A passagem de Moro

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O ministro da Justiça, Sérgio Moro, faz agora a passagem do juiz para o político. Logo na chegada, saiu do lugar que lhe estava reservado e conversou com alguns senadores, como Nelsinho Trad (PSD-MS)  e Marcos Rogério (DEM-RO). Fez questão de cumprimentar outros, distribuir sorrisos. Não foi descortês sequer com aqueles que foram mais duros em suas colocações. Ao elencar os ganhos da Lava Jato e os recursos do próprio Ministério Público às suas decisões, ganhou uma parte expressiva da plateia.

 

 

Chegou a dizer que, se houver irregularidades, deixa o cargo. A frase, em resposta a uma pergunta do senador Jaques Wagner (PT-BA), não foi dita à toa. Moro sabe que tem apoio popular e, para muitos, recupera agora uma parte do que pode ter perdido quando os primeiros diálogos vieram à tona. Se sair do governo, ninguém tem mais dúvidas de que será procurado por partidos políticos para concorrer à Presidência da República. Nesse momento, em que seu depoimento à Comissão de Constituição e Justiça do Senado caminha para o final, o ministro completa seu batismo na política, carreira que começou a abraçar no momento em que trocou a toga e as camisas pretas pelos tons mais claros que exibe agora no Senado.

 

 

Moro frisa duas palavras: “sensacionalismo” e “ataque”

Sérgio Moro
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Até aqui, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, vai muito bem, obrigado. Desde a exposição inicial frisa o que chama de sensacionalismo da divulgação do material que chegou ao site The Intercept. Fala dos diálogos como algo que carece de comprovação pericial. Para completar, sua segurança no depoimento e os dados que ele apresentou logo no início sobre a Lava-Jato e a recuperação de R$ 2,7 bilhões saltam aos olhos. Os senadores comentam nos bastidores, que, a continuar nesse ritmo, ele sairá dali fortalecido e com fôlego renovado.

Em tempo: Moro é escolado em longos depoimentos. A conversa ali na CCJ do Senado vai longe, mas ele tem preparo para isso. Ninguém aposta nesse momento que vá tropeçar. Vejamos as próximas horas.

 

 

Comunicação foi a gota d’água para a saída de Santos Cruz

Santos Cruz
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General Luíz Eduardo Ramos Baptista Pereira substituirá Santos Cruz

Faltando menos de 30 dias para fechar seus primeiros seis meses de governo, o presidente Jair Bolsonaro se vê numa situação de dispensar seu terceiro ministro, sendo o segundo do Palácio do Planalto e o primeiro militar a sair. Responsável pelo programa de parceria de investimentos e pela área de comunicação, o ministro da Secretaria de Governo, general Santos Cruz, cuidava de quase tudo. Sobreviveu bem, até bater de frente com o grupo mais ligado ao escritor Olavo de Carvalho, que criticou o agora ex-ministro abertamente no Twitter. Santos Cruz será substituído pelo general de Exército Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira, atual comandante militar do Sudeste, de forma a não deixar a ala militar descontente. Resolvida a área militar, falta agora evitar novos embates entre o novo ministro e a comunicação de governo.

Uma das ações em estudo no governo, de forma a dar um “freio de arrumação”, é mexer nas atribuições da Secretaria de Governo. Não está descartada uma maior autonomia ao setor de comunicação, vinculando-o diretamente ao Gabinete Presidencial. Ao longo desses seis meses, havia ruídos em praticamente todas as reuniões de comunicação, tanto com os primeiros comandantes da Secom quanto o atual, Fábio Wajngarten. Esse setor também tem muita influência dos filhos do presidente, em especial, Carlos Bolsonaro, que invariavelmente concorda com as crítica do escritor Olavo de Carvalho a autoridades do governo.

Desde o início, os técnicos da área de comunicação governamental reclamam de cortes nessa área, estratégica para que o governo possa expor seus projetos. Chegou ao ponto de o ministro da Economia, Paulo Guedes, reclamar com o presidente a respeito de cortes na campanha da Nova Previdência, crucial nesse período de apreciação da reforma nos plenários da Comissão Especial, da Câmara e do Senado. Há um consenso no governo que, para vencer a batalha, será preciso pressionar de fora para dentro do Congresso. E os sindicatos aplicaram cinco vezes mais em campanhas publicitárias. E Santos Cruz resistia a liberar mais recursos e estrutura para essa área.

