Categoria: TCU
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 10 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Com a senadora Tereza Cristina (PP-MS) colocada como uma potencial pré-candidata à Presidência do Senado à direita e aliados de Lula começando a se movimentar à esquerda, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu atender a dois senhores. Em relação aos lulistas, marcou a sabatina de Jorge Messias para 29 de abril. E, com a intenção de deixar os conservadores satisfeitos, pautou o veto da dosimetria para o dia seguinte.
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Alcolumbre sabe que, a preços de hoje, não é o preferido para comandar o Senado a partir de fevereiro de 2027. Porém, começa a construir pontes para esse objetivo. Vai na linha de que mais vale um independente que dialogue e abra espaço para os projetos que interessam aos dois lados do que aquele que faz a balança pender para apenas um lado da polarização.
A toada da sabatina
A oposição pretende aproveitar a sabatina de Jorge Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal, este mês, e cobrar uma investigação rigorosa sobre os magistrados da Corte e o caso Master. Prometem repisar, em todos os discursos, o fato de a mulher do ministro Alexandre de Moraes ter recebido R$ 80 milhões do banco de Daniel Vorcaro.
Fonte 5
Depois que o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, foi citado como um dos beneficiários de recursos do Master no valor de R$ 2,1milhões, entre 2024 e 2025,os deputados do partido planejam esconder a legenda na campanha. Vão usar apenas o próprio nome e o número da sigla. A ideia é apresentar a agremiação como menor tamanho possível nos “santinhos” eleitorais.
Hora dos testes
A eleição para ministro do Tribunal de Contas da União(TCU), na semana que vem, será o momento de verificara fidelidade dos partidos aos acordos firmados. Como parte da eleição de Hugo Motta para presidente da Câmara, Republicanos e Progressistas prometem votar no petista Odair Cunha (MG). Já o União Brasil, o PSD, o PSDB e o PL vão testar a capacidade do PT de cabalar votos em prol do seu candidato. Os três partidos registraram nomes para o pleito.
Elmar na roda
O deputado Elmar Nascimento, que concorrerá pelo União Brasil, se não for eleito, quer verificar se tem condições de empreender uma campanha para presidir a Câmara no ano que vem. Ele não gostou nada de ter que abrir mão lá atrás porque o Centrão preferiu Hugo Motta.
Votos no escuro
Ao pedir vista no caso do Rio de Janeiro, o ministro Flávio Dino indica que prefere mais luz para proferir o seu voto. É que o julgamento no Tribunal Superior Eleitoral começou antes da renúncia do governador Cláudio Castro e terminou depois. Na análise do ministro, é preciso avaliar com lupa cada voto naquele processo que cassou o governador para poder decidir um tema tão importante para o futuro do Rio.
CURTIDAS

Grandes metas/ Com Nikolas Ferreira encabeçando a nominata de candidatos a deputados federais do PL de Minas Gerais, o partido está mais otimista com a perspectiva de bons resultados este ano. É esperado que a legenda conquiste 20 vagas para a Câmara federal, só no território mineiro. Se esse número se confirmar, ainda não será o maior da história. Em 1986, o PMDB elegeu 26 deputados federais no estado.
Nada combinado/ O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, pode esperar sentado a aprovação da PEC que amplia a autonomia da instituição. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça, senador Otto Alencar, disse que não há prazo para tratar desse tema no Senado.
Termo proibido/ De acordo com a pesquisa da Quaest, qualquer coisa que vincule a “taxa” será complicada em ano eleitoral. Um exemplo foi a alta rejeição sobre haver uma taxa mínima para corridas e entregas por aplicativos: 71% afirmaram que não gostariam e 78% acreditam que o preço mínimo aumentará os preços. O assunto deve entrar na pauta da Câmara em breve.
Professor Marçal/ Pablo Marçal (foto) está trabalhando com o União Brasil para fortalecer e posicionar os deputados e candidatos à Câmara e ao Senado nas redes sociais. Depois do resultado na eleição para Prefeitura de São Paulo, o trabalho de Marçal na internet foi visto como uma ferramenta para ajudar a aumentar o número de parlamentares para o ano que vem. Apesar de não revelar a meta, o ex-coach quer fazer da próxima bancada do União a maior de todos os tempos. Difícil superar o antigo PFL e o PMDB.
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 9 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Fechada a janela para troca de partido, a ordem agora entre aqueles que têm candidato à Presidência da República é tentar aparar arestas que ficaram. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terão que oferecer mundos e fundos à federação PP-União Brasil se quiserem garantir a oficialização da aliança. Daí o aceno para que a deputada Simone Marquetto (PP-SP) ocupe a vaga de candidata a vice na chapa presidencial encabeçada pelo filho 01 de Jair Bolsonaro. Só tem um probleminha nesse movimento: foi feito sem consultar primeiramente os caciques da federação União Progressista. Se Flávio divulgou a reunião com Simone, a fim colocar o nome dela na chapa como fato consumado, será mais uma insatisfação de aliados a administrar. Não é segredo para ninguém que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) acalentava o sonho de ocupar a vice na chapa.
Não foi apenas na ala mais à direita que as mudanças de partido geraram insatisfações. Em almoço na Casa Parlamento, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), criticou os motivos que levaram muitos a trocar de legenda. “O princípio da fidelidade partidária deveria ser fundamental para acabar com o que nós presenciamos nessa janela — uma esculhambação. Nunca vi nada igual. Negócio feio. Se a sociedade tivesse conhecimento desse bastidor, seria um escândalo. Por que que a sociedade, em geral, é antipolítica? Porque ela vê tudo isso. Um quinto da Casa mudou de partido e você não sabe por que mudou”, disse. O líder deu exemplo de um colega parlamentar que mudou de sigla porque o novo partido teria prometido uma fatia maior do fundo. Pior: a nova legenda não tem nenhuma identidade partidária com o deputado em questão.
