As chances dos outros

Publicado em Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, PL, Política, Senado

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 14 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

Nova York — Os diálogos que indicam que o senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato do PL à Presidência da República, cobrava dinheiro de Daniel Vorcaro, quando o então banqueiro dono do Banco Master já estava em rota de desgaste, assustaram os barões da Faria Lima, centro financeiro de São Paulo. Em Nova York, onde muitos participam da série de eventos da Brazilian Week, vários deixaram claro que o receio de ver o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro queimado no processo eleitoral leva o grupo dos financistas a voltar as atenções especialmente para o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD) — considerado o mais equilibrado dos pré-candidatos da direita. Caiado tem muitos apoios no agronegócio e deixou o governo com aprovação acima de 70%. Além disso, a última pesquisa Genial/ Quaest mostrou que, em Goiás, 76% daqueles que conhecem Caiado votam nele. Esse mesmo índice em relação a Romeu Zema (Novo) ficou em 38%, em Minas Gerais. Há uma avenida aberta para que Caiado consolide apoios entre os representantes do mercado financeiro.

Veja bem/ Até aqui, Flávio disse que não prometeu nada a Vorcaro em troca. Porém, até os mais fiéis aliados do filho 01 de Bolsonaro consideram essa justificativa insuficiente para reverter o estrago. O pré-candidato do PL terá que dar novas explicações sobre o financiamento do BRB, a juros camaradas, para comprar a mansão em Brasília e o restante de seu patrimônio.

Silêncio na sala

Muitos parlamentares do PL receberam ligações de suas bases eleitorais, preocupadas com os efeitos do vazamento da conversa entre Flávio e Vorcaro. Muitos deles, aliás, deixaram suas antigas legendas e ingressaram na legenda para concorrer a cargos — como governadores — e garantir palanque para o pré-candidato do partido. Agora, estão preocupados com o próprio futuro.

Dê um tempo

O comando do PL pediu aos seus filiados que aguardem um pouco antes de se deixar levar pelo desespero. Afinal, a campanha nem começou e é preciso aguardar todas as explicações de Flávio. O problema, porém, é que os integrantes do partido acreditam que a situação tende a piorar.

As coisas boas…

… a gente fatura. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu enxugar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da 6 x 1. O texto tratará apenas das reduções da escala, para 5 x 2, e da jornada, de 44 horas semanais para 40 horas. Assim, todos os louros da redução serão comemorados numa promulgação da PEC no Congresso.

As coisas ruins…

… a gente empurra para o governo. Tudo que for difícil será tratado no projeto de lei que o governo mandou ao Parlamento. Essa proposta vai incluir, por exemplo, a discussão de compensação, quais setores que precisam de jornadas especiais e tempo de transição. O líder do PT, Pedro Uczai (SC), disse com todas as letras em entrevista à emissora Rede Vida que não apoiará a transição. Ou seja, o projeto do governo vai tratar de coisas que o partido do presidente da Câmara não apoia.

CURTIDAS

Crédito: Ed Alves/CB/D.A Press

Graças a elas/ Cientistas políticos avaliam que recuperação da imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente entre as mulheres, se deve ao Desenrola 2.0. A justificativa é que elas têm sofrido mais pelo aumento do custo de vida.

É cedo para comemorar/ Os especialistas, entretanto, advertem: “Se a inflação de alimentos continuar pressionando o orçamento doméstico, parte desse ganho pode ser rapidamente neutralizado”, comentou Murilo Medeiros, cientista político da Universidade de Brasília (UnB).

Isonomia/ A isenção da taxa das blusinhas por Lula pegou a oposição de surpresa. Mas eles já têm uma estratégia para tentar dar um nó no governo: exigir que o mesmo beneficio seja dado a produtos nacionais equivalentes a US$ 50 (R$ 250,00), em especial, aqueles que não precisam de frete. Ressaltam que se isentou o internacional, tem que isentar “os de casa”. reverter o estrago. O pré-candidato do PL terá que dar novas explicações sobre o financiamento do BRB, a juros camaradas, para comprar a mansão em Brasília e o restante de seu patrimônio.

Point da vez/ A sede do QG da campanha de Flávio Bolsonaro fica em frente à casa (foto) do senador Ciro Nogueira (PP-PI). Agora, depois do vazamento das mensagens, parlamentares comentam que o endereço “compartilhado” parece ser o lugar do momento em Brasília.

Conselhos e avisos sobre a dosimetria

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, EUA, GOVERNO LULA, Política, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 13 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Nova York — Do alto de quem indicou Alexandre de Moraes para ministro do Supremo Tribunal Federal, o ex-presidente Michel Temer é incisivo ao referir-se à proposta de dosimetria das penas dos enroscados no 8 de Janeiro. Logo depois de participar do 15º Lide Brasil Investment Forum, em Nova York, ele sugeriu aos ministros do STF que examinem esse tema com urgência. E fez um alerta: “Seria um transtorno para o país (a rejeição). O ideal é que seja examinado logo e mantida a decisão do Congresso Nacional”, afirmou.

