Todos querem o centro

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, Lula, Política, Segurança Pública, Senado

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Kleber Sales

Da mesma forma que aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendem que ele caminhe para o centro, a fim de ampliar os votos rumo à eleição de outubro, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro pede que seu irmão 01, o senador Flávio (PL-RJ), siga por esse caminho. A defesa que Eduardo faz de uma virada à direita mais tradicional foi lida nos partidos de centro como um sinal de que a família tem medo de seguir no radicalismo e “morrer na praia”. O difícil, no entanto, será encontrar o tom certo para reaglutinar os votos. Até aqui, a marca do bolsonarismo foi um discurso de manifestações pedindo, inclusive, intervenção militar — o próprio Eduardo disse que um cabo, um jipe e um soldado seriam suficientes para fechar o Supremo Tribunal Federal. Para completar, ainda houve, na eleição municipal, o próprio Eduardo parafraseando o guru Olavo de Carvalho com a frase: “Não existe direita no Brasil, existe Jair Bolsonaro”. A ordem é tentar retomar todo esse campo, que começou a se dispersar em 2024.

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Veja bem/ No bolsonarismo, há o receio de que o um candidato com “cara de bom moço”, com um discurso conservador, massem radicalismos, e um plano de governo, ultrapasse os números que Flávio Bolsonaro tem apresentado nas pesquisas. Afinal, o senador ainda não tem uma marca de campanha para chamar de sua. Tem apenas o recall de seu pai, que, aliás, perdeu a eleição presidencial. Ou seja, ainda não há um caminho seguro para chegar ao Planalto. Por mais que tenha o sobrenome Bolsonaro.

CNJ na mira

Relator da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública, o deputado Mendonça Filho (União-PE) foi cristalino ao falar, durante almoço na Casa Parlamento, do think tank Esfera, que é “inadmissível” um policial militar ver um criminoso de tornozeleira bebendo num bar e não poder prendê-lo, porque uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) diz que só quem pode determinar prisão é juiz de execução penal e só quem pode cumprir é a Polícia de Execução Penal, que não tem quadros suficientes.

Quem deve legislar

Mendonça considera que esse tema deveria ser regido por lei federal e não por resolução do CNJ. “Há uma inversão de competência. As normas devem ser leis e aprovadas pelo Congresso Nacional”.

Agora vai

Passado o carnaval, os senadores vão pressionar — e muito — pela instalação da CPMI do Banco Master. Embora o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), considere que é preciso deixar a Polícia Federal (PF)trabalhar, muito senador considera que esse tema não vai esfriar.

Por falar em apostas…

Começa a ganhar corpo na política a ideia de que o bolsonarismo lançou e apostou, mas foi Gilberto Kassab quem garantiu a vitória de Tarcísio de Freitas(Republicanos) ao governo de São Paulo. Agora, está na hora de retribuir, fazendo do presidente do PSD o seu vice. Embora Kassab tenha dito a amigos que não cobrará a vaga, vai surgir muita gente cobrando por ele.

CURTIDAS

Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Até agora, nada/ A federação entre União Brasil e Progressistas reúne mais dúvidas do que certezas para a próxima rodada. Se os partidos minguarem na janela partidária, adeus.

Recursos próprios/ O ministro das Cidades, Jader Filho (foto), vai acompanhar Lula no camarote da Prefeitura do Rio de Janeiro, no próximo domingo. Mas já decidiu ficar num hotel e pagar a própria passagem.

Na linha de frente/ Nem todos os ministros pretendem participar do desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageará Lula. Muitos vão aplaudir do camarote. A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, aproveitou a sessão de aniversário do PT no Congresso para ensaiar o samba-enredo.

Enquanto isso, no mundo dos negócios…/ Dalton Pastore, CEO da ESPM, e o ex-governador João Doria, fundador do Líderes Empresariais (Lide), formalizaram uma sociedade para criar uma nova frente de educação executiva voltada ao topo das empresas: a ESPM Lide Corporate Academy, escola de negócios desenhada para C-levels, empresários e executivos em ascensão. A aposta combina a estrutura acadêmica da ESPM com a capilaridade do Lide — rede de relacionamento empresarial com milhares de líderes — para oferecer cursos presenciais em São Paulo com foco em estratégia, inovação, marketing, sucessão e governança, além de liderança em tempos de inteligência artificial (IA) e desenvolvimento de habilidades de alta gestão.

Fachin em carreira solo

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, Política, Segurança Pública, Senado, STF, União Brasil

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 3 de fevereiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

Em conversas reservadas, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) não escondem o desconforto pelo fato de o presidente da Corte, Edson Fachin, ter começado a trabalhar no Código de Ética sem combinar com os demais. Eles consideram que era preciso, antes de anúncios e defesas, discutir no colegiado e usar mais o “nós”. Ali, a terceira pessoa do plural conta, e muito, na hora de fazer valer projetos que afetam a todos. O tema certamente será tratado no almoço da semana que vem, marcado para 12 de fevereiro, quinta-feira, vésperas de carnaval. Depois de anunciar o tema como “prioridade de sua gestão” e dizer que “os ministros são responsáveis pelas escolhas que fazem”, não há caminhos alternativos para os colegas de Fachin: ou apoiam ou se desgastam ainda mais.

