O governo chega ao mês de março com um cenário nada promissor: O PMDB anda o país em busca da unidade interna. Se conseguir e a rua permitir, vai apostar mais alto no impeachment. A economia não demonstra sinais de reação capazes de dar um respiro maior ao governo. A Lava Jato beira a campanha de Dilma ao prender o marqueteiro João Santana e, agora, sai o ministro da Justiça. Nos bastidores, o que se diz é que Cardozo sai por pressão do PT. Porque não controla a Polícia Federal e as investigações que deixam o partido desgastado.
O novo ministro, Wellington César, procurador da Bahia, dificilmente terá o sucesso que o PT deseja nessa seara, uma vez que todos os holofotes estão sobre a força-tarefa da Lava Jato, a cada dia mais empenhada nas apurações em curso. Se alguma coisa atrapalhar as investigações, o resultado por terminar levando às ruas uma população que até aqui não lotou as praças pedindo impeachment. O primeiro teste será em 13 de março, data marcada para aquilo que os partidos planejam transformar na primeira grande manifestação do ano contra o governo.
A saída de Cardozo do Ministério da Justiça tem ainda outro simbolismo: O fim do triunvirato que acompanhou a campanha de 2010. José Eduardo Dutra, então presidente do PT, faleceu. Antonio Palocci foi afastado por causa das denúncias a respeito de um apartamento em São Paulo. Restava o ministro da Justiça, como a memória e acompanhamento da presidente Dilma ao longo de todos esses anos de governo. E ela fica cada vez mais sozinha.
A sorte de Dilma é que a oposição não vive seus melhores momentos. Para muitos, a prévia do PSDB de São Paulo suga parte da energia que poderia ser usada no embate nacional. Porém, a lava Jato, sozinha, faz mais estragos na base governista e no PT do que todos os partidos de oposição juntos. Assim, o mês do carnaval vai embora com a chapa um pouco mais quente e João Santana levando a crise ao telhado do Planalto. Estão todos em movimento. Que venham as águas de março.
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