Dino põe o dedo na ferida

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Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 6 de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

Ao suspender os penduricalhos dos Três Poderes da República que não estejam expressamente previstos em lei, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, deu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um discurso para vetar o projeto que ampliou as benesses departe dos servidores do Legislativo. Agora, dizem integrantes da base do governo, o presidente pode, perfeitamente, justificar uma decisão contrária à proposta do Congresso, dizendo que antes é preciso tratar de uma legislação específica para esses pagamentos e garantir que não ultrapassem o teto do funcionalismo, hoje R$ 46,3 mil.

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Mais, muito mais/ Quando o projeto estava em votação, o próprio presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse em alto e bom som que, sim, os servidores podem ganhar mais do que os parlamentares. É mais um ponto que leva muita gente ligada a Lula a dizer que o veto virá.

Bilhete premiado

No Congresso há diversos projetos para o corte de penduricalhos acima do teto constitucional. Com a decisão de Dino, os parlamentares estão correndo contra o tempo para se tornarem “o pai do corte de privilégios”. Os deputados ligados à Reforma Administrativa dizem que é necessário votá-la agora. O PT sacou um projeto de lei, de autoria do deputado Lindbergh Farias (RJ), que propõe fechar as brechas para pagamento de “supersalários” no serviço público, abrangendo todos os Poderes e esferas.

Briga feia

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a madrasta Michelle andam às turras. O senador não gostou das conversas da ex-primeira-dama com ministros do STF porque, segundo amigos do parlamentar, considerou isso um “rebaixamento”.

Outra versão

A turma mais afinada com Michelle diz que Flávio, no papel de pré-candidato ao Planalto, teme que, com Bolsonaro em casa, a ex-primeira-dama tenha mais influência sobre o ex-presidente. Especialmente agora, enquanto ainda há tempo de substituir o escolhido para representar o bolsonarismo na campanha presidencial.

Tem que correr atrás do prejuízo

O BRB deve apresentar ao Banco Central um plano de integralização de imóveis do Governo do Distrito Federal para recuperar o rombo que a operação de comprado Banco Master deixou. Consultores próximos ao BC explicaram à coluna que o GDF tem aproximadamente mais de R$ 100 bilhões em imóveis e deve repassar parte ao Banco de Brasília para que vendam via fundo e recuperem o déficit. A Terracap, inclusive, já começou o levantamento dos terrenos do DF.

Por falar em Master…

… A pressão pela quebra de sigilo dos documentos não vai arrefecer. O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), por exemplo, considera que é chegada a hora de o ministro relator do caso no STF, Dias Toffoli, levantar o sigilo de todo o processo. Numa conversa em seu gabinete, esta semana, saiu-se com esta: “Se não (quebrar), fica a suspeita de que as provas não estão intactas”, defende Renan.

CURTIDAS

Crédito: Minervino Junior/CB/D.A Press

Quem agrada a um…/ A relação da ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (foto), e o senador Renan Calheiros trincou. Dia desses, num evento do governo federal em Alagoas, lá estavam as autoridades estaduais e federais do grupo de Calheiros, mas a ministra perguntava “cadê Arthur Lira?”. Renan não estava, mas aliados dos Calheiros se remexeram na cadeira.

… desagrada a outro/ Hoje, o grupo do senador em Alagoas — que, inclusive, temo ministro dos Transportes, Renan Filho(MDB-AL), candidatíssimo ao governo estadual — é o palanque de Lula por lá. E na construção dos Calheiros não haverá espaço para Lira.

Casa nova/ A deputada Caroline de Toni (PL-SC) está mudando de partido. Fontes ligadas ao partido Novo garantem que só falta marcar o dia da festa. Nos últimos temos, gerou um mal-estar muito grande a tentativa da legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro segurá-la até o fim da janela partidária, a fim de evitar que ela deixe o partido. O PL esperava contar com a deputada para aumentar a bancada.

Racha em SC/ À coluna, interlocutores da direita afirmam que o PL está com medo de que Carlos Bolsonaro não consiga uma das vagas ao Senado por Santa Catarina .Como Caroline aparece em primeiro nas pesquisas e o senador Esperidião Amin (PP-SC) consegue votos também de centro-esquerda, há um temor de que o filho 02 fique de mãos abanando após bagunçar o cenário da direita no estado.

Mudança dos ventos

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Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Kleber Sales

Desde o início do caso Master, o ex-controlador do banco, Daniel Vorcaro, tenta dinamitar o Banco Central (BC), com afirmações a respeito de uma liquidação precipitada. Agora, esse caminho está praticamente fechado. A investigação que a autoridade monetária abriu para apurar o que houve no passado, em relação à fiscalização do Banco Master, leva à direção inversa: a de que houve, sim, uma demora do BC em cumprir com a necessária supervisão. Até aqui, dois servidores que ocupavam chefias no Departamento de Supervisão Bancária (Desup) pediram afastamento dos cargos. A impressão de muitos é de que não vai parar por aí.

