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Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 7 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A independência do Banco Central ganha corpo nesta largada de 2026, com a oposição e frentes parlamentares ligadas aos setores produtivo e financeiro em campo para defender o Bacen. O ano legislativo, aliás, tende a começar com pressão total por uma CPMI para investigar o Master e mostrar que os malfeitos estão no banco de Daniel Vorcaro, e não no Banco Central. À coluna, o presidente da Frente Parlamentar de Comércio e Serviços, deputado Domingos Sávio (PL-MG), por exemplo, afirmou que o que está acontecendo com o Brasil é “surpreendente e triste” e, na toada em que se encontra, com o Tribunal de Contas da União entrando nessa história, daqui a pouco vão querer punir um diretor do BC.
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Veja bem/ A oposição, desde já, está cobrando os líderes por indicações ágeis e sérias na formação da CPMI. O medo é que os partidos aliados a Vorcaro segurem a instalação demorando a definir os nomes dos membros ou indicando parlamentares a serviço do banqueiro. Bruno Spada / Câmara dos Deputados Até aqui, tem muita gente considerando esquisita essa pressão do TCU sobre o Banco Central. Ninguém se convenceu ainda de que essa interferência do Tribunal é pelo bem da Nação. Muitos políticos consideram que a atitude vai mais pelo bem de Daniel Vorcaro.
Efeito colateral
Especialistas em relações internacionais consideram que a invasão dos Estados Unidos à Venezuela torna mais difícil a negociação pelo fim da guerra na Ucrânia. “Moscou tende a interpretar essa ação como confirmação de uma postura mais intervencionista de Washington, o que endurece posições e reduz o espaço político para concessões na guerra contra a Ucrânia. As negociações não acabam formalmente, mas entram em modo de congelamento prolongado”, avalia o professor João Vitor Cândido.
Há discurso
Na visão de João Vitor Cândido, uma ameaça ao Brasil vinda dos EUA não está descartada a longo prazo, mas de outra forma: “O discurso de segurança transnacional dos EUA tende a se ampliar, especialmente no combate ao narcotráfico, crime organizado e financiamento ilícito. O risco não é militar, mas político e jurídico, com maior pressão por cooperação, enquadramentos legais mais duros e vigilância internacional. O Brasil será cobrado como ator-chave regional, não como alvo, desde que mantenha controle institucional e cooperação ativa”, disse.
Lula quer é paz
Defensor ferrenho da soberania dos países, o presidente Lula repisará esse discurso, mas buscará o diálogo com os Estados Unidos e com todas as nações. Especialmente, neste ano eleitoral. A fala de 8 de janeiro será incisiva no quesito soberania, mas, na avaliação do Planalto, não pode ser confundida com bater de frente com Donald Trump. Isso Lula não fará.
Legislativo combativo
Ainda de recesso, o presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara, deputado Filipe Barros (PL-PR), se prepara para convocar o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o assessor especial Celso Amorim, para “dar esclarecimentos quanto ao posicionamento do Poder Executivo” no Conselho de Segurança da ONU nesta semana.
CURTIDAS

Última agenda?/ Na iminência de deixar o Ministério da Justiça, o ministro Ricardo Lewandowski pretende fazer da cerimônia dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro sua última agenda oficial de governo. Fontes afirmam que Lewandowski pode deixar a pasta ainda nesta sexta-feira.
Neutralidade/ Tem um objetivo político as ausências do presidente da Câmara, Hugo Motta (foto), do Republicanos, e do Senado, Davi Alcolumbre (UB-AP), nos atos desta quinta-feira para relembrar o 8 de Janeiro de 2023. É que ambos pretendem conquistar os votos da direita para a reeleição, em outubro. E, sabe como é, enquanto o cenário eleitoral estiver nebuloso, eles vão jogar nas duas pontas e tentar se firmar ao centro.
Aliás…/ Motta vê surgir adversários por todos os lados. No PP, tem muita gente apostando no nome do líder Doutor Luizinho (RJ) para concorrer no lugar de Hugo.
Bolsonarismo em fúria/ O acidente com o ex-presidente Jair Bolsonaro durante a madrugada de terça-feira na sala da Polícia Federal onde está preso deixou os aliados alertas e bravos. Segundo os bolsonaristas, houve boicote à saúde de Bolsonaro. “É um absurdo o que está sendo feito com o presidente”, disse à coluna o líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto (PL-PB).
