Autor: luizfelipe
Coluna Brasília-DF publicada no domingo, 16 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
A campanha começa hoje com muitos discursos remodelados, mas com uma receita muito parecida com aquela preparada há quatro anos. Se, em 2022, o então candidato Lula chegou ao governo pela terceira vez com o discurso de defensor da democracia plena e coalizão ampla, em 2026, a campanha começa com algo que possa fazer esse mesmo papel.
E nesse sentido, a soberania pedirá passagem nas falas presidenciais. As promessas de Flávio Bolsonaro ao governo dos Estados Unidos no quesito exploração de terras raras trouxe embutida a ideia da subserviência, algo que a pré-campanha de Flávio não conseguiu jogar para escanteio. E os marqueteiros acreditam que, quanto mais os Estados Unidos apostarem em Flávio, e levarem adiante qualquer tentativa de influência na eleição, pior ficará para o
candidato do PL. Com Lula puxando o discurso da soberania e cuidado das pessoas, Flávio terá que tratar de manter Donald Trump um pouco distante da sua campanha.
Reforço ao discurso/ O anúncio da descoberta de petróleo na Margem Equatorial vai ajudar no quesito da soberania brasileira. Ainda que seja cedo para garantir a exploração comercial de Morpho, a política cantará aos quatro ventos a descoberta na Margem Equatorial acoplada à necessidade de o país explorar suas riquezas de forma altiva, sem colonialismo. É por aí que a divulgação feita pela Petrobras será abordada na campanha eleitoral.
Muita calma nessa hora
Antes de vender petróleo que não foi explorado, é preciso fazer mais estudos. A declaração de comercialidade do que foi anunciado no Amapá, se os resultados forem positivos, só virá entre 2029 e 2031. Feito isso, num cenário acelerado de extração, o primeiro óleo viria a ser explorado em 2033 ou 2034. Numa projeção mais equilibrada, essa extração sairia entre 2035 e 2038. A avaliação é do ex-presidente da Petrobras e ex-senador pelo PT do Rio Grande do Norte, Jean Paul Prates.
Dever de casa
Em artigo num site especializado em petróleo, Jean Paul alerta ainda que o país nem o estado do Amapá podem ficar parados esperando. É preciso se preparar. Da parte da União, sugere que Petrobras, Agência Nacional do Petróleo (ANP), Ibama e Marinha organizem uma “governança de fronteira, capaz de publicar dados progressivamente e fortalecer monitoramentos ambientais”. Quanto ao Amapá, é preciso formar trabalhadores,
reforçar universidades, preparar porto, aeroportos, saúde e habitação e por aí vai. E aconselha: “Não convém antecipar royalties, contrair dívidas ou oferecer benefícios fiscais com base em produção inexistente”
Dado importante I
Até aqui, conforme a pesquisa Quaest da última sexta-feira, os eleitores de Lula se mostram mais interessados na eleição do que os de Flávio Bolsonaro e dos demais candidatos. 47% dos muito interessados votam em Lula, enquanto 37% votam em Flávio. Terá a vantagem quem mais conseguir estimular os eleitores a ir votar.
Dado importante II
A pesquisa espontânea, aquela em que o eleitor diz em quem irá votar sem consultar um cartão com os nomes dos candidatos, indica 51% de indecisos. Guardem esse número e comparem daqui a 30 dias. É quando os candidatos prestam mais atenção nas pesquisas, porque é quando o eleitor já está escolhendo em quem vai votar. Até lá, a volatilidade é grande.
CURTIDAS
Espremido no Rio/ Candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado está com um problema no Rio de Janeiro. Por lá, os conservadores estão com Flávio Bolsonaro e o candidato do seu partido ao governo estadual, Eduardo Paes, apoia Lula. Vai ser difícil fazer campanha por lá. Porém, nesse Sábado, o que atrapalhou foi a chuva em Angra dos Reis.
Por falar em Rio de Janeiro…/ A orla da cidade Maravilhosa vai virar um grande comício para todos os gostos neste Domingo. Flávio Bolsonaro vai a Copacabana, mas a esquerda também terá seu espaço. A ex-senadora Heloísa Helena dá a largada de sua campanha à Câmara dos Deputados ao lado de candidatos da Rede e do PSOL, no Aterro do Flamengo.
… debate não falta/ Na próxima sexta-feira, tem a 25ª edição do Fórum Empresarial Lide, desta vez reunindo autoridades e líderes empresariais e especialistas, num dia dedicado a pensar os cenários do Brasil. Entre
os palestrantes confirmados, o procurador Geral da República, Paulo Gonet.
Resgate I/ Voltou a ser comentada nas redes sociais uma foto famosa, de 2008, quando o então governador de São
Paulo José Serra (PSDB) simulava a aplicação da vacina contra a gripe no braço do presidente Lula. O registro foi uma ação entre os adversários políticos para promover a campanha de vacinação naquele ano. A foto ganhou destaque na semana passada, após um vídeo em que o governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), conversava em clima descontraído com Fernando Haddad (PT) antes do debate da Band.
