Coro Sinfônico Comunitário da UnB

Publicado em Deixe um comentárioÍntegra

Criado em 1991 pelo maestro David Junker, o CSC UnB nasceu como um laboratório. O maestro acreditava que pessoas de diferentes classes sociais, níveis de escolaridade e experiências de vida, mesmo aquelas que jamais haviam lido uma partitura, seriam capazes de apreender e interpretar obras de Mozart, Bach, Beethoven, Vaughan Williams, entre tantos outros grandes compositores.

Para testar sua hipótese, bastava um ensaio, todas as quintas-feiras. Muitos colegas, porém, duvidavam da ideia. Como costuma acontecer diante de uma proposta que rompe com o estabelecido, o ceticismo não faltou. Mas o resultado estava por vir.

No primeiro acorde do ensaio final, maestro e cantores puderam constatar o que até então era apenas uma hipótese: David Junker estava certo. Pessoas sem formação musical formal eram, sim, capazes de compreender, assimilar e dar vida a algumas das mais complexas obras do repertório coral.

E assim forma mais de duas décadas formando cantores e público na cidade.

Confira aqui a primeira apresentação do Coro Sinfônico Comunitário da UnB.

Forte abraço,

Circe Cunha

Falência da Oi 2026 – 2027 à vista

Publicado em Deixe um comentárioÍntegra

VISTO, LIDO E OUVIDO

criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) 
Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade
jornalistacircecunha@gmail.com
instagram.com/vistolidoeouvido
facebook.com/vistolidoeouvido 

A confirmação da falência da Oi, em 25 de agosto de 2026, é um símbolo além do desfecho de uma novela corporativa que já dura mais de uma década. Tratamos aqui do maior caso empresarial do período recente no Brasil: um grupo que chegou a acumular cerca de 164 mil credores e um patrimônio líquido negativo superior a R$ 22 bilhões, depois de ter voltado à recuperação judicial em 2023 com dívidas que já ultrapassavam R$ 43 bilhões. Entre a primeira decretação de falência, em 2025, a suspensão por recursos e a confirmação definitiva, um ano e meio se passou, tempo suficiente para que a estrutura da empresa se deteriorasse ainda mais, para que credores perdessem qualquer esperança de recuperação integral e para que o país inteiro assistisse, em câmera lenta, ao fim de uma das maiores companhias de telecomunicações que já existiram por aqui. O problema é que a Oi está longe de ser um caso isolado.

A falência é o fim

Ao reunir os processos mais relevantes de falência e recuperação judicial iniciados desde 2023, um padrão preocupante se desenha: setores inteiros da economia brasileira varejo, têxtil, metalurgia, aviação, papelaria, brinquedos, logística  vêm sendo empurrados para dentro dos tribunais em busca de proteção contra seus próprios credores. Saraiva, símbolo do livro e da cultura de varejo no país, teve a falência decretada em 2023 após descumprir seu plano de recuperação, com uma dívida próxima de R$ 675 milhões. A Itapemirim Transportes Aéreos viveu um processo tão conturbado que teve a falência decretada e, na sequência, anulada pela Justiça, um vaivém que por si só denuncia a fragilidade dos mecanismos de recuperação empresarial no país. Falência e recuperação judicial não são sinônimos. A falência é o fim: a liquidação dos ativos, o encerramento da atividade. A recuperação judicial, ao contrário, é uma tentativa de sobrevivência, um pedido de socorro protegido por lei para renegociar dívidas sem fechar as portas. Confundir as duas coisas, como tantas vezes acontece nas redes sociais, infla números e distorce o diagnóstico. Mas a ressalva não deve servir de conforto.

O problema

Uma recuperação judicial é, por definição, o reconhecimento formal de que uma empresa não consegue mais honrar seus compromissos sem a proteção da Justiça. E o que os números mostram é que esse reconhecimento está se tornando cada vez mais comum. Basta olhar a lista de empresas que recorreram à recuperação judicial nos últimos anos para perceber que não se trata de casos pontuais de má gestão. Bombril, símbolo doméstico há décadas. A 2W Ecobank. A Cia. de Tecidos Santanense e a Teka, dois nomes históricos da indústria têxtil nacional. A Paranapanema, após uma longa crise no setor de metais. A Rossi Residencial, arrastando dificuldades do mercado imobiliário. E, já em 2026, um conjunto de marcas que fazem parte do dia a dia de milhões de brasileiros: as Casas Bahia, o recém-formado Grupo Toky  que reúne Tok&Stok e Mobly , a rede de móveis Marabraz e a centenária fabricante de brinquedos Estrela, que apresentou plano para reestruturar uma dívida superior a R$ 109 milhões.

Consequências

Há também um efeito cascata que raramente entra nas manchetes: cada empresa em recuperação judicial carrega consigo uma rede de fornecedores, prestadores de serviço e credores menores que dependem daqueles pagamentos para sustentar seus próprios negócios. Os 164 mil credores da Oi não são uma abstração estatística  são empresas e pessoas que, em algum grau, também terão seus planos financeiros afetados pela demora e pelo desfecho do processo. Multiplicar esse efeito pelas dezenas de empresas hoje em recuperação judicial dá uma ideia do tamanho da onda de segunda ordem que ainda está por vir, mesmo que nenhum novo pedido seja protocolado a partir de hoje. O Brasil tem instrumentos legais razoavelmente sofisticados para lidar com empresas em dificuldade  a própria existência da recuperação judicial como alternativa à falência é prova disso. O problema é o uso recorrente dessas ferramentas como último recurso em um ambiente de juros altos, burocracia tributária pesada e instabilidade regulatória que segue penalizando desproporcionalmente quem mais precisa de previsibilidade para planejar investimentos de longo prazo.

Futuro

Entrar em 2027 com esse quadro ainda em aberto sem sinais claros de redução estrutural do custo de crédito, sem simplificação tributária efetivamente implementada e sem um ambiente de negócios mais previsível   parece apostar que os próximos nomes na lista não sejam mais companhias de médio porte, mas grupos ainda maiores, com efeitos ainda mais amplos sobre emprego, arrecadação e confiança do mercado. Pior do que entrar 2027 com esse conjunto de problemas é querer arrastar e anistiar para o próximo ano os personagens que tornaram essa calamidade possível. 