Coluna Brasília-DF publicada no domingo, 4 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg
Os primeiros acordes dos oposicionistas brasileiros ao ataque dos Estados Unidos à Venezuela indicam que este será mais um tema para apimentar as discussões. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a ação norte-americana como “inaceitável”, nomes mais ligados ao bolsonarismo, como o deputado Zucco (PL), pré-candidato ao governo do Rio Grande do Sul, e outros aplaudiram a ação do governo de Donald Trump. Falaram, inclusive, de “devolução da liberdade” ao povo venezuelano. Para quem havia perdido o discurso de defesa da democracia depois do 8 de janeiro de 2023, os bolsonaristas, agora, acreditam ter em mãos um reforço da “defesa da liberdade” e do “respeito à democracia”. Ainda que tenha sido pelo uso da força, é por aí que eles tentarão construir uma narrativa com vistas a fazer uma limonada do limão do 8 Janeiro.
Só tem um probleminha/ A maioria do centro não aplaudiu efusivamente a operação de Trump na Venezuela. Aliás, esse segmento da política brasileira tem muitas críticas sobre mais esse abalo nas relações internacionais, em que um país invade outro, leva seu presidente e primeira-dama sem dar satisfações a ninguém. O maior temor, revelado nos bastidores, é o de que mais dia, menos dia, alguém invente supostos envolvimentos em atividades ilícitas para tentar justificar uma invasão a outras nações.
No escuro
Até o início da primeira reunião de emergência no Itamaraty sobre a operação dos Estados Unidos na Venezuela, o governo brasileiro quase não tinha informações precisas sobre tudo o que havia ocorrido. Aliás, no fim de 2025, Lula tentou mediar o conflito e o governo de Washington não deu qualquer resposta.
A conta dos partidos
A maioria dos pré-candidatos a cargos majoritários já está no aquecimento para deflagrar as pré-campanhas neste trimestre, mas os presidentes de partido estão com o foco ajustado para a eleição das bancadas de deputados federais. É esta eleição que define o montante do fundo partidário e eleitoral a que cada legenda tem direito e, ainda, o tempo de horário eleitoral gratuito na tevê.
Ganhou peso
A tevê aberta perdeu força diante da velocidade e do alcance das redes sociais, mas ainda é considerada um ativo importante. Especialmente, em tempos de muita fake news embalada por inteligência artificial, os canais de acesso livre são considerados um bom meio para transmitir a mensagem real dos partidos.
Lhes dê motivos
O veto de Lula aos recursos destinados ao seguro do agro terá troco. A contar pelo pronunciamento do presidente da Frente Parlamentar do Agro, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), a vingança virá na primeira votação importante que tiver este ano. Seja ela qual for.
Alivia aí
A expectativa do governo, porém, é que diante da crise da Venezuela, a oposição dê um refresco. Vem aí o discurso clamando por união e soberania.

A mudança de Caiado
Se o União Brasil não apoiar e aprovar a candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (foto), ao Planalto, ele mudará de partido. Já tem convite para se filiar, por exemplo, ao Solidariedade, do deputado Paulinho da Força (SP).
Texto por Denise Rothenburg publicado neste domingo (21/9) — As últimas críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos deputados, dizendo que eles não pensam no povo brasileiro, foi a forma que o Palácio do Planalto encontrou para levá-los a aprovar a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais. Agora, na avaliação de integrantes do governo, os congressistas terão que ficar a favor desse alívio no contracheque dos trabalhadores a fim de mostrar que não estão cuidando apenas dos próprios interesses.
E vem mais/ Paralelamente aos comentários presidenciais, virão ainda as manifestações de hoje, promovidas por sindicatos e partidos de esquerda, contra a anistia e contra a PEC da Blindagem. Os petistas, que até aqui encontram dificuldades em se conectar com a população, acreditam que conseguiram encontrar uma brecha para falar diretamente aos indignados com a postura do Parlamento. Até na oposição muita gente considera que Lula não está fora e que vencerá em 2026 quem errar menos.
Sinais dos EUA
Autoridades e empresários identificam o Departamento de Estado do governo dos Estados Unidos como o maior foco de ações contra o Brasil. Outros atores da Casa Branca, porém, têm sido mais otimistas e dizem que, mais à frente, a crise entre os dois países tende a melhorar no quesito relação comercial — pois no relacionamento político é mais difícil.
Por falar em Estados Unidos…
Lula deve atender ao pedido do presidente da Ucrânia, Volodomyr Zelensky, para um encontro em Nova York, na semana que vem. Falta acertar horário e local.
