Uma viagem, milhões de objetivos

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Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 22 de maio de 2025, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito 

Crédito: Kleber Sales

A ida do pré-candidato do PL ao Planalto, Flávio Bolsonaro, aos Estados Unidos, é, obviamente, a grande aposta para tirá-lo da defensiva em relação ao dinheiro recebido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Oficialmente, só se fala da possibilidade de reunião com o presidente Donald Trump. Porém, há outros objetivos velados nessa ida. O senador pretende aproveitar para, junto com o irmão, Eduardo Bolsonaro, organizar as explicações da prestação de contas do filme Dark Horse que o parlamentar precisa dar ao próprio partido daqui a 27 dias, a fim de cumprir o prazo de 30 dias que solicitou à cúpula do PL. Paulo Calixto, advogado do ex-deputado e gestor do fundo Mercury Legacy Trust, teria recebido os recursos para a produção.

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Me deixem quieto/ Os dias nos EUA representam a oportunidade para Flávio sair do cerco de entrevistas que podem terminar desastrosas — tal como a que ocorreu na semana passada, quando um repórter do portal The Intercept Brasil perguntou se o filme havia sido financiado por Vorcaro e o senador disse que era mentira. As imagens do pré-candidato negando esse financiamento, e rindo da pergunta, continuam em alta nas redes sociais. O momento é de reorganizar o jogo e salvar a lavoura — ou seja, a candidatura.

E a minirreforma eleitoral?

Senadores divergem sobre o texto aprovado na Câmara, que aliviou a vida dos partidos. A base governista afirma não ter clima para votar a proposta que blinda o uso dos fundos Partidário e Eleitoral, além de dar um prazo maior para pagamento de dívidas. Já o Centrão e a oposição esperam que seja aprovado por votação simbólica, tal como na Câmara. Há acordo entre os presidentes das legendas e até o PT, na avaliação de partidos de esquerda, ofereceu baixa resistência ao texto. Por isso, a aposta é de que será votado quando estiver perto do recesso branco da Copa do Mundo.

Unidos venceremos

Depois de meses de negociação e espera, os produtores rurais endividados podem ter um bote salva-vidas. Relator da securitização no Senado, Renan Calheiros (MDB-AL) conseguiu chegar a um consenso entre o agronegócio e o Ministério da Fazenda. De acordo com o senador, não está descartada a edição de uma medida provisória com mais de 90% do que foi defendido em seu relatório.

Cálculo temporal

A decisão entre seguir a tramitação do projeto no Congresso ou editar a MP cabe ao governo. Calheiros defende a medida provisória por ser imediata e, assim, aliviar no curtíssimo prazo a situação dos produtores rurais endividados e muitos inadimplentes. O Executivo, porém, aceita a carência de 10 anos com a criação de um fundo e a solução para os produtores que não têm mais como dar garantias para conseguir empréstimos.

1989 e 2026

Com a alta rejeição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de Flávio Bolsonaro, todos os partidos farão seus testes rumo ao Planalto. A aposta é que esta eleição terá mais candidatos do que a de 2022. A primeira eleição direta pós- ditadura militar, em 1989, foi recordista, com 22 postulantes ao Planalto. Agora, espera-se metade disso. E será um recorde.

CURTIDAS

Crédito: Ed Alves/CB/D.A Press

Jogue ao mar/ Aliados da governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), defendem o rompimento definitivo com o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB). Inclusive, apontam que isso está demorando, uma vez que ninguém sabe ao certo o que virá na delação do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que continua preso.

Vespeiro/ O leilão de energia que joga peso e recursos nas termoelétricas a gás, óleo e carvão, na contramão da energia limpa, virou uma casa de marimbondos que niguém destrói. A esperança dos parlamentares é que o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério Público consigam agir em junho. Da parte do Executivo, não se espera uma ação contundente.

Explica aí/ Por falar em Executivo, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (foto), foi convocado para prestar esclarecimentos sobre o leilão na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados. Ele é esperado por lá na próxima quarta-feira.

Instale se for capaz/ A depender das declarações públicas do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e de Flávio Bolsonaro, tem que haver uma CPI do Banco Master. Davi Alcolumbre (União- AP), porém, guardou esse pedido na gaveta. E só vai tirá-lo de lá se houver ordem judicial.

“Investigação do Master não tem mais volta”

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Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito 

Chamada a integrar a subcomissão de parlamentares que acompanhará as investigações sobre o caso do banco Master, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirma à coluna que as apurações chegaram a um ponto que não tem mais volta, ou seja, “agora é individualizar as condutas, a fim de que, quem estiver responsabilidade, pague pelo seu delito” neste que promete ser o maior escândalo doa últimos tempos.

Crédito: Caio Gomez

O papel deles/ Quanto aos senadores, caberá o trabalho de avaliar o que causou a bandalheira: se foram brechas na legislação, ou falhas na fiscalização que permitiram que fossem colocados no mercado títulos e empréstimos consignados fraudados. “Nosso trabalho será um novo marco regulatório, a fim de fechar essas brecha e ou apertar a fiscalização” , comentou Damares.

Alcolumbre ganha tempo

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, disse à coluna que vai esperar passar o carnaval para avaliar com os líderes se deve ou não ter CPI ou CPMI do banco Master. Na visão de alguns parlamentares, uma Comissão Parlamentar de Inquérito não seria viável, porque essas investigações se tornarão um espetáculo — ainda mais em ano eleitoral. E, para completar, caso haja alguém disposto a fazer uma delação premiada, não faria à CPI.

Desembarque em construção

O PL pretende, de fato, lançar Michelle Bolsonaro e Bia Kicis ao Senado no DF. E, se a chapa de Celina Leão (PP) ao Governo do Distrito Federal tiver outro nome, será difícil fechar o apoio. Esse é o discurso que começa a correr léguas no partido de Jair Bolsonaro.

A hora é agora

O governo vai enviar um projeto de lei com urgência constitucional para tratar com mais rapidez a jornada de trabalho 6×1 no Congresso. A intenção, claro, é obter a sanção do presidente Lula assim que possível. Essa decisão, inclusive, é apoiada por líderes de centro ouvidos pela coluna. Os deputados afirmavam que a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) apresentada hoje teria mais dificuldade de tramitar.

Futuro promissor

Deputados classificam de oportunidade para o Brasil o que consideram o momento político turbulento nos Estados Unidos. A avaliação é a de que, em 2025, projetos importantes aprovados deram mais segurança jurídica — novo marco das PPPs, IOF, fintechs ao panorama econômico nacional. Assim, abriu-se uma janela de oportunidade para atrair os investimentos que não foram para o país de Donald Trump.

CURTIDAS

Crédito: William Sant’Ana

E eu?!!/ Na primeira versão de criação da subcomissão que acompanhará as investigações do caso Master, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) colocou apenas sete senadores, sendo dois do Distrito Federal, Damares Alves e Leila Barros. Izalci (foto) foi questionar por que era o único senador do DF excluído.

Aumenta aí/ Renan prontamente acolheu Izalci no colegiado, até porque o senador do PL é titular da Comissão de Assuntos Econômicos. Agora, a tendência são 11 integrantes, tal e qual o STF.

Ambiente relax/ Durante a reunião-almoço da Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE), o presidente deputado Joaquim Passarinho, em clima descontraído, brincou com o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas. “Lógico que ele quer arrecadar. Nossa função é frear um pouco” , disse. Todos riram ao final.