Bruno Dantas e o BRB
Nem o ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União (TCU), escapou das garras do Banco Master. Ele contou à coluna que há algum tempo seu gerente do BRB fez a proposta de aplicar um recurso parado, algo em torno de R$ 40 mil, num CDB que iria render 140%. Quando o escândalo estourou, ele foi atrás para saber onde o dinheiro estava investido. Aí que descobriu tratar-se do Master. Já foi restituído pelo Fundo Garantidor de Crédito, mas ficou a lição: quando o ganho é demais, o santo desconfia.
Segurar o rombo
Deputados e bancos não conseguem chegar a um acordo sobre o projeto batizado de “resoluções bancárias”, que trará novas regras para o sistema financeiro, a fim de evitar um “vale a pena ver de novo” do escândalo do Master. O deputado Mauro Benevides Filho (União-CE), por exemplo, quer propor que a prioridade seja o uso do patrimônio dos banqueiros como forma de compensar rombos deixados nas instituições. Mas o setor não quer nem saber dessa possibilidade.
Tesouro Nacional na mira
No atual relatório, a primeira opção é buscar formas de o gestor pagar a dívida, seguida pelos acionistas e, depois, operações de crédito. Contudo, Benevides afirma que se o banco realmente faliu, esses três primeiros caminhos seriam inviáveis, e o empréstimo da União, que está na quarta opção, viraria a primeira, o que prejudicaria o Tesouro Nacional. “Antes do Tesouro, o patrimônio do cara tem que ser usado”, disse Benevides à coluna.
A aposta do União
Se tem uma região em que o União Brasil jogará todas as suas fichas é o Nordeste .Lá estão 16 dos 51 deputados do partido, sendo cinco da Bahia, onde o PT tem o governo estadual, e o União, a Prefeitura de Salvador. O estado é uma das prioridades eleitorais do partido.
CURTIDAS

Horas de dedicatórias/ O ex-governador e ex-ministro Wellington Moreira Franco (foto) ficou quatro horas autografando seu livro Moreira Franco, a política como destino — Caminhos e descaminhos da redemocratização, lançado ontem, em Brasília.
O périplo de Caiado/ O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, vai a Porto Alegre conversar com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD). A ordem é afastar qualquer ruído de insatisfação do gaúcho com a chapa.
Por falar em chapa…/ Caiado ainda não definiu o vice ou a vice. Quer alguém que agregue e essa escolha não ficará para depois da Copa do Mundo.
O sonho de Izalci/ O senador Izalci Lucas (PL-DF) mantém a esperança de ser o candidato do partido ao Governo do Distrito Federal. Ele aposta que a governadora Celina Leão (PP) tem tudo para se desgastar com escândalo do Master, levando Michelle Bolsonaro a abandoná-la. O problema é que, dentro do PL, o plano B para o GDF é a senadora Damares Alves (Republicanos)e não Izalci.
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 8 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
A briga interna do PL fez acender o pisca-alerta nos partidos de centro que cogitavam se aliar ao senador Flávio Bolsonaro, o filho 01 de Jair Bolsonaro e já indicado como o nome que representará o bolsonarismo na corrida presidencial. União Brasil e Progressistas, casados na federação União Progressista, agora vão repensar as rotas. Pretendem trabalhar e fazer muitas pesquisas qualitativas até as convenções de julho para definir oficialmente um caminho. Afinal, há uma máxima na política que “quem tem tempo, não tem pressa” , e muita gente no PP pretende levar essa ao pé da letra.

Enquanto isso, no PL/ A avaliação no PP é de que, se Flávio quiser mesmo essa federação ao seu lado, terá de oferecer a vice e espaço no Senado e em governos estaduais. Porém, essa construção não está fácil, uma vez que os Bolsonaro têm o direito de indicar os candidatos ao Senado dentro do PL, e a fila está grande. No DF, por exemplo, o PL escanteou todos os partidos aliados para fechar com Michelle Bolsonaro e Bia Kicis ao Senado. Em Santa Catarina, Carlos Bolsonaro. Em São Paulo, Eduardo Bolsonaro quer indicar um amigo. Para completar, ainda tem a briga interna de Eduardo com Nikolas Ferreira, e por aí vai. Ou seja, há muito barulho, problema e pouco espaço. E, nesse cenário, muita gente no PP e no União vai defender carreira solo e foco na eleição proporcional, ou seja, de deputados federais e estaduais.
Prioridade
No PL, muita gente considera que o senador Flávio Bolsonaro (RJ) terá de, primeiramente, dar uma acalmada nos próprios irmãos para, depois, cobrar algo de aliados e afins.
Prévia da sabatina
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) quer ouvir o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, sobre a atuação conjunta com o Tribunal de Contas da União (TCU) no caso Master. A oposição vê aí um prato cheio para colocar Messias “na chuva” , antes que a indicação ao Supremo Tribunal Federal desague na Comissão de Comissão e Justiça, responsável pela sabatina dos indicados ao STF. O presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), ainda não marcou a ida de Messias à comissão.
Bandeira feminina
O PL cogita trocar a indicação do deputado Hélio Lopes (RJ) para a disputa do Tribunal de Contas da União (TCU). Há uma construção interna para indicar Soraya Santos (RJ). O motivo é levantar o discurso da representação feminina como forma de atrair votos de outros candidatos.
