Eleições e a borracha do esquecimento

Publicado em Íntegra

VISTO, LIDO E OUVIDO
*Criada por Ari Cunha DESDE 1960

hoje

Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade

jornalistacircecunha@gmail.com

 

Não seria minimamente razoável, e até contra os mais elementares princípios da ética, entrarmos num processo eleitoral amplo e polarizado, como se anuncia, sem antes resolvermos os maiores e mais escandalosos casos de corrupção já vistos nesse país. Eleições  não possuem o condão de passar uma borracha sobre os casos rumorosos recentes do Banco Master/BRB, dos descontos indevidos em benefícios  do INSS, dos desvios em emendas parlamentares, o comércio de decisões judiciais, as fraudes em licitações públicas, a corrupção na Receita Federal e no pe4.orto do Rio de Janeiro, a lavagem de dinheiro envolvendo apostas esportivas, o caso dos fundos de previdência estaduais, as operações da CGU e da Polícia Federal e ainda o sumiço das imagens da quebradeira de 8 de janeiro, o caso Tayayá e outros que se perderam na poeira do esquecimento somados os que ainda não vieram à tona.

Os nomes estão todos aí, prontos para disputar novas posições políticas, sobretudo o pessoal da esquerda sobre os quais pesam a grande maioria desses casos mal explicados e inconclusos. A questão que se coloca é simples. Uma democracia madura não pode transformar cada eleição numa espécie de anistia moral dos escândalos que a antecederam. O voto popular escolhe governantes. Não absolve investigados, não arquiva inquéritos, não encerra auditorias nem substitui o trabalho da Justiça e dos órgãos de controle. É bom lembrar que quando uma campanha eleitoral ocupa completamente o espaço público, existe sempre o risco de que fatos gravíssimos desapareçam do noticiário antes mesmo de serem plenamente esclarecidos.

A história republicana brasileira oferece inúmeros exemplos dessa dinâmica. Como várias CPIs onde o resultado é uma sucessão de episódios que jamais receberam resposta definitiva perante a sociedade. Em muitos casos houve investigações, denúncias e processos. Em outros, houve condenações. Em diversos, contudo, permaneceram dúvidas que jamais foram satisfatoriamente esclarecidas para a opinião pública. Esse processo produz um efeito devastador sobre a confiança nas instituições. Não é apenas a corrupção que desgasta uma democracia. A percepção de impunidade causa dano semelhante. O cidadão comum passa a acreditar que determinados fatos simplesmente desaparecem com o tempo, enquanto novas promessas ocupam o espaço dos antigos compromissos nunca cumpridos.

Em muitos episódios de corrupção trazidos à tona ainda há investigações em andamento, pessoas denunciadas que aguardam julgamento e fatos que permanecem sendo apurados. Essa circunstância exige prudência nas conclusões, mas também exige que o interesse público não desapareça antes das respostas. O mesmo vale para episódios políticos que continuam cercados de controvérsias. No silêncio institucional a democracia não é fortalecida, ao contrário, a desconfiança cresce e alimenta versões conflitantes que acabam dividindo ainda mais a sociedade. Cada administração deveria ter  a obrigação de concluir investigações iniciadas anteriormente, sem distinção de partido ou de orientação ideológica. Da mesma forma, futuros governos deverão responder pela condução dos casos surgidos durante seus próprios mandatos.

Nenhum projeto nacional consistente poderá prosperar enquanto parte significativa da sociedade acreditar que existem diferentes padrões de responsabilização conforme a posição política, econômica ou institucional dos envolvidos. A lei somente cumpre sua função quando alcança todos com o mesmo rigor, preservando o devido processo legal e a ampla defesa. O país aproxima-se de mais um processo eleitoral em um ambiente marcado por forte polarização política. Justamente por isso, talvez seja ainda mais importante separar disputa eleitoral de apuração institucional. Somente assim as eleições deixarão de representar um ponto final artificial sobre crises ainda abertas e passarão a cumprir sua verdadeira função: renovar governos, sem apagar a memória da República.

 

A frase que foi pronunciada:

“Uma nação pode sobreviver aos seus tolos, e até mesmo aos ambiciosos. Mas não pode sobreviver à traição interna. Um inimigo às portas é menos temível, pois é conhecido e ostenta sua bandeira abertamente. Mas o traidor circula livremente entre os que estão dentro dos portões, seus sussurros astutos ecoando por todos os becos, ouvidos nos próprios corredores do governo.”

Marco Túlio Cícero

 

Não é fake. É Falci.

Senadores norte americanos estão apresentando a Anthony Fauci todas as barbaridades ocorridas durante a Covid-19. Inclusive a sabotagem ao uso da Ivermectina que em 106 estudos envolvendo mais de 200 mil pacientes mostravam as evidências de eficácia na prevenção da Covid. A Hidroxicloroquina também poderia salvar milhares de vidas. Agarrado ao direito de se manter em silêncio, o cientista imunologista Fauci não se encontrou em condições de se defender mediante às provas.

 

História de Brasília

Um italiano residente no Brasil, por exemplo, será impedido pela FIFA de integrar a seleção brasileira, mesmo que os brasileiros desejem a sua presença na equipe. Só o poderá fazer se, previamente, obtiver a cidadania brasileira. Da mesma forma, um brasileiro não poderá jogar pela Itália a não ser que se naturalize italiano. (Publicada em 25.05.1962)

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