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Enquanto isso, no Supremo Tribunal Federal…/ Embora o ministro-relator do processo, Dias Toffoli, tenha colocado em nota oficial que “encerradas as investigações, será possível examinar os casos para eventual remessa às instâncias ordinárias” , a avaliação dentro do STF é de que esse momento está muito distante. O novelo apenas começou a ser desfeito e há muitas pontas que ainda precisam de análise detalhada dentro do processo. A tendência, inclusive, é de se esticar o prazo de 60 dias. Por enquanto, os vídeos da parte do inquérito relativa aos depoimentos de Vorcaro, do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e do diretor de Fiscalização do BC, Aílton Aquino, e da acareação entre Vorcado e PHC, darão muito o que falar com a reabertura do Congresso, na semana que vem.

“O eterno ministro”

Assim o ex-vereador Carlos Bolsonaro se referiu ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, comandante do estado que tem o segundo maior orçamento do país e carrega a economia nas costas. A frase foi vista por muitos políticos como o “rebaixamento” a que a família do ex-presidente relegou o afilhado político do ex-presidente.

Pai e filhos

Dentro do espírito de que é “melhor perder liderando do que vencer liderado” , os Bolsonaro deixam claro que o bolsonarismo não abrirá mão de continuar com os herdeiros de sangue. Seja agora ou no futuro, o papel de Tarcísio será de subordinado.

Plantão 24h

O setor de bets luta para evitar o que considera a morte das casas de apostas on-line. Com o imposto de 15% sobre o valor apostado dentro do projeto de lei antifacção, as bets dizem aos quatro ventos que não vão sobreviver. As empresas têm tentado reverter essa taxação na Câmara, que planeja votar a proposta este ano. Mesmo no período de recesso, a mobilização continuou, no sentido de espalhar a máxima de que “quem apoia mais impostos para as bets, apoia as bets piratas que pertencem ao crime organizado” . Atualmente, as casas de apostas ilegais representam 50% do setor.

O que vem por aí

Da parte do governo, haverá em breve uma página no Gov.br onde os apostadores de bets poderão conferir seus perfis. Quanto ganhou, apostou e perdeu, e quanto tempo ficou nos aplicativos apostando serão disponibilizados para os brasileiros em breve.

CURTIDAS

Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

PT vai para cima/ O PT começou a agir para jogar o caso do Banco Master no colo do bolsonarismo e do ex-presidente do BC Roberto Campos Neto. Pelo menos, o ministro de Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira (foto), foi às redes sociais para se referir a Campos Neto como o “pai do escândalo” e ao Master como “herança maldita do bolsonarismo” .

Retorno quente/ A primeira semana de volta dos trabalhos do Legislativo vai ser marcada por embates. Um dos primeiros deve ser o depoimento do presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, na próxima quinta-feira. Daniel Vorcaro também foi convocado e depende de liberação do STF. A CPMI quer investigar a relação do Master com o escândalo dos descontos de pensões.

Reza forte/ Os parlamentares da Frente Católica farão uma missa de abertura dos trabalhos na segunda-feira, às 9h, no auditório Freitas Nobre, na Câmara dos Deputados. O bispo auxiliar de Brasília, dom Vicente Tavares, comandará a celebração, junto com os padres Rafael Souza, reitor do Santuário Nossa Senhora da Saúde, e Agenor Vieira, pároco da Catedral de Brasília.

Governo empurrado para uma nova CPMI

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Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 28 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Kleber Sales

O movimento que políticos do governo tentam levar adiante contra a CPMI do Banco Master perderá força tal e qual perdeu os primeiros acordes de resistência à CPMI do INSS. Lá atrás, com as citações envolvendo associações ligadas ao PT, o governo acabou defendendo a comissão parlamentar de inquérito para tentar reverter o jogo e atirar a oposição no fosso da investigação. Desta vez, a reunião do presidente Lula, em 2024, com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, com direito à participação de um elenco de ministros, colocará o governo com dificuldades de segurar a apuração por parte dos congressistas.

Mais uma vez, a criação ou não da CPMI depende do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Até aqui, Alcolumbre tem dito a amigos que ano eleitoral dificulta instalação da CPI’s, porque fica difícil evitar a formação de um ringue entre adversários políticos, atrapalhando a pauta positiva que ele pretende empreender, escala 6X1 e segurança pública, coincidentemente, os mesmos assuntos que o governo pretende levar adiante este semestre.

Mudança de alvo

Até aqui, a parte interessada do mercado financeiro atacava o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli para tentar catapultá-lo da relatoria do caso Master. Não conseguiu. Agora, a mira se volta ao governo do presidente Lula e a reunião de 2024, pedida pelo então consultor do Master, Guido Mantega, ex-ministro de Lula e de Dilma Rousseff.

