*Coluna Brasília-DF publicada neste domingo (19/7) por Denise Rothenburg e Eduarda Esposito
Das 38 sessões deliberativas (de votações), realizadas de fevereiro a julho no plenário do Senado, apenas 14 delas foram presenciais, exigindo-se a presença física dos senadores. Ou seja, em mais da metade dessas reuniões imperou o recurso do Infoleg — o sistema de votação on-line que funcionou na época da pandemia. Em julho, em todas as sessões, as votações puderam ser feitas pelo Infoleg. Em março, das nove deliberativas realizadas, apenas duas foram presenciais. O único mês em que todas as sessões de votação foram presenciais foi abril. Não por acaso, muitos políticos pensam em limitar esse expediente de votação pelo Infoleg, em que os debates se tornam escassos, e o parlamentar termina dedicado a outras tarefas, que não a apreciação de leis que mexem diretamente com a vida dos brasileiros.
Entre os senadores, Izalci Lucas (PL-DF) é um dos que têm reclamado desse expediente. “Não dá para querer votar emenda constitucional sem um debate sério em plenário com a presença de todos”, afirma. Na Câmara, conforme o leitor da coluna já sabe, o deputado Júlio Lopes (PP-RJ) tem uma proposta para tentar acabar com o abuso das sessões virtuais, de forma a ampliar o debate parlamentar na Casa. Tanto o Senado quanto a Câmara terão duas semanas de esforço concentrado antes da eleição de outubro: de 10 a 14 de agosto e de 31 de agosto a 3 de setembro. A expectativa de muitos parlamentares é a de que propostas importantes, como o caso da escala 6 x 1, sejam apreciadas nesse período de oito dias e de forma presencial.
Ao deixar para os Bolsonaro a escolha do nome para compor na chapa presidencial de Flávio na vaga à Vice-Presidência, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, fica com mais tempo para cuidar daquilo que mais interessa aos partidos a preços de hoje: eleger deputados federais. Esta é a eleição que define o valor do fundo partidário e a propaganda na tevê.
A justificativa dada por muitos senadores para o uso do Infoleg na maioria das sessões deliberativas foi o comparecimento a eventos pré-eleitorais e de entrega de obras. As pré-campanhas começaram antes do carnaval e se intensificaram nos últimos meses. As presenças na Casa diminuíram ainda mais após 60% das emendas impositivas terem sido pagas até junho, conforme estava previsto no Orçamento deste ano.
No Congresso, aliados da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro consideram que o aumento dos ataques a ela nas redes sociais tem o mesmo padrão dos tempos em que os bolsonaristas atacavam o então presidente da Câmara, Rodrigo Maia, nos idos do governo Bolsonaro, em 2019/2020. Ou seja, tudo gente de casa.
Com os filhos de Jair Bolsonaro fora do Rio de Janeiro, o estado virou um dos pontos de referência para que Lula tente ampliar a sua votação. O presidente tem concentrado suas agendas por lá, e Jair Bolsonaro não tem quem defenda o nome da família onde ele fazia política. Carlos Bolsonaro renunciou ao mandato de vereador no Rio e se mudou para Santa Catarina, onde concorre a uma vaga ao Senado. E, nesse sentido, carioca não perdoa. Já se ouve na praia que Carlos largou o Rio.
A esperança de Izalci/ O senador Izalci Lucas tem dito a amigos que só Flávio Bolsonaro poderia hoje salvar uma candidatura dele a uma vaga majoritária, governo ou Senado. Só tem um probleminha: o partido já vestiu a camisa da governadora Celina Leão (PP), em pré-campanha para a reeleição no GDF, haja vista a presença de Bia Kicis (PL-DF), pré-candidata ao Senado e presidente do PL do Distrito Federal, na festa de lançamento da candidatura em Ceilândia.
E tem mais/ O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, foi muito claro, na entrevista ao CB Poder que, no DF, o partido vai de Bia Kicis, e Michelle Bolsonaro ao Senado. O partido nem cogita hoje outros nomes. Vai apostar em Michelle até o último minuto.
Estudar é preciso/ O Centro Cultural Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, será palco esta semana, de segunda a quarta-feira, da Conferência Internacional de Teoria Econômica Pública (PET). A programação contará com a participação dos Prêmios Nobel de Economia Lars Peter Hansen e James Heckman, ambos da Universidade de Chicago. O evento é um dos mais importantes fóruns de debates sobre as aplicações das teorias econômicas na formação de políticas públicas. Serão quatro dias de sessões científicas, trocas de experiências e ideias, de forma a aproximar a produção acadêmica de ponta dos desafios econômicos e sociais do planeta.
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