Contenção de danos

Publicado em 6x1, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Crise com os EUA, Economia, Eleições, Eleições 2026, EUA, Flávio Bolsonaro, PL, Política, Senado, Tarifaço de Trump

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 8 de julho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito 

Crédito: Kleber Sales

Ao afirmar que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) se tornará inimigo caso não envie a proposta de emenda constitucional do fim da escala 6×1 para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) até semana que vem, o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), causou um mal-estar entre governistas no Congresso Nacional. À coluna, parlamentares avaliam que esse tipo de afirmação mais prejudica do que ajuda. Enquanto o Senado trabalha para avançar com a PEC, declarações dessa ordem podem invalidar todo o esforço para tentar levar a proposta a votos. Senadores comentam reservadamente que é preciso “calma”: Afinal, o fim da 6×1 é a prioridade do governo na Casa para esse período pré-eleitoral. O momento não é propício para ataques, principalmente, ao presidente do Senado, alertam.

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Veja bem…/ A resposta de Alcolumbre às palavras de Uczai foram claras: “Ameaças e constrangimentos institucionais não aceleram a tramitação; apenas afrontam a independência dos Poderes”. Se o governo quiser a colaboração do presidente do Senado, melhor deixar seus líderes no modo “paz e amor” com Alcolumbre.

O que é ruim…

Ao se referir a escândalos de corrupção e ao Banco Master na audiência pública nos Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro deixou de fora a CPI da Covid, criada no governo Bolsonaro; e, no quesito Master, a fala do senador passou anos-luz do financiamento do filme sobre seu pai.

…a gente esconde

No Brasil, aliados do senador se mostraram preocupados. É que, se as tarifas não baixarem, melhor manter distância desse tema e voltar as baterias para o setor de segurança pública, a pauta em que o senador tem mais condições de surfar.

A aposta

Se tem alguém que pode ajudar a reverter as tarifas é o empresariado americano que compra produtos do Brasil. É a eles a quem Donald Trump estará mais sensível para atender. Aliás, é por aí que o governo brasileiro tem buscado as negociações desde o início do tarifaço, no ano passado. E com um certo sucesso.

Não agradou

Representantes dos auditores fiscais da Receita Federal consideram que o concurso autorizado nesta semana não contempla a necessidade de vagas a preencher urgentemente. De acordo com o Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Sindifisco), a Receita perdeu mais de 40% do seu efetivo desde 2014, e o edital oferece apenas 30 postos para auditores, muito aquém do necessário.

CURTIDAS

Crédito: João Valério / Governo do Estado SP

Sua hora vai chegar/ Com André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP-SP) embolados no Datafolha, atrás de Ricardo Salles (Novo), Marina Silva e Simone Tebet, o PL paulista acredita que, com o empenho do governador Tarcísio de Freitas (foto), a performance de Prado e de Derrite vai melhorar.

Nem tanto/ O problema de Prado e Derrite é que, com Ricardo Salles em terceiro, ficará difícil ignorar o deputado e ex-ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, que tende a ser segundo voto de muita gente.

Quem decide/ O senador Izalci Lucas (PL-DF) avisa que se mantém candidato ao governo do Distrito Federal. À coluna, o senador afirmou que apenas o presidente do partido, Valdemar da Costa Neto, e o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro têm legitimidade para definir as chapas majoritárias. E ressalta que nenhum dos dois disse o contrário. “Eu tenho mandato, sou senador, quem vai dizer que vou ficar sem mandato?”, questionou.

Apenas dois/ Com as ausências do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a Confederação Nacional do Comércio (CNC) ouvirá os pré- candidatos Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) hoje. A CNC quer saber o que pensam os presidenciáveis sobre o setor produtivo e a economia nacional e quais suas propostas de governo.

Flávio e a jogada de risco

Publicado em Banco Master, coluna Brasília-DF, Congresso, Crise com os EUA, Economia, Eleições, Eleições 2026, EUA, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, Lula, PL, Política, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 7 de julho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito 

Crédito: Caio Gomez

Ao participar hoje de uma audiência no USTR (United States Trade Representative), a secretaria de Comércio do governo dos Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) espera reverter a imagem de subserviência ao governo Donald Trump que marca a sua trajetória nesta fase da pré-campanha ao Planalto. Lá atrás, quando do primeiro tarifaço de Trump sobre os produtos brasileiros, Flávio chegou a declarar que as tarifas eram fruto “da atuação de Alexandre de Moraes” , e que só seriam revistas mediante “uma anistia ampla geral e irrestrita” . Num determinado momento, o senador chegou ainda a comparar o caso com as bombas que os EUA lançaram sobre o Japão na II Guerra Mundial. Há 11 meses, essas declarações marcaram Flávio e, especialmente, o irmão dele Eduardo Bolsonaro como os incentivadores das tarifas elevadas sobre produtos brasileiros. Lula surfou na onda, colocando na testa do pré-candidato do PL a tarja de jogador contra o Brasil. Essa imagem ainda não se desfez.

