Brasil vulnerável com terras raras

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, CPMI do INSS, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Política, PT, Senado, STF

Brasil vulnerável

com terras raras

 

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 26 de março de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito 

Crédito: Caio Gomez

A Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado Federal promoveu audiência pública para debater o projeto de lei 2197/2025, que regulamenta a exportação das terras raras — elementos químicos altamente valorizados na indústria de alta tecnologia. A principal motivação do debate é construir uma legislação que permita ao Brasil ir além de mero exportador de commodity e se tornar capaz de agregar valor aos minerais encontrados em solo nacional. Do contrário, pode ficar relegado a um papel secundário na economia mundial.

Os especialistas convidados ressaltaram os diversos desafios. O professor Nélio Fernando dos Reis, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, descreveu a posição vulnerável do Brasil no contexto das terras raras. “O desafio não é geológico; é industrial. O Brasil tem reservas, mas não domina a cadeia. Exporta concentrado e importa tecnologia”, comentou.

À frente da audiência pública, o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) comentou: “Seremos meros exportadores de matéria-prima, reproduzindo um modelo primário-exportador, ou protagonistas de uma nova etapa de desenvolvimento, agregando valor, tecnologia e inovação aos nossos recursos naturais?”.

Cadeia qualificada

Mourão defende um modelo que garanta uma cadeia produtiva qualificada, além de oferecer segurança jurídica para investimentos. “Nosso compromisso deve ser com um marco regulatório que concilie desenvolvimento econômico, soberania nacional, sustentabilidade ambiental e justiça social”, disse o senador.

“A casa caiu”

Aliados do Planalto comemoraram a decisão de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, de trocar de advogados e encaminhar uma delação premiada. Parlamentares como Paulo Pimenta, Rogério Correia e outros lembram, em vídeo, que Zettel doou milhões de reais para as campanhas eleitorais de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas.

Pecado

Afirmam, ainda, que Zettel pode trazer revelações sobre a relação entre a Igreja Batista da Lagoinha, da qual era pastor, e o presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana. Rogério Correia acusa Viana de blindar a denominação evangélica nos trabalhos da CPMI.

Acorda, PT

Conhecido pela verve, o deputado federal André Janones (PT-MG) começou por conta própria a desferir ataques agressivos ao bolsonarismo. E não alivia nem mesmo para a esquerda. “Quem quiser continuar de braço cruzado, achando que a eleição está ganha, que continue. Eu não vou fazer isso”, diz. “O presidente Lula é favorito. Mas sabe qual é o único jeito de perder uma eleição ganha? Se a gente acreditar que ela está ganha”, avisa.

Antidiscriminação

A educação é fundamental para que a sociedade brasileira adote um letramento antidiscriminatório — conjunto de medidas voltadas para combater o preconceito estrutural. Esse foi o consenso entre os participantes de audiência pública promovida pelo Observatório Pró-Equidade da Justiça Militar da União (JMU).

É na base

“Não basta apenas reconhecer a diversidade; é preciso educar, desde a base”, defendeu a presidente do Superior Tribunal Militar (STM), ministra Maria Elizabeth Rocha, na abertura do evento. Ela ressaltou a importância na formação para educadores, nos moldes já existentes em legislações como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação e a Lei Maria da Penha.

Mais mulheres

Em relação direta com iniciativas antidiscriminatórias, o evento também marcou o lançamento da plataforma “Mais Mulheres na Política”, com apoio do STM. A ferramenta busca coletar assinaturas digitais para um Projeto de Lei de Iniciativa Popular que estabelece uma reserva de 50% das cadeiras nas casas legislativas para mulheres, com previsão de cotas para mulheres negras.

Decepção

Parlamentares lamentaram o cancelamento da reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que seria realizada hoje. Os membros discutiriam um aumento da mistura do biodiesel de 15% para 16% ou 17% como forma de amenizar os impactos da alta e oscilação do preço do petróleo. Há um consenso de que hoje o etanol poderia absorver a demanda. Além disso, o aumento da mistura seguraria os preços, pois as distribuidoras operam apenas com 70% da capacidade para o biodiesel.

Deixa para depois

O governo ainda não concluiu os estudos técnicos para a implementação da Tarifa Zero. A ideia agora é usar o projeto no plano para o próximo mandato e virar promessa de campanha. O problema maior identificado pelo Planalto é a dificuldade de fiscalizar as empresas nos municípios.

Insistência

Contudo, a bancada do PT ainda não desistiu de aprovar a proposta este ano. O deputado Jilmar Tatto (PT-SP) pretende apresentar uma emenda do Tarifa Zero ao projeto do marco regulatório do transporte público. O texto não está pronto, Tatto pretende trabalhar nele na semana que vem.

Asfixia financeira no crime organizado

Publicado em Banco Master, coluna Brasília-DF, Economia, Educação, Eleições, Eleições 2026, Orçamento, PL, Política, PSD, STF

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 25 de março de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

Em um dia marcado, em Brasília, por iniciativas para combater o crime organizado, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, defendeu a necessidade de se desenvolver uma “inteligência financeira” no enfrentamento às quadrilhas. Fachin advogou a ideia durante o Encontro Nacional sobre os Desafios do Poder Judiciário ante o Crime Organizado, no Conselho Nacional de Justiça.