Crédito: Kleber Sales

Enquanto isso, no PL…/ Enquanto Temer se refere a “transtorno”, o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), é direto: “Está se criando um cenário em que vamos chegar ao impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Ele já extrapolou muito”, avisa. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), hoje mais afastado do governo, será cobrado a agir nessa direção. Se não abrir o processo depois do período eleitoral, a avaliação é de que outro presidente da Casa o fará em 2027.

Petróleo e guerra

Os representantes da área do petróleo que participaram do 15º Lide Brasil Investment Forum, em Nova York, avisaram a empresários e políticos que o mundo tem estoques para apenas mais um mês com o Estreito de Ormuz fechado. A economia global não suporta mais do que 30 dias sem essa rota marítima livre.

Ajuda, mas atrapalha

Nos eventos de Nova York, muitos políticos experientes que ouviram o discurso do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, recomendaram que ele modere as críticas ao STF. Zema, porém, avisa não mudará esse discurso. Afinal, não quer ser vice de ninguém.

A culpa é do Parlamento

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva coloca na conta do Congresso pelo menos dois temas de interesse da população que permanecem pendentes: o fim da escala 6 x 1 e mais atenção à segurança pública.

E as blusinhas, hein?

A medida provisória do governo para zerar a taxa das blusinhas foi uma forma de driblar uma vitória total da oposição sobre o tema. Na época em que o imposto foi criado, o PL e o deputado Kim Kataguiri (Missão-SP) eram contrários à proposta. Kataguiri é autor de projeto de lei que visa a revogação da medida. Por isso, o Executivo editou a MP, para que não fosse apensado ao projeto do adversário político.

Conselho ao Supremo

O ex-governador de São Paulo, João Doria, propôs aos ministros do STF que façam uma espécie de retiro, a fim de conseguir ajustar a rota e corrigir erros. Políticos que ouviram quando Doria fez essa referência foram logo dizendo que, se o Supremo não fizer essa correção, no ano que vem o Congresso fará uma nova reforma do Judiciáiro.

CURTIDAS

Crédito: Denise Rothenburg

Pressões/ Por enquanto, o Progressistas ainda mantém o senador Ciro Nogueira (PI) no comando do partido. Mas a turma fora do PP amplia a cada dia a tensão para uma renúncia ou afastamento de Nogueira do cargo de presidente da legenda.

Mágoas superadas/ O ex-governador de São Paulo João Doria e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD, foto), estão mais unidos do que nunca. Eles, que já foram adversários nos tempos de PSDB em que disputaram uma previa, hoje mostram, na prática, que divergências políticas devem ser superadas em nome do bem comum.

Segue o líder/ Presentes ao evento do Lide em Nova York, o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), e o senador Fabiano Contarato (PT-ES), seguem à risca os antigos ensinamentos de Lula dos tempos em que o presidente, ainda em seu primeiro mandato, tratava de levar deputados de centro a apoiar seu governo. Lula àquela altura dizia assim: “Não tem problema você não ter me apoiado antes. Afinal, meus (aliados) já tenho. Preciso que você me traga os seus”.

Por falar em apoios…/ Apontado como um dos responsáveis pela aproximação entre os presidentes Lula e Donald Trump, dos Estados Unidos, o CEO do grupo JBS, Wesley Batista, comentava com a coluna no evento Diálogos Esfera que “primeiro é preciso que a ponte dê certo”. Os próximos passos serão nesse sentido. Agora, está tudo nas mãos dos diplomatas e do staff dos dois líderes.

Entidades se unem pela manutenção da taxa das blusinhas

Publicado em Economia, GOVERNO LULA, Política
Crédito: Felipe Soares

Por Eduarda Esposito — O estudo “Impactos econômicos da competição desigual com as plataformas cross-border”, realizado pela GO Associados, mostra que o setor varejista e de vestuário brasileiro têm sofrido perdas diante das vendas por marketplaces como Shopee, Shein, AliExpress e Amazon. O estudo levou associações do setor produtivo a defender a manutenção da famosa “taxa das blusinhas” e a pedir maior isonomia tributária entre a indústria e as plataformas estrangeiras.

O trabalho da GO Associados foi apresentado essa semana, durante a reunião-almoço da Frente Parlamentar Mista do Ambiente de Negócios (FPN), para a qual o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, foram convidados, mas não compareceram.

De acordo com o levantamento, a pandemia de Covid-19 provocou um aumento das vendas online de plataformas como Shopee e Shein. Nessa época, os produtos entravam como movimentação entre pessoas físicas, isentas de imposto de importação devido ao Decreto nº 1.804/1980.

Em 2021, o volume de remessas internacionais aumentou em 54% e em 2022, 20,6%. Então, em agosto de 2023, já no governo Lula, foi criado o Programa de Remessa Conforme (PRC) com isenção de imposto de importação para compras até US$ 50 e, em 2024, o Congresso Nacional aprovou uma alíquota de 20% de imposto de importação para remessas PRC. No ano passado, nove estados começaram a adotar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de 20% sobre as remessas PRC e os demais fixaram em 17%.

