Líderes de diversas legendas combinaram encontro em Brasília para respaldar ganhador

Publicado em Política


Coluna Brasília-DF, de 24 de outubro de 2025, por Denise Rothenburg 

A disputa para lá de acirrada entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro, apresentada nas últimas pesquisas, levou os partidos a montarem uma verdadeira blitz para respaldar quem for o vencedor. Independentemente de quem vencer a eleição daqui a algumas horas, os líderes das mais diversas legendas combinaram de se encontrar em Brasília, a fim de, juntos, apresentarem os parabéns ao ganhador. A avaliação é de que as contestações virão. Se Lula perder, o PT tentará usar as denúncias contra a Meta para dizer que houve interferência. Aliás, já existe um pedido dos petistas para investigar se houve financiamento externo da campanha. Se Flávio perder, os bolsonaristas vão colocar em dúvida, mais uma vez, as urnas eletrônicas. Esses movimentos indicam que a tal pacificação está longe, muito longe de ocorrer. Não será agora, tampouco em 2027.

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Precedente/ Logo depois da eleição de 2014, o PSDB pediu a cassação da chapa de Dilma Rousseff por financiamento irregular. A petição tucana só chegou ao plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2017, quando Dilma já havia sofrido um processo de impeachment, e Michel Temer estava no comando do país. A ação foi rejeitada por quatro votos a três.

Seja leve, mas

…seja firme e vá para cima de Lula. Era isso que os principais aliados bolsonaristas-raiz queriam que Flávio fizesse no debate da Globo. E ele passou do tom no momento em que disse que o presidente daria com uma das mãos e tiraria com os nove dedos.

A escolha de Flávio

As promessas de reajustes do Bolsa Família, do salário mínimo e das aposentadorias que Flávio fez durante o debate afastam o candidato do PL do mercado financeiro, que o apoiou na largada. Se eleito, o senador terá que fazer uma opção. Atender os dois, avaliam os próprios bolsonaristas, não será possível.

O receio da abstenção…

No primeiro turno, os candidatos ao Planalto contaram com uma legião de pessoas concorrendo a deputado estadual, federal, senador e governador para incentivar e mobilizar o eleitorado. Desta vez, como a maioria dos estados fechou a eleição na primeira rodada, tem muita gente cruzando os braços nesse serviço. Dos dois lados. Sendo assim, quem tem mais eleitores votando perto do local onde mora levará vantagem.

…e da influência de São Pedro

São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais fecharam as eleições estaduais no primeiro turno. No Sul do país, todos os estados também fecharam. Em todos eles, há previsão de chuva amanhã. No sul de Minas, de tempo severo. Tudo isso arrisca favorecer A ou B.

Olho nas urnas

A campanha do senador Flávio Bolsonaro já foi avisada de que, no interior do Ceará, houve urnas em que o candidato do PL à Presidência da República não teve um voto sequer. Pode acontecer, mas não é usual. A ordem é redobrar a fiscalização neste domingo.

Não dê asa a cobra/ A saída do ex-coach Pablo Marçal da equipe de treinadores de Flávio Bolsonaro para o debate da Globo não foi por briga interna e, sim, pelo constrangimento que isso provocou aos paulistas, especialmente, ao prefeito Ricardo Nunes (MDB).

Feche a porta/ Pablo Marçal chegou a ocupar um espaço que era exclusivo dos bolsonaristas na eleição para prefeito de São Paulo e fez Ricardo Nunes suar a camisa para se reeleger. Os aliados não querem que Flávio dê combustível para o retorno de Marçal ao cenário político paulista e nacional.

E a Madonna, hein?/ Nas hostes bolsonaristas, a declaração de voto em favor de Lula por artistas estrangeiros, como a diva pop Madonna (foto), não abalou. O que interessa, comentam, é o voto do brasileiro.

Sobrevivente/ O canal Exército do Lula chega à véspera da eleição vivo e com mais de 10 milhões de seguidores. Pode até ter infiltrados, mas o crescimento orgânico indica que Lula segue forte para amanhã num pleito imprevisível.