Na avaliação do presidente do STF, é preciso haver uma estreita colaboração entre as diversas instituições de controle para combater crimes como lavagem de dinheiro. “A criminalidade organizada é, em suma e essência, uma criminalidade econômica. Portanto, asfixiar financeiramente as organizações criminosas é tão ou mais eficaz que a resposta punitiva”, disse.

A aspiração de Fachin está em linha com a operação Carbono Oculto, a maior ofensiva já realizada no país contra o crime organizado. Em agosto de 2025, a força-tarefa identificou a extensão dos negócios ilícitos do Primeiro Comando da Capital (PCC), com ramificações na cadeia de combustíveis e no mercado financeiro, em particular na Faria Lima.

Crédito: Maurenilson Freire

Combinados

O discurso de Fachin ocorre um dia depois de o magistrado se encontrar com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Esforço hermenêutico

Ainda ontem, Fachin comentou o desafio da magistratura para aplicar a nova legislação penal contra o crime organizado, em particular o PL Antifacção, sancionado pelo presidente Lula. Na avaliação do presidente do Supremo, é preciso um “esforço hermenêutico rigoroso” por parte dos magistrados.

Painel do crime

O Conselho Nacional de Justiça lançou, ontem, o Painel Nacional do Crime Organizado, plataforma com informações processuais sobre organizações criminosas e milícias. Com dados que compreendem o período 2020 a 2025, o painel registrou uma alta de 160% de novos processos, passando de 2.607 para 6.761. No mesmo intervalo, os processos pendentes aumentaram 158%, de 6.141 para 15.829 ações penais.

Avanço no ensino

O Brasil superou a meta de alfabetização infantil em 2025, segundo dados divulgados pelo Ministério da Educação. No ano passado, 66% das crianças estavam alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental. Esse número supera em dois pontos percentuais a meta prevista, de 64%. Mais importante, representa um salto de sete pontos percentuais em relação a 2024.

Rumo a 2030

Vinte unidades da Federação atingiram a meta de 2025. E o país conta agora com três estados com alfabetização infantil de referência: Goiás e Paraná se juntam ao Ceará, com pelo menos 80% das crianças capazes de ler e escrever. Esse percentual é a meta prevista para 2030.

Selo para Tocantins

Um dos destaques nesse cenário ocorreu no Tocantins. O estado é o único da Região Norte a conquistar o selo ouro do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, concedido pelo MEC. Em quatro anos, o percentual de alfabetização infantil saltou de 14% para 61%.

Futuro do país

O ministro da Educação, Camilo Santana, comemorou os resultados sobre educação básica, destacando o engajamento de governadores e prefeitos com o Compromisso Nacional da Criança Alfabetizada. “Independente de questões partidárias e políticas, o que está em jogo são as crianças e o futuro desse país através da educação”.

Ainda falta

Na avaliação do Todos pela Educação, a fotografia do ensino fundamental é positiva. Mas ainda há desafios: 34% das crianças no Brasil estão defasadas na relação idade-alfabetização. Entre os fatores que contribuíram para o avanço, a ONG ressalta o esforço de estados e municípios e a retomada do ensino presencial, após a pandemia de covid-19.

Acordo de cavalheiros

O deputado Domingos Neto (PSD-CE) deve se consolidar como presidente da Comissão Mista de Orçamento (CMO). Indicado pela bancada e apoiado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), Neto é consenso entre os líderes. Como o PSD de Gilberto Kassab cumpriu todos os acordos feitos na formação do bloco, a bancada não acredita que os partidos faltarão com o partido agora.

Águas passadas

Enquanto o senador Flávio Bolsonaro diz estar “feliz e confortável” com Sergio Moro no PL, o antigo desafeto do clã bolsonarista está pronto para ajudar o 01 na corrida ao Planalto: “Vamos mudar esse país. Flávio Bolsonaro, nosso pré-candidato. A mudança no Brasil começa pelo Paraná”.

Militares olham as Casas em que sobram denúncias…

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Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 20 de março de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

… E onde todos brigam e têm alguma razão. Antes da Páscoa, os principais atores políticos tentarão chegar a um acordo de cavalheiros no sentido de preservar todos em meio às crises do Master, que atinge os Três Poderes em vários governos; a das emendas, focadas nos parlamentares; e a do INSS, que atinge a família do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aliados de Jair Bolsonaro. Em meio a isso tudo, muitos militares começam a considerar injusto que os seus estejam presos e com o risco de perder patentes, enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) blinda os ministros, deixando-os longe da luz do Sol.

Que fique claro/ Ninguém em posto de comando nas Forças Armadas pensa em aviltar a democracia, mas o recado é cristalino como as águas do Caribe brasileiro: se alguém tem que pagar por malfeitos, que assuma seus erros e pague. Lula, até aqui, foi o único que parece ter entendido isso mais claramente, ao declarar que se o filho Lulinha errou, que pague. Os demais ainda estão às voltas com as chincanas e à espera da delação de Daniel Vorcaro, que promete entregar muita coisa.

