Os respingos em Messias

Publicado em 6x1, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, emendas, Política, Senado, STF, TCU

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 16 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

A crise aberta entre Legislativo e Judiciário, depois da apresentação do relatório da CPI do Crime Organizado, terá reflexos nos votos de Jorge Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal. É que começa a se cristalizar na Casa a ideia de que, diante da tensão entre Senado e STF, com pedidos de indiciamento de ministros — algo já rejeitado no Senado —, e a reação da Corte — com pedido de investigação do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) —, o melhor no momento é pisar no freio quanto à escolha de um ministro para o Supremo. Ainda mais em se tratando de um indicado tão afeito a um lado da política. Nesse sentido, o trabalho do governo daqui até 28 de abril, data da sabatina de Messias no Senado, será separar essas estações e acalmar os ânimos entre os dois Poderes. Serão 11 dias para cuidar da relação entre a “Casa dos Onze” e o Senado, a fim de garantir maioria dos 81 senadores favoráveis a Messias, o que ainda está incerto.

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Quem chega para ajudar/ Pré-candidato ao governo de Minas Gerais, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) entrou em campo para tentar ajudar Messias. Quem ainda não entrou de corpo e alma nesse barco foi o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Ele se reaproximou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas ainda tem dificuldades em abraçar a campanha do advogado-geral da União para o STF.

Conselhos para Sidônio

Aliados de Lula foram ao ministro-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência, Sidônio Palmeira, dizer que o discurso do governo sobre o fim da escala 6 x 1 não pegou e que o povo nem sabe do que se trata de conceder uma folga a mais aos trabalhadores que só têm o domingo, ou outro dia na semana. A ideia desses amigos do presidente é que o governo fale mais que o objetivo da proposta é que as pessoas tenham dois dias de folga para cuidar da vida e… orar. De quebra, ajuda até a chamar a atenção do eleitorado evangélico.

Por falar em 6 x 1…

Enquanto o Centrão defende que não é hora para se discutir sobre o fim da escala 6 x 1, o governo tenta convencer os parlamentares a optarem pelo projeto de lei: é que, em caso de criarem muitos problemas com a nova escala de trabalho, o PL é de mais fácil tramitação do que uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). A base governista vai usar esse argumento para defender a discussão do texto com urgência constitucional, enviado pelo Planalto esta semana.

A cobrança da Reforma Administrativa

O 6º Brasília Summit Lide-Correio Braziliense, com o tema eficiência na gestão pública, trouxe à baila a Reforma Administrativa e a necessidade de destinação das emendas parlamentares a obras estruturantes. “São R$ 50 bilhões em emendas e cadê as obras estruturantes?”, perguntou o ex-governador do Mato Grosso Mauro Mendes.

Por falar em emendas…

O ministro Antonio Anastasia, do Tribunal de Contas da União (TCU) — que já foi senador —, defendeu as emendas como instrumento de gestão. “É um recurso para localidades que, muitas vezes, não recebem recursos”, afirmou. Ele acredita que não se deve criminalizar as indicações, mas que o TCU deve fiscalizar e punir os desvios. “O grande empenho neste momento é que seja identificado um plano de trabalho adequado para que essas emendas tenham, de fato, sua origem, seu destino, e qual será seu percurso. E será objeto de avaliação permanente pelo TCU, que tem capacidade, legitimidade e estrutura administrativa para fazer isso em relação aos recursos federais”, disse, logo após o 6º Brasília Summit Lide-Correio Braziliense.

CURTIDAS

Crédito: TV PT/Reprodução

Cálculos na ponta do lápis I/ Davi Alcolumbre foi incisivo ao afirmar que não pautará mais nenhum projeto de lei que cria piso ou impacto financeiro nas contas do governo federal, estaduais ou municipais. A fala vem em meio à votação, na Câmara dos Deputados, de uma PEC que destina 1% da receita corrente líquida dos entes federados à Assistência Social.

Cálculos na ponta do lápis II/ “A minha decisão é não botar na pauta nenhum (piso), mas ouvir vossas excelências para agente buscar entendimento com o governo federal, estados brasileiros, municípios e decidir em conjunto quais as matérias vamos deliberar no plenário do Senado que impactam, direta ou indiretamente, as finanças públicas no Brasil, para que a gente possa manter o equilíbrio das contas”, justificou Alcolumbre.

Contagem de votos/ Após a aprovação da indicação do deputado mineiro Odair Cunha (PT-MG) ao TCU, seus aliados estão contando os votos. Alguns relataram à coluna que antes de chegarem ao Plenário eram esperados cerca de 280 votos, mas, com a porcentagem dos “traidores”, acreditavam que ficaria entre 250 votos. Já perto da votação, o partido contou 308 votos, cinco a mais do que o resultado final, e são justamente esses “traidores” que os aliados de Cunha procuram para cobrar o combinado.

Mineiros no TCU/ Depois dos pernambucanos, chegou a vez dos mineiros. O ministro Antonio Anastasia deu boas-vindas ao futuro novo ministro Odair Cunha. Inclusive, lembrou que os dois são da mesma região de Minas Gerais, algo que não ocorria há algum tempo na corte. O TCU, há alguns anos, chegou a ter três ministros de Pernambuco: o atual ministro da Defesa, José Múcio Monteiro; o ex-ministro da Educação e de Minas e Energia, José Jorge; e a ex-deputada Ana Arraes, mãe do ex-governador de Pernambuco e ex-ministro Eduardo Campos, e avó do presidente do PSB e ex-prefeito do Recife, João Campos (foto).

