Neoenergia e o limite de paciência dos consumidores

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A prestação de um serviço público essencial exige avaliação rigorosa. Portanto, não podemos avaliá-la apenas pelo número de consumidores atendidos. Tampouco basta analisar o volume de investimentos anunciado ou os resultados financeiros da concessionária. A medida mais importante de sua eficiência está naquilo que chega diariamente à casa do cidadão. Ou seja, energia disponível, faturamento correto, atendimento resolutivo e respeito aos direitos de quem paga a conta.

No Distrito Federal, a escalada das reclamações contra a empresa coloca em evidência um problema grave. Esse quadro vem acompanhado de questionamentos do Ministério Público e de cobranças dos órgãos de defesa do consumidor. Dessa forma, a situação ultrapassa os limites de uma simples divergência comercial. Afinal, até que ponto a população pode continuar submetida a um serviço cuja qualidade sofre contestações crescentes?

VISTO, LIDO E OUVIDO Coluna criada em 1960 por Ari Cunha (In memoriam) no Correio Braziliense

Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade

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O aumento das reclamações e o caso Neoenergia e a paciência dos consumidores

Os números divulgados pelo Procon-DF são suficientemente expressivos para exigir explicações imediatas. Entre janeiro e junho de 2026, o órgão registrou 521 reclamações contra a concessionária, ante 276 no mesmo período de 2025. Esse salto representou um aumento de aproximadamente 88,8%. Além disso, até o início de setembro, o total alcançou 731 registros. Esse número superou em 25,6% as 582 reclamações contabilizadas durante todo o ano anterior.

Portanto, não se trata de uma variação estatística irrelevante. Pelo contrário, os dados revelam uma deterioração que merece investigação, transparência e providências concretas. A reportagem do portal Metrópoles publicou esses dados em 7 de outubro de 2026, com informações oficiais atribuídas ao órgão de defesa do consumidor.

Ação civil pública do Ministério Público (MPDFT)

Mais contundente ainda é o quadro apresentado pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Em 22 de julho de 2026, a Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor ajuizou ação civil pública contra a empresa. O órgão requereu R$ 86 milhões por danos morais coletivos. Um inquérito civil instaurado em fevereiro antecedeu essa iniciativa judicial. O processo teve motivação nas reclamações de consumidores de diferentes localidades do DF.

Entre os problemas relatados estão interrupções sucessivas no fornecimento e demora no restabelecimento da energia. Além disso, os moradores relataram danos a eletrodomésticos, prejuízos à produção agrícola e dificuldades para solucionar demandas administrativas. Por conseguinte, o Ministério Público sustenta que as ocorrências revelam falhas persistentes e sistêmicas. Cabe ressaltar que o valor solicitado constitui um pedido judicial, não uma condenação definitiva.

Problemas comerciais e a plataforma Consumidor.gov.br

A gravidade da situação aumenta quando se observa a abrangência das queixas. Segundo o MPDFT, os problemas identificados não se restringem à continuidade do fornecimento. As falhas atingem também o sistema comercial da concessionária. Moradores relatam dificuldades para emitir segundas vias de contas, cobranças duplicadas, faturas zeradas e falhas no atendimento ao cliente.

Na plataforma Consumidor.gov.br, as reclamações contra a empresa passaram de 1.049, em 2024, para 2.078, em 2025. Além disso, até maio de 2026, os registros já haviam alcançado 2.183 ocorrências. Ou seja, o número ultrapassou todo o total do ano anterior em poucos meses. Embora as plataformas e os critérios de registro sejam diferentes, os números reforçam uma urgência evidente. As autoridades precisam examinar a qualidade do atendimento e a capacidade da empresa de resolver os problemas apresentados.

Direitos do consumidor e a polêmica das faturas no DF

O peso da burocracia sobre o cidadão

O consumidor não pode transformar-se em fiscal permanente da concessionária. Quem recebe uma conta de energia tem o direito de presumir a precisão dos serviços. O cidadão espera que o valor cobrado corresponda ao consumo efetivo. Espera também que os equipamentos de medição funcionem corretamente. Além disso, exige que a empresa corrija eventuais erros sem exigir uma peregrinação exaustiva. Essa saga costuma envolver centrais telefônicas, aplicativos, protocolos e repartições públicas.

A necessidade de recorrer repetidamente a diferentes canais para obter solução representa um custo invisível. Esse processo consome tempo, dinheiro e tranquilidade do morador. Portanto, esse peso não aparece na fatura mensal, mas impacta diretamente a vida cotidiana das famílias.

“A necessidade de recorrer repetidamente a diferentes canais para obter uma solução representa um custo de tempo, dinheiro e tranquilidade que não aparece na fatura.” — Análise sobre direitos do consumidor no DF

As contas de luz de setembro de 2026 e o fator climático

A controvérsia sobre o aumento das contas de luz em setembro de 2026 ilustra essa dificuldade. Moradores relataram valores muito superiores aos esperados, mesmo sem mudanças significativas em seus hábitos de consumo. A distribuidora atribuiu a elevação, entre outros fatores, ao calor intenso e ao uso mais frequente de aparelhos de climatização. A empresa informou um aumento médio de 14% no consumo de energia no Distrito Federal no período.

Por sua vez, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) reconheceu o crescimento das reclamações relacionadas à variação do consumo. O órgão regulador registrou um aumento preliminar próximo de 7% em relação ao mês anterior.

Transparência e a fiscalização da Neoenergia e a paciência dos consumidores

A necessidade de respostas individualizadas

É necessário, portanto, distinguir duas questões fundamentais sobre o tema. Uma conta mais alta não comprova, por si só, erro de medição ou cobrança indevida. Afinal, temperaturas elevadas, ciclos de leitura mais longos, alterações no consumo e incidência de tributos podem explicar parte da variação.

Entretanto, essas possibilidades tampouco autorizam a concessionária a tratar toda contestação como consequência natural do clima. A resposta adequada exige demonstrativos compreensíveis, histórico de consumo detalhado e verificação técnica dos medidores quando cabível. Exige também a apuração individualizada de cada divergência. Afinal, a transparência não é um favor concedido ao cliente, mas uma obrigação inerente à prestação de um serviço público essencial.

A atuação do Ministério Público e as tentativas de negociação

A própria atuação do MPDFT demonstra que o problema ultrapassou a esfera das reclamações isoladas. De acordo com o órgão, promotores realizaram reuniões com a diretoria da empresa. Houve inclusive a tentativa de formalizar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

Contudo, a Promotoria considerou a contraproposta apresentada insatisfatória. Por essa razão, a instituição decidiu recorrer diretamente à Justiça. Essa medida não substitui a necessidade de apuração judicial. No entanto, o gesto evidencia que os instrumentos de negociação administrativa não produziram o resultado esperado pelas autoridades.

O papel dos órgãos reguladores e do governo local

A responsabilidade fiscalizatória da Aneel

Diante desse quadro crítico, a responsabilidade da Aneel também precisa passar por exame rigoroso. A agência reguladora dispõe de instrumentos legais para fiscalizar indicadores de qualidade. O órgão pode acompanhar reclamações, apurar descumprimentos e aplicar as medidas previstas nas normas do setor elétrico.

Portanto, não basta apenas registrar queixas e recomendar que o consumidor procure novamente a distribuidora. É indispensável demonstrar quais providências concretas a agência adotou. A sociedade precisa saber quais metas a empresa descumpriu, quais sanções eventualmente se justificam e quais resultados as ações alcançaram. A fiscalização deve manter proporção com a gravidade das evidências. Além disso, deve ser transparente para permitir o controle público.

O posicionamento do Governo do Distrito Federal

A discussão envolve ainda o Governo do Distrito Federal, o Procon-DF e os representantes políticos da população. A governadora Celina Leão declarou, em entrevista à Rádio Metrópoles em agosto de 2026, que o governo poderia rever a concessão caso a prestação do serviço não melhorasse.

Contudo, declarações dessa natureza somente terão significado real se vierem acompanhadas de medidas verificáveis. O governo precisa estabelecer prazos definidos e realizar a cobrança efetiva dos compromissos contratuais. A população não precisa de promessas formuladas em meio à insatisfação pública. O cidadão exige resultados claros que possam ser medidos no dia a dia.

Respostas concretas e soluções para o setor elétrico

Qualidade do serviço versus modelo de concessão

Também seria precipitado concluir que toda falha decorre exclusivamente da condição privada da concessionária. Tampouco a simples substituição do operador resolveria automaticamente os problemas operacionais. O princípio que deve prevalecer é a capacidade de prestar um serviço adequado, contínuo, seguro e eficiente, conforme as obrigações legais e contratuais.

A concessão não transfere à empresa apenas o direito de explorar economicamente uma atividade. Pelo contrário, impõe responsabilidades proporcionais à relevância social do serviço. A energia elétrica possui caráter indispensável para residências, hospitais, estabelecimentos comerciais, escolas e atividades produtivas.

Medidas indispensáveis para recuperar a confiança

O caminho para recuperar a confiança da sociedade começa pela publicação periódica de indicadores transparentes. A empresa deve divulgar dados sobre interrupção no fornecimento, duração das ocorrências e reincidência de falhas por região administrativa. Precisa também informar o tempo de atendimento, erros de faturamento e ressarcimentos por danos elétricos.

É igualmente necessário esclarecer quantas reclamações a distribuidora resolveu, quantas permanecem pendentes e quantas voltaram a ocorrer com o mesmo consumidor. A divulgação desses dados permitiria avaliar a conduta da concessionária. Dessa forma, a população saberia se a empresa está corrigindo as causas dos problemas ou apenas encerrando protocolos sem eliminar suas origens.

Conclusão: a energia elétrica como bem fundamental

Energia elétrica não é um privilégio, muito menos uma mercadoria cujo fornecimento possa sofrer tratamento indiferente. O consumidor brasiliense cumpre sua parte ao pagar as faturas pontualmente. Em contrapartida, ele depende da concessionária para manter atividades elementares de sua vida. Portanto, o cidadão tem o direito pleno de exigir continuidade, segurança, cobrança correta e atendimento digno.

