Vorcaro vai falar; prisão do pai foi a gota d’água para o ex-banqueiro

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Coluna Brasília/DF, publicada em 24 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A crise pela qual passou Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e a perspectiva de não sair tão cedo da cadeia são dois pontos considerados cruciais e capazes de levar o ex-controlador do Master a contar tudo o que sabe, sem filtrar detalhes, como fez na primeira rodada. Até aqui, o ex-banqueiro tratou de proteger muita gente, mas o cerco se fechou. A prisão do pai foi a gota d’água. Agora, é recomeçar tudo, para desespero dos políticos. Afinal, quanto mais tempo demorar, mais perto das eleições. Pior para quem é candidato a cargo majoritário — Presidência da República, governos estaduais e Senado.

Questão de prioridade

Enquanto estiver sob fogo cruzado do financiamento do filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro evitará compromissos que possam resultar em grandes aglomerações, como foi o caso da Marcha para Jesus neste fim de semana no Rio de Janeiro. Flávio vai se dedicar agora a tentar virar a página, antes de desfilar em praça pública.

O perigo do prazo

O líder do PL, Sóstenes Cavalcanti (RJ), disse na Marcha para Jesus, no Rio de Janeiro, que, dentro de 15 dias, “tudo voltará ao normal”, ou seja, Flávio retomará os pontos que perdeu na última pesquisa Datafolha. Muita gente dentro do próprio PL arregalou os olhos diante dessa declaração. Afinal, se a melhora não vier, será mais um ponto para ampliar o problema.

O pecado, na visão deles

Em conversas reservadas, políticos do PL consideram que o principal erro de Flávio Bolsonaro nesse processo de financiamento do filme Dark Horse foi não ter comunicado ao partido que Daniel Vorcaro era o principal investidor. Teria sido uma “vacina” ao que saiu depois. O pré-candidato ao Planalto não só omitiu, mas mentiu diante das câmeras quando perguntado pela primeira vez a respeito da participação do Master.

6×1 sai, mas…

…não como o governo deseja. A tendência é a Câmara aprovar um período de transição. Afinal, se o texto ficar a ponto de levar empresas a demitirem seus funcionários, o efeito será o inverso do desejado pela classe política. Daí a necessidade de equilibrar. O tema será debatido na terça-feira, em seminário no Correio Braziliense.

Alerta máximo

Nos bastidores do Fórum Esfera, no Guarujá, muita gente comentava sobre vídeos de uma festa privativa de Daniel Vorcaro em Trancoso (BA), onde marcaram presença nomes do Judiciário, do Legislativo e do Executivo. Se vazar, o número de excelências se explicando vai quintuplicar.

Na defesa da Suprema Corte

Presença no Guarujá, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso faz questão de frisar que a Suprema Corte nunca decidiu nada que favorecesse o Banco Master. E enfatiza que não podem misturar as ações individuais com a instituição.

Passado ensina

O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado não pôde comparecer ao Fórum Esfera por causa do tempo. A região do Guarujá é perigosa quando há baixa visibilidade, e os voos não são recomendados por isso. Caiado e o presidente do PSD, Gilberto Kassab, tentaram embarcar num helicóptero em São Paulo, mas não foi possível fazê-lo a tempo de chegar ao painel dos presidenciáveis. Muitos no evento lembraram a morte trágica do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, que perdeu a vida em um acidente aéreo em 2014 na mesma região.

Santo Infoleg, Batman!!!

Com o caso Master dando as cartas na política, os parlamentares respiram aliviados quando há votação pelo sistema remoto. Assim, a maioria fica no interior, sem necessidade de passar por constrangimentos em Brasília.

Ops!

A propósito da nota sobre a revolta de Érika Kokay com o resultado da votação sobre o que ela considerou a volta da compra de votos, a bancada do PT esclarece que foi contra a derrubada do veto. Só tem um probleminha: No placar geral da votação, foram 174 votos pela manutenção do veto e 281 pela derrubada.