Um Sidônio só não faz verão

Publicado em GOVERNO LULA

Blog da Denise publicado em 18 de janeiro de 2024, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Com a inflação de alimentos ainda assombrando o carrinho de compras dos brasileiros, já tem gente na política dizendo que o novo ministro da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira, não fará milagres. Um estudo da Fatto Consultoria, do cientista político Rafael Favetti, mostra que a curva inflacionária dos alimentos acompanha a da popularidade do governo ao longo dos últimos dois anos. “O governo federal enfrenta dificuldades para justificar à população a razão pela qual o poder de compra está diminuindo, especialmente diante do aumento dos preços nos supermercados. A inflação, especialmente de alimentos, afeta diretamente as classes mais baixas, que representam a maioria da população e são mais sensíveis às variações de preço”, diz o texto.

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E tem mais/ o estudo da Fatto mostra ainda que “a desvalorização do real, aliada ao aumento das taxas de juros futuros, agrava o cenário, refletindo uma percepção negativa do mercado financeiro em relação à política fiscal e monetária do governo”. Esses dados indicam que, sem uma parceria fechada entre a equipe econômica e a de comunicação, vai ser difícil reverter os índices negativos do governo. A crise do Pix desta semana indica que essa sintonia entre Fazenda e Sidônio ainda não ocorreu. Se continuar assim, não haverá publicidade que dê jeito.

Problemas à vista

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) alerta para pontos que podem provocar judicialização no texto sancionado da reforma tributária. No topo da lista, limitação do direito de crédito para bens usados em atividades, como veículos e computadores aos funcionários, porque irá comprometer as operações. Em segundo, o desvirtuamento do Imposto Seletivo, que tem caráter arrecadatório, impactando negativamente setores como minério.

Já esteve melhor

A Fatto foi buscar ainda dados de uma consultoria americana de business e inteligência, a Morning Consult, que avalia mensalmente líderes de 25 países. A Morning “mostrou uma queda na aprovação do presidente Lula comparado aos seus homólogos chefes de governo. O presidente brasileiro costumava aparecer entre os cinco mais bem avaliados, mas ficou em 12º no ranking mais atualizado, divulgado na última semana. Lula aparece atrás até mesmo do impopular presidente norte-americano, Joe Biden”, diz o texto.

Primeiros & últimos

A Morning Consult apresenta Narendra Modi, da Índia, como mais bem avaliado, com 74% de aprovação. O segundo, é Claudia Sheinbaum, do México, com 65%, e, em terceiro, Javier Milei, da Argentina, com 64%. Os três últimos do ranking são: em 23º lugar, o presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk-Yeol, que está preso e afastado por impeachment; em 24º, Emmanuel Macron, da França; e, em último lugar, Petr Fiala, da República Tcheca, todos com mais de 70% de desaprovação.

Prepare-se

Para quem pretende pegar uma praia no belo litoral catarinense, melhor se prevenir. Em Santa Catarina, choveu em 24 horas o que costuma chover ao longo dos 28 dias de fevereiro. Em Balneário Camboriú, ruas totalmente alagadas. De Navegantes até lá, um trajeto que costuma levar, no máximo, 40 minutos, foi feito em seis horas, por causa da estrada parcialmente interditada.

A largada dos debates de 2025/ O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso; o ministro Gilmar Mendes; e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), têm palestras marcadas na abertura do Brazil Economic Forum Zurich, Suíça, nesta quinta-feira. O evento do Líderes Empresariais (Lide) ocorre paralelamente ao Fórum Econômico Mundial de Davos.

O Rio venceu/ Este ano, a festa de aniversário do PT será no Rio de Janeiro, terra do vice-presidente do partido, Washington Quaquá; da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco; e do deputado Lindbergh Farias. A ideia é fazer um evento com mais povo e menos pompa, como costumava ocorre nos salões de Brasília e nos centros de convenções paulistas.

Melhor resolver logo/ O clima, entretanto, não está nada bom entre a ministra Anielle Franco (foto) e Quaquá. O prefeito de Maricá recebeu, dia desses, a família dos irmãos Brazão, presos por serem acusados de mandar matar Marielle, irmã de Anielle. A ministra entrou na comissão de ética do partido pedindo punições a Quaquá.

Deu no New York Times/ Em tempos em que a internet possibilita o amor a distância, agora a inteligência artificial permite um tipo de namoro digital diferente. Uma mulher casada criou um namorado no ChatGPT e se apaixonou por ele. Vai entender os humanos.

 

Comentários negativos fazem Bolsonaro mudar estratégia de comunicação

Bolsonaro na porta do Alvorada
Publicado em coluna Brasília-DF
Coluna Brasília-DF

A estratégia de comunicação direta do governo, via redes sociais, e as entrevistas na porta do Palácio da Alvorada devem ser substituídas por notas oficiais. A ordem é evitar que o presidente fique exposto. A avaliação é de que, toda as vezes que ele se irrita com perguntas de jornalistas, fica pior.

Ali é que mora o perigo

Tem incomodado aos palacianos o fato de os anúncios nas redes sociais serem seguidos de uma onda de comentários negativos. O pior momento foi a decisão de suspensão dos salários, revogada em seguida. Bolsonaro não quer repetir aquela dose de ataques que recebeu nas redes. O problema é que, diante da pandemia, com os países tomando medidas de quarentena no mundo, o presidente está a cada dia mais isolado.