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Muito além do gênero feminino/ A escolha da ministra Cármen Lúcia para relatar o Código de Ética do STF vem sob medida, e não tem nada a ver com o fato de ser a única mulher a ocupar uma cadeira no STF. Ela é, atualmente, quem tem mais alinhamento com Edson Fachin e sempre caminhou no sentido de tornar a análise dos processos mais ágeis, transparentes. Não cede a pressões e tem duas ferramentas consideradas fundamentais para redigir esse texto: paciência para ouvir a todos e coragem para enfrentar desafios.

Tem que ver isso aí I

Aumenta a sensação dentro do Congresso Nacional de que é urgente regular as fintechs. Para deputados ouvidos pela coluna, é preciso ter um sistema que evite a entrada do crime organizado nessas plataformas digitais.

Tem que ver isso aí II

Parlamentares apostam que o momento é propício para essa regulamentação, porque o setor produtivo deve apoiar a medida. Representantes de empresas que pagam seus impostos estão preocupados com o fato de as fintechs acabarem servindo para uma concorrência desleal em diversos setores. Citam, inclusive, o caso da operação Carbono Oculto, que desbaratou um esquema de lavagem de dinheiro, em que as plataformas digitais eram usadas para burlar a fiscalização. Agora, é preciso apertar a Legislação.

E o Banco Master?

A base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não quer apoiar a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master do deputado Carlos Jordy (PL-RJ). Muitos relembraram que o deputado está sendo investigado por desvio de verba parlamentar e não querem assinar um pedido dele. A intenção é apoiar o requerimento da deputada Fernanda Melchionna (PSol-RS).

Hugo e a bandeira branca

Ao começar o ano votando a Medida Provisória do Gás do Povo, o objetivo do presidente da Câmara, Hugo Motta, foi mostrar boa vontade para com o governo. Ainda que a tensão por causa das emendas parlamentares não tenha se dissipado, é hora de pacificar. Os políticos paraibanos logo viram nesse gesto de votar a MP no primeiro dia de funcionamento pós-recesso um sinal de que a proximidade com Lula importa. Especialmente, para a campanha de Nabor Wanderley (Republicanos) ao Senado pela Paraíba. Nabor é pai do presidente da Câmara

CURTIDAS

Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasília

Sólido anfitrião/ O camarote do BRB no Estádio Mané Garrincha reuniu em torno de cem convidados no último domingo, durante o jogo Corinthians X Flamengo, com buffet Renata La Porta. Vida que segue.

Mal-estar geral/ Com a saída do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do União Brasil, os filiados da legenda estão meio frustrados com a capacidade de articulação de Antonio Rueda, que comanda a legenda. Uma excelência comentava no plenário da Câmara que Rueda está mais para um “comerciante” do que para presidente de partido.

“Somos todos iguais”/ O fato de o presidente da Câmara discursar da tribuna foi um gesto no sentido de deixar claro que não há diferença entre ele e os demais parlamentares. Pelo menos, esta foi a leitura de muitos que estavam no plenário.

Destaque econômico/ O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, recebe, na sexta-feira, o prêmio Personalidade Econômica de 2025 do Conselho Federal de Economia. A solenidade será na Câmara Legislativa do DF. Ele será o 21º economista agraciado com a premiação. Já ganharam o mesmo reconhecimento Maria da Conceição Tavares, Delfim Netto, Tania Bacelar e André Roncaglia. O BNDES será premiado como Destaque Econômico na categoria Desempenho Técnico, pelo segundo ano consecutivo.

Mudança dos ventos

Publicado em Banco Central, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, CPMI do INSS, Crise entre os Poderes, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Política, PT, Segurança Pública, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Kleber Sales

Desde o início do caso Master, o ex-controlador do banco, Daniel Vorcaro, tenta dinamitar o Banco Central (BC), com afirmações a respeito de uma liquidação precipitada. Agora, esse caminho está praticamente fechado. A investigação que a autoridade monetária abriu para apurar o que houve no passado, em relação à fiscalização do Banco Master, leva à direção inversa: a de que houve, sim, uma demora do BC em cumprir com a necessária supervisão. Até aqui, dois servidores que ocupavam chefias no Departamento de Supervisão Bancária (Desup) pediram afastamento dos cargos. A impressão de muitos é de que não vai parar por aí.

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Enquanto isso, no Supremo Tribunal Federal…/ Embora o ministro-relator do processo, Dias Toffoli, tenha colocado em nota oficial que “encerradas as investigações, será possível examinar os casos para eventual remessa às instâncias ordinárias” , a avaliação dentro do STF é de que esse momento está muito distante. O novelo apenas começou a ser desfeito e há muitas pontas que ainda precisam de análise detalhada dentro do processo. A tendência, inclusive, é de se esticar o prazo de 60 dias. Por enquanto, os vídeos da parte do inquérito relativa aos depoimentos de Vorcaro, do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e do diretor de Fiscalização do BC, Aílton Aquino, e da acareação entre Vorcado e PHC, darão muito o que falar com a reabertura do Congresso, na semana que vem.

“O eterno ministro”

Assim o ex-vereador Carlos Bolsonaro se referiu ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, comandante do estado que tem o segundo maior orçamento do país e carrega a economia nas costas. A frase foi vista por muitos políticos como o “rebaixamento” a que a família do ex-presidente relegou o afilhado político do ex-presidente.