E o filme, hein?/ Flávio se movimenta ainda de forma a evitar que o tema do financiamento do filme sobre seu pai volte à baila. Porém, até agora não apresentou qualquer contrato a respeito da transação com Daniel Vorcaro. Tudo isso voltará à cena daqui a um mês, quando começa oficialmente a campanha. É esse tema que ele também alinhará esta semana com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

A dificuldade dos vices

O PSD procurou um vice para Ronaldo Caiado fora das suas fileiras e não encontrou. O PL ainda não desistiu de buscar uma mulher para parceira de chapa de Flávio Bolsonaro. Quer uma vice do PP ou do Republicanos, que tem entre suas filiadas a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques. Ocorre que o PP e o Republicanos caminham para a neutralidade na campanha presidencial. O foco de ambos é a eleição proporcional.

A desconfiança delas

Muitos assuntos deverão ser tratados no Congresso Nacional apenas em novembro, quando a correlação de forças entre os partidos para o ano que vem estiver definida nas urnas. Isso inclui negociações acerca da próxima indicação para o Tribunal de Contas da União (TCU). A bancada feminina suspeita de que a direção da Câmara dos Deputados quebre a promessa de indicar uma mulher. À coluna, deputadas dizem que o acordo foi “lindo no discurso” , mas, na hora do “vamos ver” , os homens votam entre eles.

Um alívio para opositores de Ruas

A esquerda no Rio de Janeiro está feliz da vida com o exercício do desembargador Ricardo Couto de Castro como governador. Para os políticos desse campo, a atuação do presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) no governo estadual dificulta a eleição do apadrinhado de Cláudio Castro, deputado estadual Douglas Ruas (PL), em outubro.

Dois coelhos…

… numa cajadada só. Na visão dos esquerdistas, a atuação do desembargador contra o esquema de cargos fantasmas enfraquece a campanha de Ruas e ainda corta dinheiro para sua eleição. O deputado foi eleito presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), mas o STF ainda não definiu como será realizado o mandato tampão no RJ.

CURTIDAS

Crédito: Divulgação PL

Libera aí!/ Tem gente torcendo para que a Polícia Federal ou o Supremo Tribunal Federal (STF) solte mais alguma informação sobre o Caso Master. De preferência, contra seus adversários. Alguns políticos confessaram à coluna que estão torcendo por novos desdobramentos antes das convenções partidárias.

Fica, Michelle!/ Não é só o PL do Distrito Federal que deseja ver a ex-primeira-dama disputar o Senado. Parlamentares aliadas de legendas de centro farão de tudo para evitar a desistência de Michelle para o pleito. A ex-primeira-dama (foto) é considerada a maior puxadora de votos na direita e seria essencial para eleger candidatas pelo Brasil com o seu apoio.

Por falar em Michelle…/ Em conversas reservadas, integrantes afirmam que o partido realmente não tem intenção de lançar o senador Izalci Lucas (PL-DF) para o governo do DF. Pior, alguns afirmam que a intenção é deixá-lo sem mandato. Contudo, caso Michelle realmente desista da disputa, Lucas tem uma chance de conseguir alguma vaga para concorrer a um mandato eletivo.

E a Copa, hein?/ Há 3 anos, o presidente Lula tinha dúvidas do sucesso de Carlo Ancelotti como técnico da Seleção Brasileira: “Nunca foi técnico da Itália (…) por que ele não resolve o problema da Itália, que nem foi disputar a Copa do Mundo?” . É, pois é. Agora, é torcer pela Seleção feminina, em 2027, aqui no Brasil.

Ex-embaixador dos EUA na China e ex-conselheiro da Casa Branca participam de debate exclusivo em SP

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Crédito: Saulo Cruz/Agência Senado

Por Eduarda Esposito — O ex-embaixador dos Estados Unidos na China e na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) Harvard Kennedy School — considerado um dos diplomatas mais experientes da política externa norte-americana — e o ex-conselheiro da Casa Branca e ex-cônsul dos EUA em São Paulo Ricardo Zuniga participam, na próxima terça-feira (9/6), de um debate sobre a nova ordem econômica mundial. Além deles, o especialista em relações EUA-China Nicholas Burns, o nome de referência em cadeias globais do agro e segurança alimentar Marcos Janks e o ex-presidente do Banco dos BRICS e especialista em comércio internacional e geopolítica Marcos Troyjo também estarão presentes.

O evento ocorre em meio a um turbilhão vivido pela geopolítica global e com as recentes tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. O debate é organizado pelo Instituto Diálogos, fundado pela senadora e ex-ministra da agricultura Tereza Cristina (PP-MS) e será realizado no Teatro do Shopping Iguatemi, com a reunião de empresários, autoridades, diplomatas e representantes do setor produtivo.​ O ID foi criado com o objetivo de promover o debate plural e a difusão de conhecimento sobre grandes temas presentes nos cenários nacional e internacional.