A frase que foi pronunciada:

“Ao optar por trocar princípios preciosos por impulsos inúteis, muitas vezes arruinei minha alma para financiar meu ego.”
Craig D. Lounsbrough

História de Brasília

Foi aí que a reunião transformou-se numa solenidade, usando da palavra o advogado da defesa Newton Antunes, e, a seguir, o promotor Sebastião Barbosa. Foi uma solenidade de grande civismo .(Publicada em 25.05.1961)

Crise do BRB tem solução

Publicado em Deixe um comentárioÍntegra

VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)

Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade

jornalistacircecunha@gmail.com

instagram.com/vistolidoeouvido

facebook.com/vistolidoeouvido

Há crises que surgem de um acidente. Outras são resultado de uma sucessão de decisões que, durante algum tempo, parecem perfeitamente administráveis, até o momento em que deixam de ser. O caso do Banco de Brasília, o BRB, começa a assumir essa segunda dimensão. Essa é uma crise que alcança o sistema financeiro, o patrimônio público, a administração do Distrito Federal e, inevitavelmente, a política. É preciso, antes de tudo, separar os fatos das especulações. O BRB continua funcionando. Não houve liquidação. Agências, contas, empréstimos e demais operações bancárias seguem em atividade. O banco continua sendo uma instituição relevante no sistema financeiro nacional e, sobretudo, para o Distrito Federal. Não há razão, portanto, para transformar uma investigação em sentença antecipada ou uma crise de governança em anúncio automático de falência. Mas tampouco há razão para fingir que nada de extraordinário está acontecendo. O simples fato de demonstrações financeiras terem sido retardadas enquanto se realizam auditorias e investigações já mostra a gravidade do momento.

Bancos vivem de confiança.

Confiança dos depositantes, dos investidores, dos parceiros comerciais, dos órgãos reguladores e, principalmente, da sociedade que, no caso do BRB, é também representada pelo controlador da instituição: o Governo do Distrito Federal. Quando um banco estatal ou controlado pelo poder público entra numa crise envolvendo operações bilionárias, a pergunta deixa de interessar apenas aos acionistas. A população tem o direito de saber quanto foi investido, quais critérios foram utilizados, quem autorizou as operações, quais controles funcionaram e quais falharam e, sobretudo, quem responderá por eventuais prejuízos. É nesse ponto que o caso Banco Master assume importância central. As operações envolvendo aquisição e negociação de carteiras de crédito passaram a ser objeto de investigações e auditorias.

Na mesma pauta: BRB e a Caixa de Pandora. Respingos nas eleições

Os prejuízos efetivamente sofridos

Entre uma ponta e outra existe um longo caminho: avaliação dos ativos, verificação de garantias, recuperação de créditos, ações judiciais e eventual responsabilização de administradores ou terceiros. Por isso, afirmar hoje que o BRB perdeu integralmente determinados valores seria precipitado. O próprio movimento da instituição demonstra que a situação exige providências excepcionais. Acionistas autorizaram medidas contra antigos administradores relacionados às operações investigadas, enquanto auditorias independentes procuram estabelecer responsabilidades e dimensionar os impactos patrimoniais. Quando uma instituição chega ao ponto de preparar ações contra integrantes de sua própria administração anterior, é evidente que estamos além de uma simples divergência burocrática. A tentativa de estruturar uma operação financeira de bilhões de reais para reforçar a posição do banco demonstra que o assunto não pode ser tratado com frases tranquilizadoras de campanha eleitoral.

As perguntas que ficam

A dependência de decisões judiciais, negociações institucionais e eventuais operações de socorro não é um cenário confortável para qualquer banco, muito menos para uma instituição cuja imagem está diretamente associada ao governo local. A pergunta inevitável é: como se chegou a esse ponto? Não basta procurar culpados depois que a crise aparece. É preciso examinar o sistema de decisões que permitiu a realização das operações agora questionadas. Quem analisou os riscos? Quais comitês participaram? Quais pareceres foram produzidos? Houve alertas internos? O conselho de administração foi informado de todos os detalhes? Os mecanismos de compliance funcionaram? Houve divergências técnicas que foram ignoradas? São perguntas que precisam ser respondidas com documentos, e não com discursos.

Relacionada: O preço das consciências que governam o Brasil

Um banco importante para os brasilienses

O Distrito Federal possui uma relação particular com o BRB. O banco carrega a marca de Brasília e tem participação direta do poder público em sua estrutura de controle. Isso significa que qualquer problema relevante ultrapassa os limites de uma empresa e alcança a responsabilidade dos administradores públicos. Não existe patrimônio público abstrato. Todo recurso pertence, em última instância, à sociedade. Se houve operações mal avaliadas, prejuízos devem ser identificados.

No furacão da política

O processo eleitoral não pode substituir a investigação técnica. Nem eleição inocenta ninguém, nem eleição condena alguém. Responsabilidades administrativas, civis e criminais precisam ser determinadas pelos órgãos competentes, com provas e respeito ao devido processo legal. Ao mesmo tempo, a população tem todo o direito de transformar a maneira como uma crise foi conduzida em elemento de julgamento político. Governantes são eleitos para administrar. Administradores públicos respondem pelas decisões tomadas sob sua gestão. Essa é uma regra elementar da democracia. O caso BRB, portanto, não desaparecerá simplesmente porque uma nova campanha eleitoral começou. Pelo contrário. Quanto maior a demora na divulgação de informações claras e auditadas, maior será o espaço ocupado por versões, boatos e especulações.

A frase que foi pronunciada:

“Cadê os bilhões do BRB?”

Eric Gustavo

História de Brasília

As pessoas que procuram a Coletoria Federal de Brasília reclamam que há poucos funcionários para o trabalho. A averbação de contratos ou recibos é feita rapidamente, mas às vêzes, os funcionários ficam presos a leituras de longos contratos, em prejuízo do funcionamento mais rápido do serviço. (Publicada em 25.05.1961)

As tentações das trinta moedas de prata

Publicado em Deixe um comentárioÍntegra

VISTO, LIDO E OUVIDO
*Criada por Ari Cunha DESDE 1960

hoje

Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade

jornalistacircecunha@gmail.com

 

Há muito se sabe que a liberdade e a dignidade humana só se realizam plenamente em sociedades enraizadas e sustentadas por laços históricos e afetivos. A tradição conservadora nasce no seio da família e nos laços de amor entre seus membros. Da mesma forma que o antropocentrismo levou o homem ao paradoxo de figura mais importante em relação a toda a criação, o socialismo diluiu o indivíduo num amálgama disforme e sem personalidade e dignidade própria à mercê de forças que, ao fim e ao cabo destroem sua existência ou a reduz à uma espécie de formigueiro despersonalizado e sem propósito. É tempo de as escolas voltarem a um modelo de ensino que combata a fragmentação cultural e o relativismo moral, tão presentes em nossos dias. No entanto, para essa lição nada moderna, será preciso antes, revitalizar a tradição conservadora mirando objetivamente na defesa dos valores e na centralidade das heranças culturais do ocidente, da religião e da estética, todos tomados como pilares da vida social. O tecido social necessita de uma certa dose de auto sacrifício e se constrói sempre de baixo para cima, ao contrário do que fazem governos do tipo centralizados e ditatoriais que destroem a responsabilidade individual e buscam miseravelmente trazer o inferno à Terra, o que tem levado historicamente a construção de verdadeiros purgatórios terrenos.

