O risco de encolher partidos

Publicado em Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Educação, Eleições, Eleições 2026, PL, Política, PP, PSD, PT, Senado, STF, TCU, União Brasil

Coluna Brasília-DF publicada no domingo, 15 de março de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

O fato de o banqueiro Daniel Vorcaro ter trocado de advogado justamente em meio ao período de janela partidária acendeu o pisca-alerta no União Brasil e no Progressistas. É que isso reforçou, como já se sabe, a tese da delação premiada. E, nesse sentido, muitos deputados estão inseguros em permanecer nas duas legendas que vêm sendo citadas por terem seus presidentes, Ciro Nogueira, do PP, e Antônio Rueda, do União Brasil, mencionados nas conversas de Vorcaro. A aposta de muitos é a de que, se a situação do União Brasil estava difícil com a saída de deputados e governadores, como Ronaldo Caiado, a tendência é ficar pior.

Crédito: Valdo Virgo

Enquanto isso, no STF… / ... a tensão é tão grande quanto a dos parlamentares, porque haverá uma cobrança para que, em caso de delação, Vorcaro fale também de suas relações com o Judiciário. Ninguém está tranquilo com a sombra do banqueiro pairando no ar.

Um acordo entre PT e PL

Que ninguém se surpreenda se o PT e o PL fecharem um acordo em relação ao novo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). É que os petistas apresentaram o deputado Odair Cunha (PT-MG) para a vaga de Aroldo Cedraz, e o PL planeja indicar um dos seus quadros para a próxima vaga que surgirá mais à frente. O nome citado é o do deputado Altineu Côrtes (PL-RJ) .

A saúde de Bolsonaro

Um dos pontos que mais preocupa a família e os amigos do ex-presidente é o fato de ele realmente demorar a chamar qualquer pessoa quando não está bem de saúde. Em casa, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e auxiliares costumam acompanhá-lo mais de perto, para chamar médicos antes que a situação se agrave. Isso será agora usado para, mais uma vez, buscar a prisão domiciliar do ex-presidente.

Em banho-maria

O Plano Nacional de Educação (PNE) está desde dezembro de 2025 esperando despacho do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para ser discutido e votado na Comissão de Educação da Casa. Entidades do setor estão preocupadas com a demora da aprovação do PNE, uma vez que já foi adiada, de 2024 para o ano passado, e ainda não se tem nem vislumbre de quando isso ocorrerá.

O tempo urge

A Associação De Olho no Material Escolar está bastante preocupada com o calendário político, uma vez que, a partir de 4 de julho, fica tudo paralisado até as eleições em outubro. “Se o plano não for aprovado este ano, o risco é de que todo o processo se arraste para a próxima legislatura, já que o país entra em período eleitoral. Isso pode significar mais atraso para uma agenda que deveria ser prioridade nacional” , destacou Letícia Jacintho, presidente da associação.

CURTIDAS

Pegue a última onda, a que importa/ Dentro do PSD, embora cresça a pressão para o anúncio do candidato a presidente e muita gente diga que esse nome é o do governador do Paraná, Ratinho Júnior (foto), Gilberto Kassab trata de manter a calma. É que um candidato do partido precisa surfar quando a campanha começar. Não adianta nada crescer agora e cair ali na frente. Aliás, toda eleição tem essas ondas. O perigo, porém, é demorar demais e a onda virar uma marolinha.

Voto importante/ Embora a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) já tenha fechado maioria para manter Daniel Vorcaro na cadeia, o voto do decano Gilmar Mendes gera muitas expectativas. É que Gilmar é visto como aquele que sempre “coloca os pingos nos is” , ou seja, fala o que precisa ser dito. A expectativa é de uma defesa alentada do trabalho do STF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), para marcar a importância das instituições. A palavra do decano sempre é algo que provoca reflexões e norteia caminhos.

Aliás…/ O voto de Gilmar Mendes virá com a defesa de Vorcaro com um novo advogado. Pierpaolo Bottini tem outros clientes políticos há mais tempo e não quer se expor a conflitos de interesses. Sinal de que vem mais coisa aí da parte do banqueiro.