Pai e filhos

Dentro do espírito de que é “melhor perder liderando do que vencer liderado” , os Bolsonaro deixam claro que o bolsonarismo não abrirá mão de continuar com os herdeiros de sangue. Seja agora ou no futuro, o papel de Tarcísio será de subordinado.

Plantão 24h

O setor de bets luta para evitar o que considera a morte das casas de apostas on-line. Com o imposto de 15% sobre o valor apostado dentro do projeto de lei antifacção, as bets dizem aos quatro ventos que não vão sobreviver. As empresas têm tentado reverter essa taxação na Câmara, que planeja votar a proposta este ano. Mesmo no período de recesso, a mobilização continuou, no sentido de espalhar a máxima de que “quem apoia mais impostos para as bets, apoia as bets piratas que pertencem ao crime organizado” . Atualmente, as casas de apostas ilegais representam 50% do setor.

O que vem por aí

Da parte do governo, haverá em breve uma página no Gov.br onde os apostadores de bets poderão conferir seus perfis. Quanto ganhou, apostou e perdeu, e quanto tempo ficou nos aplicativos apostando serão disponibilizados para os brasileiros em breve.

CURTIDAS

Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

PT vai para cima/ O PT começou a agir para jogar o caso do Banco Master no colo do bolsonarismo e do ex-presidente do BC Roberto Campos Neto. Pelo menos, o ministro de Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira (foto), foi às redes sociais para se referir a Campos Neto como o “pai do escândalo” e ao Master como “herança maldita do bolsonarismo” .

Retorno quente/ A primeira semana de volta dos trabalhos do Legislativo vai ser marcada por embates. Um dos primeiros deve ser o depoimento do presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, na próxima quinta-feira. Daniel Vorcaro também foi convocado e depende de liberação do STF. A CPMI quer investigar a relação do Master com o escândalo dos descontos de pensões.

Reza forte/ Os parlamentares da Frente Católica farão uma missa de abertura dos trabalhos na segunda-feira, às 9h, no auditório Freitas Nobre, na Câmara dos Deputados. O bispo auxiliar de Brasília, dom Vicente Tavares, comandará a celebração, junto com os padres Rafael Souza, reitor do Santuário Nossa Senhora da Saúde, e Agenor Vieira, pároco da Catedral de Brasília.

Governo aposta em racha nos partidos de centro

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Política, PSD, PT, Segurança Pública, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 29 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Nesse momento em que traça a estratégia para cada estado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixa claro que investirá na fratura das forças de centro que tentam quebrar a polarização neste ano eleitoral. O PSD de Gilberto Kassab, por exemplo, é tido na base como novo MDB, que pode até ter candidato ao Planalto, mas não conseguirá unir a legenda em torno de um nome. Ainda que tenha três ases na mão — Ratinho Júnior, Eduardo Leite e, agora, Ronaldo Caiado —, a aposta é de que o PSD vai rachado para as eleições de outubro.

Crédito: Kleber Sales

Veja bem/ E não está no projeto do governo dispensar os ministros do partido de Kassab. A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, respondeu assim, quando perguntada como ficam os ministros diante da ideia de o PSD lançar candidato ao Planalto: “Fica como está. A gente já teve acordo com o PSD em vários estados na eleição de 2022. O PSD não é um partido de unidade nacional. É um partido que se movimenta pelos interesses regionais federados e nós vamos saber lidar com isso”, afirmou.

Messias na área

O governo não planeja demorar para enviar ao Senado a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Gleisi acredita, inclusive, que é possível aprovar antes das eleições. “É muito ruim o STF ficar sem um ministro”.

“Follow the money”

Ao dizer que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro foi preso na gestão de Ricardo Lewandowski, no Ministério da Justiça e Segurança Pública, Gleisi ensaia o tom que Lula adotará na campanha, caso o tema venha à baila. A ordem no governo é se ater aos fatos e seguir o caminho do dinheiro.

Palavra cumprida

PSD e PL fizeram valer um acordo do ano passado e trocaram comissões permanentes. A de Agricultura passará para a presidência do PSD e a de Minas e Energia, para o PL. Em 2025, as legendas travaram uma disputa pela Comissão de Minas e Energia (CME). À época, o partido de Kassab fechou questão e ficou com a comissão, mas negociou com o PL para que, em 2026, a CME ficasse com os bolsonaristas.

Briga de paternidade

Parlamentares dos mais diversos campos políticos apostam que o tema da segurança pública vai dominar o debate eleitoral de 2026. Os da esquerda nem esperaram o ano legislativo para começar a apresentar projetos sobre o assunto. Nos bastidores, o que se diz é que esquerda e direita vão brigar pelo controle das pautas de segurança no Congresso

CURTIDAS

Crédito: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

Volta às aulas/ Reinou a calmaria na primeira reunião de líderes da Câmara dos Deputados este ano, depois do longo recesso parlamentar. Tudo por causa da ausência dos dois líderes da oposição — Gustavo Gayer (PL-GO) e Cabo Gilberto (PL-PB). Eles planejavam pedir ao presidente da Casa, Hugo Motta (RepublicanosPB), que faça um apelo ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para marcar a sessão de análise dos vetos o mais rápido possível. Como não compareceram, a necessidade de reunir logo o Congresso nem foi mencionada.

Turbinado/ O maior evento de energia do país, o ROG.e, promete movimentar o Rio de Janeiro praticamente às vésperas da eleição. Com 93% de ocupação dos espaços no Riocentro, o evento organizado pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) reunirá os principais líderes e especialistas do mercado global de energia. São esperadas 75 mil pessoas, entre 21 e 24 de setembro.