Hugo Motta é dúvida para o futuro
É voz corrente entre os parlamentares — tanto da esquerda quanto da direita — que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), passa por um processo de desgaste e corre o risco de “queimar a largada” para se reeleger presidente.
A união faz a força
Entre atender o conselho de alguns mandando a PEC da Blindagem para a gaveta em carreira solo, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), decidiu dividir essa tarefa com os colegas. Por isso, nomeou o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) como relator — e já garantiu que o relatório pela rejeição total da matéria estará pronto para ir voto na quarta-feira.
CURTIDAS
Pintados para a guerra Presente à comemoração do aniversário da deputada Bia Kicis (PL-DF), o deputado Alberto Fraga (PL-DF) não escondeu a disposição do partido sobre a anistia, em discussão na Câmara: “Congresso não tem que reduzir pena. Vamos para briga. Ou é anistia, ou nada”, disse à coluna.
Candidata/ “Minha senadora!” Assim o senador Izalci Lucas (PL-DF) cumprimentou Bia Kicis ao chegar para o almoço em comemoração ao aniversário de sua colega de partido. Hoje, a chapa de Celina Leão ao governo tem como candidatos ao Senado Michele Bolsonaro (PL) e o governador Ibaneis Rocha (MDB).
José Roberto, o retorno I/ O ex-governador José Roberto Arruda prepara a volta à política. Para isso, está percorrendo as ruas das cidades do Distrito Federal para saber o que os eleitores querem que ele faça.
José Roberto, o retorno II/ Perguntado sobre qual mandato disputará — se deputado distrital, federal ou senador —, Arruda, que hoje está no PL, responde: “Quem tem tempo não tem pressa e eu não tenho tempo a perder”, afirmou à coluna, ontem, ao sair do aniversário de Bia Kicis, que reuniu amigos e apoiadores num restaurante do Pontão do Lago Sul.
Texto de Denise Rothenburg publicado neste domingo (24/8) — As conversas de bastidores dos políticos no 24º Forum Empresarial Lide indicam que eles não subestimam o poder de recuperação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nem o talento do atual inquilino do Palácio da Alvorada para conquistar votos. Citam, inclusive, a isenção do Imposto de Renda como o grande trunfo que terá para a campanha à reeleição em 2026, assim como a conta de luz mais barata para os mais pobres. No entanto, a avaliação é de que a corrida de Lula será de resistência. Até aqui, eles só veem Tarcísio de Freitas com mais perspectiva de vitória sobre o presidente e não sabem se o governador conseguirá navegar nas águas do bolsonarismo sem se queimar.

Popular, mas…/ Ainda que Valdemar Costa Neto, presidente do PL, coloque Jair Bolsonaro como aquele que definirá os rumos do partido, muita gente fora da legenda diz que as chances de o ex-presidente estar preso na hora de definir o candidato é grande. E no caso deste cenário, os filhos não terão fôlego para enfrentar uma corrida presidencial. Michelle nunca foi testada numa campanha e é considerada pule de 10 para o Senado pelo Distrito Federal. E Bolsonaro não quer, a preços de hoje, prescindir da ex-primeira-dama como senadora.
O alerta de Damares I
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) tomou um susto ao ser diagnosticada com câncer de mama no mês passado. Como o diagnóstico foi precoce, houve tempo hábil para fazer os exames e a cirurgia, que durou seis horas. Ela contou à coluna que, quatro dias depois, já estava trabalhando e teve muito apoio dos colegas da Casa que souberam do problema.
O alerta de Damares II
Ao contrário da maioria das brasileiras, Damares teve a vantagem de um bom plano de saúde, que acelerou os procedimentos e exames necessários. Ela, agora, está empenhada em alertar as mulheres para a necessidade de um diagnóstico precoce e cobrar recursos para dar celeridade aos tratamentos na rede pública. “As mulheres precisam de cuidados e temos que alertar sobre a necessidade de celeridade do tratamento”, afirma.
Shell soa o alarme
Ao fazer sua exposição no 24º Forum Empresarial Lide, o presidente da Shell, Cristiano Pinto da Costa, fez um alerta importante: o Brasil não está mais furando poços suficientes para encontrar novas fronteiras para exploração de óleo e gás. E tendo em vista que a mudança na matriz energética será gradual, o país corre o risco de, em meados da próxima década, ter que importar esses produtos.
