A teia da Reag começa a aparecer

Publicado em 6x1, Banco Master, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Lula, Política, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 12 de março de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito 

Pelo menos três das últimas megaoperações da Polícia Federal — Carbono Oculto (lavagem de dinheiro do crime organizado via setor de combustíveis), Compliance Zero (Banco Master) e Sem Desconto (desvio de recursos de aposentados do INSS) — passaram pela administradora de fundos de investimentos Reag, já liquidada pelo Banco Central (BC). É nesse emaranhado de fios que a PF está se debruçando para tentar montar o grande quebra-cabeça do mercado financeiro e de negócios atípicos. Quem teve acesso a parte das apurações, considera que o caso do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, e os R$ 3 milhões recebidos por consultoria empresarial, é apenas um dos negócios que vão aparecer, sejam legais ou não. Vem mais, muito mais.

Crédito: Caio Gomez

Veja bem/ Até aqui, o que se sabe é que, realmente, ex-CEO da Reag, João Carlos Mansur, tem razão ao dizer à CPI do Crime Organizado que não era uma administradora de fachada do Master. O que a PF investiga é o fato de a empresa aparecer em outros negócios tão nebulosos quanto os do Master/BRB.

Fala PHC!

Depois da segunda prisão e a transferência para uma penitenciária federal em Brasília, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro não mandou sequer um sinal de fumaça à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Quem o senador Renan Calheiros (MDB-AL) espera que compareça ao colegiado, na semana que vem, é o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa.

E tem mais

Além dessa audiência, a comissão trabalha para identificar possíveis falhas e legislar a respeito. Renan começou a elaborar projetos de lei com regras mais rígidas para o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e uma revisão da legislação sobre crimes financeiros. A equipe técnica do presidente da CAE trabalha no texto e há a expectativa de apresentá-lo na semana que vem.

Agora, vai

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), devem almoçar juntos, hoje, no Palácio da Alvorada. É esperado que conversem sobre as indicações recentes, principalmente, do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF). E acertem o envio da carta ao

Crédito: Jefferson Rudy/Agência Senado

“A legislação e os impactos (do fim da escala 6 x 1) precisam ser vistos no mundo real e não no mundo ideal” Deputado Hugo Leal (PSD-RJ, foto), durante o seminário “Modernização da jornada de trabalho”, realizado pela Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE)

CURTIDAS

E as pesquisas, hein?/ O fato de apenas 31% dos entrevistados afirmarem aos pesquisadores da Genial Quaest que foram beneficiados pela isenção do Imposto de Renda foi considerado um dos pontos que ajudam a explicar a avaliação negativa do governo. É que, no ano passado, 61% acreditaram que teriam algum ganho com a medida. Nesse sentido, a frustração foi grande. Agora, é trabalhar com esse dado da realidade.

Metade do caminho/ Com a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) em liberar os documentos da inspeção sobre a liquidação do Master para a CAE, os senadores terão acesso a alguns dados sigilosos. Mas o presidente da comissão, Renan Calheiros, já advertiu aos senadores que todo cuidado é pouco. É que, enquanto não houver a quebra de sigilo aprovada no plenário do Senado, nada pode vazar. E a quebra do sigilo dependerá da vontade do presidente da Casa, Davi Alcolumbre, de pautar os requerimentos.

Sai daí rapidinho!/ A celeridade com que o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, jogou para escanteio a relatoria da ação que pede a instalação da CPMI do Banco Master foi recebida com alívio por outros ministros. Segue o jogo sem menos um foco de desgaste.

Retorno/ A família da ex-deputada Carla Zambelli acredita que a novela acerca da extradição para o Brasil deve, finalmente, estar perto do fim. O filho, João Zambelli, afirmou à coluna que, até aqui, está tudo caminhando para que ela seja extraditada na semana que vem.

Uma visita para organizar a campanha

Publicado em 6x1, Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, EUA, Flávio Bolsonaro, Política, Politica Externa, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 11 de março de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

O pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro para receber o subsecretário de Diplomacia Pública dos Estados Unidos, Darren Beattie, é lido no PL como um dos principais passos para auxiliar no enfrentamento às medidas adotadas pelo Supremo Tribunal Federal e na campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto. Beattie não é um qualquer. É ele quem assessora o presidente Donald Trump nos assuntos relacionados ao Brasil. Foi um dos que defenderam a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes e nunca escondeu que considera a prisão do ex-presidente uma perseguição. Deixou isso claro, inclusive, quando da aplicação do tarifaço a produtos brasileiros. Doutor em filosofia pela Universidade de Duke, integra o Maga — Make America Great Again —, o movimento liderado por Trump. É um personagem a ser acompanhado de perto na visita que fará ao Brasil.

