Tag: Banco Master
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 20 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

As pressões crescentes para que o ministro José Antonio Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, deixe a relatoria do caso Master não vão levá-lo a abrir mão dessa função. Dentro da Corte, muitos magistrados consideram que é preciso dar tempo ao tempo e que nada será feito enquanto houver o que classificam de “uma campanha” contra Toffoli. Para completar, na visão de alguns, num ano eleitoral, esse caso arrisca ter nomes citados que sequer estão sob investigação ou são mencionados. Portanto, a avaliação é de que é preciso evitar vazamentos.
» » »
Só tem um probleminha/ A abertura dos trabalhos do STF deste ano está marcada para 2 de fevereiro e, até lá, a tendência é Toffoli continuar como principal alvo de críticas. No fim de semana, por exemplo, houve a nota da Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) chamando as decisões do ministro de “atípicas”. Juristas acreditam que o inquérito sequer deveria estar no STF, já que casos semelhantes nunca foram levados à Suprema Corte. O possível envolvimento da família do ministro com empresas ligadas a Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, é apontado por especialistas como uma razão forte para que o ministro seja impedido de julgar a fraude do Master. Pessoas ligadas a ele, porém, dizem que não há justificativa legal para que deixe o caso.
Lula e Geraldo
O presidente Lula recebeu o vice-presidente Geraldo Alckmin, ontem, fora da agenda. Além das questões relacionadas ao Ministério de Indústria e Comércio, os dois estão conversando muito e afinados sobre os planos rumo a 2026. A repetição da chapa é dada como certa.
Lula e o PT
Só tem um partido reclamando do fato de Geraldo Alckmin manter a vaga de vice na chapa de Lula: o PT. E nem é todo o PT. É que uma parte considera que, como Lula não será candidato em 2030, a legenda tem que ter a vice para que haja um sucessor “natural”. O problema é que, antes de pensar em 2030, tem que vencer 2026. E uma chapa pura dificulta. Lula precisa de Alckmin.
Conflito ideológico
Empresas do setor de trabalho por aplicativos estão confusas com a união entre parlamentares do PL e da esquerda na regulamentação da atividade. O estranhamento se deve ao fato de que tanto o presidente da comissão especial, deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), quanto o relator, Augusto Coutinho (Republicanos-PE), são de partidos de direita. E, por isso, o setor considera que ambos deveriam ir contra os desejos do governo Lula e da esquerda. Porém, o relatório seguiu a linha da base governista.
Não é por aí
O setor busca um argumento para, neste ano eleitoral, tentar separar os dois polos da política nesse tema, questionando a “união” da direita com a esquerda e, principalmente, com o PSol, partido do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos — que elogiou muito o relatório apresentado no fim do ano passado. As empresas, porém, tendem a perder essa batalha.
CURTIDAS

Baderneiros na porta de saída/ A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) vai discutir, hoje, a mudança da Resolução 400, que prevê condutas das empresas aéreas sobre comportamento dos passageiros durante os voos. Devido ao aumento de perturbações e casos de agressões aos comissários de bordo, a Anac estuda sanções aos viajantes indisciplinados. Atualmente, uma lei impede essas pessoas de voarem por até um ano, mas falta a regulamentação. A agência quer regulamentar essa medida.
Vai aumentar a pressão/ O caso do homem que, em prisão domiciliar, matou uma adolescente de 14 anos, no Distrito Federal, fará aumentar a pressão para que o ex-presidente Jair Bolsonaro tenha o benefício. O PL vai repisar que não é possível a Justiça conceder a prisão domiciliar a um estuprador e assassino e não atender à defesa de um homem de mais de 70 anos que tem comorbidades.
Independência municipal/ Uma empresa de capacitação, a Innovc, está treinando administradores municipais para pensar em soluções de gestão inovadoras. Um dos exemplos é a cidade de Eusébio (CE), que está criando um portfólio de soluções para vender para outros municípios. A ideia é criar uma parceria público-privada em projetos entre o município e a empresa para, juntos, venderem a proposta a outros prefeitos. Dessa forma, uma parte do dinheiro retorna ao caixa da cidade e paga aquele primeiro investimento da prefeitura, no início do projeto.
Press Jungmann/ O ex-ministro Raul Jungmann (foto) foi definido assim por parentes e amigos no velório no Campo da Esperança: “Um humanista, defensor do diálogo entre todas as forças e instâncias, ainda que tenham pensamentos totalmente opostos”. A trajetória foi marcada, ainda, pela “coragem” de aceitar desafios em momentos cruciais. A coluna registra aqui os mais profundos sentimentos de pesar pela morte de um intelectual que sabia exercer a paciência e aproximar diferentes.