Deixa ele lá/ Entre líderes do centrão, há quem concorde com a manutenção da prisão do banqueiro Daniel Vorcaro pelo Supremo. “Foi correta, de fato estamos assistindo a coisas graves que precisam ser aprofundadas e provadas, mas com ele (Vorcaro) solto, poderia interferir nessa parte das investigações” , disse o líder do Republicanos na Câmara dos Deputados, Augusto Coutinho (PE).

Uma federação em apuros

Publicado em Banco Master, coluna Brasília-DF, Congresso, CPMI do INSS, Crise entre os Poderes, Economia, Eleições, Eleições 2026, Política, PP, Senado, STF, União Brasil

Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 6 de março de 2026, por Denise Rothenbug com Eduarda Esposito

O que veio a público a respeito da amizade entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e os presidentes do União Brasil, Antonio Rueda, e do Progressistas, Ciro Nogueira, é pouco para um processo judicial, mas suficiente para provocar um movimento na política, a partir da abertura da janela para troca de partido que começa hoje e vai até à meia-noite de 05 de abril. As apostas são de que a federação ficará bem menor do que os 120 deputados que Rueda e Ciro calculavam juntar quando começaram a tratar do casamento. Naquela época, os dois partidos somavam 109 deputados. Esta semana, quem anunciou a saída da legenda foi o deputado Danilo Forte (União-CE). Em ano eleitoral, a maioria dos deputados quer distância de Vorcaro e de seus amigos.

Crédito: Maurenilson

Quem sobe/ Com a perspectiva de encolhimento dos dois partidos nesta janela, quem projeta um crescimento é o Podemos, da deputada Renata Abreu (SP). Pelo menos, ali muita gente considera possível se manter distante do caso Master. Também estão contando com um incremento de bancadas o Republicanos, presidido por Marcos Pereira e o PSD, de Gilberto Kassab. O balanço final, lá em abril, dirá se as contas de cada um estão certas.

O que tira o sono das excelências

Enquanto vierem a público as conversas de WhatsApp, um uso de helicóptero ali, uma carona de avião acolá, os políticos estão tranquilos. O problema é se começarem a circular imagens das festas do ex-banqueiro.

CPIs fragilizadas

Com a onda de suspensões e anulações de quebras de sigilos bancário e fiscal de vários personagens nas mais diversas CPIs, a avaliação de muitos parlamentares é a de que esse instrumento de investigação perdeu força, ainda que tenha dado alguma luz a fatos, como a movimentação financeira de Fábio Lula da Silva, e o contrato da milionário da esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes com o Master.

Fechem as brechas

A Câmara dos Deputados adiou o debate sobre o projeto que corrigiria as fragilidades do sistema bancário para a semana de 16 de março. A proposta é de 2019 e ganhou força no Parlamento após o escândalo do Banco Master. A intenção é dar uma resposta às falhas que deram chance para que Vorcaro conseguisse dar um golpe tão grande no mundo financeiro.

Falou, agora prove

O deputado Alencar Santana (PT-SP) pediu à Procuradoria-Geral da República que apure as declarações do presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, sobre pessoas que estariam procurando prefeitos solicitando a compra de títulos e ações do Master. Alencar quer que o presidente do partido de Jair Bolsonaro seja ouvido para identificar os envolvidos, quais prefeitos foram abordados e quais ativos foram ofertados.

CURTIDAS

Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

Tudo termina no Supremo/ O adiamento da votação para escolha do novo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) vai provocar mais um recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF). Desta vez, os deputados vão pedir que a Câmara, leia-se o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB), cumpra o calendário definido pelo Decreto Legislativo nº 6 de 1993.

Quem tem tempo…/ A legislação fixa o prazo de cinco dias úteis para indicação dos candidatos pelas “lideranças da Casa”, a contar da abertura vaga no TCU. O período se esgotou nesta quarta-feira. Agora, há ainda mais três dias úteis para uma “arguição pública” dos candidatos.

… não tem pressa/ O deputado Danilo Forte (CE) esperava a indicação do partido. Não ocorreu. Agora, deixa a legenda, abrindo a porteira logo no início da temporada de reacomodação partidária. Ainda não decidiu para onde irá. (Foto)

Daqui para frente…/ Não resta um Poder que não precise se explicar no escândalo do Master. Até a Polícia Federal foi obrigada a se manifestar sobre o falecimento do “Sicário” de Vorcaro, que teve a morte cerebral confirmada pelos médicos.