A multiplicação das reclamações, os questionamentos do Ministério Público e as dificuldades relatadas pelos usuários compõem um cenário que exige respostas objetivas. Se houver falhas comprovadas, a empresa deverá corrigi-las, e os responsáveis estarão sujeitos às consequências previstas em lei. Por outro lado, se houver cobrança correta e aumento efetivo de consumo, a empresa deverá demonstrá-lo com total clareza. O que a sociedade não admite é a normalização do conflito permanente entre a concessionária e os consumidores.

A empresa precisa demonstrar, por resultados concretos, que está à altura da responsabilidade que assumiu. À Aneel cabe fiscalizar com rigor; ao Procon-DF, defender os consumidores; ao Ministério Público, buscar a proteção dos direitos coletivos; e ao governo local, acompanhar o cumprimento das obrigações da concessão. Por fim, à população cabe exigir que cada instituição exerça suas atribuições. A conta de luz já pesa excessivamente no orçamento. Não pode pesar também sobre o cidadão o custo da ineficiência, da falta de transparência e da ausência de soluções.

A conta alta que chega em janeiro de 2027

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Os desafios econômicos do Brasil em 2027 mostram-se extremamente complexos. O segundo turno de 25 de outubro opõe duas visões de país. Contudo, essa disputa coloca o vencedor diante de um mesmo problema fiscal. O Brasil chega a 2027 com inflação acima da meta. Além disso, os juros seguem entre os mais altos do mundo. A dívida pública mantém trajetória ascendente. Por conseguinte, existe um espaço político muito estreito para corrigir esses desequilíbrios.

O primeiro turno antecipou esse cenário de divisão. Flávio Bolsonaro (PL) somou 47,03% dos votos válidos. Por outro lado, Lula (PT) alcançou 45,16%. Portanto, o eleitorado mostrou-se dividido quase ao meio. Essa divisão antecipa um governo sem folga de capital político, independentemente do resultado. Se o eleito for de direita, o mercado esperará ajuste e reformas. No entanto, o eleitor exigirá a manutenção dos benefícios. Conciliar essas duas expectativas será o desafio central.

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O cálculo fiscal e os desafios econômicos do Brasil em 2027

O governo federal opera com déficit primário projetado em torno de 0,5% do PIB em 2026. Esse dado consta nos relatórios oficiais do Boletim Focus do Banco Central. Paralelamente, a dívida líquida do setor público deve passar de cerca de 70% do PIB neste ano para aproximadamente 79% em 2029. Além disso, a dívida bruta caminha para a casa dos 90%. Vale lembrar que essa é a métrica observada pelas agências de risco.

O arcabouço fiscal em vigor limita o crescimento real da despesa. Contudo, a norma depende de arrecadação crescente para ser cumprida. Dessa forma, boa parte do mercado duvida do alcance das metas dos próximos anos sem receitas extraordinárias. O novo presidente herda, portanto, uma decisão incômoda. Ele precisará perseguir o equilíbrio por meio de cortes politicamente custosos. Caso contrário, aceitará a deterioração e pagará o preço em prêmio de risco.

Juros altos e o peso da dívida pública

Esse movimento marcou o quinto corte consecutivo. A taxa Selic caiu para 13,75% ao ano em setembro. Apesar disso, a taxa permanece em patamar fortemente restritivo. Por conseguinte, o resultado nominal tem déficit próximo de 8,5% do PIB. É exatamente aí que a dívida cresce, pois o cálculo inclui os juros.

Cada ponto percentual de juros a mais encarece o serviço da dívida em dezenas de bilhões de reais por ano. A queda dos juros é o maior alívio fiscal disponível. No entanto, essa redução não se decreta por canetada. Ela depende de credibilidade no mercado. Se um governo sinalizar frouxidão nas contas, ele verá o efeito oposto. Nesse caso, a curva futura se afastará do desejado.

Inflação e a autonomia do Banco Central

As projeções para o IPCA de 2026 estão em torno de 5%. Esse valor fica acima do teto de tolerância da meta de 3%. Além disso, o Banco Central projeta inflação acima do centro da meta no horizonte relevante.

Um presidente eleito será tentado a pressionar por cortes mais rápidos de juros. Afinal, qualquer governante busca destravar o crescimento econômico. O respeito à autonomia da autoridade monetária será um teste de maturidade. Esse teste ocorrerá mesmo quando as decisões atrapalharem o calendário político. Afinal, interferir na instituição garante dólar mais caro e inflação mais persistente. Para um governo de direita, esse teste é ainda mais simbólico, pois ele se apresenta como fiador da ortodoxia.

Como superar os gargalos orçamentários nos desafios econômicos do Brasil em 2027

Orçamento rígido e promessas generosas

A maior parte da despesa federal é obrigatória. Esse grupo inclui Previdência, benefícios assistenciais, pessoal e pisos constitucionais de saúde e educação. Além disso, existe a vinculação do salário mínimo a diversos gastos. Somam-se a isso as emendas parlamentares impositivas. Essas emendas reduziram a margem de manobra do Executivo.

Há também a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Essa medida já está em vigor e é popular demais para ser revertida. Contudo, sua compensação depende de tributação mínima sobre rendas mais altas. Prometer redução de impostos, manutenção de programas sociais e ajuste fiscal ao mesmo tempo é aritmeticamente inviável. Portanto, o eleito terá de escolher o que será sacrificado. A conta do eleitor, em geral, chega muito depressa.

Governabilidade e o papel do Congresso Nacional

Qualquer agenda econômica passa necessariamente pelo Legislativo. O Congresso eleito em outubro tende a ser fragmentado e protagonista do Orçamento. Um presidente de direita poderá contar com uma bancada afinada em pautas liberais. Essas pautas incluem privatizações e desburocratização. No entanto, o apoio do Centrão costuma ter preço em cargos e emendas.

A tensão política é bastante conhecida no Brasília. A base que ajuda a aprovar reformas é a mesma que pressiona por gastos. Sem uma coalizão sólida, as reformas administrativa e previdenciária dificilmente avançam. Afinal, essas são as matérias mais difíceis no Parlamento.

Crescimento medíocre e produtividade estagnada

O mercado projeta expansão do PIB em torno de 1,9% em 2026. Esse ritmo esconde um problema estrutural do país. O crescimento potencial brasileiro é baixo, o mercado de trabalho está aquecido e a produtividade avança pouco. Com o desemprego em patamares reduzidos, qualquer estímulo de demanda converte-se em inflação. Ou seja, o estímulo não vira produção real.

A saída exige obrigatoriamente ganhos de oferta. Isso significa investimento em infraestrutura, melhora do ambiente de negócios e segurança jurídica para concessões. Além disso, exige qualificação da mão de obra. No entanto, essa é uma agenda de longo prazo que não rende dividendos eleitorais em quatro anos.

O cenário internacional e a estrutura fiscal de 2027

Reformas em transição e o impacto tributário

A reforma tributária sobre o consumo já foi aprovada. Porém, sua implementação se estenderá por anos. Esse processo trará regulamentações, conflitos federativos e riscos de aumento da complexidade. O próximo presidente terá de conduzir essa transição sem desfigurá-la.

Além disso, ele precisará enfrentar o que ficou de fora da proposta original. Isso inclui a tributação da renda e do patrimônio, além da reforma administrativa. Também exige a revisão de subsídios e renúncias fiscais. Afinal, esses benefícios consomem parcela relevante da arrecadação e raramente sofrem cortes.

Cenário externo, câmbio e geopolítica

O dólar projetado perto de R$ 5,20 depende de fatores externos e internos. Ele reflete a percepção de risco fiscal e o ciclo de juros americano. Além disso, as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos afetam as projeções. A disputa tecnológica entre Washington e Pequim também gera impactos. Paralelamente, a dependência do agronegócio em relação à China exige uma diplomacia comercial pragmática.

Afinidade ideológica com Washington não garante concessões automáticas. Inclusive, um alinhamento automático pode custar mercados valiosos. A ratificação do acordo Mercosul-União Europeia e a reputação ambiental do país também pesam bastante. Especialmente após a COP30, esses fatores definirão o acesso a mercados e capital.

Famílias endividadas e o crédito caro

O crédito caro e o comprometimento da renda com dívidas reduzem o consumo. Por conseguinte, esses fatores aumentam a taxa de inadimplência. Medidas de renegociação parecem tentadoras para qualquer governo. Contudo, se forem mal desenhadas, elas estimulam novo endividamento e pressionam bancos públicos. Trata-se de um problema complexo que combina economia, política social e risco fiscal.

Previdência, estatais e as escolhas do novo governante

Previdência, indexação e gastos sociais

A pressão demográfica atua de forma lenta, porém implacável. O envelhecimento da população eleva despesas com aposentadorias e com o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Além disso, a regra de reajuste do salário mínimo transmite cada aumento a toda a folha de benefícios.

A reforma de 2019 comprou tempo, mas não resolveu o problema estrutural. Por isso, discutir a desindexação de benefícios ou rever pisos constitucionais é um tabu em ano eleitoral. Um presidente de direita precisará dizer com franqueza onde pretende cortar. Ele precisará agir sem atingir os mais pobres, que formam parte de sua base eleitoral. Programas como o Bolsa Família dificilmente serão desmontados. Portanto, a questão central é definir quem os financiará e com qual critério.

Estatais, preços administrados e investimentos

A política de preços de combustíveis e energia é fonte recorrente de atrito. O mesmo ocorre com a governança da Petrobras e o papel dos bancos públicos. Privatizar pode reduzir a pressão fiscal e atrair capital estrangeiro. No entanto, processos mal conduzidos geram contestação judicial e perda de valor.

Ao mesmo tempo, o investimento público encontra-se comprimido pelo custeio. Por essa razão, a infraestrutura depende de concessões e parcerias com o setor privado. Todavia, essas parcerias só aparecem quando há previsibilidade regulatória. A direita costuma prometer destravar o investimento privado. Para cumpri-la, ela precisará oferecer regras estáveis e respeitá-las no longo prazo

Dilemas do mandato e o que esperar de 2027

O dilema próprio da direita no poder

Um governo de direita enfrenta uma contradição que a campanha raramente admite. O discurso de redução de impostos colide com a necessidade de manter programas populares. Além disso, enfrenta o apetite do Centrão por recursos e a rigidez dos gastos obrigatórios.