Santos Cruz também teve um embate com o grupo politico mais afeito ao ex-presidente José Sarney, quando chamou o ex-senador Francisco Escórcio apenas para demiti-lo. Chiquinho, como é conhecido, funcionava no governo do ex-presidente Michel Temer como uma espécie de “posto avançado” do Executivo no Legislativo, dedicado a sentir a temperatura do Congresso em relação aos projetos do Planalto, de forma a antecipar possíveis problemas que possam afetar o diálogo entre os Poderes. Até aqui, não há um assessor da Secretaria de Governo que faça esse papel.  Os parlamentares,  por exemplo, reclamavam que Santos Cruz os recebia, mas os pleitos não tinham consequência. Eles esperam que o novo ministro tenha mais poder para atender levar avante os pedidos políticos. Ou que a Casa Civil, que mudou seus assessores, tenha mais condições de atender os parlamentares.

 

 

“Vão transformar bandidos em heróis”

Publicado em Lava Jato, Política

A frase acima foi dita por um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) há muito mais de um ano. Reservadamente, ele comentava comigo numa conversa informal, em off, que os métodos da força-tarefa da Lava Jato e a possível parceria entre o então juiz Sérgio Moro e o Ministério Público poderiam colocar a perder um trabalho necessário e importante, que apeou uma quadrilha da Petrobras e colocou muitos ladrões de dinheiro público na cadeia. A avaliação desse e de outros ministros era a de que a força-tarefa, para cumprir esse trabalho, por várias vezes forçou a mão. Agora, os diálogos divulgados nas redes sociais pelo The Intercept indicam que o juiz Sérgio Moro aconselhou uma das partes do processo. O Código de Processo Penal em seu artigo 254 é claro. Diz o caput: “O juiz dar-se-á por suspeito, e, se não o fizer, poderá ser recusado por qualquer das partes” E o inciso IV:  “Se tiver aconselhado qualquer das partes”.

Até aqui, tanto a nota do Ministério Público do Paraná quanto a do ministro da Justiça, Sérgio Moro (ambas disponíveis no site do Correio), não desmentem o conteúdo dos diálogos, que agora passarão por uma investigação, para verificar a sua autenticidade. O vazamento é grave por si, como todos os outros feitos ao longo da Lava Jato e que foram igualmente noticiados.  E o conteúdo terá desdobramentos. Petistas já falam em pedido de CPI. Os partidos vão  convocar Moro a dar explicações. E não estarão sozinhos.

Os parlamentares de partido de centro que ainda têm contas a acertar com a Justiça por causa da força-tarefa da Lava Jato prometem dar um empurrãozinho nos pedidos da oposição. Não perdoam o ex-juiz. O receio de alguns deputados que acompanham á distância e não são investigados é que os enroscados entrem nesse jogo e peçam a cabeça do ministro em troca de votos para aprova a Previdência. O presidente Jair Bolsonaro até agora, já passa das 22h40, não se pronunciou. Os deputados dos partidos de centro também não.  A noite desses parlamentares será dedicada a pensar estratégias.  Alguns desses centristas já disseram a colegas congressistas que vão procurar descobrir se há como ajudar o PT a emparedar Moro sem aparecer. Pelo menos, por enquanto, essa é a disposição. Alguns bandidos, certamente, vão aproveitar a situação para posar de heróis.

 

Tendência do Senado é devolver Coaf a Moro (e arriscar perder toda a 870)

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O primeiro teste do governo Jair Bolsonaro pós manifestações será no Senado, com a votação amanhã da Medida Provisória 870, modificada pela Câmara dos Deputados. E, a contar pelos  cálculos de bastidores, a tendência do Senado é mesmo devolver o Conselho de Controle das Atividades Financeiras (coaf) ao guarda-chuva da Justiça, hoje sob os cuidados do ministro Sérgio Moro. Só tem um problema: A MP vale só até 2 de junho. E, feita a mudança pelos senadores, o texto tem que voltar à Câmara. Dada a guerra em plenário e o clima ruim entre o Congresso e o governo pós-manifestação, o risco de não votar a MP esta semana na Câmara é altíssimo, e, se isso acontecer, a MP perde a validade e a Esplanada volta ao formato do governo Michel Temer.  “O texto só será mantido na forma da Câmara se o presidente vier a público pedir que se aprove do jeito que está, para que não haja o risco de a medida caducar”, disse o senador Izalci Lucas (PSDB-DF), que hoje vota a favor do Coaf na Justiça.