O primeiro grande tema da polarização

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, CPMI do INSS, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, PL, Política, PP, PSD, PT, Segurança Pública, Senado, União Brasil

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 4 de março de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

A ocorrência de mais um estupro coletivo no Rio de Janeiro, com a participação de menor de idade, de uma menina de 17 anos esquentará o debate da redução da maioridade penal, hoje, na Câmara dos Deputados. O assunto está incluído na Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública, tema que surge como o “abre alas” da eleição de 2026. A avaliação é de que será muito difícil manter essa maioridade em 18 anos depois de tantos crimes cometidos por adolescentes nos últimos tempos.

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E tem outros/ No rol de pontos polêmicos do projeto, estão, ainda, a criação do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) e a destinação de metade dos recursos do fundo de segurança pública para a União. A perspectiva de ser votada esta semana na Comissão Especial, e na semana que vem no plenário, será mais um teste de respaldo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou a um nome mais à direita, seja aos governadores Ratinho Júnior (PR), Ronaldo Caiado (GO) ou Eduardo Leite (RS) — todos do PSD — seja ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Alcolumbre lavou as mãos

Sem saber para que lado vai sua base eleitoral em outubro e com quem poderá contar na sua campanha reeleitoral para presidente do Senado, o senador Davi Alcolumbre (União-AP) joga em duas frentes. Esta semana, ajudou a oposição ao não interferir na quebra do sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, promovida pela CPMI do INSS. Agora, a expectativa dos governistas é de que o senador dê algum alento ao Planalto.

Sai daí rapidinho

Até aqui, os governistas interpretam a decisão de Alcolumbre como imparcial e em respeito ao regimento interno da Casa. Não haverá recurso, mas já se cria um sentimento de que, talvez, seja melhor nem prorrogar a CPMI.

Dispersão

Na base do governo, há parlamentares que não sentem mais vontade de comparecer às sessões da CPMI do INSS. Além do que consideram arbitrariedades por parte do relator, Alfredo Gaspar (União-AL), e do presidente, Carlos Viana (Podemos-MG), muitos afirmam que foi aberto um precedente “perigosíssimo” ao definir que o quórum de votação simbólica é verificado mediante a presença registrada no painel eletrônico — e não com base no número de presentes à sessão no momento da votação.

Por falar em Lulinha…

No governo, o que se diz é que nem ao pai o filho de Lula contou todos pingos dos Is de sua história nesse rolo do INSS.

CURTIDAS

Crédito: Instagram pessoal

Raquel em palanque triplo/ Se depender exclusivamente da vontade da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD, foto), que concorrerá à reeleição, Lula terá o apoio dos dois candidatos que prometem polarizar a eleição estadual. Mas há dois problemas nesse caminho. O primeiro é que o PSD terá candidato ao Planalto, e o segundo é que o PL tem dito que só dará respaldo à pedessista se ela abrir o palanque para Flávio Bolsonaro.

Marília trai Paulinho/ Na chapa do prefeito de Recife, João Campos (PSB), ao governo do estado, cresce a fila de précandidatos ao Senado. Marília Arraes, por exemplo, era a aposta do deputado Paulinho da Força (SP) para ampliar a bancada do Solidariedade na Câmara Federal. Mas ela pretende se candidatar a uma vaga de senadora pelo PDT.

Sexta-feira nada santa/ Começa em 6 de março e vai até 5 de abril a janela para trocas de partido. Muita gente de olho no futuro do União, do Progressistas e do PL. A avaliação é de que nesses partidos ocorrerão as maiores movimentações.

Bolsonaro repete Lula/ Assim como o então candidato do PT ao Planalto, Fernando Haddad, se tornou advogado de Lula em 2018, para poder visitá-lo sempre que necessário naquela campanha, Flávio Bolsonaro será um dos nomes que representarão o pai ex-presidente. Assim, poderá ter acesso diário à Papudinha.

