*Coluna Brasília-DF publicada neste domingo (20/9) por Denise Rothenburg e Eduarda Esposito

Depois de o governo corrigir o valor do Bolsa Família ao montar uma espécie de armadilha para o PL de Flávio Bolsonaro, tal como Jair bolsonaro fez em 2022, o PT põe outro tema indigesto na roda: o socorro ao BRB. A nota do partido afirma que não há negociação entre a União e o GDF. De quebra, afirma em relação que “o governo federal não vai assinar cheque em branco para quem ainda não mostrou as contas”. Para aliados da governadora Celina Leão (PP), candidata à reeleição, trata-se de mais uma armadilha para o grupo de Flávio. Afinal, enquanto aliado de Celina, caberia ao presideciável do PL ajudar o BRB. Até agora, ele não se manifestou abertamente sobre o episódio e sequer tem participado de debates. É mais uma crise, que assim como a do Supremo Tribunal Federal, ficará para depois das eleições.
O fim da crise tem um jeito
Se tem algo com que todos concordam no STF é que a crise na Suprema Corte só termina quando houver uma investigação geral sobre tudo o que foi divulgado, até agora, levantando suspeitas sobre os ministros. Logo, avisam alguns, não vai adiantar pegar apenas Alexandre de Moraes para servir de bode expiatório protegendo os demais. Durma-se com um barulho desses.
A campanha da reta final
Com a polarização dando as cartas nesta eleição, tanto a campanha de Flávio quanto a de Lula vão jogar pelo voto útil, a fim de liquidar a fatura no primeiro turno. Só não deixarão tão explícito assim porque se fizer campanha para decidir a eleição logo na primeira votação, e não der tal resultado, quem insistir muito nisso sai com ares de derrotado.
Senado, a próxima arena
Depois do STF, é o Senado da República que terá embates supremos no plenário por causa dos desdobramentos do caso Master. É que, a cada dia, cresce o número de senadores que estiveram com Daniel Vorcaro, à esquerda e à direita. Independentemente de quem vencer a eleição, a crise tende a continuar forte em 2027.
Código de conduta geral
O líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), apresentou uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que dispõe de um código de conduta para os servidores públicos brasileiros — “todos os agentes públicos, inclusive os membros de Poder e titulares de órgãos constitucionalmente autônomos”. A proposta pretende evitar conflitos de interesses.
Projeto apartidário
Assinada por diversos senadores, do PT ao PL, a justificativa da PEC se baseia nos casos expostos de corrupção de servidores públicos, como no escândalo do INSS e no caso Master. “A sociedade brasileira, nos últimos meses, tem assistido, estupefata, a uma sequência sem fim de casos de mau comportamento de agentes públicos de todos os Poderes e de todos os entes federados. O escândalo do Banco Master trouxe à tona uma rede de relações espúrias entre agentes do Estado e empresários desonestos”, argumenta Braga.
Sai daí rapidinho/ Candidatos do União Brasil e do Progressistas, em São Paulo, estão atônitos com a prisão do ex-vereador Milton Leite, que preside o diretório estadual da federação União Progressista, que une as duas legendas. A ordem é soltar a mão dele e seguir, se possível, sem comentar mais este escândalo. Leite foi preso numa operação que investiga a relação com empresas de ônibus e o Primeiro Comando da Capital (PCC) na capital paulista. Há o receio de que isso possa atrapalhar a campanha dos candidatos da federação.
Aliás…/ Em São Paulo, começou a caça de imagens de Milton Leite pedindo votos para Tarcísio de Freitas, Flávio Bolsonaro e quem mais tiver para jogar na internet.
A força do vice/ Nesta reta final de campanha, o vice-presidente Geraldo Alckmin (foto) se dedicará especialmente ao interior de São Paulo, estado que governou por 14 anos. É o nome mais forte para tentar arrefecer a dificuldade do PT na região.
Enquanto isso, na campanha do PL… / O deputado Alfredo Gaspar, candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro, tem exercido esse papel para a campanha no Nordeste. Ou seja, tentar quebrar a resistência ao candidato na região. A avaliação dos bolsonaristas é de que nem tudo está perdido por lá.