Anota aí/ Na próxima terça-feira, a Frente Parlamentar pelo Livre Mercado (FPLM) vai inaugurar o ano legislativo com um jantar em sua sede. As presenças dos governadores Romeu Zema (Novo-MG) e Jorginho Mello (PL-SC) estão confirmadas.

“O presidente (do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin) tem reiterado a importância desse código (de conduta para os magistrados). Mas enfrenta resistências dentro do próprio colegiado. Só a pressão democrática da sociedade pode quebrá-las” Deputado Chico Alencar (PSol-RJ)

Governo empurrado para uma nova CPMI

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, CPMI do INSS, Crise entre os Poderes, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Política, Segurança Pública, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 28 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Kleber Sales

O movimento que políticos do governo tentam levar adiante contra a CPMI do Banco Master perderá força tal e qual perdeu os primeiros acordes de resistência à CPMI do INSS. Lá atrás, com as citações envolvendo associações ligadas ao PT, o governo acabou defendendo a comissão parlamentar de inquérito para tentar reverter o jogo e atirar a oposição no fosso da investigação. Desta vez, a reunião do presidente Lula, em 2024, com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, com direito à participação de um elenco de ministros, colocará o governo com dificuldades de segurar a apuração por parte dos congressistas.

Mais uma vez, a criação ou não da CPMI depende do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Até aqui, Alcolumbre tem dito a amigos que ano eleitoral dificulta instalação da CPI’s, porque fica difícil evitar a formação de um ringue entre adversários políticos, atrapalhando a pauta positiva que ele pretende empreender, escala 6X1 e segurança pública, coincidentemente, os mesmos assuntos que o governo pretende levar adiante este semestre.

Mudança de alvo

Até aqui, a parte interessada do mercado financeiro atacava o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli para tentar catapultá-lo da relatoria do caso Master. Não conseguiu. Agora, a mira se volta ao governo do presidente Lula e a reunião de 2024, pedida pelo então consultor do Master, Guido Mantega, ex-ministro de Lula e de Dilma Rousseff.

Imagem é tudo

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por enquanto, se segura apenas no nome do pai e terá que mostrar que é mais do que isso, se quiser que sua pré-candidatura realmente vá além do recall bolsonarista. Entre os poderosos da indústria no país, muitos consideram que ele é um “bon vivant” , arrogante e que não se agarra no serviço da política.

Gestão conta

Muitos industriais continuam rezando por uma candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Acreditam que ele é mais competitivo do que Flávio e tem o que mostrar numa campanha nacional. A quinta-feira, porém, quando o governador se encontra com Jair Bolsonaro deverá marcar o fim dessas esperanças.

O que quer Bolsonaro

O líder da oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto (PL-PB), deve visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro em breve. O encontro será para que Bolsonaro defina as prioridades do bloco para 2026. O maior foco, segundo o líder contou à coluna, é montar estratégias para derrubar o PT. Entre as pautas que devem receber atenção especial estão a lei Antifacção, PEC da Segurança Pública, CPMI do INSS e a derrubada do veto da dosimetria aos condenados de 8 de janeiro de 2023.

CURTIDAS

Crédito: Reprodução redes sociais

Recuperação/ O ex-presidente José Sarney publicou em suas redes sociais uma foto com a filha Roseane Sarney Murad (foto), que enfrenta uma luta contra o câncer e deve passar por uma cirurgia em breve. Recentemente, Roseane teve alta após ficar internada devido a pneumonia.

Expectativas/ O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, do PSD, entrou numa enrascada com o eleitorado quando a prefeitura colocou uma música da cantora Britney Spears, ao falar do show de Copacabana, em maio. Agora, tem gente cobrando a presença da estrela do pop internacional da seguinte forma: “Acho que se depois dessa você não confirmar a Britney, nem precisa concorrer em outubro” , respondeu um internauta à postagem de Paes sobre não saber quem será a atração deste ano. Já outros, dizem que se ele trouxer essa celebridade do mundo da música, se tornará prefeito vitalício.

Justiça por Orelha I/ Após a repercussão do crime bárbaro contra o cachorro comunitário na Praia Brava, em Santa Catarina, brasileiros criaram um abaixo-assinado para que crimes contra animais sejam enquadrados e punidos com o mesmo rigor aplicado a outros crimes violentos. Já conta com mais de 165 mil assinaturas.

Justiça por Orelha II/ Adolescentes suspeitos de torturar o cachorro terminaram “premiados” com uma viagem aos Estados Unidos e ainda não voltaram ao Brasil para que se defendam e, se culpados, assumam suas responsabilidades. É o mínimo que pessoas de bem devem fazer. Não dá para ficar vendo o Pateta e o Mickey como se nada tivesse ocorrido.

Tarcísio com profusão de candidatos

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, Política, Segurança Pública, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 22 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Kleber Sales

O adiamento da ida do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), à Papudinha para visitar Jair Bolsonaro, está relacionada à estratégia de valorizar o apoio à candidatura do filho 01 do ex-presidente, o senador Flávio (PL-RJ), à Presidência da República. Tarcísio se elegeu governador lastreado pelo bolsonarismo e por grande parte do centro. Desde a campanha de 2022, contou com o apoio do presidente do PSD, Gilberto Kassab, ex-prefeito da capital paulista e ex-deputado federal. O PSD terá candidato ao Planalto, seja o governador do Paraná, Ratinho Júnior, seja o do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Logo, o grupo que apoia Tarcísio não estará fechado com o nome de Flávio na campanha presidencial.