Federação União Progressista sobe no telhado

Publicado em 6x1, Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, CPMI do INSS, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Política, PP, União Brasil

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Um jantar na casa do senador Laércio Oliveira (PP-SE) colocou em xeque a perspectiva da federação entre União Brasil e Progressistas. Anunciada no ano passado com direito a discursos, no Centro de Convenções de Brasília, a coligação sucumbe por causa das divergências regionais. À coluna, o parlamentar contou que as discrepâncias são grandes demais para que a federação siga em frente. “Quando o projeto se iniciou, se tinha a ideia de que Ciro Nogueira (PP-PI) fosse candidato a vice-presidente (numa chapa encabeçada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas) e isso tinha um peso eleitoral. Mas, como não se concretizou, é melhor nem federar”, defende o senador sergipano.

Crédito: Maurenilson Freire

Porta de saída/ O sentimento de Laércio é compartilhado por outros nomes da sigla de Ciro, porém o presidente tem resistido à ideia de não concretizar o projeto UP. O senador afirmou, ainda, que a sigla pode terminar menor do que quando começou o projeto de federação, já que muitos têm afirmado que deixarão o Progressistas caso o casamento seja mantido. Só tem um probleminha: talvez a pressão dos parlamentares tenha vindo tarde demais. É que a cúpula dos dois partidos espera que a federação seja aprovada, esta semana, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Se depender de Dirceu…

… o vice-presidente Geraldo Alckmin fica onde está. Na reunião do partido em São Paulo, José Dirceu foi incisivo ao dizer que tirar Alckmin da chapa arrisca comprometer a reeleição. O MDB está rachado, a troca do vice não levará à ampliação dos votos e ainda ameaça perder votos cruciais em São Paulo.

Não está fácil para ninguém

Se o PT está brigando internamente por causa da questão da vice, no outro extremo a briga também impera — haja vista o malestar dentro do PL. Tem troca de farpas entre Eduardo Bolsonaro e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e entre Valdemar Costa Neto e Carlos Bolsonaro. Em meio às intrigas, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenta vestir a fantasia “simpatia e amor”, dizendo em suas redes que gostaria de contar com todos, todas e “todes” — expressão que os bolsonaristas abominam.

Separar as estações

Se depender do senador Laércio Oliveira, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de desoneração da folha não vai se misturar com a que estabelece a redução da escala 6 x 1. “Não há sintonia entre a PEC do emprego e o fim da escala 6 x 1. A PEC é desoneração para reduzir o custo do emprego e incentivar geração de posto de trabalho formal, sem onerar os cofres públicos. Na verdade, é uma proteção para a Previdência Social, que fecha todos os anos em deficit”, afirmou à coluna.

Pragmatismo

Se tem algo que o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) vai cobrar para ser candidato a governador é carta branca para definir o palanque. Seus aliados dizem que não dá para o PT insistir que ele seja candidato e não deixá-lo trabalhar na ampliação de forças. Ou seja, Pacheco quer, sim, Aécio Neves, do PSDB, no seu arco de alianças.

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Crédito: Carlos Moura/Agência Senado

Powerpoint revive/ O ex-deputado Deltan Dallagnol, famoso nos tempos da Opertação Lava-Jato pelo powerpoint que colocava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no centro da trama, repete a mesma imagem em suas redes sociais com outro personagem e outro escândalo: o ministro Dias Toffoli toma o lugar de Lula ao centro e os círculos se referem ao caso Master/BRB.

Tempo de tela/ A afirmação do presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), sobre não aceitar nada além da presença física do ex-banqueiro Daniel Vorcaro à comissão, tem sido vista como pura forma de ganhar holofotes com o depoimento. À coluna, parlamentares afirmam que se quisesse mesmo as informações, Viana aceitaria a ida à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).

Haja pizza!/ Com a liberação do acesso dos documentos relacionados às transações de Vorcaro, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) convidou a amiga e deputada Bia Kicis (PL-DF) para uma mudança de rotina nos próximos dias. Levar um colchão e pedir uma pizza para um fim de semana analisando toda a papelada e arquivos digitais. Serviço não falta.