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 16 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Assim, deputados classificaram a decisão do governo de remanejar os recursos das emendas para outros programas. Esses R$ 7 bilhões estão dentro dos 30% que o Poder Executivo pode mudar de lugar e, portanto, conforme avaliação do deputado Claudio Cajado, da Comissão de Finanças e Tributação, “não é passível de anulação por derrubada de veto”. Logo, 63,6% dos recursos que Lula tirou das emendas para atender os programas sociais, os deputados não conseguirão recuperar. A revolta no Congresso é grande. E o ano está apenas começando.
» » »
Pediu, agora aguenta/ Os deputados consideram que esse remanejamento é para compensar a execução de 65% das emendas até junho, de forma a irrigar as prefeituras antes do período oficial de campanha. O governo prometeu liberar, mas cobrou um pedágio.
Vai ser arrastão
A liquidação da Reag, empresa gestora de investimentos ligada ao caso Master, é vista no mercado financeiro como um sinal de que o Banco Central não deixará de pé quem estiver ligado com o banco de Daniel Vorcaro. É uma resposta também àqueles que dizem que o BC demorou a investigar e parar as negociações do banqueiro.
Façam suas apostas
Em conversas muito reservadas, parlamentares afirmam que, ao escolher até os peritos que terão acesso aos documentos apreendidos nas diversas fases da Compliance Zero, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli está tentando proteger alguém. Na avaliação de congressistas, ao criticar a agilidade da PF na apuração do caso, pedir a custódia de provas à PGR e definir os peritos para analisar a papelada, das duas uma: ou Toffoli quer evitar que alguns nomes apareçam ou o vazamento das provas antes da hora para os acusados. O ministro até hoje não veio a público falar sobre suas intenções.
E o Bolsonaro, hein?
A transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para a Papudinha foi fruto da reclamação da família sobre as instalações. Agora, ninguém na família esperava que o ministro Alexandre de Moraes fosse enviar o ex-presidente para a Papudinha.
A ofensiva vai continuar
A esquerda não se esqueceu das acusações sem provas que os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG) e Gustavo Gayer (PL-GO) fizeram sobre o presidente Lula. Nikolas postou uma foto feita por inteligência artificial onde Lula era preso por oficiais norte-americanos e pedia que os Estados Unidos prendessem o presidente brasileiro. O abaixo-assinado na internet para a cassação do mandato de Nikolas, por exemplo, já conta com mais de 145 mil assinaturas.
CURTIDAS

Cara a cara/ Depois do embate entre a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e o pastor Silas Malafaia por causa da lista de pedidos de convocação de representantes de igrejas supostamente envolvidas nos desvios do INSS, o deputado Rogério Correa (PT-MG) decidiu entrar em cena. Ele quer chamar Malafaia para uma acareação com Damares Alves.
Ajudem aí/ Deputados de Brasília receberam pedidos de emendas para pagamento de folha de forças se segurança do DF. Nos bastidores, é dito que esse é um sinal de que dificuldades virão nas contas do GDF ao longo de 2026.
Sem chance/ A turma do Progressistas de São Paulo começa a soltar aos quatro ventos que o governador Tarcísio de Freitas (foto) deveria dar uma prova de apreço a Flávio Bolsonaro sendo seu… vice. Não colou.
Objetivo velado/ Na verdade, um grupo do PP quer é que Tarcísio deixe o governo paulista para liberar a vaga a um nome deles. O que se diz no Republicanos é “nem pensar, eles que lutem”
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Primeiramente, a Polícia Federal (PF) prendeu o próprio Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e seus sócios. Agora, foi a vez de parentes e empresários, com destaque para o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, e para o investidor Nelson Tanure. Muitos estão apreensivos com a perspectiva de uma nova fase da investigação ter como alvo o braço político do banqueiro. Por isso, ninguém estranhe se, abertos os trabalhos do Congresso, os discursos das excelências que conviviam com Vorcaro forem na linha de “receber uma pessoa não é crime”, “circular com uma pessoa não é crime”. Em conversas reservadas, muitos dizem que é preciso averiguar muito a fim de evitar injustiças, porque, antes de o escândalo explodir, o dono do Master era tido como um empresário sempre se cercando de figuras poderosas como forma de se blindar. E nem todo envolvimento resultaria em cumplicidade com os crimes cometidos.
» » »
Joio e trigo/ Os parlamentares de centro consideram que é preciso identificar quem, no meio da política, ajudou na construção das fraudes ou se omitiu na hora de denunciar o esquema. Se os malfeitos tivessem sido revelados antes, muita gente não teria se reunido com Vorcaro.