Crédito: Maurenilson Freire

Veja bem/ O PT fechou 2025 com o receio de que o presidente Donald Trump tentasse interferir nas eleições deste ano no Brasil. Agora, com a visita de Beattie ao país, esse medo volta com tudo. O que até aqui vinha sendo considerada uma “caraminhola” na cabeça de alguns aliados começa a ganhar outros ares.

Precedente grave

Se a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, de não deixar nada do Banco Master sob o tapete, não dá para manter em sigilo as conversas de Daniel Vorcaro com seus advogados numa prisão federal. Isso é proibido a outros detentos em presídios federais. Portanto, liberar no caso de Vorcaro vai provocar uma avalanche de pedidos judiciais de chefões do crime organizado. Pelo menos, essa é a opinião de muita gente que trabalha com o sistema penal. Não se pode abrir exceções a um ex-banqueiro que, segundo gravações em poder da PF, ameaçou pessoas.

Governo encurralado

A bancada do PT na Câmara dos Deputados não gostou de ver a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) promover debates em vez de votar logo a admissibilidade da proposta de emenda constitucional (PEC) de redução da escala 6×1. Petistas consideram que isso não passa de uma manobra para protelar a apreciação em plenário. É que, depois da aprovação na CCJ, o texto segue para a comissão especial, onde pode demandar 40 sessões. Ou seja, o calendário tem tudo para ser atropelado, e o assunto ficar para depois das eleições.

Contragolpe

Com esse cenário, uma ala do Partido dos Trabalhadores acredita que ganhará força a ideia do Planalto de enviar um projeto de lei com urgência constitucional sobre o tema. Isso exigirá que os deputados deliberem o texto em até 45 dias na Casa e mais 45 dias no Senado Federal.

Veja bem

A ideia de um projeto com urgência é apoiada pelo Centrão, uma vez que, por meio dele, não é possível alterar a escala de 6 x 1 para 5 x 2, somente a redução da jornada de trabalho, que seria de 44 para 40 horas semanais. Essa tem sido uma vertente que o Centrão e o setor produtivo têm defendido em debates e eventos realizados nos últimos meses.

CURTIDAS

Crédito: Kayo Magalhães/Agência Câmara

Cartas à mostra/ O rompimento do PL com o governo de Ibaneis Rocha segue a receita de ficar distante de problemas em ano eleitoral. Ibaneis é visto como enfraquecido, e o PL não quer ser parceiro no desgaste. Aliás, no plano nacional, a deputada Bia Kicis defendeu todas as investigações propostas, enquanto dois integrantes do PL, o deputado Alberto Fraga e o senador Izalci Lucas, já estão afastados há tempos de Ibaneis e, inclusive, fizeram questão de comparecer ao lançamento da pré-candidatura de José Roberto Arruda ao governo local.

Embaralhou geral/ Depois da reunião da bancada do PT do Maranhão com a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (foto), a eleição por lá ganhou novos contornos. Os petistas desistiram de lançar candidatura própria e vão apoiar o atual prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), para o Palácio dos Leões. O vice-governador, Felipe Camarão (PT), teria dito a Gleisi que deseja disputar uma vaga ao Senado Federal.

Mais um do PP/ Falta fechar o nome para a segunda vaga. Tem muita gente de olho no ministro do Esporte, André Fufuca (PP), que deve disputar o Senado e ainda não está fechado na chapa do pré-candidato ao governo, Orleans Brandão (MDB).

Cálculos políticos/ Orleans Brandão é sobrinho do atual governador do Maranhão, Carlos Brandão, e não quer fechar a chapa com o ministro Fufuca. Orleans prefere lançar o líder do União Brasil na Câmara dos Deputados, Pedro Lucas, ao Senado, junto com o senador Weverton Rocha, que concorrerá à reeleição. Entretanto, deputados petistas acham que Weverton não tem chance, já que tem sido chamado no estado de “ladrão de velhinhos”, após ser um dos alvos da Operação sem Desconto, que investiga as fraudes no INSS.