A semana da verdade

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Passado o feriadão, os atores voltam ao campo para uma semana que promete dar uma clareada no conturbado quadro político. A largada desses dias tensos será hoje à noite, quando o PSB reúne quem manda no partido para decidir o destino dos dois deputados que votaram a favor de Michel Temer, quando da primeira denúncia, Danilo Forte e Fábio Garcia. Também estarão sob ameaça de expulsão a líder, Tereza Cristina, e o ministro de Minas e Energia, Fernando Filho. A ideia dos socialistas é se afastar de vez do governo. Se conseguirem, ficarão menores, uma vez que muitos parlamentares ameaçam sair. Uns porque não querem a influência do presidente do partido nas decisões da bancada. Outros, porque já estavam mesmo arrumando as malas e vão aproveitar a onda.

O quadro de divisão do PSB se repete em outros partidos que têm decisões importantes a tomar em breve. Na terça-feira, a situação do PSDB, por exemplo, deverá ficar um pouco mais clara, com a votação do caso Aécio Neves no plenário da Câmara. A votação, nos conta o presidente em exercício do Senado, Cássio Cunha Lima, será aberta. Ninguém se mostra disposto a passar por um desgaste em defesa do voto secreto. E o PSDB não planeja insistir, até porque no caso do senador Delcídio Amaral, o próprio Cássio pregou o voto aberto. Agora, não fará diferente.

Passada a linhagem dos tucanos, teremos, na quarta-feira, 18, a votação da denúncia contra o presidente Michel Temer, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Daí, a carta que o presidente enviou hoje a todos os parlamentares, no sentido de pôr um freio nos efeitos da delação do doleiro Lúcio Funaro sobre o voto dos deputados, em especial, quando o assunto chegar no plenário da Câmara, a partir da semana que vem. Temer, além de dizer que é vítima de uma conspiração para tirá-lo do poder, elenca os resultados de seu governo na economia em comparação com os da ex-presidente Dilma Rousseff. Uma forma de dizer aos parlamentares que mudar de presidente agora não seria vantajoso para o Brasil. (leia íntegra abaixo).

A carta é um sinal de que o Planalto está preocupado e resolveu reagir. O presidente dá claros sinais de que não ficará apático, vendo a perspectiva de redução dos votos favoráveis no plenário. Vai trabalhar para que tenha, no mínimo, os mesmos 263 registrados na primeira votação. É por aí que vai girar o bastidor da política até o dia da votação no plenário da Câmara, prevista para 24 de outubro.

Para completar, teremos ainda a cidade lotada de prefeitos, atrás da última semana de prazo para apresentação das emendas ao Orçamento do ano eleitoral, 2018.

A temperatura, no clima e na politica, não dá sinais de viés de baixa.

A Carta de Michel Temer aos parlamentares:

Carta PR Michel Temer (1)

Governo ganha tempo para azeitar a base

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Enquanto o Supremo Tribunal Federal se dedicará à análise do pedido dos advogados de Temer para que a denúncia contra o presidente fique em suspenso até que se esclareça se houve irregularidades na delação da JBS, o governo terá tempo de organizar a base para análise dessa última flecha de Rodrigo Janot. Embora a tendência seja de rejeição do pedido, o presidente ganha uns dias para arrumar o tabuleiro antes da denúncia aterrissar na Câmara dos Deputados. Já está definido, por exemplo, que, na hipótese de um relator hostil ao governo, a ordem será repetir a estratégia da primeira denúncia e apresentar um voto em separado, tal e qual fez o deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG).

Desta vez, embora não tenha o fato de os delatores estarem livres, leves e soltos morando nos Estados Unidos, os governistas contarão com os tropeços da delação em si, por exemplo, o trabalho do ex-procurador Marcelo Miller em favor dos delatores quando ainda trabalhava na Procuradoria. Também vai pesar o fato de a nova procuradora-geral, Raquel Dodge, trocar a equipe de procuradores dedicados hoje à Lava Jato.

Nesse caso, ainda que o STF rejeite a ideia de suspensão da denúncia até o julgamento final da delação da JBS, politicamente esses fatos vão pesar. Afinal, quem está enroscado na Lava Jato não vê a hora de ter espaço para criticar o trabalho de Janot. E, no momento, a melhor resposta dos congressistas será dar ao presidente Michel Temer mais uma vitória contra Janot. É nisso que o governo trabalhará essa semana.