A visão do governo sobre o Master
Se o caso Master virar tema da campanha presidencial deste ano, o governo já tem o discurso na ponta da língua. Foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quem aprovou a indicação de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central (BC), que, acertadamente e tecnicamente, liquidou o banco de Daniel Vorcaro.
Arrefeceu, mas…
Tanto no União Brasil quanto no Progressistas tem muita gente dizendo que a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto foi um balde de água fria na federação entre os dois partidos. Mas os presidentes das respectivas agremiações continuam apostando na junção das duas legendas para gastar menos na eleição de deputados federais.
Noves fora…
O cálculo das direções é de que a federação interessa porque serão dois partidos lançando candidatos como se fosse um só. Isso significa que dá para dividir os custos das campanhas.
O que vem por aí
Os mesmos deputados que prometem trabalhar para derrubar os vetos da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) a respeito dos valores inscritos na conta “restos a pagar” vão lutar para que seja derrubado também o veto às emendas.
Mais uma tensão
No governo, porém, o que se diz é que o dinheiro é um só e os políticos terão que escolher: ou os “restos a pagar” ou as emendas deste ano. Não tem recursos para executar tudo.
CURTIDAS

Embate/ A regulamentação do trabalho para quem presta serviço a aplicativos ainda vai demorar. Mesmo com o parecer do projeto entregue em dezembro pelo relator, deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE), as empresas do setor apresentaram um documento de 60 páginas com supostos dados que comprovam o aumento do valor cobrado pelos serviços, caso o texto seja aprovado. Contudo, a comissão só vai voltar a se debruçar sobre a matéria em fevereiro, no retorno dos trabalhos legislativos.
Ficou ruim/ A contar pelo que se diz nos bastidores, deve ficar apenas naquela decisão a bronca pública que o ministro Dias Toffoli deu na Polícia Federal (PF) ao reclamar do não cumprimento do prazo da operação relacionada ao Banco Master. O foco deve ser a apuração das fraudes e a punição aos culpados.
“Foi uma decisão acertada cortar uma parte das emendas. Tem que haver um equilíbrio entre os pedidos dos parlamentares e a execução das políticas públicas” Do ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira (foto), em entrevista ao Frente a Frente, da Rede Vida
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A escolha do advogado-geral da Petrobras, Wellington César Lima e Silva, para o Ministério da Justiça e Segurança Pública, foi uma frustração para a maioria dos ministros políticos. É que muitos esperam colocar os respectivos secretários-executivos no comando das pastas. E a nomeação de um nome ligado ao PT significa que o partido pode, inclusive, avançar sobre ministérios que estão a cargo de outras legendas. A própria Justiça estava sob a batuta do PSB no início deste Lula 3. Flávio Dino foi para o Supremo Tribunal Federal e o partido ficou a ver navios quando Lula escolheu o ministro aposentado do STF Ricardo Lewandowski.
» » »
Em tempo: na Esplanada dos Ministérios, muita gente diz que o mais lógico seria manter na Justiça o secretário-executivo, atual ministro interino, Manoel Carlos de Almeida Neto — tido como braço direito de Lewandowski. Tem muita gente preocupada que o PT indique técnicos para os cargos que estão com os partidos.
Te cuida, PH
Nos bastidores do Governo do Distrito Federal, o que se diz é que qualquer problema que houver do BRB em relação ao Banco Master será debitado na conta de Paulo Henrique Costa, o ex-CEO do Banco Regional de Brasília.
Fidelidade recompensada
O governo ainda não fechou todos os requisitos que devem ser atendidos pelos substitutos dos ministros políticos que deixam os cargos em abril para concorrer a um mandato eletivo. Uma coisa é certa: se o partido estiver com Lula, a agremiação continuará no direito de indicar. Se não for assim, o PT pedirá a vaga.
Há exceções
Ainda está forte na memória dos políticos o caso do Ministério do Turismo. Ali, o União Brasil deu um ultimato ao ministro Celso Sabino. Ele preferiu Lula e, mesmo assim, terminou fora da pasta, porque a bancada indicou outro nome, Gustavo Feliciano, da Paraíba.
O imprevisível e a certeza
É assim que deputados de esquerda se referem ao veto da parte da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que jogou no lixo uma parcela expressiva das emendas de 2019 a 2023 inscritas como os restos a pagar. O Centrão, conforme o leitor da coluna já sabe, aposta na derrubada do veto e a direita está dividida.
CURTIDAS

Fim do recesso/ Depois da operação contra o deputado Félix Mendonça Júnior (PDT-BA), em pleno período de calmaria no Congresso, acabaram as férias parlamentares. Tem muita gente com medo.
