O grande teste

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, GOVERNO LULA, Política, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 19 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Kleber Sales

A reunião desta terça-feira com os próceres do PL será a chance de o senador Flávio Bolsonaro convencer o próprio partido de que tudo não passou de um grande “engano ou mal-entendido” . O que se diz entre os correligionários do parlamentar é que, se ele não conseguir deixar os seus aliados convictos de que a relação com Daniel Vorcaro não era tão próxima quanto dão a entender os diálogos, será difícil manter uma campanha forte em defesa do pré-candidato ao longo dos próximos meses.

Aliás…/ Dentro do PL, já há muita gente olhando para o retrovisor, arrependida de ter deixado Tarcísio de Freitas candidato ao governo de São Paulo, porque cresce a cada dia a certeza de que ele seria o melhor nome para concorrer contra o presidente Lula. Se Flávio não convencer, o movimento pró-Ronaldo Caiado ganhará força dentro do partido, tal e qual já se vê no mercado financeiro, em que, conforme o leitor da coluna já sabe, o senador Flávio Bolsonaro perdeu musculatura.

Quem está seguindo Arruda?

De volta à política como pré-candidato ao governo do Distrito Federal, o ex-governador José Roberto Arruda enfrenta por esses dias uma situação, no mínimo, preocupante. Em 30 de abril, ao sair de casa para buscar a filha na escola, ele percebeu que estava sendo seguido. Mais tarde, ao chegar à casa de um amigo para almoçar, na QI 9 do Lago Sul, foi avisado pelo caseiro que estavam fotografando a casa. E o mesmo veículo que o seguira mais cedo, um Renault Clio, cor preta, estava parado na rua.

E com que objetivo?

A perseguição continuou até que Arruda, ao parar o carro nas proximidades do Centro Comercial Gilberto Salomão, foi ultrapassado pelo veículo. No semáforo, o ex-governador emparelhou seu automóvel com o do perseguidor e perguntou por que estava sendo seguido. O sujeito mostrou uma arma de fogo, da qual Arruda não se recorda o calibre. O caso agora está em apuração pela polícia do DF. As duas perguntas — quem mandou seguir Arruda e por quê — seguem sem resposta pelas autoridades de segurança pública.

Se insistir, vai se desgastar

No Senado, já há pareceres em elaboração para que qualquer tentativa de reapresentar o nome de Jorge Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal seja devolvida. Afinal, a Casa já deliberou sobre isso nesta sessão legislativa e não irá apreciar o mesmo nome novamente.

CURTIDAS

Crédito: Cadu Ibarra/CB/D.A Press

Mágoas/ O ex-ministro Aldo Rebelo, pré-candidato ao Planalto, tem um vídeo em que João Caldas, presidente do Avante, cita o nome dele como candidato à Presidência da República. Aldo tem dito aos quatro ventos que sua candidatura está mantida.

Ciro e a energia I/ O deputado Danilo Forte (União-CE) encontrou um conterrâneo para ajudar na luta pela energia limpa. Pré-candidato ao governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB) reforça em suas redes a campanha contra o leilão para a contratação de termoelétricas movidas a carvão, gás e óleo diesel.

Ciro e a energia II/ “Enquanto o mundo inteiro procura investir em energia limpa e mais barata possível, o governo brasileiro faz o contrário: privilegia energia a carvão, a gás, energia suja. Isso gera mais inflação, compromete o potencial de hidrogênio verde, e você paga mais cara a sua conta de luz.”

Sarney da Academia/ O ex-presidente José Sarney (foto), que ocupa a cadeira 38 da Academia Brasileira de Letras, lança, nesta quarta-feira, às 18h30, no Salão Negro do Congresso Nacional, uma coletânea com três romances, O Dono do Mar, Saraminda e A Duquesa Vale uma Missa.

Caiado bate em Lula de olho em Flávio

Publicado em Banco Central, Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, Lula, Política, PSD, Senado, TCU

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 31 de março de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

Ronaldo Caiado lançou-se pré-candidato à Presidência da República com um discurso que em nada sugere uma terceira via no cenário polarizado das eleições. O governador manteve a postura de político de direita, com críticas contundentes ao lulopetismo. Essa linha de oposição ao Planalto vem sendo conduzida há meses, como se viu no debate sobre a PEC da Segurança Pública.