Imagem é tudo

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por enquanto, se segura apenas no nome do pai e terá que mostrar que é mais do que isso, se quiser que sua pré-candidatura realmente vá além do recall bolsonarista. Entre os poderosos da indústria no país, muitos consideram que ele é um “bon vivant” , arrogante e que não se agarra no serviço da política.

Gestão conta

Muitos industriais continuam rezando por uma candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Acreditam que ele é mais competitivo do que Flávio e tem o que mostrar numa campanha nacional. A quinta-feira, porém, quando o governador se encontra com Jair Bolsonaro deverá marcar o fim dessas esperanças.

O que quer Bolsonaro

O líder da oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto (PL-PB), deve visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro em breve. O encontro será para que Bolsonaro defina as prioridades do bloco para 2026. O maior foco, segundo o líder contou à coluna, é montar estratégias para derrubar o PT. Entre as pautas que devem receber atenção especial estão a lei Antifacção, PEC da Segurança Pública, CPMI do INSS e a derrubada do veto da dosimetria aos condenados de 8 de janeiro de 2023.

CURTIDAS

Crédito: Reprodução redes sociais

Recuperação/ O ex-presidente José Sarney publicou em suas redes sociais uma foto com a filha Roseane Sarney Murad (foto), que enfrenta uma luta contra o câncer e deve passar por uma cirurgia em breve. Recentemente, Roseane teve alta após ficar internada devido a pneumonia.

Expectativas/ O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, do PSD, entrou numa enrascada com o eleitorado quando a prefeitura colocou uma música da cantora Britney Spears, ao falar do show de Copacabana, em maio. Agora, tem gente cobrando a presença da estrela do pop internacional da seguinte forma: “Acho que se depois dessa você não confirmar a Britney, nem precisa concorrer em outubro” , respondeu um internauta à postagem de Paes sobre não saber quem será a atração deste ano. Já outros, dizem que se ele trouxer essa celebridade do mundo da música, se tornará prefeito vitalício.

Justiça por Orelha I/ Após a repercussão do crime bárbaro contra o cachorro comunitário na Praia Brava, em Santa Catarina, brasileiros criaram um abaixo-assinado para que crimes contra animais sejam enquadrados e punidos com o mesmo rigor aplicado a outros crimes violentos. Já conta com mais de 165 mil assinaturas.

Justiça por Orelha II/ Adolescentes suspeitos de torturar o cachorro terminaram “premiados” com uma viagem aos Estados Unidos e ainda não voltaram ao Brasil para que se defendam e, se culpados, assumam suas responsabilidades. É o mínimo que pessoas de bem devem fazer. Não dá para ficar vendo o Pateta e o Mickey como se nada tivesse ocorrido.

Quando a ética se torna necessidade

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Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 27 de janeiro de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

A Ordem dos Advogados do Brasil, seccional de São Paulo, apresentou um conjunto de propostas a serem incluídas no Código de Conduta a ministros do Supremo Tribunal Federal. O documento foi elaborado por uma comissão formada por dois ex-presidentes da Corte — Ellen Gracie e Cézar Peluso — além de ex-ministros da Justiça e juristas.

Entre outras medidas, o documento sugere vedar ministros de julgarem processos nos quais as partes ou os advogados representantes sejam parentes de até terceiro grau ou pessoa com “amizade íntima”. Também propõe vetar a participação de ministros em eventos patrocinados por grupos que tenham “interesse econômico” em processos na Corte.

Cauteloso na elaboração de um código de ética para a Casa Constitucional, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, recebeu o documento da OAB-SP na última sexta-feira. Ao menos publicamente, ele tem deixado claro que críticas à conduta de ministros não podem se tornar ataques à institucionalidade do Supremo – particularmente em um momento político de ascensão radical.

Contrarreforma

Fontes do setor de empresas de aplicativos defendem que, caso a proposta de regulamentação de trabalhadores por app seja aprovada, o Brasil vai perder R$ 3 bilhões por mês. Uma das justificativas é que o texto torna o modelo de negócio quatro vezes mais caro que o regime CLT. Para o setor, o debate está sendo chamado de “contrarreforma trabalhista”.

Outro caminho

O setor tem defendido uma proposta do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), que já foi enviada ao Congresso. No texto do IDP, há itens como a vedação de vínculo empregatício, define os trabalhadores como autônomos e as empresas como intermediadoras do serviço, veda rescisão e bloqueio unilateral e exige que as empresas contratem um seguro para acidentes pessoais para os trabalhadores do app.

Não param

A direita não terá descanso este ano se depender dos deputados petistas. O deputado Rogério Correia (PT-MG) apresentou dois requerimentos de convocação para a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS para os governadores do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). Correia quer apurar o envolvimento dos governadores no esquema do Banco Master com relação às fraudes na previdência.