Essa é nova/ Quando os experientes integrantes de CPIs acham que já viram de tudo, aparece uma “pérola” diferente para tentar explicar o inexplicável. Na CPMI do INSS, a empresária Ingrid Santos (foto), dona de empresas suspeitas de receber desviados de aposentados e pensionistas com registro na Conafer, referiu-se ao trabalho de seu marido como prestador de “consultoria da vida”

O “raio X” do Master vai tensionar a política

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Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Kleber Sales

Que ninguém espere complacência do presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, senador Renan Calheiros, em relação ao caso Master. Nem tampouco que ele preserve aliados ou adversários. Quem estiver enrolado, que responda por seus atos. Até aqui, Renan tem colocado seu maior adversário na roda. Numa conversa com jornalistas em seu gabinete, o senador foi claro: “Os dirigentes da Câmara do Centrão chantagearam o ministro do Tribunal de Contas da União (Jhonatan de Jesus). Arthur Lira e Hugo Motta levaram o rapaz a isso (tentar reverter a liquidação do Master). O presidente do TCU evitou e Jhonatan foi para Roraima e não voltou mais”.

Vem mais/ Da mesma forma que fala de Arthur Lira, Renan quer que o governo Lula explique as três reuniões palacianas com Daniel Vorcaro. Até aqui, Renan Calheiros não se pronunciou sobre a investigação aberta pelo Superior Tribunal de Justiça em relação ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que é do seu partido, o MDB. Seu plano de trabalho não cita o BRB. Porém, com os três senadores do Distrito Federal na subcomissão, não faltará quem proponha o chamamento do GDF e do Banco Regional de Brasília (BRB), para prestar esclarecimentos.

União e PP longe dos palanques presidenciais

As primeiras reuniões de cúpula dos presidentes do União Brasil, Antonio Rueda, e do PP, Ciro Nogueira, indicam que eles pretendem oficializar um casamento com qualquer candidato ao Planalto. A ordem é focar na eleição de deputados e senadores. Afinal, é o número de deputados que define o valor do fundo partidário destinado a cada agremiação. A federação, segundo cálculos de parlamentares, planeja eleger entre 109 e 120 parlamentares.

A polêmica das salvaguardas

No acordo do Mercosul-União Europeia, parlamentares do agro querem que o Brasil negocie as salvaguardas adotadas pelos europeus, de forma a evitar que a aplicação de gatilhos automáticos, o que pode levar a suspensão dos benefícios tarifários em caso de queda nos preços de 5%. O setor quer que o gatilho seja negociado caso a caso, quando houver algum pedido para que seja aplicado. É isso que vai nortear as discussões da tramitação no Congresso.

Falta atuação

Convidados para participar da solenidade de pacto contra o feminicídio no Palácio do Planalto, alguns parlamentares não compareceram. A senadora Margareth Buzetti (MT), por exemplo, aprovou seu projeto do Cadastro Nacional de Pedófilos e Predadores Sexuais, que entrou em vigor em novembro de 2024, mas até hoje não viu a implementação. Basta uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para o cadastro começar a valer e o Ministério da Justiça tomar a frente dessa implementação.

Quer bancar, que pague

O setor produtivo olha com atenção e cautela a discussão da PEC 6×1, que propõe a redução da jornada dos trabalhadores brasileiros. Os empregadores são favoráveis a conceder direitos, mas querem que o governo arque com os custos. Uma possível saída é a desoneração da folha de pagamento para setores que tiverem a carga horária reduzida. O assunto ainda está incipiente e foi colocado na roda durante almoço na Frente Parlamentar de Comércio e Serviços.

CURTIDAS

Crédito: Edilson Rodrigues/Agência Senado

É para investigar, viu?/ Escaldado com o fato de o senador Izalci Lucas (PL-DF) defender o governo Jair Bolsonaro na CPI da Covid, em 2021, o ex-relator da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL), virou-se para Izalci e foi direto: “Aqui é para apurar tudo. Não faremos uma investigação com cloroquina!”

“No Senado colocamos o feminicídio no Código Penal. Não pude ir à solenidade do Planalto porque estava abrindo a investigação contra o Master. Mas a ausência master de Alagoas na solenidade de combate às agressões contra a mulher foi do deputado Arthur Lira”. Do senador Renan Calheiros (MDB-AL), um dos autores da proposta que colocou o feminicídio no Código Penal, ao se referir ao ex-presidente da Câmara e seu ferrenho adversário no estado.

Por falar em Arthur Lira…/ Causou estranheza entre os integrantes do partido Progressistas o fato de o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino ter determinado a acareação do deputado José Rocha (União-BA) apenas com Arthur Lira (PP-AL). Os pepistas dizem que outros deputados fizeram as mesmas afirmações que Lira, e por enquanto ao que eles sabem, não serão obrigados a passar por esse constrangimento.