Crime organizado avança
Durante almoço na Frente Parlamentar pelo Livre Mercado (FPLM), na semana passada, empresas destacaram como o crime organizado tem adentrado em diversos setores da economia, como no mercado de capitais. Deputados membros da Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados afirmaram que apenas prender não é mais suficiente. É necessário cortar o financiamento do crime no Brasil.
Texto publicado por Denise Rothenburg neste sábado (23/8) — Por mais que Lula tenha ministros do PP e do União Brasil, a proximidade entre a federação União Progressista e o PL está maior do que o governo imagina. Os três presidentes de partidos que estiveram no 24º Fórum Empresarial Lide, no Rio de Janeiro, já conversam sobre o lançamento de candidatos ao Senado mais afinados com a ala conservadora do país. Ciro Nogueira (PP), Antonio Rueda (União Brasil) e Valdemar da Costa Neto (PL) trocam ideias todas as semanas. Embora as chapas ainda não estejam fechadas e falte muito tempo para isso, a tendência é de que esses três partidos caminhem juntos. Aliás, o recado que o trio deu em suas palestras no Fórum Lide foi muito claro: estarão juntos; se não for possível no primeiro, será no segundo turno.

Vale lembrar/ Em 2022, Bolsonaro perdeu por pouco, especialmente devido aos erros que cometeu em seu governo e com alguns percalços de aliados, vide Carla Zambelli armada nas ruas de São Paulo. Além disso, não obteve apoios expressivos no segundo turno, uma vez que Simone Tebet (MDB) respaldou Lula. Desta vez, o centro, em vez de fechar com Lula, caminha para ficar mais próximo da direita. Ainda há muito tempo pela frente, mas, se houver uma saída para derrotar o atual presidente, os partidos de centro não hesitarão em largar o petista no meio da estrada.
Façam suas apostas
Nos bastidores, muitos presentes ao Fórum acreditam que, em vez de trabalhar para evitar o desperdício da energia limpa melhorando a distribuição, o governo prefere, mais à frente, usar a energia das termelétricas. Tem muita gente de olho nesse movimento.
Primeiro acorde
Nem quando oficializou a federação União Progressista, o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, tinha sido tão enfático ao mencionar uma possível candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência quanto nessa sexta-feira. Ele terminou assim sua fala no Lide, em que chamou Lula de “omisso” no caso do tarifaço (leia no blog da Denise): “Caiado, você é o nosso pré-candidato, vá em frente”.
Favorável
Dia desses, o senador Efraim Filho (União-PB) recebeu quase que a confirmação do presidente do partido, Antonio Rueda, de que será o candidato ao governo do estado em 2026. Nos bastidores, é dito que a postura de Efraim na oposição lhe deu a vantagem sobre Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), que praticamente compõe a base do governo Lula na Câmara dos Deputados. É dito ainda que não há espaço para os dois.
E por falar em estado…
A federação ainda não está pacificada na Paraíba, no Acre, no Ceará e em Pernambuco. Mas, sobre isso, o estatuto prevê que a federação nacional vai tomar a decisão de como a disputa será feita no âmbito regional.
Decisão polêmica
A aplicação de anticoncepcional subcutâneo em jovens de 10 a 19 anos em Fortaleza deu o que falar. Vereadores da cidade têm denunciado o prefeito e a Secretaria de Saúde municipal por causa da medida. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) também criticou a política à coluna. Leia mais no blog da Denise.
CURTIDAS

Maratona/ O presidente do PL, Valdemar da Costa Neto (foto), tem cumprido todas as agendas que haviam sido marcadas para o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ontem, saiu do Rio às pressas para assinar a ficha de filiação do senador Márcio Bittar ao partido.
Discretíssimo/ Estrela do Fórum Empresarial Lide na parte da manhã, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, fez questão de sair de fininho e sem dar entrevistas.
Salas cheias/ Na parte da tarde, outro ministro do STF, no caso, Alexandre de Moraes, lotou a área da conferência do Fórum Empresarial Lide. Presencialmente, 668 pessoas passaram pelo seminário. On-line, outras 16 mil acompanharam a exposição do ministro. No momento em que “Xandão” começou a falar, foram mais de dois mil acessos em menos de um minuto.
Outro show/ A maioria dos políticos faltou ao jantar-show de abertura do Fórum Empresarial Lide, na quinta-feira, na Casa de Espetáculos Roxy, do empresário Alexandre Accioly. Optaram por um petit comité para discutir política. Afinal, faltando 13 meses para o pleito, estão todos organizando o jogo. Pelo menos, até onde a vista alcança, a ordem é não deixar os acertos para a última hora.