Um alívio lá para 2030

Publicado em Banco Master, coluna Brasília-DF, Crise com os EUA, Economia, Eleições, Eleições 2026, EUA, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, Política

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 4 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

Em palestra no 10º Congresso Luso Brasileiro dos Auditores Fiscais, o mestre em políticas públicas Ricardo Leitão abriu um portal para revisão das alíquotas, capaz de dar esperança àqueles que acham que pagarão muitos impostos com a reforma tributária. Do alto de quem estudou a fundo por um ano “in loco” o sistema tributário chinês e indiano, o fiscal da Secretaria de Fazenda do Pará conta que China e Índia reduziram suas alíquotas para manter o crescimento econômico. A China o fez sem planejamento, quando os Estados Unidos começaram a aumentar as tarifas lá em 2018. Já a Índia planejou essa redução deforma a aquecer a economia. O pesquisador não afirma categoricamente que o Brasil terá condições de baixar a alíquota, mas aponta que a janela para revisão na próxima década está aberta: “Há previsão legal expressa — e em dois mecanismos distintos”, lembra. A Lei Complementar 214/2025 estabelece que o governo deve adotar medidas para que a alíquota de referência seja menor que 26,5% até 2030. Não é uma meta — é uma obrigação legal.

Veja bem/ A porta para revisar para baixo já está aberta na legislação vigente. O que a aciona são os dados de arrecadação real que o sistema vai gerando ao longo da transição. E, para completar, os exemplos da China e da Índia vão servir de freio para os candidatos que planejam jogar contra a reforma tributária sobre consumo antes de o texto entrar em vigor. Atualmente, há muita preocupação entre os técnicos sobre declarações de candidatos ao Planalto contra a reforma. O ex-governador de Minas Romeu Zema, por exemplo, fez várias declarações nesse sentido. Não por acaso, na palestra de abertura do Congresso, em Belo Horizonte, o ex-secretário especial da Reforma do Ministério da Fazenda Bernard Appy foi incisivo ao dizer que posicionamentos como esse geram insegurança jurídica. Primeiro, é preciso deixar a reforma ser implementada, para, depois, pensarem ajustes. E, até aqui, os exemplos de China e Índia são alvissareiros.

“Vamos conversar?”

O ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o representante dos Estados Unidos para o Comércio, Jamieson Greer, encontraram-se casualmente nos corredores da OCDE (Organização para Cooperacão e Desenvolvimento Econômico). Greer se aproximou e disse que está dialogando como Brasil, que há um contato fluido e que quer continuar com esse diálogo aberto. Vieira respondeu que a disposição do Brasil é a mesma e que as recomendações da USTR, de novas tarifas de 25% e 12,5%, vão exigir que se intensifiquem essas negociações.

Sejamos amigos

Os dois governos ainda estão dentro do prazo de 30 dias estabelecido pelos presidentes Donald Trump e Lula no encontro que tiveram em Washington. E a conversa, embora rápida, foi suficiente para evitar um clima de animosidade. Da parte do Executivo brasileiro, não resta dúvidas de que há uma má vontade de setores da gestão dos Estados Unidos para com o governo Lula, mas tudo será feito para que essa posição não estrague o diálogo entre os dois países. A ordem é muita calma nessa hora, tal como ocorreu quando do primeiro tarifaço anunciado por Trump.

O interesse deles

As tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros vêm paulatinamente reduzindo o volume de trocas comerciais entre os dois países. Em 2009, o comércio entre Brasil e EUA representava 25% das transações comerciais brasileiras. Agora, está em 9,7%, conforme apontam dados do governo brasileiro.

Enquanto isso…

O comércio com a China quadruplicou. Aliás, o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, esteve em Pequim e saiu de lá com a decisão do governo chinês de declarar o Brasil livre da febre aftosa e de ampliar o fornecimento de fertilizantes para o país.

CURTIDAS

Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

Indefinição mineira I/ A situação da oposição em Minas Gerais anda complicada. Integrantes do PL pediram ao senador Cleitinho (Republicanos-MG) que ele não saísse para governador. Aliados do mineiro afirmam que Flávio Bolsonaro disse a Cleitinho que ele não tem “perfil executivo”. O republicano rebateu dizendo o mesmo sobreo pré-candidato à Presidência.

Indefinição mineira II/ Esse clima tenso ocorreu um dia antes dos vazamentos das conversas entre Flávio e Daniel Vorcaro. Agora, a situação é diferente. O partido de Jair Bolsonaro quer negociar com Cleitinho seu apoio para a candidatura do empresário Flávio Roscoe ao governo do estado. Roscoe foi o anfitrião do jantar para Flávio Bolsonaro no início desta semana em Belo Horizonte. Está interessadíssimo em ingressar na política e tem perfil executivo.

Quando há silêncio…/ … é porque está caminhando. A delação de Daniel Vorcaro está sob análise agora da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Polícia Federal. A nova versão foi reformulada, ampliada e aprofundada, de acordo com fontes próximas ao ex-controlador do Banco Master. Alguns a classificam como robusta. A PF já havia negado uma delação anterior por não revelar fatos novos, além da proposta de ressarcir o rombo deixado com o esquema.