Discurso pronto

A base bolsonarista vai insistir que o raio que atingiu os apoiadores no último domingo foi um “evento de força maior”, independentemente dos riscos de uma aglomeração em meio a um temporal. Para alguns parlamentares, o evento fortaleceu a mobilização da direita bolsonarista.

E a PEC 6×1?

O governo vai apostar as fichas na proposta que visa reduzir a escala de trabalho dos brasileiros. Contudo, o projeto ainda sofre bastante resistência no Congresso Nacional. Há quem apoie uma mudança para 5×2 e quem não apoie nada.

Um acordo, talvez

A deputada Bia Kicis (PL-DF) acredita que a melhor forma seria definir a escala via acordos coletivos. “Acordos poderiam funcionar melhor devido às diferenças regionais do Brasil. Tem lugar que a redução vai beneficiar e outras cidades em que vai prejudicar”, defende a integrante da Frente Parlamentar pelo Livre Mercado (FPLM).

Cronista

No próximo dia 4, o presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, se dedicará a uma atividade distinta de cuidar da instituição que completou 165 anos. O executivo lançará o livro Fragmentos do Cotidiano em Crônicas, no restaurante Nau, no Setor de Clubes Sul, às 20h.

Toffoli e o tempo

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Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 20 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Kleber Sales

As pressões crescentes para que o ministro José Antonio Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, deixe a relatoria do caso Master não vão levá-lo a abrir mão dessa função. Dentro da Corte, muitos magistrados consideram que é preciso dar tempo ao tempo e que nada será feito enquanto houver o que classificam de “uma campanha” contra Toffoli. Para completar, na visão de alguns, num ano eleitoral, esse caso arrisca ter nomes citados que sequer estão sob investigação ou são mencionados. Portanto, a avaliação é de que é preciso evitar vazamentos.

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Só tem um probleminha/ A abertura dos trabalhos do STF deste ano está marcada para 2 de fevereiro e, até lá, a tendência é Toffoli continuar como principal alvo de críticas. No fim de semana, por exemplo, houve a nota da Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) chamando as decisões do ministro de “atípicas”. Juristas acreditam que o inquérito sequer deveria estar no STF, já que casos semelhantes nunca foram levados à Suprema Corte. O possível envolvimento da família do ministro com empresas ligadas a Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, é apontado por especialistas como uma razão forte para que o ministro seja impedido de julgar a fraude do Master. Pessoas ligadas a ele, porém, dizem que não há justificativa legal para que deixe o caso.

Lula e Geraldo

O presidente Lula recebeu o vice-presidente Geraldo Alckmin, ontem, fora da agenda. Além das questões relacionadas ao Ministério de Indústria e Comércio, os dois estão conversando muito e afinados sobre os planos rumo a 2026. A repetição da chapa é dada como certa.

Lula e o PT

Só tem um partido reclamando do fato de Geraldo Alckmin manter a vaga de vice na chapa de Lula: o PT. E nem é todo o PT. É que uma parte considera que, como Lula não será candidato em 2030, a legenda tem que ter a vice para que haja um sucessor “natural”. O problema é que, antes de pensar em 2030, tem que vencer 2026. E uma chapa pura dificulta. Lula precisa de Alckmin.

Conflito ideológico

Empresas do setor de trabalho por aplicativos estão confusas com a união entre parlamentares do PL e da esquerda na regulamentação da atividade. O estranhamento se deve ao fato de que tanto o presidente da comissão especial, deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), quanto o relator, Augusto Coutinho (Republicanos-PE), são de partidos de direita. E, por isso, o setor considera que ambos deveriam ir contra os desejos do governo Lula e da esquerda. Porém, o relatório seguiu a linha da base governista.

Não é por aí

O setor busca um argumento para, neste ano eleitoral, tentar separar os dois polos da política nesse tema, questionando a “união” da direita com a esquerda e, principalmente, com o PSol, partido do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos — que elogiou muito o relatório apresentado no fim do ano passado. As empresas, porém, tendem a perder essa batalha.

CURTIDAS

Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

Baderneiros na porta de saída/ A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) vai discutir, hoje, a mudança da Resolução 400, que prevê condutas das empresas aéreas sobre comportamento dos passageiros durante os voos. Devido ao aumento de perturbações e casos de agressões aos comissários de bordo, a Anac estuda sanções aos viajantes indisciplinados. Atualmente, uma lei impede essas pessoas de voarem por até um ano, mas falta a regulamentação. A agência quer regulamentar essa medida.

