Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 20 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
As pressões crescentes para que o ministro José Antonio Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, deixe a relatoria do caso Master não vão levá-lo a abrir mão dessa função. Dentro da Corte, muitos magistrados consideram que é preciso dar tempo ao tempo e que nada será feito enquanto houver o que classificam de “uma campanha” contra Toffoli. Para completar, na visão de alguns, num ano eleitoral, esse caso arrisca ter nomes citados que sequer estão sob investigação ou são mencionados. Portanto, a avaliação é de que é preciso evitar vazamentos.
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Só tem um probleminha/ A abertura dos trabalhos do STF deste ano está marcada para 2 de fevereiro e, até lá, a tendência é Toffoli continuar como principal alvo de críticas. No fim de semana, por exemplo, houve a nota da Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) chamando as decisões do ministro de “atípicas”. Juristas acreditam que o inquérito sequer deveria estar no STF, já que casos semelhantes nunca foram levados à Suprema Corte. O possível envolvimento da família do ministro com empresas ligadas a Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, é apontado por especialistas como uma razão forte para que o ministro seja impedido de julgar a fraude do Master. Pessoas ligadas a ele, porém, dizem que não há justificativa legal para que deixe o caso.
O presidente Lula recebeu o vice-presidente Geraldo Alckmin, ontem, fora da agenda. Além das questões relacionadas ao Ministério de Indústria e Comércio, os dois estão conversando muito e afinados sobre os planos rumo a 2026. A repetição da chapa é dada como certa.
Só tem um partido reclamando do fato de Geraldo Alckmin manter a vaga de vice na chapa de Lula: o PT. E nem é todo o PT. É que uma parte considera que, como Lula não será candidato em 2030, a legenda tem que ter a vice para que haja um sucessor “natural”. O problema é que, antes de pensar em 2030, tem que vencer 2026. E uma chapa pura dificulta. Lula precisa de Alckmin.
Empresas do setor de trabalho por aplicativos estão confusas com a união entre parlamentares do PL e da esquerda na regulamentação da atividade. O estranhamento se deve ao fato de que tanto o presidente da comissão especial, deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), quanto o relator, Augusto Coutinho (Republicanos-PE), são de partidos de direita. E, por isso, o setor considera que ambos deveriam ir contra os desejos do governo Lula e da esquerda. Porém, o relatório seguiu a linha da base governista.
O setor busca um argumento para, neste ano eleitoral, tentar separar os dois polos da política nesse tema, questionando a “união” da direita com a esquerda e, principalmente, com o PSol, partido do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos — que elogiou muito o relatório apresentado no fim do ano passado. As empresas, porém, tendem a perder essa batalha.
Baderneiros na porta de saída/ A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) vai discutir, hoje, a mudança da Resolução 400, que prevê condutas das empresas aéreas sobre comportamento dos passageiros durante os voos. Devido ao aumento de perturbações e casos de agressões aos comissários de bordo, a Anac estuda sanções aos viajantes indisciplinados. Atualmente, uma lei impede essas pessoas de voarem por até um ano, mas falta a regulamentação. A agência quer regulamentar essa medida.
Vai aumentar a pressão/ O caso do homem que, em prisão domiciliar, matou uma adolescente de 14 anos, no Distrito Federal, fará aumentar a pressão para que o ex-presidente Jair Bolsonaro tenha o benefício. O PL vai repisar que não é possível a Justiça conceder a prisão domiciliar a um estuprador e assassino e não atender à defesa de um homem de mais de 70 anos que tem comorbidades.
Independência municipal/ Uma empresa de capacitação, a Innovc, está treinando administradores municipais para pensar em soluções de gestão inovadoras. Um dos exemplos é a cidade de Eusébio (CE), que está criando um portfólio de soluções para vender para outros municípios. A ideia é criar uma parceria público-privada em projetos entre o município e a empresa para, juntos, venderem a proposta a outros prefeitos. Dessa forma, uma parte do dinheiro retorna ao caixa da cidade e paga aquele primeiro investimento da prefeitura, no início do projeto.
Press Jungmann/ O ex-ministro Raul Jungmann (foto) foi definido assim por parentes e amigos no velório no Campo da Esperança: “Um humanista, defensor do diálogo entre todas as forças e instâncias, ainda que tenham pensamentos totalmente opostos”. A trajetória foi marcada, ainda, pela “coragem” de aceitar desafios em momentos cruciais. A coluna registra aqui os mais profundos sentimentos de pesar pela morte de um intelectual que sabia exercer a paciência e aproximar diferentes.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já tem praticamente pronto o discurso da geopolítica…
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