Indefensável/ A situação do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (foto) é vista por muitos parlamentares do PL como sem argumentos para defesa pela legenda. E dizem que Castro ao menos teve senso em abdicar da pré-candidatura ao Senado.

A conversa entre Mauro Vieira e Jamieson Greer

Publicado em Economia, EUA, GOVERNO LULA, Política
Crédito: Letícia Clemente/MRE

O ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o representante dos Estados Unidos para o Comércio, Jamieson Greer, se encontraram casualmente nos corredores da OCDE (Organização para Cooperacão e Desenvolvimento Econômico). Ao perceber que o ministro vinha caminhando, Greer se aproximou e disse que está dialogando com o Brasil, que há um contato fluído e quer continuar com esse diálogo aberto. Vieira respondeu que a disposição do Brasil é a mesma e que as recomendações da USTR, de novas tarifas de 25% e 12,5%, vão exigir que se intensifiquem essas negociações. Afinal, os dois governos ainda estão dentro do prazo de 30 dias estabelecido pelos presidentes Donald Trump e Lula no encontro que tiveram em Washington.

A conversa, embora rápida, foi suficiente para evitar um clima de animosidade. Da parte do governo brasileiro, não resta dúvidas de que há uma má vontade de setores do governo dos Estados Unidos para com o governo Lula, mas tudo será feito para que essa posição não estrague o diálogo entre os dois países. A ordem é muita calma nessa hora, tal como ocorreu quando do primeiro tarifaço anunciado por Trump.

O STF e a prisão de Daniel Vorcaro

Publicado em Banco Master, coluna Brasília-DF, Congresso, Crise com os EUA, Crise diplomática, Eleições, Eleições 2026, EUA, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, Lula, PL, Política, Politica Externa, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada no sábado, 14 de março de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito 

O voto do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), acompanhando o relator do processo, ministro André Mendonça, pela manutenção da prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, surpreendeu advogados e deu aos políticos a certeza de que, dessa vez, será muito mais difícil tirar o ex-CEO do Banco Master da cadeia. A avaliação geral do mundo jurídico é de que a manutenção da prisão foi um divisor de águas e Vorcaro pode se preparar para uma boa temporada atrás das grades. O ex-banqueiro colecionou ameaças a muita gente. E fez isso justamente num momento em que o “jeitinho” e a interpretação da lei em favor de criminosos desse tipo cai em desuso. A ordem na Corte é cerrar fileiras em defesa da instituição, arranhada pela a sociedade dos irmãos Dias Toffoli em um resort no Paraná e pelo contrato milionário da mulher de Alexandre de Moraes com o Master.

Crédito: Caio Gomez

Acertos e erros/ A maioria em torno do voto de Mendonça, relator do caso na Segunda Turma, vem no momento em que o STF está mais fragilizado e tenta se recuperar. A avaliação de alguns ministros é de que está na hora de mostrar que alguns magistrados podem ter cometido erros, mas a instituição que defendeu a democracia — quando das ameaças de golpe de Estado — e permitiu que o país pudesse trabalhar de forma mais equilibrada na pandemia continua de pé. E não pode ser jogada fora.

PL no escuro

Com o ex-presidente Jair Bolsonaro na UTI — e justamente no período crucial de janela para troca de partido —, o PL não terá condições de pegar todas as orientações do “detentor dos votos” . Agora, terá que se contentar com o que quiser o senador Flávio Bolsonaro (RJ). E quem ficar insatisfeito, não tem nem como ir ao pai reclamar.

Enquanto isso, no Rio de Janeiro…

Justamente no berço político do pré-candidato à Presidência da República, a situação está para lá de complicada depois que o governador Claudio Castro arrisca ter o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Até aqui, o partido está numa disputa interna, com uma ala disposta a puxar o tapete de Castro para tirar um desgaste das costas.

Vertente I

Ao revogar o visto do subsecretário norte-americano Darren Beattie alegando reciprocidade, o governo brasileiro fez dois movimentos importantes. O primeiro foi diplomático: “A mensagem é que o Brasil não aceitará um tratamento assimétrico nas relações bilaterais. Esse tipo de mecanismo não é incomum na diplomacia e costuma ser utilizado para sinalizar descontentamento sem chegar a uma ruptura institucional mais grave” , avalia Eduardo Galvão, especialista em risco político.

Vertente II

O componente político também é evidente. “Beattie não é um diplomata tradicional, mas um nome associado à ala mais ideológica do trumpismo e crítico do governo Lula e do STF. A tentativa de visitar Jair Bolsonaro em um momento sensível da política brasileira, especialmente em ano eleitoral, inevitavelmente ampliou o peso simbólico do episódio” , explica Galvão.