Insatisfação

No Senado não falta excelência frustrada com as ações recentes do STF. E essa decepção nem se refere a emendas. É que muitos processos envolvem projetos já aprovados na Casa e que estão parados na Câmara dos Deputados ou foram considerados inconstitucionais pela Corte. Um exemplo é o fim a recente decisão sobre o fim da aposentadoria compulsória para juízes. Já estava no do Código de Processo Civil, aprovado em 2015, texto que foi considerado inconstitucional pelo Supremo. Há quem diga que pautas como essas, positivas, voltam agora para tentar limpar a imagem do STF, arranhada com suspeitas de envolvimento de dois ministros no caso do Banco Master — Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

Falando nisso…

Nos bastidores jurídicos, há quem diga que Moraes tem embasamento para se defender, já que foi sua mulher quem teve negócios com Vorcaro e não ele. No caso de Toffoli, seria mais complicado, porque houve sociedade da empresa da qual ele fazia parte em fundos ligados ao complexo Master. Muitos apostam que Toffoli preferiria renunciar do que enfrentar um processo de impeachment. Porém, no contexto em que os negócios foram feitos, não se sabia nem se via o grupo de Vorcaro como uma quadrilha.

Sai ou não sai

Parlamentares dos partidos União Brasil e Progressistas aguardam a homologação da federação por parte do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Uma possível data de aprovação seria no próximo dia 26. Muitos deputados e senadores estão infelizes com esse casamento. E se houver delação de Vorcaro envolvendo a cúpula dos partidos, a porta da rua tende a ser a serventia da casa.

O tempo é o senhor da razão

No caso de Marcelo Odebrecht, lá na Operação Lava-Jato, foram muito mais do que os 15 dias que faltam para a janela de troca de partido se fechar

CURTIDAS

Crédito: Ed Alves CB/DA Press

Gosto amargo/ A oposição, apesar de saber que a redução da Selic não foi tão expressiva, assume que a queda de 0,25 ponto percentual dos juros abre um discurso para o governo. “Desde que o Lula entrou, (o juro) só aumentou, mas eles (governo) são bons de marketing e vão usar isso”, afirmou Joaquim Passarinho (PL-PA). O deputado não acha que a redução será favorável ao governo, mas dá um certo alento para o setor produtivo, que mostrou resiliência ao sobreviver por quase um ano com a Selic em 15%.

Decida e me avise/ O senador Izalci Lucas (DF foto) deu um prazo para o PL apoiar sua candidatura ao GDF: 28 de março. Caso o partido de Valdemar Costa Neto não dê certeza de que ele será candidato ao governo, o senador tem outras duas legendas que pode seguir — PSD e Novo. No partido de Gilberto Kassab, ele competiria com José Roberto Arruda, que já lançou pré-candidatura ao GDF, inclusive, com a presença do senador. No partido de Eduardo Ribeiro, Izalci teria candidatura própria e sem coligação com o PSD, tendo ainda o desembargador aposentado Sebastião Coelho para o Senado.

Em tempo/ No PL, as duas pré-candidatas ao Senado — Michelle Bolsonaro e Bia Kicis — mantêm o apoio à pré-candidatura de Celina Leão (PP) ao GDF.

Pausa necessária/ Para quem passou janeiro e o animado réveillon de depoimentos do caso Master trabalhando, chegou a hora de tirar aqueles dias para recarregar as baterias enquanto Daniel Vorcaro acerta a sua delação. Depois da Páscoa, de tédio ninguém padecerá. Até lá, a coluna fica cargo do bravo time de politica do Correio Braziliense.

PL trabalha para “amarrar” partidos

Publicado em 6x1, Banco Central, Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, PL, Política, Senado, STF, TCU

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 19 de março de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

O PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro, adotou uma nova estratégia para a campanha de deputados estaduais e federais. Na intenção de obter apoio formal de partidos nos estados para os seus candidatos majoritários, em especial, para a Presidência da República, a legenda está cedendo para outras agremiações alguns nomes que são bons de voto — mas não seus puxadores principais. É que, com a restrição ao número de candidatos que um partido pode lançar (a quantidade de vagas, mais um), há muitas siglas com “engarrafamento” em alguns estados.

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O PL não adota essa atitude por bondade. O objetivo é garantir que os filiados façam campanha para Flávio Bolsonaro. E, ainda que os partidos não fechem o apoio formal ao senador, a turma simpática ao PL nos estados ajudará na base. No Rio Grande do Sul, a ideia é fazer essa parceria com o Podemos, e, em Santa Catarina, com Novo e Republicanos.

Baixou o desespero

Com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro caminhando a passos largos para uma delação, o mundo político entrou em polvorosa. É que essa turma é a mais visada em qualquer cenário. E, para completar, ainda veio a prorrogação por 60 dias do inquérito em curso na Polícia Federal. Logo, quando terminar toda a apuração, a janela partidária estará fechada.

Uma digital de Flávio

Excelências da base governista consideram que a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do fim da escala 6×1 será definida pela posição do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato ao Planalto. A avaliação é de que, se Flávio for favorável, vota-se mais rápido. Se ele for contra, partidos de oposição e de centro seguram a PEC até quando der.