Então, o governo e os senadores estão com um dilema:  Ou seguem o pedido das ruas, e defende o Coaf com Moro, ou garantem o desenho da Esplanada feito pela equipe do presidente Jair Bolsonaro. A Câmara, até aqui, não disse se garante uma nova votação. Se for para cumprir os prazos de publicação do texto e leitura em plenário, não haverá tempo. E, depois das críticas a que foram submetidos nas ruas ontem, os congressistas prometem se agarrar cada vez mais ao texto constitucional e ao regimento, ou seja: Respeitar os prazos e não aos “conchavos” criticados nas ruas, acordos que costumam apressar as coisas no Congresso, geralmente, em favor do governo. Logo, uma manifestação que era para ajudar o presidente, está a um passo de atrapalhar. Vejamos os próximos capítulos.

Com texto disparado pelo WhatsApp, Bolsonaro se mostra acuado

Bolsonaro
Publicado em Política

O país não quer que Bolsonaro faça conchavos, quer que ele governe dedicando energia àquilo que interessa à maioria dos eleitores: emprego, renda, saúde, educação e segurança.

O texto compartilhado pelo presidente Jair Bolsonaro a amigos via WhatsApp, aquele que diz que o país é ingovernável sem conchavos, foi visto até por aliados como um sinal de que ele se sente cada vez mais acuado. Alguns arriscam a dizer que ele está até meio perdido sobre que decisões tomar e em quem confiar. A carta apócrifa, divulgada pelo Estadão, que publicou em seguida uma resposta do próprio Planalto, indica ainda que o presidente dá um xeque-mate muito cedo, uma vez que não colocou sequer o que representa a nova politica que prometeu empreender no país.

Diz a resposta que o presidente enviou à jornalista Tânia Monteiro, do Estadão, por intermédio do porta-voz:  “Venho colocando todo meu esforço para governar o Brasil. Infelizmente os desafios são inúmeros e a mudança na forma de governar não agrada àqueles grupos que no passado se beneficiavam das relações pouco republicanas. Quero contar com a sociedade para juntos revertermos essa situação e colocarmos o País de volta ao trilho do futuro promissor. Que Deus nos ajude!”, afirmou o presidente.

Até aqui, a nova politica, na visão de muitos, parece ser algo do tipo: “Façam apenas o que eu quero”. Bolsonaro não foi feito sozinho, deputados, senadores, governadores e prefeitos também o foram. E é preciso estabelecer a base de diálogo com todos, o que até agora não foi feito. O presidente e sua equipe não são deuses, nem donos da verdade, precisam apresentar as bases de um diálogo. Imagine, caro leitor, um jogo de futebol do campeonato brasileiro, por exemplo. As regras do ano passado não valem mais, tá ok? Perfeito. Agora, quais são as novas regras? Como ninguém sabe, estão todos ali, esperando, uns se aquecem dentro do campo, tocando bola, outros dão cambalhotas, enquanto a maioria apenas observa, esperando o surgimento das novas regras. Ocorre, que, no jogo do poder, o relógio não está parado.

Sem saber o que essa nova politica representa, quais são as novas regras do jogo, tudo vai parando e os problemas aumentando. O Orçamento não tem recursos para investimentos, em breve faltará para pagar despesas correntes. O Congresso tem dificuldades em aprovar na íntegra as propostas que ele apresenta, como, aliás, nenhum presidente conseguiu até hoje, em especial, num tema como Previdência. E, para completar, o senador Flávio Bolsonaro, o 01, deve muitas explicações sobre compra e venda de imóveis e ex-funcionários ligados a milicianos.

Em relação ao Congresso, o presidente, nos últimos meses, manteve uma relação de idas e vindas com os parlamentares. Fixou primeiramente sua relação com as bancadas temáticas, deixando os líderes partidários fora do seu campo, jogando sozinhos. As conversas com o presidente da Câmara e do Senado só ocorreram em março, às véspera da viagem aos Estados Unidos. A conversa mais alentada se daria um mês depois. Porém, quando tudo parecia caminhar de forma mais cordial, o presidente, no Twitter, voltou a dizer que definiria exclusivamente o que faria em relação à Venezuela, o que levou Maia a responder com um alerta de declarações de guerra têm que obrigatoriamente passar pelo Parlamento.  Bolsonaro não gostou do puxão de orelhas.

