Coluna Brasília-DF publicada no domingo, 2° de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

O candidato do PL, Flávio Bolsonaro, caminha para uma chapa pura nessa temporada eleitoral. E o fator mais citado nos bastidores para que ele chegasse à largada da campanha oficial com esse cenário é a falta de confiança que disseminou nos potenciais aliados e a forma com buscou essa aproximação. A confiança começou a ruir quando, em reunião fechada com o time do PL e em outros encontros privados, Flávio, olhando nos olhos dos interlocutores, afirmou que não havia nada que o ligasse a Daniel Vorcaro, o que foi desmentido dias depois. Esse foi o motivo que levou à revoada das agremiações para a montagem de projetos longe do candidato do PL. Não por causa do envolvimento com o ex-banqueiro, mas pelo fato de ter omitido algo que todos deveriam saber para montar uma estratégia de defesa. E, em política, sem passar confiança, não se conquista. Esse é hoje o principal desafio de Flávio para reconquistar apoios e simpatias.

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E a forma?/ Os gestos, em política também importam. Flávio passou as últimas semanas atrás de uma vice para a sua chapa. Ele só procurou a senadora Tereza Critina depois que já havia recebido um “não” do presidente do PP, Ciro Nogueira. Depois, em vez de conversar com todo o PP, chamou Tereza Cristina para uma conversa sem juntar o presidente do partido. A tentativa de dar o fato consumado não prosperou, e o PP pediu a inversão da chapa. Agora, volta ao Republicanos, partido que tem a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniela Marques para a vice — um nome que não passou pelo crivo do comando partidário. Fracassada a aliança com o PP, Flávio percebeu que precisa do aval dos comandos partidários. Por isso, ao discursar na convenção que consagrou a candidatura de Tarcísio de Freitas à reeleição em São Paulo, o candidato do PL ao Planalto elogiou o presidente do partido, Marcos Pereira. Flávio tem até o dia 5 para ver se convence o Republicanos a ser seu parceiro nessa empreitada. Mas, antes de qualquer coisa, terá que recuperar a confiança dos potenciais aliados.

Entrelinhas de Tarcísio

O discurso do governador Tarcísio de Freitas na convenção, com agradecimento especial ao ex-presidente Jair Bolsonaro foi ouvido por muitos pesos-pesados da política no palco como um sonoro ‘sou grato, mas agora ando com as próprias pernas’. Por mais que tenha dito que Flávio Bolsonaro, se eleito, “ajudará São Paulo”, Tarcíso tem um leque de alianças de 11 partidos, que inclui o PSD de Ronaldo Caiado. O governador de São Paulo não dedicará toda a sua campanha à dobradinha com o Zero Um.

Aliás…

As comparações foram inevitáveis. Quando Tarcisio terminou de elencar os partidos que o apoiam, um as da política que acompanhava a convenção paulista comentou: “Se ele fosse o candidato ao Planalto, teria fila para ocupar a vice”.

Uma crise em Pernambuco

A federação PSDB Cidadania trocou de lado. Presidida por João Freire, filho do presidente de honra, Roberto Freire, tinha fechado a apoio à reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD). O candidato do PSB, João Campos, cobrou do presidente nacional da federação, Aécio Neves, o compromisso de apoio selado lá atrás. Alex Manente, presidente nacional do Cidadania, destituiu o diretório estadual para que a federação apoie João Campos.

Outras intervenções

Pernambuco é apenas um dos 10 estados em que houve intervenção do Cidadania desde que Alex Manente assumiu o comando da legenda, e não necessariamente por causa dos palanques regionais. Já passaram por intervenção os diretórios de Paraíba, Maranhão, Pará, Rio Grande do Norte, Ceará, Sergipe, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul.

CURTIDAS

Traição/ Assim, o ex-presidente do Cidadania Roberto Freire reagiu à intervenção partidária em Pernambuco. Entregou, inclusive, o cargo de presidente de honra da federação PSDB Cidadania. É praticamente a aposentadoria de um quadro do antigo Partido Comunista. Porém, ele não deixará o partido: “Continuo filiado ao Cidadania. Até porque, tem minha única digital política e com lealdade e honra que infelizmente neste Brasil de hoje são coisas raras”.

E a Michelle, hein?/ A aposta é a de que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro dirá sim à candidatura ao Senado pelo DF.

Vem aí/ Na próxima terça-feira, o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo, entregará uma lista de candidatos com contas julgadas irregulares para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), às 17h. O documento ajudará a Justiça Eleitoral na análise das candidaturas para estas eleições.

Tema relevante e necessário/ Decano do Supremo Tribunal Federal, o ministro Gilmar Mendes (foto) abre, nesta quarta-feira, o 8º Brasília Summit Lide Correio Braziliense, a partir de 8h, no Brasília Palace Hotel. Em debate, a importância da segurança jurídica no desafio para fortalecimento da infraestrutura no Brasil.

luizfelipe

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