Pingos nos Is/ A frase do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em apoio ao Banco Central (BC) no caso do Banco Master não deixa dúvidas sobre quem é o vilão: “Podemos estar diante da maior fraude bancária da história do país”
Missão na avenida/ O Movimento Brasil Livre (MBL) escolheu o caso Master para manifestação de rua de 2026. Em 22 de janeiro, às 18h, na Avenida Paulista, o MBL coloca seu partido, o Missão, num ato a fim de pressionar por mais transparência no processo que tramita contra o ex-banqueiro Daniel Vorcaro (foto) que corre em sigilo no STF.
Balanço geral/ O setor de bets completou um ano de regulamentação este mês e, para marcar a data, em 29 de janeiro vai realizar o Bet On Brasil, um evento com várias palestras e rodas de conversa a fim de analisar os primeiros 12 meses do mercado formal de apostas no país. Entre os painelistas confirmados para o encontro no Mané Garrincha, em Brasília, estão Gabriella de Andrade Boska, coordenadora de Gestão de Redes de Atenção Psicossocial do Ministério da Saúde; Luiz Orsatti Filho, diretor do Procon-SP; e Plinio Jorge Lemos, presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL).
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 13 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg

A reunião entre os presidentes do Banco Central, Gabriel Galípolo, e do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo Filho, serviu para ampliar o poder da Corte tal e qual ocorreu em momentos passados, com a Petrobras e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O que se diz nos bastidores é que, quanto mais o TCU estiver presente, mais importância seus ministros adquirem. O tribunal é órgão assessor do Legislativo. E, como tal, não tem poder de barrar uma liquidação, uma vez que o Bacen é independente. No entanto, pode dar instrumentos para que os poderes competentes tomem decisões. Agora, coloca um pé no banco. Resta saber a que senhor servirá.
» » » » »
A perder de vista/ A única certeza que se tem, atualmente, é de que o caso Master entrará no calendário eleitoral. Não será o principal tema da campanha, mas, dadas as ligações de Daniel Vorcaro, as apostas são de que muita gente abrirá a temporada de 2026 com explicações a dar.
Vai-se um banco, ficam os bens
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro não desistiu da ideia de recuperar seu banco. Mas o que se diz entre agentes do mercado financeiro em São Paulo é que ele deseja mesmo é recuperar seus bens.
É o que tem para hoje
Políticos paulistas são praticamente unânimes em afirmar que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, recolheu os flaps para voos nacionais. Agora, está cuidando da campanha pela reeleição. Sinal de que o candidato a presidente da República a carregar a bandeira bolsonarista será o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Funciona na avenida Faria Lima
Nos últimos dias, Flávio Bolsonaro tem usado suas redes sociais para atacar os gastos do governo federal. Só tem um probleminha: se as despesas governamentais atenderem os programas que beneficiam o povo, será difícil esse discurso crítico “pegar” entre a população mais pobre. Em especial, no Nordeste.
CURTIDAS

Troca no ministério I/ Ricardo Lewandowski pegou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de surpresa. Quando o ministro avisou que estava de saída, o chefe do Executivo não acreditou que seria tão rápido. Afinal, outros já disseram que iam sair e, a pedido do petista, acabaram ficando. Com o ministro aposentado do STF, não funcionou.
Troca no ministério II/ Ao deixar para enviar ao Congresso apenas em fevereiro a indicação de Jorge Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal, o presidente Lula ganhou prazo para escolher o substituto na Advocacia-Geral da União (AGU).
Hora de contar os votos/ A ideia é só anunciar um novo ministro depois da aprovação no plenário do Senado. Até aqui, o governo acredita que vence na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas ainda não garantiu a vitória final.
O samba de Wagner Moura/ Quem é da política avisa que os prêmios conquistados pelos filmes Ainda estou aqui e O agente secreto elevaram o sarrafo. Agora é buscar histórias da nossa gente. “Não deixe o samba morrer” , no caso, o cinema brasileiro.
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 8 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Ainda em recesso, deputados e senadores se mobilizam para cobrar do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, uma sessão do Congresso a fim de analisar o veto ao pagamento de restos a pagar de 2019 a 2023 inscritos na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). A ideia de parlamentares do Centrão é derrubar o veto. A avaliação é a de que a decisão de Lula atinge obras em andamento. Porém, o governo vetou a liberação desses recursos, algo em torno de R$ 3 bilhões, para concluir outras obras e entregá-las à população ainda neste ano eleitoral. Vem por aí uma queda de braço entre parlamentares e Lula por obras patrocinadas pelo Executivo e outras pelo Legislativo.
