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Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 13 de março de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
A sessão de hoje da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que começará a discutir a prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, promete uma alentada defesa do trabalho da Procuradoria-Geral da República. É que entre os ministros da Corte não foi considerado de bom tom o puxão de orelhas de André Mendonça na PGR, por escrito, na decisão que mandou o dono do Banco Master de volta à prisão. O magistrado reclamou da demora da PGR em avaliar o caso e as ameaças feitas pelo detento a várias pessoas.

Por falar em detento…/ No meio jurídico, muita gente aposta que os votos do ministro Gilmar Mendes e Kassio Nunes Marques serão para tirar Vorcaro do presídio e mandá-lo para casa, de tornozeleira eletrônica. Ainda que ele tenha ameaçado pessoas, o que justificaria a saída da prisão, na avaliação de muitos, é a “contemporaneidade”, uma vez que as ameaças teriam sido feitas no ano passado, antes da primeira prisão do ex-banqueiro. Se essa tese prevalecer, vai ter muito advogado ganhando aposta.
Ibaneis manda chamar Nelson
Ao recusar o convite para comparecer à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), fez com que seu partido entendesse que ele jogará os problemas relacionados à compra do Master pelo BRB no colo da antiga administração do banco —problemas, aliás, que o atual comandante da instituição, nomeado por Ibaneis, tenta consertar. Em ofício ao gabinete do senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente do colegiado, Ibaneis sugeriu que o convidado fosse o atual presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza. O governador quer tomar distancia desse caso. Porém, parte da equipe de Renan está em tratativas para ouvir o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa.
O que eles pensam
Nos escaninhos do Senado, a suspeita de que Ibaneis jogará toda a responsabilidade no colo da antiga administração do BRB está nas declarações do governador. Sempre que perguntado, ele reforça que não tem relação com o Master e que, quem tiver problema, que responda na Justiça.
Hora de escolher
O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PL), está numa saia justa. O que se diz é que ele recebeu um ultimato do partido: se quiser permanecer, só poderá concorrer à eleição para governador. E tem mais. Nem sua esposa, Marina Cândida, poderá disputar o Senado. Políticos de Alagoas alegam que é tudo para não atrapalhar a candidatura de Arthur Lira (PP-AL) à Casa.
CURTIDAS
Sem refresco/ O ministro Luiz Fux, do STF, mudou de turma logo depois do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, quando seu voto divergiu dos demais. Achava que a Segunda Turma seria mais tranquila. Agora, com as fraudes no Master e a prisão de Vorcaro, não terá sossego por ali.
Segura isso aí/ Após os vazamentos das conversas telefônicas de Vorcaro, os ministros do STF têm pressionado o presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), a ter mais cautela, a fim de evitar novos vazamentos. Parlamentares acreditam que decisão de Viana em deixar os novos sigilos liberados em uma sala-cofre, e proibir acesso ao local com celulares, tenha sido por isso.
Jovens desanimados/ Na Bahia e em Minas Gerais, partidos como MDB e PT têm tido dificuldades em conseguir nomes para deputados federais. O interesse para a disputa estadual está em alta. Para alguns políticos, o principal motivo dessa configuração é o pouco interesse dos jovens na política. A perspectiva é de que a mudança no quadro dos deputados federais no ano que vem seja bem baixa.
O périplo de Flávio/ O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ, foto) vai a Rondônia, neste fim de semana, para evento de filiação do partido. No próximo fim de semana, 21 e 22 de março, será a vez do Nordeste. A estratégia é atrair candidatos para o PL
Texto por Denise Rothenburg publicado neste domingo (1º/3) — Acendeu a luz de alerta não só no PT, mas também no PSD de Gilberto Kassab, o fato de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ter subido nas pesquisas sem ter feito um movimento sequer mais robusto. Até aqui, o filho 01 visitou banqueiros e passou uma temporada fora do país, num périplo pelo Oriente Médio. Essa subida não se deu por ele e sim por se apresentar como o anti-PT da vez. Se o PSD de Kassab não apresentar logo seu candidato, ficará mais difícil o pedessista escolhido rodar o país tirando votos do pré-candidato do PL. Hoje, calcula-se que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está no segundo turno e o desafio é saber quem irá contra ele. Portanto, o primeiro adversário do PSD é Flávio.