Resgate II/ Aliás, a foto de Lula e Serra tem sido lembrada inúmeras vezes nos últimos anos, como um contraponto à política atual, em que concorrentes não conseguem se tratar bem ou confraternizar. Que esta campanha consiga retomar o respeito entre os adversários.
Coluna Brasília-DF publicada no domingo, 2° de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
O candidato do PL, Flávio Bolsonaro, caminha para uma chapa pura nessa temporada eleitoral. E o fator mais citado nos bastidores para que ele chegasse à largada da campanha oficial com esse cenário é a falta de confiança que disseminou nos potenciais aliados e a forma com buscou essa aproximação. A confiança começou a ruir quando, em reunião fechada com o time do PL e em outros encontros privados, Flávio, olhando nos olhos dos interlocutores, afirmou que não havia nada que o ligasse a Daniel Vorcaro, o que foi desmentido dias depois. Esse foi o motivo que levou à revoada das agremiações para a montagem de projetos longe do candidato do PL. Não por causa do envolvimento com o ex-banqueiro, mas pelo fato de ter omitido algo que todos deveriam saber para montar uma estratégia de defesa. E, em política, sem passar confiança, não se conquista. Esse é hoje o principal desafio de Flávio para reconquistar apoios e simpatias.
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E a forma?/ Os gestos, em política também importam. Flávio passou as últimas semanas atrás de uma vice para a sua chapa. Ele só procurou a senadora Tereza Critina depois que já havia recebido um “não” do presidente do PP, Ciro Nogueira. Depois, em vez de conversar com todo o PP, chamou Tereza Cristina para uma conversa sem juntar o presidente do partido. A tentativa de dar o fato consumado não prosperou, e o PP pediu a inversão da chapa. Agora, volta ao Republicanos, partido que tem a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniela Marques para a vice — um nome que não passou pelo crivo do comando partidário. Fracassada a aliança com o PP, Flávio percebeu que precisa do aval dos comandos partidários. Por isso, ao discursar na convenção que consagrou a candidatura de Tarcísio de Freitas à reeleição em São Paulo, o candidato do PL ao Planalto elogiou o presidente do partido, Marcos Pereira. Flávio tem até o dia 5 para ver se convence o Republicanos a ser seu parceiro nessa empreitada. Mas, antes de qualquer coisa, terá que recuperar a confiança dos potenciais aliados.
Entrelinhas de Tarcísio
O discurso do governador Tarcísio de Freitas na convenção, com agradecimento especial ao ex-presidente Jair Bolsonaro foi ouvido por muitos pesos-pesados da política no palco como um sonoro ‘sou grato, mas agora ando com as próprias pernas’. Por mais que tenha dito que Flávio Bolsonaro, se eleito, “ajudará São Paulo”, Tarcíso tem um leque de alianças de 11 partidos, que inclui o PSD de Ronaldo Caiado. O governador de São Paulo não dedicará toda a sua campanha à dobradinha com o Zero Um.
Aliás…
As comparações foram inevitáveis. Quando Tarcisio terminou de elencar os partidos que o apoiam, um as da política que acompanhava a convenção paulista comentou: “Se ele fosse o candidato ao Planalto, teria fila para ocupar a vice”.
Uma crise em Pernambuco
A federação PSDB Cidadania trocou de lado. Presidida por João Freire, filho do presidente de honra, Roberto Freire, tinha fechado a apoio à reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD). O candidato do PSB, João Campos, cobrou do presidente nacional da federação, Aécio Neves, o compromisso de apoio selado lá atrás. Alex Manente, presidente nacional do Cidadania, destituiu o diretório estadual para que a federação apoie João Campos.
Outras intervenções
Pernambuco é apenas um dos 10 estados em que houve intervenção do Cidadania desde que Alex Manente assumiu o comando da legenda, e não necessariamente por causa dos palanques regionais. Já passaram por intervenção os diretórios de Paraíba, Maranhão, Pará, Rio Grande do Norte, Ceará, Sergipe, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul.
CURTIDAS
Traição/ Assim, o ex-presidente do Cidadania Roberto Freire reagiu à intervenção partidária em Pernambuco. Entregou, inclusive, o cargo de presidente de honra da federação PSDB Cidadania. É praticamente a aposentadoria de um quadro do antigo Partido Comunista. Porém, ele não deixará o partido: “Continuo filiado ao Cidadania. Até porque, tem minha única digital política e com lealdade e honra que infelizmente neste Brasil de hoje são coisas raras”.
E a Michelle, hein?/ A aposta é a de que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro dirá sim à candidatura ao Senado pelo DF.
Vem aí/ Na próxima terça-feira, o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo, entregará uma lista de candidatos com contas julgadas irregulares para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), às 17h. O documento ajudará a Justiça Eleitoral na análise das candidaturas para estas eleições.
Tema relevante e necessário/ Decano do Supremo Tribunal Federal, o ministro Gilmar Mendes (foto) abre, nesta quarta-feira, o 8º Brasília Summit Lide Correio Braziliense, a partir de 8h, no Brasília Palace Hotel. Em debate, a importância da segurança jurídica no desafio para fortalecimento da infraestrutura no Brasil.




