“Sanha arrecadatória” colada no governo

Publicado em Política

*Coluna Brasília-DF publicada neste domingo (23/8) por Denise Rothenburg e Eduarda Esposito

Rouco de tanto repetir que, se seu filho for culpado, deve ser investigado e punido como qualquer outro brasileiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem um problema para tentar resolver — e rápido. A imagem de que o governo tem o que os oposicionistas chamam de “sanha arrecadatória”. Em seminários e palestras, representantes de diversos setores têm reclamado de alguns pontos nesse sentido. O setor do petróleo é um deles. Participantes do 25º Fórum Empreesarial Lide, no Rio de Janeiro, e instituições ligadas à extração, citam, por exemplo, os 12% cobrados nas exportações de petróleo. Esse percentual foi fixado por medida provisória. Depois, quando a MP perdeu a validade, o governo manteve a cobrança por uma resolução da Camex. “Outros países também produzem petróleo. Com esse imposto, a perspectiva de atração de empresas será menor, uma vez que a capacidade de refino também é reduzida”, adverte o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), Roberto Ardenghy.

No aguardo/ O setor petrolífero espera que a Justiça Federal se pronuncie a respeito da ação que tramita na 17ª Vara Federal, a fim de barrar os 12%. A expectativa é de que esse imposto pode, inclusive, reduzir o interesse das empresas pelos campos a serem licitados, sobretudo na Margem Equatorial. Afinal, avisam os empresários, o fato de uma medida provisória caducar e o governo manter o imposto por resolução da Camex, é sinal de insegurança jurídica.

A outra polarização

Não é apenas na campanha presidencial que PT e PL têm disputas acirradas. Para a Câmara dos Deputados, a briga será tão ferrenha quanto. É que as duas legendas projetam a eleição de 100 deputados, sendo que o PT conta, ainda, com a federação — que inclui PCdoB e PV. E, se contar PSol e Rede, deve passar dessa centena.

Últimos ajustes

O governo passa esses dias terminando a elaboração do Orçamento de 2027 para enviar ao Congresso. A avaliação é de que a equipe econômica terá que fazer malabarismos, a fim de evitar dar discurso à oposição sobre os problemas fiscais para o ano que vem. Há o desafio de apresentar uma conta crível e factível, uma vez que haverá aumento de gastos obrigatórios — especialmente, na Previdência. Tem gente trabalhando madrugada adentro.

Gaspar, Flávio e o Nordeste

Do lado da campanha presidencial do PL, o vice-presidente da chapa, deputado Alfredo Gaspar (AL), foi escalado para a maior parte das agendas no Nordeste. Ontem, por exemplo, representou a campanha presidencial no lançamento da postulação à reeleição do líder da oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto (PL-PB), em João Pessoa. Interlocutores do partido dizem que Flávio vai analisar suas viagens à região com muita cautela para não se expor. Porém, o problema é outro. É que, com o favoritismo de Lula por lá, muitos querem distância de Flávio.

Bets e campanha

Até aqui, os oposicionistas não fecharam propostas sobre esse tema. A estratégia de Flávio Bolsonaro, por exemplo, é culpar Lula pela demora da regulamentação das casas de aposta on-line, principalmente com os dados de apostas dos beneficiários do Bolsa Família. No entanto, não tem um projeto pronto para o setor.

Campanha dupla/ Candidata a deputada federal pelo Podemos, a ex-primeira-dama do Distrito Federal Mayara Noronha fechou uma dobradinha eleitoral com o empresário Neto Rodrigues, que disputa uma vaga de deputado distrital pelo partido. Mayara vem com a experiência acumulada na área social, enquanto Neto chega com um discurso voltado ao setor produtivo.

Data Uber/ Enquanto os taxistas do Rio de Janeiro se mostram divididos em relação à eleição de outubro, os motoristas de aplicativo da cidade são incisivos ao dizer que não pretendem votar em ninguém. O desencanto com os políticos é geral entre os cariocas, onde Lula e Flávio Bolsonaro fizeram atos de campanha neste fim de semana.

Um espaço grande para dois/ O hotel onde Lula e sua comitiva se hospedaram, no Rio de Janeiro, foi o mesmo onde o ex-governador de São Paulo, João Doria, comandou o 25º Forum Empresarial Lide, na sexta-feira. Lula chegou ao hotel no fim da noite. Estavam, inclusive, no mesmo andar. Lula numa ala mais reservada, cheia de seguranças à porta. E Doria do outro lado. O ex-governador só saiu, no início da tarde, quando o presidente já havia deixado o hotel para o ato de campanha em Bangu, ao lado do ex-prefeito Eduardo Paes.

Justiça eleitoral e IA/ Em vídeo produzido por inteligência artificial, o candidato ao governo do Maranhão e ex-senador Roberto Rocha (PRTB) cria um cenário em que três homens jogam trinca e suas expressões não são boas. Nas cartas, há rostos de oponentes regionais, como o do ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino; dos candidatos ao governo Eduardo Bride (PSD) e Orleans Brandão (MDB), de Lula e do ex-ministro dos Esportes e candidato ao Senado André Fufuca (PP). Então, Rocha entra na sala, vira a mesa do jogo e surge a frase: “Quando as cartas estavam marcadas, uma nova jogada virou a mesa”. Vai dar muita polêmica. No mínimo.