Categorias: Política

Intervenção no Rio e o risco para a reforma da Previdência

Numa tensa reunião que terminou pouco antes da meia-noite, o governo do presidente Michel Temer decidiu decretar intervenção na segurança pública do Estado do Rio de Janeiro. O Exército pilotará as polícias, bombeiros, e serviços de inteligência. O interventor será o general Walter Braga Neto. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), não gostou. Chegou a se exaltar com o ministro da Justiça, Torquato Jardim. Ambos são cariocas e têm um estilo franco de dizer o que pensam. Maia só cedeu quando o ministro disse que se a crise se agravasse, O deputado poderia terminar responsabilizado por não permitir uma solução mais radical, porém, considerada necessária pelos demais. Estavam na sala, ainda, o presidente Michel Temer, os ministros da Defesa, Raul Jungmann, do Gabinete de Segurança Institucional, Sérgio Etchegoyen, da Faezenda, Henrique Meirelles, do Planejamento, Dyogo Oliveira, e o presidente do Senado, Eunício Oliveira.

O governo custou a chegar a essa solução, porque uma das consequências da intervenção é a proibição de mudanças na Constituição enquanto essa medida de exceção estiver em vigor. Para não comprometer a reforma, a ideia do governo é suspender os efeitos da intervenção no dia em que a proposta previdenciária for a votos.

A partir da edição do decreto, o presidente do Senado, Eunício Oliveira, no papel de presidente do Congresso, convocará as duas Casas Legislativas para que, em sessões separados, possam votar se aprovam ou rejeitam o decreto presidencial.

Como não é possivel mexer na Constituição enquanto um Estado estiver sob intervenção, a oposição e até integrantes da base do governo vão aproveitar para ver se tiram a reforma da Previdência de pauta. Porém, já está acertado no governo que, no dia da votação da reforma, a intervenção será suspensa. Agora, resta saber, se a cada suspensão, o Congresso terá que novamente ser convocado para revalidar a retomada da intervenção. Mais um tema para bagunçar o conturbado dia-a-dia da República. Porém, se trouxer segurança à população do Rio de Janeiro, dizem alguns, nada terá sido em vão.

Atualização: Pelo que já se sabe até agora, o Congresso terá que revalidar a intervenção, em caso de suspensão.

Denise Rothenburg

Posts recentes

A insustentável permanência de Jaques Wagner

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 25 de junho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza…

13 horas atrás

Flávio Bolsonaro dobra a aposta

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 24 de junho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza…

2 dias atrás

TST alerta para a precarização digital

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 23 de junho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza…

3 dias atrás

Colégio de líderes mais enxuto deixará muito poder nas mãos de poucos

Coluna Brasília-DF, por Denise Rothenburg (com Eduarda Esposito) As apostas dos especialistas são de que…

4 dias atrás

Por que Lula não demitirá Jaques Wagner

Texto publicado por Denise Rothenburg neste sábado (20/6) — O líder do governo, Jaques Wagner…

5 dias atrás

Pede pra sair, Wagner

Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 19 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda…

7 dias atrás