Categorias: Política

Temer e a economia

Ao receber ontem cinco senadores que foram alertar para a necessidade de medidas econômicas de curto prazo, o presidente Michel Temer deu sinal verde para que eles conversem com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, na próxima semana a fim de tratar desse tema. Do PSDB, estavam José Aníbal (SP), Ricardo Ferraço (ES) e Tasso Jereissati (CE). Do PPS, Cristovam Buarque (DF). Do PTB, Armando Monteiro Neto (PE), ex-ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio do governo Dilma e ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), hoje relator dos projetos relacionados a dívidas dos estados. No encontro, publicado hoje pela coluna Brasília-DF, na edição impressa do Correio Braziliense (leia post abaixo), os senadores fizeram um relato das preocupações do grupo que sempre se reúne informalmente, pelo menos uma vez por semana, para avaliar o cenário econômico e politico.
A avaliação deles, conforme informou a coluna, é a de que a fixação de um teto de gastos e a reforma previdenciária, um texto que deve seguir na semana que vem para o Congresso, não são suficientes para destravar a economia. Além disso, os indicadores do momento, como a retração do PIB do terceiro trimestre em 0,8%, ainda não apontam um caminho seguro no futuro. Para completar, Meirelles tem jogado um balde de água fria quando destaca que os sinais de recuperação virão apenas no segundo semestre de 2017. O diagnóstico do grupo é o de que é preciso que venha algo mais imediato, capaz de aliviar a produção e os salários, leia-se o trabalhador de carteira assinada, considerados os segmentos mais tributados do país, enquanto o lucro, em especial, do setor bancário paga menos e cobra juros altos a uma classe média que segue endividada, sem condições de auxiliar no aquecimento da economia.
Temer mais ouviu do que falou, mas deu sinais de que o governo não está parado e que novas medidas virão. Na semana que vem, os senadores vão se reunir com Meirelles para levar propostas e discutir alternativas. A ideia é agir já, não esperar a chegada do próximo ano. Sinal de que, nos próximos dias, os olhos do presidente estarão voltados a essas medidas.

Denise Rothenburg

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