No mais…
É olho vivo na primeira semana de Raquel Dodge, nos discursos de Temer aqui e na ONU, em Nova York. Teremos ainda a a missa de réquiem da reforma política, que tem pouquíssimas chances de aprovação.

A semana prossegue quente até sexta-feira com o depoimento de Eduardo Cunha ao juiz Vallisney sobre o desvio de recurso de FI-FGTS. Se mencionar o presidente,MP será mais uma fogueira para o governo pular.

A ressurreição das provas

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O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, comemorou discretamente o resultado do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). É que no colegiado que julgou e absolveu a chapa Dilma-Temer houve uma unanimidade: Nenhum dos ministros refutou totalmente a existência de algo podre no reino dos partidos políticos e na relação das empresas privadas com o poder público. Todos fizeram questão de afirmar que tudo o que foi desvendado até agora é grave, porém, deve ser analisado por outra corte, a criminal. Leia-se, o Supremo Tribunal Federal para os que têm foro e a primeira instância para quem não tem (aliás, lá em Curitiba, já há muitos cumprindo pena).
A avaliação de muitos é a de que o próprio ministro Gilmar Mendes reforçou esse sentimento ao proferir o seu voto,. O ministro Tarcísio Vieira de Carvalho Neto idem. Portanto, caberá aos onze ministros do STF, capitaneados atualmente pela ministra Cármen Lucia cuidarem desse serviço.
O próprio governo do presidente Michel Temer tem consciência dessa situação. Por isso, dedica toda a atenção ao Congresso, que precisa conceder licença para que um presidente da República seja processado por crimes cometidos no mandato. Ali, o presidente hoje reina.  Tem maioria e capacidade política para segurá-la. Bem diferente de Dilma Rousseff, que perdeu o cargo porque não conseguiu preservar a sua base.

No STF, entretanto, a batida é diferente. Há quem diga que, se Temer insistir em intimidar o ministro Edson Fachin, O desenho resultará numa maioria de ministros  contra o chefe do Poder Executivo. Hoje, para salvar Temer, o colegiado do TSE adotou, conforme avaliação do relator Herman Benjamin, o papel de “coveiro das provas”. Porém, diferentemente do que está dito na passagem bíblica, conseguiram a proeza da ressurreição simultânea, que marca a partir de hoje, o início da próxima temporada. Essa série está longe de terminar.

A hora da “veemência”

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O mundo político acordará diferente nesta segunda-feira, depois do vazamento da delação da Odebrecht. A aposta sobre o futuro das reformas em curso no Parlamento é, aos poucos, substituída por outra, sobre quanto tempo perdurará o governo do presidente Michel Temer. A ordem nas reunióes de emergëncia desse domingo foi preparar o terreno para mostrar uma classe politica empenhada de forma veemente em salvar a economia, enquanto a Lava Jato segue seu curso da mesma maneira.
Porém, náo dá para o governo desconhecer o que está descrito nas 82 páginas da delação preliminar de Claudio Melo Filho. A primeira atitude foi negar tudo de forma veemente. A segunda, em curso a partir desse fim de semana, é separar tudo por partes. Afinal, ponderam deputados e senadores, o ônus da prova cabe a quem acusa.

As avaliações politicas feitas com a cópia da delação em máos indicam que a parte mais pesada do depoimento de Claudio Melo filho atinge o senador Romero Jucá e o ex-ministro Geddel Vieira Lima. “Na ocasião do aniversário de 50 anos, em março de 2009, demos em nome da Odebrecht, um presente relevante a ele”, diz o texto, um relógio Patek-Phillipe, valor estimado em US$ 25 mil. Naquela época, Geddel era ministro da Integração do governo Lula, o que por si só já seria um impedimento para receber um presente de alto valor de uma empresa. Geddel, porém, não arraha mais a desgastada imagem do governo, porque não é mais ministro e nem tem mandato, ficando assim, exposto ao frio de Curitiba e ao juiz Sérgio Moro.

Jucá, entretanto, é o líder de Michel Temer no Congresso, posição delicada, que mexe justamente com as votações relacionadas ao Orçamento da Uniáo. Jucá se afastou do governo há alguns meses por causa da delação de Sérgio Machado. Agora, está novamente sob fogo cruzado, diante da delação do “fim do mundo”.

