações com Daniel Vorcaro. Os integrantes do PL avaliam que honestidade é um dos valores mais defendidos pelos conservadores e, nesse sentido, se surgir algo além do encontro já divulgado, talvez a candidatura de Flávio não suporte, porque ficará configurado que ele mentiu aos seus pares. Alguns afirmam que Flávio acertou ao falar sobre o encontro, porém só o fez depois que essa informação já estava circulando no meio político. As próximas semanas serão cruciais para saber se o parlamentar sobreviverá aos solavancos da montanha-russa.
Esqueça aliança formal
A relação exposta pelo The Intercept Brasil sobre o financiamento de Daniel Vorcaro ao filme do ex-presidente Jair Bolsonaro fragilizou o apoio do Centrão à candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto. Para o PP, por exemplo, a “crise” começou ainda na conduta de Flávio com a busca e a apreensão contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI). O filho do ex-presidente disse que “as acusações são gravíssimas” e soltou um “parabéns, Mendonça” . Nada disse foi bem-visto pela bancada do PP. Já há um movimento pela neutralidade em curso, ou seja, o PP não apoiar ninguém oficialmente na eleição presidencial.
É o que tem para hoje
Tem muita gente no PL reclamando de Flávio Bolsonaro e com receio de problemas, mas ninguém baterá na porta do ex-presidente Jair Bolsonaro para pedir a troca de candidato. Afinal, o melhor nome que o bolsonarismo tinha, o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, não pode concorrer ao Planalto este ano, porque não se desincompatibilizou do cargo estadual.
Não tem o que fazer
Alguns parlamentares do PL estão frustrados com o desgaste de Flávio, mas Michelle Bolsonaro não é vista como uma opção, nem mesmo na ala mais moderada do partido. Sua viabilidade é defendida apenas em um nicho muito pequeno, e isso, de acordo com parlamentares, deve-se à falta de confiança do próprio Jair Bolsonaro e dos filhos na ex-primeira-dama.
E a 6 x 1, hein?
Está prevista para hoje a apresentação do relatório da proposta de emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6×1 na comissão especial. Uma das mudanças deve ser a contagem de horas, que passaria a ser contabilizada mensalmente e não mais semanais, embora haja o desejo de manter a proporção de 40 horas. O texto também não deve definir um número máximo de horas extras. Ainda na noite de ontem, o relator, Léo Prates (Republicanos-BA), negociava com os partidos os últimos detalhes, sob a orientação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
CURTIDAS

Enquanto isso, na Ásia… / O ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira (foto), faz um périplo por países asiáticos em busca de novos mercados para produtos brasileiros. Lá, descobriu o interesse do Japão em importar petróleo do Brasil.
… tem jogo/ está todo mundo buscando meios de fugir do conflito e do fechamento do Estreito de Ormuz, por onde circula o óleo que sai do Oriente Médio. A aposta é de que a guerra criará novas rotas de comércio e de produtos.
Alfinetou/ Durante sua apresentação na XXVII Marcha dos Prefeitos, o senador Flávio Bolsonaro falou sobre muitos assuntos — como economia, segurança pública e tecnologia —, mas excluiu os fatos recentes sobre o filme biográfico de seu pai, Jair Bolsonaro. Ovacionado, ele aproveitou o momento para dar uma indireta ao presidente Lula, que não marcou presença: “Um grande desrespeito não comparecer a um evento como esse” .
Nem todo mundo/ Enquanto o senador Flávio Bolsonaro citava que é empresário, advogado, esposo e pai, um dos participantes da Marcha dos Prefeitos questionou da plateia: “Rachador também?”
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 6 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Depois da rejeição de Jorge Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Lula busca um nome no qual os senadores ficariam constrangidos em votar contra. O que está em alta na bolsa de apostas esta semana é o do ex-presidente do Tribunal de Contas da União (TCU) Bruno Dantas. Bruno tem laços em todos os partidos. É ligado, em especial, ao ex-presidente José Sarney e ao senador Renan Calheiros (MDB-AL). No caso de Bruno, o MDB votaria e trabalharia para aprovar, algo que não foi feito no caso de Messias.