É preciso ensinar os jovens que a sociedade só se regula por meio de obrigações mútuas e que devemos ‘ser contrários ao individualismo mesquinho e niilista que transforma tudo em ruínas. O mundo moderno, nessa escola que volta a tradição vive hoje uma crise espiritual séria, com a perda progressiva da consciência do sagrado e dos limites humanos. É preciso alertar aos mais jovens para o perigo e a ilusão de que a realidade se faz concreta por meio da vontade ou do desejo. Ao contrário dos chamados progressistas, que nada mais são do que niilistas empedernidos e iconoclastas, o conservadorismo necessita de uma certa disposição e um certo vínculo afetivo com aquilo que herdamos e nos dá identidade como a língua, os costumes, as instituições, o ambiente natural, a arte e a religião.

Observe o seguinte trecho apresentado na tese de um conservador ilustre como Roger Scruton, “as coisas admiráveis são facilmente destruídas, mas não são facilmente criadas”. Veja o caso de um indivíduo que comete um atentado contra o quadro ou uma escultura clássica. Fácil danificá-la, impossível a esse vândalo será criar uma obra de igual valor artístico. Temos que fazer com que nossas crianças e jovens temam e evitem o que se observa ao redor como por exemplo o esvaziamento do sentido, a banalização estética, a corrosão da autoridade e o colapso da crença em valores objetivos.

Num ambiente normal, a escola deveria ensinar que a verdade, o bem e o belo não são apenas convenções sociais, mas sim uma realidade objetiva que só se revela quando existe uma educação voltada para a consciência da importância do amor a tradição, a responsabilidade moral com a comunidade. A liberdade, já diziam os antigos, está sempre a uma geração. O que equivale a dizer que há cada nova geração há que lutar para preservá-la. O acúmulo de saber deve ser preservado e levado adiante e cabe as escolas mantê-lo vivo e vibrante. Nesse ponto é preciso destacar que nesse modelo que temos que regressar sempre que a coisa desanda, como vemos agora no Brasil, deveria ser grande a responsabilidade política para isto aconteça de fato.

Em nosso caso particular, o ensino não deve seguir o caminho fácil das abstrações utópicas e se concentrar na herança e na complexidade histórica a nos deixada pelas gerações passadas. As escolas num país justo, deveriam ensinar a importância do direito de propriedade e do ver com os menos afortunados. Ensinar coisas simples como o valor inegociável do amor, do sexo, da beleza e tudo o que não deve ser colocado à venda como é o caso da dignidade e dos valores morais e éticos. Ensinar as novas gerações sobre a importância de observar com cautela o aumento do poder estatal e da política ideológica, sobre o que realmente importa que é vida e os laços humanos, livres e saudáveis. Ensinar que a beleza, faz par com a verdade e que essa é uma necessitada básica e metafísica, capaz de trazer paz e harmonia. A ordem do mundo deve estar em equilíbrio com a ordem interior.

Ensinar que o tesouro a ser buscado por cada um não está num baú ou em trintas moedas de prata e sim, na cultura, no saber e na felicidade de entender o mundo com clareza justa. Ensinar aos nossos alunos que a infelicidade está sendo fermentada no caldeirão dos radicalismos e da indiferença pós-moderna e na banalização da estética, entendendo que a política, como erroneamente praticada entre nós, só nos tem conduzido a ilusão de onipotência. Para tanto é preciso despertar nos alunos a prudência máxima em relação a propaganda política e as receitas fáceis de um céu. A Venezuela, com seu socialismo do século 21, pode servir como exemplo dessa construção de uma Torre de Babel moderna, que destruiu completamente aquele país, outrora próspero e cheio de oportunidades.

A frase que foi pronunciada:

“A educação é a passagem das trevas para a luz.”

Allan Bloom

História de Brasília

Assim, Mazzola e Sormani, considerados italianos pelas leis do país amigo e integrando a seleção peninsular no Campeonato do Mundo, da qual não poderão participar a não ser como cidadãos italianos, preferiram outra nacionalidade, adquiriram outra nacionalidade por “naturalização voluntária”, pois essa expressão, como se viu, abrange a ligação posterior, voluntária, qualquer que seja, a outro Estado. (Publicada em 25.05.1962)

O passado medieval volta a escola do futuro

Publicado em Deixe um comentárioÍntegra
VISTO, LIDO E OUVIDO
*Criada por Ari Cunha DESDE 1960
Hoje com Circe Cunha e Mamfil, Manoel de Andrade

 