A tarefa de separar os mais enroscados, porém, não reduzirá o desgaste. Os mais otimistas do governo acreditam que boas notícias econômicas, como a queda da inflação, podem tirar o presidente da cena principal das investigações. Os pessimistas, entretanto, crêem que o melhor é começar a trabalhar a troca de comando no país. O problema é que essa troca hoje seria feita por um Congresso desmoralizado pelo mesmo depoimento. E é preciso lembrar que, dos 77 executivos, faltam ainda 76 deppoimnentos preliminares Todos eles, assim como o caso de Claudio Melo, precisarão ser homologados pelo ministro Teori Zavascki. Até que tudo isso seja feito de forma veemente, o país viverá a cada dia a sa aflição. Vejamos o que esta segunda-feira nos reserva no terreno da veemência.

Semana de temas explosivos

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Lava Jato, as novas fronteiras em plena reta final das eleições
A operação e seus desdobramentos em outras investigações fez com que a Policia Federal e as forças-tarefas em curso chegassem cada vez mais perto dos políticos. Hoje, foi o ex-ministro da Fazenda de Lula, e da Casa Civil de Dilma, Antonio Palocci (leia post abaixo). Na semana passada, Lula virou réu e, dois dias depois, Guido Mantega, preso e solto. Mantega é acusado de ter negociado propina com o empresário Eike Batista, conforme relatado pelo próprio empresário. Palocci, com a Odebrecht. O mercado, onde Palocci, tem várias ligações, acompanha de perto os desdobramentos dessa prisão por causa das relações de Palocci com o sistema financeiro, em especial, o BTG Pactual, de André Esteves. Para completar a semana e as agruras do PT nessa seara, o STF deve decidir se indicia a senadora Gleisi Hoffmann, como beneficiária de dinheiro de caixa dois oriundo de propina. Recentemente, ela passou pelo constrangimento de ver o marido indo parar na cadeia e houve inclusive busca e apreensão em seu apartamento funcional.
Os petistas definitivamente não vivem um bom momento. O senador Lindbergh Farias foi xingado num restaurante no Rio de Janeiro e reagiu, chamando o agressor de “babaca” e “fascista”.

A quota do PMDB…

Não é apenas o PT que tem passado constrangimentos com as operações em curso. Na última sexta-feira, foi a vez do PMDB e seus caciques ficarem na defensiva, diante da autorização para que sejam feitas investigações preliminares a fim de averiguar a veracidade das denúncias do ex-presidente da Transpetro Sergio Machado, sobre doações eleitorais oriundas de propina. Por isso, parte da cúpula do PMDB volta das eleições na próxima semana em alerta com receio de virar alvo preferencial dos procuradores. Afinal, com a Lava Jato em cena, nenhum deles está tranquilo.

…E a do governo

O presidente Michel Temer bem que ficou fora das eleições para evitar problemas. Todos os dias ele pede para que os ministros evitem polêmicas , mas nada resolve. Esse fim de semana foi a vez do ministro da Justiça, Alexandre Moraes, abrir a boca num evento de campanha tucano em Ribeiro Preto, terra de Antonio Palocci, para falar de nova fase da Lava Jato. Está feita a confusão: ministro não deve falar sobre operação da PF. Ainda mais num palanque eleitoral. Já tem gente do próprio governo Temer com saudade de José Eduardo Cardozo, o ex-ministro de quem até o PT reclamava por deixar a Lava Jato correr solta. Aguarda-se uma resposta do governo.

Temer longe dos palanques
No segundo turno não será diferente. Seja João Dória, Celso Russomano ou Marta Suplicy, num segundo turno, Temer terá ai dois aliados. Algo que torna impensável a participação do presidente num segundo turno. E, dada a tendência de uma final entre João Dória e Marta Suplicy, ambos em viés de alta enquanto Russomano está em viés de baixa, aí é que Temer tende a ficar fora mesmo. Tudo para evitar que o PSDB fique melindrado. O PMDB, entretanto, está fechado com Marta.

O PSDB tenta conquistar terreno importante rumo a 2018. Uma vitória de João Dória em São Paulo fortalece Geraldo Alckmin, e em Belo Horizonte, João Leite, reforça Aécio Neves.

