Diferenças e desgastes para Lula e Flávio

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Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 5 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

Nesse “esquenta” da campanha presidencial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva começa a semana com desgastes por causa dos inquéritos envolvendo seu filho Fabio Luís, o Lulinha, e o empréstimo da lobista Roberta Luchsinger, amiga dele, a um dos principais assessores do gabinete presidencial, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Porém, no Planalto, a avaliação é de que nada disso envolve diretamente o presidente. No caso do filho, Lula tem o discurso de que está sob investigação e o ministro que indicou ao Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, é tão independente que abre inquérito contra o primogênito do presidente. Em relação ao assessor, caberá a ele se explicar o mais rápido possível. A ordem é evitar que isso se prologue por mais dias. Afinal, a partir de 16 de agosto, quando a campanha começa de fato, com o ato em São Paulo, o presidente quer poder cuidar de mostrar os feitos de seu governo. E não ficar respondendo sobre suposto envolvimento, nem do filho, nem do assessor. Cada um que cuide de si.

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E o senador, hein?/ A visão no Planalto é a de que Flávio Bolsonaro, ao contrário de Lula, tem explicações a dar, uma vez que foi pessoalmente pedir que Daniel Vorcaro contribuísse para o filme Dark Horse chamando o enrolado ex-banqueiro de “meu irmão”. Até aqui, o contrato não foi apresentado pelo pré-candidato. No calor da campanha, será Flávio — e os demais — acusando Lula, enquanto Lula — e os demais — acusarão Flávio. E o eleitor que durma com um barulho desses.

Maria Luíza pagou a conta

Não há diplomata brasileiro que não esteja surpreso com o cancelamento do visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luíza Viotti, por causa do que os norte-americanos consideram demora do governo brasileiro em conceder o “agrément” a Daniel Perez como futuro embaixador dos EUA no Brasil. Primeiro, porque o “agrément” é algo sigiloso e só divulgado quando o país que receberá o embaixador concorda com a indicação — e não há prazo para que isso ocorra.

Inversão dos fatores

Embaixadores comentam que seria preciso que o governo brasileiro aceitasse a indicação para, em seguida, o nome fosse enviado ao Senado norte-americano para deliberação. O envio ocorreu sem o “agrément” do Brasil. Algo tão inusitado quanto o cancelamento do visto.

A força de Vigilante

A pesquisa Correio/Opinião publicada hoje indica que se Chico Vigilante abraçar algum candidato do PT à Câmara dos Deputados, as chances de ajudar o escolhido a chegar lá cresce. Ele é o petista mais citado na hora do entrevistado elencar em quem votará para deputado federal. Bem abaixo vem o deputado distrital Ricardo Vale (PT).

Chama o Lula!

Os petistas estão confiantes na candidatura de Leandro Grass, o nome da esquerda que aparece melhor na pesquisa de hoje. A aposta de alguns palacianos é de que se Lula entrar na campanha, as chances de chegar ao segundo turno crescem, ainda que o Distrito Federal tenha um eleitorado mais conservador. Dos cenários apresentados para o segundo turno, apenas José Roberto Arruda aparece bem no mano a mano contra a governadora Celina Leão.

CURTIDAS

Crédito: AFP

Tem para todos/ O escritório de advocacia Aragão & Tomaz, com uma máquina de contar dinheiro, é mais um ponto que deixa o PT constrangido. Afinal, Eugênio Aragão, sócio de Willer Tomaz no escritório, foi o último ministro da Justiça do governo Dilma Rousseff. E Tomaz é amigo de Flávio Bolsonaro.

Sanduíche de pão com pão/ À exceção de Lula, que tem o PSB de Geraldo Alckmin (foto) como seu parceiro de chapa, todos os demais candidatos ao Planalto caminham sem um outro partido disposto a apresentar um nome à Vice-Presidência. Romeu Zema (Novo) optou pelo senador Eduardo Girão (CE). Nas hostes de Flávio Bolsonaro (PL), as deputadas do partido ganham força para uma composição. A única que está fora de cogitação é a ex-primeiradama Michelle Bolsonaro. Os dois com o mesmo sobrenome não dá.

Pede para sair/ Após mais uma fase da Operação Sem Desconto, desta vez contra o senador Weverton Rocha (PDT-MA), as apostas por lá são de que a candidatura à reeleição tornouse inviável e puxa para baixo a chapa do candidato ao governo Orleans Brandão (MDB). Mesmo com a péssima repercussão das investigações, a decisão de sair do pleito terá de ser do senador.

A hora do debate/ A segurança jurídica e sua necessidade para o desenvolvimento da infraestrutura do país está em pauta hoje, a partir de 8h, no 8º Brasília Summit LideCorreio Braziliense, no Hotel Brasília Palace. Juristas como o ministro Gilmar Mendes e demais autoridades vão debater esse tema, que terá ainda empresários, parlamentares e especialistas no setor de regulação — como o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) e o presidente da Associação das Agências Reguladoras (Abar), Vinícius Benevides.