Páreo difícil
Hoje, o candidato com mais votos é o do PT, Odair Cunha (MG). Graças a um acordo do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), com alguns líderes partidários, Cunha conta com, aproximadamente, 170 votos para a eleição ao TCU. Entretanto, há quem se lembre do histórico do PT em pleitos antigos, uma vez que a legenda nunca conseguiu eleger um candidato ao tribunal.
Por falar em TCU…
O grupo Líderes Empresariais (Lide) e o Correio Braziliense abrem a temporada 2026 de seus eventos em parceria na próxima quarta-feira, 15 de abril, com o tema “Eficiência na Gestão Pública” , algo que promete chamar a atenção nestas eleições. Entre os palestrantes, estão dois ministros do Tribunal de Contas da União, Antonio Anastasia e Augusto Nardes, que têm a gestão como bandeira.
CURTIDAS

Depois de 51 anos…/ O ex-deputado Marcelo Barbieri, talvez o último representante daqueles que seguiam a cartilha de Orestes Quércia, deixou o MDB e seguiu para o PDT. Sinal de que nem tudo são flores no partido de Michel Temer. Barbieri foi seu assessor no Planalto, foi prefeito de Araraquara e um dos quadros do MDB quercista.
Simbólico/ Um vídeo produzido com a ajuda de IA no Instagram do fã-clube do ex-prefeito de Maceió JHC mostra o senador Renan Filho (MDB-AL) olhando para trás e fechando o semblante. Aparece, então, JHC chegando. Para muitos, foi um recado de que o caminho para João Henrique Caldas concorrer ao governo estadual não está fechado.
Portas abertas/ Até aqui, não houve comunicado do ex-prefeito rompendo com o deputado Arthur Lira (PP-AL, foto), pré-candidato ao Senado, ou do parlamentar se afastando do ex-prefeito. Ao contrário. As menções sempre foram elogiosas. Vale lembrar que as convenções para oficializar candidaturas são no fim de julho. Logo, JHC continuará na toada do “devagar também se chega” .
Bagunça na Casa/ As comissões da Câmara dos Deputados ainda estão paradas, mesmo depois do retorno aos trabalhos. O motivo é a janela partidária, que mexeu com a correlação de forças nos partidos. Agora, será o momento de fazer novas nomeações para que os colegiados voltem às reuniões.
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 31 de março de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito
Ronaldo Caiado lançou-se pré-candidato à Presidência da República com um discurso que em nada sugere uma terceira via no cenário polarizado das eleições. O governador manteve a postura de político de direita, com críticas contundentes ao lulopetismo. Essa linha de oposição ao Planalto vem sendo conduzida há meses, como se viu no debate sobre a PEC da Segurança Pública.
Mas, no dia em que se apresentou ao país como postulante ao Palácio do Planalto, Caiado sinalizou uma bandeira para atrair o eleitorado de Flávio Bolsonaro. Disse que, como primeiro ato na Presidência, assinaria a anistia ampla e irrestrita aos envolvidos na trama golpista. Foi a senha para esvaziar uma das principais promessas do filho 01 do ex-presidente Bolsonaro.
Ainda em relação a Flávio Bolsonaro, Caiado pode mostrar que tem muito mais experiência como gestor público doque o senador, que jamais exerceu um cargo no Executivo. Com seis mandatos parlamentares, o pré-candidato do PSD é, ainda, um articulador importante para o PSD cumprir o objetivo de formar uma bancada forte no Congresso em 2027. Caiado é adversário de Lula, sem dúvida. Mas é Flávio Bolsonaro quem está no caminho dele.
Sou agro
No lançamento da pré-candidatura, Caiado deixou clara a antiga aliança com o agro nacional, muito antes de o setor ganhar fama mundial e virar “pop” ou “tech”. Lembrou que foi fundador da União Democrática Ruralista (UDR), entidade contrária à atuação do MST entre 1985 e 1994. Caiado afirmou que a atuação política nesse período permitiu ao agro se tornar a estrela da economia brasileira.
Mordida
Assim como havia feito nas redes sociais nos últimos dias, Caiado resolveu espezinhar novamente Lula após o presidente sugerir que brasileiros estão endividados porque gastam muito no cuidado com cachorros. Disse ser “muito dedicado ao criatório de meus cachorros, que ultimamente o presidente tem tentado responsabilizar pela alta taxa de juros”.
Na ponta do lápis
Considerando apenas os números, o PSD encontrou motivos para preferir Caiado a Eduardo Leite. Pesquisa da BTG Nexus divulgada ontem mostra que o gaúcho tem uma rejeição ligeiramente (34%) maior do que o governador de Goiás (31%). No mesmo levantamento, Caiado também pontuou melhor em intenção de votos no primeiro turno e se saiu melhor contra o presidente Lula que seu colega de legenda.
Regional e nacional
Dentro do PSD, predominou a avaliação de que Leite estaria muito isolado no Rio Grande do Sul e de que a capilaridade de Caiado seria maior.
União é força
Durante o almoço empresarial do Lide em São Paulo, o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, afirmou que não tem dúvidas de que Caiado apoiará Flávio Bolsonaro no segundo turno, mas ressalta que o momento é de união. “Todos nós sabemos que pode ter quantos candidatos a presidente do Brasil, que no segundo turno vai estar o Flávio e o Lula”, comentou.
Vem logo
“Tenho certeza de que o Caiado, que é de direita, vai nos acompanhar. O ideal para nós era que todos eles nos acompanhasse no primeiro turno para dar chance para nós ganharmos a eleição no primeiro turno”, previu o presidente do PL.