O que precisa segurar

No Itamaraty, todo esforço é no sentido de separar as estações. Ou seja, as relações comerciais e diplomáticas do Brasil com os Estados Unidos têm que ser mantidas e trabalhadas. E isso não tem ligação direta com as informações prestadas por Darren Beattie para obtenção do visto. A avaliação dos diplomatas é de que Beattie omitiu dados ao dizer que iria participar de um fórum de minerais críticos e faria agenda com o governo brasileiro, sem mencionar o encontro com Bolsonaro.

CURTIDAS

Crédito: Jefferson Rudy/Agência Senado

O culpado/ Bem mais magro, o senador Rogério Marinho (PL-RN, foto) não titubeia quando alguém comenta seu novo “shape”: “Não foi Mounjaro! Foi Lula. Esse governo dele é tão ruim que tira o apetite” , provoca.

Honra máxima/ A economista Esther Duflo, vencedora do Prêmio Nobel de Economia de 2019 e cofundadora do Abdul Latif Jameel Poverty Action Lab (J-PAL), vai ministrar uma aula magna na Escola Nacional de Administração Pública (Enap), na terça-feira. A ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, fará a abertura do evento. O evento vai debater “o papel das evidências e da pesquisa aplicada no aprimoramento das políticas públicas” .

Paulo Octávio, 50 anos/ O ex-presidente José Sarney e o historiador e ex-ministro Ronaldo Costa Couto fazem o prefácio do livro que o ex-governador Paulo Octávio lança hoje sobre a história da empresa. A obra será entregue a um grupo de 400 convidados para a festa, que marcará o aniversário da construtora.

Uma visita para organizar a campanha

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Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 11 de março de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

O pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro para receber o subsecretário de Diplomacia Pública dos Estados Unidos, Darren Beattie, é lido no PL como um dos principais passos para auxiliar no enfrentamento às medidas adotadas pelo Supremo Tribunal Federal e na campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto. Beattie não é um qualquer. É ele quem assessora o presidente Donald Trump nos assuntos relacionados ao Brasil. Foi um dos que defenderam a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes e nunca escondeu que considera a prisão do ex-presidente uma perseguição. Deixou isso claro, inclusive, quando da aplicação do tarifaço a produtos brasileiros. Doutor em filosofia pela Universidade de Duke, integra o Maga — Make America Great Again —, o movimento liderado por Trump. É um personagem a ser acompanhado de perto na visita que fará ao Brasil.

Crédito: Maurenilson Freire

Veja bem/ O PT fechou 2025 com o receio de que o presidente Donald Trump tentasse interferir nas eleições deste ano no Brasil. Agora, com a visita de Beattie ao país, esse medo volta com tudo. O que até aqui vinha sendo considerada uma “caraminhola” na cabeça de alguns aliados começa a ganhar outros ares.

Precedente grave

Se a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, de não deixar nada do Banco Master sob o tapete, não dá para manter em sigilo as conversas de Daniel Vorcaro com seus advogados numa prisão federal. Isso é proibido a outros detentos em presídios federais. Portanto, liberar no caso de Vorcaro vai provocar uma avalanche de pedidos judiciais de chefões do crime organizado. Pelo menos, essa é a opinião de muita gente que trabalha com o sistema penal. Não se pode abrir exceções a um ex-banqueiro que, segundo gravações em poder da PF, ameaçou pessoas.

Governo encurralado

A bancada do PT na Câmara dos Deputados não gostou de ver a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) promover debates em vez de votar logo a admissibilidade da proposta de emenda constitucional (PEC) de redução da escala 6×1. Petistas consideram que isso não passa de uma manobra para protelar a apreciação em plenário. É que, depois da aprovação na CCJ, o texto segue para a comissão especial, onde pode demandar 40 sessões. Ou seja, o calendário tem tudo para ser atropelado, e o assunto ficar para depois das eleições.

Contragolpe

Com esse cenário, uma ala do Partido dos Trabalhadores acredita que ganhará força a ideia do Planalto de enviar um projeto de lei com urgência constitucional sobre o tema. Isso exigirá que os deputados deliberem o texto em até 45 dias na Casa e mais 45 dias no Senado Federal.

Veja bem

A ideia de um projeto com urgência é apoiada pelo Centrão, uma vez que, por meio dele, não é possível alterar a escala de 6 x 1 para 5 x 2, somente a redução da jornada de trabalho, que seria de 44 para 40 horas semanais. Essa tem sido uma vertente que o Centrão e o setor produtivo têm defendido em debates e eventos realizados nos últimos meses.

CURTIDAS

Crédito: Kayo Magalhães/Agência Câmara

Cartas à mostra/ O rompimento do PL com o governo de Ibaneis Rocha segue a receita de ficar distante de problemas em ano eleitoral. Ibaneis é visto como enfraquecido, e o PL não quer ser parceiro no desgaste. Aliás, no plano nacional, a deputada Bia Kicis defendeu todas as investigações propostas, enquanto dois integrantes do PL, o deputado Alberto Fraga e o senador Izalci Lucas, já estão afastados há tempos de Ibaneis e, inclusive, fizeram questão de comparecer ao lançamento da pré-candidatura de José Roberto Arruda ao governo local.