Quanto ao PT, seu desempenho é um capítulo à parte nessa disputa. O partido só está bem nas pesquisas em Rio Branco (AC) e Porto Velho (RO). Nas demais, ao que tudo indica, acabou aquele tempo em que Lula chegava e fazia a diferença na reta final. Nem mesmo em Recife, onde o PT tem chance de chegar ao segundo turno numa final entre o prefeito Geraldo Júlio e o petista João Paulo Lima, é difícil o PT emplacar, porque a maioria dos eleitores dos demais candidatos é anti-PT.

Quanto ao PMDB, embora esteja bem em muitas capitais, o Rio de Janeiro olímpico de Eduardo Paes não parece disposto a acompanhar o pedido de votos em favor de Pedro Paulo. E o fato de 40% dos eleitores admitirem mudar o voto deixa a Cidade maravilhosa com a situação mais imprevisível das grandes capitais. Nunca antes tivermos tantos lugares com segundo turno.

O DEM joga tudo em Salvador. Quer sair de lá com chances de retomar, em 2018, o controle político da Bahia, algo que o partido não tem desde os tempos de ACM.

As eleições estão marcadas para o próximo domingo, 2 de outubro. A Propaganda eleitoral no rádio e tevê termina dia 29.

Previdência, outro assunto explosivo

O presidente Michel Temer aproveita os próximos dias para tentar organizar internamente seus atores políticos, a comunicação e, ainda, mostrar serviço. Nesta terça-feira, ele sancionará a MP nº 733/2016, que autoriza a liquidação e a renegociação de dívidas de crédito rural de agricultores das regiões Norte e Nordeste e também de estados do Centro-Oeste. Quer ainda arrumar a a base para a votação do teto de gastos, para conclusão da votação ainda este ano. O problema são os prazos. A previsão é que o Senado comece a apreciar a proposta em meados de novembro, restando assim pouco tempo para a votação da PEC em dois turnos. O fundamental dessa medida é sinalizar que o presidente tem uma base capaz de aprovar emendas constitucionais, leia-se reformas.

Previdência
A reforma da Previdência deve ser encaminhada ainda esta semana ao Congresso, mas há uma divisão no governo sobre a data. Há quem diga que encaminhar agora será usado na eleição, em especial, no segundo turno em várias capitais. O governo, entretanto, prefere mandar um sinal de que está cuidando dos gastos. Daí, a pressa em encaminhar o projeto. De explosivo na Casa já tem a reforma do ensino. Se juntar com a reforma da Previdência, será confusão na certa. E, de confusão, leitor, há quem diga que para esse fim de ano já basta a Lava jato.

Mas, vamos em frente! Boa semana a todos!

Hora de arrumar a casa num mundo nada seguro

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Com o presidente Michel Temer em Nova York, área que está hoje em estado de alerta por causa das explosões, os ministros que ficam aproveitam para mapear os cargos pendentes e a forma de atendê-los no período pós-eleitoral. No Congresso, um mini-esforço concentrado, nesta segunda e terça-feira tentará aprovar os créditos suplementares para as mais variadas áreas. E o PT agora aproveitará o uso de delações não-homologadas na denúncia contra o presidente para mostrar que os procuradores não tinham provas capazes de sustentar a peça acusatória. Caberá ao juiz Sérgio Moro decidir. Vamos aos temas:

O road show de Nova York

O presidente Michel Temer faz seu primeiro grande discurso internacional amanhã, abrindo a 71ª Assembleia Geral da ONU. Logo depois, será a vez do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, apresentar seu pronunciamento de despedida, uma vez que está no último ano de mandato. O presidente da ONU, Ban ki-Moon, também fará um discurso de despedida do cargo. O fato de ser o último discurso de Obama promete ofuscar a apresentação de Temer no cenário internacional. O recado que Temer dará ali é no sentido de mostrar que as instituições brasileiras continuam funcionando, de forma a se contrapor à narrativa do golpe levada pelos petistas aos organismos internacionais.

Paralelamente ao discurso na ONU, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o próprio Temer, tentarão deixar claro aos investidores que o país tem um situação política estável e um terreno fértil aos bons negócios na área de infraestrutura. Daí, a presença na viagem dos ministros de Minas e Energia, Fernando Bezerra Coelho, e o de Transportes, Maurício Quintela, comandantes de pastas que abarcam u volume expressivo dos projetos de investimentos. O setor elétrico, por exemplo, é considerado estratégico politicamente nesse encontro, porque, no governo Dilma, não atraiu interessados.