» » »
Titãs/ O desconforto está grande, porque a decisão do governo pegou todo o período do governo de Jair Bolsonaro, quando Rodrigo Maia e, em seguida, Arthur Lira, presidiram a Câmara dos Deputados. No Senado, estavam no comando Davi Alcolumbre e, logo depois, Rodrigo Pacheco. Foi justamente o período em que o governo federal deixou que os deputados e senadores mandassem no Orçamento.
Vem por aí
Se Lula atender o pedido de integrantes do PT e vetar, ainda hoje, o projeto que estabeleceu a dosimetria das penas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, a oposição vai pressionar Davi Alcolumbre para abrir os trabalhos deste período legislativo com uma sessão do Congresso que possa derrubar esse veto. Assim, o caso vai terminar… no Supremo Tribunal Federal.
Master blindado
Ainda que tenha atingido o número de assinaturas para instalação da CPMI do Banco Master, senadores estão meio céticos em relação ao sucesso de uma possível investigação parlamentar. É que o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, já colocou todo o material do Master sob sua alçada, inclusive o que já estava em poder da CPMI do INSS.
“Sem impeachar, não resolve”
O senador Izalci Lucas (PL-DF), por exemplo, acredita que o STF não permitirá acesso a qualquer documento do Banco Master. “No ano passado, quebramos o sigilo do Daniel Vorcaro na CPMI do INSS, mas não conseguimos ver os documentos” , lembra Izalci, referindo-se à documentação em papel e digital que ficou sob tutela da Presidência do Senado. “Enquanto não houver um impeachment de ministro do STF, nada será liberado” , diz o senador.
Fortalece o discurso
Na visão dos bolsonaristas, o pedido de averiguação do atendimento médico ao ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) endossa o argumento da família, de que há uma “vingança” contra Bolsonaro. Aliados afirmam que o CFM não saiu em defesa do ex-presidente, mas, sim, da atividade médica. Os profissionais querem se proteger, porque, se uma pessoa idosa sofre uma queda, ela tem que ir imediatamente para o hospital e não aguardar uma decisão de ministro do Supremo Tribunal Federal.
Eles vão insistir
A avaliação de aliados de Jair Bolsonaro é a de que a indicação da equipe médica da Polícia Federal, de que não havia necessidade de remoção do ex-presidente ao hospital após a queda, demonstra uma certa parcialidade da instituição. Para os bolsonaristas, a PF faz o que o ministro Moraes quer e, no caso da queda, a remoção ao hospital teria que ser imediata.
CURTIDAS

A todo vapor/ O governo federal está investindo em entregas para este ano. Só em Valparaíso I, bairro no Entorno Sul de Brasília, são três condomínios do programa Minha Casa, Minha Vida (foto).
Enquanto isso, no Ceará…/ A eleição por lá promete ser animada. A confusão começa com o ex-prefeito de Sobral Ivo Gomes rompendo com o governador Elmano de Feitas (PT) e tratando de se recompor com o irmão, Ciro Gomes, que voltou ao PSDB de olho numa candidatura ao governo estadual.
Bomba climática/ Não é apenas o meio ambiente que sofre com as mudanças climáticas, e já tem especialista alertando para a necessidade de preparação do Sistema Único de Saúde. Muitos preveem um ano de ondas de calor intensas e mais frequentes, o que deve levar muitos brasileiros ao sistema por mal-estar causado pelo calor. E também mais diagnósticos de câncer de pele nos próximos anos.
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 7 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A independência do Banco Central ganha corpo nesta largada de 2026, com a oposição e frentes parlamentares ligadas aos setores produtivo e financeiro em campo para defender o Bacen. O ano legislativo, aliás, tende a começar com pressão total por uma CPMI para investigar o Master e mostrar que os malfeitos estão no banco de Daniel Vorcaro, e não no Banco Central. À coluna, o presidente da Frente Parlamentar de Comércio e Serviços, deputado Domingos Sávio (PL-MG), por exemplo, afirmou que o que está acontecendo com o Brasil é “surpreendente e triste” e, na toada em que se encontra, com o Tribunal de Contas da União entrando nessa história, daqui a pouco vão querer punir um diretor do BC.
» » » » »
Veja bem/ A oposição, desde já, está cobrando os líderes por indicações ágeis e sérias na formação da CPMI. O medo é que os partidos aliados a Vorcaro segurem a instalação demorando a definir os nomes dos membros ou indicando parlamentares a serviço do banqueiro. Bruno Spada / Câmara dos Deputados Até aqui, tem muita gente considerando esquisita essa pressão do TCU sobre o Banco Central. Ninguém se convenceu ainda de que essa interferência do Tribunal é pelo bem da Nação. Muitos políticos consideram que a atitude vai mais pelo bem de Daniel Vorcaro.
