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Lula, o coordenador

Que ninguém se surpreenda se, depois dos senadores, Lula vier a buscar a oposição. Seja dentro ou fora do governo, ele assumiu ontem o papel de coordenador da campanha contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff, e as conversas com os oposicionistas são inevitáveis mais à frente, quando terminar o périplo pelos partidos da base aliada.

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A ideia é colocar sobre a mesa um programa econômico que possa ser usado como atrativo. O tema, aliás, foi mencionado num artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Nada acontece, entretanto, antes do embate do 13 de março nas ruas.

Bala de prata

Integrantes da força-tarefa da Lava-Jato discutiram as consequências políticas da condução coercitiva do ex-presidente Lula. Apenas um deles foi contra e queria indícios mais fortes para pedir logo a prisão do petista. Foi voto vencido, mas deixou uma pista: a força-tarefa ainda não tem essa prova definitiva.

Pasadena, o retorno

Com a suspeita da delação premiada de Delcídio do Amaral, o Tribunal de Contas da União (TCU) volta ao foco por causa do processo de investigação sobre a refinaria de Pasadena. O relator é o ministro Vital do Rêgo, do PMDB de Renan Calheiros.

Herói da resistência I

Lula tem vários motivos para resistir ao tapete vermelho que lhe foi estendido em frente à rampa do Planalto para subir como ministro de Dilma. O primeiro deles é que a família está enroscada na teia da Lava-Jato e não há espaço para todos no gabinete presidencial. Outro é a proteção ao próprio governo: seria colocar a operação dentro do Planalto, que já tem problemas demais para resolver, haja vista a proximidade do processo de impeachment e a crise econômica.

Herói da resistência II

Além desses dois problemas, há um que Lula considera com carinho: seria o reconhecimento público de que ele teme ser preso. E, diz o ditado popular, quem não deve não teme. Se a força-tarefa da Lava-Jato requerer a prisão do ex-presidente, o risco de virar vítima é grande. Isso, aliás, já está no radar dos investigadores.

CURTAS

Coisa antiga/ Circula nas redes sociais reportagem do Jornal Nacional exibida em 2010 sobre a Bancoop, suspeita de desvio de dinheiro da cooperativa para o PT, e ainda reclamações dos mutuários sobre a paralisação das obras do condomínio no Guarujá. À época, Lula foi citado como dono do tríplex. Ao fim, aparece Fátima Bernardes dizendo que o Planalto não quis comentar o assunto.

Porteira aberta/ Aprovada ontem no TRE do Amazonas, a cassação do mandato do governador José Melo desaguará em breve no TSE. Será o primeiro grande teste das ações por abuso de poder político. Inclua-se aí a chapa Dilma-Temer.

Acredite se quiser/ O ex-senador Delcídio do Amaral (foto) mandou avisar ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ue não o citou na delação premiada. Mas a situação é tal ue a desconfiança prevalece diante da palavra.

É o bicho!/ No café da manhã com os senadores de vários partidos da base, Lula ouviu de um deles que ficasse tranquilo em relação ao PSDB: “O que mata jararaca é gavião, tuiuiu e carcará. Tucano só come frutinhas e, se estiver com muita fome, pega filhotes de outras aves”.

Denise Rothenburg

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