Deu ruim/ Bruno já esteve cotado outras vezes para ministro do STF. Mas Lula sempre preferiu um nome mais ligado ao PT. Agora, ressabiado com a derrota, o presidente cogita indicar um nome mais afeito a um partido aliado. O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) é considerado carta fora desse baralho, porque seria se render ao que, desde o início, havia pedido o senador Davi Alcolumbre (União-AP). E atender Renan, que foi derrotado por Alcolumbre lá atrás, quando o senador amapaense foi candidato a presidente do Senado pela primeira vez, não seria de todo ruim para Lula em termos de um certo chega para lá no atual comandante do Senado.
Celina que lute
O fato de o ministro da Fazenda, Dario Durigan, ter deixado a escandalosa compra do Master pelo BRB no colo do Distrito Federal e dito que “não dá para cobrir um rombo mal-explicado” foi um recado claro de que não haverá socorro federal. No Planalto, ninguém diz nada diferente disso. Mas, a intenção é esperar a conversa da governadora Celina Leão com o presidente Lula.
Gonet tem a força
Os investigadores podem até querer correr com a delação de Daniel Vorcaro e de Paulo Henrique Costa. Porém, há quem diga que quem tem a ampulheta para definir o tempo é o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet. Se ele quiser deixar para depois das eleições, não haverá muito o que fazer, anão ser cobrar celeridade.
Esse é o caminho
…Aos poucos, governo e oposição se alinham para chegara o consenso em torno da Proposta de Emenda à Constituição(PEC) sobre fim da escala 6 x 1. A palavra de ordem hoje é “compensação”, ou seja, desoneração da folha. O Poder Executivo quer proteger a contribuição previdenciária. Os opositores acenam com outros encargos, e até mesmo a possibilidade de uma linha de crédito — tese já defendida por membros da base.
… que surge
Já no setor produtivo, o que se diz é que o Congresso pode aprovar o texto, se o governo retomar a sucumbência em processos trabalhistas — princípio jurídico que obriga a parte perdedora em um processo a pagar os honorários do advogado da parte vencedora e as custas processuais —, e colocar condições especiais e melhores para terceirizados e Micro e Pequenos Empreendedores (MEI). À coluna, parlamentares já citaram a ideia de isentar os MEI e pequenas empresas para diluir os custos da redução da jornada.
Fica, Messias
Dentro do PT tem deputado defendendo que o advogado-geral da União, Jorge Messias, assuma o Ministério da Justiça. Wellington César Lima e Silva, atual ministro, não é visto com bons olhos por uma ala do Partido dos Trabalhadores. Muitos petistas não se esquecem que Wellington afirmou não ver problema em realizar um plebiscito para avaliar a redução da maioridade penal — tema que o PT é totalmente contrário. Pesa ainda o fato de César Lima não ter se mexido para ajudara indicação de Messias ao Supremo Tribunal Federal.
CURTIDAS

Me dê um tempo/ Messias (foto) prefere tirar um período sabático para se refazer das traições que sofreu. Afinal, as contas do governo indicavam, no mínimo, 43 votos, descontadas aqueles dos quais o Planalto tinha dúvidas. Messias obteve o “sim” de 34 senadores.
Suspense/ Até o fechamento desta edição, ainda não havia anúncio oficial do encontro entre os presidentes Lula e Donald Trump, em Washington. Porém, uma equipe de diplomatas trabalha nesse tema.
Câmara 200 anos/ A Câmara dos Deputados vai homenagear seus ex-presidentes em sessão solene nesta quarta-feira, 10h, para comemorar seus 200 anos. A lista é grande: Aécio Neves, Aldo Rebelo, Arlindo Chinaglia, Arthur Lira, Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves, João Paulo Cunha, Marco Maia, Michel Temer e Rodrigo Maia. Henrique Eduardo Alves não estará presente, porque se recupera de uma cirurgia.