Casa da Liberdade, mas…/ Sem liberdade de circulação. Na festa que promoveu para marcar a abertura do ano legislativo, a Casa da Liberdade, que reúne empresas e parlamentares que defendem o livre-mercado, os anfitriões mantiveram a parte interna apenas para parlamentares, autoridades e convidados com “pulseiras douradas”. E a verde para os demais convidados.

Fachin em carreira solo

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, Política, Segurança Pública, Senado, STF, União Brasil

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 3 de fevereiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

Em conversas reservadas, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) não escondem o desconforto pelo fato de o presidente da Corte, Edson Fachin, ter começado a trabalhar no Código de Ética sem combinar com os demais. Eles consideram que era preciso, antes de anúncios e defesas, discutir no colegiado e usar mais o “nós”. Ali, a terceira pessoa do plural conta, e muito, na hora de fazer valer projetos que afetam a todos. O tema certamente será tratado no almoço da semana que vem, marcado para 12 de fevereiro, quinta-feira, vésperas de carnaval. Depois de anunciar o tema como “prioridade de sua gestão” e dizer que “os ministros são responsáveis pelas escolhas que fazem”, não há caminhos alternativos para os colegas de Fachin: ou apoiam ou se desgastam ainda mais.

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Muito além do gênero feminino/ A escolha da ministra Cármen Lúcia para relatar o Código de Ética do STF vem sob medida, e não tem nada a ver com o fato de ser a única mulher a ocupar uma cadeira no STF. Ela é, atualmente, quem tem mais alinhamento com Edson Fachin e sempre caminhou no sentido de tornar a análise dos processos mais ágeis, transparentes. Não cede a pressões e tem duas ferramentas consideradas fundamentais para redigir esse texto: paciência para ouvir a todos e coragem para enfrentar desafios.

Tem que ver isso aí I

Aumenta a sensação dentro do Congresso Nacional de que é urgente regular as fintechs. Para deputados ouvidos pela coluna, é preciso ter um sistema que evite a entrada do crime organizado nessas plataformas digitais.

Tem que ver isso aí II

Parlamentares apostam que o momento é propício para essa regulamentação, porque o setor produtivo deve apoiar a medida. Representantes de empresas que pagam seus impostos estão preocupados com o fato de as fintechs acabarem servindo para uma concorrência desleal em diversos setores. Citam, inclusive, o caso da operação Carbono Oculto, que desbaratou um esquema de lavagem de dinheiro, em que as plataformas digitais eram usadas para burlar a fiscalização. Agora, é preciso apertar a Legislação.

E o Banco Master?

A base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não quer apoiar a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master do deputado Carlos Jordy (PL-RJ). Muitos relembraram que o deputado está sendo investigado por desvio de verba parlamentar e não querem assinar um pedido dele. A intenção é apoiar o requerimento da deputada Fernanda Melchionna (PSol-RS).

Hugo e a bandeira branca

Ao começar o ano votando a Medida Provisória do Gás do Povo, o objetivo do presidente da Câmara, Hugo Motta, foi mostrar boa vontade para com o governo. Ainda que a tensão por causa das emendas parlamentares não tenha se dissipado, é hora de pacificar. Os políticos paraibanos logo viram nesse gesto de votar a MP no primeiro dia de funcionamento pós-recesso um sinal de que a proximidade com Lula importa. Especialmente, para a campanha de Nabor Wanderley (Republicanos) ao Senado pela Paraíba. Nabor é pai do presidente da Câmara

CURTIDAS

Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasília

Sólido anfitrião/ O camarote do BRB no Estádio Mané Garrincha reuniu em torno de cem convidados no último domingo, durante o jogo Corinthians X Flamengo, com buffet Renata La Porta. Vida que segue.

Mal-estar geral/ Com a saída do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do União Brasil, os filiados da legenda estão meio frustrados com a capacidade de articulação de Antonio Rueda, que comanda a legenda. Uma excelência comentava no plenário da Câmara que Rueda está mais para um “comerciante” do que para presidente de partido.

“Somos todos iguais”/ O fato de o presidente da Câmara discursar da tribuna foi um gesto no sentido de deixar claro que não há diferença entre ele e os demais parlamentares. Pelo menos, esta foi a leitura de muitos que estavam no plenário.