Rápido no gatilho/ O filho 01 já percebeu esse tabuleiro. Por isso, o primeiro lance mais contundente que adotou nesse jogo foi fazer de Tarcísio de Freitas coordenador de sua campanha. Assim, procura tirar de Kassab qualquer aproximação maior do nome do PSD com o governador de São Paulo e candidato à reeleição.
Questão de confiança
Ainda que a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que reduz a escala 6 x 1 tenha relator escolhido e seja apontada como prioridade, governistas defendem que o Palácio do Planalto envie um projeto de lei sobre o tema com urgência constitucional. É que o deputado Paulo Azi (União-BA) é visto como alguém que ficará muito longe do que o governo deseja. E ainda há o risco de enrolar muito para apresentar o relatório.
Escapou por um triz…
O recuo do governo no aumento do IPI no setor de tecnologia veio aos 45 minutos do segundo tempo. O impacto no preço de celulares e notebooks arriscava atrapalhar totalmente os planos eleitorais do PT.
… mas ainda corre risco
A oposição promete propalar aos quatro ventos que se Lula for reeleito, irá aumentar o imposto sobre os celulares. Ou seja: escapou do estrago total, mas levantou uma bola redonda para a
oposição cortar.
Guerra e preços
Nas primeiras 24 horas do ataque dos Estados Unidos ao Irã, a avaliação de especialistas é de que o preço do petróleo irá às alturas.
De olho nos números/ A presidente do Podemos, Renata Abreu, espera ampliar o quadro de senadores do partido. Atualmente, são sete. Ela aguarda, por exemplo, o retorno do senador Styvenson Valentim (PSDB-RN) à legenda. “Já tivemos um dos maiores quadros no Senado, com 11 cadeiras. Queremos voltar a crescer”, disse.
Enquanto isso, em São Paulo…/ Sem a garantia de que terá o palanque de Tarcísio no estado, Kassab começou a andar com os três pré-candidatos pelo interior paulista. A estratégia é conquistar o apoio dos prefeitos aos governadores Ratinho Júnior (PR), Ronaldo Caiado (GO) e Eduardo Leite (RS), uma vez que um deles será o escolhido para concorrer ao Planalto.
Vai ficar estranho I/ Muita gente nos bastidores reclamando da participação do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, no ato “Fora Lula, Alexandre Moraes e Dias Toffolli”, promovido, hoje, pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). É que, enquanto o estado sofre com as chuvas, um governador deve se “agarrar no serviço” e deixar esses holofotes políticos em segundo plano.
Vai ficar estranho II/ Por outro lado, se Flávio Bolsonaro não aparecer, evitando um posicionamento à sua base eleitoral, perderá pontos entre os próprios aliados. Especialmente se a manifestação arregimentar muita gente, tal e qual o fim da caminhada de Minas a Brasília.
Texto escrito por Denise Rothenburg e publicado neste sábado (28/2) — Com a decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, de suspender a quebra de sigilo da Maridt Participações, empresa dos irmãos Dias Toffoli, a alternativa dos senadores que desejam investigar o caso Master é ampliar a pressão pela CPI sobre o banco, nem que seja recorrendo ao STF para conseguir esse objetivo. É que tudo indica que será muito difícil uma das CPIs em curso, seja no Senado, seja na Câmara ou mista, ter acesso à integralidade do material a respeito do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e de outros investigados. Ainda que o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) tenha anunciado que irá recorrer da deliberação de Gilmar, a avaliação de muitos é de que só uma CPI específica terá sucesso.
Por falar em direito…/ Na visão de especialistas em direito constitucional, a decisão de Gilmar foi acertada. “Caso, no curso da apuração, surjam indícios de novos fatos ou condutas distintas, o caminho adequado é a abertura de procedimentos próprios e autônomos, e não a ampliação indefinida da investigação original. Esse cuidado preserva a legalidade dos atos investigativos e evita que o inquérito se transforme em instrumento genérico e sem limites”, defendeu o advogado constitucional Ilmar Muniz.
“Operação Amarra Tarcísio”
A colocação de Tarcísio de Freitas na coordenação da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto, fora do período eleitoral oficial, foi sob encomenda para evitar novas investidas em favor da troca do candidato conservador à Presidência da República. É que um grupo de potenciais aliados do filho 01 ainda tinha esperanças de ver o governador de São Paulo como o nome dos bolsonaristas. Agora, as esperanças estão enterradas.