Embaralhou geral/ Depois da reunião da bancada do PT do Maranhão com a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (foto), a eleição por lá ganhou novos contornos. Os petistas desistiram de lançar candidatura própria e vão apoiar o atual prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), para o Palácio dos Leões. O vice-governador, Felipe Camarão (PT), teria dito a Gleisi que deseja disputar uma vaga ao Senado Federal.

Mais um do PP/ Falta fechar o nome para a segunda vaga. Tem muita gente de olho no ministro do Esporte, André Fufuca (PP), que deve disputar o Senado e ainda não está fechado na chapa do pré-candidato ao governo, Orleans Brandão (MDB).

Cálculos políticos/ Orleans Brandão é sobrinho do atual governador do Maranhão, Carlos Brandão, e não quer fechar a chapa com o ministro Fufuca. Orleans prefere lançar o líder do União Brasil na Câmara dos Deputados, Pedro Lucas, ao Senado, junto com o senador Weverton Rocha, que concorrerá à reeleição. Entretanto, deputados petistas acham que Weverton não tem chance, já que tem sido chamado no estado de “ladrão de velhinhos”, após ser um dos alvos da Operação sem Desconto, que investiga as fraudes no INSS.

Vamos com calma

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Crise diplomática, Economia, Eleições, EUA, GOVERNO LULA, Política, Politica Externa

Coluna Brasília-DF publicada no domingo, 11 de janeiro de 2026, por Luana Patriolino com Eduarda Esposito

A ala mais radical da esquerda está incomodada com o posicionamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante da crise da Venezuela. O chefe do Executivo brasileiro adotou uma postura mais comedida sobre a invasão dos Estados Unidos e a prisão do ditador Nicolás Maduro — sendo aconselhado por seus assessores a “falar menos” nas declarações públicas. O corpo diplomático destacou que não quer perder o avanço que fez na relação com Donald Trump sobre a revogação do tarifaço. Mas, para os mais exaltados, o Brasil está perdendo a oportunidade de se colocar à frente do debate mundial.

Crédito: Maurenilson Freire

Tempo limitado/ Para o embaixador aposentado Jorio Dauster, a lua de mel entre Lula e Trump pode estar com os dias contados diante do comportamento intempestivo do norte-americano e de seus planos ambiciosos. “Ele está disposto a instalar em todos os países da região regimes subordinados a ele, aos interesses políticos e econômicos dos EUA e aos conceitos de extrema direita. Não se iludam os que creem que Lula conseguiu ‘encantar’ Trump. Nas eleições presidenciais deste ano, todo o poder da Casa Branca será posto a serviço de seus adversários”, disse à coluna.

Escolha um lado

Enquanto o Brasil se mantém longe de polêmicas, outras nações estão escolhendo seus lados. A Rússia enviou um submarino e outras embarcações para escoltar um petroleiro que tentou burlar o bloqueio dos Estados Unidos à Venezuela. Na Colômbia, o presidente Gustavo Petro não poupou críticas a Trump — que retribuiu — e acusou, sem provas, o colombiano de ser um líder do narcotráfico.

Futuro incerto

Para outros especialistas, caso Trump resolva atacar a Colômbia, a América Latina passaria por grandes mudanças quanto a parcerias internacionais. “Esse cenário ressuscitaria com força o sentimento ‘anti-Yankee’, empurrando os países que defendem a soberania para parcerias estratégicas ainda mais estreitas com potências como China e Rússia, visando criar um contrapeso ao poderio americano”, afirma conselheiro da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig), Márcio Coimbra.

Alertas

O liquidante do Banco Master, EFB Regimes Especiais de Empresas, detectou que, no endereço 834, Brickell Plaza — um dos mais chiques do Financial District, em Miami — apesar de alugado a preço de ouro, nunca foi ocupado pela instituição de Daniel Vorcaro (preso desde novembro) ou por outras empresas dele. O caso acendeu um alerta nos investigadores dos Estados Unidos. A Justiça norte-americana reconheceu a liquidação extrajudicial do Master decretada no Brasil, em uma decisão que reforça a posição do Banco Central e representa um revés para o controlador investigado.

Nada está bom

Mesmo com o selamento do acordo entre Mercosul e Europa, após 25 anos, a oposição criticou a condução do governo do presidente Lula nas negociações entre os blocos econômicos. Para eles, o petista foi incapaz de conduzir uma negociação “firme, técnica e alinhada aos interesses nacionais”, desperdiçando uma oportunidade estratégica para a ampliação do Brasil no comércio internacional.

Crédito: Reprodução/Redes sociais

Novo nome

O influenciador Ivan Baron (foto)é um dos cotados a assumir a Secretaria Nacional dos Direitos Pessoas com Deficiência. Ele tem paralisia cerebral decorrente de meningite viral e tornou-se conhecido por sua atuação nas mídias sociais em defesa e divulgação de políticas de inclusão para pessoas com deficiência. É formado em pedagogia e subiu a rampa do Planalto na posse de Lula, em 2023.