Por Eduarda Esposito — O RenovaBR, curso focado em formar líderes políticos pelo Brasil, iniciou sua turma para as eleições de 2026. Pela primeira vez, a maioria dos alunos da turma é formada por mulheres, 54,55%, conquista de um objetivo antigo da direção do curso que desejava seguir a mesma proporcionalidade da população brasileira de acordo com o IBGE. Até dezembro, mais de 100 alunos vão aprender sobre ética, políticas públicas, liderança e gestão.

Para integrar melhor os alunos, os organizadores promoveram uma aula magna em Brasília durante os dias 15, 16 e 17 de agosto. Na abertura do evento na última sexta-feira (15), o Secretário Municipal de Saúde do Rio de Janeiro e deputado federal (PSD-RJ), Daniel Soranz — aluno formado pelo RenovaBR — discursou para a turma contando o seu exemplo. Ao blog, Soranz disse que o curso ajuda aqueles que querem fazer “política séria”. “O curso nos prepara para formular políticas públicas, indica como devemos fazer, nos dá mentoria, além de ensinar como montar as nossas campanhas, trabalhar com as redes sociais e também fazer análise de dados”, disse.
Fortalecer a democracia
O diretor-executivo do RenovaBR, Rodrigo Cobra, explicou ao blog o intuito do curso e como ele pode ajudar no fortalecimento da democracia. “Nosso objetivo é auxiliar aqueles que querem entrar na política, fortalecer a democracia. Assessoramos com tudo aquilo que ele vai precisar para exercer o cargo que almejar, como funcionamento e elaboração de políticas públicas, o funcionamento dos poderes e como lidar com os partidos”, explicou.
O curso evita a admissão de alunos alinhados aos extremos, seja de esquerda ou direita, o foco é na pluralidade de ideias. A atual turma tem alunos de 19 partidos políticos diferentes, mostrando como é possível ensinar a fazer política de forma democrática. Outros alunos formados que atualmente ocupam cargos são a deputada federal Camila Jara (PT-MS) e a deputada estadual do Acre Dra. Michelle Melo (PDT).
Sobre o curso
O curso tem diferentes níveis, considerando a experiência dos alunos inscritos. A mudança tem o objetivo de aprimorar a qualificação de cada liderança ao oferecer uma matriz curricular que contemple as necessidades de iniciantes e de experientes na política.
Os aprovados no curso focado nas eleições de 2026 serão distribuídos em três níveis: o primeiro será para aqueles que possuem relevante dinamismo pessoal, social e profissional, e têm a vontade de entrar para a política e contribuir com a sociedade; o segundo é destinado para quem já passou pelo desafio eleitoral com sucesso e deseja percorrer um caminho mais desafiador; e o terceiro é para destaques em nível estadual, federal ou municipal de grandes cidades.
Desde a sua criação, em 2017, o RenovaBR já capacitou mais de 3.500 lideranças políticas, muitas das quais ocupam hoje cargos no Executivo, no Legislativo, em gestões públicas e organizações da sociedade civil.
Por Eduarda Esposito — O escritor, ator, xamã e líder político yanomami, Davi Kopenawa, foi condecorado pelo governo francês na última quinta-feira (12). A cerimônia foi realizada na embaixada da França, em Brasília, e a insígnia de Cavaleiro da Legião de Honra, a mais alta honraria da República Francesa, foi entregue pelo embaixador francês no Brasil, Emmanuel Lenain. A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, também esteve presente.
O evento teve início com a exibição do filme ‘A queda do Céu’, longa inspirado no livro de mesmo nome escrito por Kopenawa e Bruce Albert, antropólogo francês. Após a exibição, a embaixada ofereceu um coquetel aos presentes e condecorou o presidente da Hutukara Associação Yanomami, entidade indígena de ajuda mútua e etnodesenvolvimento, Davi Kopenawa.
“Sua luta é a luta de um humanista, de um visionário, de um homem determinado a preservar a vida na terra. Esses valores também são os da França, que os defende hoje mais do que nunca. Sua luta é, em primeiro lugar, a de um humanista; a de um homem comprometido com a sobrevivência de seu povo, os Yanomami. A gênese de seu engajamento remonta à sua primeira percepção da ameaça imposta pelo garimpo ilegal de ouro e pela exploração madeireira em seu território”, declarou o embaixador francês em português.