O mini-esforço
Paralelamente aos projetos suplementares, o governo pretende conseguir nesse curto espaço de tempo aprovar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2017. Essa proposta tem que ser aprovada rapidamente para que, passadas as eleições, os parlamentares possam se dedicar a análise do orçamento do ano que vem, onde a situação econômica promete continuar deixando o brasileiro de mau humor.

Lula entre o discurso e Sérgio Moro
O ex-presidente Lula passará essa semana pelo Nordeste, em especial, em Recife, onde aproveitará o périplo em prol das candidaturas do partido para alavancar a própria defesa. o PT ganhou fôlego esses dias. O uso de delações não-homologadas, revelado pela Folha de S.Paulo, reforça a tese de que as provas contra o ex-presidente são frágeis. Moro, porém, sempre poderá chamar os delatores para depor e ver se eles mantêm as versões. Esse assunto promete tomar conta da semana no quesito Lava Jato.

Eleições, o desespero do PT
Por mais que Lula tente animar seu partido e apresentar a sua defesa, há um baixo astral generalizado nos militantes. O PT, pela primeira vez, deve ficar fora do segundo turno na disputa pela prefeitura da maior capital do país, ironicamente, a única que governa hoje. Terminadas as eleições, o partido pretende partir para cima do governo Temer e os projetos que o presidente enviará ao Congresso. É a tentativa de retomar o poder com um forte discurso de oposição.

E o mundo hein?
E o terrorismo parece realmente não ter fim. Atentados nos Estados Unidos, com uma explosão em Chelsea, bairro histórico da cidade de Nova York, criado em 1830. Chelsea fica entre as ruas 14 ao Sul e a 30 ao Norte. Foram encontradas ainda bombas na ferroviária de Nova Jersey, área muito frequentada por brasileiros. Isso na semana da abertura da Assembleia Geral da ONU. Num mundo em que aviões, panelas de pressão e lixeiras viram armas, ninguém está seguro.

Economia e impeachment dominam a semana

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Com a Câmara praticamente em “férias”, as atenções do meio político se voltam ao Senado. Ali, estarão em debate a perícia nas ações da presidente Dilma Rousseff divulgada nesta segunda-feira, e, ainda, as medidas econômicas, a serem analisadas no encontro do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, com os senadores, marcado amanhã, na residência oficial do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Paralelamente, o seminário sobre corrupção promovido pelo Ministério Público, a Lava Jato e seus desdobramentos manterão o clima tenso, mas vamos aos temas:

Planalto
O presidente em exercício, Michel Temer, aproveita a semana para tentar mostrar o governo dedicado à geração de empregos. Para isso, reúne hoje o comitê de infraestrutura e vai amanhã à inauguração da fábrica da Klabin. Ele fará ainda a sanção da Lei de Responsabilidade das Estatais com poucos vetos. No horizonte, surge ainda o anúncio da nova meta fiscal para o ano que vem.

Turismo
O presidente promete para esta semana anunciar o novo ministro do Turismo e tem para isso duas teses: a primeira é nomear o deputado Newton Cardoso Jr e agradar o PMDB de Minas Gerais. A outra é passar o cargo para o PRB de Marcos Pereira, deixando o Ministério de Desenvolvimento, Industria e Comércio para os peemedebistas.

Impeachment
A comissão termina esta semana a oitiva de testemunhas, mas o que deve dominar o debate e pressionar os adversários da presidente afastada é a perícia do Senad , que responsabiliza Dilma diretamente pelos decretos de autorização de gastos sem passar pelo Congresso, mas a isenta de ação direta sobre as pedaladas fiscais. Logo, o governo afastado jogará nesse campo, mas nada indica até aqui que conseguirá alguma mudança de voto na comissão processante. Destaque ainda para o retorno da senadora Gleisi Hoffmann, depois que o marido foi preso, acusado de participação num esquema que desviava de dinheiro por intermédio de firmas contratadas para cuidar de empréstimos consignados a servidores públicos.

