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Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 2 de julho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

O discurso de Flávio Bolsonaro em favor das mulheres evidencia um problema intrínseco ao bolsonarismo: o desprezo ao gênero feminino. Esse movimento político consolidou-se pela figura de seu representante maior, o “imbrochável”, “imorrível” e “incomível” Jair Bolsonaro. O ex-presidente coleciona uma série de tiradas, grosserias e ataques misóginos, alguns com consequências judiciais. Todos se lembram do episódio abjeto contra a deputada Maria do Rosário Caetano, que resultou em indenização por danos morais.
Flávio Bolsonaro tentou mostrar, ontem, que não é tão machista quanto o pai e que não concorda com os absurdos proferidos por seu colaborador Paulo Figueiredo. Mas nada disso conteve a insatisfação de Michelle Bolsonaro e aliadas, que estão mobilizadas no desagravo à ex-primeira- dama. Mais grave: nada indica que a promessa de um programa batizado como Brasil por Elas possa reverter uma dificuldade concreta: o déficit do voto feminino na pré-candidatura do senador.
A crise de gênero associada à insatisfação de Michelle Bolsonaro com as alianças firmadas pelo PL está inserida em um contexto maior. Fazem parte de uma realidade na vida nacional, independentemente da coloração partidária: as mulheres estão sub representadas e preteridas nos três Poderes da República. A legenda do clã Bolsonaro enfrenta uma crise aguda, mas a violência de gênero está disseminada na sociedade brasileira.
Cargo vago
O PL Mulher não terá uma nova presidente tão cedo. A fim de evitar novos desgastes de respeitar o trabalho executado por Michelle Bolsonaro, a vaga de presidente ficará aberta até as eleições. Se, após a eleição, a ex-primeira dama mantiver a renúncia do cargo, o partido irá deliberar sobre o que será feito. A deputada Priscila Costa (PL-CE) continuará como 1º vice-presidente e assumirá os compromissos de Michelle como vice.
Grande família
Na tentativa de minimizar a crise Flávio- Michelle Bolsonaro, parlamentares do PL argumentam que só há mágoa onde há amor. Alegam que toda família briga, mas que logo faz as pazes. Só tem um problema: a sequência de fatos na crise do clã Bolsonaro indica que família é uma coisa, política é outra.
Café digital
O PL vai com tudo no digital para as eleições. Amanhã, Flávio Bolsonaro, Valdemar da Costa Neto e outro nomes expressivos do partido se reunirão com influenciadores de direita para um seminário no Rio de Janeiro. O presidenciável oferecerá um café da manhã com o objetivo de alinhar a comunicação durante a campanha.
Virtudes de Kassab
Apoiadores e aliados do PSD têm usado os termos “capilaridade” e “credibilidade” ao se referirem ao presidente da legenda, Gilberto Kassab. Essas qualidades são vistas como essenciais para obter apoio político nos estados e compensar as resistências a uma chapa puro sangue para o Palácio do Planalto.
Plano de governo
Caiado usará como defesa em sua campanha a implementação da reforma administrativa — que é relatada pelo deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) na Câmara dos Deputados —, combate à corrupção, transparência nas aplicações de recursos em políticas públicas, investimento para a saúde e melhora da gestão de recursos da educação.
E Minas Gerais?
Enquanto o PL e o PT enfrentam dificuldade na montagem dos palanques em Minas Gerais, o PSD está mais adiantado. Com a pré-candidatura de Mateus Simões (PSD) ao governo estadual e a do senador Carlos Viana à reeleição, falta agora apenas um segundo nome ao Senado.
Fator Zema
Contudo, os desafios do PSD em Minas com Simões são outros. Em desvantagem nas pesquisas, o vice do ex-governador Romeu Zema carece de uma base política no estado para angariar votos. Na avaliação de aliados, esse problema ocorre porque Zema nunca se dedicou a essa articulação. Se há um ponto a favor de Simões, é a baixa rejeição no eleitorado mineiro.
Divergência
Governo e Câmara dos Deputados continuam a divergir sobre o projeto de atualização do teto dos Microempreendedores Individuais (MEI). Enquanto a Fazenda defende deixar o Simples para depois, o sentimento na Casa é de que o MEI não será votado caso o Simples não seja incluído também.
Hora de negociar
Com o placar de 293 sim, 158 não e 3 abstenções na aprovação do regime de urgência, Tabata Amaral (PSB-SP) vai negociar o último ponto divergente acerca do projeto que criminaliza a misoginia: a liberdade religiosa. Em conversas reservadas, fontes próximas à deputada afirmam que, a depender do resultado do placar, a parlamentar incluiria essa parte no texto final.
Contando os dias
A condição decisiva é o compromisso dos partidos em votar sim pelo mérito da matéria. O presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) disse pretender votar a proposta até antes do recesso. Já os aliados da relatora acreditam ser viável votar na próxima terça-feira.