Chamem
Após analisar os documentos elaborados pelo Tribunal de Contas da União, parlamentares aumentaram a pressão para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado chamar o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. A investigação do TCU indica que a gestão de Campos Neto apenas enviava ofícios, com advertências, ao banco de Daniel Vorcaro, e não tomou medidas mais drásticas.
Não é comigo
Na semana passada, em nota pública, Campos Neto afirmou que não era atribuição da presidência do BC analisar as atividades de bancos do porte do Master, com ativos inferiores a 1% do PIB. Essa seria uma atribuição de servidores do BC. “A presidência do BC não pode ser responsabilizada por terceiros”, alegou Campos Neto.
Sem cadeira cativa
Em entrevista a um programa de TV local, o deputado Arthur Lira (PP-AL) mandou recado ao eterno rival Renan Calheiros, ainda que sem citá-lo. “O Senado está devendo a Alagoas. Disse no lançamento (da pré-campanha) e reafirmo aqui: o Senado não é morada permanente de ninguém, não”, afirmou.
Na disputa
A primeira-dama de Rondônia e titular da Secretaria de Estado da Assistência e do Desenvolvimento Social (Seas), Luana Rocha, almeja uma cadeira na Câmara dos Deputados em 2026 pelo União Brasil. Ela quer concentrar os esforços em projetos que promovam a assistência à população mais vulnerável.
Política é poesia
Com um livro de poesias recém-lançado, o ex-governador e pré-candidato José Roberto Arruda (PSD) resume a própria trajetória em versos sucintos. “Experimentei o poder, os palácios e o gosto amargo da prisão (…) Fiz curva em alta velocidade e, agora, cheguei a uma idade em que tudo faz sentido. Era esse o meu destino”, escreve o poeta-político, em Destino.
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 19 de março de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

O PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro, adotou uma nova estratégia para a campanha de deputados estaduais e federais. Na intenção de obter apoio formal de partidos nos estados para os seus candidatos majoritários, em especial, para a Presidência da República, a legenda está cedendo para outras agremiações alguns nomes que são bons de voto — mas não seus puxadores principais. É que, com a restrição ao número de candidatos que um partido pode lançar (a quantidade de vagas, mais um), há muitas siglas com “engarrafamento” em alguns estados.
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O PL não adota essa atitude por bondade. O objetivo é garantir que os filiados façam campanha para Flávio Bolsonaro. E, ainda que os partidos não fechem o apoio formal ao senador, a turma simpática ao PL nos estados ajudará na base. No Rio Grande do Sul, a ideia é fazer essa parceria com o Podemos, e, em Santa Catarina, com Novo e Republicanos.
Baixou o desespero
Com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro caminhando a passos largos para uma delação, o mundo político entrou em polvorosa. É que essa turma é a mais visada em qualquer cenário. E, para completar, ainda veio a prorrogação por 60 dias do inquérito em curso na Polícia Federal. Logo, quando terminar toda a apuração, a janela partidária estará fechada.
Uma digital de Flávio
Excelências da base governista consideram que a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do fim da escala 6×1 será definida pela posição do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato ao Planalto. A avaliação é de que, se Flávio for favorável, vota-se mais rápido. Se ele for contra, partidos de oposição e de centro seguram a PEC até quando der.
Expectativas
O Tribunal de Contas da União (TCU) enviou os documentos referentes ao BRB e ao Banco Master para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Agora, os membros precisarão analisar os arquivos para saber o que é ou não sigiloso. Das sete pastas compactadas, quatro delas não têm documentos sigilosos, incluindo o relatório preliminar relativo ao BRB, do Banco Central. Agora, a CAE espera entender como tudo se desenrolou, identificar os gargalos e os nomes ligados à fraude.
CURTIDAS

Faca de dois gumes/ Com a redução da taxa Selic em 0,25%, parlamentares tiveram olhares diversos sobre essa decisão. Alguns acharam “descalibrada”, principalmente por causa do contexto atual, de alta de preço dos combustíveis e da guerra no Golfo.
Faca de dois gumes II/ Porém, manter os juros no patamar de 15% seria incentivar ainda mais as recuperações judiciais e a baixa atividade econômica, o que traz efeitos mais “desastrosos”. A avaliação é de que essa redução na Selic será positiva, uma vez que a equipe econômica deverá usar os juros mais baixos para validar as medidas adotadas nos últimos meses.
Quem já foi rei…/ A festa de 80 anos do ex-deputado e ex-ministro José Dirceu foi uma demonstração de que ele continua dando as cartas no PT. Fila para entrar e um discurso forte em defesa da soberania nacional, dando o tom do que virá na campanha de Lula pela reeleição.
Passa lá em casa/ Embora esteja disposta a colaborar com as investigações do caso Master, a ex-noiva do ex-banqueiro Daniel Vorcaro não planeja prestar depoimento presencial a comissões parlamentares de inquérito. A contar pela entrevista do advogado Lucio de Constantino, que atende Martha Graeff, à CNN, sua cliente foi vítima de uma exposição “agressiva, imprudente” e foi “maculada pelo Estado brasileiro”.