Com isso, o estudo mostra que passou a coexistir no país dois tipos de importação. Um mesmo produto importado de forma comum é mais tributado do que no sistema PRC. Na importação comum, uma camiseta sofre a incidência de 35% de imposto, 12,35% de PIS/CONFINS e 20% de ICMS, o que faria uma camiseta de R$ 50 reais valer R$ 92,09. O mesmo item na Remessa Conforme tem incidência de 20% de imposto e 17% de ICMS, o que faz aumentar de R$ 50 para R$ 72,29.

Na visão dos pesquisadores, o PRC tem muito mais vantagens como: preço 27% mais barato, menor tempo de desembaraço, além de menor volume de documentação e burocracia, não precisa satisfazer regulamentações brasileiras e baixa fiscalização aduaneira. Do outro lado, a remessa comum tem maior custo, leva mais tempo de desembaraço, precisa de mais documentos, é necessário estar de acordo as regulações nacionais e sofre uma maior fiscalização aduaneira. Em outros itens como perfumes e tênis, a diferença de preço chega até a 55% e 60% mais caros que os mesmos produtos pela PRC.

Falta de arrecadação

O levantamento também mostrou valores que o país deixou de arrecadar nos planos estadual e federal com itens PCR. De 2017 a 2025, somando os dois âmbitos, o Brasil perdeu R$ 51, 4 bilhões. Na esfera Federal a perda foi de R$ 23,6 bilhões e estadual R$ 27,8 bilhões.

O valor total é aproximadamente o orçamento do estado de Pernambuco em 2025 e 2,5 vezes o orçamento de segurança pública em São Paulo no mesmo ano. O valor federal equivale ao orçamento do ministério das Cidades e 5 vezes mais que o orçamento do Meio Ambiente no ano passado. Já o valor estadual correspondeu a 1/3 do orçamento da Bahia e 2 vezes o orçamento da saúde no Rio de Janeiro em 2025.

Resultado dos impostos

O estudo destaca que o imposto de 20% nas compras PRC gerou ganho real ao varejo de 1,6% a 2,7%, o que fortalece, na visão das entidades, o argumento de que a isonomia tributária plena é o instrumento de maior impacto potencial para o varejo nacional.

A projeção para os próximos cinco anos é que, se mantiver a taxação das blusinhas, o vestuário nacional teria um aumento permanente de mais de 20% até 2030 e que o varejo poderia crescer até 19% caso fosse atingida a isonomia tributária. Contudo, caso revoguem a lei, o setor sofreria uma queda permanente de mais de 10% até 2030.

Em 2024, o setor de vestuário gerou R$ 1,977 trilhão ao país. O estudo afirma que a cada R$ 1 adicionado no setor, gera valor agregado de R$ 8,13 na conta final, devido ao efeito direto sobre a empresa (+ R$ 0,79), efeito indireto na demanda (+ R$ 2,61) e efeito induzido no consumo das famílias (+ R$ 4,73%).

Atualmente o varejo gera 3,7 milhões de empregos que correspondem a R$ 59,8 bilhões da massa salarial. Em relação à arrecadação, o setor gera ao estado R$ 122 bilhões. “Setor produtivo só quer igualdade, trabalhar, produzir, gerar renda e emprego. Antes de consumidor, o cidadão precisa ter um emprego. Porque se a empresa brasileira o demite, ele não vai ter dinheiro nem para comer ou consumir blusinha do exterior”, afirmou Edilson Urbano da Silva, coordenador-Geral de Desenvolvimento Industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Isonomia tributária

O deputado Jorge Goetten (Republicanos-SC) defende que a discussão sobre isonomia tributária ou revogação da taxa das blusinhas seja feita após as eleições. “Esses debates em ano eleitoral vêm contaminado para o Congresso e nós parlamentares temos que ter uma responsabilidade com o setor produtivo, com o emprego e com a renda das pessoas também, porque afeta todo mundo. Nós não podemos sacrificar a nossa indústria, temos que criar benefícios, incentivos e não prejudicar. O Instituto da Reeleição tem prejudicado muito o nosso país, não só nesse nessa eleição, mas em todas as reeleições, sempre vem essas benesses eleitorais que depois quem vai pagar a conta é o próprio trabalhador”, defendeu.

Na mesma linha, o presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Textil e da Confecção (Abit), Fernando Pimentel, acredita que os prejuízos vêm depois e que o Brasil não pode prejudicar a indústria nacional em detrimento da internacional. “O país não pode abrir mão da sua indústria. O governo tem anunciado projetos importantes da Nova Indústria Brasil, da reindustrialização e como isso combina com propostas que vão isentar de impostos o meu concorrente internacional que opera de formas distintas as que nós temos aqui? Vamos onerar a produção brasileira. Aparentemente pode parecer uma grande conquista, mas não é. Porque para ter consumo tem que ter emprego. Para ter emprego tem que ter progresso e desenvolvimento. E não vamos ter isto se prejudicarmos a produção nacional em favor da produção internacional. Nada contra o comércio, mas o comércio tem que ser justo e correto, tanto no aspecto tributário quanto no aspecto regulatório”, ressaltou.