Homenagens ao decano/ Marilene Carneiro Mattos, Pedro Ivo Velloso Cordeiro e Ronald Siqueira Barbosa Filho, todos com profundo conhecimento e atuação no direito, lançam hoje, 18h, na Biblioteca do STF, o livro Constitucionalismo Digital e seus Desafios — reflexões em homenagem ao ministro Gilmar Mendes.
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 30 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ministro do Supremo Tribunal Federal, é um sinal claro de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), se reposiciona ao lado daqueles que o elegeram para comandar a Casa pela primeira vez, em fevereiro de 2019. Ele, inclusive, ligou para muitos senadores e, minutos antes de anunciar o resultado, disse aos líderes do governo que eles sofreriam uma derrota. O aviso ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva está dado: longe do presidente do Senado, a maioria governista esfarela.
Se não fizerem, nós faremos/ Aos ministros do Supremo Tribunal Federal, a mensagem é clara: se agora, com senadores mais ao centro, chegou-se a 42 votos contra Messias (com dois do PL sem votar), em um Senado mais à direita, em 2027, estará aberto o espaço para colocar um impeachment de ministro do STF em curso. A avaliação de muitos é de que a Suprema Corte precisará definir suas mudanças ainda este ano, de forma a ter uma resposta à sociedade quando os novos senadores tomarem posse, no ano que vem. Na oposição, o que se diz é: “O primeiro rejeitado, então pode ter o primeiro ‘impichado’” — como afirmou à coluna a senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
Alcolumbre joga à direita…
A votação do veto da dosimetria das penas para os condenados do 8 de Janeiro, hoje, na sessão do Congresso, será para coroar o reposicionamento de Alcolumbre. Ao se realinhar à direita, ele procura mostrar àqueles que fizeram dele presidente da Casa pela primeira vez que eles não vão se arrepender se apostarem na reeleição dele para comandar o Senado, no ano que vem.
… e à esquerda
Se as atitudes de Alcolumbre não convencerem a direita a apoiá-lo em 2027, ele sempre poderá chamar a turma de Lula e dizer que é melhor ter um Alcolumbre ao centro do que alguém mais radical, seja Rogério Marinho (PL-RN) ou Tereza Cristina (PP-MS), adversários ferrenhos do PT.
Nada pessoal
Opositores de Lula elogiaram Messias, classificando-o como um “excelente nome, vítima das circunstâncias” . O cenário político eleitoral inflamado, a relação desgastada com o STF e o “nós contra eles” do governo cristalizaram uma rejeição que não ocorria há 132 anos. O “ponto de virada” para o amplo placar contra o AGU teria sido o ataque ao senador Alessandro Vieira (MDB-SE), após o pedido de indiciamento dos ministros do Supremo em seu relatório na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. Muitos senadores não concordaram com o voto de Vieira, mas acharam um absurdo a ameaça do ministro Gilmar Mendes a ele.
Enquanto isso, na Câmara…
O líder do governo na Casa, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), disse em almoço na Casa Parlamento, do think tank Esfera, que é um bom momento para votar o fim da escala 6 x 1. E afirmou ser possível discutir a desoneração da folha setor a setor.
CURTIDAS

Errou feio/ Antes da abertura do resultado, um funcionário do governo, com uma planilha em mãos, dizia que Messias teria 43 votos favoráveis à indicação, “já descontadas as traições” .
Por falar em planilha…/ A oposição montou uma lista com os votos para derrubar o veto da dosimetria hoje. Na Câmara, calculam 300 votos. No Senado, esperam ter em torno de 50 — talvez um pouco menos, porque sempre tem os que mudam de ideia.
Telefones nervosos/ O líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM, foto), garantiu que a bancada inteira votaria em Messias, mas aliados do advogado-geral da União acreditam que houve traição no partido, o que contribuiu para o número baixo. O líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), contava com exatos 41 votos, mas o PSD se dividiu e o MDB, aparentemente, não deu todos os votos que prometeu. Os telefones, logo depois da votação, não pararam.