Enquanto isso, na Faria Lima…
A turma do mercado financeiro que apoiou Jair Bolsonaro nas duas últimas eleições tem dito, em conversas reservadas, que está com Flávio e não abre. O que querem é derrotar o PT.
… há dúvidas e soluções
A indicação de muitos ali é de que dinheiro não faltará na campanha do filho 01 ao Planalto. O receio, porém, é a imagem de “filhinho de papai”. Por enquanto, esse ponto ajuda por causa do ex-presidente. Mas, para vencer, precisa ampliar e esse perfil pode atrapalhar.
Onde mora o perigo
Afinal, a candidatura pode terminar vista como um “capricho” da família, que não aceitou Tarcísio, que tem experiência de gestão. Algo que Flávio não tem.
Celina que se cuide/ As anotações de Flávio Bolsonaro na reunião do PL vazaram no mesmo dia em que Ibaneis Rocha (MDB) afirmou à coluna Eixo Capital, de Ana Maria Campos, que não se sente traído pelo PL ao lançar chapa pura ao Senado. O filho 01 escreveu que se o governador do Distrito Federal for candidato ao Senado, não dá para “oficializar” com Celina Leão (foto) ao GDF.
Pior momento/ O vazamento das anotações do pré-candidato ao Planalto veio no pior momento. Agora, tem muita gente desconfiada de que não terá apoio de Flávio e, se brincar, cruzará os braços na campanha presidencial.
Carreira solo/ Não é pequeno o número de deputados que pretende fazer sua própria campanha, deixando de lado os presidenciáveis. Por enquanto, a ordem é cada um por si, divulgando nas bases eleitorais as famosas emendas ao Orçamento.
Aproveita a onda/ O que anima os senadores para investir na CPI do Master é o fato de o ministro relator do caso no STF, André Mendonça, ter liberado o acesso à documentação relativa à CPMI do INSS. Se foi benevolente numa situação, tende a ser na outra.
Maioria do Congresso acredita que CPMI do Master será instalada

Por Eduarda Esposito — O Ranking dos Políticos realizou uma pesquisa entre os deputados e senadores sobre a instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do banco Master. De acordo com o levantamento, 50% da Câmara dos Deputados e do Senado Federal acreditam que o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), instalará a CPMI antes das eleições deste ano. Já quem acredita que será formalizada após o pleito, foram 28,7% dos deputados e 13,3% dos senadores, o que indica que a maior parte do Parlamento tem a convicção de que Alcolumbre dará sequência às investigações.
Analisando os campos políticos dentro das Casas, o centro (44%) e a esquerda (41,4%) parecem ter uma opinião mais cautelosa sobre o trabalho da CPMI no Congresso, apostando em uma instalação após o período eleitoral. De acordo com o diretor-geral do Ranking dos Políticos, Juan Carlos Arruda, “sinaliza uma preocupação com a estabilidade institucional e com os desdobramentos do processo investigativo em ano eleitoral, além de um cálculo político defensivo e uma tentativa de reduzir a exposição do governo”.
Já para a direita, uma CPI seria usada como uma arma política, já que a expectativa de instalação é praticamente unânime, sobretudo antes do processo eleitoral. 55% dos deputados e 100% dos senadores acreditam que será instalada antes do pleito. “A direita demonstra postura mais assertiva e vê a CPMI como um instrumento claro de pressão política”, explicou.
Metodologia da pesquisa
A pesquisa foi realizada com 108 deputados federais, de 18 partidos, e 30 senadores, de 12 partidos, respeitando o critério de proporcionalidade partidária. A coleta de dados ocorreu entre 28 de janeiro e 3 de fevereiro de 2026, por entrevistadores da instituição. A margem de erro é de 6,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Coluna Brasília-DF publicada no domingo, 11 de janeiro de 2026, por Luana Patriolino com Eduarda Esposito
A ala mais radical da esquerda está incomodada com o posicionamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante da crise da Venezuela. O chefe do Executivo brasileiro adotou uma postura mais comedida sobre a invasão dos Estados Unidos e a prisão do ditador Nicolás Maduro — sendo aconselhado por seus assessores a “falar menos” nas declarações públicas. O corpo diplomático destacou que não quer perder o avanço que fez na relação com Donald Trump sobre a revogação do tarifaço. Mas, para os mais exaltados, o Brasil está perdendo a oportunidade de se colocar à frente do debate mundial.