O embaixador Lenain ainda destacou a trajetória do trabalho realizado pelo líder yanomami e como sua atuação é importante para o Brasil e para o mundo. “Sua luta alcança, enfim, a comunidade internacional, onde sua atuação junto aos parlamentos o leva até a Assembleia Geral das Nações Unidas e lhe permite lançar, em 1992, o Ano dos Povos Indígenas. Ao denunciar a destruição de seu povo e da floresta, sua obra também propõe uma outra filosofia sobre nossa relação com os seres vivos. Para você, nós falhamos em proteger nossos ecossistemas quando os vemos como insumos materiais e não como uma soma de história, cultura e vida. Temos avançado nesse tema junto à comunidade internacional. O Brasil diminuiu o ritmo do desmatamento em seu território e a COP de Belém será um momento crucial para impulsionar esses esforços”, afirmou.

Kopenawa destacou em seu discurso, após receber a insígnia Legion d’honneur, que fica muito feliz em ter sua história e trabalho reconhecidos e o apoio do governo francês nas causas Yanomami. “Eu fico muito contente e eu acredito que vocês gostaram do filme que mostra o trabalho da luta do Kopenawa. Nós somos um único povo, número um Yanomami que continua morando e falando sua própria língua. É muito importante o reconhecimento, a palavra é muito forte para nós. É muito importante a palavra reconhecimento graças ao sonho do governo francês. O povo da cidade precisa se aproximar e fazer aliança com a terra e com o planeta”, agradeceu.
Kopenawa também ressaltou que os políticos não têm acreditado em suas palavras e que vai continuar lutando e defendendo seu povo dos perigos. “Os políticos grandes tomaram a autonomia da Funai — que era forte e grande e agora não é mais. Político quer fazer mal a nossa floresta, destruindo nossas águas, mas a força da natureza vai continuar a nos proteger. Político não quer escutar, acreditar no que falamos para ele. Não queremos que aconteça agora, mas não vai cair o céu porque os yanomami estão aumentando, não estão morrendo, estão crescendo. Mas onde há garimpo, continua pegando doenças como malária, gripe, tuberculose e fome. E quem deixou fome foi o homem que não gosta de nós, da terra. Eles são muito ruins contra o país, meu povo e contra tudo o que existe no planeta. Não posso abaixar a minha cabeça. Vamos lutar juntos, juntos somos fortes”, declarou o líder.
Ao final dos discursos, junto com a ministra Sônia Guajajara, os três registraram a condecoração diante do público presente. Ao blog, Guajajara relatou que o reconhecimento de Kopenawa pela França é muito importante. “Essa condecoração destaca a força da luta de Davi, que é um grande líder, e colabora pela luta dos povos indígenas no Brasil. Ações como estas ajudam o povo indígena a continuar a lutar por seus direitos e proteger as florestas do país”, disse.
Coluna Brasília/DF, publicada em 1° de junho de 2025, por Denise Rothenburg, com Eduarda Esposito
Sem muito alarde, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), criou vários grupos de trabalho para avaliar os dados do governo e propor soluções. Esses grupos vão tratar de deficit orçamentário, corte de despesas, reforma administrativa e as discrepâncias de números sobre subsídios, apurados pela equipe do Ministério da Fazenda e por economistas renomados, como Felipe Salto, ex-secretário de Fazenda de São Paulo. A ideia é buscar soluções econômicas que não sejam voltadas ao aumento de impostos. Essas tarefas, muitas delas até aqui exercidas exclusivamente pelo Poder Executivo, são mais um passo na direção de um regime semipresidencialista. Aos poucos, o Poder Legislativo, capitaneado pelos partidos de centro, vai assumindo responsabilidades e exercendo, na prática, um papel mais efetivo de governança. Diante de um Poder Executivo sem maioria na Casa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tem como reagir ao trabalho do Parlamento. Ou entra nesse debate comandado pelos partidos de centro, ou perderá mais um pedacinho do poder que lhe resta.
Hora de mudar/ No Congresso, é voz corrente que o “modelo de governança de cooptação fracassou”, como bem lembra o deputado Danilo Forte (União Brasil-CE), relator do projeto da Câmara que cria instrumentos para que o país possa ir atrás dos devedores contumazes, assunto que também foi tema da última reunião de líderes (leia mais adiante). A tomar pelo ânimo dos congressistas, está chegando o momento em que o Legislativo pressionará o Executivo para que corra atrás dos devedores.