Expectativas

O Tribunal de Contas da União (TCU) enviou os documentos referentes ao BRB e ao Banco Master para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Agora, os membros precisarão analisar os arquivos para saber o que é ou não sigiloso. Das sete pastas compactadas, quatro delas não têm documentos sigilosos, incluindo o relatório preliminar relativo ao BRB, do Banco Central. Agora, a CAE espera entender como tudo se desenrolou, identificar os gargalos e os nomes ligados à fraude.

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Crédito: Lissane Holanda

Faca de dois gumes/ Com a redução da taxa Selic em 0,25%, parlamentares tiveram olhares diversos sobre essa decisão. Alguns acharam “descalibrada”, principalmente por causa do contexto atual, de alta de preço dos combustíveis e da guerra no Golfo.

Faca de dois gumes II/ Porém, manter os juros no patamar de 15% seria incentivar ainda mais as recuperações judiciais e a baixa atividade econômica, o que traz efeitos mais “desastrosos”. A avaliação é de que essa redução na Selic será positiva, uma vez que a equipe econômica deverá usar os juros mais baixos para validar as medidas adotadas nos últimos meses.

Quem já foi rei…/ A festa de 80 anos do ex-deputado e ex-ministro José Dirceu foi uma demonstração de que ele continua dando as cartas no PT. Fila para entrar e um discurso forte em defesa da soberania nacional, dando o tom do que virá na campanha de Lula pela reeleição.

Passa lá em casa/ Embora esteja disposta a colaborar com as investigações do caso Master, a ex-noiva do ex-banqueiro Daniel Vorcaro não planeja prestar depoimento presencial a comissões parlamentares de inquérito. A contar pela entrevista do advogado Lucio de Constantino, que atende Martha Graeff, à CNN, sua cliente foi vítima de uma exposição “agressiva, imprudente” e foi “maculada pelo Estado brasileiro”.

A aula de Cármen/ A ministra Cármen Lúcia (foto), do Supremo Tribunal Federal, foi para lá de direta em palestra no evento da Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (ANABB) sobre os direitos das mulheres. Eis algumas de suas frases: “Quando uma de nós é violentada, todas somos também. É preciso que essa sensibilidade nos atinja. Se não for por solidariedade, por egoísmo. Isso pode acontecer na sua casa, com a sua filha”; “uma sociedade na qual mulheres são assassinadas todos os dias só por serem mulheres é o testemunho de que estamos longe de termos igualdade”; “não há democracia plena, efetiva, eficaz, forte quando mais da metade da população não pode ter acesso a iguais oportunidades para chegar a cargos particulares, públicos ou de direção”; “nós precisamos reinventar essa sociedade preconceituosa e sexista. E isso não se faz por decreto, isso é uma construção permanente”

Deputado Felipe Becari se filia ao Podemos nesta quarta-feira

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Crédito: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Eduarda Esposito — O deputado Felipe Becari deixa o União Brasil nesta janela partidária e será recebido no Podemos de Renata Abreu (SP). A legenda vem buscando reforçar a bancada federal e aproveita o momento em que deputados podem trocar de partidos para trazer nomes com potencial. Becari é um dos deputados que atua na defesa da causa animal na Câmara e tem se destacado também por pautas ligadas à segurança pública. Outro ponto que chamou atenção do Podemos foi sua forte presença nas redes sociais, o que ajuda a fortalecer a legenda.

“Felipe Becari representa uma política moderna, conectada com as pessoas e comprometida com causas relevantes. Sua atuação na defesa dos animais e na proteção da vida está em total sintonia com os valores do Podemos. Ele chega para somar à nossa família e fortalecer ainda mais o partido”, afirma a presidente do partido, Renata Abreu.

Gratidão, reconhecimento e lealdade

O deputado Felipe Becari (União-SP) contou ao Blog que a decisão de migrar para o Podemos é mais uma decisão pessoal do que política. A presidente Renata Abreu e seu marido, Gabriel Abreu, vereador de São Paulo, são padrinhos de casamento de Becari e foram um suporte emocional muito forte quando o deputado passou por um momento pessoal delicado em 2023.

“A escolha tem cunho pouco político por causa da minha amizade com Renata, Gabriel e gestores do Podemos. Por conta da proximidade e carinho, me comprometi a estudar o convite e tomar uma decisão”, disse.

Becari foi Secretário Municipal de Esportes e Lazer de São Paulo na primeira gestão de Ricardo Nunes (MDB), uma vaga que era do Podemos, e deixou o cargo em dezembro de 2024 após um ano.

Sua filiação ao União Brasil foi devido ao seu padrinho político, Milton Leite, vereador de São Paulo. Becari diz que sua passagem pela legenda de Antônio Rueda teve pouco envolvimento partidário e que seu mandato foi mais independente.

Agora, o parlamentar pretende se envolver mais no Podemos e teve a promessa de que as pautas ambientais e de segurança dos animais, matérias prioritárias de Becari, serão apoiadas pela legenda.

O evento de filiação ocorre hoje (18) às 17h na liderança do podemos na Câmara dos Deputados, no edifício principal, ala E, sala 7.