Efeito colateral
Especialistas em relações internacionais consideram que a invasão dos Estados Unidos à Venezuela torna mais difícil a negociação pelo fim da guerra na Ucrânia. “Moscou tende a interpretar essa ação como confirmação de uma postura mais intervencionista de Washington, o que endurece posições e reduz o espaço político para concessões na guerra contra a Ucrânia. As negociações não acabam formalmente, mas entram em modo de congelamento prolongado”, avalia o professor João Vitor Cândido.
Há discurso
Na visão de João Vitor Cândido, uma ameaça ao Brasil vinda dos EUA não está descartada a longo prazo, mas de outra forma: “O discurso de segurança transnacional dos EUA tende a se ampliar, especialmente no combate ao narcotráfico, crime organizado e financiamento ilícito. O risco não é militar, mas político e jurídico, com maior pressão por cooperação, enquadramentos legais mais duros e vigilância internacional. O Brasil será cobrado como ator-chave regional, não como alvo, desde que mantenha controle institucional e cooperação ativa”, disse.
Lula quer é paz
Defensor ferrenho da soberania dos países, o presidente Lula repisará esse discurso, mas buscará o diálogo com os Estados Unidos e com todas as nações. Especialmente, neste ano eleitoral. A fala de 8 de janeiro será incisiva no quesito soberania, mas, na avaliação do Planalto, não pode ser confundida com bater de frente com Donald Trump. Isso Lula não fará.
Legislativo combativo
Ainda de recesso, o presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara, deputado Filipe Barros (PL-PR), se prepara para convocar o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o assessor especial Celso Amorim, para “dar esclarecimentos quanto ao posicionamento do Poder Executivo” no Conselho de Segurança da ONU nesta semana.
CURTIDAS

Última agenda?/ Na iminência de deixar o Ministério da Justiça, o ministro Ricardo Lewandowski pretende fazer da cerimônia dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro sua última agenda oficial de governo. Fontes afirmam que Lewandowski pode deixar a pasta ainda nesta sexta-feira.
Neutralidade/ Tem um objetivo político as ausências do presidente da Câmara, Hugo Motta (foto), do Republicanos, e do Senado, Davi Alcolumbre (UB-AP), nos atos desta quinta-feira para relembrar o 8 de Janeiro de 2023. É que ambos pretendem conquistar os votos da direita para a reeleição, em outubro. E, sabe como é, enquanto o cenário eleitoral estiver nebuloso, eles vão jogar nas duas pontas e tentar se firmar ao centro.
Aliás…/ Motta vê surgir adversários por todos os lados. No PP, tem muita gente apostando no nome do líder Doutor Luizinho (RJ) para concorrer no lugar de Hugo.
Bolsonarismo em fúria/ O acidente com o ex-presidente Jair Bolsonaro durante a madrugada de terça-feira na sala da Polícia Federal onde está preso deixou os aliados alertas e bravos. Segundo os bolsonaristas, houve boicote à saúde de Bolsonaro. “É um absurdo o que está sendo feito com o presidente”, disse à coluna o líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto (PL-PB).
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 25 de dezembro de 2025, por Luana Patriolino com Eduarda Esposito
Faltando pouco para acabar o ano, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli movimentou o caso do Banco Master. O magistrado determinou, nesta quarta-feira, véspera de Natal, uma acareação entre o presidente da instituição, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos. O procedimento ocorrerá de forma virtual, na terça-feira da semana que vem. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, também se colocou “à disposição” da Corte para prestar esclarecimentos sobre a liquidação da empresa.

Para entender
Ailton de Aquino era o diretor do BC mais favorável à operação de venda do Master para o BRB. O diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, Renato Dias Gomes, mostrava-se resistente. Daniel Vorcaro está em prisão domiciliar, em São Paulo, desde o mês passado. Segundo a Polícia Federal, há indícios de R$ 12,2 bilhões em fraudes no sistema financeiro.
Ninguém quer
A opinião pública será decisiva para a elaboração e possível aplicação de um código de conduta para os ministros de Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente da Corte, Edson Fachin, o mais empolgado com a proposta, tem tentado blindar a imagem do Judiciário por causa da série de ataques e críticas da população nos últimos anos. Apenas a ministra Cármen Lúcia está do seu lado nessa briga. A maior parte dos integrantes da instituição rejeita a ideia, pois argumenta que há regras no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre o assunto. Para Fachin, no entanto, as normas não são tão claras. A discussão reacendeu após a suspeita do envolvimento de magistrados no escândalo do Banco Master.