Vivemos a década em que a inteligência artificial resolve equações impossíveis, e em que a computação quântica promete redesenhar a própria noção de cálculo. Seria de se esperar, portanto, que a escola mais bem-sucedida do nosso tempo fosse também a mais tecnológica: telas em toda carteira, algoritmos adaptativos, gamificação, realidade aumentada. A surpresa incômoda para boa parte dos educadores que apostaram todas as fichas na inovação digital é que algumas das experiências educacionais mais consistentes e mais celebradas da atualidade vêm de escolas que fizeram o caminho inverso. Em vez de acumular ferramentas novas, essas escolas desenterraram uma ferramenta muito antiga: o Trivium, estrutura de ensino da gramática, da lógica e da retórica que organizava as escolas monásticas e as primeiras universidades da Idade Média.
A pista para entender esse movimento está em um pequeno ensaio de 1947, “As Ferramentas Perdidas da Aprendizagem”, da escritora e tradutora britânica Dorothy Sayers. Nele, Sayers argumenta: o modelo escolar herdado da Revolução Industrial com disciplinas fatiadas, conteúdos decorados, conclusões prontas entregues ao aluno para memorização produz jovens abarrotados de informação e, ao mesmo tempo, incapazes de articular um raciocínio próprio. O Trivium, ao contrário, não ensina “matérias”: ensina operações da mente. Na fase da gramática, a criança pequena absorve fatos, vocabulário e estruturas com a avidez natural de quem aprende com prazer. Na fase da lógica, o pré-adolescente aprende a organizar esses fatos, a identificar falácias, a argumentar com coerência e sentido. Na fase da retórica, o jovem aprende a comunicar suas próprias conclusões com clareza e beleza. O resultado pretendido não é o aluno que sabe a resposta certa, mas o aluno que sabe como chegar a qualquer resposta ou a definição mais precisa possível do que significa aprender a aprender.
Esse programa, que soa arcaico à primeira vista, é hoje o motor de um dos movimentos educacionais de crescimento mais rápido nos Estados Unidos. A chamada educação clássica, presente tanto em redes de escolas particulares quanto em um contingente expressivo de famílias que educam os filhos em casa, multiplicou o número de escolas cristãs clássicas de poucas dezenas para centenas nas últimas três décadas, um crescimento que os próprios pesquisadores do campo descrevem como o mais acelerado entre os modelos alternativos de ensino no país.
Levantamentos como o Cardus Education Survey, que acompanhou mais de mil egressos desse tipo de escola, mostram diferenças difíceis de ignorar: cerca de 81% desses alunos ingressam imediatamente no ensino superior, contra 59% dos egressos de escolas públicas e 64% dos egressos de escolas católicas tradicionais na mesma pesquisa; e cerca de 64% concluem a graduação, taxa superior à de pares oriundos de escolas evangélicas convencionais e de escolas públicas.
O Ideb, índice brasileiro que combina proficiência e fluxo escolar numa escala de 0 a 10, chega a 6,0 nos anos iniciais do ensino fundamental, mas cai para 5,0 nos anos finais e desaba para 4,3 no ensino médio sinal de que a escola brasileira perde o aluno exatamente na fase em que ele deveria estar desenvolvendo capacidade de argumentação e leitura crítica. Organizações da sociedade civil apontam o investimento público insuficiente, historicamente abaixo de 4% do PIB, como um dos fatores estruturais por trás desse quadro, ao lado de políticas como a progressão continuada sem mecanismos eficazes de reforço pedagógico, que reduziram a evasão escolar mas não resolveram o déficit de aprendizagem.
Há sinais, ainda tímidos, de que parte do Brasil já percebeu o problema. Nos últimos anos, multiplicaram-se pelo país pequenas escolas particulares e grupos de ensino domiciliar que se autodenominam “clássicos” e adaptam o Trivium à realidade brasileira, com aulas de latim, debate e leitura de textos originais em vez de resumos didáticos. São iniciativas ainda restritas a famílias de maior poder aquisitivo e a nichos urbanos, sem qualquer equivalente na rede pública, que concentra a esmagadora maioria dos alunos do país.
Um país que decora fórmulas sem compreender por que elas funcionam, que treina para o gabarito da prova em vez de para o argumento, continuará produzindo jovens tecnicamente equipados e intelectualmente desarmados diante da próxima onda de mudança, seja ela a inteligência artificial, a computação quântica, ou qualquer outra que ainda venha a ter um nome que ainda não conhecemos.

A frase que foi pronunciada:
“Temos uma população alfabetizada, no sentido de que todos são capazes de ler e escrever; porém, devido à ênfase dada à formação científica e técnica em detrimento das humanidades, muito poucos dos nossos cidadãos aprenderam a compreender e a usar a linguagem como instrumento de poder.”
Dorothy Sayers

Imundície
Constrangedora a situação dos banheiros do Aeroporto Internacional da capital do país. Na quarta feira pela manhã a situação estava alarmante.

História de Brasília
Pontes de Miranda esclarece mais, examinando justamente os casos dos possuidores de dupla nacionalidade (caso de Mazzola e Sormani): “O que lhe importa (ao Brasil) é saber que o seu nacional prefere outra nacionalidade. Portanto, a expressão “naturalização Voluntária” abrange, no inciso I, a ligação posterior, voluntária, qualquer que seja a outro estado”. (Publicada em 25.05.1962)