Deixa quieto

Publicado em 6x1, Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, PL, Política, PSD, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 18 de março de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Com o escândalo de desvio de emendas passando da fase de investigação para a de condenação de deputados, a Comissão Mista de Orçamento sequer foi montada. Muitos deputados têm dito que não dá para montar a CMO e, daqui a pouco, os integrantes da comissão serem obrigados a deixar o colegiado, por causa de um veredicto que leve a excelência para a prisão.

Crédito: Caio Gomez

A condenação por corrução passiva dos deputados Josimar Maranhãozinho (PL-MA), João Bosco da Costa (PL-SE) e Gildenemyr Sousa (PL-MA), conhecido como Pastor Gil, foi considerada um problema para tratar de emendas este ano. Ainda mais com o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarando com todas as letras que outros virão para fazer companhia ao trio condenado ontem. Não dá para colocar um “atacadista de emendas”, conforme definiu Dino, cuidando da CMO. Principalmente, em ano eleitoral.

Vai pesar no bolso

As tarifas das contas de luz serão revistas em abril. Parlamentares estimam que o aumento deve ser de 8% a 12%. Juntando com o aumento do diesel pela Petrobrás, de 11,6%, a oposição está rindo à toa pela fritura que o governo Lula deve passar nas próximas semanas.

Vão engolir os antigos

O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, está dividido em grupinhos. A ala mais moderada, que já estava ali antes de Bolsonaro chegar, está em desvantagem contra os “bolsonaristas raiz”, mais fortes nas redes sociais. Isso lhes dá uma vantagem na hora de conseguir votos e, principalmente, serem escolhidos como os nomes das chapas majoritárias.

Rachadura profunda

Resta aos mais antigos ter jogo de cintura e angariar apoio de outras formas, caso contrário, serão defenestrados logo ali. Há muito incômodo com o fato de o grupo bolsonarista estar ditando os rumos das alianças estaduais, abençoados pelo ex-presidente e pelo senador Flávio Bolsonaro (RJ).

Hora de dividir a conta

Parlamentares têm reclamado, tanto nos bastidores quanto em eventos abertos, sobre a falta de apoio de entidades e federações na hora de defenderem pautas controversas no Congresso. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi mais um que voltou a pedir mais presença das entidades e lembrou-se da ausência delas durante o debate do IOF. “Os setores prejudicados deveriam ter se mobilizado melhor”, disse, durante a reunião-almoço da Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE).

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Crédito: Eduarda Esposito

E o Vorcaro, hein?/ Tem muita gente na política, e fora dela, dormindo à base de remédios com a história de que vem por aí uma delação recheada de fatos novos.

Corre aí/ O setor de data centers pressiona senadores em busca de apoio para que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), paute o projeto de lei que estabelece o programa tributário do setor. Como a medida provisória caducou e o projeto substituto foi aprovado na Câmara dos Deputados, as empresas têm feito seu lobby para que o Senado não deixe o tema esfriar e vote logo o texto que está acordado. O contato tem sido o senador Eduardo Gomes (PL-TO) que deverá ser o relator da matéria.

Dever cumprido/ Os senadores Nelsinho Trad (PSD-MS) e Tereza Cristina (PP-MS), mais o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), conversavam sorridentemente (foto) enquanto aguardavam a promulgação do acordo Mercosul-União Europeia, no plenário do Senado. Os três parlamentares foram peças essenciais na tramitação do acordo nas duas Casas.

Epa!/ A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), conta tanto com a reeleição que, dia desses, num evento por lá, saiu-se com esta: “O primeiro de cinco anos…” Referia-se a este ano, o último de seu mandato mais os quatro de quem for eleito em outubro.

Mendonça rechaça vazamentos e delação seletiva

Publicado em Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, CPMI do INSS, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Política, PSB, PSD, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 17 de março de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

As últimas decisões do relator do caso do Banco Master-BRB no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André Mendonça, indicam que ele não está brincando no sentido de apurar o que estiver por ali, doa a quem doer. O fato de deixar Daniel Vorcaro preso, por exemplo, foi considerado uma decisão corajosa. E há quem diga que se o ex-banqueiro quiser fazer uma delação seletiva, tende a continuar na cadeia. O relator cuida para não ter nada que possa comprometer provas ou dar qualquer sinal de que pretende proteger qualquer pessoa que esteja enroscada no processo.

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Aliás…/ Ao fechar o acesso às conversas de Vorcaro, o relator do escândalo do Banco Master-BRB pretende segurar os vazamentos e, ao mesmo tempo, evitar que tudo termine exposto antes que se feche um acordo de delação premiada — algo que já começou a ser trabalhado, ainda de forma preliminar. A liberação do material à CPMI do INSS foi visto no meio jurídico como o erro de Mendonça ao assumir a relatoria. Agora, o ministro tenta corrigir a rota, a fim de não dar argumentos para a defesa pedir a anulação de provas.

 

Reprise para comparar

Que ninguém se surpreenda se aquela reunião do então presidente Jair Bolsonaro, lá em 2021, em que ele reclama das apurações de denúncias envolvendo seus parentes — e diz que “troca delegado, troco ministro” — se tornar ativo eleitoral a favor do governo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que se seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, tiver qualquer problema, que seja responsabilizado.