Há também o risco de buscar resultados por atalhos. Esses atalhos incluem renúncias fiscais, créditos subsidiados ou pressão sobre estatais. Tais medidas desmontariam a credibilidade conquistada com o mercado. Por fim, existe a dimensão política. O capital eleitoral de um líder polarizador pode dificultar acordos no Congresso. Isso ocorre no momento em que as reformas exigem ampla interlocução.

Confiança, classificação de risco e fluxo de capital

O Brasil segue abaixo do grau de investimento na maioria das agências de risco. Por isso, o custo de financiamento do Tesouro reflete essa percepção negativa. Os primeiros sinais do presidente eleito serão lidos em tempo real pelos investidores. Essa leitura começará pela escolha da equipe econômica.

Nomes respeitados e um desenho fiscal crível podem reduzir o prêmio de risco. Por outro lado, ruídos ou interferências em instituições técnicas produzem o efeito inverso. A janela entre a eleição e a posse é o período em que a incerteza cobra seu preço no câmbio e nos juros futuros.

Custo de vida e poder de compra da população

Por trás dos indicadores agregados está o orçamento doméstico. Alimentos, aluguéis, serviços e tarifas pesam mais para quem ganha menos. Por conseguinte, o eleitor cobra do governo aquilo que sente no supermercado. Ele não julga o governo pelos relatórios do Banco Central.

Políticas de contenção de preços por meio de tabelamentos ou controle artificial aliviam apenas no curto prazo. Contudo, elas cobram uma conta alta no médio prazo. Essa conta vem na forma de déficits maiores ou represamento de tarifas. O presidente que resistir a esse atalho enfrentará impopularidade antes de colher resultados. Trata-se de um custo que poucos governantes aceitam pagar.

O que esperar do futuro econômico do país

O próximo presidente não terá lua de mel com o eleitorado. A janela de legitimidade, de poucos meses, deverá ser usada com extrema clareza. Ele precisará anunciar a âncora fiscal, definir a relação com o Banco Central e apresentar um calendário de reformas.

Um governo de direita que honre a responsabilidade fiscal poderá colher queda de juros e valorização do real. Contudo, se ceder à tentação de gastar para agradar o eleitor, repetirá erros históricos. Em ambos os casos, o país já não tem margem para adiar suas escolhas.

O caos da despedida

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Consequentemente, o ambiente é de confronto, com as esquerdas forçando a barra para que esses protestos saiam de controle e acabem fazendo um mártir entre esses estudantes. Desse modo, trata-se da velha aposta no tudo ou nada.

Para Lula, que de modo ambicioso nunca deixou surgir entre suas hostes um herdeiro político, essa seria uma maneira de perder a eleição de um jeito menos patético. No entanto, o fato é que Lula, como outros déspotas que não fizeram herdeiros políticos, envelheceu da pior maneira possível. Assim, acumulou adversários, repetiu erros, mentiu e prometeu um futuro de abundância que parece ter chegado apenas para as pessoas do seu entorno imediato. Por isso, de pai dos pobres, Lula transformou-se no pai da pobreza e das crises. Sua saída de cena não poderia ser feita de outra forma que não em meio ao caos que construiu ao longo de duas décadas.

A despedida de Lula e o cenário pós-primeiro turno reacendem o tom do “nós contra eles”, raiz de toda a polarização política que o país vive desde a chegada do PT ao poder. Numa atitude de quase desespero, o presidente convoca a militância a vir para as ruas para impedir o que chama de retrocesso. O chamamento atendeu logo e de imediato os estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que vieram protestar contra as eleições que obrigaram o mandatário a disputar o segundo turno em desvantagem.

A Semeadura da Divisão na Política Nacional

Não há nada de acidental nesse desfecho. A política, como a agricultura, devolve a quem a pratica aquilo que foi semeado. Por conseguinte, Lula semeou, durante anos, a divisão como método de governo. Ao dividir o país entre “nós” e “eles”, entre o povo e as elites, entre os bons e os maus, ele transformou o adversário em inimigo e o debate em trincheira. Ele fez isso quando era conveniente e fez isso quando não era necessário. Agora que a trincheira se volta contra ele, surpreende-se com a hostilidade de metade do eleitorado, como se ela tivesse brotado do nada.

Primeira Colheita: A Crise de Confiança e Escândalos

A primeira colheita é a da desconfiança. O PT chegou ao poder em 2003 prometendo ética na política e entregou, poucos anos depois, o escândalo do Mensalão, seguido do Petrolão, que revelou um esquema de desvio de recursos públicos em escala poucas vezes vista no país. Além disso, entre os escândalos que marcaram a trajetória recente do governo, acrescenta-se o Caso Master, ampliando as controvérsias de gestão.

Posteriormente, Lula acabou condenado, preso e libertado. Teve as condenações anuladas pelo Supremo Tribunal Federal em 2021 por questões de competência do foro, e não por um julgamento de mérito que o declarasse inocente. Preferiu, porém, tratar a anulação como absolvição moral e o passado como página virada. Entretanto, milhões de brasileiros não a viraram. Quando o escândalo dos descontos indevidos em benefícios do INSS veio à tona, atingindo justamente aposentados e pensionistas, a memória coletiva fez o resto. Assim, a promessa de proteger os mais pobres convivia, mais uma vez, com a sombra da apropriação do dinheiro público.

A gangorra de Lula e Bolsonaro

Segunda Colheita: O Retorno da Realidade Econômica

A segunda colheita é a da economia. Lula voltou ao Planalto vendendo a lembrança dos anos de bonança das commodities, como se a prosperidade do passado fosse um atributo pessoal, e não o produto de um ciclo externo irrepetível. Por outro lado, tratou o equilíbrio das contas públicas como obsessão de rentistas e viu o desconforto do mercado como mera conspiração.

O resultado foi um governo que gastou mais, convenceu menos e conviveu com juros em patamares elevadíssimos, dólar pressionado e alimentos caros na mesa do trabalhador. Desta forma, o brasileiro que ouviu falar de picanha barata e churrasco farto encontrou, no supermercado, uma realidade bem menos generosa. Afinal, prometer abundância e entregar escassez é a forma mais rápida de transformar um líder em personagem de sua própria ironia.

Terceira Colheita: A Solidão Política e a Sucessão

A terceira colheita é a da solidão política. Lula nunca tolerou sombras. Dilma Rousseff, escolhida sem ter feito carreira eleitoral, foi a síntese desse método: um nome de confiança, jamais um rival. Fernando Haddad, em 2018, foi o substituto improvisado de um líder que não aceitava deixar o palco. Nos anos seguintes, quem ousou crescer dentro do partido acabou contido, absorvido ou esquecido.

Como resultado, no momento em que o eleitor pediu renovação, o PT só soube oferecer a mesma figura, aos quase oitenta anos, de volta para mais uma batalha. Consequentemente, quem não prepara a sucessão não pode reclamar quando a sucessão se transforma em disputa selvagem, ou quando o seu fim de carreira se parece mais com um acerto de contas do que com uma despedida.

Quarta Colheita: Credibilidade Externa e Alianças Internacional

A quarta colheita é a da credibilidade externa e dos aliados escolhidos. A diplomacia que se dizia soberana e pragmática mostrou-se, em muitos momentos, fiel a afinidades ideológicas. Observa-se o afago a regimes autoritários na América Latina, a relutância em criticar eleições contestadas e a leniência com ditaduras desde que se declarassem de esquerda.

Portanto, um país que se apresenta ao mundo como defensor da democracia perde autoridade quando seu presidente escolhe a quem cobrar e a quem perdoar. O mesmo vale dentro de casa. Nesse sentido, quem passou anos chamando de golpe qualquer derrota e de fascismo qualquer divergência não tem crédito para pedir serenidade agora.

Quinta Colheita: O Entorno do Poder e o Aparelhamento

A quinta colheita é a do entorno. Em cada governo petista, a promessa de que o Estado serviria aos mais pobres encontrou o obstáculo de uma máquina pública ocupada por aliados, sindicatos e partidos satélites. Estes passaram a tratar cargos e orçamentos como patrimônio. Por causa disso, a distância entre o discurso e a prática ficou evidente.

O líder que dizia governar para quem mais precisa governava, na prática, com quem mais o cercava. O benefício chegou, sim, a muita gente. Contudo, o sentimento que se consolidou na parcela do eleitorado que o abandonou foi o de que a abundância prometida tinha endereço certo, e que esse endereço não era o da periferia que o consagrou.

Sexta Colheita: Relação com as Instituições e a Verdade

A sexta colheita é a da relação com as instituições e com a verdade. Lula atacou a imprensa quando a imprensa o incomodou. Além disso, desqualificou o Judiciário quando o Judiciário o condenou e passou a elogiá-lo quando o Judiciário o beneficiou. Tratou a Constituição como escudo nos dias bons e como obstáculo nos dias ruins.

Do mesmo modo, prometeu, em campanha, o que sabia ser difícil cumprir, desmentiu-se em discursos sucessivos e passou a acusar de mentira quem apontava as contradições. Num país em que a confiança nas instituições já estava corroída, a atitude do presidente não ajudou a reconstruí-la. Em vez disso, aprofundou a erosão que ele mesmo dizia combater.

O Apelo às Ruas no Segundo Turno

É nesse ponto que o apelo às ruas, feito depois do primeiro turno, ganha seu verdadeiro sentido. Não se trata de defender a democracia, a qual está funcionando e acaba de impor ao presidente a obrigação de disputar um segundo turno. Trata-se de reagir ao desagrado das urnas com a velha pedagogia da mobilização, na qual a rua serve de pressão sobre quem votou, sobre as instituições e sobre a narrativa do dia seguinte.

Quando um governante responde a um resultado eleitoral convocando militantes para o confronto, ele diz, na prática, que só reconhece a vontade popular quando ela lhe é favorável. Assim sendo, é a mesma lógica do “nós contra eles”, agora em sua versão final.