Tempo limitado/ Para o embaixador aposentado Jorio Dauster, a lua de mel entre Lula e Trump pode estar com os dias contados diante do comportamento intempestivo do norte-americano e de seus planos ambiciosos. “Ele está disposto a instalar em todos os países da região regimes subordinados a ele, aos interesses políticos e econômicos dos EUA e aos conceitos de extrema direita. Não se iludam os que creem que Lula conseguiu ‘encantar’ Trump. Nas eleições presidenciais deste ano, todo o poder da Casa Branca será posto a serviço de seus adversários”, disse à coluna.
Escolha um lado
Enquanto o Brasil se mantém longe de polêmicas, outras nações estão escolhendo seus lados. A Rússia enviou um submarino e outras embarcações para escoltar um petroleiro que tentou burlar o bloqueio dos Estados Unidos à Venezuela. Na Colômbia, o presidente Gustavo Petro não poupou críticas a Trump — que retribuiu — e acusou, sem provas, o colombiano de ser um líder do narcotráfico.
Futuro incerto
Para outros especialistas, caso Trump resolva atacar a Colômbia, a América Latina passaria por grandes mudanças quanto a parcerias internacionais. “Esse cenário ressuscitaria com força o sentimento ‘anti-Yankee’, empurrando os países que defendem a soberania para parcerias estratégicas ainda mais estreitas com potências como China e Rússia, visando criar um contrapeso ao poderio americano”, afirma conselheiro da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig), Márcio Coimbra.
Alertas
O liquidante do Banco Master, EFB Regimes Especiais de Empresas, detectou que, no endereço 834, Brickell Plaza — um dos mais chiques do Financial District, em Miami — apesar de alugado a preço de ouro, nunca foi ocupado pela instituição de Daniel Vorcaro (preso desde novembro) ou por outras empresas dele. O caso acendeu um alerta nos investigadores dos Estados Unidos. A Justiça norte-americana reconheceu a liquidação extrajudicial do Master decretada no Brasil, em uma decisão que reforça a posição do Banco Central e representa um revés para o controlador investigado.
Nada está bom
Mesmo com o selamento do acordo entre Mercosul e Europa, após 25 anos, a oposição criticou a condução do governo do presidente Lula nas negociações entre os blocos econômicos. Para eles, o petista foi incapaz de conduzir uma negociação “firme, técnica e alinhada aos interesses nacionais”, desperdiçando uma oportunidade estratégica para a ampliação do Brasil no comércio internacional.

Novo nome
O influenciador Ivan Baron (foto)é um dos cotados a assumir a Secretaria Nacional dos Direitos Pessoas com Deficiência. Ele tem paralisia cerebral decorrente de meningite viral e tornou-se conhecido por sua atuação nas mídias sociais em defesa e divulgação de políticas de inclusão para pessoas com deficiência. É formado em pedagogia e subiu a rampa do Planalto na posse de Lula, em 2023.
Debate necessário
O analista político e advogado Melillo Dinis participou, ontem, do evento Crisis en Venezuela: Una agenda para la Transición Pacífica para debater sobre a crise na nação vizinho, anistia para condenados por crimes políticos, soluções e possíveis novas eleições no país. “Sob o manto do grupo de Lideranças Democráticas da América Latina, discutimos quais seriam os próximos passos para uma transição pacífica e democrática na Venezuela, apesar da violação do direito internacional e do ataque dos EUA”, ressaltou.
Rumos
O Bocayuva & Advogados passou a integrar a Brazilian Chamber of Commerce. A participação reforça o posicionamento institucional do escritório no eixo Brasil-Estados Unidos, além de ampliar o acompanhamento de agendas regulatórias, políticas de taxação e dinâmicas do mercado global.
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 7 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A independência do Banco Central ganha corpo nesta largada de 2026, com a oposição e frentes parlamentares ligadas aos setores produtivo e financeiro em campo para defender o Bacen. O ano legislativo, aliás, tende a começar com pressão total por uma CPMI para investigar o Master e mostrar que os malfeitos estão no banco de Daniel Vorcaro, e não no Banco Central. À coluna, o presidente da Frente Parlamentar de Comércio e Serviços, deputado Domingos Sávio (PL-MG), por exemplo, afirmou que o que está acontecendo com o Brasil é “surpreendente e triste” e, na toada em que se encontra, com o Tribunal de Contas da União entrando nessa história, daqui a pouco vão querer punir um diretor do BC.