A cruz esquecida e o que as lições da Europa

Publicado em Deixe um comentárioÍntegra

VISTO, LIDO E OUVIDO
*Criada por Ari Cunha DESDE 1960

hoje

Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade

Há países que se tornam laboratórios involuntários da história. A França de hoje, com suas escolas sem crucifixos, seus debates intermináveis sobre véu e burquíni, e bairros inteiros onde o francês do dia a dia convive com o árabe das mesquitas e o pregão dos muezins, é um desses laboratórios. Não porque tenha sido “invadida” por um exército, mas porque, ao longo de décadas, abriu mão de afirmar com clareza aquilo que a constituía como nação, ou seja, sua herança greco-romana, judaico-cristã e iluminista e isso obviamente deixou um vácuo que, como todo vácuo civilizacional, não permaneceu vazio, sendo imediatamente ocupado.
A laicidade francesa, nascida da separação entre Igreja e Estado em 1905, foi concebida como neutralidade: o Estado não professa nenhuma fé, mas também não combate nenhuma. Na prática recente, porém, essa neutralidade se transformou, em muitos espaços públicos, em apagamento ativo dos símbolos cristãos onde as cruzes foram retiradas de repartições, presépios contestados na Justiça, calendário escolar cada vez mais desvinculado de suas raízes cristãs. O paradoxo é cruel: o mesmo país que se orgulha de ter decapitado reis em nome da razão, hesita décadas depois, em nomear com igual firmeza os limites que pretende impor a costumes importados, incluindo interpretações da sharia que disputam, em bairros inteiros, a primazia sobre o direito civil francês. A cultura é como natureza : abomina o vácuo. Quando uma sociedade permite deixar de transmitir às novas gerações sua própria memória religiosa e cívica, ela não fica “neutra”: fica disponível. E o que ocupa o espaço disponível não é escolhido por decreto, mas pela vitalidade de quem ainda crê, ainda batiza os filhos, ainda organiza a vida cotidiana em torno de uma fé praticada.
A França tem hoje a maior comunidade muçulmana da Europa Ocidental em números absolutos cerca de 5,7 milhões de pessoas segundo o Pew Research Center, mais que a soma dos muçulmanos de países como Catar e Bahrein. É uma comunidade heterogênea, majoritariamente integrada e distante dos estereótipos que a imprensa sensacionalista explora; mas é também, em certos bairros de Paris, Marselha ou Roubaix, uma presença numericamente dominante, com suas próprias regras informais de convivência, enquanto os templos cristãos ao redor esvaziam e, não raro, são vendidos e convertidos a outros usos. Quem caminha por certas ruas de Saint-Denis ou do 18º arrendores de Paris relata a sensação de estar em outro país não por preconceito, mas porque a paisagem humana, comercial e religiosa de fato mudou. Isso não é, como às vezes se afirma com exagero retórico, uma “tomada de território” orquestrada; é o resultado, mais prosaico e mais preocupante, de décadas de imigração pouco planejada somadas ao recuo silencioso da prática cristã entre os próprios franceses.
Esse deslocamento demográfico caminha lado a lado com um deslocamento simbólico. Escolas que antes marcavam o calendário letivo pelo Natal e pela Páscoa hoje evitam até menções explícitas a essas datas em nome da neutralidade; hospitais e prefeituras retiram crucifixos que estavam pendurados havia gerações; e, na direção oposta, cresce a demanda por refeitórios com opções halal, por horários de oração respeitados em ambientes de trabalho e por interpretações informais de normas de conduta baseadas na sharia em bairros onde o Estado francês, na prática, mal se faz presente.
Afinal de contas, a quem interessa essa discussão? Por que nós, brasileiros precisamos ficar atentos? Porque os mesmos mecanismos , secularização acelerada, esvaziamento das igrejas, relativismo cultural travestido de tolerância, associado a fluxos migratórios cada vez mais intensos e pouco regulados, não são exclusividade europeia. O Brasil, herdeiro da mesma matriz greco-romana e judaico-cristã, vive seu próprio processo de afastamento das tradições que historicamente deram coesão à nação: queda na frequência às igrejas entre os jovens, disputas judiciais sobre símbolos religiosos em espaços públicos, e um discurso público que, muitas vezes, trata a preservação de valores como sinônimo de atraso. Advogar por Sharia em solo brasileiro ainda soa distante, mas a lição francesa não é sobre Sharia especificamente, é sobre o que acontece quando uma civilização deixa de acreditar em si mesma. Defender a herança cultural do Ocidente não é, como pretendem seus críticos, uma forma de xenofobia. É reconhecer, com dados e sem eufemismos, que nenhuma sociedade sobrevive a longo prazo esvaziada de sentido próprio. Se a França de hoje serve de alerta, que sirva também de convite: cultivar as próprias raízes, a família, a cruz, mas também a ética cívica e o legado republicano que dela derivam antes que o vácuo, mais uma vez, seja preenchido por quem tem mais fé e vontade do que nós.

A frase que foi pronunciada:
“Aqueles que, diante do Islã, refletem sobre a própria fé, dificilmente alcançam uma compreensão abrangente da outra religião como um mundo independente. Trata-se meramente de uma contra-imagem. Modelos muito diferentes.”
Hans Zirker

História de Brasília
Pontes de Miranda, o acatado constitucionalista, comentando o art. 130 da Constituição, ensina que desde que “o brasileiro dê ensejo a que o Estado estrangeiro o considere seu nacional, “Há perda da nacionalidade brasileira.”.(Publicada em 25.05.1962)

  Debate eleitoral é uma obrigação moral e ética

Publicado em Deixe um comentárioÍntegra

VISTO, LIDO E OUVIDO
*Criada por Ari Cunha DESDE 1960

hoje

Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade

Em conversa com Alcidina da Cunha Costa sobre as eleições ela pontuou com precisão cirúrgica: “Em toda democracia minimamente funcional, o período eleitoral representa um raro momento em que o cidadão deixa de ser mero espectador da política para assumir, ainda que por breve intervalo, a posição de verdadeiro soberano.” Essa é a importância do momento que se aproxima. Quando candidatos, partidos e grupos políticos precisam descer dos gabinetes, abandonar as solenidades do poder e submeter suas ideias ao julgamento direto do eleitor. Findas as eleições, essa relação costuma se inverter. O cidadão volta ao papel de observador e muitas vezes vítimas por opção própria, enquanto os eleitos passam a conduzir os destinos da administração pública durante quatro anos, fazendo, às vezes, o contrário do que prometeu.
 Exatamente por isso, debates, entrevistas e sabatinas não podem ser vistos como simples eventos de campanha. Constituem instrumentos essenciais de prestação de contas e de fiscalização preventiva por parte da sociedade. Mas é estranho que um sistema eleitoral marcado por milhares de normas, resoluções e restrições não imponha uma obrigação elementar: a participação dos candidatos em debates públicos. A legislação estabelece regras detalhadas para propaganda eleitoral, financiamento de campanhas, distribuição de tempo de televisão, pesquisas de opinião, prestação de contas e inúmeras formalidades burocráticas. Entretanto, deixa inteiramente ao critério dos próprios candidatos decidir se desejam ou não enfrentar perguntas da imprensa, dos adversários e, sobretudo, dos eleitores.
 Sempre que um candidato aparece liderando pesquisas ou considera que possui mais a perder do que a ganhar, cresce a tentação de evitar qualquer confronto de ideias. Do ponto de vista democrático, representa evidente empobrecimento do processo político. O debate eleitoral nunca foi concebido para favorecer candidatos, quem ganha com as idéias é o eleitor. Talvez por isso, candidatos evitem a oportunidade para comparar propostas, observar o preparo técnico dos concorrentes, avaliar o equilíbrio emocional diante de situações adversas e verificar a coerência entre discursos atuais e ações do passado. Campanhas publicitárias mostram apenas aquilo que os marqueteiros desejam exibir. São palavras vazias que nem mais ingleses querem ver. Já os debates revelam aspectos que nenhum roteiro consegue controlar completamente.
Isso é grave. Mas mais aterrorizante ainda é a lacuna recorrente do sistema político brasileiro. Os programas de governo apresentados durante as campanhas raramente possuem caráter vinculante, o que deveria ser razão para recall. Diferente do impeachment, o recall é uma ferramenta dos eleitores de países democráticos que permite a retirada de um político eleito ao cargo, antes do fim do mandato. A explicação mais simples é que “trata-se de um mecanismo de democracia direta que permite aos eleitores tentar retirar um político eleito do cargo antes do fim do mandato”. É diferente de impeachment, cassação ou voto de desconfiança porque, em sua forma clássica, a iniciativa parte dos eleitores.  Evidentemente, governos enfrentam circunstâncias imprevistas que exigem adaptações. Mas ainda assim, alguma forma de compromisso formal fortaleceria a relação de confiança entre representantes e representados.
Nesse contexto surge a recente declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que não pretende participar de debates eleitorais em eventual campanha pela reeleição. Quem não tem o que ocultar, vem de cara limpa para o meio da praça. A discussão ganha relevância porque, ao longo do atual mandato, o presidente participou de inúmeros eventos públicos, cerimônias oficiais, viagens nacionais e internacionais, entrevistas e atos políticos. Seus críticos observam que essa intensa presença em palanques e eventos torna ainda mais difícil compreender a resistência em participar justamente de debates durante o período eleitoral. Já seus apoiadores argumentam que a comunicação cotidiana do governo seria suficiente para apresentar suas posições ao eleitorado. Trata-se, portanto, de mais uma contradição política pouco ou nada legítima que deverá ser avaliada pelo próprio eleitor com a maior atenção.
A frase que foi pronunciada:
“Não levante a voz, aprimore seu argumento.”
 Desmond Tutu
Médico criativo
Marcelo Moreira, diretor substituto da Terceira Diretoria, Vivian Morais,
Gerência Geral de Tecnologia de Produtos para Saúde, Mariana Gradim da
Coordenação de Pesquisa Clínica em Produtos para a Saúde trabalhar elaboraram o edital da ANVISA que aguarda novas propostas inovadoras de dispositivos médicos, ou produtos para a Saúde.  Em 2023 todos os classificados não chegaram ao ponto de registrar o produto. Apenas para ilustrar sobre dispositivos médicos vamos lembrar da cientista e química brasileira Lívia Schiavinato Eberlin, formada pela Unicamp e professora nos Estados Unidos que inventou a MasSpec Pen (caneta de massa espectrométrica). O dispositivo consegue diagnosticar tecidos cancerígenos em apenas 10 segundos durante uma cirurgia, diferenciando com alta precisão partes saudáveis e tumorais.
História de Brasília
Pontes de Miranda, o acatado constitucionalista, comentando o art. 130 da Constituição, ensina que desde que “o brasileiro dê ensejo a que o Estado estrangeiro o considere seu nacional, “Há perda da nacionalidade brasileira.”.(Publicada em 25.05.1962)