Lava Jato e seus desdobramentos
Continuam como os principais imponderáveis da politica Que ninguém se iluda: Apesar de todos os movimentos, as investigações seguem como propulsoras da política e assim será até que se desvende todos os casos. No Domingo, o jornal O Globo trouxe mais um braço dessa investigação, desta vez, sobre o setor elétrico, que envolve Furnas, Chesf e as SPEs, Sociedades de Propósito Específico, onde também há indícios de ações de Eduardo Cunha, o presidente afastado da Câmara,.

Apesar da Lava Jato, um respiro para os enroscados
Os tribunais superiores entram em recesso nesta sexta-feira. Um suspeito para os deputados envolvidos na Lava Jato e em outras investigações, uma vez que, sem reunião do pleno e das turmas, haverá apenas trabalhos internos.

Cunha e seus processos
Em meio ao recesso branco da semana, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Osmar Serraglio, pretende indicar o relator do caso Cunha na Comissão preparar para analisar os recursos já na semana que vem.

E o Maranhão, hein?
O presidente da Câmara, Waldir Maranhão, a cada dia se afunda mais. Primeiro, suspendeu os trabalhos da Casa para esta semana. No sábado à noite, recuou. Convocou sessão deliberativa inclusive para esta segunda-feira. Ontem, cancelou a deliberativa de hoje e promete que, para amanhã, quem faltar não terá desconto. Se tem uma unanimidade na Câmara hoje é ele. Nem a nova oposição, nem a antiga e tampouco o centrão querem que ele permaneça no comando da Casa. O problema é que, com a Câmara desmobilizada, até as ações para o afastamento de Cunha e eleição de um novo presidente ficam na geladeira.
E viva São Pedro! Que ele nos ajude a sair de tantas crises!!!

Depois das manifestações

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Tá bom. Você foi pra a rua, as manifestações foram expressivas, está tudo resolvido, Dilma sai em junho. Não. Nada é tão simples assim, nem se pode tratar qualquer coisa nesse momento como fato consumado. Porém, é notório que o impeachment bate à porta da presidente com maiores chances de ser aprovado do que no ano passado e as margens de manobras do governo são cada vez menores. Mas não dá para cravar que isso ocorrerá, uma vez que o imponderável Lava jato continua dando as cartas e agitando a política. Vejamos alguns fatores:

PMDB _ O partido vai tentando se mostrar uma opção de poder. A decisão da convenção, de impedir seus filiados de assumirem cargos no governo, tem endereço certo: o deputado Mauro Lopes, do PMDB de Minas Gerais. Que esta terça-feira seria nomeado ministro. A bancada de Minas Gerais é importante demais para deixar que seja cooptada pelo governo nesse momento. Michel Temer e Eliseu Padilha, o ex-ministro da Aviação Civil que Lopes iria assumir, decidiram apoiar essa moção contra as indicações porque foram pressionados pelo grupo contrário ao governo, o que mais apoia Michel hoje. Além do mais, se, em 30 dias, o partido vai definir seu destino, não dá para ficar nomeando ministro.

Nos bastidores do próprio PMDB, entretanto, há quem diga que essa pressa para se afastar do governo e abraçar a tese do impeachment tem um outro objetivo velado: entregar a cabeça de Dilma para ver se, em meio à confusão na sala principal da política, os peemedebistas enroscados na Lava Jato terminem esquecidos. Ocorre que as mesmas ruas que pedem o afastamento da presidente Dilma também citam Eduardo Cunha e Renan Calheiros. No geral, os peemedebistas sabem que Dilma não etá sendo investigada na operação e que esses dois peemedebistas estão. Portanto, ainda não se sabe se o PMDB terá esse fôlego todo para conduzir o país, apesar do equilíbrio de Michel Temer.

TSE _ A maioria dos oposicionistas deseja mesmo é uma nova eleição. Esse tema está a cargo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que analisa a legalidade das campanhas. O processo no Tribunal é lento. Seus ministros, para julgar, precisarão ter acesso às delações da Lava Jato que falam em caixa dois na campanha de 2014. Se isso ficar realmente comprovado, adeus Dilma e… Temer.

O futuro julgamento do TSE é hoje mais um incentivo para que os peemedebistas tentem correr com o processo de impeachment de Dilma. O raciocínio de alguns é o seguinte: quem sabe se, com um fato consumado, Temer na Presidência, o TSE termine não cassando a chapa e deixe o vice governar em paz?

