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“Vão transformar bandidos em heróis”

A frase acima foi dita por um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) há muito mais de um ano. Reservadamente, ele comentava comigo numa conversa informal, em off, que os métodos da força-tarefa da Lava Jato e a possível parceria entre o então juiz Sérgio Moro e o Ministério Público poderiam colocar a perder um trabalho necessário e importante, que apeou uma quadrilha da Petrobras e colocou muitos ladrões de dinheiro público na cadeia. A avaliação desse e de outros ministros era a de que a força-tarefa, para cumprir esse trabalho, por várias vezes forçou a mão. Agora, os diálogos divulgados nas redes sociais pelo The Intercept indicam que o juiz Sérgio Moro aconselhou uma das partes do processo. O Código de Processo Penal em seu artigo 254 é claro. Diz o caput: “O juiz dar-se-á por suspeito, e, se não o fizer, poderá ser recusado por qualquer das partes” E o inciso IV:  “Se tiver aconselhado qualquer das partes”.

Até aqui, tanto a nota do Ministério Público do Paraná quanto a do ministro da Justiça, Sérgio Moro (ambas disponíveis no site do Correio), não desmentem o conteúdo dos diálogos, que agora passarão por uma investigação, para verificar a sua autenticidade. O vazamento é grave por si, como todos os outros feitos ao longo da Lava Jato e que foram igualmente noticiados.  E o conteúdo terá desdobramentos. Petistas já falam em pedido de CPI. Os partidos vão  convocar Moro a dar explicações. E não estarão sozinhos.

Os parlamentares de partido de centro que ainda têm contas a acertar com a Justiça por causa da força-tarefa da Lava Jato prometem dar um empurrãozinho nos pedidos da oposição. Não perdoam o ex-juiz. O receio de alguns deputados que acompanham á distância e não são investigados é que os enroscados entrem nesse jogo e peçam a cabeça do ministro em troca de votos para aprova a Previdência. O presidente Jair Bolsonaro até agora, já passa das 22h40, não se pronunciou. Os deputados dos partidos de centro também não.  A noite desses parlamentares será dedicada a pensar estratégias.  Alguns desses centristas já disseram a colegas congressistas que vão procurar descobrir se há como ajudar o PT a emparedar Moro sem aparecer. Pelo menos, por enquanto, essa é a disposição. Alguns bandidos, certamente, vão aproveitar a situação para posar de heróis.

Denise Rothenburg

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