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Veja bem/ A oposição, desde já, está cobrando os líderes por indicações ágeis e sérias na formação da CPMI. O medo é que os partidos aliados a Vorcaro segurem a instalação demorando a definir os nomes dos membros ou indicando parlamentares a serviço do banqueiro. Bruno Spada / Câmara dos Deputados Até aqui, tem muita gente considerando esquisita essa pressão do TCU sobre o Banco Central. Ninguém se convenceu ainda de que essa interferência do Tribunal é pelo bem da Nação. Muitos políticos consideram que a atitude vai mais pelo bem de Daniel Vorcaro.
Efeito colateral
Especialistas em relações internacionais consideram que a invasão dos Estados Unidos à Venezuela torna mais difícil a negociação pelo fim da guerra na Ucrânia. “Moscou tende a interpretar essa ação como confirmação de uma postura mais intervencionista de Washington, o que endurece posições e reduz o espaço político para concessões na guerra contra a Ucrânia. As negociações não acabam formalmente, mas entram em modo de congelamento prolongado”, avalia o professor João Vitor Cândido.
Há discurso
Na visão de João Vitor Cândido, uma ameaça ao Brasil vinda dos EUA não está descartada a longo prazo, mas de outra forma: “O discurso de segurança transnacional dos EUA tende a se ampliar, especialmente no combate ao narcotráfico, crime organizado e financiamento ilícito. O risco não é militar, mas político e jurídico, com maior pressão por cooperação, enquadramentos legais mais duros e vigilância internacional. O Brasil será cobrado como ator-chave regional, não como alvo, desde que mantenha controle institucional e cooperação ativa”, disse.
Lula quer é paz
Defensor ferrenho da soberania dos países, o presidente Lula repisará esse discurso, mas buscará o diálogo com os Estados Unidos e com todas as nações. Especialmente, neste ano eleitoral. A fala de 8 de janeiro será incisiva no quesito soberania, mas, na avaliação do Planalto, não pode ser confundida com bater de frente com Donald Trump. Isso Lula não fará.
Legislativo combativo
Ainda de recesso, o presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara, deputado Filipe Barros (PL-PR), se prepara para convocar o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o assessor especial Celso Amorim, para “dar esclarecimentos quanto ao posicionamento do Poder Executivo” no Conselho de Segurança da ONU nesta semana.
CURTIDAS

Última agenda?/ Na iminência de deixar o Ministério da Justiça, o ministro Ricardo Lewandowski pretende fazer da cerimônia dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro sua última agenda oficial de governo. Fontes afirmam que Lewandowski pode deixar a pasta ainda nesta sexta-feira.
Neutralidade/ Tem um objetivo político as ausências do presidente da Câmara, Hugo Motta (foto), do Republicanos, e do Senado, Davi Alcolumbre (UB-AP), nos atos desta quinta-feira para relembrar o 8 de Janeiro de 2023. É que ambos pretendem conquistar os votos da direita para a reeleição, em outubro. E, sabe como é, enquanto o cenário eleitoral estiver nebuloso, eles vão jogar nas duas pontas e tentar se firmar ao centro.
Aliás…/ Motta vê surgir adversários por todos os lados. No PP, tem muita gente apostando no nome do líder Doutor Luizinho (RJ) para concorrer no lugar de Hugo.
Bolsonarismo em fúria/ O acidente com o ex-presidente Jair Bolsonaro durante a madrugada de terça-feira na sala da Polícia Federal onde está preso deixou os aliados alertas e bravos. Segundo os bolsonaristas, houve boicote à saúde de Bolsonaro. “É um absurdo o que está sendo feito com o presidente”, disse à coluna o líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto (PL-PB).
Coluna Brasília-DF publicada no domingo, 4 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg
Os primeiros acordes dos oposicionistas brasileiros ao ataque dos Estados Unidos à Venezuela indicam que este será mais um tema para apimentar as discussões. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a ação norte-americana como “inaceitável”, nomes mais ligados ao bolsonarismo, como o deputado Zucco (PL), pré-candidato ao governo do Rio Grande do Sul, e outros aplaudiram a ação do governo de Donald Trump. Falaram, inclusive, de “devolução da liberdade” ao povo venezuelano. Para quem havia perdido o discurso de defesa da democracia depois do 8 de janeiro de 2023, os bolsonaristas, agora, acreditam ter em mãos um reforço da “defesa da liberdade” e do “respeito à democracia”. Ainda que tenha sido pelo uso da força, é por aí que eles tentarão construir uma narrativa com vistas a fazer uma limonada do limão do 8 Janeiro.