Vai aumentar a pressão/ O caso do homem que, em prisão domiciliar, matou uma adolescente de 14 anos, no Distrito Federal, fará aumentar a pressão para que o ex-presidente Jair Bolsonaro tenha o benefício. O PL vai repisar que não é possível a Justiça conceder a prisão domiciliar a um estuprador e assassino e não atender à defesa de um homem de mais de 70 anos que tem comorbidades.

Independência municipal/ Uma empresa de capacitação, a Innovc, está treinando administradores municipais para pensar em soluções de gestão inovadoras. Um dos exemplos é a cidade de Eusébio (CE), que está criando um portfólio de soluções para vender para outros municípios. A ideia é criar uma parceria público-privada em projetos entre o município e a empresa para, juntos, venderem a proposta a outros prefeitos. Dessa forma, uma parte do dinheiro retorna ao caixa da cidade e paga aquele primeiro investimento da prefeitura, no início do projeto.

Press Jungmann/ O ex-ministro Raul Jungmann (foto) foi definido assim por parentes e amigos no velório no Campo da Esperança: “Um humanista, defensor do diálogo entre todas as forças e instâncias, ainda que tenham pensamentos totalmente opostos”. A trajetória foi marcada, ainda, pela “coragem” de aceitar desafios em momentos cruciais. A coluna registra aqui os mais profundos sentimentos de pesar pela morte de um intelectual que sabia exercer a paciência e aproximar diferentes.

R$ 7 bilhões “perdidos”

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Crise entre os Poderes, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Lula, Orçamento, Política, PT, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 16 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

Assim, deputados classificaram a decisão do governo de remanejar os recursos das emendas para outros programas. Esses R$ 7 bilhões estão dentro dos 30% que o Poder Executivo pode mudar de lugar e, portanto, conforme avaliação do deputado Claudio Cajado, da Comissão de Finanças e Tributação, “não é passível de anulação por derrubada de veto”. Logo, 63,6% dos recursos que Lula tirou das emendas para atender os programas sociais, os deputados não conseguirão recuperar. A revolta no Congresso é grande. E o ano está apenas começando.

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Pediu, agora aguenta/ Os deputados consideram que esse remanejamento é para compensar a execução de 65% das emendas até junho, de forma a irrigar as prefeituras antes do período oficial de campanha. O governo prometeu liberar, mas cobrou um pedágio.

Vai ser arrastão

A liquidação da Reag, empresa gestora de investimentos ligada ao caso Master, é vista no mercado financeiro como um sinal de que o Banco Central não deixará de pé quem estiver ligado com o banco de Daniel Vorcaro. É uma resposta também àqueles que dizem que o BC demorou a investigar e parar as negociações do banqueiro.

Façam suas apostas

Em conversas muito reservadas, parlamentares afirmam que, ao escolher até os peritos que terão acesso aos documentos apreendidos nas diversas fases da Compliance Zero, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli está tentando proteger alguém. Na avaliação de congressistas, ao criticar a agilidade da PF na apuração do caso, pedir a custódia de provas à PGR e definir os peritos para analisar a papelada, das duas uma: ou Toffoli quer evitar que alguns nomes apareçam ou o vazamento das provas antes da hora para os acusados. O ministro até hoje não veio a público falar sobre suas intenções.

E o Bolsonaro, hein?

A transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para a Papudinha foi fruto da reclamação da família sobre as instalações. Agora, ninguém na família esperava que o ministro Alexandre de Moraes fosse enviar o ex-presidente para a Papudinha.

A ofensiva vai continuar

A esquerda não se esqueceu das acusações sem provas que os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG) e Gustavo Gayer (PL-GO) fizeram sobre o presidente Lula. Nikolas postou uma foto feita por inteligência artificial onde Lula era preso por oficiais norte-americanos e pedia que os Estados Unidos prendessem o presidente brasileiro. O abaixo-assinado na internet para a cassação do mandato de Nikolas, por exemplo, já conta com mais de 145 mil assinaturas.

CURTIDAS

Crédito: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP

Cara a cara/ Depois do embate entre a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e o pastor Silas Malafaia por causa da lista de pedidos de convocação de representantes de igrejas supostamente envolvidas nos desvios do INSS, o deputado Rogério Correa (PT-MG) decidiu entrar em cena. Ele quer chamar Malafaia para uma acareação com Damares Alves.

Ajudem aí/ Deputados de Brasília receberam pedidos de emendas para pagamento de folha de forças se segurança do DF. Nos bastidores, é dito que esse é um sinal de que dificuldades virão nas contas do GDF ao longo de 2026.

Sem chance/ A turma do Progressistas de São Paulo começa a soltar aos quatro ventos que o governador Tarcísio de Freitas (foto) deveria dar uma prova de apreço a Flávio Bolsonaro sendo seu… vice. Não colou.