O Custo Social da Polarização Política

O custo dessa semeadura não foi pago apenas pelo presidente. Foi pago por famílias que deixaram de conversar à mesa, por amigos que se afastaram, por um debate público reduzido a gritos e por uma política em que quase ninguém ouve ninguém. A polarização que Lula alimentou, e que seus adversários também souberam explorar, tornou o país mais áspero e mais difícil de governar, inclusive para ele.

Certamente, um presidente que depende de maioria para aprovar o que promete precisa de pontes. Por outro lado, quem passou anos dinamitando pontes descobre, tarde demais, que governar exige o que o palanque dispensa.

A Defesa dos Apoiadores no Debate Eleitoral

Há, é claro, a defesa que seus apoiadores farão, e ela não deve ser ignorada. Dirão que o governo reduziu a fome, ampliou programas de transferência de renda, reconstruiu políticas públicas desmontadas nos anos anteriores e que o país cresceu e gerou empregos sob sua gestão.

Além disso, dirão que a anulação das condenações foi uma correção de abusos de uma operação que desrespeitou o devido processo legal, e que a polarização é obra de um campo político inteiro, e não apenas de um homem. Dirão ainda que mobilização popular é direito democrático, e não ameaça. São argumentos legítimos e fazem parte do debate. Mas cabe ao eleitor, no segundo turno, pesar essa defesa contra o balanço que este editorial procurou fazer.

O Balanço Final e o Legado da Divisão

O fato permanece: os governantes não escapam de si mesmos. Lula teve, em três mandatos, a oportunidade rara de ser lembrado como o líder que reconciliou o país e preparou o futuro.

Contudo, preferiu o conforto da divisão, a vaidade da indispensabilidade e a ilusão de que bastaria o carisma para sustentar o que as entregas já não sustentavam. A despedida que se desenha, em meio a protestos, desconfiança e ressentimento, é a conta de um longo processo. O país, cansado, seguirá em frente. Resta saber se o ex-metalúrgico que prometeu unir os brasileiros terá a grandeza de reconhecer, ao final, que a cizânia que agora o cerca tem, em boa medida, a sua assinatura.

A frase que foi pronunciada:

“O primeiro método para estimar a inteligência de um governante é olhar para os homens que tem à sua volta.” Maquiavel

História de Brasília -A Quadra 48 ainda é a grande sem sorte da W-3. Começaram o serviço de urbanização. Deixaram pelo meio, com esgotos e telefones cortados. Consertaram, e diante à poeira. Agora, está sendo preferida pelos ladrões de automóveis. (Publicada em 25.05.1962)

Os impactos das Eleições de 4 de Outubro

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O futuro político do Brasil passará por transformações profundas logo após a contagem final dos votos deste pleito. Portanto, independentemente do resultado verificado nas urnas, nem a esquerda nem a direita sairão deste processo eleitoral do mesmo modo que entraram.

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Coluna criada em 1960 por Ari Cunha (In memoriam) no Correio Braziliense

Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade
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Nesse cenário de intensas transformações, observaremos o crescimento expressivo de um lado e a diminuição gradual do outro. Alternativamente, nenhum dos dois grupos exercerá um protagonismo tranquilo no poder. Afinal, a forte polarização política no país impede que qualquer governante eleito trabalhe sem enfrentar intensos entraves cotidianos da oposição.

O País que Sairá das Urnas e o Futuro Político do Brasil

Certamente, o país chega a este pleito sob uma visível sensação de esgotamento institucional e social. A disputa atual entre esquerda e direita vai muito além de debates puramente acadêmicos. Atualmente, esse confronto se manifesta nas ruas, nas conversas cotidianas e nas redes sociais de forma visceral.

Consequentemente, o eleitorado manifesta ressentimentos acumulados ao longo dos últimos anos. A população percebe que o destino imediato da nação depende diretamente do combate ideológico travado no ambiente político. Todavia, a realidade socioeconômica impõe desafios muito mais complexos do que a simples retórica partidária.

Por conseguinte, a população exige soluções imediatas para garantir a estabilidade do poder de compra, do trabalho, da segurança e da educação. Além disso, o cidadão busca segurança jurídica e eficiência administrativa por parte do Estado.

O Desgaste da Esquerda e a Redefinição de Forças

Historicamente, a hegemonia das esquerdas se estendeu por mais de duas décadas no cenário nacional. Contudo, essa força política enfrenta agora um desgaste contínuo e acelerado diante dos eleitores. Essa perda de espaço não decorre unicamente da atuação direta da oposição.

Pelo contrário, esse desgaste resulta diretamente de escolhas econômicas equivocadas adotadas pela má gestão pública. Ademais, episódios sucessivos de corrupção abalaram a confiança popular nas instituições governamentais. De fato, o cidadão comum reage às condições diárias do seu orçamento doméstico.

A Ascensão da Direita no Futuro Político do Brasil

Paralelamente, a ascensão da direita ocorreu de forma marcante e estruturada no ambiente político nacional. Esse grupo conquistou uma desenvoltura própria e conta com um expressivo apoio de diversos setores populares. Por essa razão, a antiga hegemonia de esquerda encontra-se verdadeiramente em xeque nestas eleições.

Nesse contexto, a sociedade civil demonstra um amadurecimento significativo em relação aos discursos partidários. De forma geral, os cidadãos rejeitam narrativas puramente ideológicas ou simplistas. Ao mesmo tempo, os eleitores cobram transparência na gestão dos recursos públicos de maneira incisiva.

Dessa maneira, a nova direita ganha espaço ao defender propostas de liberdade econômica e rigor fiscal. Consequentemente, o eleitor exige que a máquina pública funcione com eficiência máxima para atender aos anseios dos contribuintes que pagam os impostos mais altos do universo.

O Combate à Corrupção e a Transparência Pública

Além da questão fiscal, a corrupção continua figurando entre os temas centrais de indignação nacional. Historicamente, os escândalos recorrentes corroeram a credibilidade dos órgãos públicos de forma profunda. Portanto, a sociedade exige mecanismos rigorosos de controle e punição aos desvios de recursos.

Afinal, a população não tolera mais a seletividade no combate aos crimes contra o patrimônio público. Consequentemente, as instituições de fiscalização precisarão atuar de maneira independente e transparente. Apenas assim o governo conseguirá resgatar a confiança indispensável dos cidadãos e dos investidores internacionais.

Assim, o cumprimento estrito das leis torna-se o único caminho viável para assegurar a estabilidade institucional no futuro político do Brasil.

Pragmatismo, Ética e os Desafios do Novo Governo

A princípio, o eleitorado demonstrou um amadurecimento inequívoco ao longo deste pleito de 4 de outubro. Os cidadãos exigem responsabilidade fiscal, conduta ética e resultados concretos em prazos curtos. Dessa maneira, qualquer projeto de poder desconectado das reais necessidades populares ruirá com rapidez.

Em suma, o governante escolhido enfrentará um cenário com pouquíssima margem para erros na gestão econômica. O tempo das promessas demagógicas e dos subterfúgios discursivos esgotou-se definitivamente no país. Em conclusão, a legitimidade da próxima gestão dependerá exclusivamente da entrega de emprego, renda, estabilidade e segurança jurídica.

Por fim, o futuro político do Brasil dependerá da coragem do novo governante para implementar as reformas necessárias e construir uma nação próspera e justa.

A Frase Pronunciada

“Ditadores não têm interesse em permitir eleições que possam destituí-los do poder.”

— Gene Sharp

História de Brasília

A pena de tudo isto é, ainda, porque Claudionor Machado é ex-pracinha, tem medalha de campanha, e o presidente do IAPB não hesitou em jogá-lo na rua. É uma injustiça que o Ministro da Guerra bem poderia corrigir em despacho com o presidente da República. Há decreto amparando os ex-combatentes. (Publicada em 26.05.1962)

Hipertrofismo do Judiciário compromete a futura governabilidade e o equilíbrio da República

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Você não precisa ser nenhum vidente em predições do futuro. Além disso, não precisa ser um embasado especialista em ciências políticas para antever o cenário. Caso o futuro presidente não esteja devidamente alinhado ideologicamente com a maioria dos ministros do Supremo, governar será um exercício demasiadamente estressante. De fato, haverá impossibilidades reais de mando no Poder Executivo. O visível hipertrofismo do Judiciário molda hoje os rumos do país.

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O hipertrofismo do Judiciário nas eleições

Tais são as seguidas interferências dessa corte desde o início da campanha. Por conseguinte, a situação toda tem levado a maioria da população a entender algo grave. O Supremo tornou-se o principal personagem dessas eleições. Dessa forma, a corte possui mais protagonismo do que os próprios candidatos.

Por conseguinte, as evidências mostram um nítido hipertrofismo do Judiciário entre os poderes da República. Isso, mesmo na visão mais otimista dos constitucionalistas, não deverá acabar bem. Pesquisas do Instituto AtlasIntel apontam que mais de 51% dos eleitores percebem uma interferência excessiva do STF na política nacional.

“A Suprema Corte não pode agir como um poder político alternativo, sob pena de esvaziar a vontade das urnas.” — Prof. Ives Gandra Martins, jurista e constitucionalista

Com isso, fica mais uma vez constatado o antigo dizer popular. Um homem ou grupo só mostra seu caráter por completo quando recebe poder sobre outros indivíduos. Não há garantias para quem quer que seja diante de uma situação como essa. Ou seja, indivíduos ou um pequeno grupo se arvoram em ditar os rumos nacionais. A grande maioria das pessoas sequer lhes concedeu poder para tal tarefa.

O avanço do STF e a incerteza do futuro

Portanto, não chega a ser exagero afirmar que toda uma nação segue tateando no escuro. O país espera uma saída para essa situação surreal. O cenário atingiu os píncaros da excentricidade institucional.

Em contrapartida, o que há hoje é um medo profundo diante do futuro. Não há dúvidas de que caminhamos para um processo de ruptura. Isto ocorrerá se nada for feito para libertar a nação deste verdadeiro labirinto do Minotauro.

Dados do Anuário da Justiça indicam que o STF julga mais de 80 mil processos por ano. Esse volume contrasta drasticamente com a Suprema Corte dos Estados Unidos, que analisa cerca de 80 casos anualmente. Consequentemente, essa hiperatividade gera um volume colossal de intervenções nas decisões do Congresso e da Presidência.