Lava Jato _ O maior vitorioso das passeatas de ontem foi mesmo o juiz Sérgio Moro. É nele que a população deposita suas esperanças. E, embora muitos não gostem, o Supremo Tribunal Federal hoje deseja muito mais se assemelhar a Moro do que a um Tribunal que deixa as coisas correrem frouxas. Melhor assim.

Moral da história:
Com tantos fatores ainda para acontecer e tantas perguntas ainda sem resposta fica difícil traçar um cenário preciso para o futuro, apesar das manifestações de ontem. O fato é que, dentro de alguns dias, a Câmara começará a analisar o processo de impeachment, que deve atrair mais a imprensa como um todo. Paralelamente, o Conselho de Ética segue suas apurações sobre Eduardo Cunha e o ministro Teori Zavaschi vai despachando os processos contra os parlamentares. E Sergio Moro detonando novas fases da Lava Jato. Tudo indica que antes do final de maio não teremos um desfecho da crise. É o Brasil vivendo a cada dia a sua aflição.

Xilindró light

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Há vários dias, os petistas dizem que o alvo da operação Lava Jato é o presidente Lula. Inclusive se diziam preparados para uma busca e apreensão no Instituto que leva o nome do ex-presidente. Não imaginavam, entretanto, a condução coercitiva de Lula e seus familiares para prestar depoimento. Tampouco que fosse ocorrer no dia seguinte ao vazamento do relatório que deveria servir de base à delação premiada de Delcídio, algo que, aliás, muitos deles já haviam sido informados. Juram, porém, que não tinham conhecimento dos detalhes.

Estão na listagem da condução, algo como um xilindró light, ex-primeira-dama Marisa Letícia, o filho, Fábio Luiz, a nora, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto. Clara Ant, assessora do Instituto, também foi “convocada”. A polícia tenta descobrir tudo que está relacionado ao tríplex e ao sítio em Atibaia. No embalo, também começa a averiguar se Delcídio falou a verdade.

A semana fecha com a Lava Jato batendo à porta do primeiro escalão do PT, deixando o partido nas cordas. E Dilma caminhando nesse rumo. É o caldo pré 13 de março, data da manifestação pró-impeachment engrossando.

E a chapa esquenta…

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O governo chega ao mês de março com um cenário nada promissor: O PMDB anda o país em busca da unidade interna. Se conseguir e a rua permitir, vai apostar mais alto no impeachment. A economia não demonstra sinais de reação capazes de dar um respiro maior ao governo. A Lava Jato beira a campanha de Dilma ao prender o marqueteiro João Santana e, agora, sai o ministro da Justiça. Nos bastidores, o que se diz é que Cardozo sai por pressão do PT. Porque não controla a Polícia Federal e as investigações que deixam o partido desgastado.

O novo ministro, Wellington César, procurador da Bahia, dificilmente terá o sucesso que o PT deseja nessa seara, uma vez que todos os holofotes estão sobre a força-tarefa da Lava Jato, a cada dia mais empenhada nas apurações em curso. Se alguma coisa atrapalhar as investigações, o resultado por terminar levando às ruas uma população que até aqui não lotou as praças pedindo impeachment. O primeiro teste será em 13 de março, data marcada para aquilo que os partidos planejam transformar na primeira grande manifestação do ano contra o governo.

A saída de Cardozo do Ministério da Justiça tem ainda outro simbolismo: O fim do triunvirato que acompanhou a campanha de 2010. José Eduardo Dutra, então presidente do PT, faleceu. Antonio Palocci foi afastado por causa das denúncias a respeito de um apartamento em São Paulo. Restava o ministro da Justiça, como a memória e acompanhamento da presidente Dilma ao longo de todos esses anos de governo. E ela fica cada vez mais sozinha.

A sorte de Dilma é que a oposição não vive seus melhores momentos. Para muitos, a prévia do PSDB de São Paulo suga parte da energia que poderia ser usada no embate nacional. Porém, a lava Jato, sozinha, faz mais estragos na base governista e no PT do que todos os partidos de oposição juntos. Assim, o mês do carnaval vai embora com a chapa um pouco mais quente e João Santana levando a crise ao telhado do Planalto. Estão todos em movimento. Que venham as águas de março.