Tag: impeachment de ministro do STF
Coluna Brasília-DF publicada no sábado, 5 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
O posicionamento incisivo do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, prometendo uma solução “rigorosa e firme” para a crise que se abate sobre o topo do Poder Judiciário não foi à toa. Um dos objetivos dos ministros é evitar que esse assunto termine resolvido pelo Senado Federal, num processo de impeachment. A avaliação geral é a de que esses processos são sempre traumáticos, do ponto de vista institucional e, além disso, haveria o risco de “abrir a porteira”, ou seja, depois de Alexandre de Moraes, que hoje encabeça a lista de pedidos, surgiriam novas investidas contra ministros do STF. E essa situação ninguém quer. É hora de a Suprema Corte resolver os seus problemas, antes que outros o façam.
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Vale lembrar/ No momento em que saiu o contrato entre o escritório da esposa de Alexandre de Moraes e o Banco Master foi sugerido aos ministros que resolvessem a crise internamente, de forma contundente para evitar que o STF continuasse exposto. Nada foi feito em termos de uma solução negociada. Agora, avaliam muitos, a saída para crise será traumática. Porém, melhor o STF agir do que deixar tudo a cargo do Senado.
A paternidade de Xandão
Com a eleição na ordem do dia, os petistas querem tratar de manter distância do ministro Alexandre de Moraes. Para isso, daqui para frente começarão a deixar claro em todas as oportunidades que Moraes foi para o STF por indicação do então presidente Michel Temer, que assumiu o governo logo depois do impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Não votou, mas…
… saiu do foco. Mesmo sem levar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do fim da escala 6×1 ao plenário, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), conseguiu deixar de ser o grande vilão da não aprovação da matéria ao desengavetar o texto. Agora, o adiamento da votação será atribuído aos aliados do candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que fizeram de tudo para atrapalhar a análise na CCJ e evitar a apreciação final. Há quem diga que esse movimento foi muito bem calculado como uma forma de limpar a imagem de Alcolumbre.
Saldo positivo
E com o fim da semana de esforço concentrado, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem três vitórias das cinco que tentou emplacar: aprovação dos projetos do Redata (sistema tributário de datacenters), minerais críticos e a isenção da taxa das blusinhas. E ainda poderão se vangloriar das votações das PECs do fim da escala 6×1 e da segurança pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Vai tudo para o horário eleitoral na tevê.
CURTIDAS
Deixem passar e foquem/ Dos Estados Unidos, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro usou as redes sociais para defender o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que apareceu em áudios vazados pedindo favores ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Eduardo ainda pede nas entrelinhas que esqueçam o caso ou o financiamento do filme Dark Horse. A seus seguidores, pede foco contra Alexandre de Moraes, que “recebeu dinheiro do cliente”, no caso, Vorcaro.
Até aqui, sem explicações/ Em nenhum momento, Eduardo esclareceu onde foram parar os recursos que Vorcaro destinou ao filme da biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — aliás, inicialmente um repasse previsto quase que no mesmo valor do contrato com o escritório da mulher de Moraes.
Por falar em Nikolas…/ Parlamentares de direita se mostram constrangidos ao comentar o áudio que o deputado Nikolas Ferreira (foto) enviou a Daniel Vorcaro. Mesmo em conversas reservadas, senadores e deputados evitam atacar diretamente Nikolas, mas demonstram desconforto e constrangimento ao responder que Vorcaro sabia como “encantar” e “corromper” excelências da República.
Campanhas solteiras/ Candidatos a deputados estaduais do PSD do Rio de Janeiro têm feito campanha casada apenas com Eduardo Paes, que concorre ao governo estadual. Para os demais cargos, o “santinho” distribuído aos eleitores vai em branco. Ou seja, o eleitor que decide em quem votará para presidente da República, senador ou deputado federal.