A aula de Cármen/ A ministra Cármen Lúcia (foto), do Supremo Tribunal Federal, foi para lá de direta em palestra no evento da Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (ANABB) sobre os direitos das mulheres. Eis algumas de suas frases: “Quando uma de nós é violentada, todas somos também. É preciso que essa sensibilidade nos atinja. Se não for por solidariedade, por egoísmo. Isso pode acontecer na sua casa, com a sua filha”; “uma sociedade na qual mulheres são assassinadas todos os dias só por serem mulheres é o testemunho de que estamos longe de termos igualdade”; “não há democracia plena, efetiva, eficaz, forte quando mais da metade da população não pode ter acesso a iguais oportunidades para chegar a cargos particulares, públicos ou de direção”; “nós precisamos reinventar essa sociedade preconceituosa e sexista. E isso não se faz por decreto, isso é uma construção permanente”
Coluna Brasília-DF publicada no domingo, 15 de março de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
O fato de o banqueiro Daniel Vorcaro ter trocado de advogado justamente em meio ao período de janela partidária acendeu o pisca-alerta no União Brasil e no Progressistas. É que isso reforçou, como já se sabe, a tese da delação premiada. E, nesse sentido, muitos deputados estão inseguros em permanecer nas duas legendas que vêm sendo citadas por terem seus presidentes, Ciro Nogueira, do PP, e Antônio Rueda, do União Brasil, mencionados nas conversas de Vorcaro. A aposta de muitos é a de que, se a situação do União Brasil estava difícil com a saída de deputados e governadores, como Ronaldo Caiado, a tendência é ficar pior.

Enquanto isso, no STF… / ... a tensão é tão grande quanto a dos parlamentares, porque haverá uma cobrança para que, em caso de delação, Vorcaro fale também de suas relações com o Judiciário. Ninguém está tranquilo com a sombra do banqueiro pairando no ar.
Um acordo entre PT e PL
Que ninguém se surpreenda se o PT e o PL fecharem um acordo em relação ao novo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). É que os petistas apresentaram o deputado Odair Cunha (PT-MG) para a vaga de Aroldo Cedraz, e o PL planeja indicar um dos seus quadros para a próxima vaga que surgirá mais à frente. O nome citado é o do deputado Altineu Côrtes (PL-RJ) .
A saúde de Bolsonaro
Um dos pontos que mais preocupa a família e os amigos do ex-presidente é o fato de ele realmente demorar a chamar qualquer pessoa quando não está bem de saúde. Em casa, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e auxiliares costumam acompanhá-lo mais de perto, para chamar médicos antes que a situação se agrave. Isso será agora usado para, mais uma vez, buscar a prisão domiciliar do ex-presidente.
Em banho-maria
O Plano Nacional de Educação (PNE) está desde dezembro de 2025 esperando despacho do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para ser discutido e votado na Comissão de Educação da Casa. Entidades do setor estão preocupadas com a demora da aprovação do PNE, uma vez que já foi adiada, de 2024 para o ano passado, e ainda não se tem nem vislumbre de quando isso ocorrerá.
O tempo urge
A Associação De Olho no Material Escolar está bastante preocupada com o calendário político, uma vez que, a partir de 4 de julho, fica tudo paralisado até as eleições em outubro. “Se o plano não for aprovado este ano, o risco é de que todo o processo se arraste para a próxima legislatura, já que o país entra em período eleitoral. Isso pode significar mais atraso para uma agenda que deveria ser prioridade nacional” , destacou Letícia Jacintho, presidente da associação.
CURTIDAS
Pegue a última onda, a que importa/ Dentro do PSD, embora cresça a pressão para o anúncio do candidato a presidente e muita gente diga que esse nome é o do governador do Paraná, Ratinho Júnior (foto), Gilberto Kassab trata de manter a calma. É que um candidato do partido precisa surfar quando a campanha começar. Não adianta nada crescer agora e cair ali na frente. Aliás, toda eleição tem essas ondas. O perigo, porém, é demorar demais e a onda virar uma marolinha.
Voto importante/ Embora a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) já tenha fechado maioria para manter Daniel Vorcaro na cadeia, o voto do decano Gilmar Mendes gera muitas expectativas. É que Gilmar é visto como aquele que sempre “coloca os pingos nos is” , ou seja, fala o que precisa ser dito. A expectativa é de uma defesa alentada do trabalho do STF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), para marcar a importância das instituições. A palavra do decano sempre é algo que provoca reflexões e norteia caminhos.
Aliás…/ O voto de Gilmar Mendes virá com a defesa de Vorcaro com um novo advogado. Pierpaolo Bottini tem outros clientes políticos há mais tempo e não quer se expor a conflitos de interesses. Sinal de que vem mais coisa aí da parte do banqueiro.
Deixa ele lá/ Entre líderes do centrão, há quem concorde com a manutenção da prisão do banqueiro Daniel Vorcaro pelo Supremo. “Foi correta, de fato estamos assistindo a coisas graves que precisam ser aprofundadas e provadas, mas com ele (Vorcaro) solto, poderia interferir nessa parte das investigações” , disse o líder do Republicanos na Câmara dos Deputados, Augusto Coutinho (PE).
Coluna Brasília-DF publicada na sexa-feira, 25 de julho de 2025, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito
Segundo cálculos da Receita Federal, o governo arrecadou R$ 3,8 bilhões, em apenas seis meses, com a tributação sobre as casas de apostas. O mês de maio registou o pico de arrecadação, com R$ 814 milhões. “Para a manutenção da evolução de recolhimento de tributos, também é fundamental o acompanhamento e banimento das operações ilegais, de maneira mais firme e efetiva, para impedir que esses recursos se percam no mercado clandestino”, pontua Igor Sá, executivo da HiperBet.