Veja bem/ Embora Tarcísio tenha sido candidato em 2022 por obra e graça de Bolsonaro, o que se diz no grupo do governador é que uma coisa é a lealdade ao ex-presidente, outra é o atendimento cego às pretensões da família. Para completar, os demais governadores-candidatos se dão muito bem com Tarcísio. Logo, o momento é de esperar decantar as candidaturas, focar na preparação da disputa para a reeleição em São Paulo e ingressar na campanha presidencial apenas quando a corrida começar oficialmente. Até lá, Flávio que lute.

Tem mas acabou

Justamente no dia em que o relator do caso Master/BRB no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, liberou o acesso aos depoimentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, o sistema do STF… ficou fora do ar com a mensagem: “O STF informa que o site e os serviços externos estão em manutenção”. Só voltou a funcionar no fim do dia.

Hora de parar

Mais de 217 mil brasileiros pediram a exclusão de contas em sites de casas de apostas on-line, as bets. O Ministério da Fazenda criou um site onde o apostador pode pedir e escolher o período da autoexclusão da conta, seja por tempo indeterminado, seja por um, por três, por seis, por nove ou por 12 meses. O site foi criado no fim de 2025. Até agora, 19% dos pedidos foram para o período de um ano e 73% por tempo indeterminado.

Diagnóstico para o governo

Durante o processo de autoexclusão, o apostador pode responder o motivo pelo qual optou pela ação. De acordo com a Fazenda, 37% justificaram “perda de controle sobre o jogo e saúde mental”; 25% alegaram “prevenir que meus dados sejam utilizados pelas plataformas”.

Enquanto isso, no Rio Grande do Norte…

O PT está zonzo por lá, por causa do anúncio da desincompatibilização do vice-governador Walter Alves (MDB). Ele será candidato a deputado federal, numa chapa de oposição ao governo de Fátima Bezerra (PT). Fátima também sairá para concorrer a uma vaga ao Senado — prioridade do partido. Agora, a Assembleia Legislativa deverá eleger um governador interino, num colegiado em que a maioria é de oposição aos petistas. A legenda de Fátima tenta achar uma saída desse imbróglio.

CURTIDAS

Crédito: Rafael Ribeiro/CBF

Mais um/ O Will Bank, outro envolvido no caso Master e liquidado pelo Banco Central (BC), não era pouca coisa nas redes. Até o ano passado, suas propagandas passeavam pelo Tik-Tok, tendo como garoto propaganda o astro de futebol Vinícius Jr. (foto).

Explica isso aí/ Pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro começa o ano se explicando. Esta semana, foi às redes sociais esclarecer por que seu colega, senador Rogério Marinho (PL-RN), largou a candidatura ao governo potiguar para coordenar a campanha presidencial. Marinho era um dos líderes das pesquisas para governador no ano passado.

Luta pela legalidade/ O presidente do Instituto Combustível Legal (ICL), Emerson Kapaz, será homenageado pelo seu esforço ao atacar rotas e esquemas de contrabando e descaminho que financiam o crime organizado no setor de combustíveis. Ele será laureado pela Receita Federal junto com autoridades do Fundo Monetário Internacional (FMI), Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Ministério da Agricultura e Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. A honraria será entregue no dia 26, em evento fechado no Ministério da Defesa.

Todos os dedos apontam para ele

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Coluna Brasília-DF publicada no sábado, 10 de janeiro de 2026, por Luana Patriolino com Eduarda Esposito

Crescem os indícios de que houve cumplicidade ou conveniência dos altos escalões bolivarianos no sequestro do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua mulher, Cilia Flores, pelas tropas especiais dos Estados Unidos, na madrugada de 3 de janeiro. Nos bastidores, alguns dedos apontam para o general Padrino López, que, como ministro da Defesa, conhecia em detalhes os múltiplos esconderijos do autocrata, os horários das trocas da guarda pessoal (32 cubanos foram mortos no ataque) e outros pormenores fundamentais para o êxito da operação clandestina. Por outro lado, há quem acredite que nada poderia ter evitado a prisão do ditador.

Crédito: Caio Gomez

Irmãos turbinados/ Ganharam gás político os irmãos Delcy e Joel Rodriguez — figuras centrais do chavismo —, que ocupam, há anos, um papel de destaque no comando político da Venezuela. Ele foi reconduzido com à chefia da Assembleia Nacional venezuelana após a prisão de Maduro e ela foi conduzida rapidamente à presidência do país. Em outubro, o jornal norte-americano Miami Herald publicou que os chefes venezuelanos ofereceram aos EUA um caminho para se manterem no poder sem Maduro. Até agora, somente Diosdado Cabello, ministro do Interior e comandante das milícias populares, foi poupado da fofoca maldosa de bastidores.

Faltam nomes

Depois da saída do ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça, a expectativa é de que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, seja o próximo a deixar o governo federal. No entanto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não tem nenhum nome definido para substituí-lo na pasta. Antes, o mais cotado era o do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que foi secretário-executivo da pasta de janeiro a junho de 2023. Mas, agora, com um mandato a cumprir e os desdobramentos do Banco Master, as opções escassearam.

