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Eduardo Cunha ainda reina

As últimas manobras em torno da comissão especial que analisará o pedido para abertura do impeachment da presidente Dilma Rousseff mostraram a muitos que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, não está tão morto politicamente como esperavam os palacianos. Sentindo-se renovado diante das discussões do processo contra Dilma, Cunha retoma o controle do processo, ao dar tempo para que os adversários do líder Leonardo Picciani (PMDB-RJ), favoráveis ao impeachment, montem uma chapa para concorrer contra os nomes indicados pelo líder para compor a comissão especial. Há um grupo que não descarta sequer montar uma lista para tentar destituir Picciani do comando da bancada.

A confusão criada no PMDB tem um segundo objetivo velado: evitar que o Conselho de Ética da Casa vote ainda esta semana o parecer do deputado Fausto Pinato (PRB-SP) que recomenda a continuidade do processo de perda de mandato contra Eduardo Cunha. O atual presidente da Câmara quer comandar impeachment de Dilma, de forma a coroar a vingança. E, diante das manobras em curso, há quem aposte que ele pode até conseguir esse feito, com ou sem conta na Suíça.

PSB na roda pró-impeachment
O líder do PSB, Fernando Filho (PE), participou da reunião fechada com o grupo pró-impeachment no gabinete de Mendonça Filho (DEM-PE). O deputado socialista é herdeiro politico do senador Fernando Bezerra Coelho, ex-ministro da presidente Dilma Rousseff. O PSB ainda não definiu que rumo tomará nesse processo contra a presidente.

Pressão sobre Temer
Os inúmeros elogios da presidente Dilma e de seus ministros ao vice-presidente Michel Temer são para forçar um posicionamento dele contra o impeachment. Quem conhece o vice, jura que essa declaração não virá. Aguardemos.

“Na atual conjuntura da Câmara, vaca não reconhece bezerro”
Do especialista Eliseu Padilha, ex-ministro da Aviação Civil

Na pauta
Depois de quase uma década, está previsto para amanhã o julgamento do empresário e ex-senador Luiz Estevão por envolvimento no desvio de dinheiro da construção do Tribunal Regional de São Paulo (TRT-SP). A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) incluiu o processo na pauta da sessão extraordinária convocada pela ministra Rosa Weber.

Independentes S.A.
Entre os deputados indicados para a comissão especial do impeachment dentro do PMDB, pelo menos José Priante e Washington Reis têm apadrinhados no governo. A bancada do Rio indicou os diretoras das Docas do estado e Priante fez parte do grupo que indicou os integrantes da Codesp, as Docas de São Paulo. Isso sem contar os cargos no Pará.

CURTIDAS

Novo quartel general/ As salas onde funcionam a liderança do Democratas, vizinhas do gabinete do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, viraram o bunker do grupo pró-impeachment. Ontem, lá estavam, além dos integrantes do DEM, peemedebistas, tucanos, pepistas, representantes do Solidariedade e até socialistas.

“Eu peitei ele!”/ Quem chegou à sala de reuniões na maior felicidade foi o deputado Júlio Lopes (PP-RJ). Aliado de Eduardo Cunha, ele falava para quem quisesse ouvir: “Fui falar com o Leonardo Picciani e peitei ele: Se não for correto, 4 a 4, vou fazer campanha contra você!”. Referia-se aos votos contra e pró-impeachment no rol de indicados do PMDB. Ora, ora… Quem diria… O PP “peitando” o PMDB…

Enquanto isso, no grupo de ministeriáveis…/ O deputado Carlos Marun (PMDB-MS) é direto quando perguntado sobre a consulta para ingressar no governo Dilma: “Consultei minha mãe, d. Dica; minha mulher, Luciane, e elas não me autorizaram a assumir cargo no governo Dilma”, diz ele, um dos nomes da chapa alternativa para a comissão especial pró-impeachment.

Detalhes/ A carta de demissão do ministro Eliseu Padilha é de 1 de dezembro, terça-feira. O protocolo palaciano, deu-se na quinta-feira. Ele agora ocupará uma mesinha na presidência do PMDB. Em tempo: Foi assim que, em menos de um ano, ele se viabilizou para ser o nome do partido ao Ministério dos Transportes do então presidente Fernando Henrique Cardoso.

Denise Rothenburg

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