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E a política ferve

Os próximos passos

Enquanto Lula vem a Brasília tentar levar a bancada do PT à ofensiva nos vazamentos da Lava-Jato, na CPI da Petrobras e na política econômica, os peemedebistas traçam estratégias para se descolar do PT. A ordem é ajudar o governo Dilma Rousseff até a abertura oficial das eleições municipais. Virada a página eleitoral, os peemedebistas hoje aliados ao governo — sim, eles ainda existem! — vão avisar oficialmente à presidente da República que estão dispostos a cuidar da própria vida. Aí sim, o desembarque virá.

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O único problema é a realidade atropelar esses planos. Afinal, se a Lava-Jato se configurar em algo que leve à cassação do mandato da presidente da República por crime eleitoral, ou seja, doações recebidas na base do toma lá, dá cá dos contratos com a Petrobras, pode haver cassação da chapa. Assim, o PMDB irá para o ralo, junto do PT. Esse cenário não está no script do partido de Michel Temer, mas já preocupa o de Lula.

Protejam a rainha I

Ao dizer que a responsabilidade das contas de campanha é exclusividade do tesoureiro, no caso, ele próprio, o ministro da Secretaria de Imprensa do Planalto, Edinho Silva, trabalha para colocar a presidente Dilma numa trincheira segura. Enquanto ele estiver tentando cumprir o objetivo de desconstruir as declarações de Ricardo Pessoa, da UTC, a presidente não estará na frente.

Protejam a rainha II

A escolha do Ministério da Justiça e não da sala de briefing do Palácio do Planalto para a coletiva de imprensa ontem na hora do almoço também foi estrategicamente pensada para deixar a presidente fora desse contexto, ainda que tenha servido para que o ministro que despacha no Planalto exponha suas explicações a respeito das doações de campanha.

Real, a dor dos 21 anos

Desde 1994, quando foi lançado o Plano Real, o setor do Ministério do Trabalho responsável por homologar os acertos entre patrões e empregados não recebia acordos de redução salarial. E olha que são cerca de 50 mil  por ano. Em junho deste ano, cinco desse tipo já foram protocolados.

Se o Senado não segurar…

…Vai sobrar para a Câmara. Caso os senadores não retirem as aposentadorias e as pensões da proposta do salário mínimo, o governo já tem um discurso pronto: apresentou a política de reajuste na melhor das intenções, mas os congressistas preferiram inviabilizá-la incluindo a Previdência Social. A conta é inadministrável e, portanto, graças à “irresponsabilidade” dos congressistas, a política não poderá ser aprovada.

[FOTO2]Renan e Wagner/ O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ajudaram o ministro da Defesa, Jaques Wagner (foto), a chegar aos Estados Unidos com três acordos bilaterais aprovados. O ministro é quem hoje mais serve de ponte entre o parlamento e o governo.

Por falar em governo…/ Parlamentares têm se queixado que a presidente Dilma fazia aqueles megaencontros com bancadas, mas jamais deu sequência à prática, chamando posteriormente pequenos grupos para conversas mais aprofundadas. Foi assim, por exemplo, com a bancada feminina. Quando voltar dos Estados Unidos, ela será aconselhada a retomar 

esses contatos.

Triplo carpado/ Lava-Jato, Lula em Brasília e o PMDB sempre na gangorra entre o apoio e a cobrança. Diante desses três elementos, a presidente Dilma Rousseff preferiu deixar o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, em Brasília para ser os seus olhos nesses três elementos. Embora o relacionamento entre a chefe e o vice Michel Temer seja bom, há no governo quem diga que, quando se trata de PMDB, se confia desconfiando.

Por falar em Mercadante…/ Dilma não cogita afastar os ministros petistas de seu governo. Quem é ligado a ela lembra que a presidente já está sozinha. Pode ficar pior ao jogar para longe aqueles que lhe são leais.

Denise Rothenburg

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