Federação União Progressista sobe no telhado

Publicado em 6x1, Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, CPMI do INSS, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Política, PP, União Brasil

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Um jantar na casa do senador Laércio Oliveira (PP-SE) colocou em xeque a perspectiva da federação entre União Brasil e Progressistas. Anunciada no ano passado com direito a discursos, no Centro de Convenções de Brasília, a coligação sucumbe por causa das divergências regionais. À coluna, o parlamentar contou que as discrepâncias são grandes demais para que a federação siga em frente. “Quando o projeto se iniciou, se tinha a ideia de que Ciro Nogueira (PP-PI) fosse candidato a vice-presidente (numa chapa encabeçada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas) e isso tinha um peso eleitoral. Mas, como não se concretizou, é melhor nem federar”, defende o senador sergipano.

Crédito: Maurenilson Freire

Porta de saída/ O sentimento de Laércio é compartilhado por outros nomes da sigla de Ciro, porém o presidente tem resistido à ideia de não concretizar o projeto UP. O senador afirmou, ainda, que a sigla pode terminar menor do que quando começou o projeto de federação, já que muitos têm afirmado que deixarão o Progressistas caso o casamento seja mantido. Só tem um probleminha: talvez a pressão dos parlamentares tenha vindo tarde demais. É que a cúpula dos dois partidos espera que a federação seja aprovada, esta semana, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Se depender de Dirceu…

… o vice-presidente Geraldo Alckmin fica onde está. Na reunião do partido em São Paulo, José Dirceu foi incisivo ao dizer que tirar Alckmin da chapa arrisca comprometer a reeleição. O MDB está rachado, a troca do vice não levará à ampliação dos votos e ainda ameaça perder votos cruciais em São Paulo.

Não está fácil para ninguém

Se o PT está brigando internamente por causa da questão da vice, no outro extremo a briga também impera — haja vista o malestar dentro do PL. Tem troca de farpas entre Eduardo Bolsonaro e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e entre Valdemar Costa Neto e Carlos Bolsonaro. Em meio às intrigas, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenta vestir a fantasia “simpatia e amor”, dizendo em suas redes que gostaria de contar com todos, todas e “todes” — expressão que os bolsonaristas abominam.

Separar as estações

Se depender do senador Laércio Oliveira, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de desoneração da folha não vai se misturar com a que estabelece a redução da escala 6 x 1. “Não há sintonia entre a PEC do emprego e o fim da escala 6 x 1. A PEC é desoneração para reduzir o custo do emprego e incentivar geração de posto de trabalho formal, sem onerar os cofres públicos. Na verdade, é uma proteção para a Previdência Social, que fecha todos os anos em deficit”, afirmou à coluna.

Pragmatismo

Se tem algo que o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) vai cobrar para ser candidato a governador é carta branca para definir o palanque. Seus aliados dizem que não dá para o PT insistir que ele seja candidato e não deixá-lo trabalhar na ampliação de forças. Ou seja, Pacheco quer, sim, Aécio Neves, do PSDB, no seu arco de alianças.

CURTIDAS

Crédito: Carlos Moura/Agência Senado

Powerpoint revive/ O ex-deputado Deltan Dallagnol, famoso nos tempos da Opertação Lava-Jato pelo powerpoint que colocava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no centro da trama, repete a mesma imagem em suas redes sociais com outro personagem e outro escândalo: o ministro Dias Toffoli toma o lugar de Lula ao centro e os círculos se referem ao caso Master/BRB.

Tempo de tela/ A afirmação do presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), sobre não aceitar nada além da presença física do ex-banqueiro Daniel Vorcaro à comissão, tem sido vista como pura forma de ganhar holofotes com o depoimento. À coluna, parlamentares afirmam que se quisesse mesmo as informações, Viana aceitaria a ida à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).

Haja pizza!/ Com a liberação do acesso dos documentos relacionados às transações de Vorcaro, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) convidou a amiga e deputada Bia Kicis (PL-DF) para uma mudança de rotina nos próximos dias. Levar um colchão e pedir uma pizza para um fim de semana analisando toda a papelada e arquivos digitais. Serviço não falta.