Estima-se que o Brasil perca R$ 10,8 bilhões por ano ao não combater o mercado ilegal de bets, de acordo com estudo da LCA Consultores e apoiado pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), realizado entre abril e maio deste ano. A pesquisa ainda aponta que 61% dos entrevistados admitiram ter feito apostas em plataformas irregulares neste ano, 78% consideram difícil distinguir sites legais dos ilegais, e 72% afirmam que nem sempre conseguem verificar a regularidade das plataformas. Além disso, 73% dos apostadores afirmam ter utilizado pelo menos uma das plataformas ilegais mapeadas em 2025.
As bets legalizadas defendem que as clandestinas deixem de operar no país. Especialistas afirmam que uma medida seria fazer com que os meios de pagamento impeçam operações para sites clandestinos, o que obrigaria esses apostadores a abrirem contas fora do Brasil.
União contra a tarifa
O deputado Fausto Pinato (PP-SP) publicou um manifesto em defesa da união dos brasileiros a fim de evitar o tarifaço de Donald Trump aos produtos brasileiros. “Se não nos unirmos agora, todos perderão. Perderemos a democracia, a liberdade e a dignidade nacional. E a responsabilidade será de todos nós. Não podemos permitir que falsos profetas e falsos patriotas, que querem o poder a qualquer custo, destruam as bases do Estado Democrático de Direito”, afirmou o parlamentar.
Pelo veto integral
Nota técnica do Observatório do Clima (OC) defende o veto integral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Licenciamento Ambiental. De acordo com a análise, a sanção das novas regras criará um “caos regulatório” que ameaça a proteção ambiental, a saúde pública, os povos e comunidades tradicionais, o patrimônio histórico-cultural e os sítios arqueológicos.
Contaminado
Dos 66 artigos, o Observatório do Clima identificou retrocessos graves em pelo menos 42 deles. Os restantes, segundo a nota, têm caráter acessório ou limitam-se a repetir resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).
Medo do Pix
Na visão de Hugo Garbe, professor de Ciências Econômicas da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), os ataques estrangeiros contra o Pix ocorrem por causa do potencial da ferramenta tecnológica. “Por trás da crítica está o impacto direto que ele gera sobre as receitas de gigantes americanos, principalmente as bandeiras de cartão de crédito e as big techs que lucram com intermediação financeira”, avalia.
Concorrência
“O sucesso brasileiro inspirou outros países a criarem soluções similares, aumentando o temor americano de uma descentralização das infraestruturas financeiras globais muito vinculadas ao dólar e ao sistema de pagamentos norte- americano”, acrescenta o especialista.
Contratos na mira
O deputado federal Luiz Lima (Novo-RJ) apresentou uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU) na qual reivindica a apuração de possíveis irregularidades na renovação de contratos entre a Administração Pública Federal e a empresa AC Segurança Ltda. O pedido ocorreu após o impedimento de contratação de serviços da empresa devido a Operação Dissímulo, da Polícia Federal, sob suspeita de integrar organização criminosa especializada em fraudes licitatórias e simulação de concorrência em contratos públicos que somam valores bilionários.
Punição ignorada
O parlamentar alega que, mesmo após a punição, quatro ministérios — Agricultura, Pesca, Desenvolvimento Social e Ciência e Tecnologia — renovaram contratos com a empresa. “É inadmissível que uma empresa proibida de manter contratos com o governo continue sendo contratada por órgãos federais, com recursos públicos, mesmo após sanção formal”, afirmou o parlamentar.
Devoto
Com restrições para levar adiante a agenda política, o ex-presidente Jair Bolsonaro mantém a devoção religiosa. Ontem, foi a um culto na Catedral da Bênção, em Taguatinga. Na segunda- feira, antes de mostrar a tornozeleira eletrônica, participou de oração junto com parlamentares apoiadores nas dependências do Congresso. No dia 17, discursou no plenário do Senado durante sessão em homenagem póstuma ao pastor Gedelti Victalino Gueiros, cofundador da igreja evangélica Maranata.
Aviso
“Peço orações a vocês. Por muitas vezes o óbvio está na sua frente. As pessoas poderosas dessa nação, algumas dessa Casa, quando se conscientizar do óbvio, que um dia ele vai embora, ele muda”, disse Bolsonaro. No dia seguinte, o ex-presidente passou a usar tornozeleira eletrônica.
Comunicação
A especialista em comunicação organizacional Julia Scheibel lança, no próximo dia 29, o livro As novas competências para a Gestão da Comunicação no Ambiente Organizacional Contemporâneo: um Estudo com os gestores de comunicação do setor industrial. A obra aborda as competências necessárias para atuar no complexo e dinâmico ambiente das organizações, públicas ou privadas. O lançamento será na Livraria da Vila do shopping Iguatemi, às 19h.
Brasil profundo
A diáspora dos povos originários no Brasil e os ciclos da natureza são temas da exposição Andanças, de Adriane Kariú e Rômulo Barros, em cartaz até dia 27. Adriana é descendente do povo Kariú Kariri, originário do Vale do Cariri (CE) e considerado extinto pela Funai. A mostra está aberta ao público, gratuitamente, no Memorial dos Povos Indígenas.
TCU suspende verba do Ministério do Trabalho a organizações irregulares
Por Eduarda Esposito — O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou a suspensão imediata de repasses do Ministério do Trabalho à Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários do Brasil (Unisol) e ao Centro de Estudos e Assessoria (CEA) por irregularidades. A suspensão foi um pedido dos deputados Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), Felipe Francischini (PL-PR), Nicoletti (União-RR) e do senador Jorge Seif (PL-SC), que alegam que as duas organizações têm ligação com o PT.