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 30 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
A rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ministro do Supremo Tribunal Federal, é um sinal claro de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), se reposiciona ao lado daqueles que o elegeram para comandar a Casa pela primeira vez, em fevereiro de 2019. Ele, inclusive, ligou para muitos senadores e, minutos antes de anunciar o resultado, disse aos líderes do governo que eles sofreriam uma derrota. O aviso ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva está dado: longe do presidente do Senado, a maioria governista esfarela.
Se não fizerem, nós faremos/ Aos ministros do Supremo Tribunal Federal, a mensagem é clara: se agora, com senadores mais ao centro, chegou-se a 42 votos contra Messias (com dois do PL sem votar), em um Senado mais à direita, em 2027, estará aberto o espaço para colocar um impeachment de ministro do STF em curso. A avaliação de muitos é de que a Suprema Corte precisará definir suas mudanças ainda este ano, de forma a ter uma resposta à sociedade quando os novos senadores tomarem posse, no ano que vem. Na oposição, o que se diz é: “O primeiro rejeitado, então pode ter o primeiro ‘impichado’” — como afirmou à coluna a senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
Alcolumbre joga à direita…
A votação do veto da dosimetria das penas para os condenados do 8 de Janeiro, hoje, na sessão do Congresso, será para coroar o reposicionamento de Alcolumbre. Ao se realinhar à direita, ele procura mostrar àqueles que fizeram dele presidente da Casa pela primeira vez que eles não vão se arrepender se apostarem na reeleição dele para comandar o Senado, no ano que vem.
… e à esquerda
Se as atitudes de Alcolumbre não convencerem a direita a apoiá-lo em 2027, ele sempre poderá chamar a turma de Lula e dizer que é melhor ter um Alcolumbre ao centro do que alguém mais radical, seja Rogério Marinho (PL-RN) ou Tereza Cristina (PP-MS), adversários ferrenhos do PT.
Nada pessoal
Opositores de Lula elogiaram Messias, classificando-o como um “excelente nome, vítima das circunstâncias” . O cenário político eleitoral inflamado, a relação desgastada com o STF e o “nós contra eles” do governo cristalizaram uma rejeição que não ocorria há 132 anos. O “ponto de virada” para o amplo placar contra o AGU teria sido o ataque ao senador Alessandro Vieira (MDB-SE), após o pedido de indiciamento dos ministros do Supremo em seu relatório na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. Muitos senadores não concordaram com o voto de Vieira, mas acharam um absurdo a ameaça do ministro Gilmar Mendes a ele.
Enquanto isso, na Câmara…
O líder do governo na Casa, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), disse em almoço na Casa Parlamento, do think tank Esfera, que é um bom momento para votar o fim da escala 6 x 1. E afirmou ser possível discutir a desoneração da folha setor a setor.
CURTIDAS

Errou feio/ Antes da abertura do resultado, um funcionário do governo, com uma planilha em mãos, dizia que Messias teria 43 votos favoráveis à indicação, “já descontadas as traições” .
Por falar em planilha…/ A oposição montou uma lista com os votos para derrubar o veto da dosimetria hoje. Na Câmara, calculam 300 votos. No Senado, esperam ter em torno de 50 — talvez um pouco menos, porque sempre tem os que mudam de ideia.
Telefones nervosos/ O líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM, foto), garantiu que a bancada inteira votaria em Messias, mas aliados do advogado-geral da União acreditam que houve traição no partido, o que contribuiu para o número baixo. O líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), contava com exatos 41 votos, mas o PSD se dividiu e o MDB, aparentemente, não deu todos os votos que prometeu. Os telefones, logo depois da votação, não pararam.
Levanta, sacode a poeira…/… e espera. Aliados de Lula defendem que o governo deixe uma nova indicação para depois das eleições. As crises se acumulam, as insatisfações idem e é preciso identificar todos os focos antes de qualquer movimento mais ousado. É nessa toada de dificuldades mil que o presidente chega a cinco meses da eleição, sem tempo para resolver muita coisa.