Celina na lida

Com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, interessado em deixar o cargo para concorrer ao Senado, vai sobrar para a vice-governadora Celina Leão o desafio de resolver a crise do Master. Há quem diga que ela precisa se preparar desde já. Afinal, em julho, quando começar a campanha, o jogo será bruto.

Raquel Lyra joga a rede…

O “engarrafamento” na órbita da candidatura do prefeito de Recife, João Campos (PSB), ao governo de Pernambuco, terminou por ajudar a governadora Raquel Lyra (PSD) a tentar organizar seu palanque à reeleição. Ela vem a Brasília, hoje, para uma rodada de conversas com vários partidos.

… e tem chance de sucesso

Raquel tem um partido de centro que terá candidato ao Planalto. Boas chances de atrair, por exemplo, o Republicanos do ministro de Portos Aeroportos, Sílvio Costa Filho, que era esperado como candidato ao Senado na chapa encabeçada pelo prefeito da capital. Que ninguém se surpreenda, também, se Marília Arraes, outra neta de Miguel Arraes, concorrer a uma vaga de senadora, ao lado de Raquel, e não de seu primo, João Campos.

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Crédito: Luiz Roberto/Secom/TSE

Atualização necessária I/ A senadora Leila do Vôlei (PDT-DF) trabalha para aprimorar a Lei do Stalking, legislação pioneira de sua autoria, que passou a reconhecer a perseguição como crime no Brasil. Atualmente, o stalking é punido com pena de seis meses a dois anos de reclusão, além de multa. O novo projeto aumenta a punição de acordo com a gravidade dos atos.

Atualização necessária II/ Quando houver risco concreto à integridade física ou psicológica da vítima, a pena poderá chegar a até quatro anos de reclusão. A proposta também prevê a aplicação obrigatória de medidas protetivas em situações de perigo atual ou iminente, e estabelece que, nos casos mais graves, a ação penal poderá ser instalada, independentemente de representação formal da vítima, reduzindo o risco de silenciamento e intimidação.

Anabb celebra as mulheres/ A Associação Nacional dos Servidores do Banco do Brasil (Anabb) promove amanhã, 9h, em sua sede, um evento para refletir sobre a desigualdade de gênero que ainda reina no país. Para isso, receberá a ministra Carmen Lúcia (foto), do Supremo Tribunal Federal, e a consultora jurídica do BB, Lucineia Passar. A ministra falará sobre os principais desafios enfrentados pelas mulheres na sociedade brasileira contemporânea. Lucineia discorrerá sobre a importância das mulheres em espaços de decisão.

O risco de encolher partidos

Publicado em Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Educação, Eleições, Eleições 2026, PL, Política, PP, PSD, PT, Senado, STF, TCU, União Brasil

Coluna Brasília-DF publicada no domingo, 15 de março de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

O fato de o banqueiro Daniel Vorcaro ter trocado de advogado justamente em meio ao período de janela partidária acendeu o pisca-alerta no União Brasil e no Progressistas. É que isso reforçou, como já se sabe, a tese da delação premiada. E, nesse sentido, muitos deputados estão inseguros em permanecer nas duas legendas que vêm sendo citadas por terem seus presidentes, Ciro Nogueira, do PP, e Antônio Rueda, do União Brasil, mencionados nas conversas de Vorcaro. A aposta de muitos é a de que, se a situação do União Brasil estava difícil com a saída de deputados e governadores, como Ronaldo Caiado, a tendência é ficar pior.

Crédito: Valdo Virgo

Enquanto isso, no STF… / ... a tensão é tão grande quanto a dos parlamentares, porque haverá uma cobrança para que, em caso de delação, Vorcaro fale também de suas relações com o Judiciário. Ninguém está tranquilo com a sombra do banqueiro pairando no ar.

Um acordo entre PT e PL

Que ninguém se surpreenda se o PT e o PL fecharem um acordo em relação ao novo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). É que os petistas apresentaram o deputado Odair Cunha (PT-MG) para a vaga de Aroldo Cedraz, e o PL planeja indicar um dos seus quadros para a próxima vaga que surgirá mais à frente. O nome citado é o do deputado Altineu Côrtes (PL-RJ) .

A saúde de Bolsonaro

Um dos pontos que mais preocupa a família e os amigos do ex-presidente é o fato de ele realmente demorar a chamar qualquer pessoa quando não está bem de saúde. Em casa, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e auxiliares costumam acompanhá-lo mais de perto, para chamar médicos antes que a situação se agrave. Isso será agora usado para, mais uma vez, buscar a prisão domiciliar do ex-presidente.

Em banho-maria

O Plano Nacional de Educação (PNE) está desde dezembro de 2025 esperando despacho do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para ser discutido e votado na Comissão de Educação da Casa. Entidades do setor estão preocupadas com a demora da aprovação do PNE, uma vez que já foi adiada, de 2024 para o ano passado, e ainda não se tem nem vislumbre de quando isso ocorrerá.

O tempo urge

A Associação De Olho no Material Escolar está bastante preocupada com o calendário político, uma vez que, a partir de 4 de julho, fica tudo paralisado até as eleições em outubro. “Se o plano não for aprovado este ano, o risco é de que todo o processo se arraste para a próxima legislatura, já que o país entra em período eleitoral. Isso pode significar mais atraso para uma agenda que deveria ser prioridade nacional” , destacou Letícia Jacintho, presidente da associação.

