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Três vezes lagosta

Publicado em Festival gastronômico

Sensação baiana, a lagosta é estrela de festival gastronômico no Sallva, de 5 a 7 de junho

Faltando dois meses para completar 10 anos, o Sallva Bar & Ristorante lança um festival gastronômico que tem como atração o mais nobre, delicioso e cobiçado crustáceo do litoral brasileiro: a lagosta. Protegida por lei federal para preservar os ciclos de reprodução, crescimento e migração de algumas espécies, a rainha dos mares teve sua pesca proibida em 1º de novembro e liberada no dia 30 de abril. Isso vai garantir ao brasiliense degustar a mais fresca, rica e tenra carne de lagosta servida em 2026.

Ricardo Lapeyere e Fabiana Pinheiro comandarão o menu a quatro mãos. Crédito: Liana Sabo

Durante três dias — 5, 6 e 7 de junho — o cardápio especial será executado a quatro mãos pela chef do Sallva, Fabiana Pinheiro, que terá ao seu lado, como chef convidado, o carioca de raízes francesas Ricardo Lapeyre, que desenvolve receitas de frutos do mar no Noa, em Ipanema (RJ). Os dois já cozinharam juntos no evento Rio Gastronomia, em dezembro de 2021,em aula na qual a atração foi o pirarucu da Amazônia.

O festival é uma parceira entre o Sallva e a Frescatto, uma das maiores e mais tradicionais empresas brasileiras de produção, industrialização e comercialização de pescados e frutos do mar, que mantém uma unidade de pesca sustentável em Alcobaça, no litoral da Bahia.

Pratos autorais

Começa por crudo de atum, cortado em cubinhos temperados com alcaparras, limão-cravo, óleo de gergelim, pimenta dedo-de-moça, ervas frescas e mostarda Dijon da casa o menu de quatro pratos, cujos preços variam entre R$ 96 e R$ 185.

Na primeira opção, o crustáceo vem grelhado com manteiga de limão siciliano, servido sobre creme de milho verde e fios de arroz frito, daí chamar-se lagosta entre fios. Já a segunda sugestão traz medalhão de lagosta com palmito de pupunha grelhado, espinafre fresco e molho champanhe com caviar mujol (ovas de tainha) e ikurá caviar de salmão. Ainda há o clássico arroz de moqueca, com a cauda de lagosta grelhada, arroz caldoso e moqueca e farofa de pimenta de cheiro.

Para a chef Fabiana, responsável pela operação na qualidade de sócia da casa, “o festival também nasceu como uma forma de valorizar a cadeia produtiva sustentável ligada aos frutos do mar promovendo geração de renda para pequenos produtores”. Afinal, completa ela, gastronomia também pode ser uma ferramenta de valorização dos territórios e de consumo consciente.

Origem italiana…

Fundado em agosto de 2016, no Pontão do Lago Sul, point de diversão e gastronomia debruçado sobre o lago Paranoá, o Sallva, como o nome sugere, teve inspiração italiana. A primeira chef Andrea Munhoz desenvolveu cardápio focado em massas e carnes. Depois veio o chef Lui Veronese, que introduziu a cozinha contemporânea com boas opções de comidinhas para compartilhar. Até chegar Fabiana Pinheiro sete anos atrás com forte bagagem espanhola.

Brasiliense de nascimento, ela iniciou a jornada na gastronomia durante o doutorado em arquitetura na Espanha, onde se encantou pela cozinha mediterrânea. A partir dessa experiência, decidiu mudar de rumo e mergulhou no universo da culinária unindo técnicas internacionais aos sabores brasileiros para criar pratos que expressam a diversidade e a riqueza da cozinha deste imenso país.

Fabi, como é conhecida, incluiu pratos à base de frutos do mar que se somaram aos clássicos do restaurante mais praiano do Lago Sul. A chef também cuidou que tivesse opções veganas, vegetarianas e low carb. Quando surgiu o projeto Manejo Sustentável do Pirarucu na Amazônia, logo se engajou na proposta participando de uma expedição com mais de 60 pessoas entre pesquisadores, chefs, jornalistas e representantes de órgãos de sustentabilidade em visita a comunidades ribeirinhas que se dedicam à pesca do peixe silvestre amazônico.

…com alma brasileira

Com a receita de lombo de pirarucu grelhado com um toque de sálvia sobre nhoque de banana-da-terra e finalizado com o molho Alfredo (manteiga, creme de leite e parmesão) a chef Fabi se destacou no festival Gosto da Amazônia e nunca mais pôde tirar o prato do cardápio.

A casa, agora, entra numa nova fase de valorizar a origem italiana. Entre as novidades estão mexilhões de vôngoles frescos, massas artesanais, risotos com ingredientes brasileiros e releituras que aproximam a culinária italiana de sabores regionais. “O Sallva continua sendo italiano, mas entendemos que isso já não era suficiente para definir tudo o que construímos. Hoje faz sentido dizer que somos um italiano com alma brasileira”, afirma Fabiana Pinheiro.

A casa conta com três ambientes integrados — salão principal, varanda e deck beira lago — todos com o mesmo cardápio e carta de bebidas, mas com atmosferas próprias que vão do espaço mais intimista à experiência descontraía nas margens do Paranoá. Outro destaque da nova fase é o Projeto Sallva Music, de terça a quinta-feira a partir das 19h. Aberto todos os dias, a partir das 11h. Telefone: 3522-4352.