Irregularidades
De acordo com a decisão do TCU, as entidades cometeram irregularidades como falta de metas claras, ausência de cronograma de desembolso e repasse integral dos valores em apenas três dias após a assinatura dos contratos. Um dos convênios prevê o uso de R$ 15,8 milhões para a retirada de resíduos sólidos na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, antes mesmo do início efetivo das atividades.
A corte afirma ainda que a Unisol não possui estrutura operacional compatível com o projeto, sendo sediada em um espaço de 40 m² no subsolo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC — entidade ligada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Outro ponto apontado pelo TCU, é que os objetivos do convênio foram descritos sem detalhamentos, com termos como “mobilização” e “educação ambiental”, sem metas mensuráveis, o que contraria os princípios constitucionais da administração pública e a Lei nº 13.019/2014. Com a decisão do TCU, novos pagamentos às organizações estão suspensos e o uso dos valores já repassados estão proibidos até a conclusão da análise técnica.
Os parlamentares denunciantes afirmam que continuarão fiscalizando o uso de recursos federais para garantir legalidade, impessoalidade e transparência em projetos financiados com dinheiro público. “O que estamos vendo é o uso de dinheiro público com viés político, sem critérios técnicos, sem transparência e sem respeito à legalidade. A decisão do TCU confirma aquilo que já havíamos alertado”, declara o deputado Luiz Philippe.
Se o governo não fizer o seu dever de casa, apresentando corte de gastos, nada vai para frente, haja vista as declarações e movimentos às vésperas da divulgação das medidas fiscais. Há menos de 24 horas, enquanto o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, dizia aos congressistas que o pacote fiscal do governo representava “justiça tributária”, o evento do Lide Brasília Summit Correio Braziliense ecoava a voz do agronegócio sobre o risco da cobrança de tributos em investimentos destinados ao setor. O presidente da Frente Parlamentar do Agro (FPA), Pedro Lupion, por exemplo, foi incisivo ao dizer que 43% do plano safra vêm do LCA e outros investimentos que agora o governo tenta taxar. Ele alertou para o aumento do custo dos recursos e, por tabela, aumento de preços.
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Veja bem/ A fala de Lupion, quando avaliada em conjunto com a do presidente da Câmara, Hugo Motta, sobre o Congresso resistir a aumento de impostos e a necessidade de o governo fazer o dever de casa, cortando gastos, representa uma mensagem clara de dificuldade. Se o governo insistir, virá em seguida, por parte desses atores, um “eu avisei”.

O jogo de Haddad
Ao pedir uma cesta de novas cobranças e alíquotas, o ministro Fernando Haddad está jogando no seguinte sentido: se ganhar um pedacinho do que vai pedir, será lucro. Afinal, o pacote vai muito além dos R$ 20 bilhões a serem compensados quando for derrubado o decreto que aumentou as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
E a gripe aviária?
O projeto de lei que pretende remunerar as horas extras dos auditores fiscais agropecuários vai ficar mais alguns dias em “stand by”. À coluna, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, disse que, devido a detalhes apontados pelo Tribunal de Contas da União (TCU), ele deve se reunir com o presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, na próxima quarta-feira. A ideia é transformar a proposta em dois projetos para serem votados no começo de julho.
É para ontem
Relator do projeto de lei que pretende proibir o desconto automático em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o deputado Danilo Forte (União Brasil-CE) disse à coluna que pretende “ser o mais rápido possível”. A ideia é entregar a proposta ao presidente Hugo Motta para votação antes do recesso parlamentar. Pauta do bem dificilmente fica para depois.
Tensão na telecomunicação
Após a operação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), ao apreender cerca de 3.300 produtos de telecomunicações irregulares não homologadas em oito centros de distribuição, sendo um deles do Mercado Livre, um representante da empresa, François-Xavier de Rezende Martins, atacou a instituição durante o 3º Seminário Liberdade Econômica. “A Anatel ultrapassa suas competências, desrespeita a Lei Geral de Telecomunicações (LGT). E a LGT foi posta pelo Congresso Nacional com suas próprias razões. Para isso, não cabe à Anatel expandir as suas competências à revelia do Congresso, em particular para prejudicar a economia”, afirmou.
Reavaliação
Durante almoço na Frente Parlamentar do Livre Mercado (FPLM), o relator da reforma administrativa, deputado Pedro Paulo (PSDRJ), foi tão enfático quanto no Lide Brasília Summit Correio Braziliense, ao afirmar que o projeto vai dar “um choque de meritocracia no serviço público”. A ideia é instituir avaliações mais técnicas e bonificações para os servidores. O deputado também disse que, aparentemente, há uma proposta do governo para demitir servidores por baixo desempenho. “Se houver, vamos receber a proposta”, disse, durante o almoço.
CURTIDAS
Por aqui, é mais fácil/ A taxação das bets é o ponto mais fácil a ser aprovado no pacote fiscal que o governo apresenta oficialmente nesta quinta-feira. O restante tem resistência.
Elevando o moral/ Ao final do evento 2º Brasília Summit Lide Correio Braziliense, o ex-governador de São Paulo e fundador do Lide Brasil, João Doria, levou o presidente da Câmara, Hugo Motta, até o carro. No caminho, abraçados, Motta agradeceu ao ex-governador. “Obrigado pela homenagem hoje, fiquei muito tocado”, afirmou. Doria respondeu: “Foi de verdade. Hoje seu discurso foi incrível. Um verdadeiro estadista”, elogiou.