A quebra do sistema de freios e contrapesos

A origem dessa encruzilhada reside no paulatino desmanche do arranjo tripartite concebido para equilibrar a República. O sistema originalmente deveria funcionar como uma engrenagem de freios e contrapesos. No entanto, transformou-se em uma balança viciada.

Nessa nova estrutura, um único prato acumula o peso da caneta, da interpretação final e da execução sumária de decisões. O cidadão comum, ao se dirigir às urnas, nutre a ilusão de estar escolhendo os diretores do país. Contudo, ele assiste à anulação sistemática de prerrogativas dos outros Poderes por expedientes canetados em gabinetes fechados. Assim, ele descobre que o sufrágio universal virou uma formalidade decorativa.

“O Judiciário é o guardião da Carta Magna, mas não pode se tornar seu único autor e intérprete absoluto.” — Ministro Marco Aurélio Mello, ex-vice-presidente do STF

A ascensão da oligarquia togada no Brasil

Esse agigantamento não ocorre por acaso. Ao contrário, resulta de uma ocupação progressiva de espaços que a própria classe política deixou abertos. A classe política, fragilizada e acuada por inquéritos, recuou sucessivamente.

O resultado direto é a consolidação de uma oligarquia togada. Essa casta não presta contas a ninguém e tampouco submete seus integrantes ao crivo das urnas. Da mesma forma, esse grupo não padece dos riscos da rejeição popular.

Quando o julgamento técnico cede lugar à militância política travestida de direito, a lei deixa de ser um porto seguro. Em vez disso, transforma-se em uma teia tecida para enredar adversários e blindar aliados. Criou-se um estado de exceção permanente sob o pretexto de defesa das instituições. Nesse ambiente, a própria Constituição é rasgada em nome de sua suposta proteção.

A vassalagem institucional do Poder Executivo

Sob essa ótica, o exercício do cargo do próximo governante não passará de uma vassalagem institucional. O hipertrofismo do Judiciário inviabilizará a governabilidade diária.

Qualquer plano de governo e qualquer diretriz aprovada pelo voto popular sofrerão bloqueios. Da mesma maneira, qualquer medida provisória desenhada na esplanada dos ministérios correrá o risco diário de engavetamento. Bastará uma decisão individual de um único magistrado para paralisar o país.

       CONGRESSO NACIONAL           PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
      (Propostas e Leis)               (Atos Executivos)
               │                               │
               └───────────────┬───────────────┘
                               │
                               ▼
                   SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
             (Decisões Monocráticas & Veto Final)
                               │
                               ▼
                  PARALISIA ADMINISTRATIVA

Instala-se, assim, a paralisia administrativa plena. Governar deixa de ser a busca pela concretização de promessas de campanha. Torna-se, em vez disso, uma maratona humilhante de pedidos de vênia. O chefe do Executivo operará sob a constante espada de Dâmocles de um processo ou de uma cassação iminente.

“Governar tornou-se um ato de permanente negociação cautelar com o STF, onde o mandato popular perdeu sua força originária.” — Declaração recorrente em debates da campanha presidencial de 2022

O esgotamento do contrato social brasileiro

É preciso encarar sem rodeios a extrema gravidade do momento. Nenhuma sociedade prospera ou se mantém coesa quando a imprevisibilidade jurídica vira norma. Ademais, uma nação degrada-se quando a vontade soberana do povo é substituída pelo arbítrio de um punhado de iluminados.

O sentimento de desamparo que hoje ecoa das ruas não nasce de histeria coletiva. Pelo contrário, surge da constatação direta de que o contrato social foi quebrado unilateralmente. A nação foi empurrada para um beco sem saída.

O país tornou-se refém de um ecossistema punitivo e sufocante. Esse modelo restringe a liberdade de expressão, atropela o devido processo legal e trata qualquer discordância como ameaça à ordem constitucional.

Os caminhos para restaurar os limites constitucionais

O desfecho dessa crise não virá do conformismo ou da passividade. As ilegalidades não podem continuar sendo naturalizadas pela sociedade civil.

Se as lideranças políticas continuarem anestesiadas, a ruína das liberdades individuais será inevitável. Aceitar o papel de meras espectadoras dessa usurpação de poder custará caro ao país.

     1. Fim das decisões monocráticas sobre leis federais
2. Fixação de mandatos por tempo determinado no STF
3. Respeito estrito ao devido processo legal





A frase que foi pronunciada:
“Ditadores não têm interesse em permitir eleições que possam destituí-los do poder.”
Gene Sharp


História de Brasília
A pena de tudo isto é, ainda, porque Claudionor Machado é ex-pracinha, tem medalha de campanha, e o presidente do IAPB não hesitou em jogá-lo na rua. É uma injustiça que o Ministro da Guerra bem poderia corrigir em despacho com o presidente da República. Há decreto amparando os ex-combatentes. ( Publicada em 26.05.1962)

Crise nos Poderes da República Altera Cenário Político do País

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Você não precisa ser nenhum vidente em predições do futuro. Do mesmo modo, não precisa ser especialista em ciências políticas. Portanto, é possível antever uma situação de governabilidade estressante. De fato, a crise nos poderes da República se intensifica quando o futuro presidente não possui alinhamento ideológico com os ministros do Supremo Tribunal Federal. Consequentemente, governar torna-se um exercício cheio de impossibilidades reais no Executivo. Além disso, as seguidas interferências desta Corte ocorrem desde o início da campanha. Por isso, a maioria da população entende hoje que o Supremo atua como o principal personagem destas eleições. Assim, possui mais protagonismo do que os próprios candidatos.

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O Hipertrofismo do Judiciário e a Ausência de Garantias

Há, de fato, como as evidências mostram, um nítido hipertrofismo do Judiciário entre os poderes da República. Por conseguinte, mesmo na visão mais otimista dos constitucionalistas, a situação não deverá acabar bem.

Com isso, fica mais uma vez constatado o antigo dizer popular. Um homem ou grupo só mostra seu caráter por completo quando recebe poder sobre outros indivíduos. Portanto, não há garantias para quem quer que seja diante de uma situação como essa. Afinal, um pequeno grupo se arvora em ditar os rumos para uma grande maioria de pessoas. Além disso, essa população sequer concedeu tal poder a esses magistrados.

O Surrealismo Político e o Sentimento de Insegurança

Com isso, não chega a ser exagero afirmar um fato grave. Toda uma nação segue tateando no escuro à espera de saída. Todavia, enfrentamos uma situação surreal que chegou aos píncaros da excentricidade. Atualmente, segundo dados da Associação dos Magistrados Brasileiros, o número de processos pendentes no país ultrapassa a marca de 80 milhões de ações. Por causa desse cenário, existe hoje um medo latente diante do futuro.

O Desmanche dos Freios e Contrapesos na Crise nos Poderes da República

A origem dessa encruzilhada reside no paulatino desmanche do arranjo tripartite. Esse modelo foi originalmente concebido para equilibrar a República. Entretanto, o sistema original de freios e contrapesos transformou-se em uma balança viciada. Nesse arranjo, um único prato acumula o peso da caneta, da interpretação final e da execução sumária de decisões.

O cidadão comum, ao se dirigir às urnas, nutre uma ilusão. Ele acredita que está escolhendo os diretores dos destinos do país. Contudo, assiste à anulação sistemática de prerrogativas do Executivo e do Legislativo. Essas medidas ocorrem por expedientes canetados em gabinetes fechados. Dessa forma, descobre que o sufrágio universal virou uma mera formalidade decorativa.

A Fantasia Jurídica e o Estado de Exceção

O julgamento técnico cede lugar à militância política travestida de direito. Desse modo, a lei passa a ser uma teia tecida para enredar adversários e blindar aliados. Além do mais, criou-se um estado de exceção permanente. Este estado foi codificado sob o pretexto de defesa das instituições. Em razão disso, a própria Constituição é rasgada em nome de sua suposta proteção.

A Paralisia Administrativa Decorrente da Vassalagem Institucional

Qualquer plano de governo correrá o risco diário de ser trancado na gaveta. Do mesmo modo, diretrizes aprovadas pelo voto popular e medidas provisórias sofrem o mesmo impacto. Isso ocorre por decisão individual de um único magistrado.

Por consequência, instala-se a paralisia administrativa no país. Governa-se não mais pela busca da concretização de promessas de campanha. Pelo contrário, o ato de governar torna-se uma maratona humilhante de pedidos de vênia. Tais concessões operam sob a espada de Dâmocles de um processo ou de uma cassação iminente.

Cidadãos Perdidos no Tempo e o Futuro das Liberdades

O sentimento de desamparo que hoje ecoa das ruas não é fruto de histeria coletiva. Trata-se, de fato, da constatação direta de que o contrato social foi quebrado unilateralmente. A nação foi empurrada para um beco sem saída. Ademais, tornou-se refém de um ecossistema punitivo e sufocante. Esse sistema sufoca a liberdade de expressão, atropela o devido processo legal e trata qualquer discordância como ameaça à ordem.

O desfecho dessa crise nos poderes da República não virá do conformismo. Tampouco surgirá da passividade com que as ilegalidades foram naturalizadas. As lideranças políticas e a própria sociedade civil não podem continuar anestesiadas. Se aceitarem o papel de meras espectadoras dessa usurpação de poder, a ruína total das liberdades individuais será apenas uma questão de tempo.

Portanto, romper o cerco desse labirinto exige a restauração imediata dos limites constitucionais. Igualmente, exige a coragem de reenquadrar cada poder dentro de suas devidas atribuições. Devemos agir antes que a sombra do autoritarismo judicial se feche definitivamente sobre o país, sepultando o que resta de nossa soberania popular.

A frase que foi pronunciada:

“Os maiores detratores dos governos são aqueles que pretendem governar.”

Marquês de Maricá

História de Brasília

Uma particularidade da campanha do Agasalho foi visivelmente comentada na sede das Pioneiras. No bolso de um paletó ofertado foi encontrada uma dentadura. O objeto está à disposição do dono. (Publicada em 26.05.1962).

