Tag: rejeição
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 22 de setembro de 2026, por Rosana Hessel com Eduarda Esposito
A 13 dias do primeiro turno das eleições gerais, dados mostram que a rejeição será o fator para definição do vencedor da corrida presidencial, confirmando premissas do início do ano. Conforme a pesquisa BTG Pactual/Nexus, divulgada ontem, os dois candidatos à frente da disputa — o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) — possuem rejeições maiores do que as respectivas intenções de voto. A de Lula ficou em 49%, e a de Flávio, em 50%. E, em um eventual segundo turno, o petista vence o filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro com 46% da preferência do eleitorado contra 45% do senador. No levantamento anterior, a diferença era a mesma, de um ponto percentual, mas com Lula recebendo 47% das intenções, e Flávio, 46%.
“A rejeição vai ser fundamental, sim, porque os dois mais rejeitados (Lula e Flávio) são, ao mesmo tempo, os dois mais votados e os únicos com chance de se enfrentarem no segundo turno. Quando chega ao segundo turno, uma boa parte dos eleitores, em torno de 1/4 do eleitorado, votou em Lula ou em Flávio, não porque acha o melhor candidato mas porque quer derrotar o outro. E, aí, essa rejeição é que vai definir muita coisa”, explicou Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, para a coluna. Ele lembrou que esse fator vai ser muito importante, como em 2022. “Lula começou a campanha com uma rejeição 10 pontos porcentuais abaixo de Bolsonaro, mas, na reta final, essa diferença caiu para dois ou três pontos. No fim, a vitória de Lula teve 1,8 ponto porcentual de diferença”, acrescentou.
Fator feminino
Curiosamente, a pesquisa da BTG/Pactual mostrou que Lula tem 59% do potencial de votos de mulheres e 36% do voto de homens. Enquanto isso, Flávio tem 38% da preferência das eleitoras, e 58%, dos eleitores. Vale lembrar que as mulheres respondem por 52,8% do total de títulos capacitados para votar neste ano, e, portanto, podem definiras eleições, somando 83,9 milhões. Enquanto isso, os homens com título de eleitor válido somaram 74,8 milhões.
Eleitorado cativo
Lula também lidera entre mulheres, moradores das capitais, católicos, pessoas com mais de 60 anos e os eleitores de baixa renda e de menos escolaridade, segundo a pesquisa BTG Pactual/Nexus. “Esses são os eleitores cativos e que tradicionalmente votam mais no PT e no próprio presidente. Já Flávio Bolsonaro é mais forte na alta renda e na média renda, e entre os eleitores com mais escolaridade”, lembrou Tokarski, da Nexus. Regionalmente, Lula é mais forte no Nordeste, e Flávio, no Sul, no Norte e no Centro-Oeste. No Sudeste, a região mais populosa, ambos estão mais ou menos empatados, de acordo com Tokarski.
Reajuste do Bolsa Família
O anúncio do aumento de 15% no Bolsa Família não mudou muito a preferência de voto dos eleitores. O reajuste do programa eleva o valor mínimo do benefício de R$ 600 para R$ 691. Conforme a pesquisa BTG Pactual/Nexus, entre os beneficiários do Bolsa Família, a intenção de voto em Lula manteve-se em 64%, nesta semana, mesmo percentual da pesquisa anterior. Enquanto isso, a preferência por Flávio nesse grupo de eleitores passou de 20% para 17%, na mesma base de comparação. O levantamento do BTG Pactual/Nexus foi realizado entre 18 e 20 de setembro. Foram entrevistados 2.006 eleitores. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Coluna Brasília-DF publicada no sábado, 23 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Embora o mercado financeiro trate o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como o “candidato que já foi”, e procure outras opções para concorrer contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a avaliação de muita gente ligada ao PL é de que o antipetismo ainda pode colocar o candidato bolsonarista raiz no segundo turno — e, de lá, no Palácio do Planalto. Essa aposta, porém, ainda precisa de muitos fatores para tornar-se viável. A primeira delas é não surgir mais nada que envolva o filho 01 de Jair Bolsonaro em qualquer coisa paga por Daniel Vorcaro. Porém, há desconfianças de que o senador ainda não disse tudo a respeito da relação exposta pelo portal The Intercept Brasil na semana passada.
Onde mora o perigo/ Nos bastidores de Brasília, especialmente no meio jurídico, o que se comenta é que há mais laços de cunho pessoal entre Flávio e ex-banqueiro. Enquanto esse disse- me-disse, mesmo sem comprovação, continuar, vai ser difícil o pré-candidato do PL convencer os tubarões da Faria Lima de que navegar com ele é a rota mais segura.
Tarcísio 2030
Entre os investidores da Faria Lima, tem muita gente se conformando com mais quatro anos de Lula. Essa turma faz planos de centralizar o foco na eleição de São Paulo — leia-se a reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) —, deixando de lado a sucessão presidencial deste ano para lançá-lo ao Planalto daqui a quatro anos. Afinal, um governador de São Paulo, se reeleito, é considerado o candidato natural de qualquer partido.
Por falar em Lula…
Os governistas defendem que Lula aproveite esse período de pré-campanha para, desde já, começar a comparar as entregas de sua gestão com a de Jair Bolsonaro. Para os ministros do presidente, assim a população terá até outubro para assimilar e avaliar quem fez mais pelo Brasil.
Os “R” na área
A soma dos candidatos conservadores no último Datafolha indica que um percentual do eleitorado — os 4% de Ronaldo Caiado, os 3% de Romeu Zema e os 3% de Renan Santos — está, desde já, longe da polarização entre Lula e Flávio. É uma fatia expressiva. Se um desses três conseguir alcançar os dois dígitos, o cenário mudará quando a campanha começar de fato.
Se quer abafar um escândalo…
… crie um maior ou envolva outros personagens na trama. A entrada de Flávio e o financiamento do filme Dark Horse no caso Master jogou na penumbra o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI). Ninguém fala mais em tirá-lo do comando da legenda. Se continuar nessa toada, ele deixará a UTI política em breve.
CURTIDAS

Assunto do momento/ A última rodada da pesquisa do Datafolha se tornou o principal tema das rodas de conversas no Fórum Esfera, no Guarujá. Ninguém deixou de reparar a queda das intenções de Flávio Bolsonaro.
Copo meio cheio/ O PL minimiza a diferença de quatro pontos entre o senador e Lula na pesquisa. Para os bolsonaristas, a queda foi bem menor do que o governo acreditava. “Para quem esperava uma tragédia, ela não veio. Não vejo nenhum cenário em que ele (Flávio) não esteja concorrendo”, afirmou o senador Marcos Rogério (PL-RO, foto) no Fórum Esfera.
Copo meio vazio/ Já o Centrão acha que esse seria o momento para que Flávio e Jair Bolsonaro desistissem da candidatura familiar e abrissem espaço para outro nome. Porque do jeito que está, manter a candidatura é pavimentar a reeleição de Lula.
Tem limite/ A deputada Erika Kokay (PT-DF) ficou decepcionada com o fato de sua bancada não votar contra a urgência da minirreforma eleitoral desta semana. E gostou menos ainda de saber que parte do partido apoiou o repasse para municípios em período eleitoral. Para Erika, essa prática traz de volta o cabo eleitoral.