CURTIDAS

Pegue a última onda, a que importa/ Dentro do PSD, embora cresça a pressão para o anúncio do candidato a presidente e muita gente diga que esse nome é o do governador do Paraná, Ratinho Júnior (foto), Gilberto Kassab trata de manter a calma. É que um candidato do partido precisa surfar quando a campanha começar. Não adianta nada crescer agora e cair ali na frente. Aliás, toda eleição tem essas ondas. O perigo, porém, é demorar demais e a onda virar uma marolinha.

Voto importante/ Embora a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) já tenha fechado maioria para manter Daniel Vorcaro na cadeia, o voto do decano Gilmar Mendes gera muitas expectativas. É que Gilmar é visto como aquele que sempre “coloca os pingos nos is” , ou seja, fala o que precisa ser dito. A expectativa é de uma defesa alentada do trabalho do STF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), para marcar a importância das instituições. A palavra do decano sempre é algo que provoca reflexões e norteia caminhos.

Aliás…/ O voto de Gilmar Mendes virá com a defesa de Vorcaro com um novo advogado. Pierpaolo Bottini tem outros clientes políticos há mais tempo e não quer se expor a conflitos de interesses. Sinal de que vem mais coisa aí da parte do banqueiro.

Deixa ele lá/ Entre líderes do centrão, há quem concorde com a manutenção da prisão do banqueiro Daniel Vorcaro pelo Supremo. “Foi correta, de fato estamos assistindo a coisas graves que precisam ser aprofundadas e provadas, mas com ele (Vorcaro) solto, poderia interferir nessa parte das investigações” , disse o líder do Republicanos na Câmara dos Deputados, Augusto Coutinho (PE).

O STF e a prisão de Daniel Vorcaro

Publicado em Banco Master, coluna Brasília-DF, Congresso, Crise com os EUA, Crise diplomática, Eleições, Eleições 2026, EUA, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, Lula, PL, Política, Politica Externa, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada no sábado, 14 de março de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito 

O voto do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), acompanhando o relator do processo, ministro André Mendonça, pela manutenção da prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, surpreendeu advogados e deu aos políticos a certeza de que, dessa vez, será muito mais difícil tirar o ex-CEO do Banco Master da cadeia. A avaliação geral do mundo jurídico é de que a manutenção da prisão foi um divisor de águas e Vorcaro pode se preparar para uma boa temporada atrás das grades. O ex-banqueiro colecionou ameaças a muita gente. E fez isso justamente num momento em que o “jeitinho” e a interpretação da lei em favor de criminosos desse tipo cai em desuso. A ordem na Corte é cerrar fileiras em defesa da instituição, arranhada pela a sociedade dos irmãos Dias Toffoli em um resort no Paraná e pelo contrato milionário da mulher de Alexandre de Moraes com o Master.

Crédito: Caio Gomez

Acertos e erros/ A maioria em torno do voto de Mendonça, relator do caso na Segunda Turma, vem no momento em que o STF está mais fragilizado e tenta se recuperar. A avaliação de alguns ministros é de que está na hora de mostrar que alguns magistrados podem ter cometido erros, mas a instituição que defendeu a democracia — quando das ameaças de golpe de Estado — e permitiu que o país pudesse trabalhar de forma mais equilibrada na pandemia continua de pé. E não pode ser jogada fora.

PL no escuro

Com o ex-presidente Jair Bolsonaro na UTI — e justamente no período crucial de janela para troca de partido —, o PL não terá condições de pegar todas as orientações do “detentor dos votos” . Agora, terá que se contentar com o que quiser o senador Flávio Bolsonaro (RJ). E quem ficar insatisfeito, não tem nem como ir ao pai reclamar.

Enquanto isso, no Rio de Janeiro…

Justamente no berço político do pré-candidato à Presidência da República, a situação está para lá de complicada depois que o governador Claudio Castro arrisca ter o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Até aqui, o partido está numa disputa interna, com uma ala disposta a puxar o tapete de Castro para tirar um desgaste das costas.

Vertente I

Ao revogar o visto do subsecretário norte-americano Darren Beattie alegando reciprocidade, o governo brasileiro fez dois movimentos importantes. O primeiro foi diplomático: “A mensagem é que o Brasil não aceitará um tratamento assimétrico nas relações bilaterais. Esse tipo de mecanismo não é incomum na diplomacia e costuma ser utilizado para sinalizar descontentamento sem chegar a uma ruptura institucional mais grave” , avalia Eduardo Galvão, especialista em risco político.

Vertente II

O componente político também é evidente. “Beattie não é um diplomata tradicional, mas um nome associado à ala mais ideológica do trumpismo e crítico do governo Lula e do STF. A tentativa de visitar Jair Bolsonaro em um momento sensível da política brasileira, especialmente em ano eleitoral, inevitavelmente ampliou o peso simbólico do episódio” , explica Galvão.

