Se perceber a impossibiidade de arregimentar 27 votos no Senado contra o impeachment, a presidente Dilma tentará tirar votos da oposição jogando na proposta de antecipação das eleições. O tema já começou a ser discutido reservadamente entre os aliados dela, como uma forma de se vingar do vice Michel Temer, dentro da linha, “se Dilma cair, ele também cai”. Aliás, quem prestou atenção na fala da presidente mais cedo percebeu que, daqui para frente, o alvo principal de Dilma deixa de ser o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e passa a ser Temer. Por que? Temer agora ficará mais em evidência, diante da maioria para lá de absoluta que o processo de impeachment conquistou na Câmara e tentar desgastá-lo, na avaliação de alguns governistas pode levar o eleitorado a considerar o “ruim com ela, pior sem ela” ou partir para o movimento “nem-nem”, ou seja, nem Dilma, nem Temer.
A estretégia dos aliados de Dilma, entretanto, tem um problema: No momento em que ela entrar de cabeça na antecipação das eleições é sinal de que desistiu do próprio mandato e jogou a toalha. Portanto, avaliam alguns, o timing dessa operação será fundamental. Até aqui, a presidente pecou por tomar decisões atrasadas. Desta vez, se for cedo demais, corre o risco de colocar o governo em liquidação antes da hora. Se for tarde, pode parecer um desespero. É um dilema para ninguém botar defeito.
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