E por falar no Master…

O Congresso reuniu a quantidade de assinaturas necessárias para a abertura da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o banco. No entanto, parlamentares ouvidos pela coluna acreditam que o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (UniãoAP), pode enrolar para fazer a leitura do requerimento — atrasando o início dos trabalhos do colegiado. O temor é de que nomes fortes do Centrão estejam envolvidos no escândalo.

Jogador polivalente

Lula também deve escolher um nome para chefiar a Advocacia-Geral da União (AGU), caso Jorge Messias seja aprovado na sabatina do Senado para a 11ª cadeira  do STF. Nos bastidores, o mais citado é o do atual ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinicius Marques de Carvalho — ventilado também para o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Necessidade de diálogo

O presidente da Associação Mineira e Municípios e prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão (sem partido), foi convidado a participar da mesa de conciliação do Tribunal de Contas do estado sobre o futuro dos contratos da Copasa (Companhia de Saneamento de MG) — cujo processo de privatização foi aprovado no mês passado. A empresa tem acordos com 585 dos 853 municípios mineiros. “Não podemos aceitar que os municípios não sejam ouvidos. Meu papel é institucional e de garantir que sejamos o vidos, porque quem contrata água e esgoto é o prefeito”, disse Falcão.

Curtida não significa voto

Responsável pelas duas campanhas de Romeu Zema (Novo) ao governo de Minas Gerais, o marqueteiro Leandro Groppo faz um alerta para pré-candidatos nas eleições de 2026: “Quem coloca as métricas acima das ideias, e subordina a política ao cálculo algorítmico, pode ser surpreendido. O número de curtidas não significa votos. Há uma enorme distância entre gostar de um vídeo e apertar o botão na urna”, adverte.

Leitura de cabeceira

A Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep) prepara, para este ano, um projeto editorial de alcance nacional, com o lançamento simultâneo de livros sobre direito eleitoral nos estados. A iniciativa visa ampliar a circulação das produções da academia e reforçar o debate jurídico e político.

Drinque seguro

A plataforma Bebida Legal (www.bebidalegal.com.br) publicou uma lista nacional de revendedores homologados pelas principais empresas e marcas de bebidas destiladas do país. Brasília, por exemplo, aparece com 35 indicações tanto de redes varejistas que vendem ao consumidor final, quanto de distribuidores que abastecem bares, restaurantes e eventos, facilitando a compra segura em diferentes canais. No país, são 1.228 revendedores homologados. O projeto facilita a identificação de fornecedores recomendados, reforçando a compra segura, a procedência dos produtos e o combate ao mercado ilegal.

Resta somente convencer o chefe

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Lula, Política, Segurança Pública, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 9 de janeiro de 2026, por Luana Patriolino com Eduarda Esposito 

Crédito: Kleber Sales

Com a saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça e Segurança Pública, cresce a pressão para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva repita o feito da gestão de Michel Temer e separe a pasta em duas. O tema da segurança é a principal preocupação do Planalto para as eleições deste ano — e o petista quer mostrar resultados concretos durante os debates. Ele, no entanto, avisou ao seu time que só irá decidir sobre o assunto após as aprovações da PEC da Segurança Pública e do projeto Antifacção no Congresso Nacional. A divisão do ministério também traz outros desafios burocráticos, pois teria que ocorrer por meio de uma medida provisória. Lula ainda não está totalmente convencido sobre a eficácia da mudança.

Estamos aí para dar uma força I

Na expectativa de concorrer a deputado federal pelo PT do Distrito Federal, o secretário Nacional de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Marivaldo Pereira, disse que também está à disposição para contribuir no que for necessário no Executivo. “Se for avaliado que o meu nome, é importante para o debate eleitoral, para fazer um contraponto à extrema-direita sobre segurança, estou inteiramente à disposição. Mas se definirem que é importante que eu faça isso dentro do próprio governo, eu também estarei aqui” , disse Marivaldo à coluna.

Estamos aí para dar uma força II

Caso seja confirmado na disputa eleitoral, o secretário deve deixar a pasta em abril. No Congresso, ele afirmou que irá lutar pelas pautas relacionadas à segurança pública e à soberania digital na Câmara. Marivaldo foi candidato a senador pelo PSol-DF em 2018.

Há três anos…

… Os golpistas que invadiram e depredaram os prédios dos Três Poderes cadastravam nome e CPF para acessar wi-fi da Câmara dos Deputados — produzindo provas contra eles mesmos e facilitando o trabalho da Polícia Federal na identificação dos criminosos. O Ministério Público Federal (MPF) já denunciou 1.901 pessoas por envolvimento nos atos de 8 de janeiro de 2023, o mais violento ataque à democracia desde o golpe militar.

Otimismo vem do Senado

O ano legislativo vai começar fervendo. A base governista se prepara para reverter sete votos entre os senadores para a derrubada integral do projeto da dosimetria. Nos bastidores, parlamentares apoiadores de Lula afirmam que perderam as esperanças de mudar o entendimento dos deputados que votaram a favor da redução das penas dos condenados do 8 de Janeiro. Por outro lado, entre os senadores, o cenário é mais otimista.