Todos perdem
Parlamentares do Centrão resistem em apoiar a oposição no novo pedido de impeachment de Alexandre de Moraes tendo por base a atuação dele no caso Master. A avaliação dos líderes é de que esse é um balaio que atinge muito mais os deputados e senadores que disputarão a reeleição em 2026 do que o próprio magistrado e sua mulher, a advogada Viviane Barci.
Mudanças à vista
O presidente Lula tem dito a aliados que a reforma ministerial, para a disputa das eleições de 2026, é a sua prioridade. Ele quer colocar o bloco na rua com os melhores nomes nos estados para aumentar os seus palanques. O problema é combinar com os russos. Os diretórios estaduais do Partido dos Trabalhadores têm seus próprios planos para o ano que vem.

Vai ficar
Especialistas do direito migratório afirmam que Eduardo Bolsonaro deve permanecer nos Estados Unidos por enquanto. Como o ex-deputado entrou no país de forma regular, não há risco de uma deportação apenas com o cancelamento do passaporte diplomático e sem violação das leis estadunidenses.
Sem chance
Contudo, caso o filho do ex-presidente saia dos EUA e tente retornar, ele deverá fazê-lo com seu passaporte pessoal e seguir as regras de migração cabíveis. O documento diplomático, que garante uma certa agilidade quando justificada a viagem a trabalho, não está mais disponível para o ex-parlamentar.
Simples em foco
O Conselho Federal da OAB ingressou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para contestar a interpretação da Receita Federal que pretende aplicar às sociedades do Simples Nacional o novo regime de tributação de dividendos. A entidade alega violação à Constituição e à Lei Complementar 123/2006, que garantem isenção de IR para micro e pequenas empresas.
Direito de defesa
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) acolheu parcialmente pedido da OAB Nacional e da seccional de Santa Catarina, recomendando ao Tribunal de Justiça catarinense que assegure a realização de sustentações orais síncronas, presenciais ou por videoconferência, sempre que houver solicitação tempestiva. A medida reforça que o direito à sustentação em tempo real é uma garantia processual da advocacia. A decisão liminar foi do conselheiro Marcello Terto e será submetida ao Plenário do CNJ.
Boas festas
A coluna deseja um feliz Natal para os leitores, que a ceia seja farta e repleta de amor e esperança. Que Papai Noel deixe de presente mais respeito para todos.
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 16 de dezembro de 2025, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
A turma enroscada no Banco Master não terá um fim de ano tranquilo, depois da decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, de determinar à Polícia Federal que, em 30 dias, proceda os depoimentos dos investigados no caso. Porém, as consequências na política virão justamente no ano eleitoral. O fato de o magistrado determinar, ainda, que a PF avalie a quebra de sigilo telemático, fundamentando A turma enroscada no Banco Master não terá um fim de ano tranquilo, depois da decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, de determinar à Polícia Federal que, em 30 dias, proceda os depoimentos dos investigados no caso. Porém, as consequências na política virão justamente no ano eleitoral. O fato de o magistrado determinar, ainda, que a PF avalie um a um, indica nuvens pesadas para o primeiro trimestre, quando os partidos definem candidaturas. Ao mencionar a “necessidade de diligências urgentes”, Toffoli indica que quer tudo pronto para, quando o STF e o Congresso retomarem os trabalhos, as investigações estejam avançadas. (Leia mais no Blog da Denise).

Bote salva-vidas
A emenda do presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), que restringe a dosimetria das penas aos eventos do 8 de Janeiro é vista como a salvação da proposta e garantia de apreciação este ano. Pelo menos, é a aposta do PL, para assegurar o apoio do centro e aprovar o texto na Casa.
Até o fim
A proposta de restrição do alcance da dosimetria foi fruto de um acordo entre Otto Alencar e o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN). O PL não abre mão de votar logo esse tema. Seja dosimetria ou seja anistia, o assunto foi a grande pauta dos bolsonaristas este ano e promessa eleitoral para 2026.
Ele manda
Quem selará a chapa do PSD no Distrito Federal será o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab. Aliás, onde houver problemas, é Kassab quem moverá as pedras. No caso do DF, isso será feito até para evitar constrangimentos ao presidente do PSD do Distrito Federal, Paulo Octávio.
Contagem regressiva
No Congresso, o que se diz é que Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tem menos de 48 horas como deputado federal. Alexandre Ramagem (PL-RJ) tem uma situação melhor entre os colegas, mas, se for preservado, o “xará” dele, Alexandre de Moraes, não hesitará em pedir o afastamento, tal e qual fez com Carla Zambelli.