Debate necessário

O analista político e advogado Melillo Dinis participou, ontem, do evento Crisis en Venezuela: Una agenda para la Transición Pacífica para debater sobre a crise na nação vizinho, anistia para condenados por crimes políticos, soluções e possíveis novas eleições no país. “Sob o manto do grupo de Lideranças Democráticas da América Latina, discutimos quais seriam os próximos passos para uma transição pacífica e democrática na Venezuela, apesar da violação do direito internacional e do ataque dos EUA”, ressaltou.

Rumos

O Bocayuva & Advogados passou a integrar a Brazilian Chamber of Commerce. A participação reforça o posicionamento institucional do escritório no eixo Brasil-Estados Unidos, além de ampliar o acompanhamento de agendas regulatórias, políticas de taxação e dinâmicas do mercado global.

Defesa & ataque

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Crise diplomática, Economia, Eleições, EUA, GOVERNO LULA, Lula na ONU, Política, Politica Externa, Senado

 Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 7 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Kleber Sales

A independência do Banco Central ganha corpo nesta largada de 2026, com a oposição e frentes parlamentares ligadas aos setores produtivo e financeiro em campo para defender o Bacen. O ano legislativo, aliás, tende a começar com pressão total por uma CPMI para investigar o Master e mostrar que os malfeitos estão no banco de Daniel Vorcaro, e não no Banco Central. À coluna, o presidente da Frente Parlamentar de Comércio e Serviços, deputado Domingos Sávio (PL-MG), por exemplo, afirmou que o que está acontecendo com o Brasil é “surpreendente e triste” e, na toada em que se encontra, com o Tribunal de Contas da União entrando nessa história, daqui a pouco vão querer punir um diretor do BC.

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Veja bem/ A oposição, desde já, está cobrando os líderes por indicações ágeis e sérias na formação da CPMI. O medo é que os partidos aliados a Vorcaro segurem a instalação demorando a definir os nomes dos membros ou indicando parlamentares a serviço do banqueiro. Bruno Spada / Câmara dos Deputados Até aqui, tem muita gente considerando esquisita essa pressão do TCU sobre o Banco Central. Ninguém se convenceu ainda de que essa interferência do Tribunal é pelo bem da Nação. Muitos políticos consideram que a atitude vai mais pelo bem de Daniel Vorcaro.

Efeito colateral

Especialistas em relações internacionais consideram que a invasão dos Estados Unidos à Venezuela torna mais difícil a negociação pelo fim da guerra na Ucrânia. “Moscou tende a interpretar essa ação como confirmação de uma postura mais intervencionista de Washington, o que endurece posições e reduz o espaço político para concessões na guerra contra a Ucrânia. As negociações não acabam formalmente, mas entram em modo de congelamento prolongado”, avalia o professor João Vitor Cândido.

Há discurso

Na visão de João Vitor Cândido, uma ameaça ao Brasil vinda dos EUA não está descartada a longo prazo, mas de outra forma: “O discurso de segurança transnacional dos EUA tende a se ampliar, especialmente no combate ao narcotráfico, crime organizado e financiamento ilícito. O risco não é militar, mas político e jurídico, com maior pressão por cooperação, enquadramentos legais mais duros e vigilância internacional. O Brasil será cobrado como ator-chave regional, não como alvo, desde que mantenha controle institucional e cooperação ativa”, disse.

Lula quer é paz

Defensor ferrenho da soberania dos países, o presidente Lula repisará esse discurso, mas buscará o diálogo com os Estados Unidos e com todas as nações. Especialmente, neste ano eleitoral. A fala de 8 de janeiro será incisiva no quesito soberania, mas, na avaliação do Planalto, não pode ser confundida com bater de frente com Donald Trump. Isso Lula não fará.

Legislativo combativo

Ainda de recesso, o presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara, deputado Filipe Barros (PL-PR), se prepara para convocar o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o assessor especial Celso Amorim, para “dar esclarecimentos quanto ao posicionamento do Poder Executivo” no Conselho de Segurança da ONU nesta semana.

CURTIDAS

Crédito: Marina Ramos / Câmara dos Deputados

Última agenda?/ Na iminência de deixar o Ministério da Justiça, o ministro Ricardo Lewandowski pretende fazer da cerimônia dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro sua última agenda oficial de governo. Fontes afirmam que Lewandowski pode deixar a pasta ainda nesta sexta-feira.

Neutralidade/ Tem um objetivo político as ausências do presidente da Câmara, Hugo Motta (foto), do Republicanos, e do Senado, Davi Alcolumbre (UB-AP), nos atos desta quinta-feira para relembrar o 8 de Janeiro de 2023. É que ambos pretendem conquistar os votos da direita para a reeleição, em outubro. E, sabe como é, enquanto o cenário eleitoral estiver nebuloso, eles vão jogar nas duas pontas e tentar se firmar ao centro.

