*Coluna Brasília-DF publicada neste domingo (25/10) por Denise Rothenburg

O ex-presidente Jair Bolsonaro tem acompanhado todos os movimentos do filho e pediu que não deixe de lado as origens do bolsonarismo, nem abandone o grupo. Isso significa, em caso de vitória, um alinhamento maior com os Estados Unidos, em prol da exploração das riquezas minerais, do petróleo e com a agenda do movimento Maga — Make America Great Again, do presidente Donald Trump. Se Flávio vencer — e o ex-presidente está convicto de que Flávio não perde para Lula —, Jair Bolsonaro quer que o filho não se deixe confundir com o Centrão, a fim de não deixar espaço aberto para que líderes políticos como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) ou outros acabem tomando conta da direita mais radical. Nesse sentido, quando o Centro e o bolsonarismo estiverem em divergência, a família pressionará Flávio a se manter fiel às origens.
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Por falar em Nikolas…/ O bolsonarismo percebeu o potencial do deputado Nikolas Ferreira há tempos e não por acaso o parlamentar foi criticado pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Se Flávio perder, a disputa pela direita vai crescer e com nomes mais novos, diferentemente do que ocorreu nesta eleição presidencial. Se ele vencer, a família ainda terá voz de comando comando na direita por muito tempo. Afinal, ainda que Flávio garanta que não irá correr à reeleição, essa emenda depende do Congresso Nacional, onde ainda não há acordo sobre esse tema e a proposta mais avançada prevê mandato de cinco anos.
Willer é de muita gente
Ao citar no debate da Globo o advogado Willer Thomaz, amigo de Flávio Bolsonaro, o presidente Lula jogou no que viu e acertou no que não viu. Willer tem uma bancada expressiva no Senado e na Câmara. A avaliação é a de que, seja quem for o futuro presidente, uma possível queda do advogado arrastará outros. Aliás, a foto em que o advogado aparece na piscina de sua casa cercado de excelências não ficará esquecida passada a eleição.
O que eles pensam
O eleitor termina hoje a primeira fase deste jogo de poder para os próximos quatro anos. Lula, ganhando ou perdendo, encerra sua carreira política nesta eleição. O bolsonarismo, forte na Câmara e no Senado, tenta retomar o protagonismo. Se for vitorioso para o Poder Executivo, seus líderes avaliam que conseguem abafar as investigações sobre a família Bolsonaro e seus principais aliados e impor a sua agenda. Se perderem, não descartam puxar, se possível, um impeachment de Lula. Sobre a tal pacificação, tão sonhada, não virá agora.
Mercado na cobrança
A turma da Faria Lima, atual centro financeiro de São Paulo, não gostou nada de ver Flávio Bolsonaro prometendo reajustes de aposentadorias, pensões, salário mínimo e outros programas sociais. Nos grupos de WhatsApp, eles se dividiram: metade disse que era só discurso para a campanha, mas que o candidato seguiria firme no ajuste fiscal de R$ 250 bilhões. A outra parte, mais cética, dizia que o senador, se eleito, terá que cumprir o que prometeu ou verá a oposição crescer logo no primeiro ano de mandato.
A próxima eleição I
Assim como a Câmara já fechou uma maioria a favor da reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB), o senador Davi Alcolumbre (União-AP) também não pretende esperar fevereiro para forma um grupo poderoso a seu favor. Já conseguiu arregimentar 36 votos e há uma parcela dos restantes que tende a fechar com ele.
A próxima eleição II
Ocorre que a turma do PL não aceita deixar Davi Alcolumbre mais dois anos no comando da Casa. Esse será o primeiro desafio. Se Flávio vencer, o PL terá mais poder para tentar impor a sua vontade. Se perder, Lula reeleito não terá força para comandar nem o Senado, nem a Câmara, onde seu partido fecha nesta terça-feira com Hugo Motta.
CURTIDAS
Quem se confunde dá munição/ Ao se confundir no debate da Globo e usar a expressão “acabar com a polícia” em vez de “acabar com a milícia”, o presidente-candidato Lula deu ao adversário um elemento precioso no último dia de campanha. No WhatsApp, bolsonaristas espalharam vídeos de policiais prendendo bandidos com a frase de Lula. Porém, quem assistir ao trecho do debate, saberá que Lula quis dizer “acabar com a milícia”.
Nikolas e Janones/ Dois representantes de Minas Gerais dominaram a comunicação da campanha de segundo turno. André Janones (Rede) do lado de Lula e Nikolas Ferreira, do lado de Flávio. São dois players a se prestar atenção nos próximos quatro anos na Câmara dos Deputados.
E o Renan Santos, hein?/ Candidato a presidente da República que não se alinhou ao bolsonarismo tem tudo para ganhar notoriedade no centro. Só tem um probleminha: seu partido, o Missão, não tem ainda musculatura para termais visibilidade no parlamento. Terá que continuar nas redes sociais e nas ruas, onde o Movimento Brasil Livre (MBL) nasceu nos idos de 2013.

