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O gás na campanha

O presidente Michel Temer fecha hoje o valor do reajuste do Bolsa Família. Já está decidido que o programa não mudará de nome e que o novo valor será definido acima da inflação, de forma a compensar o aumento do gás de cozinha. Também está definido que os beneficiários que prestarem uma contrapartida em serviços comunitários terão ainda um plus no valor do programa. Paralelamente à decisão, o governo pretende deixar claro que nesse período atual, em que a inflação de alimentos caiu, os beneficiários estão comprando mais comida.

A proposta de compensar o aumento do gás de cozinha dentro do reajuste do Bolsa Família será ainda uma resposta do governo ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que, em entrevista ao Correio Braziliense, criticou o valor do botijão. É o governo tentando, aos poucos, dinamitar as farpas dos aliados e dos adversários. Falta, entretanto, combinar com os eleitores.

O Bolsa Família, aliás, veio para ficar. Nenhum dos candidatos fala contra o benefício. Ontem, por exemplo, em almoço na Frente Parlamentar da Agropecuária, o empresário Flávio Rocha, pré-candidato pelo PRB, foi direto, ao defender o programa “com porta de saída”.

Meirelles na roda
O ingresso de Henrique Meirelles no MDB deixa o presidente Michel Temer com um curinga em mãos para jogar com todos os presidenciáveis dos partidos de centro. Essa carta, entretanto, só terá valor se a economia apresentar os melhores resultados. Até aqui, a melhora não valorizou o passe do governo, nem do presidente nem do quase ex-ministro.

Foi ele
Quem convenceu Michel Temer a sair da toca e se lançar pré-candidato à reeleição foi o ex-presidente José Sarney. Em 1989, na primeira eleição direta pós-ditadura militar, Sarney terminou atacado por todos os lados na campanha presidencial sem ter um candidato que defendesse o legado democrático de seu governo.

Minas vai rachar
O MDB de Minas Gerais não vai unido para a campanha estadual. Um grupo apoiará Antonio Anastasia e outro, encabeçado por Adalclever Lopes, ficará com o governador Fernando Pimentel, porque indicou o próprio Adalclever para a vice.

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A escalada da violência/ Não é só ministro do STF Edson Fachin que reclama da falta de segurança. Os petistas estão em alerta máximo desde os episódios no Sul do país, inclusive com tiros que atingiram um ônibus da caravana. Os senadores aliados ao PT levaram o tema ontem para a tribuna da Casa e não vão parar.
[FOTO1]
Leve e solto/ Enquanto o ministro Edson Fachin fala sobre o recebimento de ameaças e só sai para caminhar com seguranças à sua volta, o ministro Ricardo Lewandowski (foto) anda na maior tranquilidade e ainda troca um dedo de prosa com os porteiros do prédio, sem o menor sinal de seguranças.

Plano A/ O ministro das Cidades, Alexandre Baldy, deu um passo atrás no quesito deixar o governo. No PP, há quem diga que o ministro vai se guardar para concorrer à prefeitura de Goiânia daqui a dois anos.

Veja só/ Mal terminou o jogo Brasil 1 X 0 Alemanha, o deputado Rubens Bueno (PPS-PR) saiu com esta: “Agora, está 7 a 2!”. Eis que o deputado Jutahy Júnior (PSDB-BA) responde: “Nesse ritmo, daqui a cinco anos, a gente empata!”

Denise Rothenburg

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