Os empresários reclamam
Na solenidade que marcou os 500 mercados abertos para produtos brasileiros, nos últimos três anos, e a inauguração do edifício-sede da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), empresários elogiaram esse trabalho. Mas, nas conversas, diziam que não é possível tirar os incentivos de 10% da indústria, linearmente, como o governo pretende fazer. O empresariado quer que isso seja visto caso a caso.
CURTIDAS

Aquele abraço/ A filiação de José Roberto Arruda ao PSD contou com a presença de Gilberto Kassab, do líder da bancada na Câmara dos Deputados, Antonio Brito (BA), e vários parlamentares, como Eliziane Gama (MA), Nelsinho Trad (MS), Sérgio Petecão (AC) e Domingos Neto (CE). Ausência de destaque foi o presidente do PSD do DF, Paulo Octávio. Arruda começou o discurso mandando um abraço ao empresário.
Caminhos/ Expulso do União Brasil, o ministro do Turismo, Celso Sabino (foto), está conversando com o PDT para se filiar à legenda. Em conversas reservadas, fontes ligadas ao partido disseram à coluna que a negociação está em andamento, mas ainda sem definição.
A volta de Heloísa Helena/ Fundadora do PSol, a ex-senadora Heloísa Helena (AL) assume hoje um mandato de deputada federal pelo partido, na vaga aberta com a suspensão de Glauber Braga (PSol-RJ). Tal e qual Braga, Heloísa não dará sossego à oposição. Em especial, aos bolsonaristas.
“Código de conduta não é moralismo barato. A magistratura precisa observar uma linha de conduta. Não existe desinfetante melhor do que a luz do sol. A corrupção do juiz é uma das piores, porque ele é o último recurso do cidadão. É preciso honrar a toga” Da presidente do Superior Tribunal Militar, Maria Elizabeth Rocha, em café com a coluna e outros jornalistas, ontem
Toffoli manda PF ouvir investigados do caso Master em 30 dias
Depois de analisar parte dos documentos que instruíram o processo contra o ex-controlador do Banco Master Daniel Vorcaro, o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli determinou à Polícia Federal que tome os depoimentos dos investigados e também do pessoal do Banco Central, num prazo de 30 dias, seja por videoconferência, seja presencialmente, numa sala do STF. Abre ainda a possibilidade de quebra de sigilos fiscal, de telefonemas e mensagens trocadas pelos investigados, e pede que a fundamentação desses pedidos seja feita caso a caso. Num trecho da decisão, Toffoli menciona necessidade de “diligências urgentes”. Isso significa que o fim de ano será de muito movimento e pouco sossego para quem tiver explicações a dar sobre as fraudes praticadas no Master. Na prática, é a retomada das investigações com os documentos sob custódia do gabinete do ministro.
Vorcaro havia sido preso em 17 de novembro, quando se preparava para viajar a Dubai, nos Emirados Árabes. A avaliação naquele momento foi a de que ele estava numa rota de fuga. A defesa, entretanto, apresentou a reserva do hotel para o período em que ele iria proceder a venda do Banco a investidores estrangeiros. Com a prisão, o negócio foi desfeito. Vorcaro deixou a prisão há 15 dias, usando tornozeleira eletrônica e não pode se afastar do país. O Banco Central liquidou o Master no mês passado. Seus diretores também serão chamados a prestar depoimento a fim de esclarecer a parte técnica da alavancagem e o risco ao Sistema Financeiro Nacional.
Na semana passada, Toffoli havia determinado, por liminar, que os documentos de quebra de sigilo encaminhados à CPMI do INSS ficassem guardados na Presidência do Senado até que o ministro avaliar o mérito do pedido de anulação dessa quebra. A tendência, entretanto, depois de determinar que a PF apresente os pedidos de quebra dos mesmos sigilos, é a de que pelo parte desse material seja liberado.
Toffoli está sob o comando do processo do caso Master, desde a soltura de Vorcaro. Em 3 de dezembro, em decisão monocrática, o ministrou puxou o caso para o Supremo Tribunal Federal (STF) tudo o que estiver relacionado ao episódio envolvendo o banco de Daniel Vorcaro e o BRB, que se preparou para comprar o Master, numa operação que terminou desfeita, recheada de suspeitas. A fraude do Master chega a R$ 17 bilhões. A mudança de foro se deu por causa de um imóvel de luxo em Trancoso (BA), onde há a suspeita de uma empresa ligada ao deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), que tem prerrogativa de foro.