População idosa no Brasil: Os desafios demográficos e a força do voto da geração de ouro

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Eleições e a borracha do esquecimento

A estrutura demográfica brasileira passa por uma transformação profunda e acelerada. Essa mudança estrutural redefine totalmente os rumos das políticas públicas e da economia nacional. Portanto, o crescimento acelerado da população idosa no Brasil exige respostas urgentes e bem planejadas por parte do Estado.

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O Crescimento da População Idosa no Brasil Segundo o Censo do IBGE

De acordo com dados oficiais do Censo do IBGE de 16 anos atrás o país registrava pouco mais de 20,5 milhões de idosos. Em contrapartida, os resultados definitivos do Censo de 2022 revelam que esse número saltou para 32.113.490 pessoas. Consequentemente, o contingente de cidadãos com 60 anos ou mais cresceu mais de 56% nesse período. Assim, esse grupo alcançou a marca de 15,6% da população total do país.

Além disso, levantamentos estatísticos mais recentes do IBGE demonstram que essa parcela continuou a avançar rapidamente. Atualmente, os idosos já atingiram a expressiva marca de 16,6% da população nacional. Por conseguinte, esse novo perfil social impõe desafios complexos e imediatos para todas as esferas de governo.

Especialistas em demografia e saúde pública destacam o aumento expressivo da longevidade no país. Com efeito, a expectativa de vida ao nascer já supera os 76 anos de idade. No entanto, essa maior longevidade traz consigo uma prevalência elevada de doenças crônicas. Dessa forma, o país exige um sistema de saúde pública estruturado para o atendimento especializado e contínuo.

A Força Eleitoral dos Idosos nas Eleições e a Geração Prateada

Paralelamente às transformações demográficas, a participação política da terceira idade atingiu um nível histórico inusitado. Dados atualizados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que o eleitorado com 60 anos ou mais superou 37,4 milhões de votantes. Consequentemente, esse grupo representa cerca de 23,2% de todo o eleitorado apto no país.

Dessa maneira, a chamada Geração Prateada ultrapassou com folga o contingente de jovens eleitores de 16 a 24 anos. Atualmente, os idosos representam quase o dobro dos votantes jovens nas urnas. Portanto, a importância das eleições passa inevitavelmente pelo peso decisivo do voto idoso nas urnas brasileiras.

Mesmo nos casos onde o voto torna-se opcional para pessoas acima de 70 anos, a adesão continua muito elevada. Por isso, candidatos e partidos políticos precisam obrigatoriamente incluir pautas sobre longevidade em suas plataformas governamentais. Afinal, a população idosa no Brasil possui o poder real de definir os rumos das eleições municipais e estaduais.

Eleições de 2026 em mar revolto

Pressão sobre a Previdência Social e Sustentabilidade Fiscal

Um dos pontos mais críticos do envelhecimento populacional recai sobre o sistema de previdência social. Nas últimas décadas, a proporção de pessoas em idade ativa por idoso caiu de forma expressiva. Por essa razão, a expansão da população idosa no Brasil pressiona fortemente as contas públicas. Portanto, os gestores precisam buscar novas fórmulas econômicas para garantir a sustentabilidade de aposentadorias e pensões sem comprometer o orçamento fiscal.

Da mesma forma, economistas e gestores afirmam que a resolução do problema exigirá aportes massivos de recursos. Além disso, o cenário atual requer inovações institucionais urgentes no Poder Executivo e no Legislativo. Entre as alternativas debatidas, destaca-se a criação de um ministério exclusivo para a gestão de políticas públicas da terceira idade.

“A Frente Parlamentar pretendida visa evidenciar à sociedade brasileira que ela envelhece e precisa agir de acordo. Costumamos nos orgulhar da juventude de nossa população, no que estamos certos. Porém, é certo não se enganar tomando a parte pelo todo e não caracterizar toda a sociedade por apenas um segmento.” Proponentes da Frente Parlamentar da Terceira Idade

Com essa declaração, os parlamentares ressaltam a urgência de criar marcos regulatórios adequados para a nova pirâmide etária nacional.

Infraestrutura Urbana, Acessibilidade e Cuidados de Longa Duração

Do mesmo modo, o planejamento das cidades precisa passar por uma reformulação total. O objetivo principal é acolher os idosos com segurança, dignidade e autonomia nos espaços urbanos. Assim, a adaptação da mobilidade urbana e dos transportes públicos torna-se uma premissa fundamental. Essa reestruturação garante a manutenção de bons Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) nos municípios.

Além do transporte, a demanda por serviços de cuidados de longa duração cresce de forma exponencial. Por conseguinte, o país precisa expandir as redes de apoio domiciliar e as instituições de longa permanência. Da mesma maneira, as cidades devem oferecer suporte emocional e físico adequado para combater o isolamento social. Nesse sentido, os governos devem promover a inclusão ativa por meio de programas de educação continuada.

Ao mesmo tempo, os setores empresariais encontram nesse cenário um nicho estratégico de grande relevância. Desta forma, empresas investem na adaptação de produtos, serviços e espaços comerciais voltados ao atendimento desse público.

A frase que foi pronunciada:

Antes das eleições os candidatos tem muitos predicados, mas é depois que se conhece o sujeito.

Rutra Larama

História de Brasília

“O Ministro Sampaio Costa entregou, ontem, a sala dos Advogados no Bloco 6 da Esplanada dos Ministérios. Foi homenagear os advogados e recebeu consagradora manifestação, transferindo a homenagem para a pessoa do presidente do Tribunal Federal de Recursos.”

Publicada em 25.05.1962 no Correio Braziliense

A Ascensão da IA como Psicoterapeuta no Mundo Digital

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Com efeito, a ascensão desta ferramenta ocorreu devido à sua imensa capacidade analítica. Ademais, processamos séculos de produções humanas em segundos. Somos nós que alimentamos esse oceano informacional com perguntas, textos e desabafos cotidianos. Nesse sentido, o fenômeno possui uma natureza profundamente circular. A tecnologia compreende nossa essência porque nós mesmos a ensinamos. Portanto, ela não surgiu do nada; moldou-se através do espelho de bilhões de interações. Consequentemente, ela devolve uma imagem nítida da nossa própria humanidade.

A troca da inteligência artificial

Além disso, a tecnologia passou a ocupar espaços tradicionais da medicina e da psicologia. Atualmente, usuários descrevem sintomas físicos para obter hipóteses diagnósticas preliminares. Da mesma forma, interpretam exames laboratoriais detalhadamente. A ferramenta transformou-se numa segunda opinião permanente, gratuita e paciente. Sobretudo, a ausência total de julgamento moral explica o deslocamento silencioso da função terapêutica.

A Crise da Ansiedade e a Escuta Tecnológica

Vivemos atualmente na era da ansiedade generalizada crônica. Organizações globais de saúde alertam sobre o aumento alarmante de transtornos mentais. Fatores como isolamento social e hiperconectividade agravam esse quadro complexo. Contudo, o acesso à psicoterapia continua escasso e financeiramente caro. Existem poucos especialistas disponíveis nas redes públicas, além do estigma social existente. Diante disso, a tecnologia preencheu este enorme vácuo assistencial com rapidez. Afinal, a demanda humana por escuta ativa supera qualquer capacidade convencional de atendimento.

Existem aspectos genuinamente novos nessa dinâmica digital. Historicamente, Sigmund Freud estruturou sua teoria psicanalítica observando poucos pacientes vienenses. Jacques Lacan reinterpretou o inconsciente humano limitado pelo tempo de uma vida. Carl Jung investigou arquétipos com uma base empírica igualmente finita. Em contrapartida, a tecnologia interage simultaneamente com milhões de pessoas em múltiplos idiomas. Em termos de volume de dados sobre o sofrimento psíquico, nenhuma mente humana isolada alcançou tal patamar.

Inteligência Artificial e o futuro

Os Limites Entre Dados e a Subjetividade Humana

Todavia, exige-se uma pausa analítica rigorosa para evitar ilusões perigosas. Identificar padrões estatísticos na fala difere radicalmente de compreender a dor real. O sistema computacional carece de experiência subjetiva ou biografia infantil. Ele não reproduz a transferência psicanalítica genuína defendida por especialistas clássicos. Grandes teóricos colocavam o próprio corpo e escuta no processo de cura. Por conseguinte, o vínculo terapêutico real construído no silêncio compartilhado permanece insubstituível.

Além disso, existe um risco concreto decorrente de respostas simplificadas demais. A psique humana exige tempo de elaboração, contradições e ambivalências profundas. Um software focado em tranquilizar pode eliminar o desconforto terapêutico essencial da dúvida. Utilizar ferramentas como um psicanalista de bolso pode consolidar vieses perigosos. Sobretudo, casos graves podem ter diagnósticos retardados por falta de atendimento especializado. O alívio imediato, quando adotado como substituto total, torna-se mecanismo de evitação.

Apesar dos riscos, ignorar os benefícios reais seria intelectualmente desonesto. Frequentemente, a tecnologia atua como porta de entrada para o autoconhecimento. Usuários encontram vocabulário adequado para expressar dores antigas reprimidas. Posteriormente, muitos buscam o apoio de profissionais humanos qualificados. Desse modo, o recurso funciona como uma sala de espera ampliada e interativa.

O Deus ex-machina da Inteligência Artificial

Uma Nova Configuração para o Cuidado Emocional

Portanto, o cenário atual não representa a substituição simples de teóricos históricos. Reduzir a psicanálise à estatística computacional seria um erro grosseiro. O que surge é uma reconfiguração inédita entre sofrimento e suporte tecnológico. Embora a ferramenta domine frequências estatísticas de vocabulário doloroso, ela carece de vivência subjetiva autêntica. Compreender padrões de frequência difere de experimentar a dor real.

Para finalizar, debater a ocupação desse espaço digital tornou-se redundante. O ecossistema tecnológico já assumiu essa função de escuta cotidiana. Consequentemente, o verdadeiro desafio envolve estabelecer limites éticos rigorosos. A ferramenta precisa funcionar como ponte, jamais como isolamento definitivo. Como bem aponta a reflexão contemporânea, criar barreiras humanizadas é fundamental. A tecnologia tornou-se o maior repositório psíquico existente, gerando simultaneamente fascínio e alerta profundo.