Aliás…/ Motta vê surgir adversários por todos os lados. No PP, tem muita gente apostando no nome do líder Doutor Luizinho (RJ) para concorrer no lugar de Hugo.

Bolsonarismo em fúria/ O acidente com o ex-presidente Jair Bolsonaro durante a madrugada de terça-feira na sala da Polícia Federal onde está preso deixou os aliados alertas e bravos. Segundo os bolsonaristas, houve boicote à saúde de Bolsonaro. “É um absurdo o que está sendo feito com o presidente”, disse à coluna o líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto (PL-PB).

A nova onda da oposição

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Crise diplomática, Economia, Eleições, Eleições 2026, EUA, GOVERNO LULA, Lula, Lula na ONU, Política, Politica Externa, PT, Senado

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 6 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

As narrativas nas redes sociais não deixam dúvidas sobre a primeira estratégia dos bolsonaristas para 2026: espalhar aos quatro ventos que Maduro é Lula e Lula é Maduro. Ainda que a invasão à Venezuela pelos Estados Unidos e a prisão de Maduro tenham sido feitas em total desrespeito às leis e aos tratados internacionais, a ideia dos aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e do pré-candidato Flávio Bolsonaro será usar essa crise para tentar empatar o jogo depois do desastre da disputa envolvendo o tarifaço. Ali, Lula venceu o embate e ganhou muitos pontos ao manter a soberania que levou à negociação das tarifas.

Crédito: Maurenilson Freire

A aposta do governo brasileiro é de que, até outubro, esse tema ficará em segundo plano. Porém, como seguro morreu de velho, o plano é manter em alto e bom som o discurso de defesa da soberania, da mesma forma como Lula trabalhou na questão das tarifas. Ali, deu resultado. Lula não rompeu relações com os Estados Unidos naquela ocasião e não o fará por causa da Venezuela. A ordem é cuidar mais da vida no Brasil do que se preocupar com o futuro do vizinho.

Recesso total

Lá se vão mais de 72 horas da operação dos Estados Unidos na Venezuela, e o Poder Legislativo do Brasil se mantém alheio a tudo. Os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não fizeram qualquer comunicado, nem sobre a crise no país vizinho, nem a respeito da confirmação de presença nas solenidades para marcar os três anos dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.

Chapa quase fechada

Muita gente tem dito que o palanque de João Campos (PSB) para o governo de Pernambuco ainda está recheado de incógnitas. Porém, nos bastidores, o que se diz é que os dois candidatos ao Senado estão definidos: o senador Humberto Costa (PT) concorrerá à reeleição, e a outra vaga ficará com o ministro de Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho. Falta só o nome do candidato a vice.

Esquerda unida

Os partidos de esquerda não fazem questão de ter nomes do PT para o Senado e o governo no Rio Grande do Sul. A legenda vai lançar o ex-deputado Edegar Pretto para o Palácio Piratini e apoiar o deputado Paulo Pimenta ao Senado. O outro nome será Manuela d’Ávila. Para vice-governador, a indicação ficará a cargo do PDT.

“Erro grave”

Tem quem diga nos bastidores que, ao apostar em Paulo Pimenta e não na reeleição do senador Paulo Paim, o PT comete um “erro gravíssimo”. Na avaliação de aliados da legenda no estado, Pimenta é considerado um voto radical. Paim tem capilaridade maior por conseguir votos no centro e até na direita.

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Crédito: Ed Alves/CB/DA.Press

Sem RSVP I/ O PT não deu nenhum tipo de instrução cobrando a presença dos parlamentares da legenda nos atos desta quinta-feira, 8 de janeiro. À coluna, integrantes do partido disseram que foram enviados apenas convites, e comparece quem puder e quiser. Em seus canais oficiais, o PT colocou um vídeo do presidente Lula, mas sem uma convocação obrigatória.

Sem RSVP II/ Para o ato simbólico no Planalto, muitos ministros ainda não decidiram se vão. Até o fechamento desta edição, estavam confirmados Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais), Ricardo Lewandowski (Justiça), Carlos Fávaro (Agricultura), Márcia Lopes (Mulheres), Marina Silva (Meio Ambiente), Camilo Santana (Educação), Frederico de Siqueira Filho (Comunicações), Wolney Queiroz (Previdência Social), Anielle Franco (Igualdade Racial) e José Múcio (Defesa).

Modo avião/ Os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e do Planejamento, Simone Tebet (foto), estão oficialmente em férias, descansando para as cobranças futuras de um ano que promete ser tenso e tumultuado.

Dia de Reis/ Hoje é dia de galette des rois, a torta francesa que traz sorte àquela pessoa que encontrar o objeto de porcelana no seu pedaço. Se você não ganhou na Mega-Sena da Virada, pode tentar a sorte aí, enquanto desmonta a árvore de Natal.