Objetivo velado/ Na verdade, um grupo do PP quer é que Tarcísio deixe o governo paulista para liberar a vaga a um nome deles. O que se diz no Republicanos é “nem pensar, eles que lutem”

A preocupação dos políticos

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Crise entre os Poderes, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Lula, Política, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Kleber Sales

Primeiramente, a Polícia Federal (PF) prendeu o próprio Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e seus sócios. Agora, foi a vez de parentes e empresários, com destaque para o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, e para o investidor Nelson Tanure. Muitos estão apreensivos com a perspectiva de uma nova fase da investigação ter como alvo o braço político do banqueiro. Por isso, ninguém estranhe se, abertos os trabalhos do Congresso, os discursos das excelências que conviviam com Vorcaro forem na linha de “receber uma pessoa não é crime”, “circular com uma pessoa não é crime”. Em conversas reservadas, muitos dizem que é preciso averiguar muito a fim de evitar injustiças, porque, antes de o escândalo explodir, o dono do Master era tido como um empresário sempre se cercando de figuras poderosas como forma de se blindar. E nem todo envolvimento resultaria em cumplicidade com os crimes cometidos.

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Joio e trigo/ Os parlamentares de centro consideram que é preciso identificar quem, no meio da política, ajudou na construção das fraudes ou se omitiu na hora de denunciar o esquema. Se os malfeitos tivessem sido revelados antes, muita gente não teria se reunido com Vorcaro.

A visão do governo sobre o Master

Se o caso Master virar tema da campanha presidencial deste ano, o governo já tem o discurso na ponta da língua. Foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quem aprovou a indicação de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central (BC), que, acertadamente e tecnicamente, liquidou o banco de Daniel Vorcaro.

Arrefeceu, mas…

Tanto no União Brasil quanto no Progressistas tem muita gente dizendo que a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto foi um balde de água fria na federação entre os dois partidos. Mas os presidentes das respectivas agremiações continuam apostando na junção das duas legendas para gastar menos na eleição de deputados federais.

Noves fora…

O cálculo das direções é de que a federação interessa porque serão dois partidos lançando candidatos como se fosse um só. Isso significa que dá para dividir os custos das campanhas.

O que vem por aí

Os mesmos deputados que prometem trabalhar para derrubar os vetos da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) a respeito dos valores inscritos na conta “restos a pagar” vão lutar para que seja derrubado também o veto às emendas.

Mais uma tensão

No governo, porém, o que se diz é que o dinheiro é um só e os políticos terão que escolher: ou os “restos a pagar” ou as emendas deste ano. Não tem recursos para executar tudo.

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Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

Embate/ A regulamentação do trabalho para quem presta serviço a aplicativos ainda vai demorar. Mesmo com o parecer do projeto entregue em dezembro pelo relator, deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE), as empresas do setor apresentaram um documento de 60 páginas com supostos dados que comprovam o aumento do valor cobrado pelos serviços, caso o texto seja aprovado. Contudo, a comissão só vai voltar a se debruçar sobre a matéria em fevereiro, no retorno dos trabalhos legislativos.

Ficou ruim/ A contar pelo que se diz nos bastidores, deve ficar apenas naquela decisão a bronca pública que o ministro Dias Toffoli deu na Polícia Federal (PF) ao reclamar do não cumprimento do prazo da operação relacionada ao Banco Master. O foco deve ser a apuração das fraudes e a punição aos culpados.

“Foi uma decisão acertada cortar uma parte das emendas. Tem que haver um equilíbrio entre os pedidos dos parlamentares e a execução das políticas públicas” Do ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira (foto), em entrevista ao Frente a Frente, da Rede Vida

TCU amplia espaço

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Crise entre os Poderes, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Política, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 13 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg

Crédito: Caio Gomez

A reunião entre os presidentes do Banco Central, Gabriel Galípolo, e do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo Filho, serviu para ampliar o poder da Corte tal e qual ocorreu em momentos passados, com a Petrobras e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O que se diz nos bastidores é que, quanto mais o TCU estiver presente, mais importância seus ministros adquirem. O tribunal é órgão assessor do Legislativo. E, como tal, não tem poder de barrar uma liquidação, uma vez que o Bacen é independente. No entanto, pode dar instrumentos para que os poderes competentes tomem decisões. Agora, coloca um pé no banco. Resta saber a que senhor servirá.

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A perder de vista/ A única certeza que se tem, atualmente, é de que o caso Master entrará no calendário eleitoral. Não será o principal tema da campanha, mas, dadas as ligações de Daniel Vorcaro, as apostas são de que muita gente abrirá a temporada de 2026 com explicações a dar.

Vai-se um banco, ficam os bens

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro não desistiu da ideia de recuperar seu banco. Mas o que se diz entre agentes do mercado financeiro em São Paulo é que ele deseja mesmo é recuperar seus bens.