Os trabalhos de Eduardo
Demorou mais do que os bolsonaristas esperavam, mas o trabalho de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos começa a surtir efeito. As apostas são de que, se o governo de Donald Trump fizer qualquer sanção contra os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ou seus cônjuges, o Brasil não poderá desconhecer a possível existência de abusos e terá que tomar providências.
Jurisprudência
Para quem tem reclamado dos movimentos de Eduardo Bolsonaro, a resposta é sempre a mesma: quando Lula estava preso, os petistas saíram mundo afora denunciando arbitrariedades. Deu certo. O deputado licenciado agora está na mesma toada.
O que vem por aí
Caso o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não apresente alternativas ao aumento do IOF até 10 de junho, Hugo Motta colocará em pauta o projeto de decreto legislativo (PDL) para sustar a medida do governo. E, de quebra, virá o projeto para obrigar o Executivo a correr atrás dos devedores contumazes. Dados oficiais já conhecidos mostram que o crime organizado lucra, e muito, com a falta de sanções a esses devedores.
Se trabalhasse, estaria resolvido
O Instituto Combustível Legal (ICL) aponta que só no setor de combustíveis, o rombo chega a R$ 203 bilhões, um salto de 20% em relação a outubro do ano passado. No estado de São Paulo, os devedores contumazes deixaram um buraco de R$ 45 bilhões e, no Rio de Janeiro, de R$ 41 bilhões. Só nestes dois estados, o governo já resolveria o problema. O que falta é se agarrar nesse serviço.
CURTIDAS
Nova geração I/ Engana-se quem pensa que não há renovação na política. Pelo menos no Republicanos, partido de Hugo Motta e do ministro de Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho, essa troca de gerações é visível. E com diálogo afinado com os outros partidos.
Nova geração II/ Neste fim de semana, o ministro Sílvio Costa Filho fez questão de ir abraçar o novo presidente do PSB, João Campos, estreitando os laços entre as duas legendas. Vem aliança e parceria por aí, podem apostar.
Caminhos/ O PSB já avisou que não fará federação com o PT de Lula. E pretende, inclusive, trocar o nome para Movimento. É uma forma de tirar o P do nome e colocar o socialismo em segundo plano.
Por falar em nome…/ A união do PSDB com o Podemos também pretende tirar o P do nome. A ideia é passar a se chamar Moderados. É uma tentativa de sair da polarização.
Hoje tem debate/ O Ministério das Comunicações vai presidir, das 9h às 12h, no Palácio do Itamaraty, a reunião ministerial do grupo de trabalho dos BRICS sobre Tecnologia da Informação e Comunicação (TICs). A intenção é debater temas estratégicos para o futuro digital das nações que compõem o grupo.

Por Eduarda Esposito — O ex-presidente da República Michel Temer encerrou o Brazilian Investment Forum afirmando que os estados são os protagonistas do Brasil. Para Temer, mesmo que a União prevaleça na Constituição Federal, são os estados que crescem no dia-a-dia. “Tenho observado, mesmo nos contatos internacionais, um grande apreço de autoridades internacionais pelos estados integrantes da Federação Brasileira. E daí porque eu faço uma pequena distinção entre a forma e a realidade, a forma é o que está na Constituição e lá prevalece naturalmente a vontade da União. Mas o que acontece nos Estados Brasileiros, o grande impulso do nosso país, evidentemente, cabe a todos os setores, mas particularmente aos estados brasileiros”, comentou.
Para Temer, é nos estados que a construção real do país acontece, e ressaltou que seu pensamento foi confirmado pelo depoimento dos governadores presentes no evento — Ronaldo Caiado (GO), Raquel Lyra (PE), Cláudio Castro (RJ), Ibaneis Rocha (DF), Eduardo Leite (RS), Jorginho Mello (SC), e o vice-governador Mateus Simões de Almeida (MG). “É interessante que, no tocante a construção real, e a construção real é aquela que efetivamente acontece no estado, a construção real revela que os estados brasileiros crescem enormemente. Basta verificar o que os senhores governadores aqui disseram”, argumentou.
O ex-presidente também destacou o potencial regional e como as unidades federativas cresceram quando a União, em seu governo, abriu mão das dívidas por seis meses. “Os senhores sabem que a união é credora dos estados em valores substanciosos, mas não foi sem razão, que num dado momento atento ao princípio federativo, nós abrimos mão do crédito que a União tinha com os estados durante seis meses e permitiu, mais uma vez, um crescimento relativamente exponencial”, relembrou. O ex-presidente também destacou o desejo de pacificação dito pelos participantes e citou: “É preciso, cada vez mais, pacificar o país e esta pacificação pode nos permitir que o Brasil continue a ser o país do futuro”.