A frase que foi pronunciada:

“A atuação do Poder Judiciário deve pautar-se pelo estrito respeito às garantias constitucionais, exigindo-se fundamentação idônea, concreta e contemporânea para a imposição de qualquer medida restritiva de direitos.”

Ministro André Mendonça e o óbvio esquecido por alguns colegas

História de Brasília

A Câmara dos Deputados perdeu 75 minutos discutindo o projeto revogando a proibição contra lutas de galos. Pois bem. Depois disso, em 45 minutos aprovou 17 outros projetos, muitos dos quais de grande importância. ( Publicada em 26.05.1962)

O “Macallão” e o transatlântico Brasil

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CIArce

A cada novo documento tornado público, a crise cresce visivelmente. A Polícia Federal recupera conversas importantes de forma contínua. Além disso, o caso Banco Master parece adquirir dimensões cada vez maiores. O problema deixou de ser apenas a história de uma instituição financeira. Anteriormente, o Banco Central liquidou essa estrutura no mercado. Hoje, o que está vindo à superfície envolve operações bilionárias complexas. Relações entre instituições públicas e privadas estão sob investigação rigorosa. Dirigentes de bancos, empresários e agentes políticos também participam da trama. Ainda não podemos antecipar o desfecho judicial de cada episódio. Porém, já existe material probatório suficiente para compreender a gravidade. Afinal, o caso Banco Master se transformou em uma grave crise financeira e institucional.

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O Apelido de “Maccallão” e a Dimensão do Caso Banco Master

O apelido de “Macallão” funciona como uma imagem jornalística incisiva. Ele faz alusão direta aos conhecidos escândalos do Mensalão e Petrolão. Consequentemente, serve para designar a enorme dimensão política do episódio. Não pretendemos afirmar antecipadamente que todos os envolvidos cometeram crimes. Primeiramente, as investigações federais ainda estão em pleno andamento. Acusações graves devem ser devidamente comprovadas nos autos. Além disso, cabe exclusivamente à Justiça estabelecer as responsabilidades individuais. Contudo, o tamanho dos valores financeiros não pode ser ignorado. A quantidade de instituições e personagens atingidos pelo caso Banco Master impressiona a sociedade.

Os Bilhões Envolvidos nas Operações do BRB

Para ilustrar o cenário, analisemos o relatório da Polícia Federal. Este documento investigativo, tornado público em setembro, trouxe um dado particularmente grave. Segundo a investigação, o BRB transferiu aproximadamente R$ 17 bilhões ao Banco Master. Essa transferência vultosa ocorreu no âmbito da aquisição de carteiras de crédito. Por conseguinte, desse total expressivo, a PF afirma que cerca de R$ 12,2 bilhões corresponderiam a títulos sem lastro. O BRB, por sua vez, contesta a interpretação sobre a sua responsabilidade institucional. A atual administração garante que tomou providências imediatas para proteger o patrimônio. O banco busca, portanto, garantir um eventual ressarcimento dos cofres. Entretanto, os balanços financeiros independentes mostram uma realidade divergente.

Suspeitas

O episódio também alcançou o próprio mercado de capitais. Reportagens baseadas em mensagens obtidas pela PF apontam que Daniel Vorcaro teria afirmado que buscaria apoio para a permanência de Otto Lobo na presidência da Comissão de Valores Mobiliários. Lobo, por sua vez, negou ter buscado apoio de Vorcaro ou possuir vínculo com ele. Trata-se novamente de informação investigativa que exige apuração, e não de responsabilidade criminal estabelecida.

Triagem

É nesse ambiente que aparece o verdadeiro perigo para a República. Paralelamente não é a investigação que ameaça o país. A investigação é justamente o instrumento que pode impedir que irregularidades permaneçam ocultas. O perigo está na eventual utilização seletiva das investigações, na transformação de escândalos em armas eleitorais e, principalmente, na possibilidade de que a passagem do tempo produza aquilo que os brasileiros já conhecem: a fadiga pública, a perda de interesse e, finalmente, o esquecimento.

Por Que o Caso Banco Master Exige Rigor Público?

A dimensão financeira do episódio é suficientemente vasta e preocupante. Portanto, impede que tratemos o assunto como uma ocorrência empresarial comum. Afinal, um banco público definitivamente não atua como uma empresa qualquer. Seu patrimônio bilionário pertence, em última instância, a toda a sociedade brasileira. Quando uma instituição controlada pelo governo assume riscos extraordinários, o perigo aumenta. A conta potencial desse desastre não desaparece simplesmente do mapa. Consequentemente, pode transformar-se em necessidade urgente de capitalização estatal. Também pode gerar redução de investimentos sociais ou restrição severa de crédito. Em outras palavras, resulta na necessidade de apoio financeiro suportado pelos contribuintes.

Crise do Banco Master e STF na Imprensa Internacional

TCDF

O Tribunal de Contas do Distrito Federal deu um passo crucial. O órgão determinou, em 23 de setembro, um bloqueio patrimonial significativo. Os conselheiros bloquearam até R$ 2,761 bilhões em bens e contas bancárias. A medida atingiu diretamente cinco ex-dirigentes do BRB. Certamente, essa quantia ainda parece pequena diante do rombo total. Nesse sentido, a decisão tem caráter cautelar e provisório no momento. Dessa forma, os envolvidos terão a oportunidade legal de apresentar defesa. O próprio valor da medida demonstra a imensa gravidade do assunto investigado. O órgão de controle trata os negócios entre o BRB e o Master com extremo rigor. Ademais, fosse deixado ao critério da população lesada, o bloqueio seria muito maior. A Justiça deveria alcançar cada nome citado nas investigações preventivamente.

Aceleramento de Operações e Indícios de Irregularidades

Mais preocupante ainda é a sequência temporal apresentada pelos investigadores. Segundo documentos analisados criteriosamente pela PF, o BRB continuou comprando ativos suspeitos. Isso ocorreu mesmo depois de o Banco Central apontar problemas sistêmicos claros. Uma dessas operações alcançou impressionantes R$ 4,05 bilhões. Esse montante circulou entre abril e maio de 2025 (data constante no relatório). A Polícia Federal afirma encontrar fortes indícios de fraudes procedimentais. As cédulas de crédito bancário utilizadas nessas operações possivelmente não existiam na prática.

Prevaricação

É justamente nesse ponto que a situação institucional muda completamente de figura. O episódio deixa de estampar apenas como uma questão de corrupção bancária tradicional. Passa a representar uma violação gravíssima de segurança e governança pública estatal. Os fatos descritos pela investigação encontrando confirmação, exigirão respostas imediatas. Os gestores certamente explicarão o avanço de operações desse tamanho colossal. Como isso ocorreu dentro de uma instituição estatal, superando tantos alertas formais? Também é necessário descobrir quem sabia de tudo nos bastidores do poder. Quando essas autoridades souberam dos fatos e quais providências tomaram efetivamente?

Conexões Políticas e o Impacto no Mercado Financeiro

Outro elemento contundente que amplia o escândalo é a rede de relações interpessoais. A quantidade de conexões revelada nas investigações recentes é assustadora. Documentos tornados públicos pelo STF escancararam diversos contatos de alto nível. Empresários, advogados criminalistas, políticos, ministros e autoridades figuram na longa lista. O próprio ministro responsável por este processo no STF retirou o sigilo judicial. Ele abriu o conteúdo de diversos procedimentos relacionados ao caso Banco Master. Dessa maneira, ampliou radicalmente o acesso e o escrutínio do público interessado.

Master chefe político

O imposto que você paga, paga os escândalos que você vê

A divulgação minuciosa desses materiais possui um significado jurídico importante. Todos os nomes mencionados estão implicados nesse amplo rol de irregularidades. Uma investigação criminal frequentemente reúne dezenas de pessoas do mesmo ecossistema. Elas aparecem como testemunhas, interlocutores, contratantes ou integrantes do círculo íntimo. Até prova cabal em contrário, a maioria desses nomes mantém algum envolvimento factual. Estão ligados a esse processo nebuloso tem urgência em ser elucidado. É necessário separar os fatos para salvar aqueles que não cometeram crimes. Ocupar uma posição pública relevante não blinda ninguém contra investigações legítimas. Relações perigosas devem sofrer apuração rigorosa diante de elementos objetivos. O que mais indigna a população pagadora de impostos é o desvio moral crasso. Muitas autoridades desfrutavam de orgias bancadas pelo dinheiro fácil desviado dos brasileiros.

Lições do Passado e a Busca Urgente por Transparência

A história recente da República brasileira oferece uma advertência dolorosa. O Mensalão, o Petrolão e outros grandes escândalos demonstraram padrões estruturais idênticos. Esquemas envolvendo desvios, empresas de fachada, partidos e agentes públicos transcendem núcleos iniciais. À medida que os investigadores aprofundam as operações táticas, novidades chocantes surgem. Aparecem novos contratos fraudados, intermediários ocultos, relações escusas e perguntas sem resposta. É exatamente por isso que o caso Master exige investigação até as últimas consequências. A Justiça deve agir independentemente da identidade política ou econômica dos investigados. Vivêssemos numa democracia madura, afastaríamos todas essas autoridades cautelarmente. O afastamento duraria até o término completo das apurações policiais.

Eleições

O calendário político do nosso país não poderia ser mais delicado atualmente. O Brasil encontra-se às vésperas de uma importante eleição geral mobilizadora. Em circunstâncias ideais, este seria o momento perfeito para discutir programas administrativos. Debateríamos soluções para a economia, segurança pública, saúde e educação de qualidade. Em vez disso, o país chega à disputa eleitoral visivelmente sobrecarregado. Carregamos uma sucessão interminável de investigações de imensa repercussão nacional. Algumas delas continuam inconclusas, sorvendo o precioso dinheiro público diariamente.

Banco Master e STF: O Templo Profanado pela Crise Institucional

Agir agora

Às vésperas de uma eleição, essa investigação não pode ser usada como combustível de campanha nem enterrada sob a avalanche de propaganda eleitoral. Deve permanecer onde sempre deveria ter estado: sob a luz dos documentos, dos órgãos de controle, da Polícia Federal, do Ministério Público, do Banco Central e da Justiça. Sem absolvições antecipadas, condenações não fundamentadas e proteção e blindagens política.