Coluna Brasília-DF publicada no domingo, 17 de maio de 2026, por Rosana Hessel com Eduarda Esposito

Enquanto a corrida eleitoral para as eleições presidenciais deste ano parece dar sinais de que vai ter tiro, porrada e bomba, investidores estrangeiros estão mesmo de olho no que o vencedor das urnas pretende fazer para resolver os problemas fiscais do Brasil a partir de 2027, quando a dívida pública bruta pode encostar em 100% do Produto Interno Bruto (PIB) pelas projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI). O discurso de campanha dos pré-candidatos certamente evitará esse assunto espinhoso, o que não vai evitar um “estelionato eleitoral” após a posse, porque as reformas estruturais serão inevitáveis no início do próximo ano, de acordo com os fundos.
Um economista de um grande banco brasileiro conta que conversou com vários representantes de fundos norte-americanos nos últimos dias e contou que eles estão acompanhando o Brasil nos detalhes e conhecem tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que seguem empatados tecnicamente nas pesquisas recentes. “Sinto que eles não veem muita diferença nos cenários econômicos entre ambos os candidatos, e a principal preocupação desses fundos é com as reformas. Acham que quem vencer vai ter que fazer, e não vai ter saída”, afirma o economista em conversa reservada ao Correio.
Enxugando gelo
O especialista em contas públicas Gabriel Lealde Barros, economista-chefe da ARX Investimentos, também faz alerta sobre os riscos fiscais crescentes após novo pacote de subsídios sobre combustíveis anunciado pelo governo federal na semana passada. Para ele, isso não vai ajudar a resolver o problema da questão das pressões inflacionárias. “Subsídios e subvenções não estão funcionando, é enxugar gelo. Os preços seguem subindo. Não resolvem”, disse.
Impacto dos subsídios
Conforme estimativas da Warren Investimentos, a retirada da taxa das blusinhas e nova subvenção no preço da gasolina têm impacto fiscal de R$ 1,2 bilhão e de R$ 4,3 bilhões, respectivamente, ambos para vigência em parte dos meses de 2026. Com essa nova providência, a entidade projeta um custo de R$ 35,14 bilhões do conjunto de medidas destinadas a conter os efeitos da alta do barril de petróleo sobre os preços internos dos combustíveis. O custo líquido é calculado em R$ 15,86 bilhões, “deduzidos os R$ 19,28 bilhões que estimamos para as medidas que elevam a tributação, notadamente a introdução de alíquota sobre a exportação de petróleo”.
Cuidado com os números
De acordo com o relator da revisão do teto do Microempreendedor Individual (MEI), Jorge Goetten (Republicanos-SC), os cálculos da Receita Federal sobre a renúncia fiscal, caso o projeto seja aprovado, estão errados. A Receita estima a perda de R$ 65 bilhões, enquanto os técnicos da Comissão Especial calculam algo em torno de R$ 20 bilhões a R$ 25bilhões. E para Goetten, se o Executivo conseguiu R$ 15 bilhões para o Desenrola 2.0, poderia conseguir o valor estimado para os MEI.
Só tem um probleminha…
O relator espera aprovar o texto ainda este ano, gostaria de votar em junho, mas existe a possibilidade de ser apreciado somente em novembro, após as eleições. Contudo, o prazo para que os MEI possam aderir ao Simples Nacional acaba em setembro, então, mesmo que se vote em novembro, quem seria beneficiado não poderá ingressar no sistema por não ter previsibilidade do que vai acontecer
PT define nomes no DF
O diretório do PT no Distrito Federal escolheu, na última sexta-feira, a nominata de pré-candidatos à Câmara dos Deputados nas eleições de outubro. Serão eles: o ex-governador do DF Agnelo Queiroz, a ex-reitora da Universidade de Brasília (UnB) Márcia Abrahão, o ex-secretário do Ministério da Justiça Marivaldo Pereira, o ex-deputado Roberto Policarpo, ex-diretora do Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF) Rosilene Corrêa, a drag queen e militante do MST Ruth Venceremos e a ex-diretora dos Direitos dos Animais do Ministério do Meio Ambiente Vanessa Bicho Negrini. O advogado Marivaldo foi candidato ao Senado em 2018, alcançando mais de 83 mil votos e é uma das apostas petistas para a Casa.
Posse no TCU
O deputado federal Odair Cunha (PT-MG) toma posse como ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), na próxima quarta-feira (20), à partir das 14h30. O novo integrante da Corte de Contas assume a vaga aberta em razão da aposentadoria do ministro Aroldo Cedraz. A solenidade será transmitida pelo canal do TCU no YouTube e contará com a presença do presidente Lula.
No comando na Anbima
A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) tem um novo presidente, o administrador Roberto Paris. Graduado pela Universidade Paulista (Unip) e com MBA em Finanças pelo Insper, o executivo tomará posse, nesta segunda-feira (18), na renomada Casa Fasano, em São Paulo. A cerimônia terá, na abertura, o presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Accioly. Diretor executivo do Banco Bradesco desde 2019, Paris acumula mais de 38 anos no mercado financeiro, período integralmente dedicado ao grupo Bradesco, onde ingressou em 1987.