Mas, no dia em que se apresentou ao país como postulante ao Palácio do Planalto, Caiado sinalizou uma bandeira para atrair o eleitorado de Flávio Bolsonaro. Disse que, como primeiro ato na Presidência, assinaria a anistia ampla e irrestrita aos envolvidos na trama golpista. Foi a senha para esvaziar uma das principais promessas do filho 01 do ex-presidente Bolsonaro.

Ainda em relação a Flávio Bolsonaro, Caiado pode mostrar que tem muito mais experiência como gestor público doque o senador, que jamais exerceu um cargo no Executivo. Com seis mandatos parlamentares, o pré-candidato do PSD é, ainda, um articulador importante para o PSD cumprir o objetivo de formar uma bancada forte no Congresso em 2027. Caiado é adversário de Lula, sem dúvida. Mas é Flávio Bolsonaro quem está no caminho dele.

Sou agro

No lançamento da pré-candidatura, Caiado deixou clara a antiga aliança com o agro nacional, muito antes de o setor ganhar fama mundial e virar “pop” ou “tech”. Lembrou que foi fundador da União Democrática Ruralista (UDR), entidade contrária à atuação do MST entre 1985 e 1994. Caiado afirmou que a atuação política nesse período permitiu ao agro se tornar a estrela da economia brasileira.

Mordida

Assim como havia feito nas redes sociais nos últimos dias, Caiado resolveu espezinhar novamente Lula após o presidente sugerir que brasileiros estão endividados porque gastam muito no cuidado com cachorros. Disse ser “muito dedicado ao criatório de meus cachorros, que ultimamente o presidente tem tentado responsabilizar pela alta taxa de juros”.

Na ponta do lápis

Considerando apenas os números, o PSD encontrou motivos para preferir Caiado a Eduardo Leite. Pesquisa da BTG Nexus divulgada ontem mostra que o gaúcho tem uma rejeição ligeiramente (34%) maior do que o governador de Goiás (31%). No mesmo levantamento, Caiado também pontuou melhor em intenção de votos no primeiro turno e se saiu melhor contra o presidente Lula que seu colega de legenda.

Regional e nacional

Dentro do PSD, predominou a avaliação de que Leite estaria muito isolado no Rio Grande do Sul e de que a capilaridade de Caiado seria maior.

União é força

Durante o almoço empresarial do Lide em São Paulo, o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, afirmou que não tem dúvidas de que Caiado apoiará Flávio Bolsonaro no segundo turno, mas ressalta que o momento é de união. “Todos nós sabemos que pode ter quantos candidatos a presidente do Brasil, que no segundo turno vai estar o Flávio e o Lula”, comentou.

Vem logo

“Tenho certeza de que o Caiado, que é de direita, vai nos acompanhar. O ideal para nós era que todos eles nos acompanhasse no primeiro turno para dar chance para nós ganharmos a eleição no primeiro turno”, previu o presidente do PL.

Chamem

Após analisar os documentos elaborados pelo Tribunal de Contas da União, parlamentares aumentaram a pressão para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado chamar o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. A investigação do TCU indica que a gestão de Campos Neto apenas enviava ofícios, com advertências, ao banco de Daniel Vorcaro, e não tomou medidas mais drásticas.

Não é comigo

Na semana passada, em nota pública, Campos Neto afirmou que não era atribuição da presidência do BC analisar as atividades de bancos do porte do Master, com ativos inferiores a 1% do PIB. Essa seria uma atribuição de servidores do BC. “A presidência do BC não pode ser responsabilizada por terceiros”, alegou Campos Neto.

Sem cadeira cativa

Em entrevista a um programa de TV local, o deputado Arthur Lira (PP-AL) mandou recado ao eterno rival Renan Calheiros, ainda que sem citá-lo. “O Senado está devendo a Alagoas. Disse no lançamento (da pré-campanha) e reafirmo aqui: o Senado não é morada permanente de ninguém, não”, afirmou.

Na disputa

A primeira-dama de Rondônia e titular da Secretaria de Estado da Assistência e do Desenvolvimento Social (Seas), Luana Rocha, almeja uma cadeira na Câmara dos Deputados em 2026 pelo União Brasil. Ela quer concentrar os esforços em projetos que promovam a assistência à população mais vulnerável.

Política é poesia

Com um livro de poesias recém-lançado, o ex-governador e pré-candidato José Roberto Arruda (PSD) resume a própria trajetória em versos sucintos. “Experimentei o poder, os palácios e o gosto amargo da prisão (…) Fiz curva em alta velocidade e, agora, cheguei a uma idade em que tudo faz sentido. Era esse o meu destino”, escreve o poeta-político, em Destino.