Deficit de peritos

A defasagem no quadro de peritos criminais federais, somada à previsão de novas aposentadorias, fez o tema ganhar prioridade no fechamento de 2025. A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), entidade que faz o alerta, afirma ter intensificado a articulação com o Congresso e o Poder Executivo, sobretudo com a direção-geral da Polícia Federal (PF), para viabilizar códigos de vaga e permitir o aproveitamento integral dos aprovados no concurso em andamento. A medida é considerada essencial para sustentar a capacidade de resposta da criminalística federal.

Crédito: Ed Alves/CB/D.A Press

Ação preventiva

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin (foto), instituiu um grupo de trabalho para propor soluções a fim de evitar que ex-presidiários acabem em situação de rua depois de deixarem o sistema prisional. Os conselheiros deverão identificar riscos que levem os apenados à vulnerabilidade, além de elaborar programas para a reintegração social desse público. “Nós entendemos que, uma vez em situação de rua, ex-presidiários podem voltar à criminalidade — o que prejudica a sociedade como um todo” , disse o conselheiro do CNJ Ulisses Rabaneda, coordenador do grupo.

Ônibus elétricos em alta

A gigante BYD encerrou 2025 com um desempenho histórico no segmento de ônibus no Brasil. Ao longo do ano passado, a companhia entregou 188 veículos, um crescimento expressivo em comparação aos 69 coletivos em 2024, mudando a perspectiva sobre a mobilidade sustentável no país. “Esse crescimento expressivo comprova que a mobilidade elétrica já é uma realidade consolidada no transporte público brasileiro” , diz o diretor de veículos comerciais e solar da BYD Brasil, Marcello Schneider.

Um Bolsonaro para negociar

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, MDB, Política, PSD, Rio de Janeiro, Segurança Pública, Senado

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 9 de dezembro de 2025, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito 

Crédito: Caio Gomez

Ao dizer que pode deixar de ser candidato a presidente da República se o centro atender suas condições — anistia e o pai candidato —, o senador Flávio Bolsonaro não empolgou a política, apenas o mercado, que fez a leitura de que ele não disputará o Planalto. Para completar, o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, deixa cristalino à coluna que “ainda há muitas águas para rolar”, quando perguntado se apoiará um Bolsonaro. Quanto ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, Marcos Pereira alega que é muito cedo. Para bons entendedores, está claro que o Republicanos vai esperar decantar esse movimento de Flávio Bolsonaro para, mais à frente, tomar uma decisão. Os demais partidos de centro também seguem nessa toada, conforme o leitor da coluna já sabe.

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Veja bem/ Em política, há uma máxima que ninguém é candidato de si mesmo. Ou seja, há que ter apoios e votos. Até aqui, as pesquisas e os políticos de um modo geral não indicaram uma grande empolgação com o nome de Flávio. Se continuar como um candidato meramente familiar, para atender aos interesses do clã Bolsonaro, será engolido pelas águas de março, quando a classe política fechará suas apostas.

Uma promessa para 2026

Tal e qual a isenção de Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil, o presidente Lula planeja colocar a tarifa zero no transporte público como parte do projeto de governo a ser apresentado numa campanha reeleitoral. Falta fechar a conta. O consenso no governo é que, do jeito que está, a população de baixa renda não consegue pagar (leia mais no blog da Denise, no site do Correio Braziliense).

E Geraldo, hein?

O MDB praticamente desistiu de se apresentar com um candidato a vice para a reeleição de Lula. Logo, o vice-presidente Geraldo Alckmin tende a ficar onde está na chapa de 2026. Só será deslocado se Tarcísio de Freitas desistir de concorrer ao governo de São Paulo. Ou seja, até que o governador decida seu futuro político, ninguém se move.

Pressão

Pelo menos 10 organizações da sociedade civil ligadas ao setor de combustíveis pressionam a aprovação do projeto do devedor contumaz, que cria o Código de Defesa do Contribuinte, do jeito que veio do Senado. Para o setor, o texto relatado pelo Senador Efraim Filho (União-PB) é “o caminho mais rápido, seguro e eficaz para promover segurança jurídica em todo o país”.

Segurança em debate

O tema está em alta esta semana, com o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, no Senado, na CPI do Crime Organizado, e o relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, Mendonça Filho, reunido com os líderes para tratar do texto do governo. O problema é que faltam só duas semanas para o recesso, e os deputados só querem saber de uma pausa antes do ano eleitoral.

De saída

Única petista a votar favoravelmente à soltura de Rodrigo Bacellar na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, a deputada Carla Machado, vai deixar o PT e deve seguir para o União Brasil.

CURTIDAS

Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Política está no sangue I/ Oriundo da iniciativa privada, o ministro das Cidades, Jader Filho (foto), deixa o cargo em abril para ser candidato a deputado federal. O governador do Pará, Helder Barbalho, concorrerá ao Senado. O pai deles, o senador Jader Barbalho, vai se aposentar.

Política está no sangue II/ O secretário Nacional de Saneamento do Ministério das Cidades, Leonardo Picciani (MDB), é outro que vai deixar o cargo para concorrer a um mandato de deputado federal, no Rio de Janeiro. É filho do político Jorge Picciani, falecido em 2021.

“Foi livramento” / Na live que realizou logo após sua expulsão por unanimidade do União Brasil, o ministro do Turismo, Celso Sabino, foi consolado pelos apoiadores. Um achegou a dizer que Sabino deveria estar feliz por sair do partido, que está “bagunçado”.