Só tem um probleminha/ A maioria do centro não aplaudiu efusivamente a operação de Trump na Venezuela. Aliás, esse segmento da política brasileira tem muitas críticas sobre mais esse abalo nas relações internacionais, em que um país invade outro, leva seu presidente e primeira-dama sem dar satisfações a ninguém. O maior temor, revelado nos bastidores, é o de que mais dia, menos dia, alguém invente supostos envolvimentos em atividades ilícitas para tentar justificar uma invasão a outras nações.
No escuro
Até o início da primeira reunião de emergência no Itamaraty sobre a operação dos Estados Unidos na Venezuela, o governo brasileiro quase não tinha informações precisas sobre tudo o que havia ocorrido. Aliás, no fim de 2025, Lula tentou mediar o conflito e o governo de Washington não deu qualquer resposta.
A conta dos partidos
A maioria dos pré-candidatos a cargos majoritários já está no aquecimento para deflagrar as pré-campanhas neste trimestre, mas os presidentes de partido estão com o foco ajustado para a eleição das bancadas de deputados federais. É esta eleição que define o montante do fundo partidário e eleitoral a que cada legenda tem direito e, ainda, o tempo de horário eleitoral gratuito na tevê.
Ganhou peso
A tevê aberta perdeu força diante da velocidade e do alcance das redes sociais, mas ainda é considerada um ativo importante. Especialmente, em tempos de muita fake news embalada por inteligência artificial, os canais de acesso livre são considerados um bom meio para transmitir a mensagem real dos partidos.
Lhes dê motivos
O veto de Lula aos recursos destinados ao seguro do agro terá troco. A contar pelo pronunciamento do presidente da Frente Parlamentar do Agro, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), a vingança virá na primeira votação importante que tiver este ano. Seja ela qual for.
Alivia aí
A expectativa do governo, porém, é que diante da crise da Venezuela, a oposição dê um refresco. Vem aí o discurso clamando por união e soberania.

A mudança de Caiado
Se o União Brasil não apoiar e aprovar a candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (foto), ao Planalto, ele mudará de partido. Já tem convite para se filiar, por exemplo, ao Solidariedade, do deputado Paulinho da Força (SP).
Texto por Denise Rothenburg publicado neste domingo (21/9) — As últimas críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos deputados, dizendo que eles não pensam no povo brasileiro, foi a forma que o Palácio do Planalto encontrou para levá-los a aprovar a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais. Agora, na avaliação de integrantes do governo, os congressistas terão que ficar a favor desse alívio no contracheque dos trabalhadores a fim de mostrar que não estão cuidando apenas dos próprios interesses.
E vem mais/ Paralelamente aos comentários presidenciais, virão ainda as manifestações de hoje, promovidas por sindicatos e partidos de esquerda, contra a anistia e contra a PEC da Blindagem. Os petistas, que até aqui encontram dificuldades em se conectar com a população, acreditam que conseguiram encontrar uma brecha para falar diretamente aos indignados com a postura do Parlamento. Até na oposição muita gente considera que Lula não está fora e que vencerá em 2026 quem errar menos.
Sinais dos EUA
Autoridades e empresários identificam o Departamento de Estado do governo dos Estados Unidos como o maior foco de ações contra o Brasil. Outros atores da Casa Branca, porém, têm sido mais otimistas e dizem que, mais à frente, a crise entre os dois países tende a melhorar no quesito relação comercial — pois no relacionamento político é mais difícil.
Por falar em Estados Unidos…
Lula deve atender ao pedido do presidente da Ucrânia, Volodomyr Zelensky, para um encontro em Nova York, na semana que vem. Falta acertar horário e local.
Hugo Motta é dúvida para o futuro
É voz corrente entre os parlamentares — tanto da esquerda quanto da direita — que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), passa por um processo de desgaste e corre o risco de “queimar a largada” para se reeleger presidente.