Um problema para Flávio

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Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 28 de julho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

Por mais que o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, insista numa chapa com um integrante do Republicanos de vice, esse casamento partidário está para lá de difícil — e o motivo principal nem é o peso de Lula no Nordeste. É a entrada do senador e filho 01 nas igrejas evangélicas Brasil afora sem pedir bênção a ninguém. Esse é o principal motivo apontado nas conversas mais reservadas dentro do partido.

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Demorou demais/ Obviamente, somam-se a isso as parcerias fechadas pelo Republicanos com outros candidatos ao Planalto Brasil afora. Vale lembrar que, na primeira campanha de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em 1994,o então presidente do extinto PFL, Jorge Bornhausen, que iria indicar o vice em abril daquele ano, cobrou dos tucanos que se esforçassem para apoiar os candidatos pefelistas e recusassem outros parceiros. Houve tempo de corrigir algumas rotas, mas não todas. No caso do Republicanos, a avaliação é de que Flávio demorou demais. Tratou o partido como “sobra”, uma vez que outros movimentos fracassaram. E agora é tarde. A legenda caminha para anunciar a neutralidade, tal e qual a federação União Progressista e o MDB.

“Quem é esse cara?!”

A pergunta foi feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva referindo-se ao presidente Javier Milei, logo depois que tomou conhecimento das críticas e acusações feitas pelo argentino. No Planalto, a avaliação é de que Milei quer chamar Lula para o ringue a fim de se cacifar para ser o interlocutor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na América do Sul, caso Flávio Bolsonaro perca a eleição.

Respostas institucionais, mas…

Lula está decidido a não cair nas provocações de Milei. A intenção, conforme avaliam assessores palacianos, é o presidente ficar quieto e “não bater palma para maluco dançar”. Obviamente, no calor de um discurso de improviso num palanque, vai ser difícil cumprir a própria determinação.

Enquanto isso, no Itamaraty…

As medidas oficiais a respeito do comportamento de Milei ainda serão decididas em um novo encontro entre o chanceler Mauro Vieira e o embaixador do Brasil na Argentina, Júlio Bitelli. O desta semana foi apenas para troca de ideias.

Meta robusta

A neutralidade do MDB na eleição presidencial deste ano vem no sentido de criar condições para a eleição de 50 deputados federais e algo entre 10 e 12 senadores. Em Alagoas, por exemplo, o partido está aliado a Lula, mas, em Goiás, a Ronaldo Caiado (PSD). E em São Paulo, o partido apoia Flávio Bolsonaro (PL).

CURTIDAS

Crédito: Instagram/Manuela D’Ávila

Adesivo agressivo/ A campanha do deputado Zucco, em Porto Alegre, começa com um adesivo que entrou no perigoso terreno da violência contra a mulher. Diz “Seja Anti Manu Ela”, com o rosto da ex-deputada Manuela D’Ávila riscado com um X (foto). A bancada feminina na Câmara dos Deputados não gostou. Até deputadas do PL consideram a postura de muito mau gosto.

Mais uma escanteada/ Filiada ao partido Novo e mãe de João Giffoni, um dos presos do 8 de Janeiro, a pedagoga Theresa Vale contava com uma candidatura de deputada federal no DF. Só descobriu que estava fora da nominata na convenção local. Ela culpa o candidato a governador Kiko Caputo: “Soube que meu nome saiu porque o partido decidiu lançar candidato a governador. Como usa a dor de uma mãe, faz palanque comigo e, depois, me descarta sem nenhuma explicação?”, reclamou.

Não é a única/ Antes de Theresa Vale, Sílvia Waiãpi, no Amapá, teve a mesma surpresa na convenção local do PL. E ninguém duvida deque outras mulheres correm o risco de ter a mesma surpresa na hora de conferir as nominatas.

Ajufe defende STF

Publicado em Política
Crédito: Gustavo Moreno/STF

Eduarda Esposito — A escalada de tensão diplomática entre o Brasil e Estados Unidos ganhou um novo patamar. O governo norte-americano criticou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em bloquear redes sociais estadunidenses, e essa ação causou uma série de respostas de entidades e órgãos brasileiros em defesa do STF, como o Itamaraty ontem. Agora, a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), presidida por Caio Marinho, também lançou nota em defesa da corte brasileira e declarou preocupação com o momento vivido pelos dois países.

“O Supremo Tribunal Federal desempenha um papel essencial na defesa dos princípios constitucionais e do Estado Democrático de Direito, garantindo aos cidadãos brasileiros o pleno acesso à justiça”, afirmou em nota.

Além disso, a Ajufe ressalta a preocupação com a tensão diplomática que tem se formado entre os dois países, que há anos, são “ligados por laços de amizade e respeito”. A associação pediu que as nações mantenham um diálogo permanente, mas destacou que “esse processo (de diálogo), no entanto, passa necessariamente pelo reconhecimento da Magistratura Brasileira e do Supremo Tribunal Federal, garantindo os meios necessários para cumprirem suas atribuições constitucionais com independência e segurança”.