É o que tem para hoje

Políticos paulistas são praticamente unânimes em afirmar que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, recolheu os flaps para voos nacionais. Agora, está cuidando da campanha pela reeleição. Sinal de que o candidato a presidente da República a carregar a bandeira bolsonarista será o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Funciona na avenida Faria Lima

Nos últimos dias, Flávio Bolsonaro tem usado suas redes sociais para atacar os gastos do governo federal. Só tem um probleminha: se as despesas governamentais atenderem os programas que beneficiam o povo, será difícil esse discurso crítico “pegar” entre a população mais pobre. Em especial, no Nordeste.

CURTIDAS

Crédito: Ed Alves/CB/D.A Press

Troca no ministério I/ Ricardo Lewandowski pegou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de surpresa. Quando o ministro avisou que estava de saída, o chefe do Executivo não acreditou que seria tão rápido. Afinal, outros já disseram que iam sair e, a pedido do petista, acabaram ficando. Com o ministro aposentado do STF, não funcionou.

Troca no ministério II/ Ao deixar para enviar ao Congresso apenas em fevereiro a indicação de Jorge Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal, o presidente Lula ganhou prazo para escolher o substituto na Advocacia-Geral da União (AGU).

Hora de contar os votos/ A ideia é só anunciar um novo ministro depois da aprovação no plenário do Senado. Até aqui, o governo acredita que vence na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas ainda não garantiu a vitória final.

O samba de Wagner Moura/ Quem é da política avisa que os prêmios conquistados pelos filmes Ainda estou aqui e O agente secreto elevaram o sarrafo. Agora é buscar histórias da nossa gente. “Não deixe o samba morrer” , no caso, o cinema brasileiro.

Vorcaro e PHC cara a cara

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Crise entre os Poderes, Economia, Eleições, Política, STF

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 25 de dezembro de 2025, por Luana Patriolino com Eduarda Esposito

Faltando pouco para acabar o ano, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli movimentou o caso do Banco Master. O magistrado determinou, nesta quarta-feira, véspera de Natal, uma acareação entre o presidente da instituição, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos. O procedimento ocorrerá de forma virtual, na terça-feira da semana que vem. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, também se colocou “à disposição” da Corte para prestar esclarecimentos sobre a liquidação da empresa.

Crédito: Caio Gomez

Para entender

Ailton de Aquino era o diretor do BC mais favorável à operação de venda do Master para o BRB. O diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, Renato Dias Gomes, mostrava-se resistente. Daniel Vorcaro está em prisão domiciliar, em São Paulo, desde o mês passado. Segundo a Polícia Federal, há indícios de R$ 12,2 bilhões em fraudes no sistema financeiro.

Ninguém quer

A opinião pública será decisiva para a elaboração e possível aplicação de um código de conduta para os ministros de Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente da Corte, Edson Fachin, o mais empolgado com a proposta, tem tentado blindar a imagem do Judiciário por causa da série de ataques e críticas da população nos últimos anos. Apenas a ministra Cármen Lúcia está do seu lado nessa briga. A maior parte dos integrantes da instituição rejeita a ideia, pois argumenta que há regras no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre o assunto. Para Fachin, no entanto, as normas não são tão claras. A discussão reacendeu após a suspeita do envolvimento de magistrados no escândalo do Banco Master.

Todos perdem

Parlamentares do Centrão resistem em apoiar a oposição no novo pedido de impeachment de Alexandre de Moraes tendo por base a atuação dele no caso Master. A avaliação dos líderes é de que esse é um balaio que atinge muito mais os deputados e senadores que disputarão a reeleição em 2026 do que o próprio magistrado e sua mulher, a advogada Viviane Barci.

Mudanças à vista

O presidente Lula tem dito a aliados que a reforma ministerial, para a disputa das eleições de 2026, é a sua prioridade. Ele quer colocar o bloco na rua com os melhores nomes nos estados para aumentar os seus palanques. O problema é combinar com os russos. Os diretórios estaduais do Partido dos Trabalhadores têm seus próprios planos para o ano que vem.

Crédito: Arquivo Pessoal

Vai ficar

Especialistas do direito migratório afirmam que Eduardo Bolsonaro deve permanecer nos Estados Unidos por enquanto. Como o ex-deputado entrou no país de forma regular, não há risco de uma deportação apenas com o cancelamento do passaporte diplomático e sem violação das leis estadunidenses.

Sem chance

Contudo, caso o filho do ex-presidente saia dos EUA e tente retornar, ele deverá fazê-lo com seu passaporte pessoal e seguir as regras de migração cabíveis. O documento diplomático, que garante uma certa agilidade quando justificada a viagem a trabalho, não está mais disponível para o ex-parlamentar.

Simples em foco

O Conselho Federal da OAB ingressou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para contestar a interpretação da Receita Federal que pretende aplicar às sociedades do Simples Nacional o novo regime de tributação de dividendos. A entidade alega violação à Constituição e à Lei Complementar 123/2006, que garantem isenção de IR para micro e pequenas empresas.