A união faz a força
Entre atender o conselho de alguns mandando a PEC da Blindagem para a gaveta em carreira solo, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), decidiu dividir essa tarefa com os colegas. Por isso, nomeou o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) como relator — e já garantiu que o relatório pela rejeição total da matéria estará pronto para ir voto na quarta-feira.
CURTIDAS
Pintados para a guerra Presente à comemoração do aniversário da deputada Bia Kicis (PL-DF), o deputado Alberto Fraga (PL-DF) não escondeu a disposição do partido sobre a anistia, em discussão na Câmara: “Congresso não tem que reduzir pena. Vamos para briga. Ou é anistia, ou nada”, disse à coluna.
Candidata/ “Minha senadora!” Assim o senador Izalci Lucas (PL-DF) cumprimentou Bia Kicis ao chegar para o almoço em comemoração ao aniversário de sua colega de partido. Hoje, a chapa de Celina Leão ao governo tem como candidatos ao Senado Michele Bolsonaro (PL) e o governador Ibaneis Rocha (MDB).
José Roberto, o retorno I/ O ex-governador José Roberto Arruda prepara a volta à política. Para isso, está percorrendo as ruas das cidades do Distrito Federal para saber o que os eleitores querem que ele faça.
José Roberto, o retorno II/ Perguntado sobre qual mandato disputará — se deputado distrital, federal ou senador —, Arruda, que hoje está no PL, responde: “Quem tem tempo não tem pressa e eu não tenho tempo a perder”, afirmou à coluna, ontem, ao sair do aniversário de Bia Kicis, que reuniu amigos e apoiadores num restaurante do Pontão do Lago Sul.
Texto de Denise Rothenburg publicado neste domingo (24/8) — As conversas de bastidores dos políticos no 24º Forum Empresarial Lide indicam que eles não subestimam o poder de recuperação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nem o talento do atual inquilino do Palácio da Alvorada para conquistar votos. Citam, inclusive, a isenção do Imposto de Renda como o grande trunfo que terá para a campanha à reeleição em 2026, assim como a conta de luz mais barata para os mais pobres. No entanto, a avaliação é de que a corrida de Lula será de resistência. Até aqui, eles só veem Tarcísio de Freitas com mais perspectiva de vitória sobre o presidente e não sabem se o governador conseguirá navegar nas águas do bolsonarismo sem se queimar.

Popular, mas…/ Ainda que Valdemar Costa Neto, presidente do PL, coloque Jair Bolsonaro como aquele que definirá os rumos do partido, muita gente fora da legenda diz que as chances de o ex-presidente estar preso na hora de definir o candidato é grande. E no caso deste cenário, os filhos não terão fôlego para enfrentar uma corrida presidencial. Michelle nunca foi testada numa campanha e é considerada pule de 10 para o Senado pelo Distrito Federal. E Bolsonaro não quer, a preços de hoje, prescindir da ex-primeira-dama como senadora.
O alerta de Damares I
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) tomou um susto ao ser diagnosticada com câncer de mama no mês passado. Como o diagnóstico foi precoce, houve tempo hábil para fazer os exames e a cirurgia, que durou seis horas. Ela contou à coluna que, quatro dias depois, já estava trabalhando e teve muito apoio dos colegas da Casa que souberam do problema.
O alerta de Damares II
Ao contrário da maioria das brasileiras, Damares teve a vantagem de um bom plano de saúde, que acelerou os procedimentos e exames necessários. Ela, agora, está empenhada em alertar as mulheres para a necessidade de um diagnóstico precoce e cobrar recursos para dar celeridade aos tratamentos na rede pública. “As mulheres precisam de cuidados e temos que alertar sobre a necessidade de celeridade do tratamento”, afirma.
Shell soa o alarme
Ao fazer sua exposição no 24º Forum Empresarial Lide, o presidente da Shell, Cristiano Pinto da Costa, fez um alerta importante: o Brasil não está mais furando poços suficientes para encontrar novas fronteiras para exploração de óleo e gás. E tendo em vista que a mudança na matriz energética será gradual, o país corre o risco de, em meados da próxima década, ter que importar esses produtos.
Crime organizado avança
Durante almoço na Frente Parlamentar pelo Livre Mercado (FPLM), na semana passada, empresas destacaram como o crime organizado tem adentrado em diversos setores da economia, como no mercado de capitais. Deputados membros da Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados afirmaram que apenas prender não é mais suficiente. É necessário cortar o financiamento do crime no Brasil.
