Categorias: Política

A guerra da sobrevivência

Texto por Denise Rothenburg neste domingo (3/5) — A suspeita de que o caso do Banco Master colocou os bolsonaristas, o Centrão e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no mesmo campo para derrotar a indicação de Jorge Messias à Suprema Corte se espalhou no Congresso e fora dele. A avaliação é de que, daqui em diante, a maioria dos movimentos da política estará contaminada por esse escândalo, uma vez que existem personagens sentindo o cheiro de queimado por causa da delação de Daniel Vorcaro e da perspectiva de atingir, em especial, o Legislativo e o Judiciário. Seja contra, seja a favor, esse processo pauta a eleição no Brasil e, especialmente, no Distrito Federal e nos estados que tiveram seus fundos de pensão com investimentos no Master. Nesse sentido, novas alianças exdrúxulas vão aparecer, uma vez que estão todos lutando para chegar a 2027 eleitos ou a salvo das delações do ex-banqueiro.

Por falar em fundos de pensão…/ As razões para Alcolumbre ter decidido se alinhar à oposição contra Messias não ficam apenas no xadrez político. Um dos ingredientes que contribuiu para isso foi o fato de a Previdência do Amapá (Amprev) ter investido R$ 400 milhões com o Master. O irmão do senador, Alberto Samuel Alcolumbre, integra o Conselho Fiscal da instituição. Hoje, os políticos acusam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de jogar a Polícia Federal sobre setores do Centrão e de ter um ministro no Supremo, no caso Flávio Dino, dedicado a dar um basta no uso indiscriminado de emendas parlamentares nas bases eleitorais. O que se diz no Parlamento é que, diante do ano eleitoral, não dava para colocar mais um ministro de Lula com a artilharia apontada contra a todos que serão citados no caso Master. O PT reage pedindo uma CPI do banco de Vorcaro. Tem muita gente certa de que esse movimento provocará novas alianças impensáveis no Congresso e fora dele, seja contra, seja a favor da comissão parlamentar de inquérito. Esta semana dará o termômetro desse e de outros temas.

Bets x juros

O setor de bets acusa o governo de usar as casas de apostas on-line como uma desculpa para o endividamento das famílias. A área enfatiza que a situação difícil dos brasileiros se deve à alta taxa de juros e não às apostas. Inclusive, o Ministério da Fazenda informou as operadoras de que os brasileiros que aderirem ao Desenrola 2.0 estarão proibidos de apostar, por seis meses, em qualquer bet regulada. O cabo de guerra promete seguir até as eleições. As bets vão ao Congresso fazer lobby pelo direito às apostas.

Uma CPI sem maioria

O PT e o PSol da deputada Fernanda Melchiona (RS) vão insistir na CPI do Banco Master na Câmara, mas, até aqui, ao que tudo indica, os partidos não terão força para fazer o relator e o presidente da comissão. Se o Centrão se mantiver aliado à oposição, irá controlar o colegiado. Pelo menos, seus primeiros acordes.

Vitória vermelha

Nem tudo foi derrota para os petistas na semana passada. Com a designação do deputado Alencar Santana (PT-SP) para a presidência da comissão especial que vai analisar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do final da escala 6 x 1, o PT garantiu o controle e o ritmo da pauta na Câmara dos Deputados. Santana será responsável por indicar o que será votado, a agenda dos encontros e até quando a discussão será realizada na comissão.

Por falar em 6 x 1…

Aliados ficaram muito aborrecidos com o fato de Lula ter ido à tevê dizer que enviou o projeto de lei sobre esse tema e não citar os aliados — em especial, a deputada Érika Hilton (PSol-SP), que apresentou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC). Ficou a certeza de que o presidente quer os louros, sem divisão ou pagamento de “royalties”.

Avalie o timing/ Embora tenha muita gente dizendo que Lula só envie o nome de um novo indicado para o STF depois da eleição, a tendência é ele indicar antes. Se deixar para depois, vai parecer que teme nova rejeição. Se mandar ainda no calor da derrota, vai parecer provocação.

Motta em ação/ Contrariando o desejo da oposição, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), vai conseguir votos no centrão a favor do projeto de lei da misoginia. Fontes próximas a ele afirmam que foi um combinado para que a deputada Tabata Amaral (PSB-SP, foto) aceitasse a relatoria. A ideia é aprovar mesmo até junho, como anunciado em um vídeo feito junto
com a parlamentar.

Augusto Cury/ Dia desses, os pré-candidatos ao Planalto, Ronaldo Caiado e Aldo Rebelo, participaram de uma palestra de Augusto Cury, o professor, psicanalista e escritor pré-candidato ao Planalto pelo partido Avante. Conversa vai, conversa vem, todos saíram com a certeza de que o autor de Vendedor de Sonhos, um de seus livros mais famosos, entrou na lista de vices dos dois.

Corre aí!/ O fato de Motta marcar sessões deliberativas para todos os dias desta semana vai além da contagem do prazo da PEC da escala 6 x 1. Ele quer adiantar tudo o que puder por esses dias. É que na semana de 11 de maio, estará em Nova York para o 15º Lide Brazil Investment Forum, um evento empresarial com lotação esgotada, no Harvard Club.

Ronayre Nunes

Jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). No Correio Braziliense desde 2016. Entusiasta de entretenimento e ciências.

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