Direito de defesa

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) acolheu parcialmente pedido da OAB Nacional e da seccional de Santa Catarina, recomendando ao Tribunal de Justiça catarinense que assegure a realização de sustentações orais síncronas, presenciais ou por videoconferência, sempre que houver solicitação tempestiva. A medida reforça que o direito à sustentação em tempo real é uma garantia processual da advocacia. A decisão liminar foi do conselheiro Marcello Terto e será submetida ao Plenário do CNJ.

Boas festas

A coluna deseja um feliz Natal para os leitores, que a ceia seja farta e repleta de amor e esperança. Que Papai Noel deixe de presente mais respeito para todos.

Tudo novo de novo

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Crise entre os Poderes, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Política, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 24 de dezembro de 2025, por Luana Patriolino com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

O último ato do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino sobre as emendas parlamentares mostra o que está por vir em 2026. O Congresso está inconformado com a suspensão da proposta aprovada pela Casa, que visava ressuscitar os recursos não pagos pelo governo entre 2019 e 2023, e decidiu que irá procurar o magistrado para buscar um acordo. Hugo Motta (Republicanos-PB) quer evitar atritos com o Judiciário, mas tudo indica que acabarão voltando ao mesmo impasse. Dino está irredutível e, para a surpresa de ninguém, janeiro começará com um embate entre os dois Poderes. Quem está tranquilo com isso é o Planalto — que se vê fora dos holofotes e sem desgaste para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Em paz

O espírito natalino amoleceu o coração de todos os presentes no evento de ontem, no Palácio do Planalto, que reconheceu a cultura gospel como patrimônio cultural. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, se disse “honrado” por compartilhar o momento com Lula e distribuiu elogios para todos os lados. A situação é bem diferente da observada no mês passado, quando a relação entre o governo e o Congresso se desgastou após a votação do Projeto de Lei Antifacção.

Apoio

Católico, Hugo Motta conta com a simpatia e o apoio formal da bancada evangélica da Câmara. O presidente da Casa também sempre manteve uma excelente relação com a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR), que foi uma das maiores fiadoras de seu nome para assumir a Presidência da Câmara.

Sem vice

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ainda não decidiu quem será seu vice na chapa para concorrer à Presidência da República no ano que vem. No PSD, comenta-se que Gilberto Kassab está “vendendo” a desistência de Ratinho Júnior, seu correligionário, para tentar emplacar o nome do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Quem não tem sido citado nessa história ultimamente é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), um dos maiores aliados da família Bolsonaro.

Indefinição

Com a saída do Ministério do Turismo, o deputado federal Celso Sabino (sem partido-PA) deve concentrar as energias em sua pré-candidatura ao Senado. Ele aguarda uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), para definir as estratégias de campanha e o apoio das siglas. O ex-ministro lutou para ficar no Executivo, foi expulso do União Brasil e, em seguida, acabou exonerado pelo petista.

Prioridades

Sabino tem sido procurado por outros partidos, mas alegou que irá escolher a legenda que lhe dê autonomia para concorrer ao Senado, independentemente do campo político. Ele colocou outra exigência: o apoio à campanha de reeleição do presidente Lula.

A polêmica continua

As críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, não param. Após a denúncia de que ele teria supostamente procurado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para pressionar em favor da venda do Banco Master para o BRB, há quem esteja, nos bastidores, chamando o magistrado de “Moro do Supremo”. Moraes declarou que tratou apenas da Lei Magnitsky com o presidente do BC.

Rigor regulatório

Parte do setor portuário vê como positiva a investigação antitruste aberta pela Comissão Europeia contra uma empresa da gigante suíça MSC. “Na Europa, assim como no Brasil, já se reconhece que o setor portuário opera sob forte concentração, criando incentivos para práticas altamente lesivas”, explica a advogada Marcela Bocayúva, especialista no tema. Por aqui, o Tribunal de Contas da União (TCU) validou recentemente o modelo em que os grandes armadores, como a própria MSC, não participam da fase inicial do leilão do novo terminal do porto de Santos e só podem avançar caso nenhum player novo apresente uma proposta válida.

Desvantagem brasileira

Uma fatia do mercado financeiro critica o Banco Central por ter fixado de R$ 10 milhões a R$ 37 milhões o valor das licenças para empresas que querem operar no Brasil como “Exchanges” (plataformas para negociação de compra e venda de criptomoedas). “Na Europa, o custo total da licença varia de cerca de R$ 420 mil a R$ 1,3 milhão. O Brasil era, até pouco tempo, uma praça promissora nesse mercado, mas agora perdemos qualquer possibilidade de competitividade”, afirma o brasileiro Matheus Puppe, mestre e doutorando no tema pela Universidade de Frankfurt.