Levanta, sacode a poeira…/… e espera. Aliados de Lula defendem que o governo deixe uma nova indicação para depois das eleições. As crises se acumulam, as insatisfações idem e é preciso identificar todos os focos antes de qualquer movimento mais ousado. É nessa toada de dificuldades mil que o presidente chega a cinco meses da eleição, sem tempo para resolver muita coisa.
Setor do turismo pede responsabilidade na discussão da PEC 6×1

Por Eduarda Esposito — A Frente Parlamentar do Comércio e Serviços (FCS) escutou o setor do turismo sobre os impactos do fim da escala 6×1 durante a reunião-almoço desta quarta-feira (29/4). O presidente executivo do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), Orlando Souza, afirma que é preciso ter calma na discussão. “Não somos contra totalmente à modernização da jornada de trabalho, desde que não destrua empregos”, disse Souza.
De acordo com o presidente, estudos internacionais não demonstram ganho de produtividade com a redução da jornada de trabalho. “Os estudos mostram que a redução não cria empregos. Esse argumento não serve para uma mudança desse tamanho sem dados”, argumentou. No almoço, o presidente abordou que o consenso científico comprova sua afirmação. “Copilamos 16 estudos internacionais, sete encontraram efeitos negativos, seis efeitos nulo e apenas dois efeitos ambíguos ou positivos”, ressaltou.
De acordo com Souza, 90% do setor do turismo trabalha para além das 40 horas semanais, bares e restaurantes têm 92% da força de trabalho nessa situação, no setor em geral, a média é de 70%. O impacto seria brutal, de acordo com o presidente da Fohb, uma vez que hoje, o custo de pessoal na receitas das empresas é de 22,2%, quase 1/5 da receita operacional. Caso a jornada seja reduzida para 40 horas, haveria um aumento de 26,9% de custo para os empregadores. Além disso, Souza destaca ainda uma perda de 11% para o setor no 1º ano de vigência da redução.
Além da proposta em andamento na Câmara dos Deputados, o presidente relembra que a reforma tributária ainda irá impactar o setor com o custeamento da indústria com o IVA pelo setor de serviços, que faz parte da área do turismo. “O Brasil já aumentou a carga tributária a partir da reforma tributária, como passou toda a carga para o setor de serviços e o IVA será o maior do mundo — em torno de 27% a 28%”, afirmou.
Sugestões
Para Orlando Souza, a discussão da PEC na Comissão Especial, que será instalada hoje (29/4) na Câmara, precisa levar em conta dois pontos: desoneração da folha ou isenção de impostos fiscais e transição da redução. “Todos os países que tiveram redução da jornada tiveram redução de impostos ou desoneração da folha, o Brasil não pode ser exceção”, defendeu.
Para desoneração, a entidade defende a PEC do senador Laércio Oliveira (PP-PE), que muda a forma de contribuição previdenciária para 1,4% do faturamento total das empresas. Para Souza, seria um fôlego para os empregadores. Quanto à transição, o presidente citou países como o México, que fará a redução de jornada entre 2027 e 2030.
O deputado Lucas Redecker (PSD-RS) afirmou que, em conversa com o presidente e relator da Comissão Especial, Alencar Santana (PT-SP) e Léo Prates (Republicanos-BA), ficou definido que o relatório deve seguir para 40 horas semanais com redução gradual, contudo, sem previsão de algum tipo de compensação aos empregadores, até o momento.
Além disso, pediu que os setores realizem as contribuições durante a comissão, porque inclusão via emenda em plenário vai ser muito complicado. “Nós que estamos aqui temos que saber exatamente todos os pontos, numa ordem de prioridade para que nós consigamos colocar e incluir no texto do relator esses pontos”, disse.
E finalizou: “O que pode ser uma venda de benefício para o cidadão gerando emprego, isso pode não acontecer e lá na ponta aumentar o custo para o consumidor, podendo gerar um prejuízo a várias pessoas e vários segmentos”.