O retrato em preto e branco da educação no Distrito Federal

Publicado em Deixe um comentárioÍntegra

VISTO, LIDO E OUVIDO
*Criada por Ari Cunha DESDE 1960

hoje

Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade

jornalistacircecunha@gmail.com

Durante décadas, Brasília construiu a imagem de possuir uma das melhores redes públicas de ensino do país. Capital da República, sede dos principais órgãos federais e uma das unidades da Federação com maior renda per capita, o Distrito Federal sempre foi visto como um lugar naturalmente vocacionado para oferecer educação pública de excelência. Contudo os números mais recentes divulgados pelo Ministério da Educação, sugerem que essa realidade mudou para pior ao longo dos anos e hoje se apresenta bem diferente daqueles discursos oficiais que insistem mostrar que tudo vai bem. O resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) referente a 2025 revelou que o ensino médio público do Distrito Federal alcançou nota 4,1, inferior à média nacional de 4,5. Mais preocupante ainda é constatar que a rede pública do DF recuou em relação ao levantamento anterior, quando havia registrado 4,2 em 2023. Enquanto o país, ainda que lentamente, procura recuperar as perdas educacionais provocadas pela pandemia, Brasília caminha na direção oposta.
]O desempenho também ficou muito distante da meta de 5,2 estabelecida pelo próprio MEC para essa etapa de ensino. O Ideb combina dois fatores fundamentais para medir a qualidade da educação: o desempenho dos estudantes nas avaliações nacionais do Saeb, especialmente em língua portuguesa e matemática, e as taxas de aprovação escolar. O índice procura medir, simultaneamente, aprendizagem e eficiência do sistema educacional. Parece que há um descaso progressivo a envolver não só os alunos, seus familiares, o corpo docente e todos os diretores de ensino dentro e fora das escolas, própria sociedade tem parte nessa cadência na qualidade das escolas públicas. E notem que no Distrito Federal, a participação dos estudantes foi suficientemente ampla para conferir credibilidade estatística ao levantamento. Participaram da avaliação 91,3% dos alunos do 5º ano, 87,2% do 9º ano e 80,3% dos estudantes da 3ª série do ensino médio. Ou seja, não há espaço para atribuir os resultados a uma eventual baixa adesão das escolas ao exame. O aspecto mais preocupante talvez seja o contraste entre os recursos disponíveis e os resultados alcançados.
Entre as unidades da Federação, o Distrito Federal figura historicamente om maior arrecadação tributária por habitante, maior remuneração média dos professores da rede pública e maior capacidade de investimento em infraestrutura escolar. A própria União banca o ensino. Em tese, esses fatores deveriam produzir indicadores superiores aos da média brasileira. O que se observa, porém, é exatamente o contrário. A queda de apenas um décimo pode parecer pequena para quem observa apenas a tabela de resultados. Na educação, entretanto, oscilações dessa natureza costumam representar milhares de estudantes deixando a escola sem domínio adequado da leitura, da interpretação de texto e da matemática básica. Trata-se de uma geração inteira que chega ao mercado de trabalho ou ao ensino superior carregando deficiências acumuladas ao longo de toda a formação escolar.
O planejamento educacional do governo federal previa uma trajetória gradual de crescimento do Ideb do ensino médio, chegando ao patamar de 5,2. Permanecer estacionado em torno de 4 pontos significa que o sistema deixou de avançar no ritmo esperado, ampliando a distância entre o desempenho desejado e o efetivamente alcançado. Há dificuldades relacionadas à aprendizagem em português e matemática, elevadas taxas de evasão no ensino médio, deficiência na formação continuada dos professores, problemas de gestão escolar e uma crescente dificuldade em manter os alunos motivados dentro das salas de aula. Além disso a disciplina, elemento fundamental para o processo ensino-aprendizagem vai de mal a pior. Outro aspecto é a excessiva instabilidade das políticas educacionais, que mudam a cada governo, quando surgem novos programas, novas metodologias e novas prioridades administrativas, todas desligadas entre si. Projetos são interrompidos antes de amadurecerem, enquanto reformas curriculares sucedem-se sem que seus resultados possam ser devidamente avaliados. A educação exige continuidade e planejamento de longo prazo mas acaba submetida ao calendário político. Enquanto isso, países que lideram os principais indicadores internacionais de educação seguem caminho oposto. Sistemas como os da Finlândia, Estônia, Coreia do Sul, Singapura e Canadá mantêm políticas estáveis durante décadas, investem fortemente na formação de professores, valorizam o ensino das disciplinas fundamentais e utilizam avaliações permanentes para corrigir deficiências antes que elas se consolidem.
Quando uma rede pública começa a perder desempenho justamente na capital da República, onde recursos financeiros e capital humano são relativamente mais abundantes, torna-se inevitável perguntar o que está acontecendo com o modelo educacional adotado aqui no DF. Seria o ideal que o resultado divulgado nesta semana não alimentasse disputas partidárias nem servisse de munição para governos ou opositores. O que os pagadores de impostos esperam é um chamado geral para recolocar a qualidade da aprendizagem no centro das prioridades da educação pública do Distrito Federal.