O que precisa segurar

No Itamaraty, todo esforço é no sentido de separar as estações. Ou seja, as relações comerciais e diplomáticas do Brasil com os Estados Unidos têm que ser mantidas e trabalhadas. E isso não tem ligação direta com as informações prestadas por Darren Beattie para obtenção do visto. A avaliação dos diplomatas é de que Beattie omitiu dados ao dizer que iria participar de um fórum de minerais críticos e faria agenda com o governo brasileiro, sem mencionar o encontro com Bolsonaro.

CURTIDAS

Crédito: Jefferson Rudy/Agência Senado

O culpado/ Bem mais magro, o senador Rogério Marinho (PL-RN, foto) não titubeia quando alguém comenta seu novo “shape”: “Não foi Mounjaro! Foi Lula. Esse governo dele é tão ruim que tira o apetite” , provoca.

Honra máxima/ A economista Esther Duflo, vencedora do Prêmio Nobel de Economia de 2019 e cofundadora do Abdul Latif Jameel Poverty Action Lab (J-PAL), vai ministrar uma aula magna na Escola Nacional de Administração Pública (Enap), na terça-feira. A ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, fará a abertura do evento. O evento vai debater “o papel das evidências e da pesquisa aplicada no aprimoramento das políticas públicas” .

Paulo Octávio, 50 anos/ O ex-presidente José Sarney e o historiador e ex-ministro Ronaldo Costa Couto fazem o prefácio do livro que o ex-governador Paulo Octávio lança hoje sobre a história da empresa. A obra será entregue a um grupo de 400 convidados para a festa, que marcará o aniversário da construtora.

Hora de defender o STF e a PGR

Publicado em Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, CPMI do INSS, Economia, Eleições, Eleições 2026, MDB, Política, PT, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 13 de março de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A sessão de hoje da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que começará a discutir a prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, promete uma alentada defesa do trabalho da Procuradoria-Geral da República. É que entre os ministros da Corte não foi considerado de bom tom o puxão de orelhas de André Mendonça na PGR, por escrito, na decisão que mandou o dono do Banco Master de volta à prisão. O magistrado reclamou da demora da PGR em avaliar o caso e as ameaças feitas pelo detento a várias pessoas.

Crédito: Maurenilson Freire

Por falar em detento…/ No meio jurídico, muita gente aposta que os votos do ministro Gilmar Mendes e Kassio Nunes Marques serão para tirar Vorcaro do presídio e mandá-lo para casa, de tornozeleira eletrônica. Ainda que ele tenha ameaçado pessoas, o que justificaria a saída da prisão, na avaliação de muitos, é a “contemporaneidade”, uma vez que as ameaças teriam sido feitas no ano passado, antes da primeira prisão do ex-banqueiro. Se essa tese prevalecer, vai ter muito advogado ganhando aposta.

Ibaneis manda chamar Nelson

Ao recusar o convite para comparecer à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), fez com que seu partido entendesse que ele jogará os problemas relacionados à compra do Master pelo BRB no colo da antiga administração do banco —problemas, aliás, que o atual comandante da instituição, nomeado por Ibaneis, tenta consertar. Em ofício ao gabinete do senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente do colegiado, Ibaneis sugeriu que o convidado fosse o atual presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza. O governador quer tomar distancia desse caso. Porém, parte da equipe de Renan está em tratativas para ouvir o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa.

O que eles pensam

Nos escaninhos do Senado, a suspeita de que Ibaneis jogará toda a responsabilidade no colo da antiga administração do BRB está nas declarações do governador. Sempre que perguntado, ele reforça que não tem relação com o Master e que, quem tiver problema, que responda na Justiça.

Hora de escolher

O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PL), está numa saia justa. O que se diz é que ele recebeu um ultimato do partido: se quiser permanecer, só poderá concorrer à eleição para governador. E tem mais. Nem sua esposa, Marina Cândida, poderá disputar o Senado. Políticos de Alagoas alegam que é tudo para não atrapalhar a candidatura de Arthur Lira (PP-AL) à Casa.

CURTIDAS

Sem refresco/ O ministro Luiz Fux, do STF, mudou de turma logo depois do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, quando seu voto divergiu dos demais. Achava que a Segunda Turma seria mais tranquila. Agora, com as fraudes no Master e a prisão de Vorcaro, não terá sossego por ali.

Segura isso aí/ Após os vazamentos das conversas telefônicas de Vorcaro, os ministros do STF têm pressionado o presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), a ter mais cautela, a fim de evitar novos vazamentos. Parlamentares acreditam que decisão de Viana em deixar os novos sigilos liberados em uma sala-cofre, e proibir acesso ao local com celulares, tenha sido por isso.

Jovens desanimados/ Na Bahia e em Minas Gerais, partidos como MDB e PT têm tido dificuldades em conseguir nomes para deputados federais. O interesse para a disputa estadual está em alta. Para alguns políticos, o principal motivo dessa configuração é o pouco interesse dos jovens na política. A perspectiva é de que a mudança no quadro dos deputados federais no ano que vem seja bem baixa.

O périplo de Flávio/ O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ, foto) vai a Rondônia, neste fim de semana, para evento de filiação do partido. No próximo fim de semana, 21 e 22 de março, será a vez do Nordeste. A estratégia é atrair candidatos para o PL