Com os militares, a relação também não foi das melhores, por causa dos ataques diretos feitos por Olavo de Carvalho e pelo 02, Carlos Bolsonaro, incansável no papel de tratar até amigos e aliados do presidente como conspiradores. Derrubou Gustavo Bebianno da mesma forma que Olavo de Carvalho quase conseguiu derrubar o general Santos Cruz. Vale lembrar que, nesses episódios, Bolsonaro não foi incisivo na defesa de nenhum dos auxiliares, pedindo aos militares apenas que considerassem o episódio encerrado.

Nas últimas duas semanas, o presidente mais uma vez, em vez de se garrar no serviço de aprovar a reforma da Previdência e azeitar sua relação com o Parlamento, jogou energia num decreto de ampliação do porte de armas, texto de constitucionalidade duvidosa, e, na primeira manifestação contra seu governo, chama todos de idiotas, quando o erro primário partiu de um ministro da Educação, Abraham Weintraub, que declarara publicamente bloquear verbas de universidades que, na avaliação faziam balbúrdia. Muitos governos no passado recente, inclusive Dilma Rousseff, tiveram que bloquear recursos da Educação, mas nenhum anunciou isso como um “castigo” dado com gosto de vitória como fez Weintraub. Todos davam essa notícia com ares de velório.

Falta a Bolsonaro, dizem alguns de seus próprios aliados, energia positiva e leveza para governar, sem ver em todos “inimigos a serem abatidos”.  Não é colocando a culpa nos outros que seu governo ganhará altitude para voar em céu de brigadeiro. Ainda está tempo.

Bolsonaro manda rever cortes no orçamento das universidades

Publicado em Governo Bolsonaro, Política

Parlamentares que estiveram hoje com o presidente Jair Bolsonaro chegaram ao Congresso comemorando. O presidente, antes de embarcar para Dallas, teria conversado com o ministro da Educação, Abraham Weintraub, e determinado que refizesse as contas a respeito dos cortes nos orçamentos das universidades. “Minha decisão é não cortar”, disse Bolsonaro a líderes aliados que estiveram ontem no Planalto. A notícia logo se espalhou no plenário. Porém, não havia sido divulgada oficialmente até o início da noite e a Casa Civil correu para desmentir. Entre os líderes, ficou a dúvida: Ou o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse ao presidente que não dava para recuar e dar a vitória à esquerda, ou o governo deixará esse anúncio para Weintraub fazer em sua exposição na Câmara, transformando o ato de protesto dos estudantes convocado para hoje numa grande festa de agradecimento ao presidente por rever os cortes. De quebra, um recuo dá ainda ao PSL o discurso de que tem um chefe do Poder Executivo sensível aos anseios da sociedade em termos de educação, não apenas no quesito armamentos.

 

A notícia de revisão nos cortes, se confirmada, leva o governo a dar um nó em dois adversários: Os partidos de esquerda, que perdem o discurso de ressurgimento do movimento de rua contra o governo e, de quebra, tira de cena o motivo que levou à convocação do ministro Weintraub ao plenário da Câmara, por um placar de 307 votos a 82. Se Weintraub chegar ao plenário hoje falando que não haverá mai cortes, será agraciado.

 

A avaliação política feita por aliados do presidente é a de que as primeira informações do governo a respeito das instituições federais de ensino superior mereceram aplausos, uma vez que não falavam em cortes e sim em cobrança de excelência no ensino e na produtividade tanto dos alunos quanto das pesquisas. Algo que ninguém em sã consciência iria para as ruas protestar. Os cortes, entretanto, não são recebidos da mesma forma. Afinal, não é possível cortar e ao mesmo tempo cobrar  excelência. Quanto aos oposicionistas, dizem alguns, poderiam até mesmo usar o discurso de que a convocação dos atos de protesto e do ministro levaram o presidente a refazer a conta. Bolsonaro, pro sua vez, dirá que tomou essa decisão em defesa do ensino de qualidade e do poder de cobrar excelência das universidades públicas. Aí, é do jogo. O eleitor e o contribuinte que tirem as suas conclusões.

