Confusão Suprema em banho-maria

Publicado em Política

*Coluna Brasília-DF publicada neste sábado (19/9) por Denise Rothenburg e Eduarda Esposito

A tendência é de o Supremo Tribunal Federal (STF) evitar sessões públicas e presenciais, pelo menos até as eleições. A ordem no momento é sair do foco. Aliás, desde o início de setembro, essa sexta-feira foi o primeiro dia em que, segundo os próprios ministros, o STF ficou em segundo plano no noticiário, com destaque à economia, aos candidatos e às campanhas. Segundo alguns ministros, antes de qualquer sessão presencial, será preciso chegar a um acordo de cavalheiros e esperar decantar as denúncias que se abatem sobre integrantes da Corte. A avaliação geral é de que não dá para abrir uma investigação apenas sobre o ministro Alexandre de Moraes, deixando de fora todos que tiveram alguma relação com Daniel Vorcaro, parentes trabalhando para o banqueiro ou empresas ligadas ao ex-controlador do Banco Master.

O foco no social

O reajuste do Bolsa Família anunciado pelo governo funcionou tal e qual a campanha do presidente Lula esperava. As pessoas passaram a falar dos programas sociais do Executivo; um aliado de Flávio Bolsonaro, no caso, o deputado Zé Trovão (PL-SC), entrou contra a correção do valor do benefício; e, de quebra, o próprio Flávio disse que era ilegal, sem mencionar que o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, havia feito algo semelhante quando era candidato à reeleição.

Funcionou no passado

Por várias vezes, o PT recorreu a esse discurso de que seus adversários representam um risco aos programas sociais. Em 2006, quando Lula concorreu contra o então candidato Geraldo Alckmin (PSDB), que hoje é seu vice-presidente, os petistas acusavam os tucanos de priorizarem as privatizações e não os programas sociais. Agora, virá o discurso de que Flávio Bolsonaro só trabalhará para a Faria Lima, deixando a população mais pobre à míngua.

Bolsonaristas e o Bolsa Família

O candidato Flávio Bolsonaro tentou rebater esse discurso desautorizando Trovão. No PL, a “desautorização” do senador não causou mal-estar, pelo menos, na cúpula do partido, uma vez que era a única saída do presidenciável para não dar munição aos petistas.

Lupa neles

O Ranking dos Políticos avaliou os planos de governo dos seis candidatos que pontuam nas pesquisas para a Presidência da República. O objetivo foi estudar as propostas econômicas e classificar as melhores. Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante) tiveram os planos mais próximos do equilíbrio fiscal, e Flávio Bolsonaro (PL) apareceu na última posição, por falta de detalhes sobre valores, prazos e metas.

O diabo mora nos detalhes

Um dos dados que mais chama a atenção foi o grande número de propostas que não puderam ser mensuradas por falta de valores, prazos ou bases de cálculo suficientes. Das 1.297 medidas estudadas, 63,1% foram classificadas na categoria “não se aplica”, por esse motivo. Apenas 32% das propostas puderam ser mensuradas adequadamente.

Ganha-ganha de Trovão/ O deputado Zé Trovão (foto) teve um saldo positivo, mesmo que o ministro André Mendonça, do STF, tenha arquivado seu pedido. Além de ter tido visibilidade nacional, em Santa Catarina, apenas 3,9% da população é beneficiária do programa, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E para sua campanha, o impacto eleitoral seria mínimo.

Por falar em SC…/ Hoje o estado recebe comícios dos dois candidatos que lideram as pesquisas de intenção de voto ao Planalto: Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O petista participa de um ato em Florianópolis. Já o “01” de Jair Bolsonaro realizará dois comícios: o primeiro, pela manhã, em Joinville, e o segundo, à tarde, em Chapecó.

A aposta deles/ Bolsonaristas espalham aos quatro ventos que vão eleger os candidatos ao Senado no Rio de Janeiro e em São Paulo — Carlos Jordy (PL), Carlos Portinho (PL), Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL). No estado fluminense, a candidata Benedita da Silva (PT) aparece à frente nas pesquisas, e em São Paulo, as ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) estão entre os três primeiros colocados.

A memória deles/ A justificativa é de que o eleitor só define mesmo seu candidato na última semana. Um dos exemplos mais usados pelos bolsonaristas para manter o otimismo é a eleição do senador Rogério Marinho (PL-RN) em 2022. Na véspera da eleição, uma pesquisa mostrou que ele estava 11 pontos atrás do mais bem colocado, e acabou sendo eleito com nove pontos à frente.