A frase que foi pronunciada:
“Os governos nunca aprendem. Só as pessoas aprendem.”
Milton Friedman

História de Brasília

Mazzola e Sormani somente poderão jogar pela Itália se forem italianos e é nessa qualidade, de acôrdo com as leis italianas, que vão participar da Copa do Mundo (mesmo porque, se se declararem brasileiros não poderão integrar a seleção de nenhum outro país, a não ser a do Brasil). (Publicada em 25.05.1962)

A diplomacia capturada

Publicado em Deixe um comentárioÍntegra

VISTO, LIDO E OUVIDO
*Criada por Ari Cunha DESDE 1960

hoje

Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade

jornalistacircecunha@gmail.com

Poucas instituições do Estado brasileiro construíram, ao longo de sua história, um patrimônio de credibilidade comparável ao do Itamaraty. Durante mais de um século, a diplomacia nacional foi reconhecida por uma rara combinação de profissionalismo, continuidade e capacidade de dialogar com governos de todas as orientações ideológicas. Presidentes entravam e saíam do Palácio do Planalto, crises internacionais surgiam e desapareciam, mas permanecia a percepção de que a política externa brasileira obedecia, acima de tudo, aos interesses permanentes do Estado. Essa tradição, construída pacientemente por sucessivas gerações de diplomatas, parece hoje submetida a uma pressão crescente provocada pela politização ideológica extremada que atualmente domina o país. As recentes tensões entre Brasil e Estados Unidos ilustram de forma eloquente todo esse processo. Em poucas semanas assistiu-se a uma sucessão de declarações públicas incomuns entre dois países que mantêm relações diplomáticas há mais de duzentos anos. Houve críticas do secretário de Estado americano Marco Rubio, respostas do governo brasileiro, manifestações do ministro Mauro Vieira e um artigo assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na imprensa americana defendendo uma visão totalmente obtusa sobre o relacionamento bilateral.
A discussão, que tradicionalmente ocorreria nos canais reservados da diplomacia, passou a ocupar manchetes internacionais, transformando divergências políticas em espetáculo público Quem chamou atenção para esse fenômeno foi justamente alguém que conhece por dentro a máquina diplomática brasileira. Ex-embaixador do Brasil em Washington e presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior, Rubens Barbosa afirmou que a relação bilateral entrou numa escalada inédita de confrontação política e alertou para os riscos da excessiva politização das relações exteriores. Para Barbosa, quando a diplomacia deixa de atuar como política de Estado e passa a refletir disputas ideológicas domésticas, o país perde capacidade de negociação e reduz seu espaço de influência internacional. Não é a submissão que se deseja sobre qualquer potência estrangeira, tampouco de abdicar da soberania nacional. Países soberanos divergem entre si diariamente. A questão central reside na forma como essas divergências são administradas.
Os Estados Unidos continuam sendo uma das maiores economias do planeta, importante destino das exportações brasileiras, fonte de investimentos, tecnologia e cooperação científica. O Brasil, por sua vez, representa parceiro estratégico na América do Sul, potência agrícola, energética e mineral. Há interesses objetivos suficientes para recomendar prudência, equilíbrio e capacidade de diálogo.
Em meio a esse ambiente conturbado, ganhou repercussão internacional um artigo publicado por Mary Anastasia O’Grady, colunista do Wall Street Journal. Em sua análise, a jornalista apresentou uma interpretação profundamente crítica sobre a situação institucional brasileira, argumentando que decisões recentes representariam riscos ao Estado de Direito e às liberdades civis. É a opinião da autora, não de uma posição oficial do governo americano nem do próprio jornal, mas o fato de avaliações dessa natureza encontrarem espaço em um dos mais influentes veículos econômicos do mundo revela como a imagem internacional do Brasil tornou-se objeto de críticas intensas. Investidores internacionais acompanham atentamente a estabilidade institucional dos países onde aplicam seus recursos. Empresas avaliam previsibilidade jurídica antes de instalar fábricas ou ampliar operações. Agências de classificação de risco observam o ambiente político com a mesma atenção dedicada aos indicadores econômicos. Em economia internacional, percepção frequentemente produz efeitos concretos. A história demonstra que diplomacias excessivamente identificadas com governos específicos costumam perder eficiência quando esses governos deixam o poder. Foi exatamente para evitar esse problema que o Itamaraty construiu, ao longo de décadas, uma cultura institucional baseada na continuidade administrativa e na defesa permanente dos interesses nacionais. Essa tradição permitiu ao Brasil dialogar simultaneamente com democracias liberais, monarquias constitucionais, repúblicas presidencialistas e governos de diferentes orientações ideológicas sem comprometer sua credibilidade.
O risco agora é transformar divergências naturais entre governos em crises duradouras entre Estados. O comércio exterior oferece inúmeros exemplos do custo dessa estratégia. Barreiras tarifárias, dificuldades regulatórias, atrasos em acordos comerciais e redução de investimentos raramente atingem governos específicos. Seus efeitos recaem sobre empresas, trabalhadores e consumidores. Quando exportações diminuem, quem perde mercado é o produtor nacional. Quando investimentos são adiados, empregos deixam de ser criados. Quando aumenta a insegurança diplomática, cresce o custo de fazer negócios. E olha que não está sendo discutido aqui a questão das tarifas sobre os produtos brasileiros, que estão pagando o pato pela postura do atual governo. Ao longo de sua história, o Brasil conquistou respeito internacional justamente por evitar alinhamentos automáticos e confrontos desnecessários.
A frase que foi pronunciada
“A história será gentil comigo, pois pretendo escrevê-la.”
Winston S. Churchill
História de Brasília
Jogar futebol na Itália, na França, no Congo ou na China, não acarreta a perda da nacionalidade. Mas se um brasileiro, voluntariamente, sem nenhuma coação de país estrangeiro, pratica um ato, qualquer que seja, demonstrando a sua preferência por outra nacionalidade, está dando causa expressa para que seja declarada a perda da sua nacionalidade brasileira. A nossa Constituição (art. 130) estabelece que perde a nacionalidade brasileira o brasileiro (n. I) “que, por naturalização voluntária, adquirir outra nacionalidade”. (Publicada em 25.05.1962)