Racha no DF/ O senador Izalci Lucas (PL-DF) anuncia que apoiará o ex-governador José Roberto Arruda, que se filiará ao PSD para concorrer ao Palácio do Buriti. O mesmo caminho deve seguir o deputado Alberto Fraga (PL-DF). No restante do PL, a tendência, hoje, é de apoio à candidatura da vice-governadora, Celina Leão (PP).

Sem parar/ O presidente Lula está com uma agenda turbinada nesse fim de ano para entregas de casas populares e outras obras do governo. Até outubro de 2026, Lula não pretende parar em Brasília. A estratégia é manter a visibilidade do presidente e de seus ministros.

Dossiê afirma que Big Techs e crime organizado lucram com golpes na internet

Publicado em Economia, Política, Segurança Pública

Por Eduarda Esposito — O Projeto Brief e a Sleeping Giants lançaram a segunda edição do “Dossiê das Big Techs“. O documento mostra como as plataformas viraram peças centrais das fraudes digitais e, até mesmo, do crime organizado no Brasil. Sobre o lucro com os golpes nas redes sociais, o dossiê explica que o ponto central não é quanto lucram, mas a forma.

crédito: Panos Sakalakis/Unsplash

“Primeiro elas exibem e monetizam anúncios e conteúdos criminosos (impressões, engajamentos, cliques, conversões), e depois — quando o dano já se espalhou — removem uma parte, apresentando os números de bloqueio como prova de eficiência”, afirma o levantamento. Para as organizações, esse modo de ação é perverso. “Quando uma campanha fraudulenta encontra seu público, gera cliques e converte receita, o sistema publicitário fatura e a intervenção vem a reboque, em ritmo e escala insuficientes para evitar que os prejuízos caiam no colo das vítimas e do Estado”, explicam.

Outro grande problema é a falta de regulamentação das plataformas. O dossiê usa como exemplo os bancos, que são altamente regulados e têm deveres claros. Diferente das redes sociais. “Essas plataformas ainda praticam uma autorregulação opaca, priorizando a continuidade da receita publicitária sobre a integridade do ecossistema. Se o anúncio passa pela moderação automática e começa a rodar, a plataforma cobra, ganha, e só depois do dano é que se discute se o conteúdo se trata de golpe ou não”, ressalta o documento.

Outro ponto que o levantamento destacou foi sobre dados da Meta — empresa do Facebook, Instagram e WhatsApp. “Documentos internos da Meta já apontaram que até 70% dos novos anunciantes promoviam golpes, produtos ilegais ou de baixíssima qualidade — um número alarmante, e um sinal de que esse tipo de anúncio é parte relevante do volume de receita da plataforma”, informaram.

Sobre outra grande plataforma, o Google, o dossiê usou notificações da Advocacia Geral da União (AGU) sobre pagamentos indevidos na inscrição do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU) neste ano. “No Google, há casos de anúncios pagos que aparecem no topo dos resultados de busca, levando a páginas clonadas que capturam senhas, fatores de autenticação dupla e credenciais. A empresa recebe por impressões e cliques até que a fraude seja derrubada. Em julho de 2025, a AGU teve de notificar o Google para retirar, em até 24 horas, anúncios pagos que imitavam o site oficial do CNU 2025, usados para cobrança de taxas falsas —ou seja, as peças seguiam rodando quando o órgão interveio”, relembrou.

Crime organizado também lucra

Outro ponto destacado no documento foi como o crime organizado tem lucrado com fraudes digitais. De acordo com o dossiê, facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) têm usado o crime virtual como capital de giro. “Os estelionatos eletrônicos cresceram 17% em 2024. No Estado de São Paulo, que concentra grande parte das estatísticas nacionais, entre 2019 e 2022, os crimes digitais aumentaram 661%, enquanto os estelionatos eletrônicos cresceram 1.162%. Em janeiro de 2019, havia 377 casos registrados; em dezembro de 2022, foram 11.311 em um único mês, um salto de quase 2.900%. O fato é que o estelionato eletrônico consolidou-se como parte da estratégia central das facções. PCC e CV, no ambiente digital, têm colaborado em operações conjuntas que chegaram a movimentar R$ 6 bilhões em fraudes num único ano”, denuncia o levantamento.

Crédito: Lorrana Penna

Daniela da Silva Scapin, uma das organizadoras do dossiê e ex-funcionária da Meta, afirma que a situação é urgente e o Brasil precisa se debruçar sobre as fraudes digitais. “Reunimos pesquisas acadêmicas, dados públicos e informações já divulgadas por veículos de alta confiabilidade para demonstrar, de forma integrada, como conteúdos patrocinados, anúncios e mecanismos de busca têm viabilizado crimes digitais em larga escala. O dossiê evidencia que se trata de um problema estrutural, diretamente ligado ao modelo de operação das grandes plataformas, e não de casos isolados”, disse ao blog.

Scapin deseja que o documento alerte gestores públicos para o tema e que ações possam ser realizadas. “Nossa expectativa é que gestores públicos e tomadores de decisão utilizem estas informações para avançar em medidas de responsabilização e transparência no ecossistema digital, fortalecendo a prevenção e a proteção dos usuários. Também buscamos ampliar a conscientização da sociedade, mostrando que este é um fenômeno sistêmico, muito além dos episódios individuais que chegam ao nosso convívio”, destacou.