O futuro do Brasil
Por fim, Michel Temer afirmou que o futuro do Brasil é promissor, tendo em vista todos os recursos naturais que o país tem em abundância, como água potável. “Se nós pegarmos o caso da Índia e da China, com bilhões de habitantes, que não têm muita água, qual é o país mais aquífero do mundo? É o Brasil. Qual é o país que tem a maior soma de terras agricultáveis do mundo? O Brasil. Portanto, dizer ainda que o Brasil é o país do futuro, que poderá ser o celeiro do mundo, que poderá alimentar o país é uma realidade”, defendeu. “Nós confiamos no país, na liberdade, na democracia, na pacificação e, portanto, confiamos na inserção permanente do Brasil no cenário internacional”, finalizou Michel Temer.
Blog da Denise, publicado em 4 de setembro de 2024
O governo já quebrou a cabeça em busca de um candidato a presidente do Senado, mas, diante dos fatos, muitos aliados do Planalto fizeram chegar ao presidente Lula que, pelo menos, até aqui, o melhor é se juntar a Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), o poderoso presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Atualmente, tudo passa por ele. E, diante da constatação de que o governo não tem maioria na Casa para fazer valer a sua vontade, melhor fechar com Alcolumbre e negociar lá na frente. A trilha foi aberta pelo PDT, que anunciou o apoio ao senador amapaense. Os demais, porém, devem esperar o andar da carruagem na Câmara para anunciar o respaldo a Alcolumbre.
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Na Câmara, porém, conforme o leitor da coluna já sabe, o governo não desistiu de rachar o centro. Porém, está com dificuldades. Na noite do Prêmio Congresso em Foco, por exemplo, o líder do PSD, Antonio Brito, era visto como “o cara” pelo grupo mais simpático do governo, e ele não é o favorito do presidente da Câmara, Arthur Lira. Vai ter disputa.
A conta-gotas
A nova nota conjunta de Brasil e Colômbia manifestando “profunda preocupação” com as medidas judiciais da Venezuela foi vista no mundo político como um sinal de que Nicolás Maduro caminha para perder os únicos países da região que ainda não condenaram o desfecho eleitoral e a ausência
das tais atas.
Missão difícil
A ministra da Planejamento, Simone Tebet, vai ficar rouca de tanto defender a proposta orçamentária encaminhada ao Congresso. Porém, se depender dos senadores, a perspectiva de aprovação de aumento de impostos é nula. Nos bastidores, não há quem defenda aumento de Juros sobre Capital Próprio (JCP) e de contribuição sobre o lucro.
Preservado
Do alto de quem comanda um Poder, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, não recebeu a ministra Simone Tebet, segundo seus colegas de Casa, justamente para ficar fora dessa discussão. Neste momento, Pacheco precisa se recolher para, mais à frente, entrar no papel de pacificador entre os senadores e o governo.
Sete de Setembro na roda
Nem o Sete de Setembro escapará da tal polarização que toma conta do país. Em Brasília, apoio a Alexandre de Moraes, convidado por Lula, como é de praxe chamar os ministros do STF. E, em São Paulo, manifestação contra o ministro.
Ceará inseguro/ Em uma das praias mais famosas do estado, Cumbuco, o dono de uma barraca foi assassinado a tiros por integrantes de uma facção criminosa. Os famosos passeios de buggy também foram suspensos na mesma praia, conta o deputado Danilo Forte (UB-CE). “A segurança por aqui está em estado falimentar”, comenta.
Nem tudo é política/ Ex-secretário de Esportes do governo José Roberto Arruda, o empresário e suplente de senador André Felipe acaba de se classificar numa das competições mais difíceis do mundo e uma das mais importantes da Europa, a 44ª Ultramaratona Santander, de 100 quilômetros e 24 horas, em Cantábria, na Espanha.
Mas, para a política…/ ...é preciso saúde. Suplente do senador Izalci Lucas (PSDB-DF), André Felipe (foto) foi o criador das vilas olímpicas de Brasília e do programa Compete Brasília, que se tornou lei em 2016 por proposta do então deputado distrital Júlio César. Para essa prova na Espanha, foram 12 meses de preparação com treinador e triatleta olímpico Leandro Corrieri de Macedo e preparador físico Gustavo Duarte.