 

À medida em que a reforma avança, Centrão aumenta pressão por cargos

reforma
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Coluna Brasília-DF

Paralelamente à negociação do texto da reforma da Previdência em tramitação no Congresso, os partidos já fizeram chegar ao Planalto que, a princípio, dispensam os cargos de segundo e terceiro escalões. É que quem já fez as contas considera que esses postos e nada são quase a mesma coisa. Portanto, a tendência agora é continuar a criar confusão até que o governo se convença de abrir as portas do primeiro escalão aos partidos do Centrão. A esta altura do campeonato, lembram os parlamentares desse segmento da política, só o DEM foi contemplado. E, por mais que o governo diga que não escolheu seus ministros levando em conta a coloração partidária, é assim que os deputados veem.

Moral da história: enquanto alguns vão para a Comissão Especial dispostos a mudar o mérito, o Centrão vai aproveitar para arrancar um naco do Poder Executivo. Isso dá ao presidente Jair Bolsonaro as seguintes opções: ou cai no toma lá, dá cá e tenta preservar a sua proposta, ou negocia com a ala que deseja, realmente, reformular a Previdência, de forma a manter alguns benefícios e aliviar a transição.

O que o PT quer

A perspectiva de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixar a cadeia em setembro leva o PT a apostar no seguinte quadro: Lula começa a dar entrevistas, a fazer reuniões políticas e, assim, passa a servir de contraponto para forçar uma mudança de agenda no parlamento. Num país carente de líderes políticos, os petistas acham que Lula pode ressurgir das cinzas.

Falta combinar

O receio, entretanto, é de que o TRF-4, a segunda instância, corra para condenar o ex-presidente no caso do sítio de Atibaia. Uma segunda sentença evita que Lula deixe a carceragem da Polícia Federal em Curitiba ainda este ano.

Cutucou onça…

Por mais que o ministro da Economia, Paulo Guedes, tente dar uma burilada no seu discurso a respeito da Zona Franca de Manaus, a bancada do Amazonas não ficou nada satisfeita. E, sem querer, Guedes mexeu justamente com aqueles que podem lhe ajudar no parlamento.

…com vara curta

No Senado, os amazonenses têm simplesmente a Presidência da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), capitaneada pelo senador Omar Aziz; e o senador Eduardo Braga ocupa o cargo de líder do MDB, a maior bancada. Se esses dois quiserem, podem fazer um estrago danado. Até aqui, as falas do ministro foram objeto de protesto no plenário pelo senador Plínio Valério. Os outros dois ainda esperam para ver as ações do governo a respeito da Zona Franca.

Por enquanto, ficam assim/ Costura-se a paz entre o presidente Jair Bolsonaro e os militares, apesar das investidas do vereador Carlos Bolsonaro contra o vice-presidente, general Hamilton Mourão. A ordem é deixar Carlos, que vê conspiração no ar, falando sozinho.

Roubo seletivo/ A casa do ex-deputado Eduardo Jorge (foto), em São Paulo, foi invadida por bandidos no feriadão. Eles reviraram tudo, mas levaram apenas um carro da família, que estava parado à porta. Amigos do ex-parlamentar — vice de Marina Silva na última campanha presidencial — acharam tudo muito suspeito. E é.

À la Bolsonaro I/ O governador de São Paulo, João Doria, não deixa passar um mês inteiro sem fazer um afago aos integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Ontem, por exemplo, numa reunião com os integrantes da Frente, acenou com um espaço para promover um salão internacional do agronegócio em São Paulo. Estava acompanhado dos secretários de Fazenda e Planejamento, Henrique Meirelles, e de Agricultura e Abastecimento, Gustavo Junqueira.

À la Bolsonaro II/ Foi na FPA que Bolsonaro começou a arrematar apoios para sua campanha eleitoral no ano passado.

Educação midiática/ A Unesco e o Instituto Palavra Aberta assinam um termo de cooperação internacional em educação e mídia nesta quinta-feira, em seminário no B Hotel, a partir das 9h.

Governadores pautam Congresso à revelia do Planalto

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Um périplo de governadores hoje no Congresso deixou marcado para 8 de maio uma reunião geral dos 27 governadores com a cúpula do Parlamento para tratar de temas de interesse dos estados. Estão na pauta a renovação do Fundeb, a securitização das dívidas, o ressarcimento da Lei Kandir, precatórios, cessão onerosa e Funde de Participação dos Estados. Todos esses temas representam uma fisgada na União e, a contar pela movimentação dos governadores, a ideia é acertar o passo entre os estados e o Legislativo, sem a interferência direta do governo federal.