Essa é nova/ Quando os experientes integrantes de CPIs acham que já viram de tudo, aparece uma “pérola” diferente para tentar explicar o inexplicável. Na CPMI do INSS, a empresária Ingrid Santos (foto), dona de empresas suspeitas de receber desviados de aposentados e pensionistas com registro na Conafer, referiu-se ao trabalho de seu marido como prestador de “consultoria da vida”

Fachin em carreira solo

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Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 3 de fevereiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

Em conversas reservadas, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) não escondem o desconforto pelo fato de o presidente da Corte, Edson Fachin, ter começado a trabalhar no Código de Ética sem combinar com os demais. Eles consideram que era preciso, antes de anúncios e defesas, discutir no colegiado e usar mais o “nós”. Ali, a terceira pessoa do plural conta, e muito, na hora de fazer valer projetos que afetam a todos. O tema certamente será tratado no almoço da semana que vem, marcado para 12 de fevereiro, quinta-feira, vésperas de carnaval. Depois de anunciar o tema como “prioridade de sua gestão” e dizer que “os ministros são responsáveis pelas escolhas que fazem”, não há caminhos alternativos para os colegas de Fachin: ou apoiam ou se desgastam ainda mais.

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Muito além do gênero feminino/ A escolha da ministra Cármen Lúcia para relatar o Código de Ética do STF vem sob medida, e não tem nada a ver com o fato de ser a única mulher a ocupar uma cadeira no STF. Ela é, atualmente, quem tem mais alinhamento com Edson Fachin e sempre caminhou no sentido de tornar a análise dos processos mais ágeis, transparentes. Não cede a pressões e tem duas ferramentas consideradas fundamentais para redigir esse texto: paciência para ouvir a todos e coragem para enfrentar desafios.

Tem que ver isso aí I

Aumenta a sensação dentro do Congresso Nacional de que é urgente regular as fintechs. Para deputados ouvidos pela coluna, é preciso ter um sistema que evite a entrada do crime organizado nessas plataformas digitais.

Tem que ver isso aí II

Parlamentares apostam que o momento é propício para essa regulamentação, porque o setor produtivo deve apoiar a medida. Representantes de empresas que pagam seus impostos estão preocupados com o fato de as fintechs acabarem servindo para uma concorrência desleal em diversos setores. Citam, inclusive, o caso da operação Carbono Oculto, que desbaratou um esquema de lavagem de dinheiro, em que as plataformas digitais eram usadas para burlar a fiscalização. Agora, é preciso apertar a Legislação.

E o Banco Master?

A base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não quer apoiar a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master do deputado Carlos Jordy (PL-RJ). Muitos relembraram que o deputado está sendo investigado por desvio de verba parlamentar e não querem assinar um pedido dele. A intenção é apoiar o requerimento da deputada Fernanda Melchionna (PSol-RS).

Hugo e a bandeira branca

Ao começar o ano votando a Medida Provisória do Gás do Povo, o objetivo do presidente da Câmara, Hugo Motta, foi mostrar boa vontade para com o governo. Ainda que a tensão por causa das emendas parlamentares não tenha se dissipado, é hora de pacificar. Os políticos paraibanos logo viram nesse gesto de votar a MP no primeiro dia de funcionamento pós-recesso um sinal de que a proximidade com Lula importa. Especialmente, para a campanha de Nabor Wanderley (Republicanos) ao Senado pela Paraíba. Nabor é pai do presidente da Câmara

CURTIDAS

Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasília

Sólido anfitrião/ O camarote do BRB no Estádio Mané Garrincha reuniu em torno de cem convidados no último domingo, durante o jogo Corinthians X Flamengo, com buffet Renata La Porta. Vida que segue.

Mal-estar geral/ Com a saída do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do União Brasil, os filiados da legenda estão meio frustrados com a capacidade de articulação de Antonio Rueda, que comanda a legenda. Uma excelência comentava no plenário da Câmara que Rueda está mais para um “comerciante” do que para presidente de partido.

“Somos todos iguais”/ O fato de o presidente da Câmara discursar da tribuna foi um gesto no sentido de deixar claro que não há diferença entre ele e os demais parlamentares. Pelo menos, esta foi a leitura de muitos que estavam no plenário.

Destaque econômico/ O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, recebe, na sexta-feira, o prêmio Personalidade Econômica de 2025 do Conselho Federal de Economia. A solenidade será na Câmara Legislativa do DF. Ele será o 21º economista agraciado com a premiação. Já ganharam o mesmo reconhecimento Maria da Conceição Tavares, Delfim Netto, Tania Bacelar e André Roncaglia. O BNDES será premiado como Destaque Econômico na categoria Desempenho Técnico, pelo segundo ano consecutivo.