Água e energia a preços de primeiro mundo

Publicado em Deixe um comentárioÍntegra

VISTO, LIDO E OUVIDO
*Criada por Ari Cunha DESDE 1960

hoje

Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade

jornalistacircecunha@gmail.com

Poucos países do mundo reúnem tantas condições naturais para oferecer energia elétrica e água de qualidade a custos reduzidos quanto o Brasil. O território nacional abriga cerca de 12% da água doce superficial do planeta, possui uma das maiores redes hidrográficas existentes, ocupa posição privilegiada em incidência solar durante praticamente todo o ano e dispõe de extensas áreas favoráveis à geração de energia eólica. A matriz elétrica brasileira continua sendo uma das mais limpas do mundo, com predominância das fontes renováveis, sobretudo da energia hidrelétrica. Ainda assim, milhões de brasileiros convivem mensalmente com contas de luz e de água que comprometem parcela crescente do orçamento familiar. O consumidor raramente paga apenas pela energia que consome. A conta de luz transformou-se, ao longo das últimas décadas, num verdadeiro labirinto de tributos, encargos setoriais, subsídios cruzados, custos regulatórios, perdas operacionais e investimentos obrigatórios. O quilowatt-hora produzido por uma usina hidrelétrica pode custar relativamente pouco. Entre a geração e a tomada da residência, entretanto, acumulam-se impostos estaduais, contribuições federais, custos de transmissão, distribuição e uma série de encargos criados supostamente para financiar políticas públicas dentro e fora da área do setor elétrico. Em alguns estados, quase metade da fatura corresponde a componentes que pouco têm relação direta com a energia efetivamente consumida.
Situação semelhante ocorre com a água. Embora seja um recurso natural abundante em grande parte do território brasileiro, sua distribuição depende de sistemas complexos de captação, tratamento e transporte. Décadas de investimentos insuficientes em saneamento básico criaram um passivo bilionário. Em muitas cidades, as perdas na distribuição ultrapassam 35% da água tratada. Em outras palavras, mais de um terço da produção simplesmente desaparece antes de chegar ao consumidor, seja por vazamentos, seja por ligações clandestinas. O desperdício acaba incorporado às tarifas pagas pela população. Não deixa de ser curioso que um país frequentemente apresentado como potência ambiental imponha ao cidadão custos equivalentes ou superiores aos encontrados em diversas economias desenvolvidas.
O setor elétrico brasileiro passou por profundas transformações desde os anos 1990. Privatizações, concessões, renovação de contratos e criação de novos agentes alteraram significativamente o funcionamento do mercado. Em tese, a abertura à iniciativa privada buscava aumentar investimentos, eficiência operacional e qualidade dos serviços. Em muitos segmentos houve efetivamente modernização da infraestrutura. Em outros, porém, surgiram novos desafios regulatórios, especialmente relacionados ao equilíbrio entre interesse público, segurança energética e remuneração dos investidores. Os debates mais recentes envolvendo ativos do setor mostram como o tema permanece sensível. A aquisição de termelétricas da Eletrobras pela Âmbar Energia, empresa pertencente ao grupo J&F, controlador da JBS, trouxe novamente para o centro das discussões questões relativas à formação de preços, à segurança do abastecimento e aos impactos financeiros para os consumidores. Paralelamente, as negociações envolvendo a situação da distribuidora Amazonas Energia suscitaram intenso debate entre governo, Agência Nacional de Energia Elétrica e agentes privados acerca da distribuição dos custos da operação. Independentemente do mérito de cada decisão, episódios dessa natureza demonstram que as escolhas regulatórias podem produzir efeitos econômicos relevantes ao longo das próximas décadas para milhões de brasileiros. Outro elemento frequentemente negligenciado é a expansão das fontes complementares de geração. Nos períodos de estiagem, quando os reservatórios das hidrelétricas reduzem sua capacidade, entram em operação usinas termelétricas movidas a gás natural, óleo combustível ou carvão mineral. Essas unidades apresentam custo significativamente superior ao da geração hidráulica. Sempre que acionadas em larga escala, pressionam imediatamente as tarifas pagas pelos consumidores por meio das bandeiras tarifárias. Assim, mesmo um país dotado de extraordinário potencial hidrelétrico continua dependente de soluções mais caras em determinados períodos do ano.
O Brasil também construiu um dos maiores sistemas interligados de transmissão de energia do mundo. A extensão territorial impõe investimentos permanentes em linhas de transmissão capazes de levar eletricidade produzida no Norte e Nordeste até os grandes centros consumidores do Sudeste e Sul. Essa infraestrutura representa importante patrimônio nacional, mas exige manutenção constante e elevados investimentos que inevitavelmente são incorporados anualmente às tarifas. No caso do saneamento, os desafios não são menores. Apesar dos avanços recentes decorrentes do novo marco legal, milhões de brasileiros ainda vivem sem coleta de esgoto e sem abastecimento regular de água tratada. públicas. O verdadeiro desafio consiste em construir um ambiente regulatório transparente, previsível e eficiente, capaz de atrair investimentos sem transferir ao consumidor encargos excessivos ou custos decorrentes de ineficiências administrativas.
A frase que foi pronunciada:
“A frequência de cobranças indevidas nas contas de água e energia elétrica é tão elevada que inevitavelmente desperta dúvidas sobre a confiabilidade dos processos de cobrança.”
Luis Saboia
História de Brasília
Pontes de Miranda, o acatado constitucionalista, comentando o art. 130 da Constituição, ensina que desde que “o brasileiro dê ensejo a que o Estado estrangeiro o considere seu nacional, há perda da nacionalidade brasileira “. (Publicada em 25.05.1962)