Texto publicado por Denise Rothenburg neste sábado (23/8) — Por mais que Lula tenha ministros do PP e do União Brasil, a proximidade entre a federação União Progressista e o PL está maior do que o governo imagina. Os três presidentes de partidos que estiveram no 24º Fórum Empresarial Lide, no Rio de Janeiro, já conversam sobre o lançamento de candidatos ao Senado mais afinados com a ala conservadora do país. Ciro Nogueira (PP), Antonio Rueda (União Brasil) e Valdemar da Costa Neto (PL) trocam ideias todas as semanas. Embora as chapas ainda não estejam fechadas e falte muito tempo para isso, a tendência é de que esses três partidos caminhem juntos. Aliás, o recado que o trio deu em suas palestras no Fórum Lide foi muito claro: estarão juntos; se não for possível no primeiro, será no segundo turno.

Vale lembrar/ Em 2022, Bolsonaro perdeu por pouco, especialmente devido aos erros que cometeu em seu governo e com alguns percalços de aliados, vide Carla Zambelli armada nas ruas de São Paulo. Além disso, não obteve apoios expressivos no segundo turno, uma vez que Simone Tebet (MDB) respaldou Lula. Desta vez, o centro, em vez de fechar com Lula, caminha para ficar mais próximo da direita. Ainda há muito tempo pela frente, mas, se houver uma saída para derrotar o atual presidente, os partidos de centro não hesitarão em largar o petista no meio da estrada.
Façam suas apostas
Nos bastidores, muitos presentes ao Fórum acreditam que, em vez de trabalhar para evitar o desperdício da energia limpa melhorando a distribuição, o governo prefere, mais à frente, usar a energia das termelétricas. Tem muita gente de olho nesse movimento.
Primeiro acorde
Nem quando oficializou a federação União Progressista, o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, tinha sido tão enfático ao mencionar uma possível candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência quanto nessa sexta-feira. Ele terminou assim sua fala no Lide, em que chamou Lula de “omisso” no caso do tarifaço (leia no blog da Denise): “Caiado, você é o nosso pré-candidato, vá em frente”.
Favorável
Dia desses, o senador Efraim Filho (União-PB) recebeu quase que a confirmação do presidente do partido, Antonio Rueda, de que será o candidato ao governo do estado em 2026. Nos bastidores, é dito que a postura de Efraim na oposição lhe deu a vantagem sobre Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), que praticamente compõe a base do governo Lula na Câmara dos Deputados. É dito ainda que não há espaço para os dois.
E por falar em estado…
A federação ainda não está pacificada na Paraíba, no Acre, no Ceará e em Pernambuco. Mas, sobre isso, o estatuto prevê que a federação nacional vai tomar a decisão de como a disputa será feita no âmbito regional.
Decisão polêmica
A aplicação de anticoncepcional subcutâneo em jovens de 10 a 19 anos em Fortaleza deu o que falar. Vereadores da cidade têm denunciado o prefeito e a Secretaria de Saúde municipal por causa da medida. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) também criticou a política à coluna. Leia mais no blog da Denise.
CURTIDAS

Maratona/ O presidente do PL, Valdemar da Costa Neto (foto), tem cumprido todas as agendas que haviam sido marcadas para o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ontem, saiu do Rio às pressas para assinar a ficha de filiação do senador Márcio Bittar ao partido.
Discretíssimo/ Estrela do Fórum Empresarial Lide na parte da manhã, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, fez questão de sair de fininho e sem dar entrevistas.
Salas cheias/ Na parte da tarde, outro ministro do STF, no caso, Alexandre de Moraes, lotou a área da conferência do Fórum Empresarial Lide. Presencialmente, 668 pessoas passaram pelo seminário. On-line, outras 16 mil acompanharam a exposição do ministro. No momento em que “Xandão” começou a falar, foram mais de dois mil acessos em menos de um minuto.
Outro show/ A maioria dos políticos faltou ao jantar-show de abertura do Fórum Empresarial Lide, na quinta-feira, na Casa de Espetáculos Roxy, do empresário Alexandre Accioly. Optaram por um petit comité para discutir política. Afinal, faltando 13 meses para o pleito, estão todos organizando o jogo. Pelo menos, até onde a vista alcança, a ordem é não deixar os acertos para a última hora.












