Uma carta, mas nada de desculpas

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, emendas, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, PL, Política, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 14 de julho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

Embora tenha mencionado a necessidade de união do PL e daqueles que votaram em Jair Bolsonaro no passado, o senador Flávio Bolsonaro e “porta-voz” do pai não apresentou nenhum pedido de sincero de desculpas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro nem fez refluir os ataques a ela e à senadora Damares Alves (Republicanos-DF) nas redes sociais. Chegou ao ponto de Damares ir à tribuna dizer que é “do time” de Bolsonaro e que é chegada a hora de a direita parar de atacar os seus soldados na internet. Damares usou a seguinte expressão para reforçar seu apoio à pré-candidatura de Flávio: “O Flávio ainda é o meu pré-candidato, indicado do presidente Jair Bolsonaro”. O “ainda” deixou a muitos a impressão de que, se a briga continuar, poderá deixar de ser. Não por acaso, já tem muita gente que votou em Bolsonaro no passado acompanhando de perto os movimentos de Ronaldo Caiado (PSD).

» » » » » » » » » »

Onde mora o perigo/ O embate interno nas hostes bolsonaristas corre o risco de deixar muitos potenciais aliados em alta nas pesquisas — caso de Michelle Bolsonaro — de braços cruzados por Flávio ao longo da campanha. E, embora as pesquisas atuais apresentem o senador no segundo turno, a avaliação de muitos no PL é a de que ele não está em posição de dispensar aliados.

Dino abrirá o pós-eleição

Enquanto a campanha eleitoral pede passagem, o ministro do Supremo Tribunal Federal responsável pelo processo relativo a emendas parlamentares, Flávio Dino, dá o tom do que vem por aí. Ele não vai tirar o dedo dessa ferida nem recuar em relação à necessidade de transparência e prestação de contas de cada centavo aplicado por sugestão dos congressistas e de outras pessoas alheias ao mandato parlamentar.

Vem mais

Muita gente diz que essa influência externa não se restringe a Valdemar Costa Neto e Eduardo Cunha, que já tiveram parte dos bens bloqueados. Outros nomes vão aparecer ao longo do processo. Afinal, ainda há muito material a ser analisado, além do celular da assessora Mariângela Fialek, que ajudou no rastreio desses padrinhos.

Quis poder, agora aguenta

Nos casos das emendas individuais, o que se comenta no Parlamento é que o Executivo tem que liberar e ponto, porque é determinação constitucional pagar as emendas impositivas. Diz-se que, se o Poder Executivo segurar essa liberação, terá que responder. Logo, os parlamentares responsáveis pelas indicações e os prefeitos que recebem as verbas têm que prestar contas.

Façam um acordo

Independentemente de quem vencer as eleições deste ano, está claro que será preciso um pacto entre os Poderes para resolver essa questão orçamentária. Se os parlamentares continuarem nessa queda de braço com os outros dois Poderes sobre as emendas, o contribuinte pagará a conta.

CURTIDAS

Crédito: Antonio Augusto/STF

E o Moraes, hein?/ A proibição das visitas do senador, filho e advogado Flávio Bolsonaro ao pai aumentará a carga contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes (foto) no Senado. Se a direita mais ligada a Bolsonaro for vitoriosa, Moraes terá que torcer para que os senadores elejam um moderado para presidir a Casa.

Por falar em carta…/ Em 2002, quando foi candidato pela quarta vez ao Planalto, Lula editou uma carta aos brasileiros de quatro páginas e meia sobre o cenário econômico e o projeto do PT. Em 2018, editou uma segunda carta retirando-se da candidatura, em setembro daquele ano, quando ainda estava preso. Cunhou a expressão “somos milhões de Lulas e Fernando Haddad será Lula para milhões de brasileiros”.

… nem sempre funciona/ Lula ganhou em 2002, e Haddad perdeu em 2018, quando o atual presidente o apontou como o seu candidato. Vejamos como o eleitorado reagirá à carta apresentada no último sábado.

Mesmo sem Brasil, tem futebol/ Por enquanto, o brasileiro apaixonado por futebol está mais ligado nas semifinais da Copa do Mundo. E hoje, Data Nacional da França, que marca a queda da Bastilha em 1789, o feriado por lá promete atenção máxima ao confronto França x Espanha — muito diferente das duas primeiras rodadas, em que a população francesa não se mostrava muito atenta às partidas. Uma grande semifinal europeia para tentar amenizar as agruras da nossa política.