Um dos que o governo vem tentando segurar, por exemplo, é a renovação do Fundeb. O milionário fundo destinado à educação vence em 2020 e há propostas no Parlamento para aumentar a complementação da União de 10% para 30%, no caso da Câmara. No Senado, a ideia é aumentar a parte da União em 50%. Seriam R$ 49 bilhões a mais do que é repassado hoje. Se o governo não correr para entrar nessa discussão, corre o risco de ficar a ver navios.

 

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Desmilitariza aí

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Militares & civis

Os políticos já repararam que, até aqui, é assim no governo: deu problema num setor, chama um general, que ele resolve (leia notas ao lado). Os parlamentares, entretanto, esperam que, agora, depois das conversas desta semana, o presidente Jair Bolsonaro pare de demonizar a classe política, da qual ele também faz parte, e passe a ter uma relação realmente republicana com seus antigos pares. Prova disso é a indicação do senador Izalci Lucas (PSDB-DF) e do deputado João Roma (PRB-BA) para possíveis substitutos de Ricardo Vélez no Ministério da Educação.

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João Roma, entretanto, não tem tantas chances, segundo fontes do Planalto. É que o deputado é muito ligado ao prefeito de Salvador, ACM Neto. Há quem diga, inclusive, que seria um quarto ministro do Democratas no governo, uma vez que os ministros da Casa Civil, Onyx Lorenzoni; da Agricultura, Tereza Cristina; e da Saúde, Luiz Mandetta, são todos da legenda.

O interventor

É assim que muitos na Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) se referem ao general Roberto Escoto, gerente de gabinete do presidente da agência, embaixador Mário Vilalva. Ele assumiu em meados de março, com um salário de  R$ 34.127,25. Dia desses, o general enviou mensagem a um dos diretores dizendo que deveria “impreterivelmente” retomar o convênio com o Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado de São Paulo, a fim de garantir a participação brasileira no Festival de Cannes.

Currículo I

O embaixador justificou a remuneração proposta correspondente “ao limite da tabela salarial vigente do Plano de Cargos, Carreiras e Salários — PCCS”, por se tratar de “profissional multidisciplinar, com ampla experiência, inclusive na condução da gestão de temas afetos a comércio exterior e negócios internacionais”.

Currículo II

O general não está ali para brincadeira. Mantém uma caveira sobre a mesa, não admite atrasos quando convoca alguém para uma reunião. E experiência ele tem. Participou das missões de paz no Haiti, no Chipre e em Kosovo e foi adido do Exército nos Estados Unidos e no Canadá. Foi ainda chefe da divisão de inteligência do Centro de Inteligência do Exército (CIE), sigla que provocava tremores a muitos políticos no período do governo militar.

Chegou para resolver

A ida do general Escoto para esse posto é atribuída ao vice-presidente Hamilton Mourão, diante da guerra aberta entre Vilalva e a diretora Letícia Castelani. A briga chegou ao ponto que sobrou para o outro diretor, Márcio Coimbra, que trabalhou com o hoje presidente do Senado, Davi Alcolumbre  (DEM-AP).

Frutos/ O líder do MDB, Eduardo Braga, saiu do encontro com o presidente Jair Bolsonaro, nesta semana, com uma reunião da bancada do Amazonas agendada para a próxima quinta-feira de manhã no Planalto.

Izalci festeja/ Quem chegasse ao gabinete do senador Izalci Lucas (foto), do PSDB-DF, poderia até imaginar que o parlamentar estava comemorando a indicação para o Ministério da Educação. É que os funcionários prepararam uma festa surpresa pelo aniversário dele. Izalci completa 63 anos amanhã. Ele deve ir ao Alvorada, ainda hoje, conversar com o presidente Jair Bolsonaro.

E o Cabral, hein?/ Atirou para todos os lados, disse que “a corrupção prejudicou o Rio de Janeiro”. Faltou dizer que um dos autores desse prejuízo foi ele mesmo. E não só no Rio, mas também no Brasil.

Enquanto isso, nas ruas…/  O PT faz sua caravana no Sul do país neste fim de semana pela liberdade de Lula, enquanto outros movimentos se organizam para a manutenção da prisão em segunda instância. A aposta dos especialistas é de que nenhum dos dois grupos atrairá grandes multidões.