E as big techs, hein?/ A depender da maioria formada no Supremo Tribunal Federal, quem permite postagem de mentiras e outras atrocidades também deve responder pelo conteúdo de usuários. Vale repetir a frase emblemática do ministro Flávio Dino: “Liberdade de expressão sem responsabilidade é tirania”.
Vai ter comemoração/ A ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Nancy Andrighi completa 50 anos de magistratura em 2026. Grande idealizadora da candidatura do Brasil como sede do Tribunal Internacional do Meio Ambiente, saiu do evento do Lide Brasília Summit Correio Braziliense com o apoio dos 380 empresários presentes e grande parte do mundo político.
Vale para todos/ A ministra foi muito aplaudida ao dizer que os juízes deveriam ouvir mais a sociedade e participar de eventos e debates. Aliás, o saber ouvir e o diálogo devem ser inerentes a todos os Poderes. No Congresso, a contar pelo que se viu na audiência do ministro Fernando Haddad, esse saber ouvir está deixando a desejar.
Vale lembrar/ Hoje, deixe a política de lado e vá curtir o seu amor. Feliz Dia dos Namorados para todos.
Autoridades defendem o corte de benefícios fiscais durante evento do Esfera Brasil

Por Eduarda Esposito — O evento Dialogando Sobre o Brasil do grupo Esfera Brasil ocorre hoje (6) no Guarujá (SP) e aborda diversos temas econômicos do país. O painel 1 “Infraestrutura como motor da retomada” reuniu os ministros Renan Filho, transportes, Jader Filho, cidades, Bruno Dantas, Tribunal de Contas da União (TCU), a diretora de de infraestrutura do BNDES, Luciana Costa, e o conselheiro do Instituto Esferal, Sérgio Guerra. Durante o painel, Dantas ressaltou que o Brasil enfrenta um grande desafio em tratar a governança fiscal com seriedade.
“O grande desafio é tratar a governança fiscal com seriedade. O arcabouço é bom, mas é tão complexo que permite essas magias fiscais para não chamar de pedalada ou contabilidade criativa, e esse eu acho que é um problema que precisa ser enfrentado”, disse. Para o ministro do TCU, há ainda um embate entre o governo e a sociedade com o modelo atual de equilibrar as contas públicas por parte da União.
“O ajuste pelo lado da receita já passou do ponto até, e a prova é a reação da população e do setor produtivo com a tentativa de aumento do IOF. As pessoas não gritariam se não estivessem apertando tanto. O ministro Fernando Haddad apresentou uma série de propostas para recompor a série tributária, já fez e consegue ter uma arrecadação recorde. Está na hora do governo olhar também para o lado da despesa”, defende.
De acordo com Dantas, o governo federal precisa, além de rever os benefícios fiscais, que estão previstos na casa dos R$ 800 bilhões este ano de acordo com os novos dados da Receita Federal, escolher suas prioridades e colocá-las no orçamento e não fazer desvio em fundos. “O Pé-de-meia é importante e tem que ser escolhido como prioridade no orçamento e não usar jeitinho para fugir do arcabouço fiscal porque o governo não tem R$ 7 bi para alocar num programa prioritário”, critica.
O ministro do TCU também não deixou de tecer críticas ao Poder Judiciário, lembrando dos penduricalhos e supersalários que também oneram as contas públicas. “Acredito muito na boa fé das pessoas que governam o nosso país, estou falando dos três poderes, e acredito que nós temos maturidade para tomar uma decisão compartilhada. É preciso cortar os supersalários, eu tenho vergonha de receber penduricalho, agora é preciso que haja um pacto coletivo”, afirma.
Revisão dos benefícios fiscais

O ministro dos transportes, Renan Filho, defende que é necessário rever a forma como essas isenções são dadas. “Defendo que é preciso avaliar os benefícios e avaliar o gasto tributário, então cortar nesse momento é fundamental para ajudar na estabilidade do Brasil. O Brasil tem indicadores macroeconômicos bons, a economia está bem agora, mas precisamos ter crescimento sustentável e para isso precisamos ancorar expectativas e garantir estabilidade, e abrir espaço para a dívida pública do país cair”, argumenta.
Na visão de Renan Filho, não é necessário o corte total dos benefícios, mas sim uma parte para que o restante continue existindo. “Após o impeachment da presidente Dilma Rousseff, era necessário contingenciar despesas para aumentar a capacidade de investimentos dos estados brasileiros. Eu não fui o único a fazer isso. Ao invés de escolher um benefício fiscal, é mais fácil convencer a todos, que tem benefício, abrir mão de uma parte para que a outra continue existindo”, relembra.
O ministro das cidades, Jader Filho, defendeu a mesma ideia de seu companheiro de Esplanada. Para Jader, o benefício fiscal precisa ter um retorno para a sociedade e não pode ser eterno. “Quando você se dispõe a fazer um benefício fiscal, ele tem uma razão lógica, uma razão no sentido de ter um retorno para a sociedade. E obviamente ele não pode se tornar uma muleta para determinado segmento, ele tem que ser um impulso, mas não um benefício para a vida toda. Precisamos compreender que a sociedade não pode pagar para um determinado setor sem ter um benefício em volta”, ressalta.
Para o ministro, é um problema o Brasil não tratar esse assunto, porque seria o único tópico que o Brasil não se debruça. “Me pergunto porquê se discute tudo no Brasil e não se discute benefício fiscal. Uma coisa que grita tão alto, o país passando por tantas dificuldades e a gente finge que não está acontecendo. A conta não pode ser eterna para o estado, se não fica nesse emaranhado por conta das ações e dos problemas que não queremos enxergar no Brasil”, defende.