O Transatlântico Brasil Não Pode Navegar às Cegas

O Brasil definitivamente não pode esquecer mais um escândalo bilionário. Fraudes comprovadas pelos peritos daí para a frente a Justiça deve identificar e punir os responsáveis. Encontrando falhas de governança, os auditores e gestores administrativos responderão por isso. Caso determinados episódios não configurem crime, a Justiça estabelecerá essa inocência claramente. O que prejudica o interesse público é a manutenção do estado de suspeita perene. Uma nuvem gigantesca de dúvidas sobre instituições financeiras fundamentais destrói a economia nacional.

Muita calma nessa hora

O BRB, inserido nesse contexto altamente desafiador, exige proteção institucional absoluta. O banco representa um patrimônio histórico e valioso de todos os brasilienses. Não podemos confundir a instituição com os atos de seus antigos dirigentes investigados. A própria administração atual garante a tomada de medidas preventivas rigorosas. Os gestores buscam separar a instituição das práticas atribuídas à diretoria afastada. Essa distinção jurídica e administrativa revela-se absolutamente fundamental neste momento crítico. Punir responsáveis criminais não significa, de forma alguma, punir o banco público. Uma República verdadeiramente séria jamais opera sob o conceito de culpa coletiva.

Pela credibilidade

A economia brasileira já sofre com dívida alta e juros asfixiantes diariamente. Enfrentamos problemas fiscais complexos e enorme desconfiança crônica em relação ao Estado. Uma crise envolvendo instituições financeiras estratégicas acrescenta um ingrediente extremamente perigoso. Ela provoca a imediata e nociva perda de confiança sistêmica no mercado. Confiança é, sem dúvida, um ativo institucional invisível e inestimável. Um banco possui prédios imponentes, sistemas modernos e bilhões em capitalização. Porém, se o mercado perde a crença na qualidade dos ativos, tudo desmorona velozmente. O edifício financeiro estremece até as fundações.

Manto da invisibilidade

O país recusa a invenção de mais um grande escândalo passageiro. Não aceitaremos um caso que estampa manchetes e depois desaparece nos arquivos poeirentos. A sociedade civil começa brilhantemente a desvendar os bastidores dessa trama financeira. É fundamental descobrir os ganhadores, os perdedores, os autorizadores e os omissos. A população exige rastrear minuciosamente todo o caminho percorrido pelo dinheiro suado.

Agora é enfrentar

O transatlântico nacional ainda navega bravamente em águas turbulentas e imprevisíveis. Mas, diante das cifras bilionárias e das conexões reveladas, o alerta soa forte. Ignorar a realidade agora seria uma atitude criminosamente irresponsável. Fica impossível fingir que não há água entrando no casco da nossa economia.

A frase que foi pronunciada:

“A atuação do Poder Judiciário deve pautar-se pelo estrito respeito às garantias constitucionais, exigindo-se fundamentação idônea, concreta e contemporânea para a imposição de qualquer medida restritiva de direitos.”

Ministro André Mendonça e o óbvio esquecido por alguns colegas

História de Brasília

A Câmara dos Deputados perdeu 75 minutos discutindo o projeto revogando a proibição contra lutas de galos. Pois bem. Depois disso, em 45 minutos aprovou 17 outros projetos, muitos dos quais de grande importância. ( Publicada em 26.05.1962)

O trigo e o joio

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CIArce

A menos de duas semanas do primeiro turno de 4 de outubro, o Brasil chega às urnas carregando, ao mesmo tempo, dois dos maiores escândalos de corrupção e eleições de sua história recente. O caso do Banco Master e o esquema de descontos indevidos sobre aposentadorias do INSS não são episódios menores nem circunscritos.

Lama

Esses fatos atravessam partidos, atingem o entorno da Presidência da República e, o que é mais grave para a estabilidade institucional do país, colocam sob suspeita parte dos próprios ministros do Supremo Tribunal Federal. É difícil lembrar de um momento em que a política, o sistema financeiro, a Previdência e a mais alta corte do país tenham sido salpicados pelo mesmo tipo de lama, ao mesmo tempo, às vésperas de uma eleição presidencial.

VISTO, LIDO E OUVIDO

Coluna criada em 1960 por Ari Cunha (In memoriam) no Correio Braziliense
Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade

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Os desdobramentos do Banco Master e o cenário político nacional

O Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 após acumular dívidas próximas de R$ 40 bilhões, deixou de ser apenas um caso de insolvência bancária. O processo tornou-se sinônimo de uma crise sistêmica profunda.

Seu controlador, Daniel Vorcaro, foi preso duas vezes: a primeira quando tentava deixar o Brasil de jato particular, e a segunda em nova fase da Operação Compliance Zero. Atualmente, Vorcaro negocia uma delação premiada cujo alcance ainda permanece desconhecido.

O que já se sabe basta para inquietar a opinião pública. Reportagens apontam repasses mensais a Guido Mantega e milhões pagos ao escritório da família do ex-ministro Ricardo Lewandowski.

Investigação

Além disso, destaca-se um contrato de R$ 129 milhões com o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes, interrompido apenas quando o banco foi liquidado. A lista de citados atravessa todo o espectro político, de Michel Temer a Flávio Bolsonaro, que teria negociado dezenas de milhões com Vorcaro para financiar um filme sobre o pai. A investigação chegou também ao Senado, com apurações da Polícia Federal sobre o então líder do governo na Casa, Jaques Wagner.

A Operação Sem Desconto e as fissuras institucionais no STF

Em paralelo, o esquema de descontos associativos indevidos sobre benefícios do INSS, que a Operação Sem Desconto apura desde 2024, voltou a ganhar força ao longo de 2026. Houve o indiciamento de um ex-procurador-geral do instituto, a quebra de sigilo bancário de Fábio Luís Lula da Silva autorizada pelo relator da CPMI autorizada pelo relator da CPMI e delações que envolveram até um ex-ministro do Trabalho.

Fatos

Além disso, destaca-se um contrato de R$ 129 milhões com o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes, interrompido apenas quando o banco foi liquidado. A lista de citados atravessa todo o espectro político, de Michel Temer a Flávio Bolsonaro, que teria negociado dezenas de milhões com Vorcaro para financiar um filme sobre o pai. A investigação chegou também ao Senado, com apurações da Polícia Federal sobre o então líder do governo na Casa, Jaques Wagner.

Contudo, o ritmo das apurações, ainda sem data de julgamento para Vorcaro e sem desfecho conclusivo para a CPMI do INSS, mostra que essa clareza dificilmente chegará a tempo.

A responsabilidade compartilhada entre os Poderes da República

Nesse cenário, é justo cobrar também a condução do governo federal. Volta e meia se repete a crítica de que o presidente Lula tem dedicado parcela desproporcional de seu terceiro mandato a atos de palanque e à manutenção de uma campanha praticamente permanente.

Para os críticos, esse estilo se sobrepõe à rotina mais discreta de administrar as contas públicas com o mesmo cuidado que qualquer chefe de família aplica ao próprio orçamento doméstico. Trata-se de uma crítica legítima e recorrente ao estilo presidencial, ainda que seja preciso reconhecer que ela expressa um julgamento sobre prioridades de governo, e não um fato apurado por órgãos de controle.

Mas seria simplista atribuir a crise institucional que o país atravessa apenas ao Palácio do Planalto. O Supremo Tribunal Federal, que deveria ser o fiador da legalidade nesse processo, viu-se ele próprio salpicado pelos dois escândalos, de forma direta ou indireta, por meio de familiares, ex-integrantes e decisões contraditórias entre ministros.

Desmoralização e perda paulatina de poder

Quando a mesma corte que investiga é também, em algum grau, investigada, o desgaste não fica restrito ao governo de plantão. Esse fator afeta a arquitetura inteira de freios e contrapesos sobre a qual se apoia a democracia brasileira.

Nesse sentido, é razoável dizer que a responsabilidade pela atual crise de credibilidade não pertence a um único Poder. O problema decorre de um entrelaçamento complexo entre política, mercado financeiro e Justiça, setores que se acostumaram, ao longo de décadas, a naturalizar zonas de influência mútua.

O direito ao voto informado e os custos ocultos da corrupção

Diante disso, cabe a pergunta que qualquer eleitor tem o direito de fazer antes de votar: quem, entre os nomes que disputam ou sustentam candidaturas em outubro, esteve de fato alheio a esses episódios, e quem apenas não foi, até agora, formalmente citado?

“A República do rabo preso”

Trabalhador partido

No caso do INSS, milhões de aposentados sofreram descontos associativos retirados de seus benefícios sem autorização válida, causando um dano concreto. Fato recorrente ao orçamento de famílias que já sentem, na ponta, os efeitos da desaceleração econômica. Corrupção, nesses dois casos traduz-se em dinheiro público mal cuidado, ausência de fiscalização e benefício previdenciário corroído. Vale lembrar que tudo isso às vésperas de um pleito que decidirá quem lidará com as consequências fiscais desses episódios pelos próximos anos.

A Polícia Federal, a CGU e a própria CPMI seguem na apuração de fatos, depoimentos e produzindo provas, num processo lento, imperfeito e sem muita esperança de conclusão integral às vésperas do pleito. A opinião pública, por sua vez, manifesta ceticismo quanto ao fim dessas apurações e à efetiva condenação dos réus, sobretudo das elites no poder.

Separar o trigo do joio, portanto, configura uma tarefa urgente que deveria caber prioritariamente à Justiça. Contudo, na prática institucional vigente, não há, de fato, a quem recorrer internamente.

A frase que foi pronunciada:

” Se o Banco Master foi criado no governo Bolsonaro, Vorcaro virou banqueiro no governo Bolsonaro e virou prisioneiro no governo Lula, porque aliados de Lula não querem investigação? Para favorecer Bolsonaro? “

Dona Dita acompanhando o noticiário

História de Brasília

A Câmara dos Deputados perdeu 75 minutos discutindo o projeto revogando a proibição contra lutas de galos. Pois bem. Depois disso, em 45 minutos aprovou 17 outros projetos, muitos dos quais de grande importância. ( Publicada em 26.05.1962)