Destaque econômico/ O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, recebe, na sexta-feira, o prêmio Personalidade Econômica de 2025 do Conselho Federal de Economia. A solenidade será na Câmara Legislativa do DF. Ele será o 21º economista agraciado com a premiação. Já ganharam o mesmo reconhecimento Maria da Conceição Tavares, Delfim Netto, Tania Bacelar e André Roncaglia. O BNDES será premiado como Destaque Econômico na categoria Desempenho Técnico, pelo segundo ano consecutivo.

Balde de água fria

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Lula, Política, PT, Senado, STF, União Brasil

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Kleber Sales

A escolha do advogado-geral da Petrobras, Wellington César Lima e Silva, para o Ministério da Justiça e Segurança Pública, foi uma frustração para a maioria dos ministros políticos. É que muitos esperam colocar os respectivos secretários-executivos no comando das pastas. E a nomeação de um nome ligado ao PT significa que o partido pode, inclusive, avançar sobre ministérios que estão a cargo de outras legendas. A própria Justiça estava sob a batuta do PSB no início deste Lula 3. Flávio Dino foi para o Supremo Tribunal Federal e o partido ficou a ver navios quando Lula escolheu o ministro aposentado do STF Ricardo Lewandowski.

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Em tempo: na Esplanada dos Ministérios, muita gente diz que o mais lógico seria manter na Justiça o secretário-executivo, atual ministro interino, Manoel Carlos de Almeida Neto — tido como braço direito de Lewandowski. Tem muita gente preocupada que o PT indique técnicos para os cargos que estão com os partidos.

Te cuida, PH

Nos bastidores do Governo do Distrito Federal, o que se diz é que qualquer problema que houver do BRB em relação ao Banco Master será debitado na conta de Paulo Henrique Costa, o ex-CEO do Banco Regional de Brasília.

Fidelidade recompensada

O governo ainda não fechou todos os requisitos que devem ser atendidos pelos substitutos dos ministros políticos que deixam os cargos em abril para concorrer a um mandato eletivo. Uma coisa é certa: se o partido estiver com Lula, a agremiação continuará no direito de indicar. Se não for assim, o PT pedirá a vaga.

Há exceções

Ainda está forte na memória dos políticos o caso do Ministério do Turismo. Ali, o União Brasil deu um ultimato ao ministro Celso Sabino. Ele preferiu Lula e, mesmo assim, terminou fora da pasta, porque a bancada indicou outro nome, Gustavo Feliciano, da Paraíba.

O imprevisível e a certeza

É assim que deputados de esquerda se referem ao veto da parte da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que jogou no lixo uma parcela expressiva das emendas de 2019 a 2023 inscritas como os restos a pagar. O Centrão, conforme o leitor da coluna já sabe, aposta na derrubada do veto e a direita está dividida.

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Crédito: Divulgação

Fim do recesso/ Depois da operação contra o deputado Félix Mendonça Júnior (PDT-BA), em pleno período de calmaria no Congresso, acabaram as férias parlamentares. Tem muita gente com medo.

Pingos nos Is/ A frase do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em apoio ao Banco Central (BC) no caso do Banco Master não deixa dúvidas sobre quem é o vilão: “Podemos estar diante da maior fraude bancária da história do país”

Missão na avenida/ O Movimento Brasil Livre (MBL) escolheu o caso Master para manifestação de rua de 2026. Em 22 de janeiro, às 18h, na Avenida Paulista, o MBL coloca seu partido, o Missão, num ato a fim de pressionar por mais transparência no processo que tramita contra o ex-banqueiro Daniel Vorcaro (foto) que corre em sigilo no STF.

Balanço geral/ O setor de bets completou um ano de regulamentação este mês e, para marcar a data, em 29 de janeiro vai realizar o Bet On Brasil, um evento com várias palestras e rodas de conversa a fim de analisar os primeiros 12 meses do mercado formal de apostas no país. Entre os painelistas confirmados para o encontro no Mané Garrincha, em Brasília, estão Gabriella de Andrade Boska, coordenadora de Gestão de Redes de Atenção Psicossocial do Ministério da Saúde; Luiz Orsatti Filho, diretor do Procon-SP; e Plinio Jorge Lemos, presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL).